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dez 08 2019

2º Domingo de Advento – Ano A

2º Domingo de Advento – Ano A Is. 11, 1-10; Rm. 15, 4-9; Mt. 3, 1-12 “Convertei-vos… Mudai o vosso coração” Numa visão, como nos relata a 1ª leitura, o profeta Isaías vê gazelas ao lado de leões, crianças a brincar com víboras, vitelos a pastar com ursos bravos. Significado: com a chegada do Reino de Deus, as pessoas que antes não conseguiam sentar-se ao lado umas das outras, porque se odiavam e matavam, conseguem conviver em paz e tranquilidade. Isto é fácil de conseguir? Não, não é. Um coração cheio de orgulho, de egoísmo, de cobiça, de inveja, de ódio, de vingança não pode viver em paz com os outros. É impossível! Como conseguir, então? 1ª coisa: acreditar que, do tronco velho de Jessé – o pai de David – Deus pode fazer brotar um rebento novo. A Humanidade é um tronco velho, bichoso, podre, com muitos vícios, que cada um de nós também sente, em si mesmo. A ameaça do machado, feita pelo Batista, não é em vista do castigo, mas em vista da mudança de vida, fruto do Espírito trazido por Jesus, o Espírito que perdoa e dá nova vida. A Humanidade, sozinha, não pode produzir nada de bom, de justo, de alegre. Mas, dessa humanidade, com a colaboração de uma simples rapariga de Nazaré (Nova Eva), surge o Homem novo (Novo Adão): assim começa a Nova Criação, onde Deus volta a ser o dono do coração. E, quando Deus começa a ser dono do coração de uma pessoa, ela começa a ser capaz de perdoar, de querer bem e até de dar a vida pelos seus inimigos. Então, mudar o coração, como pede João Batista, é possível? Sim. Só é preciso acreditar que o caminho de Jesus é o caminho certo e segui-lo. Sim. Basta despir-se de interesses pessoais e partidários, como Jesus, nu, na Cruz e aprender com Ele a dar a vida por todos, com generosidade e alegria, sem favorecer só aqueles que nos apoiam. Cada um de nós, de tribos diferentes, do norte ou do sul, deste ou daquele partido, trabalhador ou patrão… está convidado a percorrer este mesmo caminho. É um caminho lento, de contínuas pequenas mudanças… e que exige perseverança porque, no Reino de Deus, vamos entrando aos poucos, confiados na misericórdia e no poder de Deus que, para isso, vem ao nosso encontro.

dez 01 2019

1º Domingo do Advento – Ano A

1º Domingo do Advento – Ano A Is. 2, 1-5; Rm. 13, 11-14; Mt. 24, 37-44 Estar atentos “às vindas” do Senhor Deus visita-nos muitas vezes mas, como no tempo de Noé, como quando os ladrões assaltam, como aconteceu quando Jerusalém foi destruída, nós somos apanhados de surpresa, não estamos preparados para O receber e perdemos a ocasião que poderia tornar a nossa vida numa vida espetacular. Imaginemos o caso de um pai que precisa muito de um emprego para sustentar a sua família. Um dia, um patrão vai à sua casa para o convidar para um trabalho bom, mas ele pai estava a beber nas barracas. Perdeu tudo! O Evangelho de hoje diz-nos que devemos estar sempre à espera, atentos, porque o Senhor vem, de facto, ao nosso encontro nas pessoas que nos ensinam, que nos amam, que nos dão ideias novas, que nos chocam com o seu sofrimento, que se sacrificam por um mundo sem guerras, sem fome, sem doenças. Quem não descobre que Jesus está e atua nessas pessoas perde a oportunidade de se encontrar com Ele e de ver a sua vida transformada. Pelo contrário, até se pode pôr contra Ele, só porque não estava à espera dEle e não O reconheceu. Paulo, na sua carta, fala das pessoas que só vêem trevas à sua volta e andam desanimadas. Se estivessem atentas e abrissem bem os olhos, poderiam descobrir tantos sinais luminosos que mostram um novo dia a despontar. Nós esperamos o Reino de Deus, mas ele já começou a brilhar no meio de nós, pela ação de Cristo e de tanta gente que O segue. O profeta Isaías fala do sonho de Deus de um mundo sem ódio e sem violência, em que as pessoas transformam as armas em utensílios que promovem o bem-estar de todos. Quando virá o dia em que os carros de combate transportarão comida, remédios, livros e tudo o que facilita o desenvolvimento? Quando é que os rendimentos do gaz, do petróleo, da agricultura, do turismo promoverão uma sociedade justa, sem desigualdades chocantes entre os muito ricos e os muito pobres? O profeta responde: Quando toda a gente se encaminhar para Jerusalém e subir ao monte do Senhor, isto é, quando toda a gente se orientar para Cristo e aceitar a sua Lei: o amor. Irmão(ã), esta é a proposta do Senhor para ti, neste Advento.

maio 26 2019

6º Domingo da Páscoa

Act. 15, 1-2.22-29; Ap. 21, 10-14.22-23; Jo. 14, 23-29 O coração novo (o Espírito) de Jesus guia a Igreja Já víamos no Domingo passado que o coração de Jesus tem sentimentos diferentes dos nossos e que só entrando no seu modo de sentir e viver (o seu Espírito) se constrói a nova Jerusalém, a Igreja, a nova sociedade. Esta dispensa a luz do sol e da lua (a esperteza humana); basta-lhe o Cordeiro, como lâmpada (a sabedoria da cruz), como diz hoje o Apocalipse. No Evangelho, Jesus firma que quem O segue será amado por Deus e Deus habita nele. Que significa Deus “abitar” em alguém? Significa que alguém tem o Espírito de Jesus e, por isso, atua com um coração novo, vivendo na sociedade de acordo com a sabedoria de Jesus e não segundo os critérios egoístas do coração humano. Não é difícil de compreender que quem não respeita o marido ou a esposa, quem gasta o salário na bebida e deixa a família à fome, quem enriquece através da corrupção e do desvio dos bens públicos… não é habitado por Deus. A seguir Jesus promete o Espírito e chama-lhe o Consolador (Paráclito). Deus habita-nos para nos animar no caminho da entrega aos irmãos e para nos consolar quando erramos, de forma a não desanimarmos. “Função” do Espírito é ensinar, isto é, explicar melhor o que não compreendemos do ensino de Jesus, sobretudo para sabermos aplicar o Seu ensino às situações novas colocadas por situações novas ou pelos costumes culturais diferentes das pessoas que querem viver o Evangelho. Uma dessas situações é descrita na primeira leitura de hoje: os cristãos que não são judeus têm que se circuncidar como os judeus para serem baptizados? Podem comer carne de porco? Têm que cumprir todas as prescrições da religião judaica? Etc. Uns diziam que sim; outros que não. Nesta situação os Apóstolos decidem juntar-se para rezar, pedir a luz do Espírito Santo e dar uma resposta. No fim, sentem que a decisão que tomam, não é só deles: o Espírito de Jesus também participou, ensinando-lhes o caminho a seguir. Outra função do Espírito é recordar: entre tantas coisas que Jesus ensinou, é fácil pôr algumas de parte. O Espírito de Jesus não permite isso. Às vezes só nos interessam certas partes do Evangelho. Outras esquecemo-las de propósito porque não nos agradam. Isso não vem do Espírito Santo e mostra que nem sempre Lhe damos espaço de manobra.  

maio 19 2019

5º Domingo da Páscoa

Act. 14, 20-26; Ap. 21, 1-5; Jo. 13, 31-35 Os novos céus e a nova terra Quando Judas sai do Cenáculo para iniciar todo o processo que levará Jesus até à morte na cruz é quando Jesus diz que chegou o momento da Sua glorificação. Segundo os nossos manuais de história, os heróis, os gloriosos são aqueles que venceram, nem que, para isso, tenham matado e maltratado os que consideravam “inimigos”. Jesus diz que a sua glória não está em destruir aqueles que lhe fazem mal, mas em dar a vida por eles. Quer dizer que, para Jesus, a glória não está em vencer: está em ser vencido. Lembramos que ele já tinha dito: “quem perder a vida por minha causa, ganhá-la-á” (Mt. 16,25). Neste render-se perante a violência e o mal está a grande vitória de Jesus. Esse render-se exige mais força e dignidade humana para dominar o poder do ódio e da vingança, do que deixar-se levar pela fúria da ira descontrolada. Quem, na sociedade, às vezes aparece como forte e poderoso, afinal pode ser muito fraco e desumano. É por essas e por outras que a justiça de Deus tantas vezes nos parece injusta. O misericordioso não é fraco: é um herói! Perdoar não é perder: é ter um coração grande! Lavar os pés aos irmãos não diminui a grandeza humana: aumenta-a! Trabalhar e sacrificar-se (na família, na sociedade, na Igreja) sem esperar agradecimentos ou recompensas não é empobrecer: é ficar mais rico! É precisamente quando morre que Jesus ressuscita! Esse é o mandamento novo, que não é imposto, mas nasce de um coração novo, no qual entrou o Espírito de Jesus. Não sei bem se eu, que sou padre, acredito muito nisto. Talvez acredite na teoria, mas na prática!?!… No entanto é assim que se constroem os novos céus e a nova terra, a nova Jerusalém, bela como a noiva no dia do seu casamento, de que fala o Apocalipse. Ela não se constrói com a minha mentalidade humana e mesquinha: ela desce do Alto; nasce do testemunho activo d’Aquele que veio de Deus. O mundo renovado é fruto da abnegação do Filho do Homem “que se humilhou até à morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou…” (Fil. 2, 8-9).

maio 12 2019

4º Domingo da Páscoa

Act.13, 14.43-52; Ap. 7, 9-17; Jo. 10,27-30 A alegria de morrer com Cristo O livro dos Actos conta hoje o que aconteceu a Paulo e a Bernabé em Antioquia da Pisídia. Depois de terem anunciado a Boa Notícia de Jesus, vencedor da morte, as pessoas ficaram entusiasmadas, mostrando a sua alegria em seguir Jesus e em ser por Ele libertadas da morte e de todos os males. Mas, uma semana depois, a situação muda completamente: embora os pagãos aderissem com alegria à fé, os judeus moveram uma perseguição terrível contra Paulo e Bernabé. Eles tiveram que fugir para Icónio e, depois, para Listra e Derbe. Aí, as coisas pioraram ainda mais: foram apedrejados e deixados meio mortos (Act. 14, 19). Embora se diga que os Apóstolos continuaram a pregar, felizes por sofrer pelo Evangelho, isso não tira que Paulo, (em 2Cor. 1, 8-9) diga que aqueles acontecimentos o chocaram muito, para além das suas forças. Os discípulos de Jesus são, aqui, alertados para o facto de que “é através de muitas tribulações que se entra no Reino dos Céus” (Act.14,22). Seguir Jesus não garante sucessos imediatos. De facto, o livro do Apocalipse, apresentando os participantes do banquete das bodas de casamento do Cordeiro imolado, protegidos pela mão do Altíssimo, diz que “eles são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro”. Quem deseja o céu (a felicidade) já sabe o caminho. Não vale a pena tentar outros atalhos mais fáceis. Seguir Jesus é bonito; a meta da caminhada é maravilhosa; beber na fonte das águas vivas é uma delícia, mas só lá chega quem assume as escolhas do Mestre, quem aceita ser cordeiro imolado, cuja vida é oferecida para o bem dos outros. Ali não há lugar para gente fechada nos próprios interesses. Não basta receber baptismo: é preciso viver o baptismo. Isso é ouvir a voz do Pastor.

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