maio 07 2022
Há necessidade de criação de técnicas de aprendizagem da língua portuguesa nos estabelecimentos de ensino público e privado
Para melhor aprendizado da língua portuguesa é preciso que se crie técnicas específicas nos estabelecimentos de ensino público e privado. Quem defende assim é o académico João Nansebo e a locutora da Rádio Moçambique, Delfina Cabral, que falavam por ocasião do dia Internacional da Língua Portuguesa, assinalado a 5 de Maio último. Na voz do docente João Nancebo, há muitos desafios no seio dos pais e encarregado de educação no sentido de motivar os seus filhos a se familiarizarem com a gramática portuguesa. Nansebo reconhece a existência de grandes desafios de ordem cultural e disse esperar dos membros da CPLP que consciencialização dos falantes da língua, visto tratar-se de um dos meios mais importantes para comunicação. Por seu turno, Delfina Cabral disse que não se justifica que com o nível de literatura que Moçambique despõe ainda existam pessoas que gostam de abreviar erradamente as palavras, criando deficiência na língua. Delfina insta às pessoas a cultivar a leitura para além de criar o hábito de escutar a Rádio, porque, segundo ela, estas duas formas facilitam no aprendizado da língua portuguesa. Em 05 de Maio é comemorado o Dia Internacional da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, no seio dos países chamados lusófonos, nomeadamente: Brasil Portugal, Angola, Cabo verde, Guine- Bissau, São Tome e Príncipe, Timor-Leste e Moçambique. Por Lídia Chacate e Hélio Albano
abr 28 2022
Gain procura melhorar o consumo de alimentos de origem animal em Nampula
Foi lançado, esta terça feira (26/04), na cidade de Nampula, um novo projecto que tem em vista melhorar o consumo de alimentos de origem animal, em Nampula. O novo projecto está a ser implementado pela Gain e terá a duração de 5 anos, com um financiamento do Reino dos países baixos, avaliado em 14 milhões e meio de dólares norte americanos. O Director da Gain em Moçambique, Gaspar Cuambe, disse no acto do lançamento do Projecto, que a intenção é fortificar os alimentos mais consumidos, para além de apoiar empresas locais na produção de alimentos de origem animal e ainda promover boas práticas alimentares. Durante os cinco anos, o projecto procura promover o consumo de alimentos nutritivos nos corredores de Nacala e da Beira, numa altura em que mais de metade da população moçambicana sofre de desnutrição crónica, segundo o Director do Projecto João Alberto. A fonte disse que a meta é atingir um milhão e meio de pessoas de baixa renda em todos os distritos da Província de Nampula. O Governador de Nampula, Manuel Rodrigues, que procedeu ao lançamento do Projecto, disse tratar-se de mais uma oportunidade de emprego para esta província, que dispõe de condições para a sua implementação. Destacou, por exemplo, os 570 quilómetros de costa que produz várias espécies de pescado, para além das quantidades enormes de ovos, frango e carne, produzidas nesta parcela do país. A Província de Nampula continua com uma taxa de 53 porcento de desnutrição, principalmente em crianças, o que constitui uma preocupação para o governo, numa altura em que há problemas de financiamento associado ao tabú sobre o consumo de alguns alimentos com destaque para o ovo. O Chefe do executivo Provincial lançou apelos para algumas direções provinciais no sentido de estimularem a produção de matéria prima. Foi anunciado na cerimónia de lançamento do projecto “Melhorando o consumo de alimentos de origem animal”, que o sector privado terá um apoio para o fortalecimento das cadeias de valor de alimentos nutritivos, desde a produção até ao consumo final. Por Elísio João
abr 26 2022
A UCM, em Nampula, desafiou aos graduandos a melhorar a qualidade de vida na sociedade
A Universidade Católica de Moçambique graduou, no último Sábado (24/04), cerca de 412 estudantes nos graus de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento, das Faculdades de Educação e Comunicação, de Direito e do Instituto de Educação a Distância. Na Faculdade de Educação e Comunicação, para o grau de Licenciatura, foram graduados estudantes dos cursos de contabilidade e auditoria, Desenvolvimento Comunitário, Economia e Gestão, Gestão de Desenvolvimento, Gestão de Marketing, Gestão de Recursos humanos e relações Laborais, Gestão e Administração Educacional, Psicologia, Relações Públicas e Comunicação Estratégica e Serviço Social. Enquanto que no Mestrado, na mesma Faculdade, graduaram estudantes dos cursos de Gestão e Administração de Negócios, Gestão de Desenvolvimento, Gestão de Recursos Humanos e Administração Educacional. No Doutoramento, foram graduados estudantes dos cursos de Inovação Educativa e Ciências da Comunicação. Na Faculdade de Direito, a UCM graduou para o grau de licenciatura a estudantes dos cursos de Administração Pública, Ciências Religiosas e Educativas, Direito e Tecnologias de Informação. No grau de Mestrado, graduaram estudantes dos cursos de Administração Pública, Direito e Desenvolvimento Sustentável, Direito Administrativo, Direito Civil e Direito Fiscal. Enquanto que para o grau de doutoramento, a Faculdade de direito apenas graduou estudantes do Curso de Direito Público. Por outro lado, o Instituto de Educação a Distância graduou apenas estudantes do grau de licenciatura nos cursos de Administração Pública, Ensino de Biologia, Desenho, Educação Física e Desporto, Física, Geografia, História, Matemática, Português, Química e Gestão Ambiental. A cerimónia de graduação teve lugar no Pavilhão de Desportos do Clube Ferroviário de Nampula e foi antecedida por uma Celebração Eucarística presidida por Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula, o qual recordou que “um graduado da UCM deve vencer e convencer com competência e qualidade no mercado de trabalho e evitar envolver-se em esquemas que não dignificam a instituição formadora”. Dom Inácio desafiou aos recém graduados a trabalharem respeitando a Ética e moral, para além da formação profissional. Para o prelado em Nampula, os graduados da UCM não podem ser corruptos ou ladrões. Entretanto, o reitor da UCM, Padre Filipe Sungo, disse no acto da graduação que os estudantes devem usar os conhecimentos para solucionar os problemas do país. Por seu turno, o Governador de Nampula, Manuel Rodrigues, partilhou 3 pilares que considera importantes e que devem ser do domínio dos graduados, para a melhoria da qualidade de vida do cidadão comum: “conhecimento, honestidade e justiça, são os três pilares em que se devem cingir na vossa vida profissional” – desafiou o governante. Os graduados estão cientes dos desafios que tem pela frente para darem o seu contributo no desenvolvimento do país. Numa mensagem, eles referem que esta é mais uma etapa na qual poderão enfrentar muitos outros desafios. Para além do Arcebispo Metropolita de Nampula, estiveram presentes na cerimónia, o Magnifico Reitor da UCM Padre Filipe Sungo, o Secretário de Estado da Província de Nampula, Mety Gondola, o Governador de Nampula, Manuel Rodrigues Alberto, o representante do Presidente do Conselho Autárquico da Cidade de Nampula e Reitores das Universidades sedeadas em Nampula. Por Elísio João
abr 23 2022
Edson Macuácua lança duas obras literárias na cidade de Nampula
O acto de lançamento das duas obras literárias aconteceu nesta última sexta-feira (22/04), nas instalações da UCM, em Nampula. As obras são de autoria do político e escritor Edson da Graça Macuácua e são intituladas: “Principal Legislação sobre a Descentralização em Moçambique” e “Principal Legislação Financeira e Avisos do Banco de Moçambique”. O Diretor da Faculdade de Direito na UCM, local onde foram lançadas as obras, Prof. Doutor Zacarias Filipe Zinocacassa, disse sentir-se honrado ao acolher aquele evento e considera serem matérias do momento as temáticas que fazem parte daquelas obras. Após a intervenção do Diretor da Faculdade de Direito, a Dra. Clara Macovele fez uma breve apresentação, considerando honrosa a tarefa falar sobre a vida académica do autor. Edson da Graça Macuácua é moçambicano, professor, político, investigador, dono de um percurso académico e político incontornável. A Alcance Editores, na pessoa de Sérgio Pereira, considera as obras de Edson Macuácua como relevantes e beneficentes aos alunos e a todos moçambicanos. A Faculdade de Direito da Universidade Católica de Moçambique mostra-se satisfeita ver seus estudantes tornarem-se grandes personalidades e autores de livros que versam sobre o Direito e deseja que haja mais entusiasmo e força nos seus estudantes. Mais de cinquenta pessoas fizeram parte daquele evento, de entre familiares e colegas, amigos do autor, personalidades e entidades de varia ordem. Por: Ernesto Tiago
Crónica – A CAPULANA MATOU O MEU LAR
A história reza que o 07 de abril de cada ano é o dia da Mulher Moçambicana. Nesta ocasião, é lembrado o aniversário de morte de Josina Machel (1945-1971), combatente da liberdade de Moçambique e heroína nacional. Até 25 de junho de 1975, Moçambique era uma das colonias portuguesas em África, quando nesta data, após uma década de guerra pela libertação nacional, conquistou sua independência. É o dia em que muitas mulheres, em comemoração da data, acorrem à praça para homenagear os feitos daquela que foi a grande mulher. Uma mulher que conquistou a liberdade moçambicana. É o que devia ser de todas as mulheres moçambicana no combate às várias formas de opressão. Mulheres unidas, famílias felizes. Infelizmente, no cenário em que vivem muitas mulheres do nosso tempo estão longe de ficarem como heroínas nos anais da nossa história. Sinto muito que o 07 de Abril já foi desfigurado. Não sei que se estaria a passar, ao certo, nas famílias atuais. Distorceu-se o sentido comemorativo desta grande festa, mal se entende esta data. Muitas mulheres pensam que o 07 de abril é dia nacional de mulheres bêbadas, homenengas, dia de separar-se do homem que não compra capulana”, dia da exploração dos homens; dia de mulher que manda o marido roubar. Não é por acaso que quando se aproxima esta data muitos homens emagrecem. Foi na tarde de ontem que regressava da cidade à minha casa. Parei por um tempo na estação de chapa no Clube 5, na área da Memória, cidade de Nampula. Ali estava um grupo de mulheres que discutia o que cada uma faz quando o marido ou o namorado não lhe compra capulana. Quando a dona Lídia, uma senhora de aparentemente 30 anos desatou: “… mana, eu não sou dorminhoca, o meu marido me conhecia, se ele não comprasse nada para mim no dia 07, eu usava minha saiotinha, minha blusa, um pouco de batom, ia à rua, e, quando lá chegasse, parava numa esquina (…), com minhas pernas (espalhadas) e resolvia todos meus problemas. Assim vivo sozinha, todos homens me fogem, parece que tenho espirito mau”. Exemplo de uma mulher que mal-entendeu o 07 de Abril e hoje vive solteira. Comemorar esta data significa, sim, estar a par do combate do ódio, da divisão nas famílias e das várias formas de opressão, para promover mais comunhão e unidade de todas as mulheres. É contra 07 de abril quem destrói o seu lar, abandona a sua família, só porque faltou capulana. Esta é uma festa do coração de uma mulher educada, uma mulher mais sensata. Feliz 07 de Abril a todas vocês mulheres de família, com responsabilidade e com espírito de batalha! Quem tem ouvidos, ouça! Giovanni Muacua
A COMISSÃO BÍBLICA DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DO NORTE DECLARA DEUS ESTAR DE COSTAS VOLTADAS COM AS FALSAS INTERPRETAÇÕES DA BÍBLIA
Reunidos em estudo bíblico, no Centro Catequético de Paulo VI de Anchilo (Nampula), de 08-11 de março corrente, os delegados da Comissão Bíblica da Província eclesiástica do Norte sublinham a necessidade de a Palavra de Deus ser lida, estudada e promovida com fervoroso ânimo nas comunidades cristãs. No acto de encerramento de uma semana de estudos, o padre José Joaquim, Secretário do Departamento para Missão e diálogo da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), declarou sem reservas que Deus está de costas voltadas com a manipulação da Bíblia: “Deus não está tranquilo perante a manipulação da palavra, perante o indiferentismo bíblico, perante as falsas interpretações da Sua Palavra”. O clérigo defende que a revitalização da pastoral bíblica exige de todos cristãos serem fervorosos animadores bíblicos de modos a que a palavra de Deus seja conhecida, amada e vivida. Por seu turno, delegados das cinco dioceses da Província eclesiástica do Norte (Nampula, Nacala, Lichinga, Pemba e Gurué), que participaram daquela formação bíblica, fazem um balanco positivo da semana de estudos bíblicos e dizem estar munidos de ferramentas suficientes para levar avante a mensagem de Deus, evitando o máximo de dar espaço às falsas interpretações da bíblia, fenómeno muito vigente nas comunidades cristãs: “faremos esforço de levar a palavra de Deus aos irmãos das zonas mais recônditas. Vamos ensinar aos irmãos a melhor maneira de interpretar a bíblia e torna-la mais conhecida pelo mundo”. Por Pe. Serafim João
ago 10 2021
Covid-19 versus direito ao trabalho
Por Dr. Ali Armando Amade Covid-19 versus direito ao trabalho Trabalhei durante 5 anos, com contrato de trabalho regular (indeterminado), no restaurante duma unidade hoteleira nas belas praias da Província de Inhambane. Antes da Pandemia da COVID-19 tínhamos sempre muitos clientes. Infelizmente, desde Abril do ano passado (2020) o empreendimento ficou encerrado, precisamente devido à COVID-19. Todos nós, trabalhadores, fomos dispensados e ficámos em casa à espera que os tempos melhorassem. Nos finais do ano passado, o restaurante reabriu, mas, lamentavelmente, eu e alguns colegas não fomos chamados para retomar o trabalho, portanto, fomos deixados em casa sem nenhuma remuneração. O que é que temos que fazer com a unidade patronal? (Carta assinada – Inhambane). As praias da Província de Inhambane são por excelência um cartão-de-visita para muitos turistas moçambicanos (internos) e estrangeiros, visitantes de fora do nosso país que querem se deliciar daquelas maravilhosas praias. Falar de turismo é o mesmo que falar duma actividade que implica a deslocação de um ou vários indivíduos de sua zona habitual para outra durante um determinado período de tempo. Deslocação, tanto por lazer ou alguma actividade profissional facto que, naturalmente, implica a procura de unidades hoteleiras para a hospedagem. E, ao se instalarem nas referidas instâncias turísticas, vão manter contactos físicos ou de aproximação com outras tantas pessoas. Desde finais de 2019 o mundo começou a confrontar-se com um novo Vírus da família dos Coronavírus, o SARS-COV-2, identificado em Wuhan na China, COVID-19. Como se sabe, a transmissão é feita por meio das gotículas respiratórias, ao tossir ou espirrar, ou ao tocar em objectos contaminados e levar a mão à boca, nariz e olhos sem antes higienizá-las. Foi com vista a reduzir o máximo possível a propagação do COVID-19, que o Governo de Moçambique e um pouco por todo o mundo, fechou as fronteiras nacionais, cancelando, por isso, as viagens para o nosso país. A medida de fechar as fronteiras, praias, estâncias turísticas, etc. afectou sobre maneira o sector hoteleiro (incluindo os restaurantes e outros similares) que, sem clientes, se viu forçado a encerrar as portas e, por conseguinte, a despedir ou suspender alguns contratos de trabalho. Feita a explicação do porquê da suspensão dos contratos de trabalho, agora vamos responder à inquietação do nosso querido amigo trabalhador dum restaurante, com contrato de trabalho por tempo indeterminado há mais de cinco anos e neste momento em casa sem a competente remuneração. Falámos nas linhas anteriores de duas figuras jurídicas, nomeadamente o despedimento e a suspensão do contrato de trabalho. E será precisamente sobre esta última figura que nos vamos debruçar visto ser a que se adequa à situação no nosso amigo. Dispõe o n.º 1 do artigo 123 da Lei 23/2007, de 1 de Agosto (Lei do Trabalho) que “o empregador pode suspender o contrato de trabalho por motivos de mercado, tecnológicos, catástrofes ou ocorrências que tenham ou venham, previsivelmente, a afectar a actividade normal da empresa ou estabelecimento”. Significa que o contrato de trabalho pode ser suspenso por força maior quando, por exemplo, se verifiquem motivos conjunturais que obriguem o encerramento temporário da empresa. Dos direitos adquiridos Ora, pese embora esse direito reservado ao empregador para suspender temporariamente o contrato de trabalho mediante uma comunicação, por escrito, a cada trabalhador abrangido, os fundamentos da suspensão e indicada a data de início e de duração da mesma, remetendo simultaneamente cópias dessas comunicações ao ministério que tutela a área do trabalho e ao órgão sindical da empresa, conforme o n.º 2 do artigo 123 da Lei do Trabalho, não quer dizer que o trabalhador fica em casa sem remuneração ou com “as mãos a abanar” como se diz. Pois, o n.º 5 do mesmo artigo 123 da Lei do Trabalho, recomenda que mesmo estando em casa, devido à suspensão do contrato de trabalho, o trabalhador tem direito a receber 75% do seu salário no primeiro mês, 50% no segundo mês e 25% no terceiro mês. Contudo, se passarem os três meses e o motivo que originou a suspensão prevalecer, suspende-se o pagamento das remunerações, podendo as partes (se quiserem) acordar a extinção do contrato ou relação de trabalho, sem prejuízo das indemnizações a que o trabalhador tiver direito. Portanto, caro amigo, como pode perceber na nossa resposta, tinhas o direito de receber o teu salário durante três meses nos moldes que já indicámos. Mas se o encerramento continuasse, o que não é o caso, podiam (tu e a direcção do restaurante) acordar a extinção do contrato de trabalho e por conseguinte ser paga a competente indemnização. E, uma vez recebido o valor da indemnização por sua parte, cessavam todos os direitos e obrigações com a sua entidade patronal. Ora, no caso que tudo o que explicamos não tenha acontecido e até à presente data continue em casa, sem ter recebido qualquer valor monetário desde a suspensão do seu contrato de trabalho, aconselhamos ao nosso caríssimo amigo para, querendo, pedir ajuda, ao IPAJ, à Inspecção Provincial do Trabalho e ou ao Centro de Mediação e Arbitragem Laboral aí na cidade de Inhambane. BOX Despedimento (extinção do contrato ou da relação de trabalho) Se o impedimento referido n. 1 do artigo 123 da Lei de Trabalho subsistir, para além dos 3 meses, e houver um acordo para a extinção do contrato ou relação de trabalho, o empregador deve colocar à disposição do trabalhador ou trabalhadores, compensação pecuniária calculada nos termos do artigo 128 da Lei de Trabalho, podendo a indeminização ser fraccionada em três parcelas, mediante acordo das partes. O que recomenda o artigo 128 da Lei do Trabalho? O n. 2 deste artigo 128 da Lei do Trabalho recomenda que a rescisão do contrato de trabalho por tempo indeterminado, com justa causa porte do trabalhador, confere-lhe o direito à indemnização a 45 dias de salário por cada ano de serviço. No que tange aos contratos a prazo certo, cujo suporte legal se encontra no n. 3 do mesmo artigo, a indemnização será correspondente às remunerações que se venceriam entre
jul 13 2021
A ilusão da comunicação
Por AB Parece que a globalização tomou conta das nossas vidas, invadindo também o mundo da comunicação, seja a nível individual como o colectivo. À luz daEncíclica “Fratelli Tutti” vamos reflectir sobre o mundo da comunicação que deve ser instrumento de unidade e não de divisão entre os povos. Em Moçambique, bem como em outras partes do mundo, assistimos à proliferação de plataformas nas redes sociais que, em lugar de ser instrumento construtivo para uma sociedade mais équa e solidária, tornam-se em lugar de agressividade, calúnia, invasão da privacidade, e sobretudo, tornam a existência de um individuo num espectáculopara toda a gente. Vida, espectáculo para todos? «Paradoxalmente se, por um lado, crescem as atitudes fechadas e intolerantes que, à vista dos outros, nos fecham em nós próprios, por outro, reduzem-se ou desaparecem as distâncias, a ponto de deixar de existir o direito à intimidade. Tudo se torna uma espécie de espectáculo que pode ser espiado, observado, e a vida acaba exposta a um controle constante. Na comunicação digital, quer-se mostrar tudo, e cada indivíduo torna-se objecto de olhares que esquadrinham, desnudam e divulgam, muitas vezes anonimamente. Dilui-se o respeito pelo outro e, assim, ao mesmo tempo que o apago, ignoro e mantenho afastado, posso despudoradamente invadir até ao mais recôndito da sua vida (42). Instrumentos de ódio e calúnia Entretanto os movimentos digitais de ódio e destruição não constituem – como alguns pretendem fazer crer – uma óptima forma de mútua ajuda, mas meras associações contra um inimigo. Além disso, «os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta, dificultando o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas». Fazem falta gestos físicos, expressões do rosto, silêncios, linguagem corpórea e até o perfume, o tremor das mãos, o rubor, a transpiração, porque tudo isso fala e faz parte da comunicação humana. As relações digitais, que dispensam da fadiga de cultivar uma amizade, uma reciprocidade estável e até um consenso que amadurece com o tempo, têm aparência de sociabilidade, mas não constroem verdadeiramente um «nós»; na verdade, habitualmente dissimulam e ampliam o mesmo individualismo que se manifesta na xenofobia e no desprezo dos frágeis. A conexão digital não basta para lançar pontes, não é capaz de unir a humanidade (43). Agressividade despudorada Ao mesmo tempo que defendem o próprio isolamento consumista e acomodado, as pessoas escolhem vincular-se de maneira constante e obsessiva. Isto favorece o pululamento de formas insólitas de agressividade, com insultos, impropérios, difamação, afrontas verbais até destroçar a figura do outro, num desregramento tal que, se existisse no contacto pessoal, acabaríamos todos por nos destruir entre nós. A agressividade social encontra um espaço de ampliação incomparável nos dispositivos móveis e nos computadores (44) Isto permitiu que as ideologias perdessem todo o respeito. Aquilo que ainda há pouco tempo uma pessoa não podia dizer sem correr o risco de perder o respeito de todos, hoje pode ser pronunciado com toda a grosseria, até por algumas autoridades políticas, e ficar impune… O funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças (45). Deve-se reconhecer que os fanatismos, que induzem a destruir os outros, são protagonizados também por pessoas religiosas, sem excluir os cristãos (46). Informação sem sabedoria A verdadeira sabedoria pressupõe o encontro com a realidade. Hoje, porém, tudo se pode produzir, dissimular, modificar. Isto faz com que o encontro directo com as limitações da realidade se torne insuportável. Em consequência, implementa-se um mecanismo de «selecção», criando-se o hábito de separar imediatamente o que gosto daquilo que não gosto, as coisas atraentes das desagradáveis. A mesma lógica preside à escolha das pessoas com quem se decide partilhar o mundo. Assim, as pessoas ou situações que feriam a nossa sensibilidade ou nos causavam aversão, hoje são simplesmente eliminadas nas redes virtuais, construindo um círculo virtual que nos isola do mundo em que vivemos (47). Novo estilo de comunicação São Francisco de Assis «escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz do enfermo, escutou a voz da natureza. E transformou tudo isso num estilo de vida. Desejo que a semente de São Francisco cresça em tantos corações» (48). Ao desaparecer o silêncio e a escuta, transformando tudo em cliques e mensagens rápidas e ansiosas, coloca-se em perigo esta estrutura básica duma comunicação humana sábia. Cria-se um novo estilo de vida, no qual cada um constrói o que deseja ter à sua frente, excluindo tudo aquilo que não se pode controlar ou conhecer superficial e instantaneamente (49). A sabedoria na comunicação Podemos buscar juntos a verdade no diálogo, na conversa tranquila ou na discussão apaixonada. É um caminho perseverante, feito também de silêncios e sofrimentos, capaz de recolher pacientemente a vasta experiência das pessoas e dos povos. A acumulação esmagadora de informações que nos inundam, não significa maior sabedoria. A sabedoria não se fabrica com buscas impacientes na internet, nem é um somatório de informações cuja veracidade não está garantida… A liberdade transforma-se numa ilusão que nos vendem, confundindo-se com a liberdade de navegar frente a um visor. O problema é que um caminho de fraternidade, local e universal, só pode ser percorrido por espíritos livres e dispostos a encontros reais» (50).
maio 27 2021
Banda Marrove lança o seu primeiro CD
Evento solidário para com as vitimas do terrorismo em Cabo Delgado marca lançamento do primeiro CD da Banda Marrove. Foi no último final de semana em que o anfiteatro da Academia Militar Marechal Samora Machel em Nampula, acolheu ao lançamento do primeiro CD da Banda Marrove, evento que se juntou a solidariedade para com as crianças deslocadas que se encontram no centro de Corrane. O director da casa provincial de Cultura em Nampula juntou-se a este mega evento e enalteceu a iniciativa. O album ora lançado é intitulado por “owani ti weno” e composto por 12 faixas musicais. O evento foi abrilhantado com a presença de diversos convidados com destaque para os irmãos Filomena e Messias Maricoa, Tony, Felex entre outros (Julio Assane)
maio 10 2021
A Força Feminina
Por Judite Macucua Pinto Nos dias de hoje, muito se fala sobre a possibilidade de descolonização dos saberes e sobre o ocultamento de conhecimentos diversos, ao modelo eurocêntrico legitimado como ciência. Nesta perspectiva, constatamos que as mulheres “africanas” , particularmente as moçambicanas, ainda não são, na sua maioria, presentes significativamente nas área cientificas e académicas. Das várias africanas e das poucas que conhecemos, iremos tratar da especificidade moçambicana, sua relação com outros meios geográficos, como por exemplo, o Brasil e os caminhos das carreiras do campo da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A este propósito, sabe-se, no entanto, que em Moçambique, as mulheres, têm vindo a conquistar, embora com muitas dificuldades, algum espaço nos últimos anos, na esfera Política, Económica e Social. Esta dificuldade é ainda maior nas Ciências Naturais, onde elas estão em número muito reduzido. Contudo, segundo fontes abalizadas na matéria, citam que algumas acções com vista a despertar interesse das meninas e mulheres, tem sido a actuação como modelos, no sentido de orientar palestras e grupos de conversa com alunas das escolas, para desmistificar os estereótipos e encorajá-las a escolher mais cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A supervisão e a integração de raparigas no grupo de Pesquisa, na Universidade, é outra acção que tem em vista motivá-las a ficar na carreira e tem um efeito multiplicador, pois estas jovens estudantes, vão também para as escolas para mostrar às alunas que, sim, é possível realizar experiências laboratoriais sob orientação das tutoras. Mulher moçambicana na arena da ciência Na luta pelo Meio Ambiente, Moçambique já incentiva as mulheres na Ciência, daí que, no Parque Nacional de Gorongosa, encontram-se duas pesquisadoras que participam de um projecto mundial para criar um banco de dados de Genes. Elas são um exemplo para encorajar outras meninas das vilas vizinhas, sobre a diversidade de formas de vida na terra. Porque estas jovens cientistas moçambicanas, estão inseridas em uma realidade onde muitas meninas se casam e têm filhos antes de terminar o ensino básico, querem deste modo, servir de exemplo e encorajar as outras jovens, também a seguir carreira na área de Ciência. No contexto da COVID-19 uma cientista moçambicana, a bióloga e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde, Dr. Raquel Matavele Chissumba, ganhou o Prémio Global da UNESCO para as Mulheres Cientistas. Assim, o trabalho de pesquisa e de busca de um tratamento natural para a COVID-19, foi o seu foco da atenção e inseriu-se numa iniciativa da Organização para Mulheres na arena da Ciência para o Mundo em Desenvolvimento. Na arena política Na arena política, vamos conhecer algumas Mulheres Moçambicanas candidatas a lugares preminentes nas Eleições Autárquicas do ano passado nomeadamente: Francisca Tomás, na Província de Manica; Judite Massengele, na Província do Niassa; Margarida Mapanzene, Província de Gaza; Ângela Eduardo, na Província de Cabo Delgado; Carla Fabião Mucavele, também em Gaza. Porque são tão poucas? Qual foi o motivo? Desinteresse ou pouco espaço num meio dominado por homens? De facto, este número foi muito baixo, principalmente a nível dos Governos Provinciais e Municipais, segundo afirmou uma activista do Instituto para a Democracia Multipartidária. Todavia, as Mulheres em Moçambique, estão agora a interessar-se e a perceber que a política é o dia-a-dia delas e que elas devem ser membros. Mas, encontram, evidentemente, um obstáculo porque os homens acham que o espaço político, é um espaço exclusivo deles. Eles é que percebem, eles é que ditam as regras! Perfil de algumas mulheres que marcaram a história A rainha guerreira dos Massagetae, Tribo da Ásia Central, que lutou contra Ciro, rei do Primeiro Império da Pérsia, perto de 530a.C. Hatshepsut, foi a primeira Faraó do Egipto e a mais bem-sucedida de todas elas, que viveu no inicio do Sécul XV a. C. Sobre esta personalidade, os historiadores dizem que o seu reinado durou cerca de 20 anos e correspondeu a uma época de relativa paz e prosperidade económica. Zenóbia, rainha de Palmira (actual Síria), conquistou uma parte da Ásia Menor e desafiou os Romanos no Século III a.C. Bodiceia, rainha dos Celtas Iceni, do Norte da Inglaterra, foi a responsável por conquistar as cidades romanas organizando as mais sangrentas revoltas contras os Romanos. Século XXI O tempo passou e as mulheres reivindicaram um lugar ao sol. Muitas voltaram aos livros, voltando também para a memória da humanidade. Assim, nesse contexto, agora conhecemos algumas personalidades femininas que marcaram o seculo XX e marcam o XI: Luisa Dias Diogo- Personalidade Moçambicana. Formou-se em Economia e foi a primeira mulher moçambicana, a assumir o cargo de Ministra do Plano e Finanças do Governo Moçambicano. Em 2004, com a demissão do então Primeiro- Ministro, Pascoal Mocumbi, passou a acumular a sua pasta com a de Primeira-Ministra. Ellen Johnson Sirleaf – Personalidade Liberiana. Ela ficou conhecida por “Dama de Ferro da África”. Foi eleita em 2005 Presidente da Libéria e foi a primeira mulher a liderar uma nação africana e deixou como marca, o facto de ser líder da Paz, Justiça e da Democracia num país saído duma guerra civil que durou 14 anos. A Ellen lutou para levar a justiça ao povo da Libéria e enfrentou a ditadura militar , sendo que, em 2011, aos 72 anos de idade, foi premiada com o Nobel da Paz, juntamente com a sua compatriota Lymah Gbowee e a Iemenita Tawakkul Karman. Indira Gandhi – Personalidade Indiana. Seguiu as pegadas do seu pai, Mahatma Gandhi, como Primeira-Ministra da India, trabalhando arduamente no desenvolvimento do país, até ser assassinada em 1984. Ela construiu uma Índia forte e influente na região, além de ter procurado melhorar a vida dos mais pobres e apoiado a industrialização e o desenvolvimento tecnológico. Madre Teresa de Calcutá, missionária natural da Macedónia ficou famosa em todo o mundo pelo seu trabalho de ajuda às populações carentes da India e não só. A Madre Teresa aos 18 anos entrou para a casa de formação das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto. E mais tarde, criou a sua própria Congregação dedicada ao serviço dos mais pobres


