fev 06 2023
O Mundo perdeu seu “sabor”
“Os cristãos católicos são chamados a serem sal e luz do mundo para dar sabor e iluminar a humanidade”. – recorda o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure alertando que a luz do cristão deve brilhar para o bem da humanidade, procurando ser útil para quem necessita. O mesmo, tem que acontecer quando o cristão for sal, vivendo e praticando actos de amor com todos e para todos. Os cristãos são apelados a evitarem truques enganosos e valorizar sempre o perdão, como uma das ferramentas de manifestação de amor. Para Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula, o mundo perdeu o seu gosto devido a imoralidade, que se resume no ódio, exploração e a vingança. Dai que, segundo Ele, os cristãos devem dar sabor a este mundo, iluminando-o para a glória de Deus. Lamentou o facto de nos dias que correm, existirem homens que não sabem distinguir tudo o que tocam com suas próprias mãos. “Não sabem dizer se o que estão a tocar é ferro ou ouro”. – frisou Dom Inácio recordando que não é a luz que os homens devem olhar, mas sim as boas e concretas obras de amor do cristão. Por Gelácio Rapieque
fev 06 2023
A Igreja vai continuar firme na Evangelização e construção da Paz no mundo
Terminou este domingo a décima quinta reunião dos Bispos lusófonos que decorreu de 01 a 05 de Fevereiro, na cidade de Nampula. Em homilia da missa de encerramento, havida na Sé-Catedral de Nampula, o Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, assegurou que a Igreja vai continuar firme na evangelização e construção da paz, tal como sugeria o tema da reunião. Os bispos de Portugal, Angola e São Tomé e Príncipe, falam de um encontro produtivo, pois ajudou a refletir sobre os desafios que os países lusófonos têm, que são considerados comuns. Os bispos elogiaram a organização e acolhimento que tiveram. “Foram 5 dias de intenso trabalho vividos nesta bela terra acolhedora, que tem a sua história e dignidade, beleza no mosaico cultural, e com ricas tradições que cultora todos valores que o evangelho inculcou deste os tempos remotos. – disse Dom José Manuel, que vê moçambique como uma terra que precisa de ser mais trabalhada com toda essa riqueza humana, natural, mineral e pluralidade cultural. O bispo de Portugal ficou mesmo encantado com a forma como são animadas as missas em Moçambique, particularmente em Nampula. De referir que Portugal vai acolher a próxima reunião dos bispos, em Fevereiro de 2025. Por Gelácio Rapieque
fev 06 2023
Diante da situação dos deslocados, ninguém está em paz
Os Bispos Lusófonos visitaram os deslocados de Cabo Delgado, acolhidos no distrito de Rapale, província de Nampula e concluíram que diante da situação em que vivem, ninguém está em paz. Os Bispos dos países falantes da língua portuguesa que estiveram reunidos em Nampula de 1 a 5 de Fevereiro corrente, foram no último sábado, 04 de Fevereiro, ao distrito de Rapale, para de perto viverem a situação por que passam as mais de 500 famílias deslocadas da vizinha província de Cabo Delgado, fugindo o terrorismo que assola aquele ponto do país, desde 2017. “Em Rapale, os Bispos católicos tocaram com seus próprios dedos o drama de quem não só perdeu bens, mas também seus familiares e lhe roubaram a própria dignidade, agora vivendo sem voz nem vez”.- disse o Arcebispo de Nampula e presidente da Conferencia Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saure. Para o Arcebispo de Saurimo e Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe, Dom José Manuel Chipamba, viver a experiência daquelas famílias foi comovente. Dom Antunes, Arcebispo de Coimbra e vice-presidente da Conferência Episcopal de Portugal, referiu que a situação em que se encontram os deslocados acolhidos em Rapale é dura. “Procuraremos, como igreja, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance em coordenação com outros organismos, para que aquelas pessoas voltem a viver segundo o que tem direito”. – garantiu Dom Antunes, Diante a esta situação, os bispos dos países lusófonos concluem que na verdade, ninguém está em paz, nem os deslocados, nem os acolhedores, e, muitos menos os fazedores da guerra. Por Gelácio Rapieque
fev 06 2023
Bíblia: Palavra de Deus para todos os dias
Para celebrar São Jerónimo que, a pedido do papa Dâmaso traduziu a Sagrada Escritura dos originais hebraico e grego para o latim, língua universal daquela época, foi instituído o Ano da Bíblia. A versão latina da Bíblia ficou conhecida como Vulgata. Vamos responder a algumas perguntas comuns sobre a Bíblia. Quem escreveu a Bíblia? A Bíblia foi escrita por muitas pessoas. Não foi escrita de uma só vez. Ela traz as experiências da caminhada de um povo, o povo do Livro, por isso é a reflexão sobre a vida do homem e a resposta aos problemas existenciais ligando-os a Deus. É a reflexão sobre a vida humana e sobre Deus. O povo escolhido, o povo da Bíblia, discutia suas experiências, obtinha respostas iluminadas pela fé, que depois, ao longo do tempo foram escritas. Deus era sempre a referência, o ponto de partida, o centro da vida desse povo. Por isso, foram muitos os autores que, iluminados por Deus, escreveram a Bíblia com estilos literários diferentes. Quando a lemos, percebemos a acção de Deus na caminhada humana que quer o bem de todos os homens e mulheres. Enfim, foram muitas as pessoas que a escreveram, todas elas iluminadas por Deus, inspiradas por Deus, então, o grande Autor das Sagradas Escrituras é Deus que usou de mãos humanas para escrevê-la. Quando foi escrita? Os estudiosos consideram que a Bíblia começou a ser escrita a partir do século IX antes de Cristo. O último livro a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinquenta anos antes de Cristo. Portanto, não temos uma data com dia, mês e ano, porque sua escrita ocorreu lentamente e muito bem preparada por Deus. Porquê se chama Bíblia? Embora a Bíblia, na concepção de livro que temos hoje, se constitua num único volume, seu nome indica que ela não é apenas um livro, mas uma colecção de livros, alguns mais longos, outros muito curtos. Daí a palavra Bíblia, em grego livros, isto é um conjunto de 73 livrosque trazem diversos temas. Porem tratando sempre do mesmo assunto: a reflexão crítica sobre a vida, a caminhada de Deus com seu povo e a religião deste povo. Porquê dizemos Bíblia Sagrada? Consideramos a Bíblia como sagrada porque ela é a Palavra de Deus. Tudo o que foi criado é obra de Deus, a natureza fala a linguagem de Deus, o universo com suas leis naturais também fala a linguagem de Deus. Ele fala ao ser humano por meio de acontecimentos.A Bíblia nasceu com o próprio homem, pois o homem percebeu, nos fatos e nas experiências da vida, que Deus sempre lhe falou. Em todas as culturas encontramos a religião como forma do homem se relacionar com Deus, de se ligar a Deus. Para o povo da Bíblia, ela começou a ser entendida como Palavra de Deus, a voz de Deus cerca de mil e oitocentos anos antes de Cristo, quando nosso pai Abraão experimentou Deus e entendeu que Ele lhe falava pelos acontecimentos. A partir desta experiência de Deus, a vida de Abraão mudou completamente. Ele passou a interpretar os sinais do Senhor nos acontecimentos e a segui-los. Começa então a ter importância as tradições e experiências religiosas que constituirão parte fundamental da Bíblia. Surgiram os Patriarcas do povo de Deus e com eles toda a experiência deste povo compilada bem mais tarde como livro. A Bíblia é Sagrada porque relata toda essa experiência do homem com Deus, relata a caminhada do homem com seu Deus, construindo a história… História da Salvação. Porquê a Bíblia católica é diferente da Bíblia protestante? A Palavra de Deus acolhida pelo homem, a Bíblia católica e a dos nossos irmãos separados, protestantes, é a mesma. A diferença aparece quanto ao número de livros que cada uma possui. A Bíblia católica possui setenta e três livros.A Bíblia evangélica tem sete livros a menos: Judite, Tobias, 1o Macabeus, 2o Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácides) e Sabedoria. Mais diferenças aparecem nos livros de Ester (10, 4-16, 24) e de Daniel (13-14), onde pequenos trechos destes livros faltam na Bíbliaevangélica. Os sete livros que citamos acima não constam da Bíblia hebraica original, só bem mais tarde é que eles passaram a ser considerados como inspirados por Deus quando da primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, atendendo as necessidades dos judeus da Diáspora. Esses livros são chamados “Deuterocanónicos”, isto é, livros que foram aceite como inspirados bem mais tarde ou em segundo lugar. Apesar desta diferença os cristãos católicos e protestantes reconhecem que na Bíblia Sagrada está presente a Palavra de Deus que nos interpela, que nos convida a segui-lo, que quer o nosso amor de filhos e filhas, que nos ama muito mais do que nós a Ele. A Bíblia, Palavra de Deus para todos os dias, deve ser nosso livro de cabeceira. Não pode ficar fechada numa estante como um simples adorno empoeirando-se. Ela deve ser lida e praticada dia a dia. Por Koinonia livros
fev 02 2023
Em Moçambique – Bispos Lusófonos refletem sobre a construção da paz no mundo
Os Bispos dos Países Lusófonos estão reunidos em Nampula (01/02), Norte de Moçambique, no seu XV encontro, com vista a imprimir esforços na construção da Paz no mundo. Os encontros dos Bispos de países Lusófonos iniciaram em 1996 com o objectivo de criar espaço para reflexão e partilha de experiências da igreja no anúncio da Palavra de Deus na componente de pacificação. Falando na abertura do encontro, Dom José Manuel Mbamba, Presidente da Conferência Episcopal de Angola e Bispo de Saurino, afirmou que o foco principal daquela reunião é criar condições para que a Paz nas comunidades seja uma realidade e efectiva. Questionado sobre os desafios das igrejas Lusófonas no século XXI, a fonte disse que o objectivo é colocar à mesa todas dificuldades enfrentadas nesses países, para que sejam partilhadas e dadas possíveis soluções. Dom Virgílio Antunes, Vice Presidente da Conferência Episcopal portuguesa e Bispo de Coimbra, disse que é uma grande honra fazer parte no XV encontro, de modo especial estar em Moçambique, onde algumas regiões não vivem a Paz, algo primordial da humanidade. Dom António Lunquieque Pedro Benk, Administrador Apostólico de São Tomé e Príncipe e Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Luanda em Angola, olha o encontro como oportunidade para reflexão, tendo em conta que o apelo a Paz não é só para Moçambique. Por seu turno, Dom Inácio Saure Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e Arcebispo da Arquidiocese de Nampula, disse ser com muita alegria que esta Arquidiocese acolhe o segundo encontro em Moçambique, depois de o primeiro ter acontecido em Maputo, capital do País. Dom Inácio Saure sublinhou que as expectativas para este encontro são enormes, apesar da ausência de Cabo Verde, que não conseguiu fazer-se presente por motivos de comunicação. Lembrar que o encontro que poderá durar 5 dias conta com a participação dos Bispos representantes de Angola, São Tome e Príncipe, Portugal e Moçambique. Por: Elísio João
jan 31 2023
A Septuaginta: a Bíblia em língua grega
Sabemos que as línguas originais da Bíblia foram o hebraico, aramaico e grego.Como chegou a bíblia em grego até nós? Como é que tudo aconteceu? Vamos ver como foi possível possuirmos toda a bíblia em língua grega, a que chamamos Septuaginta. Septuaginta (dos setenta) é o nome da versão da Bíblia hebraica traduzida em etapas para o grego koiné, aproximadamente 200 anos antes do nascimento de Jesus, em Alexandria. Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. Uma 1ª tradição A tradição relata como o rei Ptolomeu II do Egipto estabeleceu uma vasta biblioteca em Alexandria. E ele queria ter ali uma cópia das escrituras hebraicas. Ptolomeu então enviou representantes a Jerusalém e convidou anciãos judeus a preparar uma nova tradução grega do texto. Setenta e dois anciãos, seis de cada uma das 12 tribos de Israel, chegaram ao Egipto para atender ao pedido. Eles foram levados à ilha de Pharos, onde, ao fim de 72 dias, oseu trabalho estaria concluído. O rei Ptolomeu ficou satisfeito com o resultado e colocou o trabalho na sua biblioteca. Uma 2ª tradição Outra tradição acrescenta que todos os tradutores foram colocados em salas separadas e instruídos para produzir o seu próprio texto. Quando a tarefa foi concluída, os tradutores compararam todos os textos e descobriram que cada um era milagrosamente idêntico aos outros. O resultado desse trabalho mais tarde ficou conhecido como Septuaginta (da palavra grega relacionada a 70) e ficou especialmente popular entre os judeus de língua grega durante os séculos que se seguiram. Muitos desses judeus se converteram ao cristianismo e, como resultado, a Septuagintatornou-se uma fonte primária para os escritores do Evangelho e muitos outros cristãos primitivos. Conteúdo da Septuaginta Portanto aSeptuaginta, desde o século I, é a versão clássica da Bíblia hebraica para os cristãos de língua grega e foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na bíblia hebraica. Muitas bíblias da Reforma Protestante seguem o cânone judaico e excluem estes livros adicionais. Entretanto, os católicos incluem alguns destes livros em seu cânon (lista dos livros sagrados contido na Bíblia) e as Igrejas ortodoxas usam todos os livros conforme a Septuaginta. Anglicanos, assim como a Igreja oriental, usam todos os livros excepto o Salmo 151, e a bíblia do Rei James (1ª tradução em língua inglesa) em sua versão autorizada inclui estes livros adicionais em uma parte separada chamada de Apocrypha. Alguns séculos depois, ao formular o cânone oficial das Escrituras, a Igreja Católica procurou a Septuaginta para discernir quais livros manter. O cânone católico do Antigo Testamento incluía alguns textos e acrescentava outros (por exemplo, os Livros de Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico) originalmente escritos em grego, não em hebraico e, portanto, não considerados parte das Escrituras Judaicas, embora respeitados e lido por judeus. Embora a história da formação da Septuaginta seja considerada pelos estudiosos bíblicos modernos como uma lenda sem uma base histórica real, a localização e o período da tradução geralmente são considerados verdadeiros. Outra fonte De acordo com a Enciclopédia Católica, é mais provável que “judeus alexandrinos, usando o Pentateuco traduzido em suas reuniões litúrgicas, também desejavam ler os livros restantes e, portanto, gradualmente os tenham traduzido para o grego, que se tornara sua língua materna; isso seria muito mais provável, pois seu conhecimento do hebraico diminuía constantemente”. Qualquer que seja a origem do texto grego, seu carácter antigo ainda é altamente valorizado, e os tradutores bíblicos geralmente consultam a Septuaginta para entender melhor determinada passagem bíblica. Porque a diferença nas numerações dos salmos na Bíblia? Se observarmos em nossas bíblias, existem dois números diferentes para o mesmo salmo, pois na tradução grega da Bíblia que originalmente é hebraica, alguns salmos foram unidos, e outros desmembrados, e assim ficando a numeração hebraica um número à frente do número da tradução grega, que passou para o latim e depois português. Assim, o primeiro número, ou o número fora do parêntese, refere-se a bíblia hebraica, e o segundo ou dentro do parêntese refere-se a bíblia traduzida em latim: Por exemplo: salmo 23(22), o salmo 23 numeração hebraica, o salmo 22 é aquela latina, e ambos referem-se ao “O Senhor é meu pastor.”
jan 30 2023
O TEMPO LITÚRGICO COMUM
O Tempo Comum vem sempre após a celebração de Pentecostes. O tempo comum tem 34 domingos, divididos em duas partes: a primeira começa no domingo em que se celebra o Baptismo de Jesus e dependendo do início da Quaresma pode durar de cinco a sete semanas. A segunda é logo depois de Pentecostes até à solenidade de Cristo, Rei do Universo. Entretanto, a Igreja celebra as solenidades do Senhor dentro do tempo comum que são:Apresentação do Senhor, Santíssima Trindade, Sagrado Coração de Jesus, o Corpus Christi, Transfiguração e Exaltação da Santa Cruz. Temos também a presença forte de Maria (Assunção, Natividade, entre outras) e a vida dos Santos, seus amigos que nos precederam na caminhada de fé (João Baptista, Pedro e Paulo, Apóstolos, Mártires, todos os Santos). Espiritualidade do Tempo Comum O quotidiano é o chão de onde brota a espiritualidade do Tempo Comum. Conforme sustenta José Bortolini, trata-se de um tempo que pode tornar-se kairós, tempo especial de graça, pois se encontra sob a custódia do Espírito que pousou sobre Jesus na festa do seu Baptismo, e que nos foi dado na solenidade de Pentecostes. É o espírito a conduzir-nos à comunhão da Trindade e à verdade plena, recordando-nos e ensinando-nos tudo o que o Senhor Jesus disse e fez. A espiritualidade do Tempo Comum inspira-se sobretudo nos evangelhos sinópticos proclamados nesses domingos que, juntos, somam mais de metade do ano: Mateus (com Jo 1,29-34 – Ano A), Marcos (com Jo 1,35-42 e cap. 6 – Ano B) e Lucas (com Jo 2,1-11 – Ano C). Nos dias de semana, os três frequentam, por turnos, as celebrações eucarísticas. O Evangelho durante o ano Litúrgico O evangelista Mateus (Ano A) apresenta Jesus como o Mestre da Justiça. São estas as suas primeiras palavras, ao ser baptizado por João Baptista: “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça”. Um ponto adiante, no Sermão da Montanha, Jesus exigirá dos seus seguidores uma prática da justiça superior à burocrática e formal das lideranças judaicas: “Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu”. Marcos (Ano B) é o patriarca dos evangelhos, certamente escritos para servir de guia aos adultos que se preparavam ao Baptismo. Duas perguntas norteiam o seu evangelho: Quem é Jesus? Qual é o perfil do discípulo que Jesus procura? Marcos responde à primeira questão com factos, narrando os milagres que o Mestre realizou, deixando ao leitor a tarefa de responder à questão. Quanto à segunda pergunta, o evangelista convida à humildade de quem sabe recomeçar a cada passo, pois nesse evangelho os discípulos padecem de ignorância crónica a respeito de quem é Jesus. Lucas (Ano C) é o evangelho da misericórdia e da paz. O caminho da paz começa com o anúncio do nascimento do Salvador, chega a Jerusalém – cidade que rejeita o portador da Paz – e pela acção do Espírito se estende até os extremos da terra, com o livro dos Actos. A misericórdia é um tema forte nesse evangelho, que apresenta a Trindade compassiva: Jesus que se compadece da viúva de Naim; o samaritano, que se enche de compaixão pelo ferido à beira da estrada; o pai do filho rebelde, que o abraça trepidando de compaixão. Pe. Fonseca Kwiriwi, CP
jan 25 2023
Lembrando Dom Sebastião de Resende
Lembrando Dom Sebastião de Resende Bom dia, Irmãos. 25 de Janeiro, Festa Litúrgica da Conversão de São Paulo. Neste dia, no ano de 1967, faleceu na Beira o grande Bispo missionário Dom Sebastião Soares de Resende, primeiro Bispo da Beira. Homem de visão larga, muito adiantado para o seu tempo. Nunca tendo estado antes em África e acreditando ingenuamente na teoria da missão evangelizadora e civilizadora de Portugal em África, logo à chegada em 1943 ficou chocadíssimo com a realidade que encontrou e logo passou a contestar em voz alta e por escrito. Reprovou o indigenato, exigindo uma mesma cidadania para todos, Negros e Brancos, com o mesmo sistema de Educação e de Saúde, de Justiça, de Trabalho e Segurança Social. Enquanto não o ouviam, fundou mais de 50 Missões pelo interior da Região Centro, toda ela sua Diocese, as Escolas de Formação de Professores de Boroma, Dondo e Inhamizua, o Seminário do Zobue, o Instituto Liceal Dom Gonçalo da Silveira, o Liceu João XXIII, os jornais Voz Africana, Economia de Moçambique (semanários) e Diário de Moçambique. Promoveu a criação das Dioceses de Quelimane e de Tete. Em cada ano, publicava uma Carta Pastoral sobre temas de doutrinação social. Ficaram celebres “Hora Decisiva de Moçambique”, “Coordenadas Cristãs no Moçambique de hoje” e “Moçambique na encruzilhada”. Em todas defendia as ideias acima e a Independência de Moçambique para todos, Negros e Brancos em pé de igualdade. Deu bolsas para estudos superiores no estrangeiro a dezenas de jovens moçambicanos, vários dos quais foram os primeiros dirigentes da Frente de Libertação de Moçambique e do País independente. Ficou célebre a frase que ele disse a um jovem que queria ir estudar para Lisboa em plena Luta Armada: “Com isto conseguido à força, qual será o lugar daqueles que nesse dia estiverem em Lisboa?”. Doutorado em Filosofia pela Universidade Gregoriana, onde também se licenciou em Teologia, obteve também um Diploma em Ciências Sociais pela Universidade de Bergamo, onde foi contemporâneo do Cónego Roncalli, futuro Papa João XXIII com quem teria em 1960 um reencontro emocionante. Salazar não o perseguiu directamente, mas mandou que fizessem de tudo para lhe dificultar a vida. Ao abrigo da Concordata, bloqueou a sua nomeação para Arcebispo de Lourenço Marques em 1962 e de Braga em 1965. Morreu cedo, a caminho dos 61 anos de idade e 24 de Bispo, vítima de um cancro no esófago que a medicina de então não conseguiu debelar. A seu pedido, foi enterrado em campa rasa na estrada de acesso ao cemitério de Santa Isabel (Beira), para onde em idênticas circunstâncias foram Dom Altino Ribeiro de Santana (mais tarde trasladado para Angola, donde viera transferido) e Dom Jaime Pedro Gonçalves. Que, pela misericórdia de Deus, a alma de Dom Sebastião Soares de Resende descanse em paz! Ainda sobre Dom Sebastião, na Missa de corpo presente, o pregador, Dom Eurico Dias Nogueira, um declarado fã seu, disse – na cara do Governador-geral de Moçambique – que “Dom Sebastião era um Homem demasiadamente grande, para ser entendido por homens demasiadamente pequenos”! (Benedito Marime)
jan 02 2023
Recordando papa Bento XVI o 265º Papa da Igreja Católica
Recordando papa Bento XVI o 265º Papa da Igreja Católica Joseph Aloisius Ratzinger nasceu no dia 16 de Abril de 1927, na Alemanha. Ele foi o grande responsável por apresentar um Catecismo actualizado para toda a Igreja. Foi Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional desde1982. No dia 19 de Abril de 2005, aos 78 anos, o cardeal Joseph Ratzinger foi eleito Papa, assumindo o nome de Bento XVI. “Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram-me a mim, um simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor”. Depois de oito anos de pontificado, aos 85 anos de idade, no dia 11 de Fevereiro 2013, renunciou por não ter mais forças para exercer seu ministério. “Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice” (Bento XVI). Após a renúncia, Bento XVI passou a viver no Mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Por causa de sua frágil saúde poucas vezes saiu do Mosteiro para participar em algumas celebrações e manteve-se em silêncio, para que pudesse continuar ao serviço da oração. No dia 31 de Dezembro 2022 foi descansar em Paz. Obrigado Papa Bento XVI!
dez 16 2022
Papa Francisco: “juntos” é o nome da paz em 2023
Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, o Papa faz um convite a refletir sobre as lições deixadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia e indica o caminho para a paz: “É juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos.” “É hora de pararmos um pouco para nos interrogar, aprender, crescer e deixar transformar”: este é o convite do Papa Francisco contido na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, celebrado em 1º de janeiro. O tema escolhido pelo Pontífice é “Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz”. Ouça e compartilhe: Passados três anos, é justamente a experiência da pandemia o fio condutor da mensagem. “A Covid-19 precipitou-nos no coração da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e hábitos, subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorientação e sofrimento, causando a morte de tantos irmãos e irmãs.” Os efeitos foram de longa duração: além do luto, o vírus causou um mal-estar generalizado, ameaçou a segurança laboral de muitas pessoas, agravou a solidão em nossas sociedades, fez aflorar contradições e desigualdades e fragilidades. Então vem a pergunta: “O que é que aprendemos com esta situação de pandemia?”. Francisco não tem dúvidas: “A maior lição que Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho”. Por conseguinte, é urgente buscar e promover, juntos, os valores universais que traçam o caminho desta fraternidade humana. A própria pandemia favoreceu atitudes positivas, como um regresso à humildade; uma redução de certas pretensões consumistas; um renovado sentido de solidariedade, bem como um empenho, “em alguns casos verdadeiramente heroico”, de muitas pessoas que se doaram para que todos conseguissem superar do melhor modo possível o drama da emergência. O segredo, aponta o Papa, está na palavra “juntos”. “Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos. De fato, as respostas mais eficazes à pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, instituições públicas e privadas, organizações internacionais unidos para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares.” Mas quando o mundo ainda se recuperava do trauma, eis que outro fato colocou a humanidade à dura prova: a guerra na Ucrânia. Francisco fala de “desgraça”, “flagelo” que, diferentemente da Covid, foi pilotado por “opções humanas culpáveis”. A guerra ceifa vítimas inocentes e suas consequências vão além-fronteiras, como demonstram o aumento do preço do trigo e energia. “Não era esta, sem dúvida, a estação pós-Covid que esperávamos ou por que ansiávamos”, lamenta o Pontífice, definindo a guerra uma “derrota da humanidade” para a qual ainda não há vacina. “Com certeza, o vírus da guerra é mais difícil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque o primeiro não provem de fora, mas do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado.” E vem a última pergunta: “Que fazer?” Antes de mais nada, deixar que Deus transforme nossos corações. E depois, pensar em termos comunitários. Não existe mais o espaço dos nossos interesses pessoais ou nacionais, mas “é hora de nos comprometermos todos em prol da cura de nossa sociedade e do nosso planeta”. Outra lição deixada pela pandemia é que as crises morais, sociais, políticas e econômicas estão interligadas. “E assim somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaixão, os desafios do nosso mundo.” E os desafios, infelizmente, não são poucos: guerras, alterações climáticas, desigualdades, desemprego, migração e o “escândalo dos povos famintos”. “Compartilho estas reflexões com a esperança de que, no novo ano, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar”, conclui o Santo Padre, fazendo os melhores votos aos Chefes de Estado e de Governo, aos Responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes das várias religiões. “Desejo a todos os homens e mulheres de boa vontade que possam, como artesãos de paz, construir dia após dia um ano feliz! Maria Imaculada, Mãe de Jesus e Rainha da Paz, interceda por nós e pelo mundo inteiro.” (Vatican News) Leia a Mensagem do Papa Francisco para o dia Mundial da Paz 1/1/2023 mensagem Paz 2023


