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ago 31 2020

UNIDADE DOS CRISTÃOS – UMA APOSTA DE LONGA DATA

UNIDADE DOS CRISTÃOS – UMA APOSTA DE LONGA DATA Por Pe Massimo Robol O Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos realiza-se anualmente entre 18 e 25 de Janeiro, e é celebrado mundialmente desde 1908. “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” é o tema da edição deste ano, uma frase do livro dos Atos dos Apóstolos (28,2). O material para as celebrações, reflexão e oração desta semana especial foi preparado pelas Igrejas cristãs da Ilha de Malta. Em 10 de Fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessa ilha. A leitura dos Atos dos Apóstolos (27,18.28,10) usada na festa é o texto escolhido para a Semana de Oração deste ano. Cristo chama todos os seus discípulos à unidade: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Os cristãos enfrentam um grande desafio: fazer todo o possível, com a ajuda de Deus, para abater muros de divisão e desconfiança, superar obstáculos e preconceitos que impedem a proclamação do Evangelho a todos os homens e mulheres do nosso tempo. Todos os anos, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é uma oportunidade de ver se avança e de que maneira o processo de aproximação entre as Igrejas em direcção à comunhão plena e visível. A unidade dos cristãos será alcançada algum dia? E como vai ser? Essas são perguntas difíceis de responder, assim como é impossível prever como essa recomposição das diferenças será realizada. Sabemos que o Espírito Santo decidirá tempos e formas de unidade, entretanto os cristãos são solicitados a rezar e se comprometer para favorecer a sua acção. O tema proposto pela semana de oração deste ano sublinha o valor da hospitalidade. Esta é uma virtude muito necessária na nossa procura da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados. As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através da sua benevolência fora do comum que um povo dividido acaba por ficar unido. A nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham a nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (At 28,28).

ago 31 2020

HISTORIAL DO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO

HISTORIAL DO CENTRO CATEQUÉTICO DE ANCHILO A génese O Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula a finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral. A proposta tornou-se realidade a 14 de Setembro do mesmo ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, com o decreto do Bispo da Diocese de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto.Ele idealizava o Centro Catequético como motor de arranque para uma pastoral encarnada no povo e caraterizada pela participação ativa dos leigos. Equipas de gestão do Centro Para a coordenação das várias atividades do Centro, pensou-se numa equipa intercongregacional, com a presença dos Missionários Combonianos, da Sociedade Missionária (Boa Nova), das Irmãs da Apresentação de Maria, das Irmãs Vitorianas, das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima e das Irmãs Missionárias Combonianas. Finalidade do Centro O Pe. Graziano Castellari, missionário comboniano, primeiro director do Centro, numa entrevista, recordava que os objectivos do Anchilo constituíram uma autêntica “profecia do futuro”.Ele sublinhava a importância“da formação de leigos que assumissem a responsabilidade do crescimento desta Igreja e descobrissem as formas particulares  e próprias de uma Igreja enraizada na própria cultura e no próprio povo. Naquele momento o Centro Catequético movia-se em três dimensões: catequistas, inculturação, liturgia. Cada uma destas três opções era um grande capítulo… Catequistas como sujeitos próprios de evangelização, e não simples delegados. Estudo da própria cultura e preparação dos novos missionários para amarem e respeitarem esta cultura, como um novo Belém onde Cristo continuava a incarnar-se. Colocar na mão dos cristãos a Palavra e a celebração dominical”. Opção Pastoral Como opção pastoral, foi dada prioridade: à Palavra de Deus traduzida em lingua macua; à catequese com conteúdos atentos aos sinais dos tempos; à reorganização do caminho catecumenal; à caridade; à justiça epaz e à formação na Doutrina Social da Igreja; à liturgia; à organização das pequenas comunidades cristãs; à informação; à pastoral da saúde e à prevenção das doenças; ao diálogo com o Islão e com a religião tradicional; ao ecumenismo; à iniciação tradicional em contexto cristão. O primeiro curso de dois anos para catequistas e suas esposas iniciou em 1970. No mesmo ano, foi fundado, no Centro Catequético do Anchilo, o Centro de Adaptação Missionária. O objectivo era preparar os missionários para o trabalho pastoral, através do estudo da língua, história, crenças religiosas, usos e costumes do povo macua, da história do país e da Igreja moçambicana, e das linhas da pastoral diocesana. Obras de construção A 3 de Janeiro de 1971, fez-se o lançamento da primeira pedra do bairro dos catequistas. O projecto previa a construção de 40 casas. A Revista Vida Nova Anchilo podia igualmente valer-se de um instrumento privilegiado de formação, informação e difusão das novas diretivas de renovação eclesial: a revista Vida Nova, fundada emMeconta, em 1960, com o nome de Boa Nova, por obra dos Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova). Quando foi aberto o Centro Catequético no Anchilo, a revista passou a ser alí editada, com o atual nomeVida Nova.Em breve tempo tornou-se um importante meio de comunicação para os cristãos. Os assuntos foram desde o princípio temas bíblicos, de catequese, de formação cristã, de liturgia, de promoção da mulher, de justiça e paz, de educação, contando sempre com a participação ativa dos leitores através de cartas e contribuições pessoais enviadas à revista.Ao longo destes 60 anos de actividade, na revista Vida Nova sucederam-se vários directores, os Padres: Graziano Castellari, Cornélio Prandina, Francisco Antonini, Pier Maria Mazzola, António Bonato, João de Deus Martinez González, António Manuel Constantino Bogaio, Tiago Palagi, Victor Hugo Garcia Ulloa. Atualmente, a equipa de redação é composta pelo Pe. António Bonato, missionário comboniano e Pe. Cantífula de Castro, do clero diocesano de Nampula. Importantes colaboradoras foram também as Irmãs Missionárias Combonianas: Pina Scanziani, Daniela Maccari e Marcela Moncayo. Posteriormente, colaboraram na revista as Irmãs de Nossa Senhora da Paz e Misericórdia: Deolinda Maria Edmundo Pires,Aida Gonçalves do Rosário e Natália José Toqueleque. Lembramos também a figura do Ir. Edgar Costa Marques, dos Missionários da Boa Nova, pelo incansável trabalho de impressão da Vida Nova. Juntamente com a revista, conquistaram também grande importância as edições do mesmo Centro. Foram imprimidos em língua macua textos sagrados e devocionais, catecismos e documentos da Igreja e subsídios para os vários ministérios das comunidades cristãs. Principal organizador destas traduções foi o Pe. Gino Centis, coadjuvado por alguns colaboradores, entre os quais os Padres Ambrogio Reggiori, Cornélio Prandina, Pier Maria Mazzola e o Sr. Daniel Sitora, que merece um agradecimento particular, pela sua dedicação e fidelidade ao serviço do Centro. Entretanto, nasceu tambémo Centro de Saúde do Anchilo, para responder às necessidades de assistência sanitária das famílias dos catequistas em formação. Em seguida, esta assistência estendeu-se também às populações vizinhas. O Centro de Saúde contou desde o princípio com a presença das Irmãs Missionárias Combonianas, entre as quais merecem um particular agradecimento as Irmãs Giulia Costa, Maria Pedron, Laura Malnati e Gabriella Visentin, que garantiram um apóio solícito e constante à população local. Pessoal missionário que serviu o Centro O Centro Catequético tornou-se um ponto de referência para a pastoral da Diocese, graças à presença e ao trabalho incansável de muitos missionários, missionárias e leigos comprometidos que colaboraram nas várias actividades e âmbitos de trabalho próprios desta realidade diocesana. No que diz resepito ao Centro Catequético, desde 1969 até 1975 estiveram presentes os Padres da Sociedade

ago 31 2020

CENTRO CATEQUÉTICO PAULO VI DE ANCHILO

ENCERRAMENTO DO JUBILEU DE 50 ANOS SEM DATA Por Kant de Voronha A paralisação das actividades motivada pelas sucessivas prorrogações do Estado de Emergência em Moçambique, influenciou negativamente na vida do Centro Catequético de Anchilo. A informação foi dada pelo Director daquele Centro pastoral que falando, em exclusivo, a nossa equipa de redacção, não esconde sua preocupação pelo facto de não ter havido cursos nem outros encontros durante 5 meses deste ano. “Isso prejudicou a presença de grupos assim como a própria auto-sustentabilidade da estrutura. De facto, o Centro cobre uma parte das despesas ordinárias através da venda de livros e das diárias dos cursistas”, disse o Pe Massimo Robol. A pandemia do Coronavírus mexe com toda estrutura existencial. Desde Março último (23) vários sectores da sociedade moçambicana viram-se condicionados na sua operacionalização visando mitigar e prevenir a contaminação massiva de COVID-19. O Centro Catequético Paulo VI não ficou alheio a essa realidade. Cinco meses depois de suspender todo programa de actividades, visando a sua retoma gradual, o Director do Centro em alusão, Pe Massimo Robol, salientou que por enquanto a prioridade vai para pedidos específicos de alguns grupos, aguardando a retoma das celebrações nas paróquias da Arquidiocese de Nampula. Pe Massimo Robol, Director “Neste momento, o Centro está a promover alguns encontros de capacitação e formação, limitando a actividade a alguns pedidos específicos da Caritas de Nacala e da CIRMO de Nampula. Acerca da programação para cursos de formação dos agentes de pastoral, o Centro está a espera que as paróquias retomem a sua actividade ordinária, e que as comissões arquidiocesanas organizem os seus encontros de formação também”. Em Outubro de 2019, o Centro celebrou a abertura do Jubileu dos 50 anos da sua fundação (1969). Porém, o seu encerramento que estava agendado para o dia 13 de Setembro de 2020 fica condicionado “à situação de incerteza que estamos a viver neste tempo da COVID-19. O Jubileu sofreu as limitações impostas pelo Estado de Emergência, assim que não foi possível dar a devida importância ao evento”, explicou Pe Massimo. Mas, porque “não é proibido sonhar”, foi enviado um inquérito a todas as paróquias e comunidades religiosas da Arquidiocese de Nampula com objectivo de colher sensibilidades e propostas sobre uma possível requalificação do Centro em função das prioridades indicadas por todos. Com efeito, a nossa fonte reconhece que “É necessário saber responder a este tempo de mudança com responsabilidade e competência, adequando o serviço às exigências do momento actual”. Como casa de todos, o Centro Catequético “está sempre disponível para acolher grupos ou comissões que queiram oferecer momentos de formação, para aprofundar aspetos da vida social e religiosa dos cristãos da Arquidiocese. O importante é saber aproveitar bem deste espaço, como lugar de encontro, de partilha de experiências pastorais, como laboratório para produzir material de informação e formação para que todos possam viver bem o dom da fé que receberam e são chamados a transmitir. Nisso, é necessário que todos se sintam responsáveis e protagonistas na vivência e na sustentabilidade do Centro, património da história e da tradição cristã da nossa Igreja local” apelou o Pe Massimo. Refira-se que o Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula em finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral inaugurado em 14 de Setembro do mesmo ano.

ago 27 2020

1º Aniversário da Visita do Papa Francisco à Moçambique

Por ocasião do 1º Aniversário da visita do Papa Francisco à Moçambique os nossos Bispos nos convidam a celebrar e recordar este acontecimento no Domingo 6 de Setembro 2020.   A seguir leia o comunicado da CEM enviado a todas as Comunidades do Pais: Nota Pastoral da CEM alusiva ao 1º aniversário da visita Papa Francisco a Moçambique

ago 27 2020

“Carta de apoio da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ao Dom Luiz, bispo de Pemba

carta de apoio ao Bispo de Pemba Dom Luiz Lisboa pela CNBB Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

ago 26 2020

Catequese para os sacramentos ou catequese dos sacramentos?

Catequese para os sacramentos ou catequese dos sacramentos? Em todas as comunidades já recomeçaram as actividades da catequese. São milhares os catequistas que se dedicam a transmitir a fé e a ensinar a vivência cristã. Queremos aqui dar um pequeno contributo para ajudá-los na preparação duma catequese viva que possa renovar a vida de cada catecúmeno. Jesus instituiu alguns sinais, chamados pela Igreja de Sacramentos, para nos transmitir a graça e para nos fazer andar no caminho da salvação. Trata-se: do Batismo, da Confirmação, da Eucaristia, da Penitência, da Unção dos Enfermos, da Ordem e do Matrimónio. Para entender melhor: a palavra grega “mysterion”, usada pelos padres da Igreja nos primeiros séculos, foi traduzida para o latim por dois termos: “mysterium” e “sacramentum”. O termo “sacramentum” exprime mais o sinal visível da realidade escondida da salvação, indicada pelo termo “mysterium”. Portanto, os sete sacramentos são sinais e instrumentos pelos quais o Espírito Santo difunde a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja, que é seu Corpo. A Igreja contém, portanto, e comunica a graça invisível que ela significa (Cat. Igrej. Cat. 774). Como explicar os sacramentos na catequese Já percebemos que os Sacramentos são sinais da graça de Deus e da sua presença de amor e misericórdia para nós. Então, podemos explicar isso, para os nossos catecúmenos, buscando elementos da nossa vida cotidiana. Por exemplo, uma mãe ou um pai que abraça os seus filhos, demonstra pelo sinal do abraço que os ama. Um namorado que presenteia-se à sua namorada com um buquê de rosas, demonstra pelas flores o sinal do seu afeto por ela. Mas atenção que ao contrário do abraço que sempre estamos desejando e das flores que murcham, os Sacramentos são sinais permanentes e sagrados em nossas vidas.   Passar da catequese para os sacramentos, à catequese dos sacramentos A relação entre catequese e sacramentos foi muito estreita e muito diferenciada ao longo da história e nos diversos períodos da Igreja. Primeiro, catequizar ou evangelizar foi o comando que Jesus deixou à Igreja e aos seus discípulos antes de subir ao Céu (Mc 16,19). Assim, seguiram os primeiros cristãos evangelizando e, como consequência, baptizando os que aderiam à fé cristã. O baptismo era sinal visível da conversão: passava-se da velha vida à vida nova no mergulho em Cristo, o Homem Novo. Como nova criatura, o baptizado pertencia a um povo; não estava mais só, não seguia sozinho; fazia parte do caminho, a comunidade dos crentes. No começo da Igreja, no catecumenado, evangelização ou catequese e sacramentos caminhavam juntos. O catecumenado apresentava-se como um itinerário de evangelização. Tendo feito os diversos percursos propostos, os sacramentos da iniciação cristã eram ministrados aos catecúmenos. Mas os catecúmenos não entravam no processo evangelizador para receber os sacramentos, como se fosse um curso preparatório. Eles entravam no catecumenado para fazer o caminho do seguimento de Jesus, para aderir à fé. O baptismo a eles ministrado, juntamente com a participação na Ceia do Senhor, era um sinal de adesão a Jesus Cristo e à comunidade-igreja que os acolhia. Com o passar dos anos, muita coisa mudou. A Igreja, a partir do seculo V começou com a prática do baptismo de crianças. Aqui, o processo catequético se inverteu. Baptizava-se na fé dos pais, na esperança de evangelizar depois. Mas as crianças ainda não eram admitidas à mesa da Eucaristia, adiada para a idade adulta. Pio X, em 1905, autorizou a comunhão para as crianças e, desde então, a catequese ganhou esse contorno que ainda a define hoje. Com isso, a catequese se tornou preparação para recepção de sacramentos: da Eucaristia, para crianças; do Crisma, para jovens.   E hoje? Desde então, a catequese ficou atrelada aos sacramentos como condição para recebê-los. Toda a organização da catequese paroquial passou a girar em torno dos sacramentos. Centrada no sacramento, a própria catequese pode levar a pessoa ao afastamento da comunidade eclesial, quando já se recebeu o sacramento desejado. Muitos reclamam da evasão depois da recepção dos sacramentos. Reclamam que as crianças, jovens e também as vezes os próprios catecúmenos, desaparecem das comunidades. De facto, com esse esquema catequético, vamos conseguir segurar uma minoria na comunidade eclesial. As pessoas vêm buscar um produto da fé: o sacramento. Tendo-o recebido, sentem-se dispensadas de continuar na comunidade. Enquanto a nossa catequese for atrelada exclusivamente à recepção dos sacramentos e depender deles para ser efetiva, não vai gerar no coração do catequizando a vontade de seguir Jesus Cristo. Hoje, o problema é que o sacramento, de um sinal do seguimento e da adesão a Jesus, transformou-se em objetivo da catequese, o fim do caminho, a meta alcançada! Enquanto não devolvermos a catequese à sua origem evangélica, que é de fazer discípulos, teremos perdido grandes oportunidades de uma evangelização eficaz.

ago 26 2020

O DIREITO À TERRA

Por Conferência Episcopal de Moçambique Sabemos todos que no nosso país, nas nossas províncias, nas cidades e distritos incluindo nas nossas aldeias, o povo trava terríveis conflitos de terra. Há pessoas com dinheiro que enganam o povo a vender suas extensões de terra com muito pouco dinheiro. Há outros que até vendem a mesma porção por duas vezes e outros ainda que são arrancados sem ganhar nada. Eis o motivo que nos leva a recordar convosco as reflexões dos Bispos escritos na Carta Pastoral, “Promover a cultura da vida e da Paz” de 15 de Maio de 1996. O direito à terra O direito à terra rege-se pela lei positiva emanada dos poderes públicos e pelo direito costumeiro. A lei positiva nunca poderá ir contra a lei costumeira que é um direito anterior a quaisquer disposições da lei positiva. Isso significa que não é lícito exibir um título de propriedade recentemente adquirido para expulsar populações que desde tempos muito antigos, ocuparam sempre essas terras transmitidas de pais a filhos, ao longo de várias gerações, embora sem nenhum título de propriedade escrito. A Constituição da República de Moçambique em alguns dos seus artigos tem uma legislação sobre o direito à terra. O artigo 109 afirma que “A terra é propriedade do Estado. A terra não deve ser vendida, ou por qualquer outra forma alienada, nem hipotecada ou penhorada. Como meio universal de criação da riqueza e do bem-estar social, o uso e aproveitamento da terra é direito de todo o povo moçambicano.” (Art. 109). Quanto à lei costumeira, tal lei tem estado sujeita a diversas vicissitudes, primeiramente, quanto a sua interpretação e, em segundo lugar, quanto às dificuldades causadas pela deslocação das populações e pelo afluxo das pessoas às zonas urbanas. Nós, Bispos de Moçambique, regozijamo-nos pelo facto de se reconhecer oficialmente, o direito à terra, tanto o consignado na Constituição da República, como o que advém do Direito Costumeiro. Contudo, desejaríamos que tal direito se tornasse um direito concreto e efectivo e fosse um instrumento que assegurasse ao cidadão simples a defesa do direito à terra em que vive e da qual tira o necessário para a sua vida e para o sustento da própria família, sobretudo se ela pertencia aos seus antepassados. O Direito costumeiro Portanto, o Direito Costumeiro, segundo o qual vive a maioria da população relativamente ao uso das terras, não deve reduzir-se a letra morta, mas deve ser efectivo para facilitar a aquisição de títulos de propriedade em favor dos moçambicanos: facilitar a justa distribuição de terras, tendo em conta, primeiramente, os moçambicanos, abrindo possibilidades de créditos bancários ao investimento agrícola; travar o avanço das multinacionais e das grandes empresas ou possíveis investidores estrangeiros que possam contrariar o “direito da terra” para os moçambicanos. Portanto, para nós, o Direito Costumeiro de posse da terra continua a ocupar um lugar fundamental, não podendo qualquer Lei sobre as terras ou qualquer disposição do Governo ignorar ou subestimar tal direito. E não é necessário lembrar que qualquer disposição que ignorasse ou menosprezasse tal direito, poderia causar nas populações uma inquietação em nada favorável à paz e à tranquilidade social. Na verdade, a terra, além de constituir para as famílias e populações um direito que lhes vem dos antepassados, constitui, igualmente, a base fundamental de sobrevivência, quer das pessoas em geral, quer do próprio clã. Por outro lado, o direito à terra é um direito inerente a toda a pessoa (cf. G.S. 69, 74, 87).   O Ensino Social da Igreja O Ensino Social da Igreja em muitos dos seus documentos tem afirmado e definido energicamente este direito, ligado à propriedade privada, a qual deve ser considerada como “espaço vital” para a Família (M.M. 45) e como meio idóneo para a afirmação da personalidade (M.M. 113). Com efeito, a propriedade privada comporta desde sempre, uma função social (M.M. 20; 28; 120; 121), sendo por isso necessário que, em todo o tipo de propriedade, se tenha em conta o princípio relativo ao destino universal dos bens (C. A. 30-31). Na defesa do direito de propriedade privada há que ter em conta igualmente o avanço do “capitalismo selvagem” (C. A. 8), assim como os “monopólios” ou os novos donos do mundo, tais como as multinacionais e outros poderes económicos cujas políticas deixam, por via de regra, tantos povos à margem do progresso e do desenvolvimento a que têm direito (C. A. 35). Aflição do povo moçambicano Gostaríamos, por fim, de chamar a atenção para a grande aflição em que vive o povo moçambicano por ver perdidas, de um dia para outro, as terras dos seus antepassados, especialmente as terras mais férteis, assim como para a intranquilidade dos cidadãos ao verem o seu direito à terra impunemente lesado e muitas vezes sem terem, na maior parte dos casos, a quem recorrer para apresentar as suas legítimas reclamações, e verem defendidos os seus direitos. Terminamos, apelando a todos os homens e mulheres do nosso País, a todos os jovens e famílias, a todos os partidos políticos e poderes públicos, ao Governo, à sociedade civil, às Instituições de Educação e de Cultura, às Associações de carácter social, cultural e de direitos humanos, aos Meios de Comunicação Social, às Igrejas e Religiões para que assumam com entusiasmo cada vez maior este combate em favor da vida, em favor da justiça social e da edificação de uma sociedade em liberdade, em favor de um País verdadeiramente desenvolvido, culto, pacífico e democrático. É tempo de anúncio da vida e da vida em abundância! É tempo de paz na justiça e no amor!

ago 19 2020

A solidariedade do Papa para com o povo de Cabo Delgado

  Papa Francisco telefonou ao Dom Luiz na manhã do dia 19/8. Ele disse ao Dom Luiz que está próximo da vida do povo de Cabo Delgado e está a acompanhar com muita preocupação aquilo que está a acontecer naquela parcela do País. Ele assegurou que não esqueceu a sua visita à Moçambique e que está preocupado e se solidariza com todas aquelas famílias que neste momento estão a sofrer e estão deslocadas. Encoraja a Igreja de Moçambique, em particular aquela de Pemba, a continuar a apoiar esta humanidade ferida e a não ter medo de denunciar todo o tipo de violência perpetradas contra pessoas inocentes. Assegurou a sua oração e bênção apostólica.   Telefonema do Santo Padre Papa Francisco ao Bispo de Pemba Hoje, dia 19 de Agosto de 2020, às 11 h 29’, para minha surpresa e alegria, recebi um telefonema de Sua Santidade, o Papa Francisco que me confortou muito. Ele disse que está bem próximo do Bispo e de todo o povo de Cabo Delgado e acompanha a situação vivida na nossa Província com muita preocupação e que tem rezado por nós. Disse ainda que o bispo lhe diga se há mais alguma coisa que ele possa fazer. Agradeci muito a ele por esse gesto e por ter mencionado a crise humanitária que vive a Província de Cabo Delgado durante a bênção Urbi et Orbi que ele pronunciou no dia da Páscoa, 12 de Abril. Eu disse a ele que depois de sua menção a Cabo Delgado, houve muito mais interesse por parte de todos (países, dioceses de várias partes do mundo, congregações religiosas, organizações internacionais, individualidades) tanto de dentro como de fora de Moçambique e que, a partir daí, Cabo Delgado voltou para o mapa porque parecia que já não estava. Ele disse: “Que bom!” Falei sobre a difícil situação de Mocímboa da Praia que, neste momento, está tomada pelos insurgentes e que duas religiosas da Congregação de São José de Chamberry que lá trabalham estão sem contacto com a Diocese há uma semana, ao que o Papa respondeu: “Que triste!” Prometeu rezar também nessa intenção. O Santo Padre afirmou que lembrava muito bem da sua Visita a Moçambique em 2019 e que já naquela altura se preocupava por Cabo Delgado. Ele pediu que, aquilo que precisarmos, poderemos encaminhar ao Cardeal Czerny, do Dicastério do Desenvolvimento Humano e Integral. Garanti nossa proximidade a ele, Papa Francisco, e afirmei que rezamos todos os dias por ele. Por fim, ele disse que está connosco e nos encorajou: Adelante!, que significa Avante!, Continuem! Para encerrar a nossa conversa, enviou a sua bênção apostólica a todo o povo de Cabo Delgado e de Moçambique. Luiz Fernando Lisboa, cp Bispo de Pemba   A seguir acompanhe a conferencia de imprensa: https://web.facebook.com/264387864222794/videos/591986861490185/

ago 17 2020

Retoma de cultos em Nampula

Redução de número de fiéis preocupa CISLAMO em Nampula Mais de 60 mesquitas na província de Nampula estão em condições para voltarem aos cultos no dia 18 de Agosto do corrente ano. Sheik Abdul Magid António falando aos membros do Conselho Islâmico de Nampula explicou que realizaram actividades de monitoria e fiscalização em diferentes distritos desta província para verificar se as mesmas reúnem condições para retomarem aos cultos. “O desafio que neste momento estamos a enfrentar, como Conselho Islâmico de Nampula, tem haver com a redução do número de fiéis para 50” sublinhou Sheik Abdul Magid António, e referiu que estão a realizar campanhas de sensibilização aos fieis de modo que eles se adaptem com a nova regra de adorar a Deus. “Os espaços já foram demarcados para acolher 50 fiéis” – avançou Abdul Magid António o qual garante que os membros e seus respetivos dirigentes foram exortados a trabalhar juntos para evitar que as mesquitas depois de iniciarem os cultos no dia marcado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, não contribuam no aumento de casos do novo coronavírus na província. (Júlio Assane)

ago 17 2020

Bauman e a dificuldade de amar e egocentrismo exagerado

Bauman e a dificuldade de amar e egocentrismo exagerado A minha breve reflexão está basicamente inspirada no Amor líquido de Bauman e a actual conjuntura que estamos mergulhados. A primeira questão que coloco a todos é se há clara compreensão sobre o amor e quando pronunciamos o que pretendemos atingir. A outra verificação embora não muito profunda é a “alegria” dos egocêntricos neste tempo de COVID-19. Pois é, eles estão bem e são os mais felizes porque se antes se incomodavam ao encontrar e conviver com os outros, com o distanciamento social ninguém os incomoda. Mas até quando essa alegria vai durar?  Se por um lado os egocêntricos estão em festa os joviais e amigáveis estão de luto pois não conseguem partilhar a vida devidamente devido às restrições. Coragem!  Isso tudo vai passar.  Nos dois lados, os extremos: egocêntricos e amigáveis, há um aprendizado muito além da capacidade humana.  Uns querem continuar se isolando e outros querem estar com os outros brevemente. Aristotéles diz que o ser humano é um ser social, mas hoje podemos trazer nova afirmação: alguns seres humanos são seres sociais e outros são seres selvagens. Dependendo do ambiente em que a pessoa cresce e como ela assimila as coisas, umas são sociais e outras são selvagens. Cabe o estado isolar os selvagens para uma correção e posterior reintegração na sociedade. Outros selvagens continuarão a conviver conosco porque não cometem crimes mas se distanciam de todos  por causa dos seus comportamentos de pensarem que os outros são inimigos. Podemos passar anos e anos sem compreender como os egocêntricos processam suas mentes e suas emoções. Vamos ao nosso amigo Zygmunt Bauman  que é autor de inúmeras obras com a palavra líquido em seu título. A noção de liquidez proposta pelo filósofo e sociólogo polonês,  já  falecido, é aplicada aos mais variados temas como a modernidade, o amor, o medo, a vida e o tempo, expressando a fluidez, isto é, a imensa facilidade com que estes elementos escorrem pelas mãos do homem moderno. Nesse tempo de COVID-19, o medo perpassa nos vários cenários sociais: na Educaçao todos têm o medo de perder o ano lectivo e atrasar os projectos dos filhos e filhas. Na saúde, os governos temem um colapso total do sistema de saúde. Os pobres e os ricos têm medo da morte. Os ricos têm medo de perder toda riqueza. Os fundamentalistas têm medo que Deus esteja a condenar a humanidade.  E você qual é o seu medo? Ao escrever este texto direciono me a si para que saia do medo e covardia. Abra seu coração para viver o agora com todos os desafios mas pense sempre nos outros e na complexidade da vida.  A seguir trago o que Bauman no livro sobre o amor líquido, num dos capítulos no qual ele fala sobre a dificuldade de amar o próximo destacando o modo como lidamos com os estranhos. O medo de amar o estranho aprisiona muita gente mas como dissemos acima, essa dificuldade tem a ver com a própria forma como cada um é criado.  Quem cresceu tomando surra e quase numa cadeia domiciliar, qualquer atitude do outro pode abrir as sequelas das torturas antigas.  Eu acredito que nessa dificuldade de amar é que se encontra a raiz de tantos dos nossos problemas seja na esfera pessoal ou pública. Se não consegue amar então vai odiar ou invejar. O pior é quando uma pessoa olha aos outros como inimigos ou responsáveis pela desgraça que vive. Outro ponto discutido pelas novas atitudes do homem moderno está no consumismo e possessão. Vivemos em uma sociedade fortemente marcada pelo conflito “*ser*” versus “*ter*” na qual o homem passa a se expressar pelas suas posses, ou seja, isso é meu, este é meu marido, esta é minha esposa, este é meu pai, esta é minha mãe etc, elementos definidores de sua própria identidade, o que reflete na busca por certa conformidade que ceifa a pluralidade de existências e segrega o que é diferente, estranho. O termo “nosso” é aplicado para um determinado grupo e o resto não.  O modo como as cidades se dividem é exemplo de possessão, os nichos considerados seguros são aqueles onde todos se parecem, exacerbando a nossa dificuldade em lidar com os estranhos que passam a ser evitados através de sistemas de segurança, muros, investimento de cães bravos etc. A ideia que aparece é a resposta imediata do que o estado não providencia que é a segurança. Será que estamos seguros mesmo quando nossa casa esteja com todo aparato de segurança? A ideia de ser seguro engana muita gente. Como posso ficar unicamente seguro se ao lado está uma palhota que pode pegar fogo facilmente? Como posso estar na minha casa seguro se a cidade que vivo está a enfrentar na luta contra diferentes crimes? Muita gente evita a todo custo o incômodo de estar na presença de estranhos, começar a enxergar naquele que sequer se sabe o nome é visto como um inimigo em potencial e desconfiar de tudo e de todos só é possível graças ao desengajamento e ruptura de laços como sustenta Bauman. Se levarmos em conta que amar outra pessoa não é amar o que projetamos nela e sim a sua humanidade e singularidades, não será difícil compreender que o amor é um desafio nos tempos de modernidade líquida.  A busca pela felicidade individual nos transforma em tribunais individuais e, na disputa pela sentença a ser proferida, não raro, o que se vê é sair vencedor aquele que se recusa a ouvir o outro.  Facilmente, pois, livramo-nos dos compromissos e de tudo aquilo que nos pareça incômodo. Ninguém quer compromissos longos como casamento porque vai sofrer  por toda vida. Por isso encontramos pessoas que namoram hoje e dia seguinte abandonam. Trocam parceiros como se estivesse a trocar de roupa. Ainda que tão agarrados a nós mesmos, paradoxalmente, é bastante comum que a solidão seja companhia (e problema) constante de quem vive a descartar. No entanto, a solidão solitária, colocar-se numa ilha deserta, é início de um

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