Génese do Coral da Região da cidade marcada por discriminação e incompreensões
Por Kant de Voronha Passados 5 anos desde a constituição e primeira animação litúrgica do Grupo Coral da Região Pastoral da Cidade de Nampula, ficam memórias de discriminação e incompreensões. A informação foi partilhada no último Domingo (20/06) pela respectiva Coordenadora, Felicite Nsipanil Luvuezo, a margem da celebração dos 5 anos de fundação, no Seminário Filosófico São Carlos Lwanga. A fonte referiu que o coral nasce como iniciativa do Arcebispo Emérito de Nampula, Dom Tomé Makhwéliha, com objectivo de animar grandes eventos arquidiocesanos como ordenações e outras cerimónias lirúrgico-pastorais. “O nosso grupo nasce a 19 de Junho de 2016 na ordenação Sacerdotal dos padres Jeremias, Raça e Chuva. Não foi tão fácil permanecer até chegar a comemorar estes 5 anos. As tempestades não faltaram. No início houve discriminação porque diziam que o grupo não podia ser coordenado por uma estrangeira. Mesmo assim não desanimei até este dia” referiu Luvuezo. Como perspectivas para o futuro, o Coral da Cidade pretende gravar um CD e compilar um livro à semelhança de Niwipele Apwiya da Diocese de Nacala. Felicite diz que o grupo carece de uma sede onde os membros se possam reunir, conservar seu material e realizar as suas actividades livremente. “Gostaria que os nossos Bispos junto com os padres ajudassem o grupo a ter um lugar onde possa guardar seu material, realizar seus ensaios e outras actividades”. O Coordenador Arquidiocesano de Liturgia em Nampula, o Pe. Jeremias do Rosário, no seu discurso por ocasião da Missa de 5 anos da sua turma manifestou gratidão pelas orações de quantos acompanham os passos do exercício ministerial do seu grupo presbiteral. Pe clérigo destacou ainda o sofrimento por que passa o Pe Agostinho Chuva que há dois anos sofreu agressão por desconhecidos em sua Paróquia, em Namitória, tendo sido submetido a uma cirurgia na cabeça e encontra-se em convalescença. “Agradecemos aos nossos Bispos que nos acolhem. Ao Pe Alberto Ferreiro que nos acompanhou durante o nosso retiro espiritual. Rezamos insistentemente ao nosso confrade PE Agostinho, estamos em comunhão e oração”. Refira-se que o grupo Coral da Região Pastoral da cidade de Nampula é composto por cristãos oriundos das Paróquias da Sé Catedral, São José, São João Baptista do Marrere, São Pedro de Napipine, Santa Maria, Nossa Senhora da Paz, Santa Isabel, São Francisco Xavier e Santa Cruz.
jun 19 2021
DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Job 38,1.8-11 Salmo 106 (107) Segunda Leitura: 2 Coríntios 5,14-17 Evangelho: Marcos 4,25-1-41 Tema: Deus nunca abandona o seu povo A liturgia da Palavra deste domingo diz-nos que Deus caminha com seu povo apesar dos acontecimentos que aparentam a ausência de Deus Pai. Ele cuida com amor de pai, de tio e de mãe oferecendo-lhe a cada passo a vida e a salvação. Deus é presente mesmo quando pensamos que está surdo. A experiência de Job na primeira leitura destaca que Deus majestoso e omnipotente, domina a natureza e que tem um plano perfeito e estável para o mundo. O homem, na sua pequenez e finitude, nem sempre consegue entender a lógica dos planos de Deus; resta-lhe, no entanto, entregar-se nas mãos de Deus com humildade e com total confiança como fez o personagem de livro chamado por Job. Paulo, na segunda leitura, garante-nos que o nosso Deus não é um Deus indiferente, que deixa os homens abandonados à sua sorte. A vinda de Jesus ao mundo para nos libertar do egoísmo, da inveja, do ódio que escravizam a pessoa humana e para nos propor a liberdade do amor e fraternidade mostra que o nosso Deus é um Deus interveniente, que nos ama e que quer ensinar-nos o caminho da vida. Marcos propõe-nos uma catequese sobre a caminhada dos discípulos em missão no mundo. O Evangelista garante-nos que os discípulos nunca estão sozinhos a enfrentar as tempestades que todos os dias se levantam no mar da vida. Os discípulos nada têm a temer, porque Cristo vai com eles, ajudando-os a vencer a oposição das forças que se opõe à vida e à salvação dos homens. A história relatada por Job serve de pretexto para reflectir sobre certos temas fundamentais sobre as quais o homem sempre se interroga, por exemplo, a questão do sofrimento do justo, do bondoso e do inocente, a situação do homem diante de Deus e a atitude de Deus face ao homem.Apresenta-nos a história de um homem bom e justo (Job), repentinamente atingido por um vendaval de desgraças que lhe rouba a riqueza, a família e a própria saúde. Depois de vários relatos de resistência diante do sofrimento, desafios, dificuldades, a história termina com Job a perceber o seu lugar, a reconhecer a transcendência de Deus e a incompreensibilidade dos seus projectos, a entregar-se nas mãos de Deus com humildade e confiança. O objectivo pelo qual Deus se manifesta é responder às questões de Job e fazer Job perceber a insensatez das suas críticas. Acontece com cada ser humano no momento da dor tentamos criticar Deus sem nos lembrar que Ele é Pai. Enquanto Job inicia criticando Deus pela sua atitude, Paulo fez a experiência do amor de Cristo e deixou-se absorver por esse amor. A sua acção tem apenas como objectivo levar o amor de Cristo ao conhecimento de todos os homens. Paulo vive uma experiência única na sua vida e se isso fosse, humanamente falando, um encontro entre um jovem e sua namorada diríamos que Paulo está não só apaixonado mas também entregue ao colo e coração da sua amada. Paulo enfatiza que Cristo morreu por todos, a fim de que os homens, aprendendo a lição do amor que se dá até às últimas consequências, deixassem a vida velha, marcada por esquemas de egoísmo e de pecado. Contemplando o Cristo que oferece a sua vida ao Pai e aos irmãos, os homens não viverão, nunca mais, fechados em si mesmos; mas viverão, como Cristo, com o coração aberto a Deus e aos outros homens. É esta “boa nova” que absorve Paulo completamente e que ele quer passar a todos os seus irmãos. Paulo admite e faz uma confissão pública que, no passado, entendeu Cristo “à maneira humana” e não percebeu que a sua doação até à morte era expressão de um amor ilimitado; mas, depois de se ter encontrado com Cristo ressuscitado na estrada de Damasco, Paulo passou a ver as coisas de forma diferente Paulo quer anunciar – por mandato de Cristo – que a adesão a Cristo faz desaparecer o homem velho do egoísmo e do pecado e faz surgir uma nova criatura. Ele experimentou o amor de Cristo e tornou-se uma nova criatura. Agora, ele sente que Deus o manda testemunhar essa experiência diante de todos os homens. Somos convidados a experimentar uma vida com Cristo renunciando o velho, os males que sempre nos escravizaram. Temos que dar um novo passo rumo ao homem novo em Cristo. Marco Situa o barco com Jesus e os discípulos “no mar”, que significa colocá-los num ambiente hostil, adverso, perigoso, caótico, rodeados pelas forças que lutam contra Deus e contra a felicidade do homem. Por outro lado, a “noite” é o tempo das trevas, da falta de luz; aparece como elemento ligado com o medo, com o desânimo, com a falta de perspectivas. O “mar” e a “noite” definem uma realidade de dificuldade, de hostilidade, de incompreensão, de guerra com as forças que dificilmente o ser humano compreende. No contexto africano, o mar pode ser visto como ambiente de “majine”, espíritos do mal que atrapalham a pessoa humana. A “tempestade” significa as dificuldades que o mundo opõe à missão dos discípulos. É provável que Marcos estivesse a pensar numa “tempestade” concreta, talvez a perseguição de Nero aos cristãos de Roma, durante a qual foram mortos Pedro e Paulo, bem como muitos outros cristãos anos 64-68. Marcos alerta que os discípulos terão de enfrentar ao longo do seu caminho histórico, até ao fim dos tempos muitas tempestades: perseguições e guerras contra a Igreja e seus membros. Encontramos a imagem de um barco cheio de discípulos convidados por Jesus a passar “à outra margem do lago” e a dar testemunho dessa vida nova que Deus quer oferecer aos homens é uma boa definição de Igreja. Por isso temos que tomar consciência de que a comunidade que nasce de Jesus é uma comunidade missionária, cuja tarefa é ir ao encontro dos homens e
jun 12 2021
DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Ezequiel 17,22-24 Salmo 91 (92), Segunda Leitura: 2 Coríntios 5,6-10 Evangelho: Marcos 4,26-34 Tema: Olhar a Deus e a vida com confiança e esperança A Liturgia da Palavra convida-nos a olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança. Deus, fiel ao seu plano de salvação, continua, hoje como sempre, a conduzir a história humana para uma meta de vida plena e de felicidade sem fim. Ezequiel, na primeira leitura, assegura ao Povo de Deus, exilado na Babilónia, que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que fez no passado. Apesar de todos desafios e sofrimento, Israel deve continuar a confiar nesse Deus que é fiel e que não desistirá nunca de oferecer ao seu Povo um futuro de tranquilidade, de justiça e de paz para sempre. Paulo, na segunda leitura, lembra-nos que a vida nesta terra, marcada por coisas transitórias, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus, da vida definitiva. O cristão deve estar consciente de que o Reino de Deus como consta no Evangelho de hoje, só atingirá a sua plena maturação no final dos tempos, quando todos os homens e mulheres se sentarem à mesa de Deus e receberem de Deus a vida que não acaba. Neste contexto, o imediatismo e a vida descartável a que somos impostos deve ser defendido e resistido na esperança de que Deus vos concederá paz, isto é, toda riqueza do céu, no tempo oportuno. Que haja resiliência em todas as circunstâncias que põem em risco o Reino de Deus. Marcos apresenta a catequese de Jesus sobre o Reino de Deus que é um projecto que, avaliado à luz da lógica humana, pode parecer condenado ao fracasso; mas ele encerra em si o dinamismo de Deus e acabará por chegar a todo o mundo e a todos os corações. Também nos dias actuais, todos acontecimentos na Igreja e contra a Igreja parecem definir o rumo de fracasso. No entanto, a experiência da Igreja Primitiva deve ser exemplo no tempo presente, na actualidade, para superarmos cada obstáculo, cada desafio, confiantes no Mestre. Deus, autor da aliança, não esqueceu a promessa feita, por intermédio dos profetas. Hoje são muitos profetas que se entregam ao serviço do Reino para fazer chegar a mensagem de Deus nos corações de cada pessoa. O projecto de salvação que Deus tem para a humanidade revela-se no anúncio do Reino, feito por Jesus de Nazaré. Nas suas palavras, nos seus gestos, Jesus propôs um caminho novo, uma nova realidade; lançou a semente da transformação dos corações, das mentes e das vontades para que a vida dos homens e das sociedades se construa de acordo com os esquemas de Deus. Essa semente não foi lançada em vão: está entre nós e cresce por acção de Deus. A semente do Reino de Deus deve ser lançada em cada realidade onde o cristão se encontra hoje. Não deve haver preguiça de se semear pensando que Deus não irá cuidá-la. A nossa missão é semear. Vamos deixar o resto nas mãos de Deus confiando a sua intervenção poderosa na hora certa. A outra atitude importante é acolhimento da semente e deixar que Deus realize a sua acção. E como discípulos de Jesus, temos de continuar a lançar essa semente do Reino, a fim de que ela encontre lugar no coração de cada homem e de cada mulher da nossa aldeia, cidade, sociedade e nação. Compromisso de vida: Meditar a Palavra de Deus Encontrar uma pessoa nova ou estranha para partilhar com ela a Palavra de Deus Cultivar na vida o espírito missionário. Viver plenamente o ensinamento da Palavra de Deus.
jun 06 2021
SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Ex 24,3-8 Salmo 147 Segunda Leitura: Heb 9, 11-15 Evangelho: Mc 14, 12-16-22-26 Tema: Jesus Cristo, o Pão comungado e partilhado entre os irmãos A Eucaristia é o centro da fé cristã. Pertencer à comunidade cristã é fazer parte da mesa da Palavra e da Eucaristia. Comungar o Corpo e Sangue de Jesus é, acima de tudo, aceitar a sua presença real no Pão e no Vinho consagrados. Comungar é assumir o compromisso de fazer-se pão onde não há pão. Comungar é aceitar a missão de lutar para que não falte pão na mesa do pobre. Comungar tornar-se um Cristo que se doa e se entrega pela causa da humanidade. O convite a fazer é evitar comungar para ser visto ou se exibir como bom cristão. “Comungar é tornar-se um perigo”, como reza o canto de comunhão na liturgia do Brasil, para significar que o cristão torna-se um “Cristo” que anuncia e denuncia as injustiças e os males do mundo. Hoje, não é raro encontrar católicos que põem em dúvida esta permanência da presença Jesus no pão eucarístico. As palavras de Jesus esclarecem-nos: «Este é o meu Corpo… Este cálice é a nova Aliança no meu sangue». Estas afirmações de Jesus, na noite de quinta-feira santa, não dependiam nem da fé nem da compreensão dos apóstolos. É Jesus que se compromete, que dá o pão como sendo o seu corpo, o cálice de vinho como sendo o cálice da nova Aliança no seu sangue. Só Ele pode ter influência neste pão e neste vinho. Hoje, é o sacerdote ordenado que pronuncia as palavras de Jesus, mas não é ele que lhes dá sentido e realidade. É sempre Jesus ressuscitado que se compromete, exactamente como na noite de quinta-feira santa. O sacerdote e toda a comunidade com ele são convidados a aderir na fé a esta acção de Jesus. Mas não têm o poder de retirar a eficácia das palavras que não lhes pertencem. A Igreja tem razão em celebrar esta permanência da presença de Jesus. Que esta seja para nós fonte de maravilhamento e de acção de graças! É preciso comer para viver. Por isso a nossa vida espiritual tem seu alimento: Jesus Cristo na Eucaristia e quem não se alimenta torna-se anémico espiritualmente, por isso deve regularizar a situação urgentemente. Numa das catequeses do Papa Francisco sobre a solenidade que celebramos hoje afirma que a Eucaristia insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Baptismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de comunhão e de testemunho. O santo Padre acrescenta ainda que o que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho. Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja o lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e portanto o alimento que recebemos é também a sua Palavra. O Papa Francisco sustenta que na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo… Tomai e bebei, isto é o meu sangue». Nesta solenidade, importa apontar que a celebração eucarística é muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. Compromisso de vida: Confessar sempre antes de comungar Participar activamente da Santa Missa Partilhar o pão com os necessitados Testemunhar a presença real de Jesus na Eucaristia Adorar a Jesus Eucarístico Agradecer a Jesus pelo Seu Corpo e Seu Sangue
maio 10 2021
Liturgia do tempo da Quaresma
Por Pe Cantífula de Castro 40 dias para renovar-nos Anualmente, o ciclo da liturgia oferece-nos a oportunidade de uma longa caminhada de Quaresma. Trata-se de um tempo de preparação “pelo qual se sobe ao monte santo da Páscoa”, como o descreve o Cerimonial dos Bispos (CB 249). O tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina pela tarde de Quinta-Feira Santa, antes da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com que se inaugura o Tríduo Pascal. Origem da Quaresma A Quaresma organizou-se a partir do século IV. A sua história anterior não é muito clara. Parece que o seu gérmen original foi o jejum pascal de dois dias, na Sexta e no Sábado antes do Domingo da Ressurreição, espaço que, a pouco e pouco, se alargou a uma semana, depois a três e, segundo as diversas regiões, sobretudo nas do Oriente, como o Egipto, até às seis semanas ou quarenta dias. Em Roma, a Quaresma já estava constituída, entre os anos 350 e 380. Porquê quarenta dias? Para dar sentido a este período, como preparação da Páscoa, teve certamente grande influência o simbolismo bíblico do número quarenta. Vejamos alguns exemplos apresentados pela Bíblia. O dilúvio durou quarenta dias antes da aliança de Deus com Noé, conforme narrado em Génesis 6,1-8,12; Encontramos também Moisés que ficou quarenta dias e quarenta noites no monte (Êxodo 24,18); Moisés intercedeu em nome de Israel por 40 dias e 40 noites (Deuteronómio 9,18-25); a Lei especificava um número máximo de chicotadas que um homem poderia receber por um crime, e esse limite era 40 (Deuteronómio 25,3); os espiões israelitas levaram 40 dias para espionar Canaã (Números 13,25); antes da libertação de Sansão, Israel serviu os filisteus por 40 anos (Juízes 13,1); Golias provocou o exército de Saul por 40 dias antes de David chegar para matá-lo (1 Samuel 17,16). Por outro lado, o Povo de Israel caminhou durante quarenta anos pelo deserto (Números 14,26-35); a mesma sorte caiu para o profeta Elias que caminhou quarenta dias e quanta noites para o monte Sinai ao encontro de Deus (1Reis 19,1-8). No Novo Testamento, Jesus Cristo passou quarenta dias e quarenta noites no deserto, antes de começar a sua missão messiânica (Mateus 4,1-11). Deste modo, os quarenta dias de preparação para a Páscoa aparecem como um tempo de prova, de purificação e de preparação para um acontecimento importante e salvador. O Catecismo da Igreja Católica explica que “Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto” (CIC, 540). A Espiritualidade da Quaresma Antigamente, a Quaresma começava originariamente no Domingo. Mas, nos séculos VI-VII acentuou-se como característica determinante o jejum, e como, aos domingos, não se jejuava, adiantou-se o seu início para a quarta-feira anterior ao primeiro domingo, a que de imediato se chamou “de Cinzas”, para que a Páscoa fosse precedida de quarenta dias de jejum efectivo. A Igreja propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de acção: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão e assim aproximar-se de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma consequência da penitência. A Quaresma é um tempo forte de conversão e de mudança interior, tempo de deixar tudo o que é velho em nós. Tempo de graça e salvação, em que nos preparamos para viver, de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico e da história da salvação: a Páscoa, aliança definitiva, vitória sobre o pecado, a escravidão e a morte. A espiritualidade da Quaresma é caracterizada também por uma atenta, profunda e prolongada escuta da Palavra de Deus. É esta Palavra que ilumina a vida e chama à conversão, infundindo confiança na misericórdia de Deus. O confronto com o Evangelho ajuda a perceber o mal, o pecado, na perspectiva da Aliança, isto é, a misteriosa relação nupcial de amor entre Deus e o seu povo. Motiva para atitudes de partilha do amor misericordioso e da alegria do Pai com os irmãos que voltam convertidos. Enfim, a espiritualidade da Quaresma é apresentada pela Igreja como um caminho para a Páscoa e mistério Pascal de Cristo e exprime-se no exercício das obras de caridade, no perdão, na oração, no jejum, principalmente no jejum do pecado. O Concílio Vaticano II determinou expressamente que se acentuasse o carácter baptismal e penitencial da Quaresma, “sobretudo através da recordação ou da preparação para o Baptismo e através da Penitência, dispõe os fiéis, que com mais frequência ouvem a Palavra de Deus e se entregam à oração, para a celebração do Mistério Pascal” (SC, 109). Agora “a liturgia quaresmal prepara para a celebração do Mistério Pascal tanto os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação cristã, como os fiéis, por meio da recordação do Baptismo e das práticas de penitência” (NG 27). O que muda nas celebrações no Tempo da quaresma? As seis semanas da Quaresma dividem-se em três etapas, marcadas pelos Evangelhos correspondentes: os dois primeiros domingos, com as tentações e a transfiguração do Senhor; os três seguintes, com as catequeses baptismais da samaritana (água), do cego (luz) e Lázaro (vida), próprias do Ciclo A, mas que se podem seguir cada ano, embora haja outra série de leituras param cada ciclo; e, finalmente, o sexto domingo, chamado de Ramos ou da Paixão, que inaugura a Semana Santa. A liturgia da Palavra salienta alguns momentos significativos da História da Salvação: a criação do mundo, Abraão, o Êxodo e Moisés, o rei David, os profetas e o Servo de Javé. Tudo isso ajuda a entender a Quaresma como um caminho de crescente preparação para a celebração da Páscoa. Na liturgia não se canta Aleluia e o Glória. O
Clero Diocesano de Gurue dispõe-se a colaborar com Dom Inácio Lucas
Por Kant de Voronha Decorreu no último domingo (21.3), em Gurue a ordenação e empossamento do novo Bispo titular. Trata-se de Inácio Lucas Mwita do Clero Diocesano de Nacala, que até a data da sua nomeação a 2 de Fevereiro último desempenhava o cargo de Vigário geral de Nacala e Reitor do Santuário Diocesano Maria Mãe de África em Alua. A Missa presidida por Dom Germano Grachane foi participada com cerca de 10 Bispos e Arcebispos da Conferência Episcopal de Moçambique, sacerdotes, autoridades civis e religiosas. Na sua homilia, o Bispo ordenante, Dom Germano Grachane destacou que Dom Inácio é chamado a ser grau de trigo que vai morrer para dar frutos de apostolado. Pois, “Episcopado significa trabalho e não honra”. Assim, é preciso proclamar a Palavra de Deus a tempo e fora do tempo, na oração e no sacrifício. Dom Inácio foi desafiado a amar o clero e todos os marginalizados da sociedade, dispondo-se a ouvir a todos com generosidade e conduzir os que andam fora do redil. Ademais, pelo vínculo com todo o episcopado, Dom Inácio foi recomendado a despender sua energia para a comunhão e harmonia no seio do colégio dos Bispos do mundo inteiro e os de Moçambique em particular. O Clero Diocesano de Gurue, em sua mensagem de ocasião, manifestou total reconhecimento e gratidão a Deus Pai, por tudo o que foi vivido no decurso da celebração pelo singular amor à Igreja que está no Guruè e seus fiéis. “O nosso agradecimento dirige-se ao Santo Padre, Papa Francisco, que olhando para as necessidades desta família diocesana, providenciou-nos um novo Bispo. Agradecemos igualmente, a Nunciatura apostólica em Moçambique, na pessoa de S Excia. Revma, Arcebispo D. Pergiorgio Bertoldi, que no seu multiforme empenho tudo fez para que hoje a Diocese do Guruè tivesse um Bispo titular”. Ao novo Bispo, “queremos manifestar a Dom Inácio, desde já, o nosso acolhimento e a nossa inteira disponibilidade em colaborar convosco, fiéis àquilo que o Espírito nos sugere para o crescimento da porção do Povo de Deus que está no Gurúè” lê-se em mensagem do Clero. Criada a 6 de Dezembro de 1993, pela Bula Enixam suscipientes, do Papa São João Paulo II, antes de Dom Inácio Lucas Mwita, a Diocese de Guruè, teve como Bispos, Dom Manuel Chuanguira Machado (1994-2009) e Dom Francisco Lerma Martínez (2010-2019), os quais se entregaram de alma e coração ao serviço de Deus, no meio do povo, selando a sua missão pastoral com a oblação das suas vidas. A Diocese de Gurue é formada por 4 Regiões Pastorais, 27 Paróquias, com 33 sacerdotes e 3 diáconos diocesanos, 18 sacerdotes religiosos, 2 Irmãos Religiosos, 49 Religiosas, 8 Leigas de Institutos seculares e 2.200 comunidades cristãs de base. Refira-se que Dom Inácio Lucas manteve o seu lema de ordenação sacerdotal em 21 de Junho de 1998 e o mesmo servirá para guiar o seu apostolado: “Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” (Act 3,6).
mar 20 2021
QUINTO DOMINGO DA QUARESMA
*LITURGIA DA PALAVRA* PRIMEIRA LEITURA Jer 31, 31-34 «Estabelecerei uma aliança nova e não mais recordarei os seus pecados» *Leitura do Livro de Jeremias* Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu tivesse domínio sobre eles, diz o Senhor. Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Já não terão de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas. Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 50 (51), 3-4.12-13.14-15 (R. 12a) Refrão: *Dai-me, Senhor, um coração puro.* Repete-se Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas. Refrão Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade. Refrão Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos e os transviados hão-de voltar para Vós. Refrão SEGUNDA LEITURA Hebr 5, 7-9 «Aprendeu a obediência e tornou-se causa de salvação eterna» *Leitura da Epístola aos Hebreus* Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO Jo 12, 26 Refrão: Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória. Repete-se Se alguém Me quiser servir, que Me siga, diz o Senhor, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. Refrão EVANGELHO Jo 12, 20-33 «Se o grão de trigo, lançado à terra, morrer, dará muito fruto» *Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João* Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer. Palavra da salvação. *Breve reflexão da palavra* Jeremias 31,31-34 Salmo 50 (51) Hebreus 5,7-9 João 12,20-33 Tema: *Manter a aliança com Deus e trilhar o caminho de Cristo*A Palavra de Deus garante-nos que a salvação passa por uma vida vivida na escuta atenta dos projectos de Deus e na doação total aos irmãos. Jeremias traz o cenário em que Deus apresenta a Israel a proposta de uma nova Aliança que implica a mudança de coração, a conversão total, pois só com um coração transformado o homem será capaz de pensar, de decidir e de agir de acordo com as propostas de Deus. Cada dia somos surpreendidos por guerras e violências como consequência da incapacidade de pensar, decidir e agir segundo a vontade de Deus. Na carta ao Hebreus, Jesus Cristo é apresentado como o sumo-sacerdote da nova Aliança, solidário com a pessoa humana e que aponta o caminho da salvação para todos. Esse caminho trilhado também por Jesus passa necessariamente pela cruz, lugar onde se faz a descoberta dos desafios e propostas, na obediência radical aos projectos de Deus. O Evangelista João convida-nos a olhar para Jesus, a aprender com Ele, a seguir no seu caminho do amor radical, do dom da vida, da entrega total a Deus e aos irmãos. O caminho da cruz parece, aos olhos do mundo, um caminho de fracasso e de morte; mas é desse caminho de amor e de doação que brota a vida verdadeira e eterna que Deus nos quer oferecer. Não é possível, na compreensão da comunidade joanina, ser de Cristo e nos envergonhar da cruz. Não é possível ser de Cristo e não sair da pobre compreensão do mundo sobre a cruz. Enquanto o mundo se escandaliza da cruz, deve nascer em nós o ardor de anunciarmos o poder da cruz que é a maior prova de amor de Deus pela humanidade. Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.
QUARTO DOMINGO DA QUARESMA
PRIMEIRA LEITURA: 2 Cr 36, 14-16.19-23 A indignação e a misericórdia do Senhor manifesta-se no exílio e na libertação do povo Leitura do Segundo Livro das Crónicas Naqueles dias, todos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém, lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: «Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a) Refrão: Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém, fique presa a minha língua. Repete-se Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar, com saudades de Sião. Nos salgueiros das suas margens, dependurámos nossas harpas. Refrão Aqueles que nos levaram cativos queriam ouvir os nossos cânticos e os nossos opressores uma canção de alegria: «Cantai-nos um cântico de Sião». Refrão Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor em terra estrangeira? Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, esquecida fique a minha mão direita. Refrão Apegue-se-me a língua ao paladar, se não me lembrar de ti, se não fizer de Jerusalém a maior das minhas alegrias. Refrão SEGUNDA LEITURA: Ef 2, 4-10 Mortos por causa dos nossos pecados, salvos pela graça Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios Irmãos: Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com Ele nos ressuscitou e com Ele nos fez sentar nos Céus. Assim quis mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Jesus Cristo. De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. Na verdade, nós somos obra de Deus, criados em Jesus Cristo, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 3, 16 Refrão: Grandes e admiráveis são as Vossas obras, Senhor. Repete-se Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito: quem acredita n’Ele tem a vida eterna. Refrão EVANGELHO: Jo 3, 14-21 «Deus enviou o seu Filho, para que o mundo seja salvo por Ele» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus. Palavra da salvação. REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS Tema: O Amor de Deus é doação e entrega O que significa quando afirmamos que Deus é Amor? Deus é Tudo e o ser humano é Nada. Somente chegamos ao Tudo de Deus quando reconhecemos o nosso Nada. Sabemos amar quando aprendemos o Amor de Deus. O amor da humanidade é muito vazio e se insistimos nesse amor sempre haverá gente excluída, pois não é um amor genuíno. Neste Quarto Domingo da Quaresma, a liturgia nos revela o Amor autêntico e genuino de Deus que é Doação e Entrega. 1. Autenticidade do Amor de Deus O grau mais alto de amor entre duas pessoas ou numa família, comunidade e sociedade é a auto doação e auto entrega. Não existe outro requisito: é amor genuíno e autêntico. É amar sem esperar algo em troca. É aceitar sofrer por causa desse AMOR. É dar preferência ao outro. O AMOR de Deus é autêntico porque não busca lucros nem outro tipo de interesse. Deus não faz uma lista para escrever quantas vezes nos perdoou ,
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA
LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Ex 20, 1-17 «A lei foi dada por Moisés» (Jo 1, 17) Leitura do Livro do Êxodo Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa de escravidão. Não terás outros deuses perante Mim. Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos. Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado. Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 18 (19), 8.9.10.11 (R. Jo 6, 68 c) Refrão: Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna . Repete-se A lei do Senhor é perfeita, ela reconforta a alma; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria aos simples. Refrão Os preceitos do Senhor são rectos e alegram o coração; os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos. Refrão O temor do Senhor é puro e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos eles são rectos. Refrão São mais preciosos que o ouro, o ouro mais fino; são mais doces que o mel, o puro mel dos favos. Refrão SEGUNDA LEITURA: 1 Cor 1, 22-25 «Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens, mas sabedoria de Deus para os que são chamados» Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios Irmãos: Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. Quanto a nós, pregamos Cristo cruficado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 3, 16 Refrão: Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória. Repete-se Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito; quem acredita n’Ele tem a vida eterna. Refrão EVANGELHO: Jo 2, 13-25 «Destruí este templo e em três dias o levantarei» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem. Palavra da salvação. REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS Tema: A gratuitidade do Amor de Deus Algumas vezes, como pessoas humanas, pensamos que podemos comprar o amor e a misericórdia de Deus com nosso esforço, sacrifício, dinheiro e tempo. Somos invadidos, senão sempre, pela amnésia teológico espiritual e não nos damos conta o que Jesus disse: “não quero sacrifício mas misericórdia”. Neste terceiro domingo da Quaresma, somos surpreendidos pela atitude zelosa de Jesus, mas que também pode ser uma agressividade nos nossos olhos. Na verdade, é hábito humano, julgarmos,perseguirmos até matarmos todos os que não concordam com as práticas desumanas ou que matam, excluem e exploram os pobres. Jesustambém não foi compreendido. No Templo de Deus, lugar sagrado tornou-se, lugar de ladrões, de práticas contra a fé, convivência e fraternidade. Tem um grupo liderado por sacerdotes que vendem a graça de Deus e outro grupo que explora os pobres e outro ainda que tenta comprar a bênção de Deus. Jesus percebe que há fuga da objectividade do Templo: ser lugar de
PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA
LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Gen 9, 8-15 A aliança de Deus com Noé, salvo das águas do dilúvio *Leitura do Livro do Génesis* Deus disse a Noé e a seus filhos: «Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra». Deus disse ainda: «Este é o sinal da aliança que estabeleço convosco e com todos os animais que vivem entre vós, por todas as gerações futuras: farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra. Sempre que Eu cobrir a terra de nuvens e aparecer nas nuvens o arco, recordarei a minha aliança convosco e com todos os seres vivos e nunca mais as águas formarão um dilúvio para destruir todas as criaturas». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9 (R. cf. 10) Refrão: *Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade para os que são fiéis à vossa aliança.* Repete-se Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador. Refrão Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência, por causa da vossa bondade, Senhor. Refrão O Senhor é bom e recto, ensina o caminho aos pecadores. Orienta os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer a sua aliança. Refrão SEGUNDA LEITURA: 1 Pedro 3, 18-22 «O Baptismo que agora vos salva» Leitura da Primeira Epístola de São Pedro Caríssimos: Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito. Foi por este Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte e tinham sido outrora rebeldes, quando, nos dias de Noé, Deus esperava com paciência, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, oito apenas, se salvaram através da água. Esta água é figura do Baptismo que agora vos salva, que não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso para com Deus de uma boa consciência; ele vos salva pela ressurreição de Jesus Cristo, que subiu ao Céu e está à direita de Deus, tendo sob o seu domínio os Anjos, as Dominações e as Potestades. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 4, 4b Refrão: Glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor. Repete-se Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Refrão EVANGELHO: Mc 1, 12-15 «Era tentado por Satanás e os Anjos serviam-n’O» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS SOLIDÃO E TENTAÇÕES: FORTALECIDOS PELO ESPÍRITO SANTO A proposta das leituras neste Primeiro Domingo da Quaresma nos leva a meditar o exercício quaresmal de Jesus. Quer na primeira quer na segunda leitura, narra-se a história bonita do Dilúvio e seu significado teológico hoje: o Baptismo como morte e ressurreição em Jesus Cristo. A história do Dilúvio no tempo de Noé revela a bondade de Deus que com muita paciência, deixa Noé e sua família se organizar, construir, terminar a arca da aliança onde ele e sua família foram salvos. Deus é Clemente e Paciente. Deus dá muito tempo para o pecador se arrepender e converter-se Nele. Jesus passa quarenta dias e quarenta noites no deserto sendo tentado. Deus enviou seus anjos para servi-lo. Para melhor meditação, apresento a questão da Solidão e Tentações de Jesus e o que temos que aprender nesses dois temas. 1.SOLIDÃO O tema da solidão deve ser compreendido como algo positivo neste tempo da Quaresma. A solidão solidária é estar no barulho mas não se deixar levar pelo barulho. Enquanto a solidão que temos que fugir é a chamada solidão solitária, isto é, a pessoa entra no desespero, na angústia, no sofrimento e no barulho interior. Vive o caos da vida. Não encontra sentido na sua vida. *Solidão solidária * é proporcionar um tempo de silêncio interior. É abandonar-se nas mãos de Deus. É adentrar no vazio, no meu Nada para que o Tudo que é Deus encha de mim a Sua essência, Seu Amor. Na solidão, a pessoa humana compreende a sua limitação, mas também entende a Magnificência de Deus. Deus é Todo Poderoso. Todavia, vem ao encontro do homem mortal para torná-lo imortal. Vem ao encontro do pecador para salva-lo. Neste tempo da Graça, somos convidados por meio de Oração a vivenciar a Solidão Solidária- viver uma experiência do Espírito Santo que ilumina a mente e o coração para acolher a vontade de Deus. Não é possível fazer a experiência de Deus se o Espírito Santo não nos iluminar. Não temos força suficiente para entender todas as surpresas de Deus se não for pelo Espírito Santo. 2. TENTAÇÕES No Pai nosso rezamos para que Deus “não nos deixe cair em tentação”. Tentação em si é algo negativo porque é o trabalho do Satanás. O demônio com sua inveja propõe as coisas aparentemente boas mas que nos deixam longe de fazer a vontade de Deus. A experiência de Jesus no deserto é um exemplo de que também nós podemos ser tentados mas não derrotados pois, Deus vem ao nosso encontro para nos resgatar como fizera no tempo de Noé. Por outro


