maio 11 2021
O Ecumenismo e unidade dos cristãos
Por Pe. Massimo Robol Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo 15,5) Este ano, a Comunidade monástica de Grandchamp, na Suíça, preparou o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que pode ser celebrada de 18 a 25 de Janeiro ou na semana que antecede a Festa de Pentecostes. As Irmãs da comunidade suíça, fundada na década de 1930, provenientes de diferentes países e tradições cristãs, foram responsáveis pelas reflexões, desenvolvendo o tema: “Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo 15,5). O encontro preparatório para a elaboração do material para a Semana de Oração, contou com a presença de membros do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, do Conselho Ecuménico das Igrejas e da Comunidade monástica de Grandchamp. O tema da Semana de Oração, escolhido pelas Irmãs, permitiu às religiosas de compartilhar a experiência da sua vida contemplativa e falar do fruto desta oração: uma comunhão mais profunda com os seus irmãos e irmãs em Cristo, e uma maior solidariedade com toda a criação. O material elaborado baseia-se em três pilares: oração, vida comunitária e hospitalidade. Eles são articulados como um apelo a permanecer em Cristo a fim de se aproximar dos outros e superar as divisões entre os cristãos. É Jesus que nos convida a deixar a sua Palavra habitar em nós, para que qualquer pedido que fizermos seja atendido. Como cristãos, como Igreja, desejamos unir-nos a Cristo para cumprir o seu mandamento de amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. Isto, sabendo que aproximar-se dos outros, viver em comunhão com outras pessoas, às vezes muito diferentes de nós, é um desafio. Num contexto ecuménico, a actual proliferação de muitas igrejas livres, igrejas pentecostais e seitas é um fenómeno que deve ser levado a sério. Estima-se que em Moçambique se encontrem mais de mil igrejas que não estão registadas. As que têm aval para exercer a sua actividade religiosa são de igual número! Infelizmente, a finalidade de muitas destas denominações cristãs é mais material do que espiritual. A pobreza e o momento difícil por que o país passa está a criar espaço para que as igrejas livres e as seitas prosperem. Sem tirar o desejo de encontro pessoal com Deus e da procura da sua ajuda, que animam os cristãos em geral, corre-se o risco que os crentes de muitas destas igrejas e seitas se tornem simples “consumidores” de produtos sagrados, “consumidores” de milagres, para conseguir melhorar as suas condições de vida. O Governo de Moçambique está a preparar uma legislação para enfrentar esta situação. Actualmente, está em fase de auscultação pública a nova proposta de Lei sobre a liberdade religiosa, de crença e de culto, à qual todos deveríamos poder dar um contributo construtivo. Porém isso é só parte da solução. De facto, perante estes novos desafios, o nosso esforço ecuménico pela unidade visível dos cristãos encontra-se numa encruzilhada. A experiência mostra que o processo ecuménico deve ser sustentado pela prática da vida e da fé dos próprios cristãos. Actualmente, o principal problema do ecumenismo é a sua fraca recepção por parte de muitas igrejas e confissões cristãs. Há ainda uma certa indiferença, incompatibilidade e desconfiança entre os próprios cristãos. Certamente, os esforços de aproximação e reconciliação custam e exigem sacrifícios, mas sempre sustentados pela oração de Cristo que deseja que sejamos um, como Ele está com o Pai, para que o mundo creia. Na véspera da sua paixão e morte, Jesus Cristo reza pelos seus discípulos, para que “sejam um só” (Jo 17,21). Esta oração é considerada a base do movimento ecuménico e, ao mesmo tempo explica o que é o ecumenismo. As palavras de Jesus não são uma ordem, um mandamento, uma regra, mas uma oração. Portanto, nós não podemos programar, organizar, nem conceber e construir a unidade de acordo com as nossas ideias e desejos. Podemos dizer que não existe uma Igreja mantida unida pela “cola”, porque a unidade que Jesus pede é uma graça de Deus e um compromisso de todos os cristãos. É preciso, então, dar espaço ao Espírito para que cada um possa ser transformado. Talvez seja o caso que todas as igrejas e denominações cristãs parem de andar à volta de si próprias, da sua hierarquia, dos seus pregadores, da sua estrutura, para que se fale cada vez mais de Deus, do seu amor, da sua misericórdia e da salvação de toda a humanidade em Cristo. Não podemos esquecer que, como cristãos, vivemos também numa criação que geme enquanto espera ser libertada: permanecendo em Cristo, pode-se receber a força e a sabedoria para agir contra estruturas de injustiça e opressão, para nos reconhecer plenamente como irmãos e irmãs em humanidade, e ser artífices de uma nova maneira de viver em respeito e comunhão com toda a Criação. Espiritualidade e solidariedade estão inseparavelmente unidas. Oração e acção devem estar juntas. Quando permanecemos em Cristo, recebemos o Espírito de coragem e sabedoria para acolhermos uns aos outros, favorecendo um clima de reconciliação, esperança e paz.
maio 10 2021
A CATEQUESE EM TEMPO DE CORONAVÍRUS
Por Pe. Jeremias do Rosário Em Dois mil e vinte atravessámos um ano atípico no âmbito civil bem como na linha da pastoral da igreja. O mundo inteiro viveu um grande susto e a nível dos serviços civis uma enorme mudança no ritmo dos trabalhos quotidianos. Toda esta conjuntura fez-nos viver novos tempos e novas experiências de vida. Efeitos do Coronavírus Na dimensão da fé também se notou um certo retardamento e paralisação no que diz respeito as celebrações em comunidade, encontros de catequese e reuniões de outras formações. Como é do conhecimento de muitos cristãos, sem catequese na igreja não há novos filhos de Deus, a igreja de Cristo não cresce, por isso Jesus disse em Mateus 28,19-20: “ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo”. Diante deste mandato, bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, catequistas e todos os baptizados, todos estes arautos da boa nova viram-se com dificuldades de como ir ao encontro dos catecúmenos e catequizandos de várias etapas devido às medidas propostas para prevenção do Coronavírus. Neste contexto, ouviam-se gritos de pessoas com pouca fé afirmando: “este é o tempo para o demónio governar”. Entretanto, Deus que é Sabio e Omnipotente não permitiu tal acontecimento. Foi assim que muitas famílias incentivaram a igreja família durante o tempo da pandemia. Foi assim que vimos muitas famílias reunidas não apenas aos domingos mas mesmo em dias lectivos rezando o terço, celebrando e partilhando a Palavra de Deus, fazendo orações invocando o fim da pandemia e a retoma da vida normal. Não foram raras vezes que ouvimos, passando pelos bairros, cristãos fervorosos afirmando “nós nunca ouvimos dizer que as igrejas fecham. Ninguém deve fechar portas a Deus”. Estas palavras confirmam o testemunho tão grande de fé do povo cristão, que sem medo ia para o meio da mata e la fazia as suas catequeses e pregação da Palavra uns aos outros. Porém, com a origem da pandemia alguns cristãos viram um tempo de graça e de intervalo para não rezar, não frequentar a catequese, não participar das missas, não fazer os trabalhos da igreja, em suma tais cristãos tinham em suas mentes que a igreja já acabou. O novo normal pastoral No contexto dum novo normal, a igreja ainda tem um grande desafio para a área da catequese grupal visto que ainda não se proclamou o fim total e completo da pandemia. Daí que a igreja deverá ainda estudar métodos e estratégias para fornecer a formação catequética dos seus membros. Importa referir que algumas igrejas usam os meios de comunicação social como: a radio comunitária, revistas e jornais, para fazer passar a mensagem cristã aos seus fiéis. A igreja precisa de um grande trabalho para ir em busca das ovelhas perdidas durante o período do Coronavírus, com novas estratégias de pastoral como acima referimos. O povo espera muito das palavras consoladoras da igreja nestes momentos tão cruéis em que o nosso país atravessa: a pandemia do Coronavírus, antecedida de dois ciclones IDAI e Kenneth e dois conflitos do centro e norte do país. Exigências dos novos tempos O povo precisa de um novo modelo de catequese e de novos profetas preparados especificamente na linguagem destes problemas. Por isso é urgente que os agentes da pastoral catequética e as equipas missionárias de várias dioceses se empenhem na formação face aos problemas de hoje. Pregadores de hoje sejam os verdadeiros profetas que vão à realidade do povo que sofre a fim de dar uma esperança viva a toda esta gente, a exemplo de Jesus Cristo que foi bom pastor e que teve compaixão do seu povo. Os catequistas precisam de ir ao encontro das ovelhas sofredoras e falar-lhes do sentido da fé e dá vida. Como sabemos, a Palavra de Deus não se encerra numa capela, antes pelo contrário, ela ecoa no mundo e o Espírito Santo a leva onde quer que seja e fá-la chegar a toda a gente. O valor da catequese A catequese é um meio de formação para os crentes. Sem ela a nossa comunidade eclesial é fraca e não tem futuros profetas; sem ela os sacramentos tornam-se apenas momentos de diversão. Daí a necessidade de fortificar a formação catequética mesmo em tempos difíceis da história da igreja. Precisamos de pastores incansáveis e que amam a Palavra de Deus, pastores que proclamem sem medo nem receio face as censuras da vida sociopolítica. Nesta hora precisamos de catequistas corajosos e que se entregam sem medida, que proclamam a verdade e a justiça. Catequistas que denunciam as injustiças e não catequistas mudos, embebidos com o medo. Precisamos de catequistas sérios que se doam no anúncio da mensagem cristã com dedicação. Se assim for, então teremos uma igreja viva e forte e nenhuma força do inferno prevalecerá contra ela. A catequese faz a comunidade cristã ou seja a catequese faz a igreja. Deste modo, os seus membros devem ser bem formados para que não deixem desmoronar esta igreja. Pois, cristãos bem formados na fé nada e ninguém lhes engana. Formação sólida na fé Face aos falsos profetas dos nossos dias precisamos de uma sólida formação na fé em Jesus Cristo mas também em matérias da vida da igreja e da defesa da sua soberania como uma instituição terrena e celestial. Os cristãos bem formados na fé conseguem ler os sinais dos tempos e os protagonistas dessa boa formação são os agentes da pastoral catequética. Os cristãos bem formados na fé são membros bem esclarecidos a respeito da fé da sua própria comunidade e também em relação às outras designações religiosas cristãs e não cristãs. Os cristãos bem formados são também tolerantes em relação à vivência de fé das outras confissões religiosas. Por isso, as autoridades eclesiais e os agentes da pastoral catequética se esforcem em formar os seus cristãos na fé e também os preparem para saberem
maio 10 2021
Vida Consagrada em Moçambique
Por Ir. Teresa Carolina de Carvalho, p.m. No dia 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação de Jesus ao Templo, celebra-se a Jornada Mundial da Vida Consagrada. O Papa francisco insiste constantemente sobre a profecia como elemento imprescindível na vida consagrada. Essa não pode renunciar à profecia sem correr o risco de perder o sabor e, portanto, a sua razão de ser. E aqui em Moçambique como estamos? Semente que brotou e que, ao sabor do vento e do sol escaldante da mãe África vai crescendo a seu ritmo. Com a ajuda da graça, abraça com fé e coragem os seus altos e baixos, características próprias de quem gradualmente quer aprender a ser adulto com tudo o que comporta uma maturidade holística. Com os olhos fixos em Jesus para amar a Deus Pai, amar os irmãos e viver, como Cristo os amou e viveu, abre-se sem reservas à acção fecundante do Espírito que por ela gera o Reino. Ela procura ocupar o lugar que lhe corresponde na Igreja e na sociedade. Consciente de que a consagração e o envio estão intimamente ligados como as duas “faces da mesma moeda”, vive com dinamismo e audácia a sua vocação Mística e Profética. Oferece continuamente orações e súplicas por si própria e pela humanidade. Evangeliza-se e evangeliza os que querem ouvir a Palavra da salvação. Sacramento de Cristo na terra, fixa as suas raízes no mistério de Deus Trindade e é pois, na Escola de Jesus Cristo que alimenta e aprofunda a sua vocação Consagrados em Moçambique Ao longo da história, ventos e tempestades a sacudiram e muitas das suas folhas caíram porém, como árvore plantada à beira das águas correntes, (Sl. 1,3) tornou-se vigorosa e viçosa. Quem poderia acreditar que ela encabeçaria e dinamizaria os preparativos da visita papal de S. João Paulo II em 1988 e que ela serviria de ponte para o fim da guerra civil dos 16 anos 1992? Pela sua acção apostólica, a Vida Consagrada é uma presença significativa neste belo e amado solo pátrio: a escola católica foi e continua a ser ponto de referência na formação, instrução e educação de crianças, adolescente, jovens e adultos de todas as classes e condições sociais. A exemplo de Cristo, que não veio para os que têm saúde mas, os que estão doentes, (Lc. 5, 31-32) aposta preferencialmente pelos mais desfavorecidos. É ainda a Vida Consagrada que como bom samaritano, não mede mãos no exercício da compaixão de Cristo seu Mestre, dando-se em holocausto nos postos de saúde, hospitais, centros de apoio psicológico, lares de crianças deficientes e em situação difícil, lares de velhinhos desamparados, apoio aos moradores de rua. Enfim, a Vida consagrada em Moçambique atenta aos sinais dos tempos, procura ser sal e luz a todo tempo e em todo lugar apesar dos seus inúmeros desafios entre os quais: o almejado desejo de uma pastoral de conjunto, a tendência a um certo proselitismo resultante duma sociedade com fraco sentido do sagrado, as desistências e a falta do sentido de compromisso, o que limita o sonho da sua expansão para os lugares onde ela ainda não está presente. Numa sociedade onde os conflitos continuam sendo cíclico, a Vida Consagrada tornou-se o grito de socorro dos que não têm voz nem vez, exerce o seu profetismo pelos apelos constantes à paz e pela prática das obras de misericórdia. É sinal de “Esperança, paz e reconciliação” tema da última visita apostólica de S. Santidade, Papa Francisco, o representante da Igreja e da vida Consagrada no mundo. Na flor da sua juventude, a vida consagrada em Moçambique é como uma mãe jovem, que vai crescendo e, em fidelidade criativa busca sem cessar a sua própria identidade em Cristo Jesus, autor e consumador da nossa fé, origem e fim de toda a consagração. BOX 1 «Irmãos e irmãs, vamo-nos doando no serviço e na proximidade ao povo de Deus. Mas a proximidade cansa. Cansa sempre a proximidade ao santo povo de Deus. É belo encontrar um sacerdote, uma irmã, um catequista…. Cansados por causa da proximidade. Renovar a chamada passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo «mundanismo espiritual» ditado «pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores» (Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24/3/2016). Renovar a chamada, a nossa chamada, passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxalá encontremos, neste saudável cansaço, a fonte da nossa identidade e felicidade! A proximidade cansa, e este cansaço é santidade… Oxalá os nossos jovens descubram em nós que nos deixamos «tomar e comer», e seja isso mesmo o que os leva a interrogar-se sobre o seguimento de Jesus e que eles, deslumbrados com a alegria duma entrega diária não imposta mas maturada e escolhida no silêncio e na oração, queiram dar o seu sim». (Encontro do Papa Francisco com os Bispos, Sacerdotes, Religiosos/as e Catequistas, Maputo 5/9/2019) Box 2 «Cultura do cuidado abrange as seguintes atitudes: o cuidado como promoção da dignidade e dos direitos da pessoa; o cuidado do bem comum; o cuidado através da solidariedade; o cuidado e a salvaguarda da criação. A cultura do cuidado, enquanto compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos, enquanto disposição a interessar-se, a prestar atenção, disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco, constitui uma via privilegiada para a construção da paz. Em muitas partes do mundo, fazem falta percursos de paz que levem a cicatrizar as feridas, há necessidade de artesãos de paz prontos a gerar, com criatividade e ousadia, processos de cura e de um novo encontro». (Papa Francisco, Mensagem da Paz 2021)
mar 23 2021
Alguns líderes religiosos em Nampula mostram-se insatisfeitos com o continuo encerramento dos locais de culto
Esta insatisfação dos líderes religiosos em Nampula surge na sequência do último posicionamento manifestado pelo presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, face as medidas de contenção na propagação da covid-19. Os religiosos dizem não fazer sentido permitir a reabertura das instituições de ensino e dos locais desportivos, deixando de fora o continuo encerramento dos locais de culto. Victor Canana representante de alguns líderes religiosos em Nampula, disse que não se justifica que o presidente da Republica de Moçambique, permita a reabertura das aulas e dos locais desportivos e deixe encerrados os locais de culto, justificando-se que estes locais reúnem mais condições que as escolas. “Será que as crianças têm mais condições de se prevenir da covid-19 que as igrejas? será que os chapas que assistimos com mais de 30 pessoas não são o local onde se transmite a doença? Será que as igrejas devem comprar equipamentos e distribuir aos seus fiéis para que estas possam ser reabertas como os locais desportivos?” Interrogou-se o pastor Canana, dizendo que até neste momento o presidente Nyusi não sabe o papel que as confissões religiosas têm, porque se ele soubesse, ele notaria que a sua eleição como presidente foi através da mobilização dos lideres religiosos que pediram aos fieis para se fazer em massa nos locais de votação. O nosso entrevistado, defendeu-se usando a passagem da bíblia que diz: “Vos hão-de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome”. Victor Canana lançou fortes críticas contra o modus operandi dos agentes da lei e ordem quando surpreendem grupos de fiéis a adorarem a Deus. Aliás, este avançou que quando estes cruzam um grupo de fiéis exaltam-se como se eles conseguissem neutralizar uma quadrilha perigosa. Com incerteza na reabertura dos locais de culto na província e no país em geral, o nosso entrevistado, exige ao presidente da República que no seu próximo pronunciamento possa reabrir as igrejas para que os fiéis possam adorar o verdadeiro Deus e único presidente honesto. (Júlio Assane)
Clero Diocesano de Gurue dispõe-se a colaborar com Dom Inácio Lucas
Por Kant de Voronha Decorreu no último domingo (21.3), em Gurue a ordenação e empossamento do novo Bispo titular. Trata-se de Inácio Lucas Mwita do Clero Diocesano de Nacala, que até a data da sua nomeação a 2 de Fevereiro último desempenhava o cargo de Vigário geral de Nacala e Reitor do Santuário Diocesano Maria Mãe de África em Alua. A Missa presidida por Dom Germano Grachane foi participada com cerca de 10 Bispos e Arcebispos da Conferência Episcopal de Moçambique, sacerdotes, autoridades civis e religiosas. Na sua homilia, o Bispo ordenante, Dom Germano Grachane destacou que Dom Inácio é chamado a ser grau de trigo que vai morrer para dar frutos de apostolado. Pois, “Episcopado significa trabalho e não honra”. Assim, é preciso proclamar a Palavra de Deus a tempo e fora do tempo, na oração e no sacrifício. Dom Inácio foi desafiado a amar o clero e todos os marginalizados da sociedade, dispondo-se a ouvir a todos com generosidade e conduzir os que andam fora do redil. Ademais, pelo vínculo com todo o episcopado, Dom Inácio foi recomendado a despender sua energia para a comunhão e harmonia no seio do colégio dos Bispos do mundo inteiro e os de Moçambique em particular. O Clero Diocesano de Gurue, em sua mensagem de ocasião, manifestou total reconhecimento e gratidão a Deus Pai, por tudo o que foi vivido no decurso da celebração pelo singular amor à Igreja que está no Guruè e seus fiéis. “O nosso agradecimento dirige-se ao Santo Padre, Papa Francisco, que olhando para as necessidades desta família diocesana, providenciou-nos um novo Bispo. Agradecemos igualmente, a Nunciatura apostólica em Moçambique, na pessoa de S Excia. Revma, Arcebispo D. Pergiorgio Bertoldi, que no seu multiforme empenho tudo fez para que hoje a Diocese do Guruè tivesse um Bispo titular”. Ao novo Bispo, “queremos manifestar a Dom Inácio, desde já, o nosso acolhimento e a nossa inteira disponibilidade em colaborar convosco, fiéis àquilo que o Espírito nos sugere para o crescimento da porção do Povo de Deus que está no Gurúè” lê-se em mensagem do Clero. Criada a 6 de Dezembro de 1993, pela Bula Enixam suscipientes, do Papa São João Paulo II, antes de Dom Inácio Lucas Mwita, a Diocese de Guruè, teve como Bispos, Dom Manuel Chuanguira Machado (1994-2009) e Dom Francisco Lerma Martínez (2010-2019), os quais se entregaram de alma e coração ao serviço de Deus, no meio do povo, selando a sua missão pastoral com a oblação das suas vidas. A Diocese de Gurue é formada por 4 Regiões Pastorais, 27 Paróquias, com 33 sacerdotes e 3 diáconos diocesanos, 18 sacerdotes religiosos, 2 Irmãos Religiosos, 49 Religiosas, 8 Leigas de Institutos seculares e 2.200 comunidades cristãs de base. Refira-se que Dom Inácio Lucas manteve o seu lema de ordenação sacerdotal em 21 de Junho de 1998 e o mesmo servirá para guiar o seu apostolado: “Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!” (Act 3,6).
mar 16 2021
ARCEBISPO DA BEIRA QUESTIONA O FECHAMENTO TOTAL DOS LOCAIS DE CULTO NO PAÍS
Numa carta publicada no dia 12 de Março de 2021 com o Título ALEGRIA PASCAL e dirigida à todos os fiéis da Diocese, o Arcebispo da Beira Dom Cláudio falando das dificuldades para a Celebração da Páscoa (uma festa cristã em memorial da Morte e Ressurreição do Senhor) lamenta dizendo que este acontecimento parece ser abafado nos dias que vivemos. “A Celebração festiva parece ser ameaçada. Entre as medidas de prevenção do novo coronavírus foi decretado pelo Governo moçambicano o enceramento dos lugares de culto. A aplicação responsável do distanciamento social, a medição da temperatura, o uso das máscaras, a higienização das mãos e dos sapatos antes de entrar, acções que se vinham fazendo parecem ser medidas inaptas a fazer os lugares de culto um lugar seguro”. Portanto, encerrar os lugares de culto segundo Dom Cláudio, provoca prejuízo maior à sociedade e sobretudo no combate contra a Pandemia. “Abafar a dimensão espiritual e impedir a religiosidade na vida do cidadão se tira um elemento insubstituível de resiliência que encontra na fé em Deus, na solidariedade com a comunidade o seu alimento” – escreve o Prelado. Ademais, questiona dizendo que secularizar a sociedade, tornar a manifestação Religiosa algo de marginal e reservado à esfera privada responde ao bem do povo ou a agendas de alguns doadores e de agências internacionais? Assim sendo, “fechar os lugares de culto é uma medida fácil que não tem custos económicos, pouca eficácia do ponto de vista da prevenção, mas faz crer que estamos a tomar medidas na luta à Pandemia sem talvez nos dar conta que estamos a fragilizar a nossa sociedade roubando-lhe a alma” – afirma o Arcebispo da Beira no documento de duas páginas. Recorde-se que no último comunicado a nação no dia 4 de Março, o Presidente da República Filipe Nyusi, permitiu a reabertura total das instituições de ensino em todos níveis e manteve a decisão do encerramento dos locais de culto. (Pe. Belarde Sérgio, RP – Beira)
QUARTO DOMINGO DA QUARESMA
PRIMEIRA LEITURA: 2 Cr 36, 14-16.19-23 A indignação e a misericórdia do Senhor manifesta-se no exílio e na libertação do povo Leitura do Segundo Livro das Crónicas Naqueles dias, todos os príncipes dos sacerdotes e o povo multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais, desde o princípio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros, pois queria poupar o povo e a sua própria morada. Mas eles escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas, a tal ponto que deixou de haver remédio, perante a indignação do Senhor contra o seu povo. Os caldeus incendiaram o templo de Deus, demoliram as muralhas de Jerusalém, lançaram fogo aos seus palácios e destruíram todos os objectos preciosos. O rei dos caldeus deportou para Babilónia todos os que tinham escapado ao fio da espada; e foram escravos deles e de seus filhos, até que se estabeleceu o reino dos persas. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias: «Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos». No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor inspirou Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar, em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: «Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a) Refrão: Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém, fique presa a minha língua. Repete-se Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar, com saudades de Sião. Nos salgueiros das suas margens, dependurámos nossas harpas. Refrão Aqueles que nos levaram cativos queriam ouvir os nossos cânticos e os nossos opressores uma canção de alegria: «Cantai-nos um cântico de Sião». Refrão Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor em terra estrangeira? Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, esquecida fique a minha mão direita. Refrão Apegue-se-me a língua ao paladar, se não me lembrar de ti, se não fizer de Jerusalém a maior das minhas alegrias. Refrão SEGUNDA LEITURA: Ef 2, 4-10 Mortos por causa dos nossos pecados, salvos pela graça Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios Irmãos: Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós, que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com Ele nos ressuscitou e com Ele nos fez sentar nos Céus. Assim quis mostrar aos séculos futuros a abundante riqueza da sua graça e da sua bondade para connosco, em Jesus Cristo. De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar. Na verdade, nós somos obra de Deus, criados em Jesus Cristo, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 3, 16 Refrão: Grandes e admiráveis são as Vossas obras, Senhor. Repete-se Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito: quem acredita n’Ele tem a vida eterna. Refrão EVANGELHO: Jo 3, 14-21 «Deus enviou o seu Filho, para que o mundo seja salvo por Ele» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus. Palavra da salvação. REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS Tema: O Amor de Deus é doação e entrega O que significa quando afirmamos que Deus é Amor? Deus é Tudo e o ser humano é Nada. Somente chegamos ao Tudo de Deus quando reconhecemos o nosso Nada. Sabemos amar quando aprendemos o Amor de Deus. O amor da humanidade é muito vazio e se insistimos nesse amor sempre haverá gente excluída, pois não é um amor genuíno. Neste Quarto Domingo da Quaresma, a liturgia nos revela o Amor autêntico e genuino de Deus que é Doação e Entrega. 1. Autenticidade do Amor de Deus O grau mais alto de amor entre duas pessoas ou numa família, comunidade e sociedade é a auto doação e auto entrega. Não existe outro requisito: é amor genuíno e autêntico. É amar sem esperar algo em troca. É aceitar sofrer por causa desse AMOR. É dar preferência ao outro. O AMOR de Deus é autêntico porque não busca lucros nem outro tipo de interesse. Deus não faz uma lista para escrever quantas vezes nos perdoou ,
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA
LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Ex 20, 1-17 «A lei foi dada por Moisés» (Jo 1, 17) Leitura do Livro do Êxodo Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa de escravidão. Não terás outros deuses perante Mim. Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos. Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado. Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 18 (19), 8.9.10.11 (R. Jo 6, 68 c) Refrão: Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna . Repete-se A lei do Senhor é perfeita, ela reconforta a alma; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria aos simples. Refrão Os preceitos do Senhor são rectos e alegram o coração; os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos. Refrão O temor do Senhor é puro e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos eles são rectos. Refrão São mais preciosos que o ouro, o ouro mais fino; são mais doces que o mel, o puro mel dos favos. Refrão SEGUNDA LEITURA: 1 Cor 1, 22-25 «Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens, mas sabedoria de Deus para os que são chamados» Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios Irmãos: Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. Quanto a nós, pregamos Cristo cruficado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Jo 3, 16 Refrão: Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória. Repete-se Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito; quem acredita n’Ele tem a vida eterna. Refrão EVANGELHO: Jo 2, 13-25 «Destruí este templo e em três dias o levantarei» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem. Palavra da salvação. REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS Tema: A gratuitidade do Amor de Deus Algumas vezes, como pessoas humanas, pensamos que podemos comprar o amor e a misericórdia de Deus com nosso esforço, sacrifício, dinheiro e tempo. Somos invadidos, senão sempre, pela amnésia teológico espiritual e não nos damos conta o que Jesus disse: “não quero sacrifício mas misericórdia”. Neste terceiro domingo da Quaresma, somos surpreendidos pela atitude zelosa de Jesus, mas que também pode ser uma agressividade nos nossos olhos. Na verdade, é hábito humano, julgarmos,perseguirmos até matarmos todos os que não concordam com as práticas desumanas ou que matam, excluem e exploram os pobres. Jesustambém não foi compreendido. No Templo de Deus, lugar sagrado tornou-se, lugar de ladrões, de práticas contra a fé, convivência e fraternidade. Tem um grupo liderado por sacerdotes que vendem a graça de Deus e outro grupo que explora os pobres e outro ainda que tenta comprar a bênção de Deus. Jesus percebe que há fuga da objectividade do Templo: ser lugar de
PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA
LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Gen 9, 8-15 A aliança de Deus com Noé, salvo das águas do dilúvio *Leitura do Livro do Génesis* Deus disse a Noé e a seus filhos: «Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra». Deus disse ainda: «Este é o sinal da aliança que estabeleço convosco e com todos os animais que vivem entre vós, por todas as gerações futuras: farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra. Sempre que Eu cobrir a terra de nuvens e aparecer nas nuvens o arco, recordarei a minha aliança convosco e com todos os seres vivos e nunca mais as águas formarão um dilúvio para destruir todas as criaturas». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL Salmo 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9 (R. cf. 10) Refrão: *Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade para os que são fiéis à vossa aliança.* Repete-se Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos, ensinai-me as vossas veredas. Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me, porque Vós sois Deus, meu Salvador. Refrão Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência, por causa da vossa bondade, Senhor. Refrão O Senhor é bom e recto, ensina o caminho aos pecadores. Orienta os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer a sua aliança. Refrão SEGUNDA LEITURA: 1 Pedro 3, 18-22 «O Baptismo que agora vos salva» Leitura da Primeira Epístola de São Pedro Caríssimos: Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito. Foi por este Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte e tinham sido outrora rebeldes, quando, nos dias de Noé, Deus esperava com paciência, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, oito apenas, se salvaram através da água. Esta água é figura do Baptismo que agora vos salva, que não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso para com Deus de uma boa consciência; ele vos salva pela ressurreição de Jesus Cristo, que subiu ao Céu e está à direita de Deus, tendo sob o seu domínio os Anjos, as Dominações e as Potestades. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: Mt 4, 4b Refrão: Glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor. Repete-se Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Refrão EVANGELHO: Mc 1, 12-15 «Era tentado por Satanás e os Anjos serviam-n’O» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS SOLIDÃO E TENTAÇÕES: FORTALECIDOS PELO ESPÍRITO SANTO A proposta das leituras neste Primeiro Domingo da Quaresma nos leva a meditar o exercício quaresmal de Jesus. Quer na primeira quer na segunda leitura, narra-se a história bonita do Dilúvio e seu significado teológico hoje: o Baptismo como morte e ressurreição em Jesus Cristo. A história do Dilúvio no tempo de Noé revela a bondade de Deus que com muita paciência, deixa Noé e sua família se organizar, construir, terminar a arca da aliança onde ele e sua família foram salvos. Deus é Clemente e Paciente. Deus dá muito tempo para o pecador se arrepender e converter-se Nele. Jesus passa quarenta dias e quarenta noites no deserto sendo tentado. Deus enviou seus anjos para servi-lo. Para melhor meditação, apresento a questão da Solidão e Tentações de Jesus e o que temos que aprender nesses dois temas. 1.SOLIDÃO O tema da solidão deve ser compreendido como algo positivo neste tempo da Quaresma. A solidão solidária é estar no barulho mas não se deixar levar pelo barulho. Enquanto a solidão que temos que fugir é a chamada solidão solitária, isto é, a pessoa entra no desespero, na angústia, no sofrimento e no barulho interior. Vive o caos da vida. Não encontra sentido na sua vida. *Solidão solidária * é proporcionar um tempo de silêncio interior. É abandonar-se nas mãos de Deus. É adentrar no vazio, no meu Nada para que o Tudo que é Deus encha de mim a Sua essência, Seu Amor. Na solidão, a pessoa humana compreende a sua limitação, mas também entende a Magnificência de Deus. Deus é Todo Poderoso. Todavia, vem ao encontro do homem mortal para torná-lo imortal. Vem ao encontro do pecador para salva-lo. Neste tempo da Graça, somos convidados por meio de Oração a vivenciar a Solidão Solidária- viver uma experiência do Espírito Santo que ilumina a mente e o coração para acolher a vontade de Deus. Não é possível fazer a experiência de Deus se o Espírito Santo não nos iluminar. Não temos força suficiente para entender todas as surpresas de Deus se não for pelo Espírito Santo. 2. TENTAÇÕES No Pai nosso rezamos para que Deus “não nos deixe cair em tentação”. Tentação em si é algo negativo porque é o trabalho do Satanás. O demônio com sua inveja propõe as coisas aparentemente boas mas que nos deixam longe de fazer a vontade de Deus. A experiência de Jesus no deserto é um exemplo de que também nós podemos ser tentados mas não derrotados pois, Deus vem ao nosso encontro para nos resgatar como fizera no tempo de Noé. Por outro
QUARTA- FEIRA DE CINZAS
LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Joel 2, 12-18 «Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos» *Leitura da Profecia de Joel* Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo. Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL: Salmo 50 (51) Refrão: Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós. Repete-se Ou: Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores. Repete-se Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade, pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados. Lavai-me de toda a iniquidade e purificai-me de todas as faltas. Refrão Porque eu reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas. Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos. Refrão Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não retireis de mim o vosso espírito de santidade. Refrão Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me com espírito generoso. Abri, Senhor, os meus lábios e a minha boca cantará o vosso louvor. Refrão SEGUNDA LEITURA: 2 Cor 5, 20-6, 2 «Reconciliai-vos com Deus. Este é o tempo favorável» Leitura da Seg. Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO: cf. Salmo 94, 8ab Refrão:Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor. Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações. Refrão EVANGELHO: Mt 6, 1-6.16-18 «Teu Pai, que vê no segredo, te dará a recompensa» Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a ecompensa. Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa». Palavra da salvação REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS Tempo quaresmal, tempo de Oração, Jejum e Caridade A vida cristã deve sempre ter a iluminação da Palavra de Deus. Viver segundo as orientações do Mestre e da Santa Igreja. Viver na contramão do que o mundo propõe. Viver em busca da “minha felicidade e do irmão”. Viver em busca do bem-estar de todos. Viver com sentido profundo da vida. A partir dessa compreensão de que a vida é uma escola do amor e felicidade, então, O tempo da Quaresma nunca deve ser visto como um pesadelo mas momento pelo qual cada cristão se prepara para receber a graça de Deus, tempo de conversão, tempo da Salvação. Quaresma, Quarenta dias de intensa vivência da Oração, do Jejum e da Caridade para celebrarmos solenemente a Páscoa da Ressurreição. Em tratando se de um ano atípico devido à Covid-19, a Quaresma será vivida muito diferente. Por isso proponho um caminho que acredito que irá ajudar a viver profundamente em família ou de forma pessoal. *1. Oração pessoal e em família * Não havendo condições de celebrar em comunidade, organize seu quarto para fazeres tuas orações pessoais. Organize também um cantinho para que toda família se encontre no final do dia para meditar a Palavra de Deus e oração do terço. Cada sexta-feira, reze a Via Sacra: meditação das estações conforme as condições da casa. Abra um espaço para a Partilha da Palavra invocando inicialmente o Espírito Santo para vos iluminar. 2. Jejuar com alegria


