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ago 17 2020

20 OBRAS DE MISERICÓRDIA PARA CONTIGO

20 OBRAS DE MISERICÓRDIA PARA CONTIGO Por Marta Rocha Disse Maria Robinson: «Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar hoje a fazer um novo fim.» Pára de desperdiçar o teu tempo com as pessoas erradas A vida é curta demais para gastares o teu tempo com pessoas que sugam a tua felicidade. Se alguém te quiser na sua vida, eles vão arranjar espaço para ti. Não deves ter de lutar por um lugar. Nunca insistas em alguém que continua a desvalorizar os teus esforços. Lembra-te, não são as pessoas que estão ao teu lado quanto estás no teu melhor, mas aquelas que ficam contigo quando estás no teu pior; esses sim, são os teus verdadeiros amigos. Pára de fugir dos teus problemas Enfrenta-os de cabeça. Não, não será nada fácil. Não existe nenhuma pessoa no mundo capaz de aguentar todos os murros que a vida lhe dá. Na verdade, fomos feitos para ficar tristes, desmotivados, magoados, tropeçarmos e cairmos. Porque essa é a verdadeira essência da vida – enfrentar problemas, aprender, adaptar e resolvê-los ao longo do tempo. Isso será o que nos irá moldar na pessoa que um dia seremos. Pára de mentir a ti mesmo(a) Podes mentir a qualquer pessoa no mundo, mas não podes mentir a ti mesmo. Tudo fica mais fácil quando aceitamos a situação em que estamos, sem ilusões e sem acreditar que algo é de uma forma quando tu próprio sabes que não é. Procura ser um pessoa mais honesta com ela própria! Pára de colocar as tuas necessidades em segundo plano Não há nada mais doloroso do que te perderes durante o processo de amares alguém, e esqueceres que tu também és especial. Sim, ajuda outros; mas ajuda-te a ti próprio. Se existe um momento para seguires a tua paixão e fazeres algo de significante para ti, esse momento é agora! Pára de tentar ser uma pessoa que não és Um dos maiores desafios na vida é tentares ser tu próprio num mundo que está sempre a tentar que seja como qualquer outro. Alguém será sempre mais bonito, alguém será sempre mais inteligente, alguém será sempre mais novo, mas esse alguém nunca será como TU. Não mudes para que as pessoas gostem de ti. Sê tu próprio e as pessoas certas vão adorar o teu verdadeiro eu. Pára de ter medo de cometer erros Fazer alguma coisa e falhar é pelo menos dez vezes mais produtivo do que não fazer nada. Cada sucesso tem um imenso historial de erros por trás, e cada um deles aproxima-te cada vez mais do sucesso. Tu irás acabar por te arrepender MUITO MAIS das coisas que não fizeste do que das coisas que acabaste por fazer. Todos cometemos erros, temos problemas e arrependemos-nos de coisas no nosso passado. Mas tu não és os teus erros, não és os teus problemas, e tu estás aqui AGORA com o poder de moldares o teu dia e o teu futuro. Pára de pensar que não estás pronto(a) Nunca ninguém se sente 100% preparado quando uma oportunidade aparece. Isto porque as melhores oportunidades na vida fazem com que tenhamos que crescer para além da nossa zona de conforto, o que significa que não nos vamos sentir confortáveis no início. Pára de te envolveres em relacionamentos pelos motivos errados Os relacionamentos devem ser escolhidos convenientemente. É melhor ficares sozinho do que em má companhia. Não precisas de te apressar. Se algo estiver destinado a acontecer, vai acontecer – na altura certa, com a pessoa certa, e pela razão certa. Apaixona-te quando estiveres pronta, não quando estiveres sozinha. Pára de tentar competir com todas as pessoas Não te preocupes com o que os outros possam estar a fazer melhor que tu. Concentra-te em bateres os teus próprios recordes todos os dias. O sucesso é uma batalha entre ti e os teus resultados. Pára de reclamar e sentir pena de ti A vida dá-te vários desafios por uma razão – para mudar o teu rumo na direcção certa para ti. Podes não ver ou perceber no momento em que acontece, e pode até ser bastante duro, mas reflecte um pouco sobre os difíceis desafios que já tiveste. Vais reparar que isso te levou a lugares melhores, pessoas melhores, situações melhores. Por isso, SORRI! Deixa que todos saibam que hoje estás muito mais forte do que estavas ontem, e amanhã estarás ainda melhor. Pára de guardar rancor Não vivas a tua vida com ódio no coração. Vais acabar por te magoares muito mais do que às pessoas que odeias. Perdoar não é dizer, “o que me fizeste está ok”. É dizer, “Eu não vou deixar que o que me fizeste arruíne a minha felicidade para sempre”. Perdoar é a resposta… deixa passar, encontra paz, liberta-te! Pára de perder tempo a dares explicações aos outros Os teus amigos não vão precisar e os teus inimigos não vão acreditar de qualquer maneira. Faz aquilo que achas que é certo no teu coração. Pára de negligenciar os pequenos momentos Aproveita as melhores coisas na vida, porque um dia podes olhar para trás e veres que elas eram as coisas maiores. A grande parte da tua vida serão os momentos pequeno em que passas a sorrir com alguém que é importante para ti. E isso é maravilhoso. Pára de seguir o caminho mais fácil A vida não é fácil, especialmente quando pensas em conseguir algo significativo. Não escolhas a saída mais fácil, faz algo extraordinário. A recompensa será muito maior. Pára de fingir que está tudo bem quando não está Nem sempre tens que fingir que és forte, e não há necessidade de provares constantemente que tudo te corre bem. Não te deves preocupar com o que as outras pessoas vão pensar. Chora, se precisares; é saudável e quanto mais cedo fores capaz de fazer isso, mais cedo serás capaz de voltar a sorrir novamente. Pára de culpar os outros pelos teus problemas A medida em que podes realizar os teus

ago 17 2020

Qual a origem do símbolo da paz?

Qual a origem do símbolo da paz? Quantas vezes já viste o símbolo da paz em t-shirts, bandeiras, paredes, entre outros? Quando vemos este símbolo, todos pensamos em paz, mas o que é que este símbolo significa em concreto? Quem o inventou e quando? Hoje cientista, vamos contar-te tudo sobre os segredos escondidos desta figura, uma vez que hoje se celebra o Dia Internacional da Paz! Quantos símbolos da paz existem? Até hoje já deves ter visto muitos símbolos da paz, como a pomba branca com um ramo de oliveira, a imagem com origens judias-cristãs e a CND (Campanha pelo Desarmamento Nuclear), normalmente conhecido como o símbolo do “Hippie”. No entanto, há muitos outros, como o Tubo da Paz, usado pelos nativos americanos (mais conhecidos como índios) para estabelecer a paz entre duas tribos; o “Senbazuru” do Japão, cuja lenda diz que uma grua concederá um milagre para quem conseguiu criá-los e que se tornou mais popular depois de uma menina desejar superar a sua doença causada pela radiação de uma bomba atómica; o círculo de três pontos, usado pelos barcos como um símbolo de rendição e paz; e muitos outros. Interessante, não é cientista? Qual a origem desses símbolos da paz? Embora haja um número infinito de símbolos de paz, há essencialmente dois que são mais conhecidos: a pomba branca e o símbolo do hippie, mas … por quê? O símbolo da pomba branca é um dos símbolos de paz mais conhecidos! No continente europeu essencialmente, devido às suas origens, uma vez que estas são as duas religiões predominantes neste continente. A sua origem encontra-se na Bíblia, mas só em 1949 é que se tornou símbolo da paz, após a Segunda Guerra Mundial. Pablo Picasso foi quem desenvolveu este símbolo, quando pintou algumas sobre o tema Paz. Para além disso, uma das suas pinturas foi imagem principal de um Congresso Mundial da Paz em 1949. Em relação ao símbolo CND (Campanha para o Desarmamento Nuclear), foi criado para uma proposta diferente. O seu autor, Gerald Holtom, criou-o como um símbolo para representar a luta pelo desarmamento de um armamento nuclear da indústria nos arredores de Londres em 1958. No entanto, começou logo a tornar-se popular! O movimento Hippie começou a usá-lo para lutar contra o racismo e a Guerra Vietnam, e transformou-o num símbolo pacifista. Mais tarde, os punks e outros grupos também o usaram, sendo atualmente considerado um símbolo de paz universal. Curiosidades: O símbolo CND foi originalmente criado com apenas um cartão e palitos. Olhando para o alfabeto da bandeira marinha, o significado do símbolo CND é um “N” e “D” sobreposto. Acredita-se que os antigoss egípcios usaram um ganso como um símbolo de paz. A palavra “calumet” (origem francesa) também é usada para se referir ao Tubo da Paz. O Círculo de Três Pontos foi estabelecido como uma bandeira da paz no Acordo de Paz de Roerich em 1935.   Agora que já conheces um pouco mais sobre os diferentes símbolos de paz, podes fazer algo mais cientista … usa-os! Comemora o Dia Internacional da Paz e perdoa aqueles com quem estás chateado!

jul 21 2020

IGREJAS FANTASMAS PREOCUPAM RELIGIOSOS EM NAMPULA

Província de Nampula IGREJAS FANTASMAS PREOCUPAM RELIGIOSOS EM NAMPULA Os lideres religiosos das diferentes congregações mostram-se preocupados com o aumento de igrejas que têm a função de extorquir os seus fieis usando o nome de Deus. A preocupação foi apresentada ontem (Segunda-feira) pelos líderes religiosos durante a sessão de auscultação pública da proposta da lei de liberdade religiosa e culto que contou com a presença de 16 diferentes líderes religiosos. A auscultação pública enquadra-se no processo de quarenta dias de consulta pública lançada pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos que tem por objectivo envolver as confissões religiosas e outras forças vivas da sociedade, no processo de elaboração da proposta de lei da liberdade religiosa e culto, de forma a colher as suas contribuições e subsídios a nível nacional. Alguns lideres religiosos que falaram à imprensa explicaram que a revisão da lei de liberdade religiosa e culto vai ajudar as confissões religiosas a ter um bom funcionamento, saber respeitar as outras religiões e reduzir o número de igrejas fantasmas que têm a função de roubar a sociedade e não de ajudar a mesma a ter a paz divina (DEUS). “As confissões religiosas neste momento precisam de uma lei divina que muitos perderam” explicou o padre Pinho dos Santos, representante da Igreja Católica e referiu que muitas pessoas hoje em dia usam as confissões religiosas para tirar dinheiro das pessoas vulneráveis com promessas de ajuda-las na sua vida e depois disso nada acontece. A representante da Visão Mundial e gestora do distrito de Nacarôa, Mercy Chaledzera, explicou que a revisão da lei de liberdade religiosa e culto deve servir para educar e ajudar as confissões religiosas no processo de mudanças de comportamento da sociedade para um futuro melhor distante de violência doméstica principalmente para crianças. O Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Oreste Gondola, disse que as confissões religiosas têm a missão de ajudar os seus membros a ter um bom comportamento dentro da sociedade e de mante-las distante das diferenças religiosas por Moçambique ser uno e inseparável. (Júlio Assane)

jul 17 2020

neste tempo de coronavirus: NÃO ESTAIS SOZINHOS

No início do mês de Junho a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) reuniu-se no Maputo para a sua reunião ordinária. Nesta ocasião publicaram 3 documentos importantes  para as nossas comunidades.   Uma carta dirigida aos irmão de Cabo Delgado que sofrem neste momento particular: Carta-Mensagem da CEM aos Irmãos de Cabo Delgado Plenária de Junho 2020   Uma Nota Pastoral na qual os Bispos fazem uma avaliação da vida das comunidades neste tempo de pandemia e lançam desafios  e propostas para toda a Igreja moçambicana. Uma nota digna de reflexão e implementação: Nota Pastoral CEM Plenária Junho 2020     O Comunicado oficial da reunião da CEM: Comunicado oficial CEM Plenária Junho 2020    

jul 17 2020

A coragem da Paz e o Compromisso da Missão

«Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Nosso Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, o Qual nos consola em todas as nossas tribulações afim de podermos consolar, com a mesma consolação com que somos consolados, aqueles que estão atribulados». Nós os Bispos Católicos de Moçambique, reunidos no Seminário de Santo Agostinho da Matola, na nossa Segunda Assembleia Plenária Ordinária Anual (Novembro 2019), solícitos em servir e confirmar os irmãos na fé e empenhados em colaborar na promoção do bem para todos os moçambicanos, saudamo-vos com afecto. Comunicado da CEM 2019

jul 15 2020

Resposta à carta “Anciãos sem casamento canónico”

Resposta à carta “Anciãos sem casamento canónico”, VN setembro 2016 Por Comunidade São João de Deus, Nampula A carta em referência é da autoria de um grupo pequeno de cristãos descontentes que usam mal a sua liberdade de expressão enveredando pelo caminho da difamação. Como resposta a esta carta, queremos esclarecer o seguinte: a comunidade de São João de Deus é dirigida por uma anciã (pela primeira vez na historia da comunidade sede), eleita com 156 votos válidos, contra 80 votos do seu seguidor mais direto. A nossa anciã é uma cristã comprometida, batizada, crismada e viúva há mais de dez anos. Por causa da sua maturidade na fé desempenhou alguns ministérios na comunidade e na paróquia. Como anciã, ela conseguiu dinamizar a comunidade ao ponto de iniciar a construção da nossa sede paroquial, coisa que nunca se viu na história da paróquia. Alguns descontentes da comunidade não toleram, que uma mulher consiga tantas proezas e daí que começa tal difamação contra ela. Para nós, não há nenhum impedimento para que a nossa anciã desempenhe o seu trabalho. Encorajamo-la a prosseguir com o seu vigor e dinamismo espiritual.

jul 15 2020

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO (Parte II) Por: Carlos Mesters Jesus é a chave principal da Sagrada Escritura (DV 2.4.16) Para nós cristãos, Jesus é o centro, a plenitude e o objetivo da revelação que Deus vinha fazendo de si desde o Antigo Testamento (DV 2.3.4.15.16.17). “Os livros do Antigo Testamento adquirem e manifestam sua plena significação no Novo Testamento e, por sua vez, o iluminam e explicam” (DV 16). Sem o Antigo Testamento não se entende o Novo, e sem o Novo não se entende o Antigo. A experiência viva de Jesus na comunidade é a luz nova nos nossos olhos para poder entender todo o sentido do Antigo Testamento (DV 16). Cristo está como que do nosso lado, olhando conosco para o Antigo Testamento, clareando-o com a luz da sua presença. Dizia Santo Agostinho: “Novum in Veterelatet, Vetus in Novo patet”, o que significa “O Novo está escondido no Antigo, o Antigo desabrocha no Novo”. Tudo isto tem uma atualidade muito grande. Não se trata só de descobrir como os primeiros cristãos souberam encontrar as figuras de Jesus no Antigo Testamento (DV 15). Trata-se sobretudo de fazer hoje o que eles fizeram, a saber: descobrir como o nosso “antigo testamento”, isto é, a nossa história pessoal e comunitária, está sendo empurrada pelo Espírito de Deus para a vida plena em Cristo. A conversão para Cristo tira o véu dos olhos e faz entender o sentido da Bíblia e da vida (2 Cor 3,16). De um lado, a Bíblia ajuda a entender e a aprofundar aquilo que estamos vivendo em Cristo. De outro lado, nossa vida e nossa prática nos ajudam a entender melhor o sentido cristológico da Escritura. Antigamente, este sentido era chamado de “sentido espiritual”. Isto é, o Espírito nos ajuda a descobrir o sentido que o texto antigo tem para nós hoje. Também era chamado “sentido simbólico”, pois unia (sym-ballo) a vida e a Bíblia. Aceitar a lista completa dos livros (DV 16) Existem duas listas de livros inspirados: a lista judaica, que compreende o que nós chamamos o Antigo Testamento, e a lista cristã, que compreende os livros do Antigo e Novo Testamento. Aceitar a lista completa é aceitar a unidade dos dois Testamentos e admitir que uma e mesma economia divina une os dois Testamentos num único projeto de salvação e de libertação, projeto que só se revela plenamente na medida em que o Antigo passa a ser Novo. Esta passagem do Antigo para o Novo começou no momento da Ressurreição de Jesus e ainda não terminou. A cada momento novos povos, novas pessoas e novos setores da nossa vida pessoal e comunitária vão entrando no “Caminho” (At 9,2; 18,25.26). Esta passagem, páscoa, envolve tudo e todos, pois tudo foi criado por Deus para Cristo (Cl 1,16). Assim, cada pessoa, cada grupo, cada comunidade, povo ou nação tem o seu Antigo Testamento, tem a sua história de salvação e deve fazer a sua passagem do Antigo para o Novo, isto é, deve aprofundar a sua vida até descobrir lá na raiz, a presença amiga e gratuita de Deus, empurrando tudo para a plena vida em Cristo. A Bíblia com seus dois Testamentos é norma, é cânon, dado por Deus, para ajudar-nos no discernimento e na realização desta nossa páscoa de salvação e de libertação. “Renovar” é fazer com que também hoje nas nossas vidas o Antigo se torne Novo. A Bíblia é livro da Igreja (DV 21) Quando nos reunimos em torno da Palavra de Deus, formamos um pequeno santuário ou sacrário, tão santo quanto o sacrário que conserva o Corpo de Cristo. Na Igreja existem o Livro e o Cálice (João XXIII), o santuário da Palavra de Deus e o santuário do Corpo de Deus (DV 21). Os inúmeros pequenos santuários da Palavra de Deus que, assim, se espalham pelo mundo, sobretudo entre os pobres, são as pontas finas e frágeis da raiz que dão força e vigor à árvore da Igreja. Estes pequenos santuários em torno da Palavra de Deus são o lugar, onde a Igreja nasce como a água da sua fonte. A Bíblia não é, em primeiro lugar, um livro de piedade individual, nem uma cartilha de transformação social, mas é o livro de fé da comunidade, livro de cabeceira. A Palavra de Deus gera a comunidade. Interpretar a Palavra de Deus não é a atividade individual do exegeta que estudou um pouco mais que os outros, mas é e deve ser uma atividade comunitária, na qual que todos participam, cada um a seu modo com os seus dons, inclusive o exegeta. Deste modo, surge e cresce o sentido comum, aceito e partilhado por todos. É o “sensusecclesiae”, o “sensusfidelium”, o “sentido de fé da Igreja”, com o qual todos se comprometem como se fosse com o próprio Deus. Este “sentido de fé da Igreja”, quando partilhado por todos nos Concílios Ecumênicos e expresso pelo Magistério, cria o quadro de referência dentro do qual se deve ler e interpretar a Bíblia. Levar em conta os critérios da fé (DV 12) Não basta a razão para poder captar todo o sentido que a Bíblia tem para a nossa vida. É necessário levar em conta também os critérios da fé e ler a Bíblia “naquele mesmo Espírito em que foi escrito” (DV 12). Os critérios da fé são três: “Atender com diligência ao conteúdo e à unidade de toda a escritura, levada em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé” (DV 12). Ou seja, a interpretação cristã da Bíblia deve levar em conta: (1) a “unidade de toda a Escritura”, isto é, a Visão Global da Bíblia; (2) a “tradição viva da Igreja” dentro da qual a Bíblia foi gerada e é transmitida; (3) a “analogia da fé”, isto é, a vida da Igreja dentro da qual e em função da qual a Bíblia é lida e interpretada. Os três têm o mesmo objetivo: descobrir o sentido pleno da Escritura, impedir

jul 15 2020

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO (Parte I) Por: Carlos Mesters Nos anos depois do Concílio saíram vários documentos da parte do Magistério para estimular e orientar a leitura e a interpretação da Bíblia na Igreja. Pois a fidelidade à Igreja, à Tradição e ao Magistério é tão importante para a interpretação da Bíblia quanto a raiz para a árvore. Apresentamos aqui dez normas hermenêuticas (de interpretação), frutos do Vaticano II, que estão orientando a leitura e a interpretação da Bíblia na Igreja hoje.   Crer que a Bíblia é Palavra de Deus (DV 11) A fé de que a Bíblia é Palavra de Deus é o que mais caracteriza a leitura cristã da Bíblia. É por ser Palavra de Deus que a Bíblia tem aquela autoridade. A Palavra de Deus, porém, não está só na Bíblia. Deus também fala pela vida, pela natureza, pela história (DV 3). A leitura da Palavra escrita da Bíblia ajuda a descobrir a Palavra viva de Deus na vida. Santo Agostinho ensina que Deus escreveu dois livros. O primeiro livro é a criação, a natureza, a vida. O segundo livro é a Bíblia, inspirada por Deus para nos “devolver o olhar da contemplação”, para que possamos ler e interpretar melhor o Livro da Vida e da Natureza. Por ser Palavra de Deus, a Bíblia, quando “lida e interpretada naquele mesmo Espírito em que foi escrita” (DV 12), comunica a luz e a força deste mesmo Espírito aos que a lêem. Por isso, a Palavra de Deus tem força para realizar o que transmite (DV 21).   É Palavra de Deus em linguagem humana (DV 12) A linguagem usada por Deus para comunicar-se conosco na Bíblia é, em tudo, igual à nossa linguagem, menos no erro e na mentira. Por isso ela deve ser interpretada com a ajuda dos mesmos critérios que se usam para interpretar a linguagem humana: crítica textual, crítica literária, pesquisa histórica, etnologia, arqueologia, etc (DV 12; Pio XII 20). Do contrário, caímos no erro do fundamentalismo que tanto mal faz, pois desliga a Bíblia do contexto da realidade humana daquela época, isola o leitor e a leitora da comunidade e da tradição e separa vida e fé.   Deus se revela a si mesmo na sua Palavra (DV 20) O povo cristão procura e encontra na Bíblia “o conhecimento de Deus e do homem e a maneira pela qual o justo e misericordioso Deus trata com os homens” (DV 15). A Leitura Orante faz com que o modo de pensar de Deus, aos poucos, se torne o nosso modo de pensar. Por isso mesmo, ela ajuda a descobrir e quebrar em nós as falsas ideologias, e contribui para que aprendamos a olhar a vida com os olhos de Deus. Antes de ser um catálogo de verdades, a Bíblia é a revelação da graça e da misericórdia de Deus (DV 2). Ele nos amou primeiro! Para os pobres e oprimidos, esta revelação significa, desde sempre, que Deus se inclina para escutar o seu clamor e estar com eles na sua aflição, para caminhar com eles e libertá-los do cativeiro (Ex 3,7-8; Sl 91,14s). O objetivo primeiro da Bíblia é ajudar-nos a descobrir na vida esta presença amiga de Deus e experimentar o seu amor libertador. A leitura da Bíblia funciona como um colírio que vai limpando os olhos. Esta revelação e experiência de Deus são fruto, ao mesmo tempo, da graça de Deus e do esforço humano. De um lado, a revelação que Deus faz de si mesmo provoca nossa colaboração e participação e exige a observância da Aliança. De outro lado, ela “nos faz participar dos bens divinos que superam inteiramente a capacidade da mente humana” (DV 6). Eficiência e gratuidade, luta e festa, natureza e graça, ambos se misturam na caminhada conflituosa em direção a Deus. Este olhar libertador, nascido de Deus, liberta e abre o sentido da Bíblia.

jul 15 2020

O CATECUMENADO: CAMINHADA DAS TREVAS PARA A LUZ

O CATECUMENADO: CAMINHADA DAS TREVAS PARA A LUZ (1Sam. 16, 1b.6-7.10-13ª; Ef. 5, 8-14; Jo. 9, 1-41) A caminhada do cego corresponde à dos catecúmenos. O momento que marca o encontro com a Luz é o dia do batismo. É interessante que o cego não vê a Luz (não chega à fé em Jesus) de repente. Primeiro Jesus suja-lhe os olhos (para que reconheça que é pecador e confie naquele que o pode libertar do mal). Só mais tarde, fazendo o que Jesus mandou (a luz nasce da obediência ao Evangelho), ao lavar-se na piscina de Siloé (o batismo), é que começa a ver. Mas ainda não consegue ver tudo. Só depois de ser provado pelas dificuldades que lhe foram criadas pelos chefes do povo e até pelos seus próprios familiares, depois de ser maltratado pelo nome de Jesus é que o cego se prostra diante do seu Salvador, o Filho do Homem (o Filho de Deus que assumiu a natureza humana para a libertar do pecado, pela morte na cruz) e proclama: Eu creio em ti, Senhor! Caro catecúmeno: Dizer “eu creio em Ti, Senhor” não são palavras para serem ditas da boca para fora. Para veres a Luz tens que estar disposto a deixar-te lavar os olhos, a ver as coisas com o olhar de Jesus (o Evangelho) e a enfrentar com firmeza e decisão as forças que te querem fazer desistir: não deixes que nada te faça desanimar. Então chegarás à Páscoa e verás a Luz em todo o seu esplendor!

jul 15 2020

A SAMARITANA ENCONTRA O CAMINHO DE JESUS

A SAMARITANA ENCONTRA O CAMINHO DE JESUS (Ex. 17, 3-7; Rom. 5,1-2. 2, 5- 8; Jo. 4, 5-42) A mulher da Samaria percorre um caminho semelhante ao do catecúmeno, na compreensão de Jesus. Ela só conhecia a água do poço (uma felicidade material, relações amorosas com muitos homens). Pouco a pouco, na conversa com Jesus (as várias etapas do catecumenado) ela descobre coisas admiráveis: primeiro, que está a falar com uma pessoa extraordinária; depois, começa a ver que ele pode ser o messias prometido; por fim, sente que ele faz nascer dentro dela uma fonte de água viva (sente-se respeitada e amada como nunca tinha sido: o seu coração fica preso a Jesus, mas não fica ciumenta por outros o terem para eles, porque vai chamar toda a gente para conhecer Aquele que ela tinha encontrado). Ela termina proclamando Jesus como o Salvador do mundo. Caro catecúmeno, caro cristão: esta descoberta de Jesus parece fácil. Podes imaginar que, com a água do batismo, a amizade com Jesus vai ser tudo um mar de rosas. Mas, tal como aos Israelitas, que foram libertos do Egito e passaram pelo batismo do Mar Vermelho, não lhes faltaram dificuldades e até murmuraram contra Deus, assim o caminho do catecúmeno, mesmo depois do batismo, não está isento de sofrimentos que até lhe hão-de fazer pensar que Deus se esqueceu dele. Mas Deus é fiel às suas promessas: a felicidade da vida nova, que jorra da amizade com Jesus, constrói-se aos poucos, com paciência, na fidelidade aos compromissos do batismo. É uma caminhada longa como a dos israelitas no deserto, durante quarenta anos.

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