nov 10 2020
Dom Manuel Vieira Pinto: herança e desafios
Pela Redacção No dia 30 de Abril deixou-nos Dom Manuel Vieira Pinto, arcebispo emérito de Nampula de 1967 até 2001, testemunha do Senhor ressuscitado na história de Moçambique. O seu legado para as comunidades cristãs continua a ser a conjugação positiva entre a fé e a vida de cada dia iluminada. Resumo dum texto já publicado por P. Zé Luzia autor de várias e prestigiadas publicações sobre a figura de Dom Manuel. “Cristianismo e religião – Fé e revolução” foi o título da carta-pastoral do Bispo Manuel Vieira Pinto no Natal de 1978. Num tempo de ateísmo militante, tratou-se de uma proposta e de um desafio a um diálogo sereno com os ideólogos marxistas da Frelimo. Afinal, a religião não tem de ser, fatalmente, ópio do povo, mas também pode ser fonte de rebeldia revolucionária, de inspiração transformadora da sociedade. Dom Manuel, também nisto se revelou o pastor intrépido, seguro de que as vicissitudes por que a Igreja católica passava, às mãos da Frelimo, eram o dedo de Deus a fazê-la renascer no coração do Povo como genuinamente moçambicana. Nada de anticomunismo primário ou de tentação de resistência à proposta de reconstrução nacional. Manuel Vieira Pinto foi, também, tranquilamente, catequista dos políticos. Por isso pode responder à conhecida interpelação de Samora: “Deus não precisa que o defendam. O Homem sim!”. Atenção aos últimos Dom Manuel, como verdadeiro discípulo de Jesus, foi um incontornável defensor da dignidade de todo o humano. E foi-o, especialmente das pessoas mais pobres, mais abandonadas nas margens do mundo, ou perseguidas pela sua entrega ao serviço das causas da verdade e da paz; e mais ainda, e, tantas vezes, sacrificadas e massacradas na estupidez de todas as guerras, enfatizando, aqui, sua querida terra moçambicana, a tristemente inesquecível guerra civil – a tal dos 16 anos – de que ainda ninguém se penitenciou. Nem Frelimo nem Renamo. O silêncio parlante: a Doença A pandemia do COVID 19 obrigou a que o seu funeral não tivesse a solenidade que todos desejávamos e tivesse sido feito na exiguidade e nos constrangimentos de todos conhecidos. Um dia, convocar-nos-emos de novo para fazermos a celebração da glorificação pascal da vida tão plena de tão grande pastor. Por causa da sua doença prolongada, já nos tínhamos habituado ao seu silêncio, à sua ausência de cena, à sua voz emudecida pela doença. Afinal, mesmo roubado pela doença, há anos, ao nosso convívio, todos continuávamos a senti-lo vivo, palpitante, como se fosse nosso eterno companheiro nesta peregrinação terrestre. A “Irmã Morte” veio despertar-nos, a todos, da letargia em que vivíamos e trouxe para a ribalta mediática, sociológica, política e eclesial, o nosso Pai (como tão carinhosamente, sobretudo os mais humildes do Povo Moçambicano, me perguntavam por ele). Recordar é viver e crescer “Eu, muito jovem (ndr.Pe. Zé Luzia) , cheguei a Nampula, ao convívio do Bispo Manuel, em 1968. Eu, aprendiz de missionário e de padre, logo me dei conta do pastor sempre aproximado de toda a gente. A “Diocese”, designação, então da casa do Bispo, deixava de ser o palácio distante onde os pobres nunca tinham acedido. Como, 45 anos depois, viria a dizer o Papa Francisco, “um Pastor com cheiro a ovelhas”. De facto, o Bispo Manuel foi, como agora Francisco, sempre surpreendente nas palavras e nos gestos. Atrevido, avantajou sempre as asas dos nossos voos de jovens insatisfeitos e rebeldes, arroteando caminhos por abrir. Ousado! Tanto na pastoral em sentido mais estrito, como nas suas incidências políticas, como o testemunham as homilias “Repensar a guerra” (1974), interpelando o governo e a sociedade coloniais, que o levou à expulsão; e “A Coragem da Paz” (1984), desafiando, em nome do Povo, o Presidente Samora a entabular o diálogo com a Renamo”. Dom Manuel em sintonia com Papa Francisco Como Igreja, conheci, na prática, um Bispo não-clerical. Com ele aprendi a ser animador de uma genuína Igreja de Todos, crescentemente livre do vício clerical, pela participação de todos os baptizados, do pé descalço ao engravatado, tanto ao gosto, hoje, do Papa Francisco. Nessa linha, aprendi a ser padre mais da “Igreja das Palhotas”, das pequenas e humildes comunidades emergentes, do que da grandiosidade das empoladas catedrais por impressionantes que elas possam ser. Com efeito, foi também o atrevimento e a aposta do Bispo Manuel que fez, dos animadores paroquiais, homens e mulheres simples e de pé no chão, protagonistas do renascimento da Igreja católica em Moçambique, e mais particularmente, na Diocese de Nampula, no contexto do ateísmo a seguir à independência. Convite a não esquecer É necessário que o mundo académico, a começar pelos nossos seminários e as instituições universitárias, produzam trabalhos de pensamento que rentabilizem a preciosa herança que ele nos deixou. Apesar de ele ter sido, entre outros, alvo duma “ingratidão” por parte do governo que nem se lembrou de lhe manifestar a sua gratidão com a consolação de o brindar com a nacionalidade (pedido que ele nunca fez por uma questão de evitar equívocos e mal-entendidos), Dom Manuel fica como um marco indiscutível da história religiosa e cívica de Moçambique. Os dias do Moçambique de hoje no-lo exigem. A guerra que lavra no centro do país, e o terrorismo criminoso de Cabo Delgado, desafiam-nos como cidadãos e como cristãos. Infelizmente, Dom Manuel
Vivência cristã no tempo do coronavírus
Por Pe. Bonifácio Raça No tempo em que os edifícios religiosos estão fechados e suspensas todas as celebrações litúrgicas por causa do coronavirus, somos convidados a redescobrir a natureza da Igreja Domestica, raiz da família de Deus. A vida cristã é uma bela aventura com Deus. É diferente da aventura que o mundo oferece. Contudo, ela é sempre acompanhada por situações que a deixa atribulada, sofrida e, até não poucas vezes, entregue à morte. Por isso, é necessário que cada cristão, ao abraçar o compromisso do discipulado, esteja pronto para assumir as vicissitudes da fé que abraça. As dúvidas humanas Muitas vezes, visto que vemos de forma confusa, como num espelho (cf. 1Cor13,12), ficamos quase que cegos e não conseguimos conciliar o mistério salvador de Deus com a dor e o sofrimento que nos abalam. Daí que surgem questões como:será que Deus se compraz com os nossos sofrimentos? Onde está Deus neste momento de dor? Porque tanto silêncio quando gritamos? Mergulhados nessas dúvidas e dores, incapazes de ler a nossa história à luz da fé, perdemos a oportunidade de contemplar as maravilhas que Deus opera na nossa vida. Concentramos todas as nossas energias na dor, que nos causa desespero.É o que está a acontecer nestes dias com a eclosão da pandemia daCovid19, a humanidade inteira vive aterrorizada pelo medo, ao ponto de criar um desespero universal. As notícias que circulam somente apontam para o mal físico, que pode acontecer em caso de contágio pelo coronavírus. Preocupados excessivamente com esta vida passageira, todo o resto já não conta, apenas a busca de a todo o custo salvaguardar a ‘minha vida, economia, etc.’ Diante desta realidade como deve ser a atitude do Cristão? Perante a dor eo sofrimento que a condição humana e o mundo nos impõem, o melhor que um cristão pode fazer é procurar conselhos na Palavra de Deus. O Apóstolo Pedro dizia: “Caríssimos, não estranheis a fogueira que se ateou no meio de vós para vos pôr à prova, como se vos acontecesse alguma coisa estranha. Pelo contrário, alegrai-vos, pois assim como participais dos sofrimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória” (1Pd 4,12-13). Na verdade, na caminhada cristã, enquanto Igreja que caminha pelas sendas do mundo, podemos encontrar inúmeros desafios que nos afligem. Mas não podemos desanimar, pois, segundo o Apóstolo, “depois de terdes sofrido um pouco, o Deus de toda a graça, (…) vos restaurará, vos firmará, vos fortalecerá e vos tornará inabaláveis”(1Pd 5,10). A atitude a tomar diante da dor e do sofrimento é a confiança em Deus. Uma confiança que consiste numa fé inabalável, com uma esperança viva. Aliás, Jesus, o nosso Salvador e Mestre ensinou-nos a ter fé n’Ele, confiar em Deus e não temer nada: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32). E quando os discípulos pareciam desanimar e atormentados disse-lhes: “Cesse de perturbar-se o vosso coração! Crede em Deus, crede também em Mim” (Jo 14,1). E que significa isso para nós? Significa que devemos procurar ver as coisas com os olhos de Deus. Esta pandemia oferece-nos a oportunidade de vivermos a nossa fé de maneira diferente. É o momento de fortalecer a Igreja Doméstica. A experiência de oração em comunidades maiores, que muitas vezes nos deixava perdido na massa anónima, traz-nos hoje uma oportunidade de rezar em pequenas comunidades de irmãos de sangue.É o regresso dos momentos iniciais da Igreja em que se reunia nas casas (cf. Act 12,12).Não é o momento de lamentações nem desânimo, mas sim de alegria e fortalecimento da nossa adesão a Deus. Nestes dias, saindo de Belo Horizonte (Minas Gerais) para Guaratinguetá (São Paulo), parei na cidade de Barra Mansa (Rio de Janeiro), onde fui recebido pela família Altamir e Sónia, pois não podia continuar a viagem, devido ao impedimento de circulação por conta da pandemia do coronavírus. Foi uma providência divina. Pois com essa paragem pude colher uma grande experiência de vida de oração de uma família. Vi a alegria da família em me receber e fazer parte da sua vida. Sendo a primeira vez que recebiam um padre na sua casa, encontrei uma verdadeira Igreja Doméstica e me fez pensar: quem me dera que todas as famílias cristãs vivessem desta maneira!A alegria, simplicidade e esperança de dias melhores contagiantes. Partilhei com ela as alegrias da fé. Duranteos quatro dias em que fiquei com eles, rezámos juntos o santo Rosário, e aprendi a importância de aproveitareste período da graça para fortalecer o amor familiar. O calorque recebi da família e a entrega de todos os membros na oração impulsionaram-me a descobrir ainda mais o lado bom do momento em que vivemos.Nisto compreendi o sentido das palavras de Jesus ao descrever a sua crucificação como “hora de glorificação”. Portanto, esta hora é de graça, é “o tempo favorável”de fortalecimento das famílias cristãs, servindo como exemplo de esperança e modelo de alegria na adversidade. É o tempo de as famílias cristãs brilharem como estrelas da aurora, que anunciam o dia, mostrando ao mundo que têm como fonte de alegria a certeza da presença de Deus na sua vida. A igreja não são os edifícios É verdade que as igrejas estão fechadas, mas a Igreja não são os edifícios; as famílias é que são a verdadeira Igreja. E elas estão sempre abertas e podem viver a sua fé com alegria. É preciso criar momentos de oração em família, de partilha das experiências da vida e meditar a Palavra. A oração em família pode levar-nos a descobrir o tesouro que se esconde nestes momentos difíceis. Lembremo-nos que a Igreja cresce não nos momentos de alegrias mundanas, mas sim nos momentos considerados difíceis. Sim é possível viver a alegria da fé em meio a dor e o sofrimento. Não nos entristeçamos porque não podemos ir à igreja ou à capela do nosso bairro; podemos sim aproveitar a ocasião para fortalecer a Igreja Doméstica: rezando e vivendo dentro da nossa
COVID-19 obriga cancelamento da Peregrinação anual ao Santuário de Meconta
Por Kant de Voronha A crise mundial provocada pela pandemia do coronavírus obrigou o cancelamento da peregrinação anual ao Santuário Mariano, Maria Mãe do Redentor de Meconta na Arquidiocese de Nampula. Um Comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira, (30.10) realça ser tradição, na Arquidiocese de Nampula, a realização da peregrinação anual, um evento religioso que teria lugar no passado dia 24 de Outubro corrente. Entretanto, abre-se a possibilidade de visitas individuais ou em pequenos grupos de fiéis ao Santuário observando a rigor todas as medidas de prevenção da Covid-19 e o protocolo do Ministério da Saúde. Com efeito, os interessados deverão realizar uma prévia inscrição junto a Reitoria do Santuário de Meconta, indicando “o nome do grupo, a paróquia e a hora de chegada e saída do Santuário”. O Porta-Voz da Arquidiocese de Nampula, o Pe Pinho dos Santos, que apresentou o Comunicado em alusão sublinhou que as visitas ao Santuário “são vivamente encorajadas”. Por outro lado, os cristãos são chamados a testemunhar em todos os momentos da sua vida o amor “à nossa mãe, a Mãe do nosso divino Redentor!” A nossa fonte esclareceu que a Campanha de contribuições para recolha de fundos a serem utilizados para criação de infra-estruturas, abastecimento eficaz de água e construção de balneários que decorre desde 1 de Dezembro de 2019 prolonga-se até a realização da próxima peregrinação prevista para os dias 30 e 31 de Outubro de 2021. A Arquidiocese de Nampula manifesta seu apreço e conforto aos milhares de deslocados de guerra de Cabo Delgado, encorajando aos que assumem o papel de autênticos Bom Samaritanos “a continuarem a servir Cristo sofredor na pessoa do nosso próximo que é todo aquele que necessita do nosso apoio”. De referir que a Arquidiocese de Nampula possui dois Santuários onde anualmente se realizam peregrinações sendo um Santuário Mariano situado em Meconta e outro Santuário Sacerdotal situado na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus em Rapale.
out 24 2020
Reunião multissectorial da Arquidiocese de Nampula desenha o futuro de requalificação do Centro Catequético de Anchilo
Por Kant de Voronha Com objectivo de monitorar o processo de requalificação pastoral e económico-financeira do Centro Catequético, Paulo VI de Anchilo, reuniu-se na manhã deste sábado um encontro multissectorial da Arquidiocese de Nampula no local. O Director do Centro Catequético, Pe Massimo Robol, disse que o Centro trabalha em 3 áreas: “Formação dos agentes de pastoral, Cursos de inserção sociocultural dos missionários recem chegados na Arquidiocese e produção de materiais de pastoral e Revista Vida Nova”. Com relação aos novos ventos sociopastorais, e no contexto da requalificação, o inquérito aponta duas sensibilidades diferentes para as paróquias. Por um lado, há os que julgam ser indiferentes os serviços oferecidos pelo Centro e, por outro lado, há paróquias que dizem ser pertinente que ainda sejam oferecidos os cursos ordinários para a formação dos agentes de pastoral. Falando do aspecto económico-financeiro, Pe Massimo, diz ser urgente criar mecanismos de autossustentabilidade do Centro Catequético como forma de oferecer serviços de qualidade. O Centro foi ajudado por 30 anos por doadores internacionais que depois terminaram com o seu apoio julgando ser suficiente o tempo de acompanhamento que foi feito. E por enquanto, há recursos escassos para a gestão integral do Centro. O Administrador do Centro Catequético, Ir. Neto, salientou a necessidade urgente de alocar um administrador auxiliar da Arquidiocese para fortalecer o trabalho da equipa e ir acompanhando paulatinamente a vida, a gestão e dinamização das actividades. Por outro lado, destacou que a taxa actual aplicada aos agentes de pastoral para alojamento e toda logística de formação está aquém do desejado e sufoca a economia local. “Os cursos que são ministrados no Centro são um elemento prejudicial para a economia do Centro. Esta é a situação nua e crua actual”, lamentou o Pe Massimo. Está em curso o processo de requalificação do terreno do Centro e cerca de 20 hectares foram negociados como uma empresa imoboliária. Os participantes da reunião salientaram a pertinência do trabalho realizado pelo Centro catequético e a urgência por oferecer novos serviços adequando-os ao tempo actual. Ademais, “o que fazer de hoje em diante para autossustentar o Centro? Onde encontrar investimento para autonomia do Centro? Que recursos para garantir as formações dos agentes pastorais?” interrogou o Pe Pinho, Director do Secretariado da Pastoral, para quem o Centro poderia servir como local de pensar a acção pastoral e formar formadores cujos cursos seriam ministrados nas regiões pastorais da Arquidiocese. E as suas instalações podiam ser reaproveitadas para outras aplicações rentáveis. “É preciso elaborar um plano de negócios que sejam viáveis” sentenciou António Muagerene que recomenda manter para o Centro um património que seja gerível. “Requalificar o Centro sem uma meta concreta pode ser ineficaz” disse Dom Ernesto. Hoje é preciso pensar as acções do Centro à luz do contexto globalizado. Dom Inácio Saure, comentando sobre a falta de dinheiro, falou que “houve um erro de partida na implantação do Centro Catéquetico” porque não foi desenhado um plano económico com clarividência de que poderia sobreviver o Centro, para além das ajudas externas. Por outro lado, Dom Inácio incentivou aos participantes para a possibilidade de constituir uma equipa responsável pela elaboração de um plano estratégico de requalificação do Centro. De referir que participaram da reunião multissectorial os Bispos de Nampula (Dom Inácio e Dom Ernesto), o Director do SECAPAN, a equipa conjunta de gestao do Centro, o Conselho Arquidiocesano para os assuntos económicos, membros da equipa do património e gestão de projectos eo vice-chanceler da Cúria Metropolitana.
out 08 2020
A COMUNICAÇÃO SOCIAL HOJE
A cada domingo da Ascensão, a Igreja Católica celebra o dia mundial das Comunicações Sociais. O que são? Como são? Para que servem? Qual é o seu impacto na actualidade? Para compreendermos as questões acima, este texto propõe-se apresentar a mensagem do Papa Francisco para este ano e as incidências do jornalismo moçambicano. O que são os meios de comunicação social? Os meios de comunicação são instrumentos que nos auxiliam a receber ou a transmitir informações a partir de diferentes métodos. No início, seu único objectivo era realmente comunicar. No entanto, com o passar do tempo, as mídias foram se modernizando e a própria necessidade de comunicação também. Os meios de comunicação podem ser subdivididos em várias categorizações. Quanto ao seu campo e atuação encontramos meios individuais: são mídias usadas para comunicação interna e para relações interpessoais simples. Exemplos: correio, e-mail, telefone e fax; e emeios de Massa: são mídias voltadas para comunicação externa, mais ampla e irrestrita, com o intuito de atender ao maior número de pessoas possível. Exemplos: jornal, revista, rádio, televisão e internet. Quanto ao tipo de linguagem temos: Meios Escritos: jornais, livros e revistas; Meios Sonoros: rádio e telefone; Meios Audiovisuais: televisão e cinema e Multimídias: TV digital e internet. Impacto dos meios de comunicação social Ao longo dos tempos os meios de comunicação social têm vindo a desempenhar um papel muito importante. Eles nos ajudam a comunicar com qualquer pessoa, independentemente do lugar em que esta se encontre, ou seja, aproxima pessoas que a geografia e o tempo separam. Com o advento da tecnologia, eles se tornaram ainda mais poderosos, trazendo notícias e informações em tempo real. A internet, por exemplo, permite que informações sejam obtidas com extrema rapidez e facilidade. Além disso, por esses meios podem-se realizar cursos à distância, que podem ser realizados através de aulas acompanhadas pelo computador. Os meios de comunicação também são essenciais para a realização de negócios de vária ordem. Porém, o seu mau uso ou o seu excesso podem trazer problemas e provocar o efeito inverso ao desejado. Por isso, vezes sem conta, vemos indivíduos presos por crimes tanto cibernéticos como também pelo mau uso desses instrumentos como também verdadeira aversão aos contactos interpessoais mais próximos. O que recomenda o Papa Francisco? Na sua mensagem para o dia mundial das comunicações sociais, o Papa Francisco sugere o tema da narração, exortando-nos a construir “histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos”. Portanto, somos convidados a edificar uma “narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita”. Face ao contexto da manipulação das informações que a média actua está propensa, o Papa Francisco não evitou sublinhar que nem todas as histórias veiculadas são boas. “Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade. Mas, enquanto as histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece actual, porque nutre a vida” adverte o Papa. Esta chamada de atenção encontra eco também para o jornalismo moçambicano. Pois, no contexto da multiplicação dos órgãos de comunicação social, entidades há que pautam pelo sensacionalismo. Escrevem porque ouviram dizer e acabam narrando histórias desumanas como aponta o Papa. Procedimentos de comunicação eficaz Uma proposta bem assente na experiência humana é o exemplo de Jesus Cristo. Francisco considera que a Bíblia é “uma História de histórias” porque “O Deus da vida comunica-se, narrando a vida”. E esta narração do amor de Deus que se comunica é apresentada com sinais concretos. “O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstractos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a” refere o Papa. Assim, essa é uma história que se renova e nos renova. De facto, “Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos a Escritura, as histórias dos Santos e outros textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus” conclui o Papa. Nas últimas décadas, com o crescimento e expansão da imprensa escrita, da rádio e da televisão, e com o surgimento de novos meios de comunicação, com destaque para a Internet, o impacto social da imprensa aumentou exponencialmente. Por essa razão, o apelo gritante para que os jornalista operem sempre seguindo a ética e deontologia profissional nas suas narrações. Aliás, é função da imprensa, para além de informar e transmitir uma visão imparcial dos eventos, a fiscalização da actuação governamental, velando pela boa gestão da coisa pública e oferecendo um contrapeso ao poder público, o qual, sem o devido controlo social, pode ser abusado para fins privados e partidários. (Por Kant de Voronha)
Bíblia: Palavra de Deus para todos os dias
Por Koinonia livros Para celebrar São Jerónimo que, a pedido do papa Dâmaso traduziu a Sagrada Escritura dos originais hebraico e grego para o latim, língua universal daquela época, foi instituído o Ano da Bíblia. A versão latina da Bíblia ficou conhecida como Vulgata. Vamos responder a algumas perguntas comuns sobre a Bíblia. Quem escreveu a Bíblia? A Bíblia foi escrita por muitas pessoas. Não foi escrita de uma só vez. Ela traz as experiências da caminhada de um povo, o povo do Livro, por isso é a reflexão sobre a vida do homem e a resposta aos problemas existenciais ligando-os a Deus. É a reflexão sobre a vida humana e sobre Deus. O povo escolhido, o povo da Bíblia, discutia suas experiências, obtinha respostas iluminadas pela fé, que depois, ao longo do tempo foram escritas. Deus era sempre a referência, o ponto de partida, o centro da vida desse povo. Por isso, foram muitos os autores que, iluminados por Deus, escreveram a Bíblia com estilos literários diferentes. Quando a lemos, percebemos a acção de Deus na caminhada humana que quer o bem de todos os homens e mulheres. Enfim, foram muitas as pessoas que a escreveram, todas elas iluminadas por Deus, inspiradas por Deus, então, o grande Autor das Sagradas Escrituras é Deus que usou de mãos humanas para escrevê-la. Quando foi escrita? Os estudiosos consideram que a Bíblia começou a ser escrita a partir do século IX antes de Cristo. O último livro a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinquenta anos antes de Cristo. Portanto, não temos uma data com dia, mês e ano, porque sua escrita ocorreu lentamente e muito bem preparada por Deus. Porquê se chama Bíblia? Embora a Bíblia, na concepção de livro que temos hoje, se constitua num único volume, seu nome indica que ela não é apenas um livro, mas uma colecção de livros, alguns mais longos, outros muito curtos. Daí a palavra Bíblia, em grego livros, isto é um conjunto de 73 livrosque trazem diversos temas. Porem tratando sempre do mesmo assunto: a reflexão crítica sobre a vida, a caminhada de Deus com seu povo e a religião deste povo. Porquê dizemos Bíblia Sagrada? Consideramos a Bíblia como sagrada porque ela é a Palavra de Deus. Tudo o que foi criado é obra de Deus, a natureza fala a linguagem de Deus, o universo com suas leis naturais também fala a linguagem de Deus. Ele fala ao ser humano por meio de acontecimentos.A Bíblia nasceu com o próprio homem, pois o homem percebeu, nos fatos e nas experiências da vida, que Deus sempre lhe falou. Em todas as culturas encontramos a religião como forma do homem se relacionar com Deus, de se ligar a Deus. Para o povo da Bíblia, ela começou a ser entendida como Palavra de Deus, a voz de Deus cerca de mil e oitocentos anos antes de Cristo, quando nosso pai Abraão experimentou Deus e entendeu que Ele lhe falava pelos acontecimentos. A partir desta experiência de Deus, a vida de Abraão mudou completamente. Ele passou a interpretar os sinais do Senhor nos acontecimentos e a segui-los. Começa então a ter importância as tradições e experiências religiosas que constituirão parte fundamental da Bíblia. Surgiram os Patriarcas do povo de Deus e com eles toda a experiência deste povo compilada bem mais tarde como livro. A Bíblia é Sagrada porque relata toda essa experiência do homem com Deus, relata a caminhada do homem com seu Deus, construindo a história… História da Salvação. Porquê a Bíblia católica é diferente da Bíblia protestante? A Palavra de Deus acolhida pelo homem, a Bíblia católica e a dos nossos irmãos separados, protestantes, é a mesma. A diferença aparece quanto ao número de livros que cada uma possui. A Bíblia católica possui setenta e três livros.A Bíblia evangélica tem sete livros a menos: Judite, Tobias, 1o Macabeus, 2o Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácides) e Sabedoria. Mais diferenças aparecem nos livros de Ester (10, 4-16, 24) e de Daniel (13-14), onde pequenos trechos destes livros faltam na Bíbliaevangélica. Os sete livros que citamos acima não constam da Bíblia hebraica original, só bem mais tarde é que eles passaram a ser considerados como inspirados por Deus quando da primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, atendendo as necessidades dos judeus da Diáspora. Esses livros são chamados “Deuterocanónicos”, isto é, livros que foram aceite como inspirados bem mais tarde ou em segundo lugar. Apesar desta diferença os cristãos católicos e protestantes reconhecem que na Bíblia Sagrada está presente a Palavra de Deus que nos interpela, que nos convida a segui-lo, que quer o nosso amor de filhos e filhas, que nos ama muito mais do que nós a Ele. A Bíblia, Palavra de Deus para todos os dias, deve ser nosso livro de cabeceira. Não pode ficar fechada numa estante como um simples adorno empoeirando-se. Ela deve ser lida e praticada dia a dia.
set 16 2020
A coragem da Paz e o compromisso da Missão
Continuamos a apresentação da Carta pastoral da CEM no que se refere à Igreja de Moçambique acompanhando o ensinamento do Papa Francisco. Como chuva fecunda são as palavras que o Papa deixou para a Igreja moçambicana: «Os tempos mudam e devemos reconhecer que muitas vezes não sabemos como inserir-nos nos novos tempos e nos novos cenários» (24). «A vocação da Igreja é evangelizar; a identidade da Igreja é evangelizar… O que se deve procurar é que a pregação do Evangelhose expresse com categorias próprias da cultura onde é anunciado e provoque uma nova síntese com essa cultura» (25).«Porque as distâncias, os regionalismos e os partidarismos, a construção constante de muros, minam a dinâmica da encarnação, que derrubou o muro que nos separava. Vós, que fostes testemunhas de divisões e rancores que acabaram em guerras, tendes de estar sempre dispostos a «visitar-vos», a encurtar as distâncias. A Igreja de Moçambique é convidada a ser a Igreja da Visitação; não pode ser parte do problema das competências, menosprezos e divisões de uns contra os outros, mas porta de solução, espaço onde sejam possível o respeito, o intercâmbio e o diálogo». (26)«É preciso sair dos lugares importantes e solenes; é preciso voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus. Nenhum de nós foi chamado para um lugar importante. Às vezes sem querer, sem culpa moral, habituamo-nos a identificar a nossa actividade quotidiana de sacerdotes, religiosos, consagrados, leigos, catequistas com certos ritos, com reuniões e colóquios, onde o lugar que ocupamos na reunião, na mesa ou na aula é de hierarquia». (27) «A renovação do nosso chamamento «passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo «mundanismo espiritual» ditado «pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores». «Renovar o chamamento passa por optar, dizer sim e cansar -nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus». (32) «Jesus não nos convida a um amor abstracto, etéreo ou teórico… O caminho que nos propõe é o que Ele percorreu primeiro, o caminho que o fez amar aqueles que o traíram, julgaram injustamente aqueles que o matariam». (34) «Jesus convida a amar e a fazer o bem… Pede-nos também que os abençoemos e rezemos por eles; isto é, que o nosso falar deles seja um bendizer gerador de vida». (35) Também a Igreja Católica em Moçambique é uma terra fértil, mas sedenta e, por vezes, rochosa. É uma «Igreja abençoada pelo martírio e testemunho dos seus cristãos. Laicado comprometido pastoralmente numa Igreja ministerial. Rede de comunidades cristãs presente em todos os distritos do país.Celebrações litúrgicas enriquecidas pela riqueza cultural do povo. Muitos católicos presentes na vida social e política. Presença significativa e profética da Igreja na sociedade. Presença e empenho da Igreja na educação, na saúde e em outras áreas. Aumento de vocações nativas para a vida consagrada e sacerdotal. Trabalho silencioso de muitos missionários nas zonas recônditas do país.Episcopado e Igreja Católica unidos. Esforço da Igreja para o diálogo.» (37) O Evangelho chegado a Moçambique como pequena semente tornou-se árvore frondosa. Acolhemos como graça de Deus ser Igreja neste povo. (38) Porém, há ainda muita estrada a percorrer porque temos uma Igreja não sempre preparada para fazer frente aos desafios que a realidade nos apresenta e aos anseios dos jovens. Insuficiente formação, consciência crítica e sensibilidade social. Mais ocupada em “atender” do que em transformar; em “fazer coisas” do que em ser testemunha. Mais preocupada na auto-subsistência do que na evangelização. Catequese insuficiente para formar autênticos discípulos de Cristo. Falta de testemunho e coerência entre a fé e a vida (na família, no serviço, na vida social e nos cargos públicos).Falta de proximidade, entusiasmo e entrega apostólica de muitos consagrados. (39) Os frutos esperados: Igreja com consciência cristã comprometida e missionária Consolidamos: a nossa identidade e missão que é evangelizar: conduzir à experiência de Deus com uma formação adequada, vivendo uma pastoral de proximidade e misericórdia, fazendo de todos os baptizados, nomeadamente dos jovens, discípulos missionários. (42) A Igreja Católica em Moçambique quer empenhar-se, segundo as orientações deixadas pelo Papa Francisco, na renovação da vida pastoral, através de uma acção pastoral que coloque o sentido da missão em todas as suas iniciativas: pastoral da visitação, missões populares, missão jovem, formação dos agentes de pastoral, etc. (43) Para isso, vamos programando a IVª Assembleia Nacional de Pastoral para acolhermos juntas as indicações do Santo Padre e sermos cada vez mais uma Igreja “em saída”, uma “Igreja da visitação”. (44)
set 14 2020
Caritas de Nacala oferece assessoria jurídica as comunidades
A Caritas Diocesana de Nacala implementou a partir de 2018 o serviço de Assessoria Jurídica para as comunidades das várias paróquias da diocese. É um serviço financiado pela organização não-governamental CAFOD. A Igreja, como comunidade, deve praticar o amor. Com a instituição do dia mundial dos pobres, celebrado no passado dia 17/11/2019, o Papa Francisco diz que “uma Igreja sem caridade não existe … que hoje o grito dos pobres torna-se mais forte a cada dia, e a cada dia é menos ouvido, porque abafado pelo barulho de poucos ricos, que são sempre menos e sempre mais ricos”. É nesta perspectiva que a Caritas compartilha a missão da Igreja servindo as comunidades, Inspirada nos valores do evangelho e no ensino social católico, a Caritas responde a desastres, promove o desenvolvimento humano integral e defende as causas da pobreza e do conflito. As Caritas diocesanas, que actuam na igreja local, fazem parte da Caritas Internationalis, composta por 160 membros, que foi criada na década de 1950 com o objectivo de promover uma maior coordenação, comunicação e cooperação entre as várias Caritas presentes em vários países do mundo. Em Moçambique É missão da Caritas: “Testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, defendendo e promovendo toda forma de vida e participando da construção solidária da sociedade do Bem Viver, sinal do Reino de Deus, junto com as pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social” O Bispo responsável da Caritas nacional é D. Alberto Vera Arejulaque assim indica o plano estratégico da Caritas moçambicana: “O nosso plano estratégico centra-se na segurança alimentar, na protecção do meio ambiente, na educação, na saúde e no fortalecimento institucional de cada uma das 12 Caritas diocesanas a fim de as dotar de estruturas mínimas de acção. É nesta perspectiva de promoção, defesa e acompanhamento de cada pessoa que, à luz do Evangelho, a Cáritas de Nacala organiza o serviço gratuito de advocacia paraas comunidades. O que é advocacia? A advocacia é uma consultoria especializada em fornecer soluções adequadas às necessidades do requerente com uma base de conhecimento multidisciplinar, focada em resultado, administração e visão legal. Temos que pensar na advocacia como se fosse realmente uma consultoria de resultados, focados em solucionar as mazelas dos nossos clientes, pensando desde ideias de gestão, organização e arbitragem até mesmo num processo judicial. Qual é o objectivo deste serviço? Proporcionar aconselhamento e encaminhamento jurídico às equipas missionárias bem como a pessoas sem recursos financeiros que necessitam de esclarecimento quanto aos seus direitos. O objectivo principal é criar consciência dos respectivos direitos e sensibilizar para a lei e para o sistema jurídico, sobretudo em questões ligadas à família e à terra, encaminhando para as boas práticas no que toca ao percurso da justiça. Como funciona este serviço? Um jurista de Nampula, está disponível para dar consultas de 15 em 15 dias, mediante apresentação prévia do caso às paróquias e a necessária triagem. Onde? Na sede da Caritas Diocesana de Nacala, Paço Episcopal – S. Justino de Jacobis – Bairro Triângulo – Nacala Porto. A quem é dirigido? A todos os cidadãos todas as pessoas reencaminhadas pelas equipas missionárias de todas as Paróquias da Diocese e às próprias equipam missionárias. Que tipos de casos serão encaminhados? Para os cidadãos: Violência doméstica; Abuso de menores e casamentos prematuros; Viúvas não respeitadas nos direitos à herança; Pessoas com deficiências; Conflitos de terras comunitárias. Para as equipas missionárias: Regularização do título de uso e aproveitamento da terra das Paróquias (DUAT) Contractos de trabalho para trabalhadores domésticos Como fazer para ter acesso ao serviço? As equipas missionárias deverão fazer por escrito um relatório do caso que considerem pertinente submeter e enviá-lo, juntamente com uma questão concreta, por e-mail à Caritas Diocesana. O mesmo deverá conter informações suficientes para avaliar se o caso é ou não da competência deste serviço. Em seguida, a Caritas Diocesana marcará e comunicará o dia e hora da consulta. Cabe às equipas a organização do transporte dos interessados. Não serão admitidas consultas sem prévia apresentação do caso à Caritas. Qual é o custo deste serviço? O serviço é financiado pela CAFOD (Agencia Católica Britânica para o Desenvolvimento), sendo por isso gratuito. As equipas missionárias também beneficiarão de apoio gratuito, mas terão de pagar eventuais custos de deslocação ao terreno do jurista, caso venha a ser necessáriaa deslocação. “The development of peoples depends on a recognition that the human race is a single family working together…” (Pope John Paul II)
ago 31 2020
UNIDADE DOS CRISTÃOS – UMA APOSTA DE LONGA DATA
UNIDADE DOS CRISTÃOS – UMA APOSTA DE LONGA DATA Por Pe Massimo Robol O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos realiza-se anualmente entre 18 e 25 de Janeiro, e é celebrado mundialmente desde 1908. “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” é o tema da edição deste ano, uma frase do livro dos Atos dos Apóstolos (28,2). O material para as celebrações, reflexão e oração desta semana especial foi preparado pelas Igrejas cristãs da Ilha de Malta. Em 10 de Fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessa ilha. A leitura dos Atos dos Apóstolos (27,18.28,10) usada na festa é o texto escolhido para a Semana de Oração deste ano. Cristo chama todos os seus discípulos à unidade: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Os cristãos enfrentam um grande desafio: fazer todo o possível, com a ajuda de Deus, para abater muros de divisão e desconfiança, superar obstáculos e preconceitos que impedem a proclamação do Evangelho a todos os homens e mulheres do nosso tempo. Todos os anos, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é uma oportunidade de ver se avança e de que maneira o processo de aproximação entre as Igrejas em direcção à comunhão plena e visível. A unidade dos cristãos será alcançada algum dia? E como vai ser? Essas são perguntas difíceis de responder, assim como é impossível prever como essa recomposição das diferenças será realizada. Sabemos que o Espírito Santo decidirá tempos e formas de unidade, entretanto os cristãos são solicitados a rezar e se comprometer para favorecer a sua acção. O tema proposto pela semana de oração deste ano sublinha o valor da hospitalidade. Esta é uma virtude muito necessária na nossa procura da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados. As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através da sua benevolência fora do comum que um povo dividido acaba por ficar unido. A nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham a nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (At 28,28).
ago 31 2020
HISTORIAL DO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO
HISTORIAL DO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO A génese O Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula a finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral. A proposta tornou-se realidade a 14 de Setembro do mesmo ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, com o decreto do Bispo da Diocese de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto.Ele idealizava o Centro Catequético como motor de arranque para uma pastoral encarnada no povo e caraterizada pela participação ativa dos leigos. Equipas de gestão do Centro Para a coordenação das várias atividades do Centro, pensou-se numa equipa intercongregacional, com a presença dos Missionários Combonianos, da Sociedade Missionária (Boa Nova), das Irmãs da Apresentação de Maria, das Irmãs Vitorianas, das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima e das Irmãs Missionárias Combonianas. Finalidade do Centro O Pe. Graziano Castellari, missionário comboniano, primeiro director do Centro, numa entrevista, recordava que os objectivos do Anchilo constituíram uma autêntica “profecia do futuro”.Ele sublinhava a importância“da formação de leigos que assumissem a responsabilidade do crescimento desta Igreja e descobrissem as formas particulares e próprias de uma Igreja enraizada na própria cultura e no próprio povo. Naquele momento o Centro Catequético movia-se em três dimensões: catequistas, inculturação, liturgia. Cada uma destas três opções era um grande capítulo… Catequistas como sujeitos próprios de evangelização, e não simples delegados. Estudo da própria cultura e preparação dos novos missionários para amarem e respeitarem esta cultura, como um novo Belém onde Cristo continuava a incarnar-se. Colocar na mão dos cristãos a Palavra e a celebração dominical”. Opção Pastoral Como opção pastoral, foi dada prioridade: à Palavra de Deus traduzida em lingua macua; à catequese com conteúdos atentos aos sinais dos tempos; à reorganização do caminho catecumenal; à caridade; à justiça epaz e à formação na Doutrina Social da Igreja; à liturgia; à organização das pequenas comunidades cristãs; à informação; à pastoral da saúde e à prevenção das doenças; ao diálogo com o Islão e com a religião tradicional; ao ecumenismo; à iniciação tradicional em contexto cristão. O primeiro curso de dois anos para catequistas e suas esposas iniciou em 1970. No mesmo ano, foi fundado, no Centro Catequético do Anchilo, o Centro de Adaptação Missionária. O objectivo era preparar os missionários para o trabalho pastoral, através do estudo da língua, história, crenças religiosas, usos e costumes do povo macua, da história do país e da Igreja moçambicana, e das linhas da pastoral diocesana. Obras de construção A 3 de Janeiro de 1971, fez-se o lançamento da primeira pedra do bairro dos catequistas. O projecto previa a construção de 40 casas. A Revista Vida Nova Anchilo podia igualmente valer-se de um instrumento privilegiado de formação, informação e difusão das novas diretivas de renovação eclesial: a revista Vida Nova, fundada emMeconta, em 1960, com o nome de Boa Nova, por obra dos Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova). Quando foi aberto o Centro Catequético no Anchilo, a revista passou a ser alí editada, com o atual nomeVida Nova.Em breve tempo tornou-se um importante meio de comunicação para os cristãos. Os assuntos foram desde o princípio temas bíblicos, de catequese, de formação cristã, de liturgia, de promoção da mulher, de justiça e paz, de educação, contando sempre com a participação ativa dos leitores através de cartas e contribuições pessoais enviadas à revista.Ao longo destes 60 anos de actividade, na revista Vida Nova sucederam-se vários directores, os Padres: Graziano Castellari, Cornélio Prandina, Francisco Antonini, Pier Maria Mazzola, António Bonato, João de Deus Martinez González, António Manuel Constantino Bogaio, Tiago Palagi, Victor Hugo Garcia Ulloa. Atualmente, a equipa de redação é composta pelo Pe. António Bonato, missionário comboniano e Pe. Cantífula de Castro, do clero diocesano de Nampula. Importantes colaboradoras foram também as Irmãs Missionárias Combonianas: Pina Scanziani, Daniela Maccari e Marcela Moncayo. Posteriormente, colaboraram na revista as Irmãs de Nossa Senhora da Paz e Misericórdia: Deolinda Maria Edmundo Pires,Aida Gonçalves do Rosário e Natália José Toqueleque. Lembramos também a figura do Ir. Edgar Costa Marques, dos Missionários da Boa Nova, pelo incansável trabalho de impressão da Vida Nova. Juntamente com a revista, conquistaram também grande importância as edições do mesmo Centro. Foram imprimidos em língua macua textos sagrados e devocionais, catecismos e documentos da Igreja e subsídios para os vários ministérios das comunidades cristãs. Principal organizador destas traduções foi o Pe. Gino Centis, coadjuvado por alguns colaboradores, entre os quais os Padres Ambrogio Reggiori, Cornélio Prandina, Pier Maria Mazzola e o Sr. Daniel Sitora, que merece um agradecimento particular, pela sua dedicação e fidelidade ao serviço do Centro. Entretanto, nasceu tambémo Centro de Saúde do Anchilo, para responder às necessidades de assistência sanitária das famílias dos catequistas em formação. Em seguida, esta assistência estendeu-se também às populações vizinhas. O Centro de Saúde contou desde o princípio com a presença das Irmãs Missionárias Combonianas, entre as quais merecem um particular agradecimento as Irmãs Giulia Costa, Maria Pedron, Laura Malnati e Gabriella Visentin, que garantiram um apóio solícito e constante à população local. Pessoal missionário que serviu o Centro O Centro Catequético tornou-se um ponto de referência para a pastoral da Diocese, graças à presença e ao trabalho incansável de muitos missionários, missionárias e leigos comprometidos que colaboraram nas várias actividades e âmbitos de trabalho próprios desta realidade diocesana. No que diz resepito ao Centro Catequético, desde 1969 até 1975 estiveram presentes os Padres da Sociedade


