logo

out 18 2021

O Valor do testemunho

“Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (At 4, 20), é o tema da mensagem do Papa Francisco, por ocasião do Dia Mundial das Missões 2021. «Quando experimentamos a força do amor de Deus, quando reconhecemos a sua presença de Pai na nossa vida pessoal e comunitária, não podemos deixar de anunciar e partilhar o que vimos e ouvimos. A relação de Jesus com os seus discípulos, a sua humanidade que nos é revelada no mistério da Encarnação, no seu Evangelho e na sua Páscoa mostram-nos até que ponto Deus ama a nossa humanidade e assume as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos anseios e angústias (cf. Gaudium et Spes, 22). Tudo, em Cristo, nos lembra que o mundo em que vivemos e a sua necessidade de redenção não Lhe são estranhos e também nos chama a sentirmo-nos parte activa desta missão: “Ide às saídas dos caminhos e convidai todos quantos encontrardes” (cf. Mt 22, 9). Ninguém é estranho, ninguém pode sentir-se estranho ou afastado deste amor de compaixão.   A experiência dos Apóstolos A história da evangelização tem início com uma busca apaixonada do Senhor, que chama e quer estabelecer com cada pessoa, onde quer que esteja, um diálogo de amizade (cf. Jo 15, 12-17). Os Apóstolos são os primeiros que nos referem isso, lembrando inclusive a hora do dia em que O encontraram: «Eram as quatro da tarde» (Jo 1, 39). A amizade com o Senhor, vê-Lo curar os doentes, comer com os pecadores, alimentar os famintos, aproximar-Se dos excluídos, tocar os impuros, identificar-Se com os necessitados, fazer apelo às bem-aventuranças, ensinar de maneira nova e cheia de autoridade, deixa uma marca indelével, capaz de suscitar admiração e uma alegria expansiva e gratuita que não se pode conter. Com Jesus, vimos, ouvimos e constatamos que as coisas podem mudar… Tempo novo, que suscita uma fé capaz de estimular iniciativas e plasmar comunidades a partir de homens e mulheres que aprendem a ocupar-se da fragilidade própria e dos outros, promovendo a fraternidade e a amizade social. A comunidade eclesial mostra a sua beleza, sempre que se lembra, com gratidão, que o Senhor nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4, 19).   A primeira comunidade apostólica E, no entanto, para a primeira comunidade apostólica, os tempos não eram fáceis; os primeiros cristãos começaram a sua vida de fé num ambiente hostil e árduo. Histórias de marginalização e prisão entrelaçavam-se com resistências internas e externas, que pareciam contradizer e até negar o que tinham visto e ouvido; mas isso, em vez de ser uma dificuldade ou um obstáculo que poderia levá-los a retrair-se ou fechar-se em si mesmos, impeliu-os a transformar cada incómodo, contrariedade e dificuldade em oportunidade para a missão. Os próprios limites e impedimentos tornaram-se um lugar privilegiado para ungir, tudo e todos, com o Espírito do Senhor. Nada e ninguém podia permanecer alheio ao anúncio libertador…   Os nossos dias O mesmo se passa connosco: o momento histórico actual também não é fácil. A situação da pandemia evidenciou e aumentou o sofrimento, a solidão, a pobreza e as injustiças de que já tantos padeciam, e desmascarou as nossas falsas seguranças e as fragmentações e polarizações que nos dilaceram silenciosamente. Os mais frágeis e vulneráveis sentiram ainda mais a sua vulnerabilidade e fragilidade. Experimentamos o desânimo, a decepção, o cansaço; e até a amargura conformista, que tira a esperança, se apoderou do nosso olhar. Neste tempo de pandemia, perante a tentação de mascarar e justificar a indiferença e a apatia em nome dum sadio distanciamento social, é urgente a missão da compaixão, capaz de fazer da distância necessária um lugar de encontro, cuidado e promoção. «O que vimos e ouvimos» (At 4, 20), a misericórdia com que fomos tratados, transforma-se no ponto de referimento e credibilidade que nos permite recuperar e partilhar a paixão por criar “uma comunidade de pertença e solidariedade, à qual saibamos destinar tempo, esforço e bens” (cf. Fratelli Tutti, 36).   Um convite a cada um de nós O tema do Dia Mundial das Missões deste ano – «não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos» (At 4, 20) – é um convite dirigido a cada um de nós para cuidar e dar a conhecer aquilo que tem no coração. Esta missão é, e sempre foi, a identidade da Igreja. No isolamento pessoal ou fechando-se em pequenos grupos, a nossa vida de fé esmorece, perde profecia e capacidade de encanto e gratidão; por sua própria dinâmica, exige uma abertura crescente, capaz de alcançar e abraçar a todos. No Dia Mundial das Missões recordamos com gratidão todas as pessoas, cujo testemunho de vida nos ajuda a renovar o nosso compromisso baptismal de ser apóstolos generosos e jubilosos do Evangelho. Hoje, Jesus precisa de corações que sejam capazes de viver a vocação como uma verdadeira história de amor, que os faça sair para as periferias do mundo e tornar-se mensageiros e instrumentos de compaixão. E esta chamada, fá-la a todos nós, embora não da mesma forma. Lembremo-nos que existem periferias que estão perto de nós, no centro duma cidade ou na própria família. Há também um aspecto da abertura universal do amor que não é geográfico, mas existencial… Viver a missão é aventurar-se no cultivo dos mesmos sentimentos de Cristo Jesus e, com Ele, acreditar que a pessoa ao meu lado é também meu irmão, minha irmã. Que o seu amor de compaixão desperte também o nosso e, a todos, nos torne discípulos missionários.   Papa Francisco

out 18 2021

O verdadeiro “nakuru” das famílias actuais

Ter um homem ideal, capaz de cuidar da sua vida e seus anseios, está na ponta do desejo de quase todas as mulheres. O mesmo se diga dos homens, quase todos eles, com excepção daqueles que por chamado de Deus primam por uma vida celibatária pelo Reino de Deus. Figura na ordem da vontade dos homens também ter uma mulher ideal. Mas na sociedade em que estamos, na realidade actual, essa vontade de ter um/a parceiro/a ideal, é contraposta pelo fenómeno da fragilidade dos laços humanos. As relações que se estabelecem pelo vínculo de casamento são menos duradoiras. De maneiras que há, na nossa sociedade, muitas mulheres com que nenhum homem se quer casar, e muitos homens também com que nenhuma mulher se arrisca casar. É assim que registamos um crescimento vertiginoso de homens com saudades de serem maridos, e também mulheres com saudades de serem esposas.   Instabilidade dos laços conjugais Diante dessa realidade inequívoca da instabilidade dos laços conjugais, não são poucas pessoas, entre homens e mulheres, que se dizem ser reféns de azar ou vítimas do marido e mulher-da-noite. Com isso pouco se faz para reflectir sobre as reais causas dessa fragilidade tremenda dos relacionamentos românticos. Os motivos detrás dos divórcios. Ou seja, aquilo que faz o homem e a mulher ser azedos e incapazes de formar uma família feliz. Somente mais notável é sempre a tendência de atirar a culpa contra os outros. E aí criam-se certos complexos de culpabilidade, dentre os quais figuram: Complexo “nakurífero” (de “Nakuru”, ou marido-da-noite): a ideia de que há um espírito que se apossa de uma mulher ou homem, impedindo-lhe estabelecer casamento duradouro. Quem é o seu verdadeiro “Nakuru”? Complexo de perseguição: a ideia de que a pessoa não se casa porque há alguém que lhe inveja, persegue, incluindo familiares e pessoas alheias. Quem é o seu verdadeiro perseguidor? Complexo de maldição divina: a ideia de que a pessoa não se dá bem no casamento ou não se casa porque Deus ou os espíritos dos antepassados não estão bem com ela. Quem é seu verdadeiro amaldiçoador? Será Deus, ou os antepassados? Nada a ver. Complexo de azar: a convicção de que a pessoa nasceu sem sorte de ter homens ou mulheres ideais para o casamento. Será? Onde está o seu verdadeiro azar? Os complexos acima são muitas vezes simples refúgio de quem não quer descobrir a própria nudez, típico de pessoas que se querem passar de vítimas e inocentes do próprio sofrimento. Pois, pouco fazem para descobrir a influência da sua postura diária na sociedade e no relacionamento. Tomados a peito, esses complexos, ou centrífugos, levam a pessoa a níveis cada vez mais predadores da vida, desde a frequência nos curandeiros, à mudança doentia de igrejas a procura de milagres, incluindo prostituição.   Atitudes nocivas à convivência familiar No pano de fundo, há certos comportamentos e atitudes nocivos à convivência familiar. Problemas que, como um grau de mostarda, germinam e crescem na família minando o relacionamento conjugal. Que quando não tidos em conta tornam-se um verdadeiro “Nakuru”, o verdadeiro inimigo perseguidor, maldição e azar da pessoa. Isto é, coisas que tornam um homem ou uma mulher uma pessoa com quem ninguém quer se casar. No meu livro “Amor: um exercício a dois” (2019), sob o título de “doenças do relacionamento”, fiz menção daquilo que mina o bem-estar dos cônjuges: a relação parasitária, a vida comparativa, a traição, o ciúme selvagem, o espírito de orelhas, a fofoquice, a hospitalidade selectiva, o consumo de drogas, o reclamar de tudo, a atitude de tudo imperar, a mania sexual, o desejo de ganhar razão em tudo, a inveja, a vergonha de passear juntos, o uso irracional do celular, os passeios sem ponteiro, a indiferença, a hipocrisia sentimental, o aprovacionismo, o medo multifacetado, o individualismo económico, a cegueira espiritual (medo de rezar). Quando estas posturas se apossam de uma família, o seu lar perde o sabor e ganha contornos bastante terríveis. A família passa de lugar de amor e paz para “ginásio de karate”, campo de batalha. Portanto, antes de atirar a culpa para os outros é preciso rever o seu “modus operandi”, o seu agir, na órbita do seu relacionamento. Só assim vai descobrir o verdadeiro “Nakuru”, a verdadeira perseguição, maldição e azar que azedam a sua vida.   Que caminhos a seguir? Que caminhos se podem adoptar em ordem a dar sabor e sentido à vida conjugal? Isso exige das famílias certas posturas que lhes ajudem a mitigar os vários problemas sentimentais que as apoquentam na sua vida diária: desenvolver a arte de viver em família, que passa necessariamente pelo cultivo de certas virtudes: ter um código de segurança na vida, saber dialogar, ter paciência, possuir atitude de serviço, superar a inveja, a arrogância e o orgulho; amar e deixar-se amar, saber perdoar, desculpar, confiar, esperar, suportar; estar sempre disposto para pedir licença, agradecer e pedir perdão, ter projectos comuns e nada de individualismo, recobrar o sentido de família como “Igreja doméstica” onde existe a cultura de diálogo, encontro e de oração. Por Diác. Serafim João Muacua

out 18 2021

“A família deve ser o centro das atenções da Igreja e da Sociedade”

O Ano especial, inspirado na Exortação Apostólica, Alegria do Amor, e no amor encarnado pela Sagrada Família, teve início no dia 19 de Março, 5 anos após a publicação do Documento Pós-Sinodal, e terminará no dia 26 de Junho de 2022, por ocasião do X Encontro Mundial das Famílias. ”Convido a um renovado e criativo impulso pastoral para colocar a família no centro das atenções da Igreja e da sociedade”. É este o convite do papa Francisco depois do Angelus do Domingo 14 de Março ao recordar o início do Ano da Família “Amoris Laetitia”. Após o Angelus, o Papa recordou a todos, o Ano da Família Amoris Laetitia com estas palavras: “No dia 19 de Março, solenidade de São José, será aberto o Ano da Família Amoris Laetitia: um ano especial para crescer no amor familiar. Convido a um renovado e criativo impulso pastoral para colocar a família no centro das atenções da Igreja e da sociedade. Rezo para que cada família possa sentir em sua própria casa a presença viva da Sagrada Família de Nazaré, para que ela possa preencher nossas pequenas comunidades domésticas com amor sincero e generoso, uma fonte de alegria mesmo em provações e dificuldades”.   Família protagonista da sociedade As famílias têm necessidade de cuidado pastoral, de dedicação, mediante um estilo de maior colaboração entre eles e os pastores. É necessário investir na formação dos formadores e, sobretudo, implementar uma mudança de mentalidade: pensá-las não como ‘objecto’, mas como ‘sujeito’ da pastoral ordinária. A família permanece para sempre custódia das nossas relações mais autênticas e originárias. Em síntese, este foi o convite feito pelo cardeal Kevin Farrell responsável da iniciativa papal.   IV Assembleia Nacional de Pastoral (ANP) O 4º capítulo dos Lineamenta em preparação a IV ANP é dedicado mesmo à pastoral da Família. De facto em Moçambique, como em muitos lugares de África, mais do que a dimensão jurídico-legal, o que define a família são os valores que ela representa, principalmente a união e protecção de um para com o outro. A família pode, em Moçambique, não necessariamente ter pessoas do mesmo sangue mas ela é composta por pessoas com os mesmos valores e princípios. A família em Moçambique, enquanto instituição social, tem passado por mudanças aceleradas na sua estrutura, organização e função de seus membros. Ao modelo tradicional foram se somando muitos outros modelos de família, fruto e consequência de abertura às outras culturas e de profundas transformações estruturais de carácter global e, por muitos outros aspectos, têm sido porta de ingresso para profundas crises (IV ANP n.19-20). De facto, o crescimento progressivo de crianças de rua em todas as nossas cidades, é um sinal evidente do mal-estar da Família em Moçambique. As crianças de rua são, simultaneamente, uma denúncia à crise de estabilidade nas uniões matrimonias e o aumento do número de mães solteiras, resultantes, ou de separações, ou de escolhas de procriação livre de compromisso marital. Também o crescimento do número de idosos abandonados e, portanto, desemparados, quer pelos próprios filhos e também pela sociedade, indica que as famílias estão com profundas feridas que devem ser saradas. (IV ANP 21). A nossa Igreja tem sorte porque com estas duas iniciativas vai ser estimulada a reflectir, planificar e organizar a pastoral familiar. E assim, tendo os instrumentos necessários, não vamos perder estas duas ocasiões para renovar e por em primeiro plano a nossa atenção para as famílias que são verdadeiras colunas portantes da vida da comunidade.

out 16 2021

A Fe é a fonte da salvação das almas atribuladas

Ao falar da fé nos dias de hoje, é uma situação tão complicada. Portanto, a fé uma palavra que povém do latim fides (fidelidade) que significa confiança absoluta, sem espaço para dúvida, que cada um deposita no que escolhe acreditar.Em tempos de dor, medos e incertezas, é natural e esperado que cada um procure um caminho que lhe traga conforto, doses de confiança e a chance de encontrar a paz. O caminho que refiro é a da espiritualidade, lugar onde o real coexiste e tem conexão com algo maior e Sagrado (Deus). É de o ser humano buscar uma ligação com o Divino, seja ele representado pela figura de Deus, por meio da religião. Portanto, como sustenta o mestre Gilberto Gil, que a «fé não precisa, necessariamente, estar ligada à doutrina. Essa força interior de uma crença poderosa pode ser nutrida em relação a uma pessoa, uma ideologia, à ciência, a um pensamento filosófico, um objeto inanimado».Diante da pandemia do novo Coronavírus, com o isolamento social imposto como medida de proteção contra a disseminação da Covid-19, perdemos alguns valores que nos identificavam como seres religiosos, por causa de desespero total, olhando a situação do Coronavírus. Actualmente, o Bem Viver procura entregar aos cristãos um tempo de leitura da Sagrada Escritura que lhes traga fé, esperança de dias melhores e palavras de conforto de pessoas que se sustentam por algo maior, sem preocupação com materialidade. Sendo assim, a espera pode não ser afastamento adverso da vida, mas esperança de um tempo novo. Como sublinhava Jesus durante o sermão da montanha, relatado no evangelho de Mateus o seguinte, “Olhai os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles” (Mateus, 6, 25-34). “E que a oração possa nos abraçar e converter a espera em esperança, verdadeira Páscoa e confiança num tempo melhor”. Para tal, a oração é um forte antídoto espiritual, porque vivemos a cultura da pressa, tudo nos é imediato como a fala, a vivência e as relações.Mas também, no dia a dia corrido, mais reagimos do que agimos, mais confrontamos do que enfrentamos e o tempo todo nos ocupamos de funções e impomos tantas outras aos que nos sãos próximos. Por: Idelvino Jacinto Santramo

set 27 2021

Qual é o significado das exéquias para os cristãos?

Ninguém escapa A vida e a morte são duas gémeas inseparáveis. Quando chega uma, a outra, mais cedo ou mais tarde, também não deixa de aparecer. É por isso que a Igreja celebra solenemente estes dois momentos de passagem da vida de cada um. Há muitas maneiras de celebrar um funeral, dependendo da religião, da cultura e da sociedade em que vivemos. Neste tempo de pandemia pelo covid-19, os funerais dos nossos entes queridos falecidos por este vírus mortal, tiveram um funeral “reduzido” conforme o normal. Isto provocou muitas feridas no coração dos familiares que muitas vezes não puderam despedir-se, conforme eles desejavam do próprio familiar. É por isso que vamos entender melhor o que é a celebração do funeral. Luz eterna Funeral vem da palavra latina “funus”, que por sua vez deriva de “funalia”, tocha, porque outrora se faziam os enterros à noite, e eram acompanhados com tochas acesas ou archotes. O cristianismo purificou esta cerimónia pagã, santificando-a com as luzes empregadas nos ofícios fúnebres, mas as luzes agora simbolizavam a alegria e a esperança na ressurreição da carne. Embora a morte seja natural para todas as civilizações, cada cultura tem um jeito especial de se despedir e de homenagear a pessoa querida que partiu. Confira abaixo como são os rituais fúnebres nalgumas diferentes religiões.   Igreja Católica Duas ideias principais percebemos claramente em todos os ofícios fúnebres da Liturgia da Igreja. A primeira é excitar, em favor dos mortos, a compaixão e a caridade dos vivos, pelos defuntos que estão à espera do encontro com a luz eterna; a segunda, é afirmar a ideia consoladora da ressurreição da carne. O velório é celebrado com incenso, que significa veneração; água, para lembrar o baptismo e velas, para simbolizar que a vida vai se queimando. Além do mais, a luz é um sinal de Deus. Outro hábito comum na igreja católica é a vivência do luto. De acordo com a religião, é importante que se permita viver a tristeza do momento. Muitos vestem roupas pretas para simbolizar que perderam um amigo ou familiar.   Protestantismo Assim como as cerimónias fúnebres católicas, os funerais protestantes também acompanham uma celebração religiosa. Porém, os protestantes não utilizam velas, nem crucifixos, apenas flores para homenagear quem partiu.   Judaísmo Para o judaísmo, como a morte é democrática, isto é, acomete a todos os tipos de pessoas, ela também deve ser simbolizada de maneira igual. Nessa religião, primeiramente, o corpo é lavado por pessoas especializadas da comunidade para que volte a ser como chegou a esse mundo, purificado. Depois o corpo deve ser vestido com uma túnica branca e, então, ocorre o velório. Antes do funeral, os familiares do morto rasgam as suas próprias roupas, como representação do luto.   Você sabe qual é o significado das exéquias para os cristãos? O Catecismo da Igreja Católica nos ajuda a compreender o que são as exéquias. A palavra exéquias provém do verbo latino exsequi, que significa “seguir” e refere-se ao cortejo fúnebre que segue o corpo do defunto até o túmulo. Para entender o significado cristão disso, encontramos uma profunda explicação das exéquias no Catecismo da Igreja Católica. Antes de tudo, há um item sobre “A última Páscoa do cristão”. Aqui, lembra-se que a Morte e a Ressurreição de Cristo revelam para nós o sentido da nossa morte: o cristão que morre em Cristo Jesus “abandona este corpo para ir morar junto do Senhor” (2 Coríntios 5,8). A Igreja, como mãe, acompanha o cristão no termo da sua caminhada para entregá-lo “nas mãos do Pai”.   Onde acontecem as exéquias? A Celebração das Exéquias, acontece, frequentemente, em três lugares: o velório em casa ou noutros lugares próprios onde os parentes recebem os amigos do falecido; a Igreja onde se celebra a Missa de corpo presente ou directamente no cemitério, onde se sepulta o corpo do falecido e há uma celebração da Palavra. Nesses lugares, muitos cristãos escutam a Palavra de Deus, especialmente os Evangelhos, e rezam. A Palavra nos transmite o sentido da morte para o cristão, como acima lembrado. E a oração expressa a nossa fé na “comunhão dos santos”. “Santos” são os santificados pelo baptismo, que procuram viver sua fé de maneira coerente. A morte não nos separa dos falecidos: nós permanecemos “em comunhão” com eles. Eles estão em Deus e rezam por nós; e vice-versa. Na vida presente, muitas vezes, a fé é misturada com pecados de fraqueza e egoísmo, que, mesmo assim, não rompem de maneira radical a comunhão com Deus e com os irmãos. Então, logo após a morte, os cristãos vão completar sua conversão: e aqui encontramos a fé católica na existência do Purgatório. Vivos e falecidos permanecem, pois, unidos, e rezam reciprocamente uns pelos outros, para que a conversão total a Cristo seja completa. A esse respeito, é bom lembrar a origem da palavra “cemitério”. Na língua grega koimeterion (κοιμητήριον) significa “lugar de repouso”, dormitório. Sim, mas quem vai dormir, depois do descanso, levanta-se. E nós levantar-nos-emos, no dia da ressurreição: para viver com Cristo, que destruirá a morte para sempre. A palavra “cemitério” aponta, pois, para o sentido profundamente cristão da morte. Nos lugares das exéquias, nós cristãos somos chamados a ser missionários, quer dizer, anunciadores da morte-ressurreição de Cristo, que dá um novo sentido à vida e à morte. As exéquias são, pois, um “momento de graça” para renovar a nossa fé e para proclamá-la.

set 27 2021

A fraternidade é a nova fronteira da humanidade

Por Pe. Massimo Robol «Não há alternativa: ou construímos juntos o futuro ou não haverá futuro. De modo particular, as religiões não podem renunciar à tarefa impelente de construir pontes entre os povos e as culturas. Chegou o tempo de as religiões se gastarem mais activamente, com coragem e ousadia e sem fingimento, para ajudar a família humana a amadurecer a capacidade de reconciliação, a visão de esperança e os itinerários concretos de paz». Com esta visão, a 4 de Fevereiro de 2019, o Papa Francisco e o Grão Imã de Al-Azhar (a Universidade islâmica do Cairo) Ahmad al-Tayyeb assinaram em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz e da Convivência Comum. Alguns dirão que se trata de mais um documento que corre o risco de cair no esquecimento público, como tantos outros. Este é o perigo que temos de evitar se estivermos verdadeiramente preocupados com o bem da família humana. Face a uma humanidade ferida por tantas divisões, conflitos e sofrimentos, o Papa e o Grão Imã mostram que a promoção da cultura do diálogo, do encontro e do conhecimento do outro não é uma utopia, mas a condição necessária para viver em paz e deixar às gerações futuras um mundo melhor do que aquele em que vivemos. Por isso, o Documento pretende ser um convite a todas as pessoas, “que trazem no coração a fé em Deus e a fé na fraternidade humana, a unir-se e trabalhar em conjunto, de modo que tal Documento se torne para as novas gerações um guia rumo à cultura do respeito mútuo, na compreensão da grande graça divina que torna irmãos todos os seres humanos”. O texto do Documento sobre a Fraternidade Humana enfrenta, chamando-os pelo nome, alguns dos problemas mais urgentes do nosso tempo, convidando crentes e pessoas de boa vontade a um exame de consciência e a assumir com confiança e determinação as suas responsabilidades na construção de um mundo mais justo e inclusivo.   Simpósio em Anchilo O apelo final dos dois signatários, para que o Documento fosse divulgado nas várias esferas da vida civil, política e religiosa, foi acolhido também por algumas confissões religiosas presentes na Província de Nampula. Assim, o Centro Catequético “Paulo VI” do Anchilo – Nampula, a Comissão Arquidiocesana para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, a Comunidade de Sant’Egídio, em colaboração com a Plataforma dos Clubes de Paz de Nampula, (Conselho Islâmico de Moçambique – CISLAMO e Conselho Cristão de Moçambique – CCM), organizaram dois encontros de estudo e reflexão sobre esta declaração, que tiveram lugar no Centro Catequético “Paulo VI” do Anchilo, nos dias 19 e 20 de Maio de 2021. Nos dois eventos participaram crentes muçulmanos e membros da religião cristã, incluindo católicos e protestantes. Após a apresentação do Documento sobre a Fraternidade Humana, o programa dos encontros desenvolveu alguns aspectos do texto através de uma série de temas. O primeiro tinha como título: “O papel das religiões na construção da paz, como fruto social do compromisso espiritual”. O orador, o Rev. Daniel Joaquim, Pastor da Igreja Evangélica de Cristo, afirmou que a religião é, por sua natureza, fonte de comunhão entre os crentes. Como tal pressupõe os valores da solidariedade e da fraternidade, caminhos para gerir a coexistência humana, para interpretar as diferenças que existem entre nós e para desanuviar os conflitos. A comunhão é o fruto do amor, que deve levar à acção, para o bem de todos, independentemente da afiliação religiosa, social, étnica ou cultural. A tarefa principal de cada crente é fazer com que a religião se torne meio para defender e promover a paz e a justiça, a dignidade humana e o cuidado do ambiente. Portanto, a oração, o diálogo, o respeito e a solidariedade são antídotos contra o terrorismo, o fundamentalismo e todos os tipos de guerra e violência. O segundo tema ajudou os participantes a reflectir sobre a “Fraternidade humana e liberdade religiosa: dois pressupostos para uma convivência civil”. Animou a palestra o Pe. Eduardo A. Roca Oliver, sacerdote Fidei Donum espanhol que trabalha em Pemba e é Responsável do Centro Inter-religioso para a Paz – Pemba. O ponto de partida foi a afirmação que a liberdade é um direito de toda a pessoa: todos gozam de liberdade de crença, pensamento, expressão e acção porque somos todos membros da única família humana. O pluralismo, não só religioso, da nossa sociedade é uma realidade que nos convida a reflectir sobre a nossa identidade sem a qual não existe um autêntico diálogo inter-religioso. Não dizemos que todas as religiões são iguais, mas que todos os crentes, aqueles que procuram Deus e todas as pessoas de boa vontade, têm igual dignidade. O justo é que haja a religião, o bom é que todos possam praticar a própria religião. Temos, portanto, de nos empenhar para que Deus, que nos criou, não seja razão para a divisão, mas sim para a unidade e a comunhão. O terceiro tema tinha como título: “A cultura do diálogo como método de conhecimento mútuo e forma de colaboração”. O orador, o Sheikh Jamal Mussa Ibrahimo, do Conselho Islâmico de Moçambique – CISLAMO, afirmou que o diálogo é essencial para reforçar os laços da fraternidade humana, para construir um mundo pacífico e uma coexistência comum. Devemos adoptar a cultura do diálogo como caminho, como forma de colaboração, como método de conhecimento mútuo e como critério comum. Escolhe-se o diálogo para rejeitar conflitos e progredir no conhecimento mútuo. Ao conhecermo-nos melhor, será possível apreciar os valores presentes no outro. E os elementos comuns podem abrir espaços de colaboração para o bem comum de diferentes povos. Assim, será possível passar da mera tolerância à coexistência fraterna. A abertura aos outros e o reconhecimento da origem comum é o primeiro passo para nos afastarmos dos muros levantados pelo medo e pela ignorância e para tentarmos juntos construir aquelas pontes de amizade que são fundamentais para o bem de toda a humanidade. O Documento sobre a Fraternidade Humana é

set 27 2021

OS DESAFIOS DO MUNDO DIGITAL PARA A IGREJA E PARA A EVANGELIZAÇÃO

Continuamos a apresentar os temas dos Lineamenta que preparam e animam as comunidades cristãs para a IVª Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023). A iniciativa da preparação e celebração da IVa Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) visa criar uma experiência conjunta de ESCUTA, DISCERNIMENTO e COMUNHÃO ECLESIAL que coloque todo o Povo de Deus (fiéis católicos) a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo Moçambique. A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça RUMOS DE ACÇÃO COMUM para uma pastoral de conjunto. Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar LINHAS PASTORAIS COMUNS, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral. O que é o mundo digital? Hoje em dia é praticamente impossível ignorar o mundo digital. Por mundo digital, entende-se todas as transformações resultantes da invenção da computação e da internet. O mundo digital não só transforma a cultura humana, mas também o próprio ser humano. Por isso, hoje se fala do “Homem digital” e de “nativos digitais”, para designar os seres humanos que se definem a partir da internet e acham que sem ela não podem viver. Sendo a Igreja hoje chamada a anunciar o Evangelho do Senhor Jesus Cristo tanto no mundo digital, como ao homem digital, não pode desconsiderar o diálogo com esta realidade. Tal diálogo significa adequar o Evangelho aos recursos do mundo digital e assumir os valores, alegrias, ânsias, solidão e todas as vulnerabilidades do Homem digital.   LEITURA DA REALIDADE A internet e a computação provocaram uma autêntica revolução na sociedade humana. Não só mudou a cultura, mas também o próprio ser humano no seu modo de pensar, sentir e relacionar-se. De facto, a internet representa uma grande oportunidade para o acesso à comunicação e à informação. Hoje, com qualquer dispositivo digital, seja um smartphone, computador ou tablet, não só se pode receber qualquer informação que se quiser, como também se pode emitir qualquer informação à escala global. A partilha de hábitos, tradições, usos e costumes de povos diferentes, possibilita igualmente um grande enriquecimento antropológico e contribui para o progresso global. A internet é um espaço virtual de encontro, partilha e solidariedade. Para muitos jovens hoje, a realidade de todo o existente se resume à internet. Para eles, se uma coisa não se encontra na internet e nas redes sociais, então essa coisa não existe. Para esses, se a Igreja e o Evangelho não se encontram na internet e nas redes sociais, então não existem. Felizmente, no nosso país, já se notam iniciativas, tímidas e descontinuadas, de uso da internet para a Evangelização, embora essas iniciativas ainda não tenham o impacto desejado.   FUNDAMENTAÇÃO TEOLÓGICA A Epístola aos Hebreus revela-nos que Deus falou muitas vezes e de muitos modos (Cf. Hb 1, 1). Deus comunica através da sua Palavra. A comunicação de Deus é frequente (muitas vezes) e diversificada (de muitos modos). Jesus Cristo é a Palavra de Deus por excelência: o Verbo encarnado (Cf. Jo 1, 14). O Verbo eterno do Pai, fez-se Homem em Jesus de Nazaré, para comunicar o amor misericordioso do Pai, objecto de toda a comunicação divina. A narração da criação no Génesis apresenta Deus que cria através da Sua Palavra. A Palavra de Deus é criadora. Deus comunica-Se aos homens, revelando a Sua identidade e vontade. Os profetas, mensageiros de Deus, serviram-se de vários meios, sátira, cânticos, poemas, parábolas, acções simbólicas, anúncio e denúncia, para exortar o povo a converter-se. Jesus Cristo, a última Mensagem do Pai, na sua missão messiânica comunicou o Evangelho do Reino dos Céus em todos os lugares e a todas as pessoas. O Espírito Santo capacitou aos apóstolos do Senhor Jesus para proclamarem a todos os povos a feliz mensagem pascal. A Igreja reconhece as potencialidades da Internet como instrumento de contacto pastoral, bem como de orientação vocacional, em particular onde, por várias razões, a Igreja tem dificuldades em alcançar os jovens com outros meios.   PROPOSTAS OPERATIVAS Algumas propostas operativas: a) A Igreja deve levar a luz do Evangelho à internet. Ela pode ser um espaço pré-evangélico. De facto, há muitas pessoas que frequentam a internet a procura da “Boa Nova” da felicidade. A Igreja não pode eximir-se de evangelizar essas pessoas no seu espaço existencial que é a internet. b) Mais do que um meio de comunicação, a internet constitui-se um verdadeiro mundo sedento da Luz do Evangelho para evangelizar o Homem e o mundo digitais. Na verdade, a comunicação mais bela que a internet pode fazer é a comunicação do amor misericordioso de Deus. c) Para um uso mais profícuo da internet, as dioceses podem instaurar secretariados de comunicação com o objectivo específico de organizar conteúdos para a divulgação na internet, bem como o apoio técnico para manter a página da internet actualizada bem como as outras plataformas digitais. d) Os agentes de pastoral devem ser formados para o uso das redes sociais como imperativo evangélico, dominar técnica e moralmente as plataformas sociais de modo a evangelizar os jovens de hoje.   PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO 1) A leitura da realidade corresponde àquilo que se revela na Igreja e na sociedade de hoje? Quais são os aspectos que faltam e que devem ser tomados em consideração? 2) Quais são as oportunidades e desafios que se encontram no mundo digital? 3) Como a Igreja (dioceses, paróquias e comunidades) pode usar as redes sociais para evangelizar? 4) Quais são os perigos que se podem encontrar nas redes sociais? 5) Por que frequentemente a Igreja não usa as redes sociais para evangelizar? 6) Quais seriam as vantagens de usar as redes sociais para evangelizar?

set 25 2021

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM B

26/09/2021: LITURGIA DA PALAVRA Primeira leitura: Nm 11,25-29 Salmo: 18 (19) Segunda leitura: Tg 5,1-6 Santo Evangelho: Mc 9,38-43.45-47-48 Tema: SER UMA COMUNIDADE ACOLHEDORA, SOLIDÁRIA E DE PARTILHA DE BENS A liturgia da Palavra deste domingo apresenta várias sugestões para que os crentes possam purificar a sua opção e integrar, de forma plena e total, a comunidade do Reino. Uma das sugestões mais importantes é de reconhecer e aceitar a presença e a acção do Espírito de Deus através de tantas pessoas boas que não pertencem à instituição Igreja, mas que são sinais vivos do amor de Deus no meio do mundo. O livro dos Números ensina que o Espírito de Deus sopra onde quer e sobre quem quer, sem estar limitado por regras, por interesses pessoais ou por privilégios de grupo. O verdadeiro crente é aquele que, como Moisés, reconhece a presença de Deus nos gestos proféticos que vê acontecer à sua volta. A comunidade do Povo de Deus é a comunidade do Espírito. O Espírito não é privilégio dos membros da hierarquia; mas está bem vivo e bem presente em todos aqueles que abrem o coração aos dons de Deus e que aceitam comprometer-se com Jesus e com o seu projecto de vida. Mesmo o irmão mais humilde, mais pobre, menos considerado da nossa comunidade possui o Espírito de Deus. O Espírito Santo não é propriedade dos padres ou dos animadores. No Evangelho temos uma instrução, através da qual Jesus procura ajudar os discípulos a procurarem somente os bens do Reino. Nesse sentido, convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, procura acolher, apoiar e estimular todos aqueles que actuam em favor da libertação dos irmãos; convida-os também a não excluírem da dinâmica comunitária os pequenos e os pobres; convida-os ainda a arrancarem da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino. A atitude dos discípulos mostra, antes de mais, arrogância, sectarismo, intransigência, intolerância, ciúmes, mesquinhez, pretensão de monopolizar Jesus e a sua proposta, presunção de serem os donos exclusivos do bem e da verdade… Mas, por detrás da reacção dos discípulos, deve estar também uma grande preocupação com a concretização dos projectos pessoais de prestígio e grandeza que quase todos eles alimentavam. O que me leva a ir a Igreja? Não vivo de ciúmes pelo facto de estar perto do padre, dos missionários ou dos responsáveis da comunidade? Na segunda leitura, Tiago convida os cristãos a não colocarem a sua confiança e a sua esperança nos bens materiais, pois eles são valores perecíveis e que não asseguram a vida plena para o homem. O autor acrescenta apontando contra os que injustamente acumulam bens materiais: a finalidade da sua existência será o afastamento da comunidade dos eleitos de Deus. Tiago denuncia o seguinte: Os luxos e os prazeres dos ricos vivem assim da morte dos pobres. Naturalmente, Deus não pode pactuar com a injustiça e, por isso, não ficará indiferente ao sofrimento do pobre e do oprimido. Tiago critica os ricos, em primeiro lugar porque eles vivem apenas para acumular bens materiais, negligenciando os verdadeiros valores. O acúmulo de bens materiais tornou-se, para tantos homens do nosso tempo, o único objectivo da vida e o critério único para definir uma vida de sucesso. Em pleno tempo de pandemia de covid-19 vimos tanta gente mergulhada na miséria mas também gente cada vez mais rica. Nós, os cristãos, somos chamados a testemunhar que a vida verdadeira brota dos valores eternos – esses valores que Deus nos propõe. O cristão não deve acumular riquezas, mas torna-las fonte de partilha e prática da caridade. Compromisso pessoal Aprender a amar sem orgulho nem arrogância Pedir a Deus a ensinar-nos a humildade Desapegar-se de riquezas ilícitas e cuidar dos bens comuns

set 11 2021

XXIV – DOMINGO DO TEMPO COMUM

12/09/2021: LITURGIA DA PALAVRA Primeira leitura: Is 50,5-9a Salmo responsorial: Salmo 114 (115) Segunda leitura: Tiago 2,14-18 Santo Evangelho: Mc 8,27-35 Tema: DEFENDER A VIDA DO OUTRO É ABRAÇAR O PROJECTO DE DEUS A Palavra de Deus neste domingo, convida-nos a abraçar o projecto de Deus que passa necessariamente pela defesa da vida numa altura que parece bastante fragilizada. Defender a vida significa, inicialmente acreditar que ela é dom de Deus. O relato de Isaías apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar a Palavra da salvação e que, para cumprir essa missão, enfrenta a perseguição, a tortura, a morte. Contudo, o profeta está consciente de que a sua vida não foi um fracasso: quem confia no Senhor e procura viver na fidelidade ao seu projecto, triunfará sobre a perseguição e a morte. O “Servo” sofredor, apresentado por Isaías, que põe a sua vida, integralmente, ao serviço do projecto de Deus e da salvação dos homens mostra-nos o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Darias a sua vida para defender a vida dos outros? Na guerra provocada por terroristas, acompanhamos testemunhos de muitas pessoas que deram a vida pelos outros. Sejamos corajosos para defender a vida que está muito fragilizada. O Evangelista Marcos apresenta Jesus como o Messias libertador, enviado ao mundo pelo Pai para oferecer aos homens o caminho da salvação e da vida plena. Pedro professa sua fé em Jesus, o Messias. Para Marcos, Jesus cumpre o plano do Pai. Jesus mostra aos discípulos que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante: dar a vida aos outros no sofrimento paciente. A segunda leitura lembra aos crentes que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos. O autor apresenta a relação entre a fé e as obras. A fé sem obra é morta. O cristão não deve viver de utopias mas de uma realidade que parte pela acção concreta como fruto da sua fé em Cristo. Nas nossas paróquias, os livros de registo de sacramentos, encontramos milhares de baptizados, mas poucos vivem “o ser cristão autêntico”. A nossa caminhada cristã não é um processo teórico e abstracto concretizado num reino de bons discursos que parecem de campanha eleitoral; mas é um compromisso efectivo com Cristo que tem de se traduzir, a cada instante, em gestos concretos em favor dos irmãos. Quem é Jesus para ti? O que é que “os homens”, seus amigos, familiares, outras religiões dizem de Jesus? Jesus não é um simples profeta nem um nacionalista. Por isso ele pergunta a todos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a pergunta de Jesus obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir… Quem é Cristo para mim? Jesus tornou-se um de nós para concretizar os planos do Pai e propor aos homens e mulheres do seu tempo e do nosso – através do amor, do serviço, do dom da vida – o caminho da salvação, da vida verdadeira. Jesus nos ensina  a “renunciar a si mesmo”, o que implica a não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a auto-suficiência dominem a vida. Jesus nos ensina também a “tomar a cruz”, que significa amar até às últimas consequências, até à morte. Compromisso Pessoal Vivenciar gestos de gentileza, de serviço, de perdão, de partilha na família, na comunidade e na sociedade. Suportar com paciência as perseguições e os sofrimentos deste mundo. Seguir o caminho de Cristo conscientes de que a cruz é pesada.

set 01 2021

Ministério do Catequista – antigo e actual

No mês de maio, papa Francisco publicou uma carta apostólica com a qual instituiu o ministério do catequista: uma necessidade urgente para a evangelização no mundo contemporâneo, a ser realizada sob forma secular, sem cair na clericalização. Eis um resumo do documento. «Ministério antigo é o de Catequista na Igreja. Os teólogos pensam, comumente, que se encontram os primeiros exemplos já nos escritos do Novo Testamento. A primeira forma, germinal, deste serviço do ensinamento achar-se-ia nos «mestres» mencionados pelo apóstolo Paulo ao escrever à comunidade de Corinto (1 Cor 12, 28-31) e em Gal 6, 6 e 1 Cor 12, 4-11. O próprio Lucas afirma, na abertura do seu Evangelho: «Resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los [os factos que entre nós se consumaram] a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1, 3-4). Por isso desde o Concílio Vaticano II tem havido uma crescente consciência de que “a tarefa do catequista é da maior importância”, bem como necessária para o “desenvolvimento da comunidade cristã”… Toda a história da evangelização destes dois milénios manifesta, com grande evidência, como foi eficaz a missão dos catequistas…   Testemunho de vida dos catequistas Não se pode esquecer a multidão incontável de leigos e leigas que tomaram parte, directamente, na difusão do Evangelho através do ensino catequístico. Homens e mulheres, animados por uma grande fé e verdadeiras testemunhas de santidade, que, em alguns casos, foram mesmo fundadores de Igrejas, chegando até a dar a sua vida. Também nos nossos dias, há muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé. A longa série de Beatos, Santos e Mártires catequistas que marcou a missão da Igreja, merece ser conhecida, pois constitui uma fonte fecunda não só para a catequese, mas também para toda a história da espiritualidade cristã (não esqueçamos os nossos testemunhos: Cipriano Parite e os catequistas mártires de Guiúa).   Catequista obreiro da evangelização A partir do Concílio Ecuménico Vaticano II, a Igreja apercebeu-se, com renovada consciência, da importância do compromisso do laicado na obra de evangelização. Os Padres conciliares reafirmaram várias vezes a grande necessidade que há, tanto para a implantação da Igreja como para o crescimento da comunidade cristã, do envolvimento directo dos fiéis leigos nas várias formas em que se pode exprimir o seu carisma. “É digno de elogio aquele exército com tantos méritos na obra das missões entre pagãos, o exército dos catequistas, homens e mulheres, que, cheios do espírito apostólico, prestam com grandes trabalhos uma ajuda singular e absolutamente necessária à expansão da fé e da Igreja. Hoje em dia, em razão da escassez de clero para evangelizar tão grandes multidões e exercer o ministério pastoral, o ofício dos catequistas tem muitíssima importância”  (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Ad gentes, 17). A par do rico ensinamento conciliar, é preciso referir o interesse constante dos Sumos Pontífices, do Sínodo dos Bispos, das Conferências Episcopais e dos vários Pastores, que, no decorrer destas décadas, imprimiram uma notável renovação à catequese.   Vocação do catequista O Catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada baptizado esteja sempre pronto «a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça» (cf. 1 Pd 3, 15). O Catequista é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a participação directa na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade.   Instituição do ministério Convém que, ao ministério instituído de Catequista, sejam chamados homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação activa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé, e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese. Assim, depois de ter ponderado todos os aspectos, em virtude da autoridade apostólica, instituo o ministério laical de Catequista».   BOX A decisão de Francisco de instituir o ministério de catequista, que segue a abertura às mulheres dos ministérios do leitorado e do acolitado coloca-se no caminho já intuído pelo Papa Pio XII. Especialmente no nosso tempo, a tarefa de testemunhar e transmitir a fé às novas gerações é uma tarefa para “os pais e mães de família”. Já ao longo dos séculos e ainda hoje em vários países, na ausência de sacerdotes, a fé tem sido mantida viva, graças aos pais e mães e aos catequistas que passaram e muitas vezes sacrificaram suas vidas por isso. A criação de novos ministérios laicais para responder às novas necessidades também foi discutida no recente Sínodo sobre a Amazônia, e clarifica que os leigos não são chamados a realizar apenas um trabalho de suplência, porque há falta de vocações para o sacerdócio. Não é uma questão de suplência, mas de plena e reconhecida acção, envolvimento e co-responsabilidade: sua presença é verdadeiramente necessária para que a Igreja seja comunhão e seja missionária. Portanto, a instituição de um ministério laical não se destina a “clericalizar” a pessoa leiga.

Nossa Localização

© 2025 Revista Vida Nova – Propriedade do Centro Catequético de Anchilo. Todos os direitos reservados.