fev 03 2021
Os Profissionais da Saúde são os verdadeiros heróis
O Secretario de Estado na provincia de Nampula, Mety Gondola, afirma de forma categórica que na conjuntura actual a qual nos encontramos para além dos libertadores da pátria, os profissionais da saúde são os verdadeiros heróis, tendo em conta a batalha que enfrentam em cenários de entrega das suas vidas por conta de pacientes da covid-19. O reconhecimento neste sentido foi manifestado esta manhã pela passagem de mais um aniversário daqueles que fizeram de tudo e tombaram por um Moçambique livre. Aliás, no âmbito do três de Fevereiro dia dos heróis moçambicanos. Gondola fez estes pronunciamentos parabenizando com vivacidade os profissionais de saúde pelo espírito patriótico em resposta da entrega na missão nobre na luta contra a pandemia da COVID-19 dos que lutam acima de muitas dificuldades e no meio de muitos riscos de contrair a doença. Como era de se esperar, Gondola, fez menção das dificuldades que a província se ressente no provimento de água potável, produto indispensável para o cumprimento das medidas de prevenção da covid-19, tendo assegurado que o governo, tem para breve trecho, solucionar o problema e estão em curso acções de negociações com os parceiros. Como medidas urgentes Gôondola anunciou que está em curso a instalação na cidade de Nampula de tanques gigantes de água um pouco por todos os bairros assim como a circulação de camiões para fazer face a crise do precioso liquido.
dez 15 2020
O Governo da província de Nampula enaltece o papel espiritual e social da Igreja Católica no desenvolvimento do país
Por: Gelácio Rapieque Segundo o governador de Nampula, a Igreja Católica tem privilegiado a melhoria de condições espirituais e social dos seus fies, contribuindo assim, para o bem-estar da sociedade. Manuel Rodrigues Aberto, disse também que ao se preocupar em acolher e alojar, as vitimas do terrorismo que se vive na vizinha província de Cabo Delgado, a Igreja Católica esta a fazer a sua missão de caridade, mas também, mas também, esta a mostrar o mundo o valor da vida, da paz e do bem-estar das pessoas. Neste sentindo, disse Rodrigues, a Igreja católica em Nampula, tem sido um verdadeiro parceiro do governo, rumo a esperança, paz e reconciliação nacional. Rodrigues espera continuar a contar com a igreja e apela para que os líderes religiosos continuem a difundir mensagem de vigilância aos terroristas, esperança aos afetados, paz e amor ao próximo.
dez 02 2020
Fugindo tribalismo, três membros do MDM engrossam as fileiras do partido RENAMO
Por Júlio Assane A Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) apresentou na manhã desta terça-feira (01.12), três novos membros vindos do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Trata-se de Ramadan Rachide, Benedito Riquicho e Jamal José que anteriormente exerceu o cargo de chefe da bancada do partido MDM na assembleia Municipal da cidade de Nampula, que por motivos de tribalismo e uso do poder exagerado pelos quadros seniores daquela formação política decidiram abandonar o MDM e filiar-se ao partido Renamo, delegação de Nampula. Jamal José, porta-voz dos recém membros da RENAMO, avançou que desde o início do partido MDM em Nampula o tribalismo já estava a ser notório, e nestes últimos anos o tribalismo e uso do poder pessoal de forma exagerada tem vindo a aumentar. Paulo Mirase, chefe da Mobilização da RENAMO delegação de Nampula, avançou que este é mais um grupo de moçambicanos que estavam perdidos num outro mundo, mas foram salvos pelo conhecimento que eles tiveram que a Renamo é e continuará sendo o maior partido da oposição. Num outro desenvolvimento, aquela fonte denunciou a existência de falsos membros que actuam nas redes sociais, que promovem incitações de manifestações violentas contra a liderança do presidente da RENAMO, Ossufo Momade. Mirase explicou que o objectivo dos falsos membros é de desestabilizar a principal força política de oposição de Moçambique, cujos comportamentos não estão alinhados dentro do partido. “Este tipo de atitude mostra claramente que são pessoas de má-fé, com objectivos obscuros, uma vez que não aparecem fisicamente em público para mostrar a sua inquietação” sublinhou Paulo Mirase chefe de mobilização do partido RENAMO em Nampula. Paulo explicou que a RENAMO vai continuar a trabalhar para neutralizar este grupo de indivíduos que se fazem passar de membros desestabilizando o partido.
nov 28 2020
Entrega de meios circulantes aos delegados distritais do MDM culmina com o desrespeito às medidas de prevenção da COVID-19
Por Júlio Assane O Movimento democrático de Mocambique (MDM) entregou na manhã da última sexta-feira (23.11) meios circulantes aos delegados distritais e que culminou com o disrespeito às medidas de prevenção da pandemia mundial da COVID-19. O desrespeito às medidas de prevenção da covid-19 é feito numa altura em que o nosso país conta neste momento com mais de 15 mil casos positivos e pouco mais de 129 óbitos por conta da Pandemia. Dos meios circulantes oferecidos aos delegados distritais, referência vai para motorizadas, e para sua aquisição foi investido um montante avaliado em 805 mil meticais, fruto das contribuições feitas pelos membros e simpatizantes do partido MDM. O delegado do Movimento Democrático de Moçambique, em Nampula Lopes Muatamuro, avançou que os meios circulantes vão ajudar aos delegados a percorrerem longas distâncias do Distrito onde eles trabalham e a mante-Los próximos dos seus membros. Aquele delegado sublinhou que esses meios devem servir para resolver os problemas que eles enfrentavam anteriormente de deslocar-se para os zonas mais recondidas e sem gerar discórdias no seio dos membros. Os delegados dos distritos de Mecubúri, Rapale e Malema que foram os primeiros a beneficiarem-se dos meios circulantes, disseram que os mesmos vão ajudar a resolver os problemas que eles enfrentavam no seio distrital, para chegar nas regiões mais longínquas.
nov 25 2020
Muncipio de Nampula investe 12 milhões e 800 mil para aquisição de uma máquina escavadora
Por Júlio Assane Cerca de 12 milhões 800 mil meticais é o valor usado pelo Conselho Municipal da cidade de Nampula para aquisição de uma máquina escavadora inagurada na manha desta quarta-feira (25/11). O valor usado para a aquisiÇão da máquina escavadora provém das receitas do municipio, concretamente do fundo de investimento autárquico (FIA). O presidente, Paulo Vahanle, que procedeu a inauguração e entrega da respectiva Máquina escavadora, avançou que a mesma vai ajudar a minimizar os problemas de erosão que tem vindo a preocupar o município e vai igualmente ajudar na construção de várias estradas e pontes nesta cidade. “Havia necessidade de melhorar as vias de acesso desta cidade” Avançou Vahanle assegurando que a partir do próximo ano, o municipio vai alocar mais uma máquina que vai servir para responder os problemas que forem a ser registados nesta época em que se avizinha a chuva. Num outro desenvolvimento, Vahanle sublinhou que a máquina adquirida pelo municipio vai ser usada na construção de fossas abertas para a deposição de lamas fecais, Porque segundo disse, o município por falta de condições para o efeito juntava as lamas fecais com os resíduos sólidos que criava de certa forma cheiro nauseabundo nos locais onde eram tratados os mesmos. A fonte explicou que todo lixo que era deitado de forma incorreta pelos operadores do município a partir de hoje, serão exigidos a separar os mesmos com o seu devido cuidado para não voltarem a juntar qualquer tipo de lixo num só local como estava a acontecer nos dias passados. Aquele dirigente explicou que dentro de alguns meses vão iniciar as obras de construção da estrada que sai do cruzamento da subestação ao Hospital de Marrere que ate meste momento encontra-se instransitavel.
nov 21 2020
Ministro da Indústria e Comércio assegura disponibilidade de alimentos na quadra festiva
Por Júlio Assane A garantia nesse sentido foi dada pelo titular da pasta da indústria e Comércio, Carlos Mesquita, que sossegou aos moçambicanos, não obstante a pandemia do novo coronavirus que assolou significativamente a economia. Por disso, Carlos Mesquita disse que o país dispõe de stock suficiente de produtos alimentares para abastecer o mercado até a quadra festiva que se avizinha e não só. “Não haverá ruptura de stock de alimentos na quadra festiva” avançou aquele dirigente garantindo que uma equipa multissetorial foi criada para fazer o monitoramento dos preços dos produtos nos estabelecimentos comerciais, como forma de evitar especulação de preços. Num outro desenvolvimento, Mesquita disse ainda que até Setembro último, houve um aumento record na comercialização de diversos produtos agrícolas na ordem de 76 por cento, quando comparado ao ano passado que se situou em 70 por cento. A fonte fez estas declarações na sua visita de trabalho à província de Nampula, onde igualmente lançou a campanha Agrícola 2020-2021 no Distrito de Muecate.
out 14 2020
O partido AMUSI Prepara o seu 1° congresso para eleição do novo presidente
Por Júlio Assane O partido AMUSI apresentou esta quarta-feira os nomes dos candidatos a presidência que serão eleitos no primeiro congresso daquela formação política que será realizado na cidade de Nampula, Norte de Moçambique. Trata-se de Mário Albino actual presidente do partido que vai disputar o poder com Dércio Mário Mapshaganhe natural de Chibuto província de Gaza. O congresso que vai decidir se Mário Albino fica no poder, será realizado em Novembro e contará com a presença de cerca de 150 membros. O chefe do gabinete Central do Partido AMUSI, Hermenegildo Sumaila Alberto, explicou que devido às falhas passadas que o partido enfrentou durante o processo da campanha e do término do mandato de Mário Albino ouve a necessidade do partido programar a realização do primeiro congresso e da eleição do novo presidente do Partido AMUSI. Hermenegildo disse ainda que a democracia no país ainda continua a fachada. Porque segundo suas palavras as pessoas não sentem a verdadeira democracia que Moçambique tem devido às fraudes que têm vindo a acontecer em tempos de eleição. Um dos mecanismos que o partido AMUSI vê na voz do chefe do Gabinete central é a criação de um órgão Internacional que vela pela democracia aqui em Moçambique, para não se voltar a se registar as fraudes eleitorais. A nossa fonte contou que nos últimos dias os membros daquela formação politica estão ser manipuladas para criar a desestabilização do partido. E deu o exemplo de um grupo não identificado de membros que se dirigiram a PRM para denunciar as agressões físicas que estão a passar naquele partido.
out 09 2020
A exploração de recursos minerais em Moçambique
As duas faces da mesma medalha Um olhar àindústria mineira em Moçambique que desde 2003 está a atrair grandes investimentos e ao crescente fenómeno dos garimpeiros espalhado um pouco por todas as partes do Pais. Em Moçambique, nestes últimos anos, assistimos, por um lado, ao grande desenvolvimento da indústria mineira:mina de ouro em Manica, carvão mineral em Moatize (Tete) areia pesada e pedras semipreciosas na Zambézia, areia pesadaem Nampula, rubis e gásem Cabo Delgado entre outras. Por outro lado, paralelamente, está a crescer o fenómeno dos garimpeiros que querem aproveitar ilegalmente dos mesmos recursos minerais com meios artesanais ariscando as suas vidas. As duas faces da mesma medalha. As riquezas do País Na página web do Ministério dos recursos minerais aprendemos o seguinte: qualquer substância sólida, líquida ou gasosa formada na crusta terrestre por fenómenos geológicos ou a ele ligados é considerado um recurso mineral. Os trabalhos de prospecção e pesquisa resultaram na identificação de um grande potencial em recursos mineraisnas várias Províncias. Em Niassa:potencial de Carvão no distrito de Lago e cobre; em Cabo Delgado:Ruby em Montepuez, grandes depósitos de grafite associado ao vanádio, em Balama e Ancuabe, depósitos de Gás e petróleo em Palma e Mocímboa, mármore. Em Nampula: ocorrência de metais básicos (cobre, Níquel e zinco) associados ao ouro, vanádio e prata em Monapo e Murrupula; Areias Pesadas em Moma e Angoche; fosfato, água mineral, ferro e calcário. Na Zambézia: areias pesadas no Distrito de Pebane e Chinde, pedras preciosas, tantalite no Distrito do Ile e Alto Molócuè, água mineral.Em Tete: grande potencial de carvão nos distritos de Moatize, Changara, Mutarara, Marávia e Zumbo; identificada a ocorrência de metais básicos (cobre, Níquel e zinco) associados ao ouro, vanádio e prata em Chíduè e Fíngoè, mineralizações de Ferro, Vanádio e Titânio no distrito de Chiúta em Moatize; grafite e fosfato.Em Manica: Ouro, Cobre, Níquel, Bauxite e Água mineral. Em Sofala: fosfato, Calcário, em pesquisa gás/petróleo. Em Inhambane: gás natural em Pande e Temane, no Distrito de Inhassoro, Areias pesadas no Distrito de Jangamo e Calcário. Em Gaza: Areias Pesadas no Distrito de Chibuto e Xai-Xai. Em Maputo: Calcário, Água Mineral. Quem pode ser operador mineiro? Existem 4 tipos de autorização para a prospecção e exploração mineira: a Licença, a Concessão, o Certificado e a Senha Mineira podendo ser titulares destas autorizações qualquer pessoa singular ou colectiva, nacional ou estrangeira com capacidade jurídica, para realizar as operações autorizadas. Mas não é tão fácil entrar nestes empreendimentos porque para começar são necessários enormes capitais e competências técnicas que só as grandes multinacionais mineiras podem disponibilizar. Então como é que ficamos? Porque nem todos conseguem entrar a trabalhar nestas empresas. Ficamos que paralelamente as grandes industrias extractivas, que ocupam milhares de operadores, surge o fenómeno da extracção ilegal onde centenas de garimpeiros procuram o seu sustento. Os garimpeiros A pobreza e a falta de empregos para os jovens estão na origem deste fenómeno. De facto, vários garimpeiros afirmam que se sujeitam a escavar túneis ou a peneirar águas dos rios, incontáveis vezes por dia, à procura de alguma coisa para comer e para ganhar algum dinheiro que lhes permite cobrir as suas necessidades e àquelas da sua família. Além disso,também as invasões de pessoas nas várias concessões mineiras espalhadas pelo País,que continuamente acontecem,a procura de mineiros, parecem mesmo ser ditadas pela situação de fome e pobreza e pela falta de empregos que faz com que se utilizem todos os meios legais e ilegais para alcançar aquele estilo de vida propagandeado, nem sempre pela necessidade, mas pela moda. Acidentes mortais Infelizmente isto está a provocar vários acidentes mortais. Somente neste ano de 2020 em Janeiro recordamos que dez morreram soterrados na sequência do desabamento de uma mina artesanal de extracção de ouro, em Penhalonga, distrito de Manica, Centro de Moçambique. 11 garimpeiros morreram no distrito de Gilé (Zambézia): cinco garimpeiros morreram no final de Dezembro 2019 na região de Muiane, distrito de Gilé, devido à explosão de uma motobomba enquanto estavam a garimpar e no mês de Janeiro outras seis pessoas morreram na sequência de um desabamento de terras. Em Fevereiro na área da Industria mineira Ruby Mining em Montepuez (Cabo Delgado) um desabamento de mina de rubis fez mais de 10 mortos, vários feridos e um número indeterminado de soterrados. É o resultado de infracções cometidas pelos garimpeiros ilegais, mas podemos perguntar também: até onde a segurança foi seguida à risca? Enfim, para que a indústria extractiva se torne em verdadeiro recurso para o crescimento da economia nacional parece-nos necessário que o governo implemente cada vez mais a política de Responsabilidade SocialEmpresarial queirá orientar as acções de investidores do sector em relação às comunidades das áreas onde operam as empresas: promovendo o estabelecimento de iniciativas e empreendimentos que contribuam de forma efectiva para a redução da pobreza e o desenvolvimento das populações abrangidas pelas áreas minerarias. BOX «Os recursos minerais que se encontrem no solo e subsolo, nas águas interiores, no leito do mar territorial, na zona económica exclusiva e na plataforma continental da República de Moçambique, são propriedade do Estado, nos termos da Constituição. Incluem-se no disposto no número anterior os recursos minerais situados no leito marinho e no subsolo do leito marinho do mar territorial». (Lei de Minas, Lei nº 14/2002, de 26 de Junho 2002)
out 07 2020
O Estado de direito precisa da Oposição
Por Deolindo Paua Na nossa jovem democracia, o termo “oposição” muitas vezes é usado de forma pejorativa. Quando se diz que alguém é da oposição, entende-se logo que essa pessoa não gosta do governo ou não ama o seu país. É essa uma compreensão incorrecta É comum entender que pertencer a partidos políticos diferentes é sinonimo de inimizade como acontece nas campanhas eleitorais onde, em lugar de serem ocasiões de discussão e de confrontação de ideias para a construção do País, transformam-se em guerras sangrentas! Na verdade, ser oposição é colocar-se contra qualquer atitude contrária ao normal ou ao que é correcto, por exemplo, os pais podem e devem opor-se ao comportamento errado dos filhos, por isso os repreendem, não porque não os amam, mas pelo contrário, para que eles mudem e orgulhem os seus pais. E assim deveria acontecer na vida politica da nação. Amor a Pátria Portanto, na política ser oposição deveria ser o contraste à corrupção ou contra tudo aquilo que prejudica o desenvolvimento do país e compromete a construção do bem-estar social. Ser oposição resulta, portanto, do amor à pátria e não dum servilismo estéril. Nesta compreensão, ser oposição é cidadania activa e nem sempre precisa necessariamente de pertencer a um partido político, porque um verdadeiro cidadão não deixa que seu país fique parado. Dialogo e Reconciliação Mas como é que chegamos a esta compreensão destorcida do termo oposição? Em cada nação as actividades políticas não devem ser completamente entregues, pelos cidadãos, exclusivamente aos partidos políticos. Os partidos políticos são grupos de interesses que perseguem os objectivos dos seus apoiantes e patrocinadores. Por exemplo no EUA os Republicanos terão dificuldades em limitar a livre venda de armas aos cidadãos, apesar das centenas de vítimas jovens e inocentes, porque as industrias que produzem armas os apoiam. Passamos também a esta má compreensão, do termo oposição, desde que começamos a olhar como opostos dois partidos com histórico de beligerantes. Em Moçambique bem sabemos que historia da inimizade dos dois maiores partidos nacionais durou 16 anos, a guerra civil, para depoisser transferida a frio para a luta política e processo democrático que fazem hoje para a posse do poder. Dialogo e Reconciliação nacional são as duas verdadeira colunas que sustentam a casa comum. Quando falhar uma delas continuaremos a entender a oposição politica como inimigos do pais em lugar de entender que quem critica também tem amor pátrio e quer viver num pais onde a escuta reciproca traz fruto de bem estar para todos. O que nos espera As últimas eleições vieram provar que nós, cidadãos comuns, nos enganamos da pior forma ao deixar a política apenas para os partidos políticos. Estamos redondamente errados ao confiarmos, apáticos, o futuro do país às lutas partidárias para nos trazerem como fruto as liberdades e a justiça social. Confiar a oposição apenas a partidos políticos é arriscado demais. Estes podem fazer oposição apenas nas questões que lhes interessam como grupo. E quanto aos interesses do povo, quem a favor deles vai fazer oposição? Reparemos que por distracção, incompetência ou por qualquer que seja o motivo, esses partidos políticos da oposição não conseguiram o que se esperava. Se amamos o nossos país e queremos que a democracia sobreviva, nós cidadãos comuns, que ainda não temos opção política, precisamos de ficar atentos para evitar que interesses de um só partido, controlador dos recursos de todos nós,arruínem pela injustiça os nossos sonhos como Nação. Precisamos de ficar atentos desde a base, desde as localidades mais longínquas, para constituirmos uma nova visão política diferente da pregada até agora, onde parece que a função pública sirva como oportunidade para afirmar-se financeira e economicamente à custa das nossas distracções políticas. Isto sim, é ser oposição!
set 20 2020
Governação autárquica: um atestado de semelhança de partidos?
Em condições políticas normais, a democracia complementa-se com a alternância política, ou seja, obedece a um ciclo em que quem gere o país ou algum território dentro dele provém ora de um partido, ora de outro em cada período legalmente estabelecido. Em Moçambique essa alternância, até aqui, só foi possível ao nível autárquico. Ora, a alternância política não se faz apenas por razões cosméticas, ou seja, para simplesmente trocar as pessoas que assumem o poder. Faz-se, sobretudo com a intenção de imprimir melhorias na gestão pública e melhorar a vida dos cidadãos. Em outras palavras, o povo decide mudar de um líder ou de certos governantes quando sua governação não foi satisfatória ou quando seu programa não coincide com seus anseios. É por esta razão que em democracia os partidos devem ser maduros e suficientemente alternativos uns aos outros para garantirem a multiplicidade de opções do povo. No nosso caso moçambicano, a questão é relativamente dramática. A experiência que temos da alternância em algumas autarquias não ofereceu, no geral, grandes mudanças. Mudaram os partidos na gestão autárquica, mas os problemas que emperram o progresso continuaram os mesmos. Penso que já não é novidade dizer que a marca de governação da Frelimo está ferida pela corrupção, pelo nepotismo e abuso do poder, problemas que se tornaram institucionais e arrastam o país à miséria pela desigualdade que implantam. Mas ao mesmo tempo, quando partidos da oposição deviam ser alternativa para corrigir estes males intencionalmente mantidos, ao assumirem o poder nada mudam. Os municípios geridos por partidos políticos da oposição como Beira, Nampula e outros tantos podem provar que a mudança de partidos não resolveu aqueles problemas. Sob gestão da oposição ainda temos relatos de corrupção, de nepotismo e de clientelismo, atitudes que pensávamos pertencerem apenas ao modo de governação de um só partido. Nas últimas eleições autárquicas a Cidade Nampula, por exemplo, decidiu mudar novamente optando pela governação da Renamo. Quando se esperava dias melhores pela alternância feita, eis que a cidade desceu mais fundo em termos de corrupção, abuso de poder e de má governação, pelo menos de acordo com informações dos órgãos de comunicação social. Esta situação levanta sempre a questão sobre a seriedade dos partidos: o que realmente muda na gestão autárquica com a mudança de partidos? A resposta que cada cidadão pode dar a esta pergunta pode ser perigosa para a democracia. O risco é sempre o de induzir aos cidadãos a se acobardarem e se fecharem no seu egoísmo político, se desinteressando por processos legítimos que poderiam servir para a mudança de uma nação, uma mudança para o melhor. De facto, neste drama, é fácil pensar que é inútil alternar os partidos ao poder se o resultado final é o mesmo. Mas a verdade é que essa conclusão é errónea, porque o problema não é da alternância política, mas da falta de maturidade patriótica dos partidos. Não se constrói uma verdadeira democracia e uma genuína alternância política onde os partidos políticos são medíocres ao não assimilarem os anseios populares. Se não há diferença objectiva de princípios e de práticas de gestão entre os vários partidos, se eles todos olham para a gestão de fundos públicos como oportunidade de enriquecimento de seus membros, se partilham os mesmos defeitos, se todos eles são depositários de membros interesseiros e egoístas, então não são diferentes. Contra toda esta palha de partidos políticos mercantis, há duas responsabilidades para nós os cidadãos: a primeira responsabilidade é a de estimular o crescimento e activismo da sociedade civil até que esta seja capaz de oferecer uma alternativa independente, patriótica e moral para regular a anarquia da nossa gestão pública; a segunda é a de insistir na alternância política ao nível local e central, exigindo de forma mais enérgica aos gestores o compromisso com a causa nacional, até que a imaturidade patriótica dos nossos políticos se transforma em compromisso com os ideais de um povo. As duas responsabilidades exigem de nós o aumento e solidificação da nossa participação política. Precisamos de nos tornar exigentes e induzir aos partidos à mudança, uma mudança de critérios de selecção de candidatos a postos públicos despida do critério de afinidades, do critério do longo tempo de militância e do critério da capacidade de viabilizar negócios do grupo e apostarem num único critério: o da competência e grau de assimilação dos valores nobres de Justiça social, transparência e de boa governação. Por Deolindo Paúa


