DECLARAÇÃO DE ANCHILO
O grupo de trabalho de “Filosofia Intercultural e Inter-religiosa”, reunido no âmbito do “Simpósio de Diálogo Inter-Religioso” na cidade de Nampula, nos dias 2 e 3 de Setembro, nas instalações do Centro Cultural da UniRovuma e em Anchilo no dia 4 de Setembro, nas instalações do Centro Catequético Paulo VI de Anchilo, declara ter alcançado com sucesso, o compromisso de implementar os resultados alcançados em todos os debates nas várias esferas da sociedade moçambicana. Tais resultados se resumem no estabelecimento de plataformas educacionais e de difusão e acesso de informações e conteúdos visando alcançar uma convivência inter e multi religiosa em que o conhecimento mútuo entre todas as confissões religiosas seja a base para o respeito e a tolerância. Para alcançar tal feito, o grupo de trabalho e organizações parceiras assumiram determinados compromissos, a saber: O MASC em parceria com Instituições religiosas de âmbito local e nacional se responsabilizam na produção de materiais didáticos para as madrassas e escolas catequéticas e afins; A Universidade Rovuma assumiu a responsabilidade de abrir espaço para acolher e ministrar cursos de formação de formadores em matéria de educação religiosa; O Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos comprometeu-se a levar a discussão e os resultados alcançados ao fórum governamental; O grupo de trabalho de “Filosofia Intercultural e Inter-Religiosa” comprometeu-se a continuar com o seu trabalho fazendo mais e melhor visando expandir-se para outras províncias do país e ao mesmo tempo atraindo mais crentes de todas as confissões religiosas e participantes dentro da academia e sociedade civil; A Televisão de Moçambique (TVM) e a Rádio Moçambique (RM) assumiram o compromisso de abrir espaços nas suas grelhas de programações para acolher programas que discutam e divulguem informações e conhecimentos sobre as várias religiões e sobre a convivência pacífica entre os seus crentes, Os grupos de trabalho das três províncias comprometem-se a levar as discussões assim como os resultados alcançados aos distritos de suas respectivas províncias, por exemplo: Cabo Delgado que tem brochuras educativas e informativas já elaboradas, comprometeu-se em usar da sua experiência e levar essas informações às comunidades: Niassa-Cuamba que tem os manuais curriculares para as madrassas já elaborados, comprometeu-se a partilhar com os demais e está aberta a outras experiências; Nampula, através do Padre Mássimo do Centro Catequético Paulo VI assumiu a vontade de hospedar os cursos de formação de Professores e líderes religiosos numa perspectiva inter-religiosa e intercultural. Os três grupos provinciais assumiram a responsabilidade de elaborar brochuras com citações sobre PAZ extraídas das escrituras sagradas (Qur’an, Bíblia e outras). Tais citações serão também integradas nos manuais de ensino religioso. Para a elaboração de manual sobre o “Mínimo Ético”, voluntariaram-se o Padre Eduardo (Pemba), o Sheikh Omar (Niassa) e o Sheikh Jamal (Nampula), com o compromisso de assegurar o início dos trabalhos com a maior brevidade: O IESE, o MASC, a UniRovuma, e o CPS, comprometera-se a colaborar para estender de diferentes maneiras, o movimento do diálogo inter-religioso e intercultural para as províncias do centro e sul do país assim como em promover a convivência na diferença. Anchilo, 04 de Setembro de 2022 Declaração de Anchilo_220912_080041
set 07 2022
QUEM FOI A IRMÃ MARIA DE COPPI
Irmã Maria De Coppi, missionária comboniana, nasceu em 1939 numa aldeia do nordeste da Itália, Santa Lucia di Piave. A irmã Maria pertencia à comunidade das Missionárias Combonianas na missão de Chipene (Memba) e estava há 59 anos em Moçambique, onde chegou pela primeira vez em 1963. Ela passou por várias missões: Anchilo, Meconta, Alua e Chipene, onde esteve a trabalhar na pastoral paroquial e, particularmente, dedicando-se à formação das mulheres. A esperança e o testemunho de Jesus em alguns dos lugares mais pobres da terra sempre foi a missão da Irmã Maria De Coppi. Numa recente entrevista afirmou: «Procuro estar perto das pessoas sobretudo ouvindo o que me dizem. Apesar da pobreza material, ouvir os outros continua sendo um grande dom, é reconhecer sua dignidade”. Ela contou que muitas vezes dirigia a Deus uma oração aprendida com Dom Manuel Vieira Pinto, falecido bispo de Nampula quando foi expulso de Moçambique antes da Independência, que assim dizia: «Agradeço-te ó Pai, porque me enviastes aos mais pobres, aos marginalizados e aos que não contam nada!». Neste momento muitos são os interrogativos que surgem no coração dos homens e das mulheres de boa vontade: porque é que acontece tudo isto? Porque tanto sofrimento assim? Porque tantas mortes inocentes? Quem é que nos vai responder? algumas fotografias da tragédia
set 07 2022
7 de Setembro ataque á Missão e ao Posto Administrativo de Chipene
5.00h Aprendemos a trágica notícia do ataque ao Posto Administrativo de Chipene (Memba-Nampula) e, em particular na Missão católica onde residem 2 missionários fidei donum italianos e uma comunidade das Irmãs Missionárias Combonianas. Mensagem recebida por wap ontem à noite: «Nesta noite estamos sofrendo e rezando junto com todo o povo de Chipene. Os terroristas (não sei como chama-los) atacaram a missão pelas 21 horas. As notícias são poucas e é difícil saber os particulares. Foi queimado o hospital, a casa das irmãs, a igreja. Até este momento são poucas as noticias das irmãs. Estamos juntas com muita oração para pedir a Deus de proteger a todas e todos». Infelizmente teme-se pela sorte duma Irmã Comboniana em quanto que os padres e as outras irmãs conseguiram fugir. Até neste momento não há informação de outras vítimas deste ataque nem há noticias confirmadas acerca da situação por causa das dificuldades na comunicação. Iremos acompanhar a situação ao longo do dia. 7.00h Embora não seja ainda oficialmente confirmada a notícia da morte duma irmã no ataque á missão de Chipene, a maioria das testemunha confirma que a Ir. Maria de Coppi foi assassinada na mesma noite do ataque. 10h Pe. Lorenzo, missionário Fidei Donum pároco da missão de Chipene enviou a seguinte mensagem para o Sr. Bispo de Nacala Dom Alberto: «Fomos assaltados esta noite, acho a partir das 21 horas. A irmã Maria (de Coppi) foi logo matada com um tiro na cabeça. As outras conseguiram fugir, assim como as últimas meninas que estavam no Lar. Todos os rapazes do lar já tinham saído. Os padres foram “poupados”. Estamos a organizar o enterro da irmã e procuramos sair de Chipene. Tudo foi queimado e ainda está a arder». (foto é do arquivo Vat news)
set 05 2022
Partilhar a responsabilidade pela nossa missão comum
A sinodalidade está ao serviço da missão da Igreja, na qual todos os membros são chamados a participar. Uma vez que somos todos discípulos missionários, como é que cada baptizado é chamado a participar na missão da Igreja? O que impede os baptizados de serem activos na missão? Que áreas da missão estamos a negligenciar? Como é que a comunidade apoia os seus membros que servem a sociedade de várias formas (envolvimento social e político, investigação científica, educação, promoção da justiça social, protecção dos direitos humanos, cuidados com o ambiente, etc.)? Como é que a Igreja ajuda estes membros a viverem o seu serviço à sociedade de forma missionária? Como e por quem é feito o discernimento sobre as escolhas missionárias? Diálogo na igreja e na sociedade O diálogo exige perseverança e paciência, mas também permite a compreensão mútua. Até que ponto as diferentes pessoas da nossa comunidade se reúnem para o diálogo? Quais os lugares e os meios de diálogo no seio da nossa Igreja local? Como promovemos a colaboração com dioceses vizinhas, comunidades religiosas da nossa área, associações e movimentos laicais, etc.? Como abordamos as divergências de visão ou os conflitos e dificuldades? Quais as questões particulares na Igreja e na sociedade a que temos de prestar mais atenção? Que experiências de diálogo e colaboração temos com crentes de outras religiões e com as pessoas que não têm filiação religiosa? Como é que a Igreja dialoga e aprende com outros sectores da sociedade: as esferas da política, da economia, da cultura, da sociedade civil e das pessoas que vivem na pobreza? Ecumenismo O diálogo entre cristãos de diferentes confissões, unidos pelo único baptismo, tem um lugar especial no caminho sinodal. Que relações têm a nossa comunidade eclesial com membros de outras tradições e confissões cristãs? O que partilhamos e como caminhamos juntos? Que frutos colhemos do nosso caminho em conjunto? Quais as dificuldades? Como podemos dar o próximo passo para caminharmos uns com os outros? Autoridade e participação Uma Igreja sinodal é uma Igreja participativa e co-responsável. Como é que a nossa comunidade eclesial identifica os objectivos a prosseguir, a forma de os alcançar e os passos a dar? Como é exercida a autoridade ou a governação no seio da nossa Igreja local? Como pomos em prática o trabalho de equipa e a co-responsabilidade? Como e por quem são orientadas as avaliações? Como se tem promovido os ministérios laicais e a responsabilidade dos leigos? Tivemos experiências frutuosas de sinodalidade a nível local? Como funcionam os órgãos sinodais a nível da Igreja local (Conselhos Pastorais nas paróquias e dioceses, Conselho Presbiteral, etc.)? Como podemos promover uma abordagem mais sinodal na nossa participação e liderança? Discernimento e decisão Num estilo sinodal tomamos decisões através do discernimento do que o Espírito Santo está a dizer-nos através de toda a nossa comunidade. Que métodos e processos utilizamos na tomada de decisões? Como podem ser melhorados? Como é que promovemos a participação na tomada de decisões no seio de estruturas hierárquicas? Os nossos métodos de tomada de decisões ajudam-nos a escutar todo o Povo de Deus? Qual a relação entre consulta e tomada de decisões? E como as pomos em prática? Que instrumentos e procedimentos utilizamos para promover a transparência e a responsabilidade? Como podemos crescer no discernimento espiritual comunitário? Formar-nos na sinodalidade A sinodalidade implica receptividade à mudança, formação e aprendizagem permanente. Como É que a nossa comunidade eclesial forma pessoas mais capazes de “caminharem juntas”, de se ouvirem umas às outras, de participarem na missão e de se empenharem no diálogo? Que formação é dada para fomentar o discernimento e o exercício da autoridade de forma sinodal? O website do Sínodo apresenta algumas sugestões sobre a forma de colocar estas questões a vários grupos de pessoas de forma simples e envolvente. Cada diocese, paróquia ou grupo eclesial não deve ter como objectivo fazer a cobertura de todas as questões, mas deve discernir e concentrar-se nos aspectos da sinodalidade mais pertinentes para o seu contexto. Os participantes são encorajados a partilhar as suas experiências da vida real com honestidade e abertura e a reflectir em conjunto sobre o que o Espírito Santo estará a revelar através do que partilham uns com os outros. Uma palavra de gratidão Uma palavra sincera de gratidão a todos aqueles que organizam, coordenam e participam neste Processo Sinodal. Guiados pelo Espírito Santo, nós somos as pedras vivas com as quais Deus edifica a Igreja que deseja para o terceiro milénio (1Pd 2,5). Que a Santíssima Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja, interceda por nós, ao percorrermos juntos este caminho que Deus nos propõe. Que os seus cuidados maternais e a sua intercessão nos acompanhem, como no Cenáculo de Pentecostes, na construção da nossa comunhão uns com os outros e na realização da nossa missão no mundo. Com ela, dizemos juntos como o Povo de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38).
set 02 2022
Papa Francisco e o dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação – 1/9/22
«Escuta a voz da criação» é o tema e o convite do «Tempo da Criação» deste ano. O período ecuménico começa no dia 1 de setembro com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e termina a 4 de outubro com a festa de São Francisco. É um momento especial para todos os cristãos, a fim de orarmos e cuidarmos, juntos, da nossa casa comum. Inspiração originária do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, este «Tempo» é uma oportunidade para aperfeiçoarmos a nossa «conversão ecológica», uma conversão encorajada por São João Paulo II como resposta à «catástrofe ecológica» pressagiada por São Paulo VI já em 1970…… mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelo cuidado da criação 2022
ago 30 2022
A IMBISA CAMINHANDO COM O SEUS JOVENS
A Associação Inter-regional dos Bispos da África Austral (IMBISA) prepara-se para celebrar a sua XIII Assembleia Plenária de 22 a 27 de Setembro de 2022 em Windhoek, Namíbia. A mesma tem como tema: Construindo juntos-Reimaginando o envolvimento da Igreja com os Jovens na Região da IMBISA à luz da Exortação do Papa Francisco, Christus Vivit. Esta Plenária conta com a participação dos representantes dos Jovens dos Países que fazem parte da IMBISA. A Constituição dogmática Lumen Gentium define a Igreja como povo de Deus em marcha ao afirmar que «Assim a Igreja toda aparece como «um povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo»(LG 4), por sua vez a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa define a Igreja que está em África como familia de Deus (EA 63), pensamento retomado no Documento de Kampala. Na família todos contam, aliás este é o espírito do Sinodo sobre a Sinodalidade convocado pelo Papa Francísco subordinado ao tema: Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão, cujo processo de preparação pretende envolver todos.Caminhar juntos, é o espírito da IMBISA desde a sua fundação que agora caminha a passos largos para o seu Jubileu de Ouro. Foi guiados pelo mesmo espírito de uma Igreja família procurando consolidar a sinodalidade que pensaram em convidar os Jovens para a próxima Plenária. É típico de uma boa família que todos os membros estejam envolvidos nos acontecimentos que dizem respeito à familia, cada membro de acordo com o seu lugar na família. A exemplo da Santíssima Trindade onde não há confusão nem superposição de papeis, pois as três pessoas divinas entrepenetram-se num relacionamento harmonioso. Na Santíssima Trindade o Pai se relaciona com o Filho com espírito paterno e o Filho com o Pai com o espírito filial. Portanto, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, está sempre presente. O mesmo se dá na família, pois os pais agem como pais.Interagem com os filhos com o espírito paterno, por sua vez os filhos agem como filhos, isto é, interagem com os pais com espírito filial. O que une os pais e os filhos ou está sempre presente nos pais e nos filhos, é o espírito de família, expresso mormente pela escuta, valorização dos pontos de vista, preocupações e partilha de bons momentos e também dos desafios de todos os membros da família. Os jovens na IMBISA durante o encontro pré-sinodal que teve lugar de 19 a 24 de Março de 2018 em Joanesburgo, África do Sul, exprimiram na sua mensagem o desejo de serem consultados em decisões e assuntos que afectem os jovens, bem como serem guiados no desempemnho de responsabilidades e tarefas. Pediram que lhes seja dada a possiblidade de se expressarem na Igreja. Julgo constituir motivo de alegria o facto de os jovens clamarem pela inclusão ou por um papel mais relevante na vida Igreja. Que não sejam somente cumpridores ou consumidores das decisões dos adultos. Querem se sentir parte integrante da Igreja hoje e não só no futuro como se costuma ouvir. De facto todos somos Igreja hoje, desde crianças até adultos. Nenhuma camada social ou faixa etária está à espera da sua vez para ser Igreja. Os jovens, com o seu vigor físico, sua capcidade imaginativa e inovativa podem fortalecer mais a sua família, a Igreja. Pois há trabalhos que só os adultos podem e há também aqueles que só os jovens podem. Há coisas que os adultos sabem mas dada a fragilidade física não podem realizar e por sua vez os jovens há coisas que não sabem, mas com a sua vantagem física sabendo podem fazer. Em geral, a conjugação de esforços ou a sinergia tem como resultado o fortalecimento ou consolidação de qualquer que seja o empreendimento, neste caso é o fortalecimento da nossa família, a Igreja. A união faz a força e como diz diz a sabedoria africana ‘a união do rebanho obriga o leão a dormir com fome’. Pedro na Sagrada Escritura nos alerta: « Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda à volta, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé» (1Pe 5,8-9). A nossa sociedade é chamada a enfrentar o demónio que anda à solta como leão que ruge e o melhor antídoto para essa constante ameaça é a união, cada um de acordo com as suas forças. O convite dos Bispos da IMBISA aos jovens da região austral da África para a Plenária, não só expressa o seu elevado espírito de família e de sinodalidade como também é uma evidência que estão sintonizados com o Papa Francísco, que,com o seu grande espírito de pastor, deu um grande exemplo de consideração aos jovens, convocando um Sínodo para os Jovens, o qual deu origem à Exortação apostólica pós-sinodal Christus Vivit, a carta magna para a Pastoral Juvenil e o Secretariado da IMBISA, inspirando-se no mesmo documento, concebeu um manual intitulado Manual da Pastoral juvenilcomo um instrumento de comunhão para a sua região procurando dar o seu contributo no projecto de construção da sinodalidade. No seu documento o Santo Padre aponta uma pastoral sinodal para os jovens.Pois Francisco defende uma pastoral juvenil que conta com com os jovens, aliás, eles são os protagonistas. Na Sagrada Escritura não faltam passagens ondeos jovens são protagosnistas. Como é o caso do jovem que se dirigiu a Jesus preocupado com a vida eterna, ou por outras palavras com a sua salvação e Jesus interagiu com ele com paciência e consideração (Mt 19,16-30), dando exemplo que todos contam. Rafael Sapato (rafaelbacianosapato@gmail.com)
ago 18 2022
O Clero Diocesano de Nampula faz balanço positivo do decurso do seu retiro espiritual
Para reflectir em torno do tema “o Sacerdócio Ministerial que eu carrego é segundo o coração de Jesus Cristo ou segundo o meu coração?”, o Clero Diocesano de Nampula encontrava-se reunido de retiro nas instalações do Centro Catequético de Paulo VI de Anchilo, da última terça-feira para quarta (16-17/08). Fazendo o balanço, por ocasião do encerramento daquele exercício espiritual, nesta quarta-feira, o padre Benvindo Tápua, Director espiritual do Clero, disse não estar arrependido ter participado do retiro, pois foi ao encontro das expectativas em tratar da vida sacerdotal: “as nossas expectativas foram respondidas positivamente, porque tratamos da vida sacerdotal e não de questões de teoria […], mas da realidade a mostrar que o que está na sagrada Escritura de facto leva-nos a concretizar na vida. Então foi positivo este retiro, e o tema foi bastante sugestivo, e envolveu mesmo a nossa vida do dia-a-dia”. Por seu turno, o padre Adelino Lopes, diocesano de Lichinga e de apenas 7 anos de sacerdócio, que pregou o retiro, disse ter sido um desafio pregar aquele retiro a um grupo de sacerdotes mais velhos na ordem de experiência pastoral, ao mesmo tempo que afirmou que o retiro serviu para o próprio crescimento e instou a que os padres sejam o modelo para a conversão do mundo: “trouxe-me um desafio quando essa proposta chegou, como, de facto, vou fazer? Pregar retiro, sendo mais novo, mas depois ganhei coragem. Os padres devem ser modelo para conversão do mundo”. O padre Avelino Arlindo, Decano Do Clero Diocesano de Nampula, falando à margem do encerramento do retiro, enfatizou que o retiro foi de grande relevo, pois abriu espaço para ver o horizonte de amanhã: “foi de grande relevo recordar, os documentos já estudados, a bíblia, os Decretos Presbyterorum Ordinis, mas cada palavra pronunciada por um irmão constitui uma novidade”. O padre Avelino não poupou, em suas palavras, mencionar os desafios que apoquentam o ministério sacerdotal nos dias actuais, com destaque para a globalização, a multiplicação das seitas religiosas e a observância dos conselhos evangélicos, como a pobreza, a castidade e a obediência. Por Serafim João Muacua
ago 16 2022
O porta-voz da Arquidiocese de Nampula, Pe. Pinho dos Santos Martins, faz um balanço positivo da realização da peregrinação ao Santuário de Meconta no último final-de-semana
Avaliando o grau de envolvimento dos fiéis nos preparativos daquele acto de fé, o porta-voz confessou que “o nível organizacional permitiu que a cerimónia decorresse sem sobressaltos”. Ademais, o clérigo sublinhou que este foi o evento com maior número de participantes se comparado com os anteriores e que tudo correu bem, entretanto sem registo de incidentes. Para terminar a sua alocução, o sacerdote endereçou palavras de gratidão a todos que, directa ou indirectamente, participaram da festa da peregrinação ao Santuário, pois as suas orações ajudaram bastante. Por: César Rafael
ago 16 2022
Presença de fiéis católicos na peregrinação ao Santuário de Meconta bate recorde na Arquidiocese de Nampula
O santuário Santa Maria, Mãe do Redentor, no distrito de Meconta, província de Nampula, acolheu este final de semana (13-14/08), a peregrinação mais concorrida de sempre. De acordo com Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula, que presidiu ao grande evento de oração e de encontro com Deus, a grande presença registada dos fiéis superou a peregrinação de 2019. Os fiéis presentes na cerimónia, que há dois anos não participaram da peregrinação por contas da covid 19, manifestaram a sua alegria e mataram a sede de se encontrarem com Deus e com os irmãos. Seus desafios concretos foram de orar e continuar a orar pela conversão dos protagonistas do terrorismo em Cabo Delgado e noutros ângulos do mundo, para que por força de Deus se juntem aos fiéis para que, de uma vez por todas, as armas se calem e o sofrimento seja uma palavra inexistente rumo à reconciliação e paz efectiva. Já na missa vespertina da solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, Dom Inácio Saure começou por explicar o sentido daquela solenidade da Assunção da Virgem Maria: “olhamos para o belo exemplo daquela que soube, mais do que ninguém, acolher a palavra de Deus e pô-la em prática”. O prelado sublinhou, na sua homilia, que a Virgem Maria é a salvação do povo de Deus: “o triunfo da Maria será o triunfo do povo de Deus, o fim último desta cerimónia”. De acordo com o Arcebispo, a peregrinação é a possibilidade de exprimir a sua fé em comunidade dos fiéis em marcha e que permite concentrar-se e dar forma a uma busca de Deus, julgada cada vez mais difícil no ritmo ordinário do dia-a-dia da vida. Por: César Rafael
ago 14 2022
Missão é partir: idade é uma experiência e não obstáculo
No Evangelho de são Mateus 28,19-20, o Mestre diz: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco, todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém”. As experiências de várias pessoas de diferentes nacionalidades que partem à Missão e se encantam com o povo autóctone marca para toda vida. É assim que sente a Ir. Elisa, religiosa Pastorela de 83 anos de idade. No ano de 2000, início do terceiro milênio, um grupo formado por quatro religiosas, italianas, da Congregação de Jesus, o Bom Pastor, Pastorelas, chegava nas terras de Moçambique, especificamente, na diocese de Pemba, em Cabo Delgado. A juventude e o ardor missionário caracterizava as quatro mulheres com o carisma de Jesus o Bom Pastor, para animar as paróquias, como prioridade e ofício. Não são “párocos”, mas “auxiliadoras” diretas dos párocos, os agentes e atividades pastorais. Numa diocese que contava com poucas congregações, um novo instituto religioso se fazia presente com a chegada das Irmãs: Dina, Rosângela, Elisa e Lucia. A pedido de Dom Tomé Makhwèliha, então bispo de Pemba, as Pastorelas se instalaram na paróquia da Sé Catedral de São Paulo, cidade de Pemba. Depois de longo período sem nenhuma formação profunda de catequistas, as Pastorelas foram encarregues a levar a cabo a tarefa de passar em todas as paróquias animando o povo com novos modelos de ensinar a catequese e testemunhar o Evangelho de Cristo. Conheceram a diocese e encontraram várias pessoas de culturas e etnias diferentes. Enquanto duas: Dina e Lucia partiam para às paróquias e aldeias longe da cidade, Rosângela e Elisa ficavam em Pemba, contudo com outras incumbências: auxílio no seminário diocesano, apoio aos pobres e cuidado da pequena livraria católica. Aos poucos, as consagradas foram se instalando na diocese e na cidade de Pemba. Com o término da construção da casa e instalação da comunidade religiosa oficial, fixaram-se em Gingone, um dos bairros de Pemba, espaço que acolheu por muitos anos a maior e única biblioteca-livraria privada. Os anos passaram, as mudanças bateram a porta e as irmãs pioneiras foram se separando para outros compromissos em destinos diferentes. Algumas estão na Itália e outras em Pemba animando as irmãs nativas e as jovens formandas. Um dado fundamental que nos leva a fazer este artigo de agradecimento e encorajamento, é a perseverança e ousadia da Ir. Elisa, uma das pioneiras. Ir. Elisa, tímida aparentemente, bastante humilde, a *”Dulce dos Pobres”* de Pemba, de poucas palavras e muita ação, já retornou a Pemba depois de aproximadamente dois anos fechada na Itália. Quando foi a Itália de férias e cuidar um pouco de sua saúde, Ir. Elisa já havia celebrado os 80 anos de vida bem vivida e doada, o “Jubileu de Diamante” da Vida consagrada a Deus e nas Pastorelas, cerca de vinte anos de Missão na diocese de Pemba e uma larga experiência no trabalho pastoral e social com os pobres e marginalizados, particularmente, as mulheres carentes de Pemba e arredores. Por causa da COVID-19 e da guerra em Cabo Delgado, norte de Moçambique, quando mais os anos foram se passando, a ideia de que a religiosa “velhinha” não voltaria parecia fixa na mente das pessoas. A saudade apertava no coração, no entanto, o agradecimento a Deus pela vida e vocação da Ir. Elisa perpassava na vida de todas pessoas que a conhecem. Não obstante a todos os fatores que contribuiriam para a Ir. Elisa não voltar a Moçambique, principalmente pela idade, fomos surpreendidos com a notícia do seu retorno: mais animada e entregue aos desígnios de Deus como se uma religiosa juniora se tratasse. Às 16h, horário da Itália, do dia 23 de Junho de 2022, ligamos como de costume a nossa amada irmã. Atende o telefone com dúvida se era ligação a partir de Moçambique ou outro lugar, ela pergunta: ” tu ligas donde, onde estás?” Antes de terminarmos a resposta, a missionária anuncia com muita alegria que em agosto deste ano, já vai a Pemba. Porque nas conversas anteriores já mostrava essa vontade de voltar a Moçambique apesar da resistência das superioras, familiares e amigos, não ficamos tanto surpresos quando a Ir. Elisa anunciou a viagem. Na tentativa de desanima-la, tem gente que insistia e insiste em perguntar a irmã o que fará na África? Uma pergunta que perde sentido olhando a dimensão missionária que não deve se restringir em fazer. Missão é partir não obstante ao fator idade Missão é deixar que o Senhor envie a pessoa para onde quer que o missionário ou a missionária vá e esteja para testemunhar o Amor de Deus. Missão é não focar nos problemas mas transformá-los em desafios do projeto da Evangelização. Missão é não se limitar pela idade, riqueza ou pobreza, clima, e formação. Missão é seguir para frente a exemplo dos setenta e sete discípulos que foram dois a dois às povoações enviados pelo Mestre Jesus. Missão é compreender que quem parte leva o Evangelho e o dono da Messe estará sempre presente. Missão é ir ao encontro do outro para partilhar a vida. Missão é fazer como a irmã dos pobres, nossa Elisa, apesar dos mais de oitenta anos, vai ao encontro do seu primeiro amor pela missão, o povo da diocese de Pemba. Missão é ser com Deus e estar com os irmãos e as irmãs. Portanto, Ir. Elisa não vai “fazer” nada, mas irá “ser com Deus e estar com o povo” que ela tanto ama. Conversando com ela, Ir. Elisa disse: “se eu morrer posso ser enterrada junto com meu povo, na terra que eu tanto amo”. Não há mais motivo de brigarmos com ela na tentativa de desencoraja-la para ir a Missão porque ela é uma autêntica e verdadeira missionária. Ela já está no meio do seu povo e feliz porque é sua escolha. Estar na Missão e com povo da terra do índico, torna Ir. Elisa


