nov 09 2020
Artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Como escrevemos no primeiro texto sobre os Direitos Humanos, a Declaração começou a ser elaborada no ano de 1946. Porém, a Declaração foi oficialmente adoptada pela ONU no dia 10 de Dezembro de 1948. O conceito de direitos humanos envolve os direitos e as liberdades básicas necessárias para garantir uma vida digna aos indivíduos. Estes direitos devem ser assegurados a todas as pessoas, independentemente de qualquer distinção, como etnia, nacionalidade, género, religião ou orientação sexual. A Declaração dos Direitos Humanos é composto por 30 artigos que destacam temas chave como: a vida, a liberdade, a segurança, a educação, a igualdade e a liberdade de expressão. Apontamos abaixo os principais direitos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos: Todos osseres humanos são livres e iguais em direitos e dignidade. Capacidade e liberdade para viver sem discriminação. Direito à vida, liberdade e segurança. Nenhuma pessoa deve ser escravizada. Ninguém deve ser torturado ou receber tratamento cruel. Direito de reconhecimento como pessoa. Igualdade perante a lei. Direito de acesso à justiça quando osdireitos forem violados. Ninguém deve ser preso arbitrariamente. Todas as pessoas têm direito a julgamento justo. Direito à presunção de inocência até que a culpa seja provada Protecção à vida privada e familiar. Liberdade de movimentação e de deixar e voltar a qualquer país. Direito de procurar asilo em outros países. Direito de ter uma nacionalidade. Direito ao casamento e à família. Protecção da propriedade. Liberdade de fé e prática religiosa. Liberdade de expressão e de opinião. Liberdade para participação em associações. Acesso ao governo e ao serviço público do seu país. Direito à segurança e protecção do Estado. Direito ao trabalho e protecção ao desemprego. Direito ao descanso e ao lazer. Padrão de vida que garanta saúde e bem-estar à família. Direito à educação gratuita nos anos fundamentais. Acesso às artes, cultura e ciências. Direito de viver numa sociedade justa e livre. Cumprimento de deveres com a comunidade, de acordo com os princípios das Nações Unidas. Protecção dos direitos determinados na Declaração.
Vivência cristã no tempo do coronavírus
Por Pe. Bonifácio Raça No tempo em que os edifícios religiosos estão fechados e suspensas todas as celebrações litúrgicas por causa do coronavirus, somos convidados a redescobrir a natureza da Igreja Domestica, raiz da família de Deus. A vida cristã é uma bela aventura com Deus. É diferente da aventura que o mundo oferece. Contudo, ela é sempre acompanhada por situações que a deixa atribulada, sofrida e, até não poucas vezes, entregue à morte. Por isso, é necessário que cada cristão, ao abraçar o compromisso do discipulado, esteja pronto para assumir as vicissitudes da fé que abraça. As dúvidas humanas Muitas vezes, visto que vemos de forma confusa, como num espelho (cf. 1Cor13,12), ficamos quase que cegos e não conseguimos conciliar o mistério salvador de Deus com a dor e o sofrimento que nos abalam. Daí que surgem questões como:será que Deus se compraz com os nossos sofrimentos? Onde está Deus neste momento de dor? Porque tanto silêncio quando gritamos? Mergulhados nessas dúvidas e dores, incapazes de ler a nossa história à luz da fé, perdemos a oportunidade de contemplar as maravilhas que Deus opera na nossa vida. Concentramos todas as nossas energias na dor, que nos causa desespero.É o que está a acontecer nestes dias com a eclosão da pandemia daCovid19, a humanidade inteira vive aterrorizada pelo medo, ao ponto de criar um desespero universal. As notícias que circulam somente apontam para o mal físico, que pode acontecer em caso de contágio pelo coronavírus. Preocupados excessivamente com esta vida passageira, todo o resto já não conta, apenas a busca de a todo o custo salvaguardar a ‘minha vida, economia, etc.’ Diante desta realidade como deve ser a atitude do Cristão? Perante a dor eo sofrimento que a condição humana e o mundo nos impõem, o melhor que um cristão pode fazer é procurar conselhos na Palavra de Deus. O Apóstolo Pedro dizia: “Caríssimos, não estranheis a fogueira que se ateou no meio de vós para vos pôr à prova, como se vos acontecesse alguma coisa estranha. Pelo contrário, alegrai-vos, pois assim como participais dos sofrimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória” (1Pd 4,12-13). Na verdade, na caminhada cristã, enquanto Igreja que caminha pelas sendas do mundo, podemos encontrar inúmeros desafios que nos afligem. Mas não podemos desanimar, pois, segundo o Apóstolo, “depois de terdes sofrido um pouco, o Deus de toda a graça, (…) vos restaurará, vos firmará, vos fortalecerá e vos tornará inabaláveis”(1Pd 5,10). A atitude a tomar diante da dor e do sofrimento é a confiança em Deus. Uma confiança que consiste numa fé inabalável, com uma esperança viva. Aliás, Jesus, o nosso Salvador e Mestre ensinou-nos a ter fé n’Ele, confiar em Deus e não temer nada: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32). E quando os discípulos pareciam desanimar e atormentados disse-lhes: “Cesse de perturbar-se o vosso coração! Crede em Deus, crede também em Mim” (Jo 14,1). E que significa isso para nós? Significa que devemos procurar ver as coisas com os olhos de Deus. Esta pandemia oferece-nos a oportunidade de vivermos a nossa fé de maneira diferente. É o momento de fortalecer a Igreja Doméstica. A experiência de oração em comunidades maiores, que muitas vezes nos deixava perdido na massa anónima, traz-nos hoje uma oportunidade de rezar em pequenas comunidades de irmãos de sangue.É o regresso dos momentos iniciais da Igreja em que se reunia nas casas (cf. Act 12,12).Não é o momento de lamentações nem desânimo, mas sim de alegria e fortalecimento da nossa adesão a Deus. Nestes dias, saindo de Belo Horizonte (Minas Gerais) para Guaratinguetá (São Paulo), parei na cidade de Barra Mansa (Rio de Janeiro), onde fui recebido pela família Altamir e Sónia, pois não podia continuar a viagem, devido ao impedimento de circulação por conta da pandemia do coronavírus. Foi uma providência divina. Pois com essa paragem pude colher uma grande experiência de vida de oração de uma família. Vi a alegria da família em me receber e fazer parte da sua vida. Sendo a primeira vez que recebiam um padre na sua casa, encontrei uma verdadeira Igreja Doméstica e me fez pensar: quem me dera que todas as famílias cristãs vivessem desta maneira!A alegria, simplicidade e esperança de dias melhores contagiantes. Partilhei com ela as alegrias da fé. Duranteos quatro dias em que fiquei com eles, rezámos juntos o santo Rosário, e aprendi a importância de aproveitareste período da graça para fortalecer o amor familiar. O calorque recebi da família e a entrega de todos os membros na oração impulsionaram-me a descobrir ainda mais o lado bom do momento em que vivemos.Nisto compreendi o sentido das palavras de Jesus ao descrever a sua crucificação como “hora de glorificação”. Portanto, esta hora é de graça, é “o tempo favorável”de fortalecimento das famílias cristãs, servindo como exemplo de esperança e modelo de alegria na adversidade. É o tempo de as famílias cristãs brilharem como estrelas da aurora, que anunciam o dia, mostrando ao mundo que têm como fonte de alegria a certeza da presença de Deus na sua vida. A igreja não são os edifícios É verdade que as igrejas estão fechadas, mas a Igreja não são os edifícios; as famílias é que são a verdadeira Igreja. E elas estão sempre abertas e podem viver a sua fé com alegria. É preciso criar momentos de oração em família, de partilha das experiências da vida e meditar a Palavra. A oração em família pode levar-nos a descobrir o tesouro que se esconde nestes momentos difíceis. Lembremo-nos que a Igreja cresce não nos momentos de alegrias mundanas, mas sim nos momentos considerados difíceis. Sim é possível viver a alegria da fé em meio a dor e o sofrimento. Não nos entristeçamos porque não podemos ir à igreja ou à capela do nosso bairro; podemos sim aproveitar a ocasião para fortalecer a Igreja Doméstica: rezando e vivendo dentro da nossa
nov 09 2020
As incidências do terrorismo em Cabo Delgado
Pela Redacção No dia 5 de Outubro de 2017, a sede do distrito de Mocímboa da Praia (Cabo Delgado) foi atacada por indivíduos armados. Este ataque que não foi reivindicado, visou essencialmente instituições do Estado, nomeadamente da polícia local. Desde então, os ataques têm sido recorrentes em quase todos os distritos nortenhos de Cabo Delgado até, em Março a ocupação momentânea das sedes dos distritos de Mocímboa da Praia e Quissanga, onde os atacantes içaram uma bandeira semelhante à do Estado Islâmico. Entretanto, depois de dois anos e meio para as autoridades continua o mistério em torno da identidade e motivações deste grupo persiste. Sérgio Chicava, pesquisador do IESE (Instituto de Estudos Sociais e Económicos), apresentou numa sua publicação (Boletim Ideias n. 127) as diferentes hipóteses, enunciadas pelo governo moçambicano, sobre a identidade e objectivos destes insurgentes que podem ser resumidas em quatro: Indivíduos com objectivo de instalar um Estado Islâmico; Antigos garimpeiros das minas de Rubi em Montepuez; Grupo de empresários Moçambicanos residentes na Beira e Forças externas. Instalar um Estado Islâmico Logo após o ataque de 5 de Outubro de 2017 a Mocímboa da Praia, o governo afirmou que se tratava de um grupo constituído por indivíduos (estrangeiros e moçambicanos) que tinha como objectivo, instalar um Estado Islâmico em Moçambique. Em virtude disso, imediatamente após os ataques, diversos cidadãos muçulmanos em Cabo Delgado foram presos sob a acusação de pertencerem ao “AlShabaab” e várias mesquitas encerradas. Esta situação criou um mal-estar no seio da comunidade muçulmana moçambicana tanto que as autoridades moçambicanas mudaram de discurso, declarando que não tinhama certeza que os ataques tivessem a ver com um grupo com motivações religiosas e que ainda continuam sem saber os seus objectivos. Igualmente, é preciso realçar que a comunidade muçulmana moçambicana sempre se distanciou dos ataques em Cabo Delgado. Antigos garimpeiros das minas de Rubi em Montepuez De acordo com as autoridades moçambicanas, os garimpeiros locais (a chegada da Montepuez RubyMining, nos princípios de 2017, para explorar as minas de rubis, foi precedida pela expulsão violenta de garimpeiros “ilegais” pelas forças policiais) estariam a ser manipulados por “estrangeiros” oriundos da Tanzânia e República Democrática do Congo (RDC), que tinham sido expulsos das minas de rubi, onde estavam a fazer exploração clandestina, provocando o caos para poderem continuar a fazer exploração ilegal de recursos naturais em Cabo Delgado. Grupo de empresários Moçambicanos residentes na Beira O governo de Moçambique diz também que alguns empresários moçambicanos residentes na cidade da Beira, descontentes com o combate feito pelo Estado ao tráfico ilegal da madeira estariam a financiar os “insurgentes”. Contudo, até agora, não houve mais desenvolvimentos quanto a esta hipótese, não se sabendo a que conclusões as autoridades chegaram em relação aos “falsos empresários” ou aos empresários da Beira. Forças externas A outra hipótese avançada pelo governo moçambicano, é a de que se trata de uma guerra movida por forças “externas” em conluio com alguns moçambicanos. Os líderes dos “insurgentes” seriam congoleses, que recrutavam e treinavam moçambicanos na RDC para fazer guerra em Moçambique. Nesta empreitada, os congoleses estariam a agir em colaboração com tanzanianos, somalis e malianos. Uma guerra movida por pessoas de fora e pessoas que têm dinheiro com o objectivo de instrumentalizar o tribalismo para dividir os moçambicanos. Os sem rosto, têm rosto? Que leitura se pode fazer destas diferentes versões? Evidências no terreno mostram claramente que o país está perante a presença de um grupo radical islâmico. Primeira hipótese inicialmente avançada pelo governo e que por razões pouco claras foi “abandonada”. Contudo, os recentes ataqueis , onde a reivindicação de um Islão radical está bem patente, deixa poucas dúvidas da ligação entre o “Al Shabaab” e o Estado Islâmico, o que deita por terra a tese de que se trata de atacantes “sem rosto” nem “mensagem”.
nov 09 2020
Espiritualidade do Tempo Comum
Por Pe Fonseca Kwiwiri O Tempo Comum vem sempre após a celebração de Pentecostes. O tempo comum tem 34 domingos, divididos em duas partes: a primeira começa no domingo em que se celebra o Baptismo de Jesus e dependendo do início da Quaresma pode durar de cinco a sete semanas. A segunda é logo depois de Pentecostes até à solenidade de Cristo, Rei do Universo. Entretanto, a Igreja celebra as solenidades do Senhor dentro do tempo comum que são:Apresentação do Senhor, Santíssima Trindade, Sagrado Coração de Jesus, o Corpus Christi, Transfiguração e Exaltação da Santa Cruz. Temos também a presença forte de Maria (Assunção, Natividade, entre outras) e a vida dos Santos, seus amigos que nos precederam na caminhada de fé (João Baptista, Pedro e Paulo, Apóstolos, Mártires, todos os Santos). Espiritualidade do Tempo Comum O quotidiano é o chão de onde brota a espiritualidade do Tempo Comum. Conforme sustenta José Bortolini, trata-se de um tempo que pode tornar-se kairós, tempo especial de graça, pois se encontra sob a custódia do Espírito que pousou sobre Jesus na festa do seu Baptismo, e que nos foi dado na solenidade de Pentecostes. É o espírito a conduzir-nos à comunhão da Trindade e à verdade plena, recordando-nos e ensinando-nos tudo o que o Senhor Jesus disse e fez. A espiritualidade do Tempo Comum inspira-se sobretudo nos evangelhos sinópticos proclamados nesses domingos que, juntos, somam mais de metade do ano: Mateus (com Jo 1,29-34 – Ano A), Marcos (com Jo 1,35-42 e cap. 6 – Ano B) e Lucas (com Jo 2,1-11 – Ano C). Nos dias de semana, os três frequentam, por turnos, as celebrações eucarísticas. O Evangelho durante o ano Litúrgico O evangelista Mateus (Ano A) apresenta Jesus como o Mestre da Justiça. São estas as suas primeiras palavras, ao ser baptizado por João Baptista: “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça”. Um ponto adiante, no Sermão da Montanha, Jesus exigirá dos seus seguidores uma prática da justiça superior à burocrática e formal das lideranças judaicas: “Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu”. Marcos (Ano B) é o patriarca dos evangelhos, certamente escritos para servir de guia aos adultos que se preparavam ao Baptismo. Duas perguntas norteiam o seu evangelho: Quem é Jesus? Qual é o perfil do discípulo que Jesus procura? Marcos responde à primeira questão com factos, narrando os milagres que o Mestre realizou, deixando ao leitor a tarefa de responder à questão. Quanto à segunda pergunta, o evangelista convida à humildade de quem sabe recomeçar a cada passo, pois nesse evangelho os discípulos padecem de ignorância crónica a respeito de quem é Jesus. Lucas (Ano C) é o evangelho da misericórdia e da paz. O caminho da paz começa com o anúncio do nascimento do Salvador, chega a Jerusalém – cidade que rejeita o portador da Paz – e pela acção do Espírito se estende até os extremos da terra, com o livro dos Actos. A misericórdia é um tema forte nesse evangelho, que apresenta a Trindade compassiva: Jesus que se compadece da viúva de Naim; o samaritano, que se enche de compaixão pelo ferido à beira da estrada; o pai do filho rebelde, que o abraça trepidando de compaixão.


