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set 14 2020

Os perigos da gravidez precoce

Por Antobona Hoje em dia, há muitos adolescentes que se tornam mães e pais precocemente, uma parte antes dos 15 anos e outra antes dos 18 anos. Ter um filho, é um fenómeno esmagadoramente feminino pois, 40,2 % de raparigas são mães antes dos 18 anos, comparativamente a apenas 3,8% de rapazes. Em termos de gravidez precoce, a diferença entre o meio rural e o urbano é menos pronunciada do que o casamento prematuro (5,9% de raparigas de zonas urbanas engravida antes dos 15 anos comparativamente a 9,0% nas áreas rurais). Isto é devido à maior ocorrência de casos de gravidez fora do casamento nas áreas urbanas. Em Moçambique, as províncias com maior número de casos de gravidez precoce são Nampula e Zambézia. Na Zambézia, o problema da gravidez precoce é particularmente pronunciado antes dos 15 anos, onde cerca de 17.848 raparigas entre os 20 e os 24 anos deram à luz antes dos 15 anos (representando 8,8% de todas as raparigas com idades entre os 20-24 anos). Em Nampula, pelo contrário, o número de casos de gravidez antes dos 15 anos é mais baixo (16.851 raparigas com idade entre 20-24 anos). No entanto, nesta província regista-se a taxa mais elevada do país de raparigas grávidas antes dos 18 anos com cerca de 107.553 raparigas, o que correspondente a 51,7%. As províncias de Manica (44,9% de mulheres com idade entre 20-24 anos engravida antes dos 18 anos e 8,5% engravida antes dos 15 anos) e Niassa (41,5% de raparigas engravidam antes dos 18 anos e 11,7% antes dos 15), representam também maiores taxas de gravidez precoce no país (Estatísticas UNICEF de 2017). A idade considerada apropriada para a procriação está relacionada com a cultura de cada sociedade. Nos dias atuais, a nossa sociedade atribui à faixa dos 12 aos 20 anos as funções de desenvolvimento psicossocial, formação escolar e preparação profissional. Considerase que é preciso atingir a maioridade, terminar os estudos, ter trabalho e rendimentos próprios, para só então estabelecer uma relação amorosa duradoura e ter filhos. A gravidez e a maternidade ou paternidade na adolescência rompem com essa trajectória considerada “natural” e são vistas como problema e risco a ser evitado. Uma gravidez na adolescência pode gerar medo, insegurança ou desespero. A desorientação e o sentimento de solidão são reacções muito comuns, principalmente no momento da descoberta da gravidez. A questão envolve muito mais do que um julgamento quanto ao grau de responsabilidade (ou irresponsabilidade) pessoal ao qual é frequentemente reduzida. Esta fórmula apenas contribui para descomprometer a sociedade com ao assunto e, por isso, vale a pena reflectir sobre os aspectos que envolvem a responsabilidade das pessoas e casais. A gravidez pode ser fruto da falta de informação sobre saúde reprodutiva e métodos contraceptivos ou da falta de acesso a eles. Pode, também, estar relacionada com aspectos comportamentais, ou ser fruto da vontade das adolescentes e de seus parceiros, de seu desejo de conquistar autonomia, espaço no mundo adulto e valorização social. Quando analisamos a questão com mais cuidado, percebemos que a gravidez na adolescência torna-se um grande problema quando a sociedade, a família e o poder público não garantem, efectivamente, o direito de viver a adolescência e o apoio para as adolescentes grávidas (e os adolescentes grávidos).

set 14 2020

Fundação MASC em Nampula

Capacita jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social Mais de 15 jornalistas dos diferentes órgãos de comunicação social da cidade de Nampula estão a ser formados está segunda-feira (14.09) pela Fundação MASC sobre o papel dos midia no combate ao radicalismo religioso. Este evento promovido pela Fundação MASC surge numa altura em que o país está a ser alvo de ataques terroristas na vizinha província de Cabo Delgado, por indivíduos sem rosto que usam o alcorão para matar e expulsar pessoas de Cabo Delgado com fins obscuros. Por conta desses ataques terroristas em Cabo Delgado, tem sido notório à propagação do extremismo violento suscitando uma série de preocupações a nível político, económico, social, religioso e de segurança. O grupo mais conhecido localmente como “al-shabaab” entre outros nomes é responsável por mais de centenas de mortes, destruição de propriedades e deslocamento de milhares de pessoas daquela província vizinha de Cabo Delgado. O director executivo da Fundação MASC, João Pereira, disse que o objectivo da capacitação dos jornalistas desta cidade é de criar novas estratégias de como podem criar uma boa reportagem ligada com os ataques que estão a acontecer na província de Cabo Delgado. “Os terroristas estão a matar pessoas em nome do islão por isso há essa necessidade de os midias serem envolvidos na divulgação de informações sobre o que está acontecer em Cabo Delgado”. Alguns jornalistas ouvidos pela Vida Nova, disseram que a capacitação vai ajudar aos jornalistas desta cidade a terem mais conhecimentos sobre as modalidades de como abordar um assunto que está ligado com a situação dos ataques em Cabo Delgado. “Muitas vezes o jornalista tem medo de fazer uma reportagem investigativa sobre os ataques de Cabo Delgado pressupondo que será processado” avançaram as nossas fontes as quais consideram não haver liberdade para abordar o assunto de Cabo Delgado. (Júlio Assane)

ago 26 2020

A TRADIÇÃO DO LOBOLO

Por Judite Macuacua Pinto O Lobolo, é um costume dos nossos antepassados, entre os povos bantus em África, assim como em alguns países da Europa. Esta prática, ainda continua em vigor entre várias famílias, como primeiro passo de moldar as uniões conjugais, especialmente nas províncias do Sul do nosso País. Em algumas regiões de Moçambique, reza a tradição histórica, que na província de Gaza, o Lobolo era feito através de Tihakas ou seja, frutos da amarga erva espontânea e rasteira, conhecida por Cacana. Apesar de ser tão amarga como a Chicória, os habitantes desta província, bem como de toda a região Sul do nosso país, apreciam-na para a sua culinária, enquanto nas restantes regiões, Centro e Norte, é usada para fins medicinais. O significado do lobolo por tihakas, na óptica dos nossos ancestrais, era de que, à semelhança da cacana que gera os frutos tihakas, a mulher lobolada, também tem de ter o poder de procriação. Importa referir, que até aos nossos dias, nas regiões que esta pratica é tradicional e ao mesmo tempo cultural, nenhuma rapariga pode contrair o matrimonio quer seja civil e quer seja religioso, sem passar por este processo. Com o recrutamento dos primeiros grupos de moçambicanos para trabalhar nas minas de ouro na África do Sul, provavelmente na década dos anos 30, o Lobolo deixou de ser feito por Tihakas e passou a ser feito por enxadas, que de certo modo, significavam o início de uma relativa evolução desta prática. Assim, o sociólogo moçambicano, Adelino Esteves Tomás, define o Lobolo, como a compensação pela saída da noiva do seu grupo para o grupo do marido e pode ser constituído por enxadas, bois, dinheiro ou outros bens. Por outro lado, o lobolo é uma forma de compensar a família pela perda de um dos seus membros (mulher lobolada). Por se tratar de um fenómeno cultural milenar em África e particularmente em Moçambique e também na Europa, nos antigos romanos, sabe-se que havia uma prática de alianças entre as famílias, em que a mulher era um bem a negociar, um objecto de dádiva ou de troca. Nestas alianças, o futuro sogro ou o noivo, pagava um dote ao pai da noiva, dote que entretanto, ficava até ao nascimento do primeiro filho. De qualquer modo, como refere a fonte, no contexto da realidade, o casamento resulta de um acordo de conveniência, através do qual, o nubente, obriga-se também a entregar um dote (lobolo), avaliado em bens materiais aos parentes directos da noiva. É desta forma que, historicamente, o lobolo serve como um mero instituto de unificação das famílias nubentes.   Lobolo- Rosto da violência contra mulher? Num passado muito recente e até aos nossos dias, alguns segmentos da sociedade, entendem que a representação dominante entre os homens que adquirem as mulheres por meio do lobolo, eles não devem nada aos pais das mulheres e, por isso, elas não podem e nem devem questionar as decisões dos maridos nem desobedecer às suas ordens, pois tais homens escravizam e oprimem as suas mulheres, alegando que pagaram para as ter. Em suma, estas representações, permitem que os homens legitimem o seu poder sobre as mulheres, persuadindo-as que a contrapartida do lobolo pago, traduz-se na submissão incondicional que exigem e esperam das respectivas mulheres.   Aceitabilidade do costume do lobolo A este propósito, apesar de a sociedade, na generalidade se identificar com o costume do lobolo, pessoas há, que divergem quanto à aceitação ou não deste costume, sobretudo as mulheres, nas suas vidas.   É porque, no seu entender, volvidos vários anos após o fim da escravatura, ninguém pode comprar ninguém, por se considerar, na sua óptica, que o lobolo é uma forma de comprar a mulher e que o casamento não pode seguir essa linha de pensamento. No entanto, esta não aceitação do costume do lobolo é, de certa forma, o reflexo do carácter mercantil que o costume tem assumido ao longo da sua existência histórica, pois as sociedades evoluem e são dinâmicas. Decerto, o costume do lobolo é milenar e tem incidido na cultura de moldar as uniões conjugais e na crença da ligação com os defuntos, informando-os sobre os filhos que daí serão gerados. Por outro lado, estas práticas são reproduzidas na vida adulta dos casais e legitimam a violência contra as mulheres que resulta na subalternização das próprias mulheres e na sua relegação a um estatuto inferior na família e na sociedade. Finalmente, importa-nos referir que, sendo o lobolo um costume, também se assemelha às pressões sociais, que muitas vezes são responsáveis pela manutenção de certas formas de violência doméstica, pelo seu impacto negativo, principalmente nas mulheres de pouca escolaridade às quais, de forma exclusiva, estão sujeitas ao aconselhamento pré-nupcial.

ago 26 2020

COMPRA-SE O QUE ESTÁ NA MONTRA

Por Kant de Voronha A realidade actual mostra-nos que o mundo está com pernas para o ar e cabeça para baixo. ??Há de tudo e menos nada??. O mundo feminino está registando mudanças significativas que ninguém poderá devolver às bases originais. Vivemos no tempo da globalização da nudez, das roupas sensuais, transparentes e, se possível, curtas. Não se trata de uma moda que só atinge as jovens porque mesmo as mamãs, as avós etc., vestem-se de forma envenenada pela globalização. Parece que a camada juvenil aprende com as mais velhas e assim se constroem os laços e as estruturas sociais do nosso tempo. Certo dia, por volta das 16h começava o cenário de “hora de ponta”. O corre-corre dos carros e toda a moldura humana agitavam-se de volta para suas casas. Na ocasião, na paragem do autocarro, estava uma rapariga que usava uma mini-saia muito apertada. Quando o chapa-cem chegou e era a sua vez de entrar, aquela menina apercebeu-se que a saia estava tão apertada que ela não conseguia levantar a perna o suficiente para chegar ao primeiro degrau do carro. Tentando arranjar uma maneira de conseguir levantar a perna ela recuou, olhou o mundo masculino a sua volta, esticou os braços para trás e desapertou um bocadinho o fecho da saia. Ainda assim não conseguia chegar ao degrau… Embaraçada, recuou novamente e esticou os braços para trás das costas para desapertar um pouco mais o fecho. Ainda assim não conseguiu subir para o primeiro degrau… Então, recuou novamente, esticou os braços para trás e desapertou completamente o fecho da saia. Pensando que desta vez ia conseguir, levantou novamente a perna, apenas para descobrir que ainda não conseguia alcançar o degrau… Vendo como ela estava embaraçada, o homem que estava atrás dela na fila do autocarro, pôs as suas mãos à volta da cintura dela, levantou-a e pousou-a no primeiro degrau do autocarro. A menina, toda ela vaidosa, virou-se furiosa e perguntou: – “Como se atreve? Eu nem sequer o conheço…” Chocado com a situação, o homem respondeu-lhe: – “Bem, minha senhorita, eu pensei que depois de ter recuado e ter desapertado a portinhola três vezes, bem, pensei que já éramos pelo menos amigos…” Os passageiros à sua volta “mataram-se mortalmente” de risos e uma “cota” que ali estava sentadinha a vender dois pedacinhos de mandioca rasgou gargalhadas até mostrar-me toda gengiva da sua boca. Aquela velhota trajava cabelos brancos, um molho de rugas na sua cara e uma saia deixa o homem sofrer. Num à vontade disparou: “meninas do século XXI”. Ora, aonde vamos com a cultura de mini-saias? Quem deve ajudar a quem? Se a mãe se veste muitíssimo mal, o que fará a sua filha? Para onde foram os valores culturais da mulher moçambicana, revestida de capulana? É verdade que na linguagem comercial compra-se o que está visível na montra. Mas, o corpo humano é sagrado, merece toda dignidade possível. De facto, como alguém disse um belo dia, “… tudo o que Deus fez valioso neste mundo está bem coberto e é difícil ver, encontrar ou obter”. É só ver que os diamantes, as pérolas, o ouro e outras coisas preciosas só se encontram lá no fundo, cobertos e protegidos. Para achar é preciso suar, transpirar, sofrer, sacrificar-se. Aquilo que se acha sem sacrifício, raramente se valoriza convenientemente. Pois, a experiência nos ensina que naqueles lugares onde os recursos minerais estão descobertos na superfície da terra, sempre atraem um grande número de mineiros ilegais que exploram ilegalmente. Vestir-se bem e de forma decente é uma virtude. Querendo ou não, a mulher domina o mundo com a sua presença. Dei-me conta que as mulheres são muitas e unidas. Elas estão em grande número em quase todas as partes onde há pessoas. São elas que enchem os funerais, as igrejas, as mesquitas, os mercados, as escolas e as machambas. São elas que fazem o “stique” e se confiam. São elas que mantêm os lares, etc. Infelizmente são elas também que se vestem mal, colocam a sua mercadoria na montra procurando clientes para comprar. E se elas aparecem em tudo, onde ficam os homens? Ahhh! Eles morrem encolhidos nas suas ideias de mais fortes. São, por vezes, mais preguiçosos. Poucas vezes vão às igrejas ou mesquitas, não vão aos funerais porque pensam que estão mais ocupados. Porém, enchem as barracas onde se bebe, enchem as discotecas e outros lugares onde há menos sacrifício a suportar. E aí retesam as suas armadilhas para espreitar as mini-saias. Uma autêntica vergonha, mais homens a beber nas barracas ou que passam a vida na mais pura ociosidade. Este é um dos piores vícios que está a afundar os homens de todas as idades, incluindo jovens do sexo masculino que se destroem com tentações como Boss enquanto as suas irmãs vão se dedicando a coisas mais úteis nas famílias. Então tinha razão um tal académico português, quando dizia que “no dia em que cada uma e todas as mulheres tiverem sido educadas, o mundo estaria salvo”. E mais não disse!

ago 25 2020

AMETRAMO EM NAMPULA

Médicos tradicionais capacitados na prevenção e combate as doenças contagiosas Um total de 179 praticantes da medicina tradicional beneficiaram recentemente de uma formação em prevenção e combate a SARS COV-2 através da Direcção Provincial de Saúde em Nampula. Para além desta pandemia aquele grupo de médicos tradicionais beneficiou igualmente de outra formação sobre temas ligados com a malária, tuberculose e o HIV-SIDA. No que toca ao Coronavírus, o Director Provincial da Saúde, em Nampula, Fernando Mitano, disse que a formação promovida por sua instituição visa dotar o grupo alvo de ferramentas sólidas sobre esta doença, de modo que os médicos tradicionais possam identificar sintomas da covid-19, para em seguida encaminhar os pacientes aos centros de saúde. Como prova disso, num passado recente cerca de nove mil doentes que manifestavam sintomas de doenças em referência foram conduzidas aos centros de saúde pelos médicos tradicionais, por reconhecerem que tais enfermidades não eram da sua alçada, mas sim, da medicina convencional. O director reconhece o contributo que os médicos tradicionais têm empreendido para a redução do Coronavírus neste quadrante do país. Mitano impressionou-se pela positiva pelo facto da sua instituição ter uma boa colaboração com a Associaçao dos Médicos Tradicionais de Moçambique -AMETRAMO. Aquele responsável reafirmou o seu compromisso em continuar a trabalhar em estreita ligação com a AMETRAMO no sentido de combater a várias patologias que apoquentam não só a população desta que é a província mais populosa de Moçambique, como também do país em geral. O Director Provincial da Saúde em Nampula, falava no decurso de uma conferência de imprensa que tinha como objectivo debruçar-se sobre a semana da medicina tradicional Africana, cuja efeméride celebra-se no dia 31 de Agosto de cada ano. (Júlio Assane)

ago 17 2020

Conheça os africanos que já receberam o Prêmio Nobel da Paz

Conheça os africanos que já receberam o Prêmio Nobel da Paz Albert Lutuli Quatro deles são da África do Sul e passaram muitos anos de suas vidas lutando contra o apartheid, regime de segregação que dividiu o país de 1948 a 1994. Na luta pelos direitos humanos, três mulheres (duas liberianas e uma queniana) também foram contempladas. O primeiro africano a ganhar o Prêmio Nobel da Paz foi Albert Lutuli (1898-1967). Inspirado em Mahatma Gandhi, tornou-se o porta-voz da campanha de desobediência civil contra a política de segregação de seu país. Lutuli nasceu na Rodésia do Sul, atual Zimbábue, mas adquiriu a nacionalidade sul-africana. Por sugerir um dia nacional de lamentação pelo Massacre de Sharpeville (março de 1960) e haver queimado publicamente o passe obrigatório (que os negros usavam), num gesto simbólico de desobediência civil às leis segregacionistas, Lutuli foi condenado, em 1960, a seis meses de prisão. Mesmo sofrendo pena de restrição, foi autorizado a sair do país para que, em dezembro de 1961, fosse até Oslo receber o Prêmio Nobel da Paz. Desmond-Tutu – ONU Em 1984, foi a vez do sul-africano Desmond Tutu, o primeiro negro a ocupar o cargo de Arcebispo da Cidade do Cabo. Após ser nomeado bispo, dirigiu a diocese de Lesoto (país vizinho) de 1976 a 1978, ano em que se tornou secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul. Sua proposta para a sociedade sul-africana incluía direitos civis iguais para todos; abolição das leis que limitavam a circulação dos negros; um sistema educacional comum e o fim das deportações forçadas de negros. Sua firme posição anti-apartheid – a política oficial de segregação racial – lhe garantiu, em 1984, o Nobel da Paz. Nelson Mandela e Frederick de Klerk – Wikipedia Em 1993, dois sul-africanos dividiram o Nobel da Paz. Nelson Mandela foi o presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado o mais importante líder da África Negra. Até 2009, ele havia dedicado 67 anos de sua vida a serviço da humanidade. Foi o mais poderoso símbolo da luta contra o regime segregacionista do apartheid. Frederik Willem de Klerk foi o último branco a ser presidente da África do Sul. De Klerk é conhecido por fazer a transição do apartheid para a era democrática, permitindo à maioria negra direitos civis iguais aos brancos. Em 1994, Nelson Mandela se tornou o presidente do país e, de Klerk, o vice. Três anos depois, De Klerk abandonou a vida política. As mulheres da Paz Wangari Mathai – Foto: Unep.org Em 2004, Wangari Maathai (01/04/1940 – 25/09/2011) foi a primeira africana a ganhar um Nobel da Paz. Ela nasceu no distrito de Nyeri, na Província Central do Quênia, e ficou conhecida pela sua luta de conservação das florestas e do meio ambiente. Ainda na década de 1970, fundou o movimento do Cinturão Verde Pan-africano (Pan-African Green Belt Network), no Quênia, uma iniciativa que plantou 30 milhões de árvores. Ela serviu como uma inspiração para muitos na luta por direitos democráticos. Cinco anos após receber o Nobel, Wangari Maathai se tornou Mensageira da Paz das Nações Unidas, a convite do secretário-geral, Ban Ki-moon. Ellen Johnson-Sirleaf Em 2011, três mulheres dividiram o Nobel da Paz. Tawakkol Karman (Iêmen) e as liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee. Ellen Johnson Sirleaf foi a vencedora das eleições presidenciais de 8 de novembro de 2005 e reeleita em 2011. Líder do Partido da Unidade (Unity Party), foi a primeira mulher chefe de estado de um país africano (Carmen Pereira foi a primeira mulher a presidir um pais africano, com um mandato interino na Guiné-Bissau, de 14 a 16 de maio de 1984). Ellen defende que todas as mulheres maltratadas lutem pela liberdade. Leymah Gbowee é uma ativista africana que foi encarregada de organizar o movimento de paz que colocou fim à Segunda Guerra Civil da Libéria, em 2003. Gbowee nasceu na zona central da Libéria e, aos 17 anos, se mudou para Monróvia, a capital, quando a Segunda Guerra Civil explodiu. Formou-se terapeuta durante a guerra civil e trabalhou com crianças que foram meninos-soldados do exército de Charles Taylor, o ex-presidente. Rodeada pelas imagens da guerra, Gbowee se deu conta de que “se qualquer mudança tivesse que acontecer na sociedade, isso teria que ser feito pelas mães”.   Egito e Gana (O leitor Alessandro Mathera relembrou as três personalidades africanas abaixo que não haviam sido citadas anteriormente no post do Por dentro da África). Falecido em 1981, Muhammad Anwar Al Sadat foi um militar e político egípcio, presidente do país de 1970 a 1981. Foi prisioneiro dos britânicos por ser agente alemão em 1942, e novamente, em (1946), por atos terroristas. Participou do golpe de 1952, que derrubou o rei Farouk e que levou Nasser ao poder. Sucedeu a Nasser como presidente do Egito (1970-1981). Em 1972, dispensou a missão soviética em seu país e, em 1974, após perder militarmente a guerra de Iom Kippur (1973), recuperou, no acordo de separação de forças, o canal de Suez das mãos de Israel. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1978 junto com Menachem Begin, nascido na Bielorússia. Mohamed ElBaradei é um diplomata egípcio, antigo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). ElBaradei licenciou-se em direito pela Universidade do Cairo em 1962 e doutorou-se em Direito Internacional pela Universidade de Nova Iorque em 1974. Iniciou a sua carreira no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egipto em 1964, tendo exercido funções na missão permanente do Egipto na ONU em Nova Iorque e em Genebra. Entre 1981 e 1987 foi professor, Foi premiado com o Nobel da Paz de 2005, juntamente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Kofi Atta Annan é um diplomata de Gana. Foi, entre 1 de janeiro de 1997 e 1 de janeiro de 2007, o sétimo secretário-geral da Organização das Nações Unidas. Annan e as Nações Unidas foram co-receptores do Prêmio Nobel da Paz de 2001 pela criação do Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária para ajudar países em desenvolvimento em

jul 15 2020

Quero ser como Mia Couto

Quero ser como Mia Couto Por Tobias Manuel Sou natural de Gilé, residente em Milange, província da Zambézia. Venho através deste meio pedir conselhos. Sou de baixa escolarização. Por os meus pais apresentarem uma progressiva incapacidade financeira, tive que começar a trabalhar muito cedo e assim suportar as minhas despesas e as dos meus irmãos mais novos mas perdi o meu sonho da infância: ser escritor. Mas ainda não perdi o meu sonho, mesmo sem conhecimentos detalhados sobre literatura. Inspiro-me no escritor moçambicano Mia Couto, sonho com conhecer ele um dia e aprender a fazer literatura. Ponho em seguida um dos meus versos onde espelho a necessidade de ser grande escritor, conhecido não só pela qualidade da minha escrita mas também pelo meu compromisso social como Mia Couto: “Quando eu for Mia Couto, não só apresentarei contos magníficos, mas levarei à todo o canto, o Moçambique de natural encanto”.

jul 15 2020

7 COISAS QUE OS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DETESTAM

7 COISAS QUE OS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DETESTAM Por: Lisa Wade Ensino numa escola superior há alguns anos e, durante este tempo, tenho descobertouma curiosa lista de coisas que espevitam os nervos dos instrutores e,então, resolvi partilhar. Não use a linguagem informal. Comunique-se com os seus professores como se estivesse no seu local de trabalho, pois você está. A linguagem deve ser cuidada e respeitosa, seja ela escrita ou falada, o estudante deve ser capaz de perceber quando a comunicação é ou não é a apropriada. Não questione ao professor se você “perdeu alguma coisa importante” durante uma ausência. Se realmente estiver preocupado com o que perdeu, faça leituras, obtenha apontamentos a partir de um colega de turma. Procure o professor no escritório, durante as horas normais de expediente, para discutir qualquer coisa não compreendida. Não arrume as suas coisas antes do fim da aula. Não faça isso. Espere mais 10 segundos até que a aula esteja realmente terminada. Se você não fizer isso, o professor pensará que você estava morrendo de vontade de sair da sala. Não faça uma pergunta sobre as lições ou deveres antes de verificar o plano analítico da cadeira. Faça um esforço de boa-fé para descobrir a resposta antes de perguntar ao professor. Não peça melhor classificação. Pode procurar o professor no seu escritório, durante o horário de expediente, para saber como estudar melhor ou melhorar o seu desempenho, mas não espere mudar a mente de seu professor em relação as suas notas. Reclamar uma suposta falha de classificação é aceitável, mas não pressione demais. Aplique a sua energia nos estudos e nas próximas avaliações. Não brinque com a formatação do trabalho. O trabalho não é longo o suficiente? Acha que o docente não conhece a diferença entre as fontes 11 e 12, ou entre “Arial” e “Times New Roman”? Não faça isso. Invista na sua pesquisa, não nas configurações do documento. Não encha de tolices as suas introduções e conclusões. Em sua conclusão, diga algo inteligente.

jul 15 2020

A PARÁBOLA DO PATRÃO MAIS POBRE DO QUE O SEU EMPREGADO

A PARÁBOLA DO PATRÃO MAIS POBRE DO QUE O SEU EMPREGADO Por: Oreste Muatuca Numa certa cidade deste planeta, vivia um senhor que tinha muitos filhos, muitos parentes e, igualmente, muitos bens para gerir. Vendo que sozinho não dava conta de tudo, abriu um concurso para admitir várias pessoas qualificadas para ocuparem certas vagas, de acordo com as necessidades que o patrão identificara. Abriu-se o concurso e os concorrentes começaram a entregar as suas cartas de manifestação de interesse e os seus currículos. Marcou-se o dia da entrevistae o patrão confiou algumas pessoas para o representar, com o intuito de encontrar, dentre os concorrentes, aqueles que melhores qualidades apresentavam para ocupar as vagas existentes. Não se sabe ao certo que medidas ou critérios os membros do júri daquela sessão de entrevista usaram para a seleção dos concorrentes. Mas o patrão recomendara que a seleção devia ser feita com base nas competências, idoneidade, honestidade, sentido de responsabilidade, entre outros valores. O que se sabe é que, depois daquela sessão de entrevista, os membros do júri apresentaram um conjunto de candidatos apurados, cada um com a proposta de vaga a ocupar. O cargo mais importante era o de Gestor Geral. As responsabilidades, sobretudo do Gestor Geral, eram de coordenar todas as atividades desenvolvidas por outros empregados com vista a providenciar melhores condições de vida para o patrão e para os seus filhos, aumentar a sua riqueza e elevar o seu nome para patamares invejáveis. Aquele patrão alertara, também, que não queria gestores arrogantes, egoístas, desonestos, nepotistas, trogloditas, pechinchas ou gananciosos como os que acabava de demitir. Face a estas recomendações, no dia de tomada de posse para os diversos cargos daquela empresa, cada empregado devia prestar um juramento, no qual se comprometia em trabalhar abnegadamente, sem poupar energias, para o bem do seu patrão e de todos os que dele dependessem. Houve então essa linda cerimónia de juramento. O Gestor Geral jurou honestidade, idoneidade, responsabilidade, entrega e abnegação no trabalho. Jurou ética, moral e justiça. Disse que só pensava no seu patrão e nas suas necessidades. Jurou cumprir e fazer cumprir as regras daquela empresa; prometeu que o patrão, os seus filhos e bens seriam bem protegidos de todas as pragas, ladrões ou salteadores. Disse que apenas na sua cabeça cabia a Paz e tranquilidade do seu patrão e tudo faria para não o decepcionar. O patrão aplaudiu, alegrou-se, dançou, festejou.   Mas o drama começou… Depois de um ano de gestão o drama começou. O patrão começou a perceber que os seus empregados viajavam sempre em aviões de primeira classe e em helicópteros, comprovam para si carros de luxo, comida para verdadeiros banquetes, roupa de qualidade, ao mesmo tempo que o patrão nem pão tinha. Caiu de três refeições por dia para uma única. Quando ele ou um dos filhos quisesse andar de carro, ou não havia combustível ou este era-lhe arrancado por salteadores. Começaram a vir na empresa pessoas de longe para exigir pagamento de dívidas contraídas pela empresa, aliás, contraídas por pessoas singulares, em nome da empresa. As dívidas eram em valores que, mesmo vendendo aquela empresa, não chegavam para saldá-las salvo vendendo o próprio patrão e seus filhos e parentes. O Gestor Geral e os colaboradores disseram ao patrão que realmente havia aquela dívida, mas que tinha sido contraída antigamente em nome da empresapara beneficio pessoal dos antigos gestores. Os novos gestores obrigaram o patrão a pagar aquela dívida pois não podiam responsabilizar as pessoas que a contraíram em virtude de que estes tinham sido recomendados para os cargos que ocupavam pelos mesmos antigos gestores e, por isso, deviam-lhes“favores”. Ou seja, os novos gestores pertenciam à mesma tribo dos gestores antigos e também eles iriam continuar os mesmos saques dos predecessores. Hoje, o patrão não pode mais circular livremente, porque se o fizer será perseguido e morto por indivíduos que dizem ter problemas com os gestores, mas caçam apenas o patrão, os seus filhos e os poucos bens que continuam em sua posse. O patrão ficou na miséria plena e está condenado à dor e à morte. Então alguém me responde, quem é “o patrão”daquela parábola?

jan 01 2020

A ILUSÃO DA ROUPA BRANCA

Boas vindas ao ano 2020. Tenho fé que transitamos todos com novas energias e forças para “lutar” por um Moçambique sempre melhor e apostado na promoção da Paz e Reconciliação nacional. O costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário não é nada novo. Existe há mais de 4 mil anos. Mas, naquela época, em vez de um “ano” novo, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano. O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra de plantação. Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite do dia 31 de Dezembro para 1º de Janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de Março, data do início da primavera no Hemisfério Norte. Foi somente com a introdução de um novo calendário no Ocidente, em 1582 – o calendário gregoriano, adoptado pelo Papa Gregório XIII no lugar do calendário Juliano – que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de Janeiro. Assim como acontece nas comemorações de Ano Novo actualmente, as celebrações de passagem também representavam Esperança. Já o termo Réveillon, usado em várias partes do mundo para descrever a festa de véspera de Ano Novo, é mais recente: surgiu no século XVII, na França, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda. A palavra Réveillon deriva do verbo “acordar” em francês. No século XIX, essas festas foram adoptadas pela nobreza de outros lugares do mundo. Nestas ocasiões de passagem de ano, muitas famílias (supostamente urbanas e civilizadas) gastam mares e rios de dinheiro em compras de bebidas alcoólicas e roupas diversificadas. Provavelmente, você também faz o mesmo para mudar o seu look e aposto que na transição do ano usou roupa branca. Mas você sabe por que as pessoas escolhem roupa branca no Réveillon? As pessoas anseiam pela Paz. E esta (Paz) é simbolicamente representada pela cor branca. Assim, usar roupas brancas na festa de Ano Novo tornou-se comum porque as pessoas associam essa cor com harmonia, calma e Paz. Por essa razão, as barracas, restaurantes, passeios das estradas e avenidas, os bairros etc. no último dia do ano, ficam repletos de pessoas vestidas de branco. Por outro lado, pessoas há que julgam que a roupa branca representa a purificação espiritual. Aliás, a cor branca transmite pureza. Além disso, o branco é a união de todas as cores. Quando vemos essa cor, pensamos em inocência e esperança. Assim, ela se tornou ideal para trazer sensações que, psicologicamente, nos livram das “energias pesadas”, dissabores, espíritos impuros e nos dão forças para começar coisas novas. Por conta disso, acredita-se que usar roupa branca no Ano Novo traz protecção contra conflitos nos próximos 12 meses do ano. Portanto, pensa-se que usando roupa branca no Réveillon as pessoas terão um ano repleto de harmonia. Ou seja, nada de traições no relacionamento, brigas no lar e desentendimentos na família e stress no trabalho. Essa é a cor que traz a tranquilidade e renovação de energias positivas na vida. Mas isso não é ilusão dos sentidos? É a cor de roupa que muda a vida? Enganam-se os que pensam que por se vestirem de branco atraem a Paz para ano inteiro. É preciso mudar de atitudes. Deixar de fazer o mal e praticar o bem. Deixar guerras para promover a Paz. Deixar ódios para semear o amor. Deixar vinganças para espalhar solidariedade e compreensão. Deixar brigas e disseminar entendimento e diálogo. Assim, o que muda uma pessoa não é aquilo que ela veste ou come. Conheço muitas pessoas que vivem no luxo mas o coração é selvagem; pessoas com muito dinheiro mas comem “minhocas”; camas torneadas mas os donos vivem com insónia; casais aparentemente felizes, mas vivendo um autêntico inferno. Conheço pessoas simplíssimas, morando em casas de capim, alimentando-se de Karakata, mas felizes do mundo. Logo, a felicidade, a alegria, as energias positivas, o lar abençoado, o trabalho bem sucedido dependerão do modo como você pensa e age diariamente. Já li no livro “O Segredo” que semelhante atrai semelhante. Ou seja, quem pensa negativo e alimenta isso como a única regra que norteia sua vida tudo lhe cairá negativo. Mas quem pensa positivo e age positivamente, investe todas suas energias nisso, consequentemente atrai o positivo para si. Deste modo, para este novo ano não basta a roupa branca que você trajou na transição do ano. Sente-se, planifique-se, decida-se, deixe-se interpelar, mude-se e avance com PERSISTÊNCIA. Cruzar os braços face ao primeiro obstáculo não resolve os problemas do seu lar, do seu sector de trabalho, do seu relacionamento, dos seus propósitos. Outrossim, se você quer mudar o mundo em sua volta, comece mudando a si em primeiro lugar. Eu percebo que, às vezes, os problemas se agudizam porque descarregamos tudo no outro. É preciso ler os problemas que se tem como se fosse num espelho. Isto é, quem cria problemas no seu trabalho não é o seu director; quem começa com brigas no seu lar não é o seu marido/esposa; quem impede o desenvolvimento do país não são os governantes. Deixe de culpar os outros. Em nenhum espelho se reflecte outra imagem senão a minha própria imagem se for eu a me espelhar. Mude o seu coração, o seu pensamento, as suas acções e tudo será branco e reluzente. Se apenas mudar de roupa e não mudar o coração vai-se iludir e passará a vida pensando que o azar lhe persegue e que nasceu para sofrer. Mas não é esse o propósito de Deus. Todos nós nascemos para viver felizes. Não alimente ilusões; não viva de aparências. Seja você mesmo e acredite no seu potencial. Por Kant de Voronha, in Anatomia dos Factos

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