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out 07 2020

Bíblia: Palavra de Deus para todos os dias

Por Koinonia livros Para celebrar São Jerónimo que, a pedido do papa Dâmaso traduziu a Sagrada Escritura dos originais hebraico e grego para o latim, língua universal daquela época, foi instituído o Ano da Bíblia. A versão latina da Bíblia ficou conhecida como Vulgata. Vamos responder a algumas perguntas comuns sobre a Bíblia. Quem escreveu a Bíblia? A Bíblia foi escrita por muitas pessoas. Não foi escrita de uma só vez. Ela traz as experiências da caminhada de um povo, o povo do Livro, por isso é a reflexão sobre a vida do homem e a resposta aos problemas existenciais ligando-os a Deus. É a reflexão sobre a vida humana e sobre Deus. O povo escolhido, o povo da Bíblia, discutia suas experiências, obtinha respostas iluminadas pela fé, que depois, ao longo do tempo foram escritas. Deus era sempre a referência, o ponto de partida, o centro da vida desse povo. Por isso, foram muitos os autores que, iluminados por Deus, escreveram a Bíblia com estilos literários diferentes. Quando a lemos, percebemos a acção de Deus na caminhada humana que quer o bem de todos os homens e mulheres. Enfim, foram muitas as pessoas que a escreveram, todas elas iluminadas por Deus, inspiradas por Deus, então, o grande Autor das Sagradas Escrituras é Deus que usou de mãos humanas para escrevê-la. Quando foi escrita? Os estudiosos consideram que a Bíblia começou a ser escrita a partir do século IX antes de Cristo. O último livro a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinquenta anos antes de Cristo. Portanto, não temos uma data com dia, mês e ano, porque sua escrita ocorreu lentamente e muito bem preparada por Deus. Porquê se chama Bíblia? Embora a Bíblia, na concepção de livro que temos hoje, se constitua num único volume, seu nome indica que ela não é apenas um livro, mas uma colecção de livros, alguns mais longos, outros muito curtos. Daí a palavra Bíblia, em grego livros, isto é um conjunto de 73 livrosque trazem diversos temas. Porem tratando sempre do mesmo assunto: a reflexão crítica sobre a vida, a caminhada de Deus com seu povo e a religião deste povo.   Porquê dizemos Bíblia Sagrada? Consideramos a Bíblia como sagrada porque ela é a Palavra de Deus. Tudo o que foi criado é obra de Deus, a natureza fala a linguagem de Deus, o universo com suas leis naturais também fala a linguagem de Deus. Ele fala ao ser humano por meio de acontecimentos.A Bíblia nasceu com o próprio homem, pois o homem percebeu, nos fatos e nas experiências da vida, que Deus sempre lhe falou. Em todas as culturas encontramos a religião como forma do homem se relacionar com Deus, de se ligar a Deus. Para o povo da Bíblia, ela começou a ser entendida como Palavra de Deus, a voz de Deus cerca de mil e oitocentos anos antes de Cristo, quando nosso pai Abraão experimentou Deus e entendeu que Ele lhe falava pelos acontecimentos. A partir desta experiência de Deus, a vida de Abraão mudou completamente. Ele passou a interpretar os sinais do Senhor nos acontecimentos e a segui-los. Começa então a ter importância as tradições e experiências religiosas que constituirão parte fundamental da Bíblia. Surgiram os Patriarcas do povo de Deus e com eles toda a experiência deste povo compilada bem mais tarde como livro. A Bíblia é Sagrada porque relata toda essa experiência do homem com Deus, relata a caminhada do homem com seu Deus, construindo a história… História da Salvação.   Porquê a Bíblia católica é diferente da Bíblia protestante? A Palavra de Deus acolhida pelo homem, a Bíblia católica e a dos nossos irmãos separados, protestantes, é a mesma. A diferença aparece quanto ao número de livros que cada uma possui. A Bíblia católica possui setenta e três livros.A Bíblia “evangélica” tem sete livros a menos: Judite, Tobias, 1o Macabeus, 2o Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácides) e Sabedoria. Mais diferenças aparecem nos livros de Ester (10, 4-16, 24) e de Daniel (13-14), onde pequenos trechos destes livros faltam na Bíblia“evangélica. Os sete livros que citamos acima não constam da Bíblia hebraica original, só bem mais tarde é que eles passaram a ser considerados como inspirados por Deus quando da primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, atendendo as necessidades dos judeus da Diáspora. Esses livros são chamados “Deuterocanónicos”, isto é, livros que foram aceite como inspirados bem mais tarde ou em segundo lugar. Apesar desta diferença os cristãos católicos e protestantes reconhecem que na Bíblia Sagrada está presente a Palavra de Deus que nos interpela, que nos convida a segui-lo, que quer o nosso amor de filhos e filhas, que nos ama muito mais do que nós a Ele. A Bíblia, Palavra de Deus para todos os dias, deve ser nosso livro de cabeceira. Não pode ficar fechada numa estante como um simples adorno empoeirando-se. Ela deve ser lida e praticada dia a dia.

set 15 2020

LITURGIA DO DIA

As dores de Maria e as Marias das dores Inspirado pelo livro do Pe. Mauro Odoríssio, missionário Passionista, na festa de Nossa Senhora das Dores, faço uma reflexão que poderá nos ajudar a ser mais humanos. Celebramos a festa da Mãe das Dores, 15/09, após a festa da Exaltação da Santa Cruz, dia 14/09. Para se desvendar o mistério que vivemos de violência dos direitos humanos, caiu como um pano quente, o vídeo que circula nas redes sociais de acto desumano, quando um grupo de homens armados e fardados executam sem remorso uma mulher. Apesar de ser um vídeo agressivo, para que chegássemos a ciência o quanto estamos indo ao lado extremo, insistimos em ver cada detalhe. Lançamos algumas perguntas: 1. Onde acharam aquela mulher? 2. Que mal ela cometeu? 3. Por que tiraram a sua roupa e deixaram nua? 4. Por que decidiram gravar e postar nas redes sociais? 5. Qual é a finalidade dessa ação fria e cruel? 6. Por que mataram aquela mulher que parecia indefesa e sem sinal de perigo a ninguém? 7. Onde estão os homens que a deixaram naquela condição de indefesa ? Se os que fizeram aquilo querem mostrar o empenho e a força que têm, saibam que ao contrário, não representam a nenhum homem que nasce de uma mulher e por tanto carinho é alimentado e educado. Se o grupo que fez aquele acto bárbaro quer mostrar a heroicidade de ter achado, como no vídeo gritam, uma Al shabab, saiba que em Moçambique temos a Justiça, temos os tribunais que deveriam analisar e se for culpada condena-la. Fazer justiça pelas próprias mãos é crime. Usar as armas para vingança pessoal é crime. Se fazer de um militar que defenderia ao povo e no lugar, provocar horrores, é crime. Há quase três anos que estamos a vivenciar o terrorismo em Cabo Delgado. Os defensores dos Direitos Humanos denunciam a violação dos direitos fundamentais da pessoa humana. Sabemos da intensidade da guerra e o que gera, mas exibir actos de guerra para qualquer fim, é um acto em si, condenável porque a vida é dom de Deus. Não defendemos nenhum terrorista e sabemos o que está a causar nessa parcela do país. O que queremos mesmo fazer é mostrarmos minha indignação quanto ao comportamento de quem sai para guerra para defender mas usa a ocasião para aprontar filmes de terror. As dores de Maria e as Marias das dores foram atingidas por aquele vídeo em que executam uma mulher como se com aquela ação terminaria hoje a guerra. Sabemos da complexidade dessa guerra e dos imensuráveis danos que cada dia provocam. Mas por favor, vamos cuidar das nossas Marias das dores porque cada dia choram ao ver seus filhos morrendo, executados, usados, degolados e instrumentalizados. Pedimos às autoridades das Forças de Defesa e Segurança que encontrem o responsável por aquele acto insuportável de ver nem de ouvir que acontece em Moçambique. Que não se crie ambientes de novo Afeganistão nem nova Síria nesta praia amada. Queremos voltar a sonhar com um país de paz e tranquilidade. Apoiamos o esforço de se repôr a normalidade da vida em Cabo Delgado e tanto esforço e dedicação de nossos irmãos militares de boa vontade e reputação. Que não se tolere infiltrados que vão manchar o bom nome dos militares governamentais a serviço do país. Que não se aceite oportunistas que ferem o bom nome de Moçambique. Não se admita que haja um grupo de homens que jogam na cara os males contra o governo e seus líderes. Queremos, como irmãos, combater todo mal. Mas saibam que nunca se elimina o mal com outro mal. Porém, deve-se usar caminhos apropriados para o fim da guerra que envolve o diálogo e reconciliação. Que as lágrimas de muitas Marias das dores cheguem até ao nosso Deus que venha em nosso auxílio. Venha nosso Deus e toque os corações endurecidos e haja arrependimento e remorso pelos males cometidos. Que Nossa Senhora das Dores interceda por todas as pessoas que a esse momento que escrevemos são vítimas da guerra e da violência. Deus cure a todos! Deus salve Moçambique (Por Pe. Kwiriwi, CP)

jul 15 2020

A COMUNIDADE E OS QUE MORREM

A COMUNIDADE E OS QUE MORREM Carta assinada, Paróquia São Pedro de Napipine Querida amiga Vida Nova: a minha inquietação está no Diretório da Pastoral da Arquidiocese de Nampula que fala sobre o funeral de um cristão que vive numa situação “irregular”. O DP, no nº 84, diz: “A igreja, neste caso, tem seguido as seguintes normas: Não se pode realizar uma celebração solene do funeral. Não se pode pretender que esteja presente o Padre, animador, ancião ou ministro dos funerais a presidir a cerimónia religiosa, quer em sua casa quer no cemitério, ou que se leve o cadáver à Igreja para rezar por ele. No entanto, não é proibido rezar para um irmão que morre não estando a praticar a religião ou que não recebe os sacramentos. A família pode e deve rezar por ele. Se estiverem os cristãos presentes, é bom que acompanhem nas orações pelos defuntos.” Acontece que num funeral deste tipo, sai um irmão da comunidade e começa a dizer o seguinte: “Vocês do grupo de oração negam rezar por este irmão com alegações que ele era irregular e nunca rezou convosco, mas nós testemunhamos que ele foi batizado, crismado e todo aquele que reúne estes requisitos, mesmo que não vá à Igreja regularmente, deve ser acompanhado com oração presidida pelo Padre, ancião ou animador e ainda dizem que quem pode julgar pelos pecados é só Deus. Não devem rezar por ele porque? Por ser irregular? E vocês não são irregulares? Jesus fazia milagres apenas para cristãos em estado regular?”. Será que estamos a interpretar mal o DP? Se assim for, porque é que as pessoas ligadas a estes regulamentos não nos atualizam para nos tirar da vergonha que tem vindo a registar-se nas cerimónias e em frente de pessoas estranhas à nossa religião? Algumas pessoas esperam um acontecimento deste tipo para difamar os responsáveis do grupo de oração ou núcleo. Ajudem-nos a sair desta vergonha. Resposta Vida Nova: Amigos de Napipine. Muito obrigado pela vossa carta (que tivemos que resumir por falta de espaço). Na verdade, a vossa é uma preocupação muito legítima. O problema está na interpretação deste número do DP. O Diretório não proíbe rezar pelo defunto, pelo contrário, aconselha-o. A palavra chave é “solene”; diz também que “não se pode pretender…”, isto é, não se  pode exigir um tratamento igual para uma pessoa que viveu como cristão verdadeiro e para outra que, mesmo batizada e crismada, voluntariamente abandonou o seguimento de Cristo; quis, com os seu comportamento, deixar de viver como cristão-católico. Porém, estes casos devem ser resolvidos no Conselho Paroquial pois, neste espaço, corremos o risco de não entender o contexto da situação que também é muito importante para dar uma resposta. Aconselhamos que apresentem o caso ao vosso Pároco ou ao Bispo.  Por último: nunca deixem de praticar os gestos de caridade com os que sofrem e com as famílias dos defuntos, como fez Jesus.

jul 15 2020

CARTA A TITO

CARTA A TITO Por: Judith Hanauer Esta carta é dirigida a Tito  e aos pastores da Igreja por volta dos anos 64-65 d. C., onde Paulo apresenta normas e regulamentos de como deve ser o comportamento do ministro cristão. Paulo confia a Tito a organização das Comunidades. Orienta sobre os critérios a ser usado na escolha dos responsáveis das Comunidades. Que não serve qualquer pessoa, mas deve ser alguém com comportamento exemplar em todos os sentidos, ter uma vida digna, ser fiel e coerente com o que for  anunciar. Assim como hoje, havia naquele tempo, falsos anunciadores, pessoas que se aproveitavam da fé dos cristãos para proveito próprio. Paulo alerta Tito para que tenha cuidado neste sentido, pois estava a surgir falsos mestres entre eles e que geravam confusão na mente dos fiéis. Dá orientações a Tito  como orientar a todos, sejam velhos ou jovens, homens ou mulheres.Todos deviam mostrar a partir da vida prática, no dia a dia, que realmente tinham se convertido para Cristo. Ninguém estaria dispensado de ter uma boa conduta e uma boa vivência da fé. Para Paulo o relacionar-se bem com pessoas de todas as idades dentro da Igreja era muito importante.  Lembra a Tito que ele como responsável, tem obrigação de chamar atenção de quem não se comportar bem como convém a um cristão. Ao lermos esta carta havemos de perceber que esta Palavra é dirigida, principalmente, aos responsáveis das Comunidades, aqueles que deviam conduzir de maneira exemplar o povo. O mesmo, Paulo continua a pedir de maneira insistente, aos responsáveis da Igreja nos tempos atuais. Pois há muitos que assumem serviços, ministérios na Igreja, como uma promoção pessoal, um emprego, para se manter e não há uma preocupação com o crescimento da fé dos cristãos das Comunidades. Há muitos falsos evangelizadores em nossas Comunidades, Paróquias e Dioceses que precisam ser advertidos, a fim de, assumirem com maior responsabilidade o compromisso que seu ministério exige. Boa reflexão e um bom exame de consciência para todos nós!

abr 26 2020

3º Domingo de Páscoa

Act. 5, 27-41; Ap. 5, 11-14; Jo. 21, 1-19 Jesus ressuscitado guia o trabalho da pesca Pescar é a missão da Igreja. Ao chamar os Apóstolos, Jesus tinha-lhes dito: farei de vós, pescadores de homens. Pescar peixes é matá-los. Pescar homens é salvá-los. No Evangelho de hoje vemos alguns Apóstolos em missão. Andam no meio do mar (o lugar do perigo, do sofrimento, do mal e da morte, para os humanos). Tinham visto o trabalho de Jesus de libertar as pessoas do mal (em todas as suas manifestações); viram-no vencer a morte… e, agora, também eles se metem no mar da vida, enfrentam a morte e se entregam generosamente, como Jesus, para tirar da morte os que, na vida, andam prisioneiros do mal. Pedro diz: vou pescar! E os outros seguem-no corajosamente. No barco estão 7 discípulos (número simbólico que representa a totalidade dos verdadeiros discípulos de Jesus, de todos os tempos). Jesus não está na barca (a Igreja). De facto já não estava visivelmente no meio dos discípulos. O Apocalipse mostra-o sentado no trono da sua realeza, cheio de glória, com os sinais do seu amor pela humanidade, como Cordeiro imolado. No entanto, Jesus não está longe da barca. Nem sempre a fé da Igreja é suficiente para sentir a presença de Jesus. Por isso ela se vê muitas vezes incapaz de ser salvadora da humanidade: a pesca não rende. Mas a fé da Igreja nunca morre totalmente: alguém vê que Jesus está perto – o discípulo predilecto. E, quando os 7 pescadores obedecem à Palavra de Jesus, com fé, a pesca torna-se abundante. Esta catequese é muito válida também para nós: tantas vezes temos a sensação que estamos sozinhos na realização da missão: não se vêem os frutos do nosso trabalho; o mal parece que aumenta cada vez mais e a salvação do mundo está mais longe (ver as dificuldades dos primeiros cristãos, na 1ª leitura). Mas não é verdade: não estamos sós. Podemos ser salvadores. Basta que também nós, hoje, sigamos a Palavra de Jesus. Esta, tal como a Pedro, nos pede que deixemos os projectos de glória, de honra e de grandeza pessoal, para nos convertermos ao amor desinteressado aos irmãos, tornando-nos seus pastores, ou melhor, seus pescadores.

mar 16 2020

A ESPIRITUALIDADE DO TEMPO DA QUARESMA

Por: Pe. Fonseca Kwiriwi, CP Iniciamos a abordagem sobre o tempo da Quaresma apontando o mistério que celebramos na Igreja Católica que com alegria todo cristão é convidado a vivenciar: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o ponto mais alto da fé cristã. É a partir desse mistério da nossa salvação que podemos mergulhar na espiritualidade da Quaresma. O que não deve ser confundido com a Quaresma como tempo litúrgico é o seguinte: Não é tempo de tristeza. Não é tempo de sofrimento. Não é tempo de viver alguma dieta alimentar em busca de um corpo “fitness”. Não são quarenta dias de luto pela morte de um familiar ou amigo. Que não haja confusão como muitas vezes se observa em várias comunidades cristãs que chamam quaresma o término da cerimónia de luto. Parece ser uma compreensão vinda de outras religiões ou costumes. O que é, então, Quaresma para a Igreja Católica? A partir do Evangelho de Mateus 6,1-18, encontramos o ensinamento de Jesus sobre os temas de Caridade, Oração e Jejum que a Igreja desde cedo busca viver na Quaresma. Quaresma é tempo de Oração: orar ao Pai em segredo. Participar da Santa Missa. Participar dos exercícios da Via Crucis (Via Sacra) todas as sextas-feiras. Rezar em família ou individualmente o Rosário (o Terço). Leitura e Meditação da Palavra de Deus em família ou na Comunidade. Quaresma é tempo de prática da Caridade: dar o que a pessoa tem sem tocar trombeta. Dar incondicionalmente a quem necessita. Dar ao outro o que na verdade lhe será útil. Abandonar o supérfluo para salvar a vida. Fazer dos bens uma ocasião de ser instrumento de Deus que aproxima os excluídos e os empobrecidos. Fazer o bem ao próximo com humildade. Quaresma é tempo de Jejum: permitir ao corpo sentir a fome como várias pessoas sentem a fome. No entanto, o cristão jejua para que depois partilhe com quem não tem o que comer. Dando exemplo: Se a pessoa jejua toda quaresma, a comida ou o dinheiro que serviria para si, partilha com alguém que passa fome por não ter nenhuma condição. Lembrar que durante o jejum ninguém deve saber, por isso, jejue em segredo. Jejue sem modificar o rosto. Um jejum bem feito traz paz interior. O jejum é uma das formas de penitência. O jejum traz benefícios ao corpo e a alma porque a pessoa pode torna-se paciente, calma, humilde, diminui a ansiedade, diminui a agressividade e torna a pessoa mais humana. Finalidade da Quaresma Toda caminhada quaresmal leva-nos a Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, viver bem a Quaresma significa fixar os olhos a Cristo Crucificado e Ressuscitado. Como Disse São Paulo da Cruz: “a Paixão de Cristo é o maior remédio para todos os males do mundo”. É nesta vertente que cada cristão é convidado a meditar a Paixão de Cristo no mínimo quinze minutos por dia durante a Quaresma ou mesmo todos os dias do ano porque irá obter o remédio para os males do mundo: as guerras, o ódio, a inveja, os ciúmes, todo tipo de pecado que ameaça a humanidade. Reiteramos que a Igreja não é uma instituição de sadomasoquistas. Não buscamos o sofrimento. Mas lutamos para um mundo melhor, justo, solidário e fraterno. Em Jesus Cristo e com Ele aprendemos e praticamos a Compaixão. Cristo nos convida a sermos misericordiosos como o Pai do Céu é Misericordioso. Todas as práticas do tempo da Quaresma, com maior relevância a penitência, devem ajudar o cristão a purificar-se. Por isso, no tempo da Quaresma cada cristão é convidado a confessar-se dos pecados e viver a penitência conforme a orientação do confessor. O que nos recomenda a Quaresma? O tempo da Quaresma deve lembrar na vida do cristão a experiência de Jesus no deserto que foi tentado mas venceu porque estava com o Pai. Cada cristão deve buscar fazer a vontade do Pai, confiar em Deus Pai. Não há nenhuma acção boa que seja distante de Deus, ou seja, todo bem que fazemos é Deus agindo em nós, seus filhos, instrumentos do seu Amor. Quaresma é tempo de reconciliação com Deus, com os outros, com o mundo e até connosco mesmo. Quaresma é de tempo de construirmos a Paz interior, na família, na sociedade e no mundo. Quaresma é tempo de lutarmos por uma sociedade justa. Quaresma é tempo de solidariedade e partilha de bens. Quaresma é tempo de abrirmos os nossos corações que Deus habite em nós. Quaresma é tempo de sermos “Cristos” hoje e aqui onde vivemos e trabalhamos. Quaresma é tempo de sermos Igreja, de sermos unidos, de sermos irmãos. Quaresma é tempo de superarmos as divisões e divergências. Quaresma é tempo de testemunharmos ao mundo o Cristo que continua sendo crucificado pelas grandes potências multinacionais que exploram aos pobres e suas riquezas. Quaresma é tempo de sermos luz das nações neste mundo que os poderosos procuram eliminar os fracos; os ricos continuam mais ricos e os pobres mais paupérrimos. Quaresma é tempo de Oração, de Jejum e de prática de Caridade. Mas tudo em segredo e dirigido a Deus, o Pai. Que a Quaresma de 2020 seja diferente na sua vida e na vida da Igreja e da sociedade.

dez 29 2019

Festa da Sagrada Família

Festa da Sagrada Família Sir. 3, 3-17; Cl. 3, 12-21; Mt. 2, 13-15.19-23 O Filho de Deus cresce numa família humana Deus preparou uma família adequada para que o seu Filho, enquanto homem, pudesse crescer harmoniosamente. É na família que todos aprendemos a ser pessoas de bem. A primeira leitura fala dos deveres dos filhos para com os pais. Mas, como é que um pai pode merecer respeito, se com frequência se embebeda, gasta o dinheiro sozinho e maltrata a família, cria problemas com os vizinhos e não se mostra responsável em nenhum trabalho? Nas nossas comunidades não há muitas situações dessas? Não basta casar na Igreja para formar um bom casal. É necessário criar espaço para o diálogo sobre as questões familiares, deixar cada um de fazer o que lhe apetece, partilhar os trabalhos, compreender e perdoar as fraquezas um do outro e saber apreciar o que o outro tem de bom. É importante também saber oferecer a Deus o marido, a esposa e os filhos que temos, como fizeram Maria e José com Jesus. Colocando nas mãos de Deus os que nos são queridos, asseguramos o nosso amor por eles. A comunidade cristã é uma família. Tal como os pais têm tendência a castigar severamente os filhos descomandados, também a comunidade cristã tende a pôr fora os seus filhos que se comportam mal, abandonando-os ao seu descontrolo. Isso não é bom. Bom é oferecer à pessoa fraca um clima de confiança que a anime a vencer as suas fraquezas. É preciso ser fortes nas exigências que propiciam a mudança mas, ao mesmo tempo, usar de muita paciência e acompanhar a pessoa com muito amor, de modo que ela possa reerguer a sua vida. A Igreja deve-se considerar a si mesma como um hospital onde os que já foram curados tomam conta dos que estão convalescentes e a recuperar dos seus pecados e não como um clube de santos que expulsam os pecadores.

dez 25 2019

Festa do Nascimento de Jesus

Festa do Nascimento de Jesus Missa da noite: Is. 9, 2-7(1-6); Tt. 2, 11-14; Lc. 2, 1-14 Missa da Aurora: Is. 62, 11-12; Tt. 3, 4-7; Lc. 2, 15-20 Missa do Dia: Is. 52, 7-10; Hb. 1, 1-6; Jo. 1, 1-18 Acabou a noite: nasceu o dia! As leituras das celebrações de Natal falam da escuridão, do sofrimento e da morte que envolviam o mundo, antes do nascimento de Jesus. O Natal do Salvador é como se, inesperadamente, o sol começasse a nascer, transformando a noite em dia: é o princípio do fim do sofrimento, do luto e da tristeza. É o princípio do mundo novo! A transformação do mundo não acontece de repente, de um momento para o outro. Não é num instante que se muda um coração de pedra, num coração bondoso, compassivo e justo. Não é de repente que se mudam as estruturas injustas e corruptas de uma sociedade. Não é de um dia para o outro que se acaba uma guerra. Mas aquele que crê em Jesus já encontrou a forma de se ir libertando do mal, na medida da sua fé. É preciso ressaltar que nem todos se deixaram iluminar pela presença do Messias de Deus: os simples, os que não estavam agarrados a nada, porque nada tinham, os pastores, deixaram-se conquistar por essa luz e foram alegrados por ela: dirigiram-se para ela, adoraram-na e regressaram iluminados. Outros, como Herodes, agarrados ao poder e às riquezas, sentiram Jesus como uma ameaça. É que ele vem reforçar o direito e a justiça. Quem se tornou forte e enriqueceu sem respeitar o direito e a justiça olha para o Salvador como um inimigo. O Natal é festa de grande alegria porque, quem aceita Jesus e acredita nele torna-se, como ele, filho de Deus. O Filho de Deus fez-se Homem, para que todo o homem pudesse possuir a herança de Deus, a vida no amor, a vida que a morte não atinge. Deste modo é injetada na humanidade a vacina que cura o mal de Adão: o egoísmo. Abre-se assim, de novo, o paraíso e volta a esperança da felicidade para sempre.

dez 22 2019

4º Domingo do Advento – Ano A

4º Domingo do Advento – Ano A Is. 7, 10-14; Rm. 1, 1-7; Mt. 1, 18-24 Jesus é o Emanuel: Deus connosco O rei Acaz sentiu-se ameaçado pelos seus inimigos e, embora fosse descendente de David, não quis confiar em Deus, que tinha prometido a David: o teu reinado não terá fim. Preferiu antes pedir ajuda a uma grande nação: a Assíria. O profeta Isaías vê nessa decisão um grande perigo: a Assíria viria ajudar mas, depois, colonizaria e tiraria a liberdade aos Israelitas, impondo a sua religião e as suas leis pagãs. Por isso diz ao rei que não tenha medo, que confie em Deus e não na Assíria, e até o desafia a pedir um sinal a Deus. Mas o rei não quis voltar atrás na sua decisão. Então o profeta diz ao rei porque é que deveria ter confiança: a sua jovem esposa (virgem) estava para ser mãe e, no seu filho, Deus iria mostrar a sua força, como Emanuel. O filho de Acaz, Ezequias, foi de facto um bom rei, mas não conseguiu evitar que as escolhas do pai levassem o povo para o exílio de Babilónia. No entanto a promessa de Deus ficou de pé. Uma outra jovem, Maria de Nazaré, seria a virgem que haveria de dar à luz o verdadeiro Emanuel. O nascimento daquele que, de verdade, seria ‘Deus connosco’ aconteceu de modo admirável. Foi gerado, não pela força de um homem, mas pela força de Deus. José era o esposo prometido a Maria, mas ainda não a tinha junto de si. Sendo justo, não queria ser de obstáculo à ação de Deus e, por isso, pensou em dispensar Maria do seu casamento. Deus, porém, fez-lhe compreender que ele não estava a mais na história. Sendo José da descendência de David, seria ele a dar o nome a Jesus, para que se cumprisse a promessa de que o Messias seria descendente de David. Todos somos importantes, como Maria e José, para permitir que Deus se torne o Emanuel do nosso povo.

dez 15 2019

3º Domingo do Advento – Ano A

3º Domingo do Advento – Ano A Is. 35, 1-10; Tg. 5, 7-10; Mt. 11, 2-11 És tu o Messias? João Batista imaginava o Messias como um novo Elias. O profeta Elias tinha tentado reconduzir o Povo outra vez para Deus e fez isso de forma violenta, matando várias centenas de profetas de Baal, que tinham arrastado Israel para a idolatria (1Re. 18,20-40). Por isso, é também de maneira violenta, com castigos severos, que o Batista pensava que o Messias iria fazer voltar para Deus os pecadores do seu tempo. Ele tinha tentado fazer isso com muitas ameaças. Mas sem grande resultado. Por isso ele diz: “Está a vir quem é mais poderoso do que eu” (Mat. 3,11), como que a ameaçar: haveis de ver o que vos vai acontecer! João deve ter ficado confuso quando viu que Jesus não usava o machado para cortar o mal pela raiz, não quebrava a cana rachada, não condenava os fracos, não queimava com fogo os pecadores, mas procurava transformar a vida deles e curava as suas doenças: punha os coxos a andar, os surdos a ouvir e os mudos a falar. Isaías já tinha profetizado que essa seria a atuação do Messias (Is.35, 4-6), mas João gostava mais da radicalidade de Elias. Quantos de nós também não gostaríamos que Deus fosse mais severo com tantos malandros, corruptos, ladrões, assassinos, que tanto mal fazem ao mundo? E ficamos desorientados com a paciência de Deus que, com tanta misericórdia, deixa andar o mundo cada vez pior! Afinal, que Deus é este? Tiago anima os cristãos a não desistirem, mesmo se parece que Deus não faz nada para os livrar do sofrimento e da opressão dos poderosos porque, a seu tempo, Ele há-de intervir. Do mesmo modo, de maneira pacífica, os cristãos também devem intervir na sociedade para a mudar e transformar, porque paciência não significa resignação. Diante dos impacientes, como João Baptista, Jesus mostra que o verdadeiro Messias está ao serviço das pessoas e não desanima perante a maldade delas, mas procura pegar no pouco de bom que elas têm para as animar a entrar num caminho novo. Ele não vem para condenar e castigar: vem como médico, para curar o mal. Os verdadeiros discípulos do Messias são aqueles que não se limitam a criticar e condenar o mal do mundo, mas se empenham a trabalhar para curar as causas da injustiça e da opressão.

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