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fev 16 2021

QUARTA- FEIRA DE CINZAS

LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Joel 2, 12-18 «Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos» *Leitura da Profecia de Joel* Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo. Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL: Salmo 50 (51) Refrão: Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós. Repete-se Ou: Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores. Repete-se Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas. Refrão Porque eu reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas. Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos. Refrão Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade. Refrão Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca cantará o vosso louvor. Refrão   SEGUNDA LEITURA: 2 Cor 5, 20-6, 2 «Reconciliai-vos com Deus. Este é o tempo favorável» Leitura da Seg. Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: cf. Salmo 94, 8ab Refrão:Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor. Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações. Refrão   EVANGELHO: Mt 6, 1-6.16-18 «Teu Pai, que vê no segredo, te dará a recompensa» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a ecompensa. Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa». Palavra da salvação   REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS Tempo quaresmal, tempo de Oração, Jejum e Caridade A vida cristã deve sempre ter a iluminação da Palavra de Deus. Viver segundo as orientações do Mestre e da Santa Igreja. Viver na contramão do que o mundo propõe. Viver em busca da “minha felicidade e do irmão”. Viver em busca do bem-estar de todos. Viver com sentido profundo da vida. A partir dessa compreensão de que a vida é uma escola do amor e felicidade, então, O tempo da Quaresma nunca deve ser visto como um pesadelo mas momento pelo qual cada cristão se prepara para receber a graça de Deus, tempo de conversão, tempo da Salvação. Quaresma, Quarenta dias de intensa vivência da Oração, do Jejum e da Caridade para celebrarmos solenemente a Páscoa da Ressurreição. Em tratando se de um ano atípico devido à Covid-19, a Quaresma será vivida muito diferente. Por isso proponho um caminho que acredito que irá ajudar a viver profundamente em família ou de forma pessoal. *1. Oração pessoal e em família * Não havendo condições de celebrar em comunidade, organize seu quarto para fazeres tuas orações pessoais. Organize também um cantinho para que toda família se encontre no final do dia para meditar a Palavra de Deus e oração do terço. Cada sexta-feira, reze a Via Sacra: meditação das estações conforme as condições da casa. Abra um espaço para a Partilha da Palavra invocando inicialmente o Espírito Santo para vos iluminar. 2. Jejuar com alegria

fev 13 2021

SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

TEMA: JESUS É MÉDICO QUE CURA A ALMA E O CORPO LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Lev 13, 1-2.44-46 «O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento» *Leitura do Livro de Levítico* O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos. O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’. Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL: Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R. 7) Refrão: Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação. Repete-se Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa e absolvido o pecado. Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano. Refrão Confessei-vos o meu pecado e não escondi a minha culpa. Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta e logo me perdoastes a culpa do pecado. Refrão Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos, fazei que à minha volta só haja hinos de vitória. Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor, exultai, vós todos os que sois rectos de coração. Refrão SEGUNDA LEITURA 1 Cor 10, 31 – 11, 1 «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» *Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios* Irmãos: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO Lc 7, 16 Refrão: Aleluia. Repete-se Apareceu entre nós um grande profeta: Deus visitou o seu povo. Refrão EVANGELHO: Mc 1, 40-45: «A lepra deixou-o e ele ficou limpo» *Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos* Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte. Palavra da salvação *REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS* *Acolhimento , cura e inclusão: construindo a fraternidade em Jesus* A liturgia da Palavra deste sexto domingo do tempo comum, nos prepara para iniciarmos o Tempo da Quaresma que começa no dia 17/02, com a Quarta-feira de cinzas. A mistagogia de Jesus é um apelo urgente para o nosso tempo que apresenta modelos sofisticados de exclusão e com justificação de uma forma moderna de garantir segurança e até bem-estar. Cresce cada vez mais o número de excluídos e a sociedade cega não entende que está a perpetuar, como no tempo de Jesus, o isolamento dos leprosos. Quem são os actuais leprosos na tua cidade, tua família, tua comunidade cristã e tua vizinhança? O que deve ser feito para acolher, curar e incluir na sociedade os novos leprosos? *1. A doença da Lepra e as lepras actuais* No tempo que Jesus nasceu, viveu e evangelizou encontrou a doença da Lepra como bicho de sete cabeças. Os relatos bíblicos mostram que os sacerdotes acumulavam o poder da legitimação, exclusão ou inclusão a partir da pureza e impureza dos judeus provocada pela lepra. A lepra ainda não tinha uma cura total. No entanto, o tratamento era possível e embora demorado poderia se obter a cura. Algumas vezes faltava a vontade, outras vezes era fonte de exclusão, isolamento e abandono total. Muitos leprosos eram deixados à sua sorte e os mais prudentes começavam cedo o tratamento mas em segredo porque sendo uma doença contagiosa, o leproso tinha que denunciar se que era”impuro”. Os sacerdotes davam a última palavra e por isso Jesus recomendou ao curar o leproso que fosse se apresentar ao sacerdote que carimbava o cartão do paciente de lepra e introduzia novamente na sociedade dos chamados “puros”. Actualmente temos vários tipos de lepras e acredito serem mais fatais. Quando o HIV tornou-se notícia, muitos foram estigmatizados: na família, no trabalho e na sociedade. Ser seropositivo era a guia de marcha para a morte. Muitos se suicidiram para não sofrerem mais. Os que tiveram a coragem, sofreram na pela a dor da exclusão e até hoje tem gente que pensa que só o outro pode ter HIV. A pobre compreensão sobre as diversas formas de apanhar a doença leva muita gente a julgar que a pessoa não se cuidou ou porque está a pagar muito caro pela vida leviana que levou antes. Falta uma análise crítica e há precipitação nos julgamentos e exclusões. Encontramos igualmente os outros tipos de lepras inventadospela sociedade moderna: Pobreza- os pobres devem viver entre eles e encontramos somente quando queremos dar as migalhas. As mulheres solteiras e viúvas -são as actuais leprosas Numa visita recente a um centro de reassentamento de gente em situação de “deslocados de guerra”, a queixa de mulheres solteiras era de arrepiar. O direito de receber o apoio era dado primeiramente aos casados. Segundo aquelas mulheres, ninguém cuidava dessa parte . Por isso elas se sentiam marginalizadas. Encontramos diversas fundações ou criações de “comunidades ou associações” quase em cada cidade com intenções talvez boas, mas finalmente excluem os outros. Os grupos minoritários

fev 07 2021

QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA Job 7, 1-4.6-7 «Agito-me angustiado até ao crepúsculo» *Leitura do Livro de Job* Job tomou a palavra, dizendo: «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário? Como o escravo que suspira pela sombra e o trabalhador que espera pelo seu salário, assim eu recebi em herança meses de desilusão e couberam-me em sorte noites de amargura. Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’. Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’; e agito-me angustiado até ao crepúsculo. Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança. – Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade». Palavra do Senhor.   SALMO RESPONSORIAL Salmo 146 (147), 1-2.3-4.5-6 (R. cf. 3a ou Aleluia) Refrão: Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados. Repete-se Ou: Aleluia. Repete-se Louvai o Senhor, porque é bom cantar, é agradável e justo celebrar o seu louvor. O Senhor edificou Jerusalém, congregou os dispersos de Israel. Refrão Sarou os corações dilacerados e ligou as suas feridas. Fixou o número das estrelas e deu a cada uma o seu nome. Refrão Grande é o nosso Deus e todo-poderoso, é sem limites a sua sabedoria. O Senhor conforta os humildes e abate os ímpios até ao chão. Refrão   SEGUNDA LEITURA 1 Cor 9, 16-19.22-23 «Ai de mim se não evangelizar!» Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios Irmãos: Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado. Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere. Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens. Palavra do Senhor.   ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO Mt 8, 17 Refrão: Aleluia. Repete-se Cristo suportou as nossas enfermidades e tomou sobre Si as nossas dores. Refrão   EVANGELHO Mc 1, 29-39 «Curou muitas pessoas, atormentadas por várias doenças» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios. Palavra da salvação.     MEDITAÇÃO DA LITURGIA DA PALAVRA Sanidade espiritual para anunciar o Evangelho A doença nos impõe limitações no exercício de algumas actividades. Ninguém desenvolve actividades pesadas ou mesmo que exigem de uma reflexão, da mente, da paz interior enquanto estiver doente. Ao longo da história da humanidade e se calhar até aos nossos dias, tem povos que consideram algumas enfermidades como maldição. Para o cristão, toda vez que enfrenta sofrimento, dor ou doença grave, deve encontrar resposta em Cristo Crucificado. Não é saudável que o cristão esteja perambulando nos advinhos, nos macumbeiros, nos feiticeiros, nos curandeiros excluindo a presença de Deus na sua vida mesmo em momento de sofrimento e dor. Deus está sempre conosco! Ele não nos abandona. Recomendo que a gente leia sempre o livro do Job toda vez que nos encontramos em situação de desespero, angústia e abandono. O que é necessário, então, entender como cristãos diante de vários fenómenos que podem desafiar nossa fé e relação com Deus? 1. Reconhecer que somos pessoas humanas Ao reconhecermos que somos pessoas humanas assumimos igualmente que temos limitações e fraquezas como seres humanos: O tempo é limitado. Ninguém vive para sempre. A saúde é limitada. Todos somos sujeitos a ficar doentes. O espaço geográfico limita-nos por isso ninguém vive para sempre. Chega um momento que a pessoa deve sair desse mundo para a eternidade. A carne já vem com o tempo limitado. O espírito e alma devem ir ao encontro do Criador. Por isso temos que aceitar que apesar de tanta beleza e delícia da vida, a pessoa humana, um dia deve partir. Mas que parta confiante em Deus. Como disse um dos salmos da liturgia de exéquias: alegres vamos a casa do Senhor. 2. Reconhecer a presença de Deus na nossa vida É fácil conviver com a realidade da presença de Deus no momento que estamos bem de vida, de saúde, bem com os outros e talvez ricos. A primeira ideia que surge quando passamos por turbulências é que “Deus abandonou-me”. Não Senhora! Deus nunca abandona seu filho, sua filha. Que fique claro e cultivemos a presença de Deus mesmo em tempos de crises. Que as crises nos ajudem a estar com Deus. Quem abandona quem? Se Deus nunca nos abandona, então é o ser humano que abandona Deus: Construindo na cabeça outros deuses: dinheiro, ciência, poder e todo tipo de riqueza. Entretanto, quando tudo

jan 16 2021

COMENTÁRIO DAS LEITURAS DO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

*Reflexão da Palavra* Tema: *Chamamento, escuta, resposta e envio do Senhor* As preocupações da vida e o barulho do mundo poderão nos tornar surdos e cegos ao ponto de não ouvirmos o chamado do Senhor nem vermos os sinais dos tempos e as necessidades de respondermos urgentemente ao apelo do Senhor. Nas ruas encontramos jovens e outros desempregados atentos para ouvir e ver algum anúncio de vagas. O que temos que nos questionar é, por que ninguém procura algum anúncio para fazer parte da missão evangelizadora? Por que a Igreja não opta por anúncios em busca de trabalhadores da messe? Quais são as dificuldades para os jovens aderirem aos projectos do Mestre? O que as famílias dão prioridade, ver os filhos formados e se tornarem funcionários públicos e bem remunerados ou ver seus filhos sendo missionários, leigos consagrados num único propósito de anúncio da Palavra de Deus? Se a única preocupação é ver os filhos todos formados em universidades de qualidade e com bons empregos, quem irá responder o chamado do Senhor para a sua messe? A liturgia da Palavra deste domingo nos interpela com o tema de chamado, escuta e disponibilidade em responder ao Senhor. Samuel, na primeira leitura, passou toda noite atento até descobrir que o Senhor o chamava. No Evangelho, o autor narra o chamamento dos primeiros discípulos de Jesus. Para mais aprofundamento da Palavra de Deus, neste Segundo Domingo do Tempo Comum, Ano B, apresento um caminho que poderá nos ajudar a refletir e tomar novas decisões a respeito da nossa vocação na Igreja. *1. Chamamento e escuta* A iniciativa de chamar alguém é de Deus. Ele está interessado em contratar alguns funcionários e funcionárias para sua empresa. O Senhor não está querendo Qualificações nem Competências. O que mais quer é a atenção da pessoa para escutar o chamado. Repito, deve haver muita atenção porque o mundo está cada vez mais insuportável devido às inúmeras propostas e vozes em cada canto que aparentemente são atrativas. Cada família cristã deve iniciar e insistir conversar sobre a vocação de cada integrante da casa. Deve haver provocações e sugestões para que as crianças e adolescentes atinjam a idade da maturidade cientes de que há muitas portas abertas e são livres em responder a uma vocação na qual ao entrar serão felizes. Escutar a voz de Deus implica compreender que pelo Baptismo, o cristão é um potencial discípulo e missionário de Cristo. Porém, deve haver uma constante atenção para perceber como irá se realizar essa missão. Não se trata de todos serem padres e irmãs. O que pretendo advertir é a necessidade de escuta o que o Senhor quer para cada um e cada uma. Abra os seus ouvidos, seu coração para entender o chamado de Deus que tem uma proposta para ti. Nunca se faça de surdo porque a missão é de todos nós. A hora é agora e em cada lugar onde cada um se encontra. *2. Resposta e Envio do Senhor* A indiferença é um dos grandes males da actualidade e isso enfraquece a Igreja, pois há tendência de pensar que quando o Senhor chama quem deve responder é o outro. A resposta acontece quando há disponibilidade e prontidão de cada cristão que deseja ver a sua Igreja com muitos catequistas, muitos jovens atuando em diversas pastorais, muitas famílias vivendo os sacramentos principalmente, através do compromisso do Matrimónio e consagração a Deus. A crise vocacional tem origem na sociedade porque muitos não querem nenhum compromisso com ninguém nem com a própria vida. As poucas pessoas que querem se comprometer aparecem vozes querendo desvia-las. Ver hoje, por exemplo, um jovem e uma jovem se amando para um dia contrariem matrimónio, pode ser motivo de zombaria como se eles tivessem cometido algum crime. O óbvio é colocado como absurdo. Algumas pessoas têm coragem de chamar a uma linda jovem vocacionada a vida religiosa consagrada como um desperdício, perda de tempo. Mas ao mesmo tempo, admiram ver muitas freiras dedicadas aos diversos projectos de evangelização e sociais como a Educação e Saúde. Se tu não podes dar resposta ao chamado de Deus, no mínimo não atrapalhe aos chamados e que querem dar resposta. O Senhor quer ouvir e ver cada família, cada paróquia incentivando as crianças, adolescentes e jovens a darem resposta e prontos para serem enviados. A messe é grande mas os trabalhadores são poucos. São poucos porque muitos não respondem e nem querem ser enviados. São poucos porque ninguém quer assumir mais a missão de rezar pelas vocações específicas. Se na tua família não há gente que pode dar resposta ao chamado do Senhor, então apoie com orações, bens materiais e acompanhamento de jovens como padrinho ou madrinha. É já tempo de ouvir, deixar tudo, responder e seguir o Mestre. É urgente que haja gente disponível para a missão. É urgente que haja mudança de comportamento para que ninguém atrapalhe aos poucos que querem seguir adiante. Reze, acompanhe, doe sua vida e seus bens para que a messe tenha sempre discípulos e missionários. Coragem! Siga em frente! Vinde e vede que o Senhor te chama! *Oração pessoal* *Senhor, mostrai-me o caminho para que eu dê a melhor resposta ao Teu chamado. Amém.* Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.

jan 16 2021

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

*LITURGIA DA PALAVRA* PRIMEIRA LEITURA 1 Sam 3, 3b-10.19 «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» *Leitura do Primeiro Livro de Samuel* Naqueles dias, Samuel dormia no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. O Senhor chamou Samuel e ele respondeu: «Aqui estou». E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te». E ele foi deitar-se. O Senhor voltou a chamar Samuel. Samuel levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Heli respondeu: «Não te chamei, meu filho; torna a deitar-te». Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor. O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele levantou-se, foi ter com Heli e disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Então Heli compreendeu que era o Senhor que chamava pelo jovem. Disse Heli a Samuel: «Vai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde: ‘Falai, Senhor, que o vosso servo escuta’». Samuel voltou para o seu lugar e deitou-se. O Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes: «Samuel, Samuel!» E Samuel respondeu: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». Samuel foi crescendo; o Senhor estava com ele e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se. Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 39 (40), 2.4ab.7-8a.8b-9.10-11 (R. 8a.9a) Refrão: *Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.* Repete-se Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me. Pôs em meus lábios um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus. Refrão Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações, mas abristes-me os ouvidos; não pedistes holocaustos nem expiações, então clamei: «Aqui estou». Refrão «De mim está escrito no livro da Lei que faça a vossa vontade. Assim o quero, ó meu Deus, a vossa lei está no meu coração». Refrão «Proclamei a justiça na grande assembleia, não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis. Não escondi a justiça no fundo do coração, proclamei a vossa bondade e fidelidade». Refrão SEGUNDA LEITURA 1 Cor 6, 13c-15a.17-20 «Os vossos corpos são membros de Cristo» *Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios* Irmãos: O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo. Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só Espírito. Fugi da imoralidade. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo; mas o que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não pertenceis a vós mesmos, porque fostes resgatados por grande preço: glorificai a Deus no vosso corpo. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO cf. Jo 1, 41.17b Refrão: Aleluia. Repete-se Encontramos o Messias, que é Jesus Cristo. Por Ele nos veio a graça e a verdade. Refrão EVANGELHO Jo 1, 35-42 «Foram ver onde morava e ficaram com Ele» *Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João* Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?». Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?». Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’. Palavra da salvação.

jan 09 2021

Baptizados e enviados em Missão

Por Pe Fonseca Kwiriwi Ao celebrarmos o Baptismo de Jesus Cristo, a liturgia da Palavra nos apresenta a riqueza dessa solenidade e seu sentido teológico-pastoral. Por que Jesus foi receber o Baptismo se Ele não era pecador? O Baptismo de João era de penitência e perdão dos pecados. Os judeus aproximavam João Baptista para confessarem seus pecados. Eles voltavam às suas casas purificadose seus pecados perdoados. Para a surpresa de João Baptista, recebe no rio, seu primo Jesus que o pede para ser baptizado. Existe uma resistência da parte de João mas Jesus insiste em ser baptizado. A surpresa será maior ainda durante e após o Baptismo. Vamos por isso aprender o sentido do baptismo que celebramos neste domingo. *1. Baptismo de Jesus: Como Deus, Jesus recebe o Baptismo para inaugurar um novo baptismo no qual todo aquele que for baptizado será renovado: homem novo. Deus revela sua relação com seu Filho: “Ele é o meu Filho muito amado”. Ele deve ser recebido e amado. Deve ser seguido e acolhido porque é também Deus. Como Homem, Jesus deve ser baptizado para receber o Espírito Santo, o dom de Deus. Para a sua missão do anúncio da Boa Nova, Ele deve ser baptizado com água e Espírito Santo dando um novo sentido ao Baptismo dos membros da Nova comunidade que nasce em Cristo. *2. Baptismo da Igreja O Baptismo é o primeiro sacramento de iniciação cristã. Após uma caminhada catecumenal que implica a conversão total, mudança de vida e novo propósito de caminhada, a pessoa é baptizada. Morrer com Cristo e ressuscitar com Ele. Morrer do pecado e ganhar uma vida nova em Cristo. Ser um novo membro da comunidade daqueles que foram renovados em Cristo e vivem os princípios cristãos. Eles formam um só corpo, uma só alma. Tudo têm em comum. Não há necessitado porque partilham seus dons. A Igreja baptiza as crianças a pedido dos pais que assumem a responsabilidade de educar a prole na fé cristã. Os pais que serão os primeiros catequistas ensinam a doutrina na qual acreditam. Por isso nenhum pai , nenhuma mãe deve baptizar sua criança se não acredita no Baptismo, se não participa da comunidade e se não terá tempo de instruir os filhos segundo o Evangelho. *3. Sentido teológico-pastoral O Baptismo de Jesus Cristo abre novo caminho da salvação. No Baptismo, temos três dimensões que todos temos que saber e viver: *3.1. Filiação divina O baptizado é filho adoptivo em Jesus Cristo. Ele participa da filiação que só Jesus gozava. Uma nova fase junto com o Pai que acolhe o baptizado em Cristo. Por isso o Baptismo de Jesus tem esse poder. *3.2. Purificação do pecado original.* O baptizado é purificado do pecado original vindo de Adão e Eva. Após o Baptismo, o neófito goza da Graça de Deus. Está repleto do Espírito Santo. 3.3. Membro da Igreja Todo baptizado é por excelência membro da Igreja. Ele vive todo direito e exigência eclesiais. Ou seja, assume uma vida de Cristo e em Cristo. Ele é testemunha da Boa Nova. Ele participa do projecto salvífico de Jesus Cristo. Portanto não há cristão de primeiro nem de último grau. Somos baptizados e enviados à missão. Jesus envia seus discípulos com o seguinte mandato: “Ide e fazei meus discípulos todos os povos, baptizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Esse compromisso é para todos os cristãos e tem um significado profundo não só pela da universalidade mas também de inclusão que o Baptismo tem pois todos são baptizados em Cristo. Quem acreditar em Jesus e pedir o Baptismo deve ser baptizado. Atenção! Não se trata de distribuir de qualquer maneira o sacramento. Quem acredita, quer dizer, deve ser submetido na catequese, mostrar-se firme que irá viver seu Baptismo. A comunidade deve acompanhar os candidatos até ao Baptismo e os inserir na comunidade com todas exigências. Os candidatos ao Baptismo devem ter seus padrinhos e madrinhas que são seus pais na fé. A Igreja desencoraja quem escolhe padrinho ou madrinha por motivos materiais e familiares. A comunidade deve tambem instruir aos candidatos ao Baptismo para que escolham uma pessoa de boa reputação na Igreja e na Sociedade, que vive sua vida cristã. No Baptismo de Jesus renovamos nossos compromissos baptismais para que animados continuemos testemunhas do Evangelho e tenhamos coragem de ir ao encontro daqueles que precisam de Cristo. Somos baptizados e enviados para sermos novos “cristos”, os ungidos do Senhor.Deus abençoe a ti e renove cada dia seu Baptismo.

nov 10 2020

Bíblia: Palavra de Deus revelada aos homens

Por Bíblia católica online As Sagradas Escrituras, que englobam o Antigo e o Novo Testamento, foram inspiradas por Deus (2Tm 3,16). Foi o Espírito Santo que guiou os autores bíblicos a escreverem aquilo que Ele desejava revelar. Alguns cristãos dizem: “A Bíblia é tudo o que preciso”, contudo, tal afirmação não se encontra na própria Bíblia. Na verdade, a Bíblia ensina justamente o contrário, como se lê em 2Pd 1,20-21 e 2Pd 3,15-16. “Sabei primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação, porque a profecia nunca foi proferida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1,20-21). Além disso, a teoria de que “somente a Bíblia basta” nunca foi professada pela Igreja primitiva. Ainda que seja popular em muitas igrejas cristãs, a teoria de que “somente a Bíblia basta” simplesmente não funciona na prática. A experiência histórica desaprova essa ideia, pois em cada ano vemos surgir mais e mais religiões, cada qual com uma interpretação bíblica diferente. Existem hoje dezenas de milhares de denominaçõesreligiosas, cada qual afirmando que asua interpretação particular da Bíblia é a correta. As divisões que geram, causam confusões indescritíveis entre milhões de cristãos sinceros, mas desorientados. É suficiente abrir as páginas amarelas da lista telefónica para verificarmos quantas denominações diferentes estão catalogadas, cada uma dizendo que “somente a Bíblia basta”, mas nenhuma concordando exactamente com a interpretação bíblica de todas as demais. Porém, podemos ter a certeza de uma coisa: o Espírito Santo não pode ser o autor de toda essa confusão (cf. 1Cor 14,33). Os livros que compõem a Bíblia são 73, sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento: Antigo Testamento: são todos os livros escritos a partir do séc. XV a.C. até ao nascimento de Cristo. Contém a Lei de Deus dada a Moisés, a história do povo de Israel e assuas reflexões de sabedoria e de louvor, bem como as profecias da previsão da vinda do Messias, que se deu com a vinda de Jesus Cristo. Novo Testamento: são todos os livros escritos após a vinda de Jesus até ao final do séc. I d.C. Livros do Evangelho: narram a vida, os ensinamentos, os milagres e a obras do Messias Jesus Cristo descrevendo a vida e as obras de Jesus, a criação e a expansão da Igreja, além de documentos de formação do povo cristão. Livro Histórico: apresenta a instituição e expansão da Igreja Cristã, primeiro na Palestina e, a seguir, no mundo até então conhecido. Epístolas: são as doutrinas e exortações escritas por alguns Apóstolos de Cristo e encaminhadas a comunidades ou fiéis cristãos. Livro Profético: traz a vitória de Cristo e sua Igreja sobre as forças do mal e o juízo final.

nov 09 2020

Vivência cristã no tempo do coronavírus

Por Pe. Bonifácio Raça  No tempo em que os edifícios religiosos estão fechados e suspensas todas as celebrações litúrgicas por causa do coronavirus, somos convidados a redescobrir a natureza da Igreja Domestica, raiz da família de Deus.  A vida cristã é uma bela aventura com Deus. É diferente da aventura que o mundo oferece. Contudo, ela é sempre acompanhada por situações que a deixa atribulada, sofrida e, até não poucas vezes, entregue à morte. Por isso, é necessário que cada cristão, ao abraçar o compromisso do discipulado, esteja pronto para assumir as vicissitudes da fé que abraça.   As dúvidas humanas Muitas vezes, visto que vemos de forma confusa, como num espelho (cf. 1Cor13,12), ficamos quase que cegos e não conseguimos conciliar o mistério salvador de Deus com a dor e o sofrimento que nos abalam. Daí que surgem questões como:será que Deus se compraz com os nossos sofrimentos? Onde está Deus neste momento de dor? Porque tanto silêncio quando gritamos? Mergulhados nessas dúvidas e dores, incapazes de ler a nossa história à luz da fé, perdemos a oportunidade de contemplar as maravilhas que Deus opera na nossa vida. Concentramos todas as nossas energias na dor, que nos causa desespero.É o que está a acontecer nestes dias com a eclosão da pandemia daCovid19, a humanidade inteira vive aterrorizada pelo medo, ao ponto de criar um desespero universal. As notícias que circulam somente apontam para o mal físico, que pode acontecer em caso de contágio pelo coronavírus. Preocupados excessivamente com esta vida passageira, todo o resto já não conta, apenas a busca de a todo o custo salvaguardar a ‘minha vida, economia, etc.’   Diante desta realidade como deve ser a atitude do Cristão? Perante a dor eo sofrimento que a condição humana e o mundo nos impõem, o melhor que um cristão pode fazer é procurar conselhos na Palavra de Deus. O Apóstolo Pedro dizia: “Caríssimos, não estranheis a fogueira que se ateou no meio de vós para vos pôr à prova, como se vos acontecesse alguma coisa estranha. Pelo contrário, alegrai-vos, pois assim como participais dos sofrimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória” (1Pd 4,12-13). Na verdade, na caminhada cristã, enquanto Igreja que caminha pelas sendas do mundo, podemos encontrar inúmeros desafios que nos afligem. Mas não podemos desanimar, pois, segundo o Apóstolo, “depois de terdes sofrido um pouco, o Deus de toda a graça, (…) vos restaurará, vos firmará, vos fortalecerá e vos tornará inabaláveis”(1Pd 5,10). A atitude a tomar diante da dor e do sofrimento é a confiança em Deus. Uma confiança que consiste numa fé inabalável, com uma esperança viva. Aliás, Jesus, o nosso Salvador e Mestre ensinou-nos a ter fé n’Ele, confiar em Deus e não temer nada: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32). E quando os discípulos pareciam desanimar e atormentados disse-lhes: “Cesse de perturbar-se o vosso coração! Crede em Deus, crede também em Mim” (Jo 14,1).   E que significa isso para nós? Significa que devemos procurar ver as coisas com os olhos de Deus. Esta pandemia oferece-nos a oportunidade de vivermos a nossa fé de maneira diferente. É o momento de fortalecer a Igreja Doméstica. A experiência de oração em comunidades maiores, que muitas vezes nos deixava perdido na massa anónima, traz-nos hoje uma oportunidade de rezar em pequenas comunidades de irmãos de sangue.É o regresso dos momentos iniciais da Igreja em que se reunia nas casas (cf. Act 12,12).Não é o momento de lamentações nem desânimo, mas sim de alegria e fortalecimento da nossa adesão a Deus. Nestes dias, saindo de Belo Horizonte (Minas Gerais) para Guaratinguetá (São Paulo), parei na cidade de Barra Mansa (Rio de Janeiro), onde fui recebido pela família Altamir e Sónia, pois não podia continuar a viagem, devido ao impedimento de circulação por conta da pandemia do coronavírus. Foi uma providência divina. Pois com essa paragem pude colher uma grande experiência de vida de oração de uma família. Vi a alegria da família em me receber e fazer parte da sua vida. Sendo a primeira vez que recebiam um padre na sua casa, encontrei uma verdadeira Igreja Doméstica e me fez pensar: quem me dera que todas as famílias cristãs vivessem desta maneira!A alegria, simplicidade e esperança de dias melhores contagiantes. Partilhei com ela as alegrias da fé. Duranteos quatro dias em que fiquei com eles, rezámos juntos o santo Rosário, e aprendi a importância de aproveitareste período da graça para fortalecer o amor familiar. O calorque recebi da família e a entrega de todos os membros na oração impulsionaram-me a descobrir ainda mais o lado bom do momento em que vivemos.Nisto compreendi o sentido das palavras de Jesus ao descrever a sua crucificação como “hora de glorificação”. Portanto, esta hora é de graça, é “o tempo favorável”de fortalecimento das famílias cristãs, servindo como exemplo de esperança e modelo de alegria na adversidade. É o tempo de as famílias cristãs brilharem como estrelas da aurora, que anunciam o dia, mostrando ao mundo que têm como fonte de alegria a certeza da presença de Deus na sua vida.   A igreja não são os edifícios É verdade que as igrejas estão fechadas, mas a Igreja não são os edifícios; as famílias é que são a verdadeira Igreja. E elas estão sempre abertas e podem viver a sua fé com alegria. É preciso criar momentos de oração em família, de partilha das experiências da vida e meditar a Palavra. A oração em família pode levar-nos a descobrir o tesouro que se esconde nestes momentos difíceis. Lembremo-nos que a Igreja cresce não nos momentos de alegrias mundanas, mas sim nos momentos considerados difíceis. Sim é possível viver a alegria da fé em meio a dor e o sofrimento. Não nos entristeçamos porque não podemos ir à igreja ou à capela do nosso bairro; podemos sim aproveitar a ocasião para fortalecer a Igreja Doméstica: rezando e vivendo dentro da nossa

nov 09 2020

Espiritualidade do Tempo Comum

Por Pe Fonseca Kwiwiri O Tempo Comum vem sempre após a celebração de Pentecostes. O tempo comum tem 34 domingos, divididos em duas partes: a primeira começa no domingo em que se celebra o Baptismo de Jesus e dependendo do início da Quaresma pode durar de cinco a sete semanas. A segunda é logo depois de Pentecostes até à solenidade de Cristo, Rei do Universo. Entretanto, a Igreja celebra as solenidades do Senhor dentro do tempo comum que são:Apresentação do Senhor, Santíssima Trindade, Sagrado Coração de Jesus, o Corpus Christi, Transfiguração e Exaltação da Santa Cruz. Temos também a presença forte de Maria (Assunção, Natividade, entre outras) e a vida dos Santos, seus amigos que nos precederam na caminhada de fé (João Baptista, Pedro e Paulo, Apóstolos, Mártires, todos os Santos).   Espiritualidade do Tempo Comum O quotidiano é o chão de onde brota a espiritualidade do Tempo Comum. Conforme sustenta José Bortolini, trata-se de um tempo que pode tornar-se kairós, tempo especial de graça, pois se encontra sob a custódia do Espírito que pousou sobre Jesus na festa do seu Baptismo, e que nos foi dado na solenidade de Pentecostes. É o espírito a conduzir-nos à comunhão da Trindade e à verdade plena, recordando-nos e ensinando-nos tudo o que o Senhor Jesus disse e fez. A espiritualidade do Tempo Comum inspira-se sobretudo nos evangelhos sinópticos proclamados nesses domingos que, juntos, somam mais de metade do ano: Mateus (com Jo 1,29-34 – Ano A), Marcos (com Jo 1,35-42 e cap. 6 – Ano B) e Lucas (com Jo 2,1-11 – Ano C). Nos dias de semana, os três frequentam, por turnos, as celebrações eucarísticas.   O Evangelho durante o ano Litúrgico O evangelista Mateus (Ano A) apresenta Jesus como o Mestre da Justiça. São estas as suas primeiras palavras, ao ser baptizado por João Baptista: “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça”. Um ponto adiante, no Sermão da Montanha, Jesus exigirá dos seus seguidores uma prática da justiça superior à burocrática e formal das lideranças judaicas: “Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu”. Marcos (Ano B) é o patriarca dos evangelhos, certamente escritos para servir de guia aos adultos que se preparavam ao Baptismo. Duas perguntas norteiam o seu evangelho:  Quem é Jesus? Qual é o perfil do discípulo que Jesus procura? Marcos responde à primeira questão com factos, narrando os milagres que o Mestre realizou, deixando ao leitor a tarefa de responder à questão. Quanto à segunda pergunta, o evangelista convida à humildade de quem sabe recomeçar a cada passo, pois nesse evangelho os discípulos padecem de ignorância crónica a respeito de quem é Jesus. Lucas (Ano C) é o evangelho da misericórdia e da paz. O caminho da paz começa com o anúncio do nascimento do Salvador, chega a Jerusalém – cidade que rejeita o portador da Paz – e pela acção do Espírito se estende até os extremos da terra, com o livro dos Actos. A misericórdia é um tema forte nesse evangelho, que apresenta a Trindade compassiva: Jesus que se compadece da viúva de Naim; o samaritano, que se enche de compaixão pelo ferido à beira da estrada; o pai do filho rebelde, que o abraça trepidando de compaixão.

out 30 2020

COVID-19 obriga cancelamento da Peregrinação anual ao Santuário de Meconta

Por Kant de Voronha A crise mundial provocada pela pandemia do coronavírus obrigou o cancelamento da peregrinação anual ao Santuário Mariano, Maria Mãe do Redentor de Meconta na Arquidiocese de Nampula. Um Comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira, (30.10) realça ser tradição, na Arquidiocese de Nampula, a realização da peregrinação anual, um evento religioso que teria lugar no passado dia 24 de Outubro corrente. Entretanto, abre-se a possibilidade de visitas individuais ou em pequenos grupos de fiéis ao Santuário observando a rigor todas as medidas de prevenção da Covid-19 e o protocolo do Ministério da Saúde. Com efeito, os interessados deverão realizar uma prévia inscrição junto a Reitoria do Santuário de Meconta, indicando “o nome do grupo, a paróquia e a hora de chegada e saída do Santuário”. O Porta-Voz da Arquidiocese de Nampula, o Pe Pinho dos Santos, que apresentou o Comunicado em alusão sublinhou que as visitas ao Santuário “são vivamente encorajadas”. Por outro lado, os cristãos são chamados a testemunhar em todos os momentos da sua vida o amor “à nossa mãe, a Mãe do nosso divino Redentor!” A nossa fonte esclareceu que a Campanha de contribuições para recolha de fundos a serem utilizados para criação de infra-estruturas, abastecimento eficaz de água e construção de balneários que decorre desde 1 de Dezembro de 2019 prolonga-se até a realização da próxima peregrinação prevista para os dias 30 e 31 de Outubro de 2021. A Arquidiocese de Nampula manifesta seu apreço e conforto aos milhares de deslocados de guerra de Cabo Delgado, encorajando aos que assumem o papel de autênticos Bom Samaritanos “a continuarem a servir Cristo sofredor na pessoa do nosso próximo que é todo aquele que necessita do nosso apoio”. De referir que a Arquidiocese de Nampula possui dois Santuários onde anualmente se realizam peregrinações sendo um Santuário Mariano situado em Meconta e outro Santuário Sacerdotal situado na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus em Rapale.

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