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mar 19 2022

Inscrições dos peregrinos para 2JNJ terminam a 5 de Novembro próximo

Sob o lema “Encontrámos o Messias (Jo 1,41)! Acompanhar os jovens na Igreja e na sociedade hoje”, o Comité Organizador Local (COL) da II Jornada Nacional da Juventude, a ter lugar na cidade de Nampula, nos dias de 17-20 de Novembro deste ano (2022), anunciou, na última sexta-feira (18/03), o arranque das inscrições dos jovens peregrinos. Num Comunicado de imprensa, realizado na tarde desta sexta-feira, no Centro Sócio-Pastoral da cidade de Nampula, o Padre Serafim João, presidente da comissão da comunicação e porta-voz do Comitê Organizador Local (COL),  anunciou que as inscrições dos jovens peregrinos começam no dia 20 de Março e vão terminar no dia 05 de Novembro do ano em curso. O clérigo avançou que por causa da pandemia da Covid-19, o COL prevê inscrever apenas um total de 1500 jovens peregrinos das 12 dioceses de Moçambique, cabendo a cada uma das outras 11 (onze) Dioceses inscrever e enviar 100 (cem) peregrinos, enquanto a Arquidiocese anfitriã terá 300 (trezentos) inscritos, entre peregrinos e colaboradores dos diversos serviços de apoio à organização do evento. Aquele porta-voz deu a conhecer que “os peregrinos serão jovens de ambos os sexos, de idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos”. Para o registo dos peregrinos, a decorrer em cada diocese, estarão disponíveis fichas de inscrição dispondo de dois pacotes do kit (um completo e ouro parcial, à escolha do peregrino ao preencher o formulário de inscrição). Segundo disse, ao nível da Arquidiocese de Nampula, as inscrições decorrerão nas Paróquias, cujos Párocos deverão pôr-se de acordo ao nível das respectivas 5 (cinco) Regiões pastorais, para se garantir a equidade na proporção de 60 (sessenta) jovens peregrinos por Região pastoral. O padre Serafim anunciou que o valor máximo da contribuição por peregrino é de 3.500,00 Mt (três mil e quinhentos meticais), a ser aplicado para as despesas do material que cada participante inscrito irá receber no seu kit completo, que terá os símbolos da Jornada e contemplará igualmente a alimentação e o transporte dentro da cidade de Nampula, durante os três dias da Jornada. De acordo com o padre, “como organizadores da II Jornada Nacional da Juventude, todos os Arcebispos e Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) estão convidados às celebrações deste importante evento eclesial em Moçambique para, como Pastores, darem testemunho da sua solicitude pelo acompanhamento dos seus jovens. Caberá à própria CEM precisar os aspectos práticos para a inscrição e vinda dos Senhores Arcebispos e Bispos a Nampula”. Falando dos locais onde vão decorrer as cerimónias centrais, o porta-voz disse que a celebração eucarística de acolhimento dos peregrinos será na Sé Catedral de Nampula. As Catequeses dos dias 18 e 19 acontecerão nas diferentes Paróquias de acolhimento dos peregrinos na Região pastoral da cidade de Nampula e a celebração conclusiva (Vigília do Sábado e Missa de envio dos peregrinos, no Domingo) será no Centro Catequético de Paulo VI, em Anchilo. Refira-se que a deslocação para aquele centro efetuar-se-á em peregrinação, tendo como ponto de partida a Comunidade de Santo António de Mutava – Rex (em Nampula). Redacção

mar 13 2022

A COMISSÃO BÍBLICA DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DO NORTE DECLARA DEUS ESTAR DE COSTAS VOLTADAS COM AS FALSAS INTERPRETAÇÕES DA BÍBLIA

Reunidos em estudo bíblico, no Centro Catequético de Paulo VI de Anchilo (Nampula), de 08-11 de março corrente, os delegados da Comissão Bíblica da Província eclesiástica do Norte sublinham a necessidade de a Palavra de Deus ser lida, estudada e promovida com fervoroso ânimo nas comunidades cristãs. No acto de encerramento de uma semana de estudos, o padre José Joaquim, Secretário do Departamento para Missão e diálogo da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), declarou sem reservas que Deus está de costas voltadas com a manipulação da Bíblia: “Deus não está tranquilo perante a manipulação da palavra, perante o indiferentismo bíblico, perante as falsas interpretações da Sua Palavra”. O clérigo defende que a revitalização da pastoral bíblica exige de todos cristãos serem fervorosos animadores bíblicos de modos a que a palavra de Deus seja conhecida, amada e vivida. Por seu turno, delegados das cinco dioceses da Província eclesiástica do Norte (Nampula, Nacala, Lichinga, Pemba e Gurué), que participaram daquela formação bíblica, fazem um balanco positivo da semana de estudos bíblicos e dizem estar munidos de ferramentas suficientes para levar avante a mensagem de Deus, evitando o máximo de dar espaço às falsas interpretações da bíblia, fenómeno muito vigente nas comunidades cristãs: “faremos esforço de levar a palavra de Deus aos irmãos das zonas mais recônditas. Vamos ensinar aos irmãos a melhor maneira de interpretar a bíblia e torna-la mais conhecida pelo mundo”. Por Pe. Serafim João

mar 09 2022

A COMISSÃO DA PASTORAL BÍBLICA LANÇA UM ENCONTRO DE FORMAÇÃO BÍBLICA NO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO

A Comissão da Pastoral Bíblica da província eclesiástica de Nampula está reunida, desde última Terça-feira (08/03), no Centro Catequético Paulo VI de Anchilo, para um encontro de formação para revitalização da pastoral bíblica nas dioceses. O padre José Joaquim, responsável do grupo de estudo e secretário do Departamento para a Missão e diálogo da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), disse que, com a formação, pretende-se suscitar nos fiéis a consciência da centralidade da Palavra de Deus na vida cristã: “Nas nossas dioceses a bíblia é pouco conhecida e há muitos irmãos católicos que nem sequer têm a bíblia em casa e não a tendo, claro que não a leem” – sublinhou a fonte. Outrossim, o clérigo explicou que este evento se enquadra no contexto dos preparativos da IV Assembleia Nacional de Pastoral (ANP), a ter lugar em Nampula  em 2023. Por seu turno, membros delegados das cinco dioceses da província eclesiástica do Norte (Nampula, Pemba, Nacala, Lichinga e Gurué) dizem guardar muitas expectativas desta formação, com destaque para ganhar as rédeas e impulsos pastorais que possam criar nos fiéis mais amor à Sagrada Escritura: “espero mergulharmos mais na palavra de Deus e podermos comunicar também aos outros, revitalizar a pastoral bíblica, para que a bíblia seja o motor de todas pastorais” – referiu o padre Ercílio, um dos facilitadores da formação bíblica. Pe. Serafim João

fev 24 2022

Arcebispo de Nampula nomeia os membros do Comité Organizador Local (COL) da II JNJ 2022

O Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saure, através do Decreto nº 003/GA/2022 nomeia a cúpula do Comité Organizador Local (COL) da II Jornada Nacional da Juventude (JNJ), Nampula 2022. Trata-se da Comissão composta por Pe Avelino Arlindo (Vice-Presidente), Pirai Oriente (Secretário), Pe. Simone Adriano (Presidente da Comissão de Liturgia e Pastoral), Pe Serafim João Muacua (Porta-Voz e Presidente da Comissão das Comunicações), Elmo da Bendita Feliciano Chicova (Presidente da Comissão de Contabilidade e Finanças), Pe Ligório Alexandre (Presidente da Comissão de Saúde e Serviços de Apoio), Irmã Francinete Ribeiro (Presidente da Comissão de Acolhimento e Voluntariado) e Pe Benvindo Isaías de Jesus André Tápua (Presidente da Comissão de Animação e Recreação). Aos membros constituintes do grupo de trabalho é-lhes exigido, a exemplo de Jesus, colocar-se “a caminho com os jovens, mostrando-lhes o rosto jovem e acolhedor da Igreja, que precisa de sua presença e protagonismo, rumo à II JNJ, Nampula 2022. Refira-se que de acordo com o Decreto do COL, “por decisão do Santo Padre, o Papa Francisco, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realizava anualmente no Domingo de Ramos, passou para a Solenidade de Cristo, Rei do Universo”. Com efeito, a XXXVII Jornada Mundial da Juventude (JMJ) ligada à JNJ vai realizar-se na Arquidiocese de Nampula de 17 a 20 de Novembro de 2022, com o Lema: “Encontramos o Messias (Jo 1,41)! Acompanhar os Jovens na Igreja e na Sociedade hoje”. Por Kant de Vornha

fev 13 2022

Paróquia do Imaculado Coração de Maria do Anchilo conta com o novo Pároco

Trata-se do Padre Jacinto Augusto, do Clero Diocesano de Nampula, que tomou posse na manhã de hoje, VI Domingo do Tempo Comum (13/2) durante a Missa celebrwtiva. O Director do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, Pe Pinho dos Santos Martins Afonso, que presidiu a Eucaristia e a tomada de posse do novo pároco exortou aos fiéis para que se unam à nova equipa missionária para a edificação de uma pastoral ao espírito da sinodalidade desejada pela Igreja. “A vós membros do Conselho Paroquial e fiéis cristãos exorto-vos à comunhão e trabalho zeloso ao serviço do Reino de Deus unidos aos vosos padres que hoje tomam posse”. Ao novo Pároco, Pe Pinho exortou a servir-se de três (3) pilares no exercício do seu ministério pastoral: “a Palavra de Deus, a Tradição e o Magistério da Igreja”, explicou o clérigo. Durante a cerimónia de juramento e confissão de fé, o novo Pároco mostrou-se disponível de servir ao rebanho do Senhor com zelo e espirito sinodal e em conformidade com os ditames da Santa Igreja. Na ocasião, o Decano do Clero Diocesano, o Pe Avelino Arlindo, leu a provisão do Vigário Paroquial, o Pe Serafim João Muacua igualmente do Clero Diocesano de Nampula. Refira-se que o novo Pároco toma posse em substituição do Pe Cantífula de Castro que serviu a Paróquia do Anchilo por três anos (2019-2021). Por Kant de Voronha

nov 02 2021

As seitas: uma perspectiva pastoral

O surgimento e a propagação de seitas ou novos movimentos religiosos é um fenómeno marcante na história religiosa dos nossos tempos. Ao considerar qual posição é preciso tomar para com as “seitas religiosas”, é evidente que se deve evitar a polémica e o confronto directo. As pessoas que pertencem aos vários movimentos religiosos e pentecostais são irmãos e irmãs com quem partilhar a luz e o amor de Cristo.   As seitas como sinal dos tempos O fenómeno das “seitas religiosas” pode ser visto como um sinal dos tempos. É necessário considerar o que o Espírito diz à Igreja por meio desta situação. Portanto, a proliferação e a actuação das seitas não são propriamente uma ameaça, mas um desafio pastoral. De facto, o texto dos Lineamenta em preparação da IV Assembleia Nacional de Pastoral, apresenta a realidade das “seitas religiosas” como um “desafio” que é preciso enfrentar, e assim oferecer uma resposta pastoral a uma situação que não pode ser ignorada. As perguntas que os Lineamenta dirigem aos cristãos das várias paróquias e instituições eclesiais, podem ajudar a refletir e a elaborar propostas de ação para responder ao fenómeno em questão. Entretanto, há algumas acções pastorais que é necessário implementar para fortalecer a qualidade e o sentido de pertença das nossas comunidades cristãs, bem como para abordar este fenómeno de uma forma proactiva.   Acções a ter em conta Em primeiro lugar, é indispensável promover nas comunidades cristãs uma catequese adequada e uma aprofundada formação bíblica. As “seitas religiosas” muitas vezes tiram vantagem de situações de ignorância religiosa entre os cristãos católicos. Neste sentido, é necessário implementar uma pastoral bíblica que ajude os católicos a estarem bem preparados em sua própria fé, de modo a poder ter sempre uma resposta pronta para quem lhe perguntar as razões da sua esperança (1Pd 3,15). Em segundo lugar, é oportuno prestar atenção ao aspeto litúrgico e devocional das nossas comunidades cristãs. Algumas igrejas pentecostais atraem as pessoas porque prometem orações e cultos agradáveis. Mais uma razão para que as nossas celebrações litúrgicas sejam dedicadas, bem preparadas e com a participação activa de toda a comunidade. Algumas “seitas religiosas” colocam muita ênfase no aspecto emocional, nas danças, nos cantos. Sem exceder demasiado, será de ajuda em muitos lugares de culto das paróquias o prestar atenção ao corpo, aos gestos e aos aspectos materiais das celebrações litúrgicas e da devoção popular. Em terceiro lugar, é importante haver um bom acolhimento na paróquia para proporcionar mais um sentido de pertença aos crentes. Está claro que muitos cristãos católicos se integram nas seitas à procura de calor humano, de entusiasmo, de respostas para as suas inquietações e desejos. Parece-lhes que estes movimentos religiosos e igrejas independentes se confrontam abertamente com os problemas existências da pobreza, do sofrimento, da doença, da morte e prometem soluções instantâneas, especialmente a cura psicológica e física. Neste sentido, é importante criar um clima mais acolhedor nas nossas paróquias e comunidades, evitando a atitude burocrática com que muitas vezes se dá resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida do povo. Em muitas partes, predomina ainda o aspecto administrativo sobre a pastoral, bem como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização. Em quarto lugar, é necessário promover uma maior participação e responsabilidade dos leigos na vida das paróquias e comunidades cristãs. Um acentuado clericalismo pode marginalizar os fiéis leigos e deixá-los ver a Igreja como uma instituição liderada por funcionários burocráticos ordenados. Talvez o que é necessário é um apostolado mais participado, maiores oportunidades para os fiéis leigos de assumirem responsabilidades, uma maior colaboração entre leigos, clero e consagrados/as para levar o espírito de Cristo no meio da sociedade. Por Pe. Massimo Robol

nov 01 2021

Seitas cristãs, um desafio antigo e actual

O VII capitulo dos Lineamenta da IV ANP convida-nos a reflectir sobre o desafio que as seitas lançam à Igreja e a resposta pastoral que é necessário encontrar. Não vamos esquecer que segundo o 4º Censo Nacional da População (2017), a religião Cristã em Moçambique corresponde a 59,8% da população nacional. O termo seita tem diversas derivações no latim clássico, tendo origem nos termos “secta” que significa escola ou linha de pensamento; “sectare que se traduz por cortar ou partir; “secernere”, o mesmo que separar; “sectari” que significa seguir ou aderir. A partir deste campo semântico é que o termo seita adquire o seu significado.   O profeta é a figura primordial Em qualquer seita, o profeta é a figura primordial, já que circunscreve uma nova experiência religiosa. O profeta surge da classe de leigos e busca influenciá-los por meio da proposta de uma nova visão mística e comunitária. Diferentemente dos mágicos, o profeta da seita sustenta uma suposta relação significativa com o divino a partir de uma ética religiosa pretensamente exemplar. Um dos marcos diferenciais que distingue a Igreja da seita é a atitude ecuménica; ou seja, as igrejas buscam o ecumenismo e as seitas anátemas. As seitas afirmam através da sua doutrina relativamente às Igrejas e à sociedade: Extra secta non est salus (fora da seita não há salvação), como se diz por exemplo a respeito da Igreja. Recusam toda a possibilidade de diálogo pois afirmam que os credos de outras igrejas constituem uma verdadeira traição à Sagrada Escritura.   História Na Igreja nascente proliferaram muitas e variadas seitas cristãs que foram consideradas de heréticas pelos Padres da Igreja. As mais famosas foram: a) Os Nicolaítas: surgiu no Séc. I na Ásia Menor e eram seguidores de Nicolau, um prosélito que foi contado entre os sete primeiros diáconos. Os seguidores desta seita levavam uma vida dissoluta, não observando a santidade do casamento. No livro do Apocalipse, João faz duas menções dos Nicolaítas (Ap 2,6) onde confessa que os odeia e (Ap 2,15) em que os acusa de comer as oferendas dos ídolos e de praticar imoralidades. b) Os Ebionitas: surgiu no Séc. I na Judeia entre os judeu-fariseus convertidos ao Cristianismo. Reconheciam a Jesus como figura messiânica do judaísmo. Profundamente enraizados na Lei de Moisés, acreditavam que fora dela não havia salvação. Os Ebionitas são identificados como cristãos judaizantes que entraram em conflito com o Apóstolo Paulo mencionados no livro dos Actos dos Apóstolos (15,1; 21,17-26) e que levou à convocação do primeiro Concílio da Igreja em Jerusalém. c) Os Nazarenos: são mencionados como uma seita no livro dos Actos dos Apóstolos (24,5). Constituídos por judeus convertidos ao Cristianismo, eram muito semelhantes aos Ebionitas. d) Os Gnósticos: pregavam que a salvação vem somente pelo conhecimento secreto. Surgiu no Séc. I na Ásia Menor e acreditavam que existiam dois deuses: um Deus superior e um deus inferior chamado Demiurgo. Acreditavam que Jesus Cristo sofreu apenas em aparência. Alguns dos ensinamentos do Alcorão e dos Hadiths baseiam-se nestas seitas da igreja primitiva. Também muitas seitas actuais têm inspiração nelas. Ora vejamos: Até hoje existem seitas que recusam o papel da Igreja. Aceitam Cristo e negam a Igreja. Estes movimentos inspiram-se simultaneamente nas culturas hebraica e cristã (Ebionitas e Nazarenos), e são dissidentes das Igrejas cristãs. Caracterizam-se pelo recurso fundamentalista, literal, e pela interpretação de modo parcial da Bíblia de uma forma entusiasta, mas intolerante para com os outros grupos. Vêem o mundo negativamente por ser mau, daí a necessidade de se afastar dele. São movimentos que se centram unicamente e exclusivamente na expectativa à volta de Cristo e não da Igreja.   A teologia milenarista das novas seitas A teologia milenarista, isto é, sobre o fim dos tempos, acompanha-os constantemente, como também o suposto primado dado à inspiração individual. Encontramos alguns grupos como as Testemunhas de Jeová e os Mórmons que alegam que os seus fundadores receberam de Deus revelações que aperfeiçoam a doutrina cristã. Há seitas que recusam o papel de Cristo: dizem “Deus sim, Cristo não.” São grupos de inspiração Gnóstica, com influências do hinduísmo, budismo e sufismo islâmico. Dão muita primazia a uma experiência interior do divino, rodeados de mestres que possuem os segredos de um conhecimento libertador. Falam de Cristo como um grande profeta ou um mestre entre muitos outros. Geralmente não acreditam num Deus transcendente e pessoal. São exemplos a Igreja da Unificação, a Sociedade Teosófica, e a Antroposofia. Seitas que recusam o papel de Deus: dizem “Religião sim, Deus não.” Embora contraditório aos olhos da maioria, existem hoje seitas que negam Deus ou relegam-No para segundo plano, tal como fazia a maioria dos Gnósticos. A Nova Era e a Igreja Cientologia são dos exemplos deste tipo de seitas. As suas propostas assentam em sessões de esclarecimento para ajudar as pessoas a se tornarem mais responsáveis com o domínio de si, com a finalidade de dominarem o espaço, o tempo e a matéria, até ao contacto com o Ser Supremo. Na Nova Era Deus não se revela na sua liberdade, mas está no cosmos, no fundo de nós mesmos. Afasta-se uma imagem monoteísta de um Deus pessoal, Criador, distinto das criaturas, Ser consciente e livre, que ao longo da história acompanha os humanos, quer escolhendo o Povo de Israel, quer enviando seu Filho Jesus. A figura de Cristo sofre uma espiritualização radical. No lugar do Evangelho do Reino está o evangelho do Aquário. A salvação faz-se pela via da espiritualidade – auto-salvação. Seitas que recusam o papel da religião: dizem “Sagrado sim, Religião não.” Estes movimentos dão muita importância à magia pelo que rigorosamente não se deveriam chamar religiosos. Contudo há uma ligação com o sagrado, que pode ser dúbia acerca da sua verdadeira identidade. A diferença está em que o homem religioso predispõe-se a acolher o sagrado, em atitude de gratuidade; e o homem mágico usa a magia como meio de manipular o sagrado a fim de adquirir poderes. São seitas manipuladoras que procuram caminhos fáceis para a felicidade. As Bem-aventuranças são invertidas.

out 26 2021

Diálogo e amizade social

»Aproximar-se, expressar-se, ouvir-se, olhar-se, conhecer-se, esforçar-se por entender-se, procurar pontos de contacto: tudo isto se resume no verbo «dialogar». Para nos encontrarmos e ajudarmos mutuamente, precisamos de dialogar… O diálogo perseverante e corajoso não faz notícia como as desavenças e os conflitos; e contudo, de forma discreta mas muito mais do que possamos notar, ajuda o mundo a viver melhor. (198).   Diálogo social para uma nova cultura Alguns tentam fugir da realidade, refugiando-se em mundos privados, enquanto outros a enfrentam com violência destrutiva, mas “entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos são povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade” (199). Muitas vezes confunde-se o diálogo com algo muito diferente: uma troca febril de opiniões nas redes sociais, muitas vezes pilotada por uma informação mediática nem sempre fiável. Não passam de monólogos que avançam em paralelo, talvez impondo-se à atenção dos outros pelo seu tom alto e agressivo. Mas os monólogos não empenham ninguém, a ponto de os seus conteúdos aparecerem, não raro, oportunistas e contraditórios (200). A difusão altissonante de factos e reivindicações nos Média, na realidade o que faz muitas vezes é obstruir as possibilidades do diálogo, pois permite a cada um manter, intactas e sem variantes, as próprias ideias, interesses e opções, desculpando-se com os erros alheios. Predomina o costume de denegrir rapidamente o adversário, aplicando-lhe atributos humilhantes, em vez de se enfrentarem num diálogo aberto e respeitoso, onde se procure alcançar uma síntese que vá mais além. O pior é que esta linguagem, habitual no contexto mediático duma campanha política, generalizou-se de tal maneira que a usam diariamente todos. Com frequência, o debate é manipulado por determinados interesses detentores de maior poder que procuram desonestamente inclinar a opinião pública a seu favor(201). A falta de diálogo supõe que ninguém, nos diferentes sectores, está preocupado com o bem comum, mas com obter as vantagens que o poder lhe proporciona ou, na melhor das hipóteses, com impor o seu próprio modo de pensar. Assim a conversação reduzir-se-á a meras negociações para que cada um possa agarrar todo o poder e as maiores vantagens possíveis, sem uma busca conjunta que gere bem comum. Os heróis do futuro serão aqueles que souberem quebrar esta lógica morbosa e, ultrapassando as conveniências pessoais, decidam sustentar respeitosamente uma palavra densa de verdade. Queira Deus que estes heróis se estejam gerando silenciosamente no coração da nossa sociedade (202).   Construir juntos O diálogo social autêntico pressupõe a capacidade de respeitar o ponto de vista do outro, aceitando como possível que contenha convicções ou interesses legítimos. A partir da própria identidade, o outro tem algo para dar, e é desejável que aprofunde e exponha a sua posição para que o debate público seja ainda mais completo. Sem dúvida, quando uma pessoa ou um grupo é coerente com o que pensa, adere firmemente a valores e convicções e desenvolve um pensamento, isto irá de uma maneira ou outra beneficiar a sociedade; mas só se verifica realmente na medida em que o referido desenvolvimento se realizar em diálogo e na abertura aos outros. Com efeito, “num verdadeiro espírito de diálogo, nutre-se a capacidade de entender o sentido daquilo que o outro diz e faz, embora não se possa assumi-lo como uma convicção própria. Deste modo torna-se possível ser sincero, sem dissimular o que acreditamos, nem deixar de dialogar, procurar pontos de contacto e sobretudo trabalhar e lutar juntos”. O debate público, se verdadeiramente der espaço a todos e não manipular nem ocultar informações, é um estímulo constante que permite alcançar de forma mais adequada a verdade ou, pelo menos, exprimi-la melhor. Impede que os vários sectores se instalem, cómodos e auto-suficientes, na sua maneira de ver as coisas e nos seus interesses limitados (203). Actualmente há a convicção de que, além dos progressos científicos especializados, é necessária a comunicação interdisciplinar, uma vez que a realidade é uma só, embora possa ser abordada sob distintas perspectivas e com diferentes metodologias. Não se deve ocultar o risco de um progresso científico ser considerado a única abordagem possível para se entender um aspecto da vida, da sociedade e do mundo. Ao contrário, um investigador que avança frutuosamente na sua análise, mas está de igual modo disposto a reconhecer outras dimensões da realidade que investiga, graças ao trabalho doutras ciências e conhecimentos, abre-se para conhecer a realidade de maneira mais íntegra e plena (204). Neste mundo globalizado, “os Mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximos uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. (…) Podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus”. Mas é necessário verificar, continuamente, que as formas atuais de comunicação nos orientem efectivamente para o encontro generoso, a busca sincera da verdade íntegra, o serviço, a aproximação dos últimos e o compromisso de construir o bem comum (205). Por Pe António Bonato

out 25 2021

JUBILEU DOS 25 ANOS DE VIDA SACERDOTAL DO PADRE RAFAEL BACIANO SAPATO

HOMILIA DO P. RAFAEL SAPATO POR OCASIÃO DO SEU JUBILEU SACERDOTAL JUNTO COM O SEU IRMÃO P. LOURENÇO MIQUEIAS Lichinga, 24 de Outubro 2021, XXX D.C. Ano B, Domingo das Missões I L. Jer 31,7-9, II L. Hebr  5,1-6; Ev. Mc 10,46-52   Antes de partilhar a minha reflexão sobre a Palavra de Deus neste XXX Domingo, Domingo das Missões, gostaria de estender a homenagem que prestamos a Mons. Miqueias aos vivos, isto é, a esta assembleia litúrgica que muito nos honra e encoraja com a sua presença, a começar pelo nosso Vigário Geral, P. Agostinho, o Magnifico Reitor do Seminário Filosófico Interdiocesano S. Agostinho, P. Joaquim Lopes, juntamente com o seu Vice, P. Samuel Bungueia, o Pároco da Sé Catedral, que acolhe esta celebração, P. Inácio Mole, os Sacerdotes diocesanos de Lichinga e os Missionários em Lichinga, de modo particular os últimos a ser ordenados na nossa Diocese, P. Abel e P. Isaias, o P. Francisco Alves de Nacala, as Irmãs Religiosas nativas, Missionárias ao serviço da Diocese de Lichinga e as que vieram de Quelimane (Representante das Irmãs Agostinianas, Ir. Gabriela e das Irmãs deNossa Senhora da Visitação, Ir. Celeste), as Entidades de Estado e Governo no Niassa,da Edilidade de Lichinga,  e do Distrito de Chimbunila, o Professor Machona de Nampula, as delegações das Paróquias da cidade de Lichinga, Catedral, Cerâmica e Nzinge, os convidados, o coro e todas as pessoas que aqui vieram rezar conosco. O trecho do livro de Jeremias que acabamos de escutar, numa das suas passagens diz: Fazei ouvir os vossos louvores. É o objetivo desta celebração. Porque Jubileu significa Júbilo, louvor.  Motivos para louvor e júbilo são muitos. Senão vejamos: O cego Bartimeu depois de ter sido curado seguiu Jesus, o meu irmão, P. Miqueias e eu próprio, depois de termos sido curados  da cegueira espiritual, por Jesus, por intermédio de pessoas que ele quis que fizessem parte da nossa história, ele aceitou que lhe seguíssemos durante 25 anos. E como diz o Salmista hoje “Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, parecia-nos viver um sonho“. Também, para nós, dizer que estamos a celebrar 25 anos de seguimento ao Senhor, parece-nos viver um sonho. Ser aceite por Jesus para fazer parte da sua companhia, sem dúvidas, é motivo de jubilo, louvor que Jeremias pede na primeira leitura deste domingo. Quantos não se emocionam quando são convidados pelo seu superior hierárquico, para integrar a sua delegação ou o seu governo? Jesus é mais que superior hierárquico, porque é Deus. No processo da cura do cego Bartimeu há alguns aspectos dignos de serem refletidos. Ele ouve Jesus a passar, grita pedindo socorro, muitos lhe repreendem, mas quando Jesus pára e manda chama-lo,  chamaram o cego e disseram, “Coragem! Levanta-te, que ele está a chamar-te!“. Nós também ouvimos Jesus a passar nos locais onde estudávamos, e gritamos “Filho de David, tem piedade de nós”. Muitos nos repreenderam mas houve aqueles que  nos disseram: coragem! Levanta-te, que ele está a chamar-te. Gostaria de começar  por este último aspecto na nossa vocação. Houve intermediários que nos encorajaram para chegarmos ao Filho de David, sermos curados da cegueira espiritual por ele e lhe seguirmos ao longo destes anos todos. Doutro modo, não estaríamos hoje a celebrar 25 anos de sacerdócio. Estou a falardos nossos parentes, promotores vocacionais, formadores nas várias etapas, as várias pessoas envolvidas na nossa formação, os Bispos de Lichinga, nomeadamente, D. Luís, de eterna memória, D. Hilário, D. Elio, agora D. Atanásio,  e fora de Lichinga, os nossos párocos, os irmãos no Sacerdócio, as Irmãs Religiosas, as comunidades cristãs, Paróquias e locais de trabalho onde passamose estamos, amigos benfeitores e conhecidos. Por todos esses queremos com Jeremias fazer ouvir os nossos louvores. Para que fim Jesus nos curou e aceitou que lhe seguíssemos por 25 anos? Responde o autor da carta aos Hebreus,no trecho que escutamos hoje: “Todo o sumo sacerdote escolhido dentre os homens, é constituído em favor dos homens nas suas relações com Deus para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados “. Os termos de referência da nossa missão são mais que claros. Durante estes 25 anos algo o Senhor fez por nosso intermédio. O Senhor, por nosso intermédio, ajudou a encorajar aqueles que precisavam de encorajamento, algumas vocações saíram desse encorajamento.  Por isso tudo queremos com Jeremias soltar brados de alegria. Jubileu é também momento de pedido de perdão. Durante o retiro de preparação para esta celebração, o qual foi pregado por D. António Juliasse, Bispo Auxiliar de Maputo e Administrador Apostólico de Pemba, na Paróquia de S. António de Mbemba, Diocese de Lichinga, fizemos um profundo exame de consciência o qual nos ajudou a descobrir que parece temos mais motivos para pedir perdão ao Senhor e ao seu povo do que de louvor. O trecho da Carta aos Hebreus de hoje diz “ele pode ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados porque também ele está revestido de fraqueza“. Houve momentos que não fizemos assim, pelo contrário revelamos impaciência e intransigência. A todos aqueles que maltratamos, o que é contra a atitude de Jesus, perdão. Quando o cego Bartimeu gritava a pedir socorro de Jesus, muitos lhe repreendiam. Houve momentos que nós também repreendemos até desanimar pessoas a quem erámos supostos encorajar e animar, sorry. O cego Bartimeu quando foi chamado por Jesus, deitou a capa ou manto, o que lhe identificava como mendigo credenciado, segundo os procedimentos daquele período, gesto que revela mudança radical. Aqui há diferença conosco. Pelo facto que não foram poucos os momentos que nós quisemos recuperar a nossa capa, decepcionando e mesmo escandalizando o povo. E o Senhor em alguma parte da Escritura já advertiu: Ai daquele que escandalizar um desses pequeninos… (Mt 18,6). E nós já escandalizamos. Certamente, alguém esteja a perguntar, porquê então, assim procederam, sabendo? O autor da carta aos Hebreus já explicou: estamos também revestidos de fraqueza. Por estas situações todas nebulosas e pouco felizes, imploramos misericórdia do Senhor e pedimos imensas desculpas a todos aqueles que sofreram com

out 24 2021

Um ministério renovado para uma Igreja missionária

“O ministério do Catequista na Igreja é muito antigo”. Com esta consideração, o Papa Francisco institui para a Igreja o ministério do catequista que, no entanto, sempre acompanhou o caminho da evangelização em todos os tempos e em todos os lugares e foi consagrado o papel do catequista missionário dentro da Igreja. O documento “Antiquum Ministerium” (AM) alarga as fronteiras da ministerialidade dentro da Igreja, colocando o ministério do catequista no horizonte de uma pluralidade de funções expressa “no serviço de homens e mulheres que, obedientes à acção do Espírito Santo, dedicaram a sua vida à edificação da Igreja” (AM,2).   Ministério laical Embora o texto reconheça a actividade da catequese como um ministério enraizado na longa história da Igreja, liga-o expressamente à condição “laical”. Esta forma específica de apresentar o ministério do catequista não é neutra: falar do “ministério laical do catequista” significa associá-lo a uma condição específica do cristão, que está marcada no fundamento jurídico da codificação canónica. As citações dos documentos do Concílio Vaticano II e do Código de Direito Canónico indicam como, em geral, o motu próprio fala dos leigos com referência aos cristãos que “não são membros da sagrada Ordem” (Lumen Gentium, 31) e são qualificados por um exercício do apostolado que “possui uma indiscutível valência secular” (AM,6). A catequese é, por assim dizer, “reservada” sobretudo para aqueles que se encontram na condição canónica específica de “leigo” e definida, na sequência da Lumen Gentium 33, em termos de uma colaboração dos leigos ao apostolado da hierarquia. De facto, o documento afirma que: “Hoje em dia, em razão da escassez de clero para evangelizar tão grandes multidões e exercer o ministério pastoral, o ofício dos catequistas tem muitíssima importância” (AM, 4). Aqui surge uma pergunta: e se não houvesse escassez de clero, tal ofício teria a mesma importância?   Povo de Deus Neste sentido, o documento AM parece colocar-se em continuidade com uma certa linguagem do Concílio Vaticano II e transmitir uma ideia de Igreja na qual a noção do Povo de Deus permanece marcada por uma articulação jurídica entre leigos e clérigos, que dá a estes últimos uma primazia qualitativa que se torna vinculante. Todavia, o texto do motu próprio dá também um passo em frente em relação à mesma eclesiologia conciliar no que diz respeito à natureza dos ministérios, ao seu fundamento teológico e à sua função na vida da Igreja. Fá-lo nos dois primeiros números do documento, que são apresentados como um comentário articulado do Capítulo 12 da 1ª carta de Paulo aos Coríntios, 28-31. O texto Paulino é muito mais do que uma lista de funções desempenhadas dentro da Igreja: pelo contrário, ele traça o exercício de certas tarefas dentro da comunidade a partir de carismas que são um dom do Espírito. É o Espírito, de facto, que actua através das obras dos cristãos, numa manifestação que visa o bem comum (1Cor 12,7). Esta conclusão é aprofundada na passagem sucessiva do AM, onde se encontra a outra citação do mesmo Capítulo 12 da 1ª carta de Paulo aos Coríntios 4-11. Este texto não coloca a questão de quais ministérios distribuir na Igreja e a quem, mas reconhece que o carisma, que é o fundamento dos ministérios, é um dom do Espírito e que a Igreja como comunidade é chamada a reconhecer a presença destes carismas dentro dela e a encorajar uma vocação ao ministério que é fundada no Baptismo, e portanto própria de cada cristão. Neste sentido, o motu próprio torna-se também uma progressão do Concílio Vaticano II em dar uma definição “em positivo” da condição canónica de leigo, que já não é “o cristão sem o ministério ordenado”, mas alguém a quem se pode atribuir um ministério específico, no nosso caso, o de catequista.   Além do legalismo É preciso reconhecer que o Concílio Vaticano II, na sua reflexão eclesiológica sobre o Povo de Deus, “intui” um ministério baptismal, que não é necessariamente fundamentado na sacralização de uma determinação jurídica. No entanto, a construção e elaboração de um conceito e de um vocabulário adequado para dar voz à consciência teológica de uma Igreja que se reconhece como Povo de Deus e que se afirma enraizada no Baptismo, permanece, ainda hoje, algo inacabado. Isso desafia não só os teólogos mas todos os baptizados, porque envolve o mandato de toda a Igreja e a acção do mesmo Espírito que “realiza tudo em todos” (1Cor 12,6), e fundamenta a diversidade de carismas e ministérios. É por isso que os primeiros dois números do AM representam o elemento mais teologicamente relevante neste itinerário de amadurecimento eclesial. Eles explicitam, na linguagem do Novo Testamento, os fundamentos de um ministério que brota da “aspiração” à qual todos os baptizados são chamados, confirmando que os dons do Espírito são dispensados entre todo o povo de Deus. Este facto torna a ministerialidade não como algo reconhecido e promovido pelos clérigos (CIC cân. 275 §2), mas o acto eclesial de garantir a presença dos carismas dados pelo Espírito e colocados ao serviço da Missão de Deus, para a vinda do Seu Reino. Toda a comunidade está chamada ao seguimento de Cristo. Por essa razão, não se deve pensar a dimensão ministerial apenas a partir de cima, a partir de uma hierarquia. É necessário vê-la a partir de baixo, a partir dos carismas, dos serviços e dos ministérios que, com a força do Espírito Santo, vão edificando o Corpo de Cristo. Nisso, a importância dos ministérios e a sua renovação não resulta da falta de sacerdotes, mas da “renovada consciência da evangelização no mundo contemporâneo” (AM, 5). Aqui insere-se aquela “transformação missionária” que deve abraçar todas as realidades da Igreja.   BOX Por conseguinte, como afirma o documento: “Receber o ministério de Catequista imprime uma acentuação maior ao empenho missionário típico de cada um dos baptizados que, no entanto, deve ser desempenhado de forma plenamente secular, sem cair em qualquer tentativa de clericalização” (Antiquum Ministerium, n. 7). Nesta afirmação, encontra-se a novidade trazida por este ministério: homens e mulheres são

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