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Archive for vidanova

jan 25 2023

Lembrando Dom Sebastião de Resende

Lembrando Dom Sebastião de Resende Bom dia, Irmãos. 25 de Janeiro, Festa Litúrgica da Conversão de São Paulo. Neste dia, no ano de 1967, faleceu na Beira o grande Bispo missionário Dom Sebastião Soares de Resende, primeiro Bispo da Beira. Homem de visão larga, muito adiantado para o seu tempo. Nunca tendo estado antes em África e acreditando ingenuamente na teoria da missão evangelizadora e civilizadora de Portugal em África, logo à chegada em 1943 ficou chocadíssimo com a realidade que encontrou e logo passou a contestar em voz alta e por escrito. Reprovou o indigenato, exigindo uma mesma cidadania para todos, Negros e Brancos, com o mesmo sistema de Educação e de Saúde, de Justiça, de Trabalho e Segurança Social. Enquanto não o ouviam, fundou mais de 50 Missões pelo interior da Região Centro, toda ela sua Diocese, as Escolas de Formação de Professores de Boroma, Dondo e Inhamizua, o Seminário do Zobue, o Instituto Liceal Dom Gonçalo da Silveira, o Liceu João XXIII, os jornais Voz Africana, Economia de Moçambique (semanários) e Diário de Moçambique. Promoveu a criação das Dioceses de Quelimane e de Tete. Em cada ano, publicava uma Carta Pastoral sobre temas de doutrinação social. Ficaram celebres “Hora Decisiva de Moçambique”, “Coordenadas Cristãs no Moçambique de hoje” e “Moçambique na encruzilhada”. Em todas defendia as ideias acima e a Independência de Moçambique para todos, Negros e Brancos em pé de igualdade. Deu bolsas para estudos superiores no estrangeiro a dezenas de jovens moçambicanos, vários dos quais foram os primeiros dirigentes da Frente de Libertação de Moçambique e do País independente. Ficou célebre a frase que ele disse a um jovem que queria ir estudar para Lisboa em plena Luta Armada: “Com isto conseguido à força, qual será o lugar daqueles que nesse dia estiverem em Lisboa?”. Doutorado em Filosofia pela Universidade Gregoriana, onde também se licenciou em Teologia, obteve também um Diploma em Ciências Sociais pela Universidade de Bergamo, onde foi contemporâneo do Cónego Roncalli, futuro Papa João XXIII com quem teria em 1960 um reencontro emocionante. Salazar não o perseguiu directamente, mas mandou que fizessem de tudo para lhe dificultar a vida. Ao abrigo da Concordata, bloqueou a sua nomeação para Arcebispo de Lourenço Marques em 1962 e de Braga em 1965. Morreu cedo, a caminho dos 61 anos de idade e 24 de Bispo, vítima de um cancro no esófago que a medicina de então não conseguiu debelar. A seu pedido, foi enterrado em campa rasa na estrada de acesso ao cemitério de Santa Isabel (Beira), para onde em idênticas circunstâncias foram Dom Altino Ribeiro de Santana (mais tarde trasladado para Angola, donde viera transferido) e Dom Jaime Pedro Gonçalves. Que, pela misericórdia de Deus, a alma de Dom Sebastião Soares de Resende descanse em paz! Ainda sobre Dom Sebastião, na Missa de corpo presente, o pregador, Dom Eurico Dias Nogueira, um declarado fã seu, disse – na cara do Governador-geral de Moçambique – que “Dom Sebastião era um Homem demasiadamente grande, para ser entendido por homens demasiadamente pequenos”! (Benedito Marime)

jan 05 2023

Famílias promovem paz e desenvolvimento da sociedade

A família é o fundamento da sociedade. Ela representa uma «pedra angular» na construção da paz e do desenvolvimento na sociedade. O desentendimento que se vive no relacionamento entre as famílias constitui uma ameaça à paz e ao desenvolvimento da sociedade. É da família que saem os cidadãos e na família encontram a primeira escola das virtudes sociais, que são o ponto focal da vida e do desenvolvimento da sociedade. A família constitui o lugar mais eficaz de humanização e de personalização da sociedade. Ela contribui para a promoção da paz e do desenvolvimento na sociedade através da sua experiência de comunhão e de participação na vida social. Como primeira escola de sociabilidade, a harmonia entre os pais e a correcção para com os filhos quando estes estão errados, estimula o crescimento das relações comunitárias,a sensibilidade para com a  justiça, diálogo e amor e uma forte educação ao trabalho. Coragem da mudança “É de pequeno que se torce o pepino”, diz um proverbio popular. Numa família onde os pais primam por uma postura liberalista, olhando com indiferença os maus comportamentos dos filhos estão preparando para a sociedade, talvez, membros delinquentes. O hábito de se colocar sempre a favor dos filhos, de os encobrir, independentemente de estarem certos ou errados, perverte a personalidade deles como futuros membros da sociedade. A falta de união no relacionamento, a vida sempre conflituosa no seio da família, influencia na personalidade social das crianças. A maneira de os pais gerirem o conflito dos filhos dita também na sua educação moral. É a família que tem o dever de educar os filhos no respeito, no amor à verdade, justiça e solidariedade. Família humanizante Também a educação ao respeito da ecologia ambiental começa na família, quando os pais ensinam os filhos a valorizarem os recursos naturais como a água, as plantas. É assim que o Papa Francisco diz que “a humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo”. Diante de uma sociedade tendente a ser cada vez mais despersonalizada, desumana e desumanizante, a família possui a capacidade de “arrancar o homem do anonimato, de o manter consciente da sua dignidade pessoal”. Portanto, a família é uma pequena sociedade dentro de uma grande sociedade. A paz e o desenvolvimento da sociedade em que estamos, exige conversão das famílias no modo de lidar com seus membros e na maneira como gere os pequenos conflitos no seio das mesmas. As ameaças O mal-estar da sociedade é reflexo do mal-estar das famílias. Não é possível uma sociedade feliz, um mundo pacífico e desenvolvido sem famílias felizes, pacíficas e pacificadoras. Por esta íntima conexão entre a família e a sociedade, impõe-se ao Estado e à sociedade o dever fundamental de respeitar, defender e de promover a família. Contudoé preciso vencer algumas posturas que colocam em causa o seu papel de promoção da paz e do desenvolvimento. Medo: o medo de perder o emprego, do terrorismo, de perder o amor do parceiro, da exclusão, de ficarmos para trás influenciam negativamente o desenvolvimento familiar. Smartphonismo ou onlinismo: é o apego doentio do celular, a ponto de boicotar o diálogo directo entre membros da família e que mata o hábito de conversar, dialogar entre os vários membros familiares. Quaresma sem Páscoa: é a situação de muitos lares familiares hoje que já não são lugar de amor nem de paz, mas, antes, campos de batalha e luta. Perante estes medos e dificuldades temos uma inversão de marcha a respeito daquilo que a educação familiar exige. Por exemplo, o “você é tudo para mim” transforma-se em “você não é nada para mim”; “eu amo-te” é substituído por “eu odeio-te”; em lugar do “meu bem” fica “minha desgraça”; “sem você eu não vivo” fica “você é um inferno para mim. É o perigo do desenraizamento generalizado. A ruptura familiar desemboca num caos drástico: filhos desenraizados, idosos abandonados, crianças órfãs de pais vivos, adolescentes e jovens desorientados e sem regras. Famílias responsáveis Enfim, recordamos que a família é uma instituição social de capital importância, é uma instituição de “ensino superior” onde se promovea paz e o desenvolvimento da nossa sociedade. Daí que há necessidade de cada família assumir a responsabilidade de, através da sua experiência de comunhão em casa, na sociedade, transmitir uma boa educação às novas gerações. Como deixámos claro, o mal-estar da sociedade actual é reflexo do mal-estar das famílias. Na verdade, o medo de educar, corrigir os próprios membros da família, a falta da cultura de diálogo, a fragilidade dos laços familiares, a atitude de estar sempre a favor dos membros da família independentemente de estarem certos ou errados, só podem contribuir para a destruição da própria família e da sociedade. Por último, dada a íntima conexão entre a família e a sociedade, existe, por outro lado, o imperativo de a sociedade e o Estado estarem a par da defesa e da promoção dos direitos das famílias, sobretudo as que se encontram em situação de vulnerabilidade. Por Serafim João Muacua  

jan 02 2023

Recordando papa Bento XVI o 265º Papa da Igreja Católica

Recordando papa Bento XVI o 265º Papa da Igreja Católica Joseph Aloisius Ratzinger nasceu no dia 16 de Abril de 1927, na Alemanha. Ele foi o grande responsável por apresentar um Catecismo actualizado para toda a Igreja. Foi Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional desde1982. No dia 19 de Abril de 2005, aos 78 anos, o cardeal Joseph Ratzinger foi eleito Papa, assumindo o nome de Bento XVI. “Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram-me a mim, um simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor”. Depois de oito anos de pontificado, aos 85 anos de idade, no dia 11 de Fevereiro 2013, renunciou por não ter mais forças para exercer seu ministério. “Bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice” (Bento XVI). Após a renúncia, Bento XVI passou a viver no Mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Por causa de sua frágil saúde poucas vezes saiu do Mosteiro para participar em algumas celebrações e manteve-se em silêncio, para que pudesse continuar ao serviço da oração. No dia 31 de Dezembro 2022 foi descansar em Paz. Obrigado Papa Bento XVI!

jan 01 2023

CRONICANDO: PESSOAS DE COSTAS QUENTES

Repetidas vezes ouvi e oiço dizer que “Cada um por si e Deus por todos”. Se por um lado isto contribui para o predominante desequilíbrio social entre a minoria cada vez mais rica e a maioria de pobres cada vez mais empobrecidos, por outro lado, alimenta o espírito de nepotismo e a crescente corrupção. Cada um quer ser primeiro e o mais importante. E a cadeia é longa. Quem se beneficia disso são os socialmente bem posicionados. E quem fica prejudicado são os pobres e desconhecidos. Penso que nas nossas sociedades aplica-se mal a palavra padrinho. Ao invés de ser o nosso conselheiro, muitas vezes o padrinho aparece como advogado defendendo até em situações de pecado grave. Há padrinhos do hospital, padrinhos do banco, padrinhos dos ritos de iniciação, padrinhos dos sacramentos, padrinhos do registo civil, padrinhos do bairro, padrinhos da escola, padrinhos da cadeia, padrinhos da barraca, padrinhos das dívidas ocultas, padrinhos de etc., padrinhos de tudo o que há debaixo do céu. E só me falta ver padrinhos visíveis do cemitério. Será que ninguém gosta de defender os mortos? Aliás, mesmo no cemitério há padrinhos para garantir lugar onde cavar a sepultura até nos cemitérios oficialmente fechados. É certamente isto que nos pode provar que cada coisa tem o seu padrinho. Mas são as ditas pessoas de costas quentes que aumentam o número de padrinhos. Geralmente, essas pessoas, não querendo fazer bicha por se acharem mais ocupadas e importantes que as outras, suplantam os outros, passam-lhes a perna e são atendidas imediatamente. O grito silencioso dos pobres é quase inaudível. Pena é que não sabem que o coração dos outros fica dolorido com esse tipo de comportamento que revela falta de educação e de humanismo. Somos iguais em direitos. Não há motivos de nos pisarmos em vão. Sim!!! De acordo com o artigo 35 da Constituição, “todos os cidadãos são iguais perante a lei e gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, a sua profissão ou a sua preferência política. A realidade que vemos todos os dias, no entanto, nos apresenta esse artigo como mais uma utopia criada para que nos enganemos e nos deixemos levar pelas condições e situações de conformismo. Essa afirmação nos permite, muitas vezes, tolerar todos os dias as diferenças que vemos, seja no noticiário, seja ao vivo, das discrepâncias criadas em relação a factos e pessoas, não conseguindo convencer muitas pessoas da desigualdade que temos em nosso país. E isso tudo, por que motivo? Na vivência comum do dia-a-dia, podemos entender que diferenças podem ocorrer em vista de um sistema criado por seres humanos que, naturalmente, são falhanços, não são perfeitos. Em nossa sociedade os que não têm costas quentes são postos na cadeia e até podem desaparecer ou apodrecer lá mesmo sem o mínimo de julgamento ou abertura do processo criminal. Por isso mesmo, as cadeias moçambicanas são lotadas por pessoas que roubam galinhas, artigos de vestuário, etc. Mas os que possuem costas quentes não conhecem o caminho da esquadra. Se eles cometerem crime, têm advogados que os inocentam à custa de avultadas somas de dinheiro. As pessoas de costas quentes podem até matar, corromper, defraudar a nação inteira, ninguém lhes toca porque têm os seus padrinhos vitalícios. O corruptor fica livre e o corrompido entra na cadeia. É a lei da apadrinhagem moçambicana. Podemos crer na igualdade, sim, a partir do momento em que tivermos diante de nossos olhos o resultado incontestável para os delitos, quando tivermos a garantia de que, enquanto estamos à nossa mesa, matando a nossa fome, todos os moçambicanos estarão na mesma condição; ou quando tivermos a certeza de que não haverá falta de vaga numa creche infantil para aquela empregada doméstica que trabalha todos os dias em nossa casa para nos satisfazer as pequenas vontades; ou quando entendermos que a democracia entende que todos são iguais perante a lei, eliminando aqueles que se consideram mais iguais que os iguais. Seremos perfeitamente iguais quando fugirmos das condições estabelecidas na “Revolução dos Bichos” (George Orwell) e nos encontrarmos frente a frente com a “Utopia” (Thomas More). Ou, enfim, quando estivermos preparados para viver efectivamente numa “República” (Platão). E aqueles que têm costas arrefecidas quando é que serão reconhecidos como merecendo atendimento rápido? Será que há um lugar onde não há costas quentes? Onde? Não sei se existe. Mesmo para arrumar um cadáver numa gaveta melhor na casa mortuária é preciso costas quentes. Tenho medos que nos queimem com as vossas costas esquentadas. Quem nos livrará disso? Começa contigo! E mais não disse! Por Kant de Voronha, in Anatomia dos factos

dez 21 2022

De Ahlu Sunna Wal Jamaa ao Estado Islâmico Moçambique

Embora a insurgência tenha enfrentado desafios consideráveis desde seu pico em 2020 e no primeiro semestre de 2021, ela permaneceu robusta e capaz. Evidências sugerem que ele tem sido consistente em sua ideologia e objetivos. Apesar de operar com uma liderança descentralizada e uma estrutura de células, sua liderança permaneceu focada e coerente diante dos recursos significativos implantados contra ela. A associação com o EI deu ao grupo uma identidade mais clara, mesmo que as implicações práticas desse relacionamento às vezes flutuante permaneçam obscuras. Embora enraizada em Cabo Delgado, a insurgência sempre foi de natureza transnacional. A sua seita religiosa antecedente, com escolas e mesquitas em Mocímboa da Praia e noutros locais, fazia parte de redes de religiosos e grupos armados de ideologia islâmica semelhante em toda a África Oriental. Alguns de seus professores originais vieram da Tanzânia e dos Grandes Lagos. Um grupo armado semelhante na Tanzânia, promovendo uma interpretação socialmente divisiva semelhante do Islã, foi violentamente desmantelado pelas forças de segurança tanzanianas em meados de 2017. Seus líderes escaparam por rotas provavelmente bem trilhadas para o sul até Cabo Delgado, e noroeste para a RDC, via Burundi. Tal como na Tanzânia, os insurgentes em Cabo Delgado não projectaram uma identidade clara para os forasteiros. O grupo inicialmente assumiu o nome Ahlu Sunnah Wal Jamaa (ASWJ) para demonstrar sua autenticidade espiritual, mas o Al Shababpassou a ser usado com mais frequência. Se este último era um descritor usado pela comunidade e adotado pelos insurgentes sempre foi incerto. Na costa leste africana, “Shabab”, que significa “juventude”, era no passado recente tão provável de aparecer em uma música pop, quanto na propaganda oficial de recrutamento. ASWJé raramente usado agora, com a possível exceção do SAMIM. A incorporação da insurgência na Província da África Central do EI em junho de 2019, por meio de uma reivindicação de ataque ao Escritório Central de Mídia do EI, foi, portanto, um reflexo justo das redes transnacionais existentes. Elementos das Forças Democráticas Aliadas na RDC tinham uma relação significativa com o EI. No entanto, não há evidências de que a taxa de crescimento da insurgência naquela época tenha sido devido à mão-de-obra ou apoio externo. Acredita-se que tenha até 1.500 pessoas em suas fileiras em meados de 2019, a maioria de Cabo Delgado, de acordo com fontes de segurança. A ideologia foi crucial para semear a insurgência. A resiliência que a insurgência demonstrou ao sobreviver à considerável perturbação provocada pela intervenção militar internacional provavelmente dependeu da organização interna em primeira instância, tanto quanto de qualquer apoio externo. O que sabemos disso é esboçado e depende em grande parte do testemunho de ex-insurgentes e cativos libertados ou fugidos. Evidências parciais que temos para essa resiliência apontam para pelo menos três fatores: o uso intencional da ideologia islâmica violenta em assuntos internos, uma liderança confortável operando em redes e uma capacidade de adaptar uma série de abordagens militares. Cativos que escaparam ou foram libertados, e combatentes que desertaram, têm consistentemente referido a importância da ideologia na indução de recrutas e cativos. Um programa ativo para reforçar a orientação ideológica foi confirmado por materiais recuperados de campos insurgentes pelas forças de segurança. Ao promover a rejeição da autoridade do Estado laico, da educação e das hierarquias tradicionais, espera-se que a lealdade ao novo grupo seja induzida, seja por medo ou de outra forma. Também houve evidências de estruturas departamentais para a administração de assuntos do dia-a-dia, como serviços de saúde, que ilustram a disciplina necessária para gerenciar qualquer grande organização. Tais estruturas são uma exigência do EI das suas províncias, são funcionais e não apenas operacionais, e informaram a decisão do EI de anunciar a sua Província de Moçambique em Maio de 2022. Enquanto os Estados Unidos em março de 2021 declararam Abu Yasir Hassan como o líder do EI Moçambique, sua liderança tem sido entendida como coletiva. Figuras que conhecemos, como Bonomade Machude Omar, Abu Dardai Jongo, Andre Idrissa e Ansumane Vipodozi, normalmente trabalharam como pequenos comerciantes ou empresários, muitas vezes operando regionalmente. Eles estão, portanto, provavelmente mais confortáveis trabalhando em redes colaborativas baseadas em confiança do que em organizações hierárquicas. A capacidade de operar efetivamente em redes de apoio mútuo foi fundamental para a sobrevivência do grupo em 2021 e além. As operações das forças de intervenção, particularmente o Ruanda, expulsaram com sucesso os insurgentes dos distritos de Palma e Mocímboa da Praia, bem como de algumas das bases bem estabelecidas em Nangade e Macomia. A queda nos eventos organizados de violência política envolvendo os insurgentes em Palma foi vertiginosa, de 58 no primeiro semestre de 2021 para apenas nove no segundo semestre, e seis nos primeiros seis meses de 2022. Mocímboa da Praia assistiu a uma intensificação da atividade. Os eventos organizados de violência política envolvendo os insurgentes subiram para 44 no segundo semestre de 2021, caindo para apenas sete nos seis meses seguintes. Isso refletiu a retomada da sede do distrito pelas forças ruandesas e pelo FDS em agosto de 2021, após um ano de ocupação pelos insurgentes, e a tomada de seus principais campos, Siri 1 e Siri 2, no sul do distrito em setembro de 2021. Essas operações deram à insurgência um duro golpe, levando a um declínio significativo em seu número, resultando em uma queda significativa nas mortes relatadas e na proporção de civis entre as fatalidades. No entanto, eles não foram embora. Grupos móveis menores de combatentes seguiram para o distrito de Nangade, no oeste, onde a atividade insurgente mais do que dobrou para 70 incidentes no primeiro semestre de 2022, em comparação com os seis meses anteriores. Seguiram também para sul, abrindo uma nova frente nos distritos meridionais da província, bem como na província de Nampula, em meados de 2022. Não há evidências de qualquer perturbação grave do grupo de liderança. O Cabo Ligado entende que pelo menos dois dos líderes pré-intervenção ainda estão ativos – Bonomade Machude Omar, no distrito de Macomia, e Abu Dardai Jongo, no sul. Outros líderes permaneceram ativos em Nangade. Relatórios consistentes por parte

dez 16 2022

Papa Francisco: “juntos” é o nome da paz em 2023

Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, o Papa faz um convite a refletir sobre as lições deixadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia e indica o caminho para a paz: “É juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos.” “É hora de pararmos um pouco para nos interrogar, aprender, crescer e deixar transformar”: este é o convite do Papa Francisco contido na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, celebrado em 1º de janeiro. O tema escolhido pelo Pontífice é “Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz”. Ouça e compartilhe: Passados três anos, é justamente a experiência da pandemia o fio condutor da mensagem. “A Covid-19 precipitou-nos no coração da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e hábitos, subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorientação e sofrimento, causando a morte de tantos irmãos e irmãs.” Os efeitos foram de longa duração: além do luto, o vírus causou um mal-estar generalizado, ameaçou a segurança laboral de muitas pessoas, agravou a solidão em nossas sociedades, fez aflorar contradições e desigualdades e fragilidades. Então vem a pergunta: “O que é que aprendemos com esta situação de pandemia?”. Francisco não tem dúvidas: “A maior lição que Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho”. Por conseguinte, é urgente buscar e promover, juntos, os valores universais que traçam o caminho desta fraternidade humana. A própria pandemia favoreceu atitudes positivas, como um regresso à humildade; uma redução de certas pretensões consumistas; um renovado sentido de solidariedade, bem como um empenho, “em alguns casos verdadeiramente heroico”, de muitas pessoas que se doaram para que todos conseguissem superar do melhor modo possível o drama da emergência. O segredo, aponta o Papa, está na palavra “juntos”. “Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos. De fato, as respostas mais eficazes à pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, instituições públicas e privadas, organizações internacionais unidos para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares.” Mas quando o mundo ainda se recuperava do trauma, eis que outro fato colocou a humanidade à dura prova: a guerra na Ucrânia. Francisco fala de “desgraça”, “flagelo” que, diferentemente da Covid, foi pilotado por “opções humanas culpáveis”. A guerra ceifa vítimas inocentes e suas consequências vão além-fronteiras, como demonstram o aumento do preço do trigo e energia. “Não era esta, sem dúvida, a estação pós-Covid que esperávamos ou por que ansiávamos”, lamenta o Pontífice, definindo a guerra uma “derrota da humanidade” para a qual ainda não há vacina. “Com certeza, o vírus da guerra é mais difícil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque o primeiro não provem de fora, mas do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado.” E vem a última pergunta: “Que fazer?” Antes de mais nada, deixar que Deus transforme nossos corações. E depois, pensar em termos comunitários. Não existe mais o espaço dos nossos interesses pessoais ou nacionais, mas “é hora de nos comprometermos todos em prol da cura de nossa sociedade e do nosso planeta”. Outra lição deixada pela pandemia é que as crises morais, sociais, políticas e econômicas estão interligadas. “E assim somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaixão, os desafios do nosso mundo.” E os desafios, infelizmente, não são poucos: guerras, alterações climáticas, desigualdades, desemprego, migração e o “escândalo dos povos famintos”. “Compartilho estas reflexões com a esperança de que, no novo ano, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar”, conclui o Santo Padre, fazendo os melhores votos aos Chefes de Estado e de Governo, aos Responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes das várias religiões. “Desejo a todos os homens e mulheres de boa vontade que possam, como artesãos de paz, construir dia após dia um ano feliz! Maria Imaculada, Mãe de Jesus e Rainha da Paz, interceda por nós e pelo mundo inteiro.” (Vatican News)   Leia a Mensagem do Papa Francisco para o dia Mundial da Paz 1/1/2023 mensagem Paz 2023

dez 14 2022

1 de Janeiro 2023: 56ª Jornada Mundial da Paz

Proximamente será apresentada a Mensagem do Papa Francisco para a 56ª Jornada Mundial da Paz que será celebrada no dia 1 de Janeiro 2023. Tema: “Ninguém pode salvar-se sozinho. Recomeçar depois da COVID 19 para traçar juntos caminhos de Paz”  

dez 13 2022

Nomeação do Bispo auxiliar da Arquidiocese da Beira

O papa Francisco nomeou como bispo auxiliar da Arquidiocese da Beira o Pe. António Manuel Bogaio Costantino da congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ). Até o momento Superior Provincial dos Missionários Combonianos em Moçambique e antigo Director da Revista Vida Nova (2008-2011). Parabéns e tantas orações   Leia o comunicado de nomeação e curriculum vitae do Pe. António Manuel Bogaio Costantino Ofício Nomeação e CV Pe Constantino_221213_135552 Escute a primeira entrevista com o Bispo nomeado

dez 13 2022

Igreja Católica assina Memorando com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano

A igreja Católica através da Conferência Episcopal de Moçambique  (CEM) assinou no dia 12 de Dezembro  em Maputo o memorando de entendimento com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MEDH). O mesmo foi assinado pela Sua Excelência Reverendíssima, Dom Ernesto Manguengue, Bispo de Inhambane e Presidente da Comissão Episcopal da Educação na CEM e pela Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua Leia aqui o Memorando memorando educação MEDH e CEM

dez 08 2022

Cinco Anos de Conflito no Norte de Moçambique

Cinco Anos de Conflito no Norte de Moçambique  Cinco anos em resumo Estatísticas Vitais   O ACLED (Armed Conflict Location and Event Data Project) é um projecto de colecta de dados desagregados, análise e mapeamento de crises. A ACLED colecta informações sobre datas, atores, locais, fatalidades e tipos de violência política relatada e eventos de protesto em todo o mundo. O ACLED registou 35 eventos organizados de violência política na província de Cabo Delgado em Outubro de 2022, resultando em 73 mortes registadas. De Outubro de 2017 a Outubro deste ano, um total de 1.475 eventos organizados de violência política tiveram lugar em Cabo Delgado, com 4.332 mortes registadas. Em Outubro de 2022, as mortes relatadas foram maiores nos distritos de Ancuabe e Nangade, onde insurgentes realizaram ataques contra civis e entraram em confronto com forças estatais e milícias comunais. No entanto, ao longo do período de cinco anos desde Outubro de 2017, as mortes registadas foram mais elevadas nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia e Palma. Outros eventos tiveram lugar nos distritos de Chiure, Macomia, Montepuez, Muidumbe e Nambuno, em Cabo Delgado, em Outubro de 2022. Desde Outubro de 2017, os distritos de Macomia, Mocímboa da Praia, Nangade, Palma e Muidumbe têm tido o maior número de eventos organizados de violência política. Tendências Vitais Nos últimos cinco anos, o conflito na província de Cabo Delgado custou mais de 4.000 vidas, mais de 40% desses civis. No seu quinto aniversário, tinha tocado a maioria dos distritos da província, bem como as províncias vizinhas do Niassa e Nampula, e a região de Mtwara, na Tanzânia. Quase um milhão de pessoas foram deslocadas. O conflito é internacional, moldando a insurgência e a resposta a ela. Os insurgentes, embora principalmente moçambicanos, sempre tiveram ligações regionais com a África Oriental e Central. A assimilação dos insurgentes, e sua rede regional, em estruturas do Estado Islâmico (EI) aguçou esse aspecto da insurgência. Há evidências de que isso moldou a mensagem pública da insurgência, bem como suas estruturas internas. A resposta também tem sido necessariamente internacional. Reunir e dirigir a intervenção militar internacional tem sido um desafio significativo para as autoridades moçambicanas. Avanços significativos foram feitos contra a insurgência. No entanto, os mais afectados pelo conflito, sejam enlutados, feridos ou deslocados, dependerão das instituições domésticas para prestação de contas e reconstrução futura. O equilíbrio dos interesses internos com o leque de partes interessadas agora envolvidas no conflito continuará a testar os líderes políticos de Moçambique. Resumo de cinco anos O progresso feito pelos insurgentes nos dois anos e meio até maio de 2020 foi considerável. Embora concentrados em cinco distritos no norte da província, e ao longo da costa, eles também haviam sondado até o sul de Ancuabe e Metuge naquela época. As autoridades já haviam perdido o controlo de grande parte do norte da província. Em Março de 2020, as sedes dos distritos de Quissanga e Mocímboa da Praia foram brevemente ocupadas. Em Abril, a sede de Muidumbe foi ocupada e, no mês seguinte, foi a vez da sede de Macomia. Esta capacidade atingiria o seu pico em agosto de 2020, quando os insurgentes, após meses de actividade, assumiram o controlo sobre a cidade de Mocímboa da Praia, expulsando as forças governamentais. Um ataque semelhante à cidade de Palma em Março de 2021 finalmente precipitaria um apoio militar internacional significativo. Isso mudaria a forma do conflito nos 18 meses subsequentes, impactando significativamente a dinâmica do conflito, mas, sem dúvida, não o aproximando de uma conclusão. No final de 2020, o conflito também se internacionalizou inquestionavelmente em ambos os lados do conflito. O Estado moçambicano tinha em 2019 contratado com o Wagner Group, e depois com o Dyck Advisory Group (DAG) em 2020 nos seus esforços para lidar com a crescente ameaça interna. O rápido crescimento da insurgência nos primeiros três anos colocou uma pressão considerável sobre Moçambique para aceitar o apoio bilateral e multilateral. Isso veio de muitos quadrantes, incluindo a África do Sul, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a antiga potência colonial Portugal, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia. O EI incluía, desde Junho de 2019, Moçambique na sua autodenominada Província da África Central através dos seus anúncios do Gabinete Central de Comunicação Social. Como discutimos abaixo, isso essencialmente reconheceu os vínculos existentes com elementos na República Democrática do Congo (RDC) e, provavelmente, no Burundi e na Tanzânia, que estavam mais adiantados em afiliação com o EI. Em maio de 2020, apontamos para a possibilidade de divisões dentro da insurgência, apontando para os exemplos da África Ocidental, bem como da Somália e da RDC, onde a afiliação ao EI foi seguida por faccionalismo e divisões. No norte de Moçambique, este não tem sido o caso, e apesar dos insights limitados sobre o quadro organizacional do movimento, uma estrutura de liderança plana e colegial permaneceu unida e estrategicamente focada nos últimos cinco anos. O conflito cresceu exponencialmente ao longo deste período, com fatalidades aumentando ano após ano. O número total de mortes relatadas foi de 204 em 2018, o primeiro ano completo do conflito. Em 2019, isso mais do que triplicou para 619. Em 2020, foram registradas 1.720 mortes. Dentro dos dados sobre fatalidades, é impressionante que a proporção de mortes de civis relatadas caia drasticamente nos primeiros três anos, de 87% em 2018 para 47% em 2020. Embora ainda alarmantemente alta, a taxa de fatalidades causadas pelos insurgentes nos primeiros três anos se aproxima cada vez mais, se não igualando, a taxa de fatalidades das forças estatais. Isso provavelmente reflecte a lentidão na mobilização e, possivelmente, o surgimento de milícias comunais nos primeiros três anos do conflito. Esses dados sombrios também se reflectiram no crescimento do número de insurgentes. Foi estimado por fontes do sector de segurança que seu número cresceu de pouco mais de 150 em 2017 para quase 3.000 até o final de 2020, quando ameaçaram pela primeira vez o projecto em construção para a gestão de gás natural liquefeito (GNL) em Palma.

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