ago 09 2021
O valor da solidariedade
Por P. António Bonato Neste capítulo da Encíclica “Fratelli Tutti” Papa Francisco convida-nos a reflectir sobre o valor da solidariedade como tomada de responsabilidade pela fragilidade dos outros na procura dum destino comum. Na sua recente viagem ao Iraque nos mostrou quanto importante seja a solidariedade para a construção dum mundo mais humano. Quero destacar a solidariedade, que «como virtude moral e comportamento social, fruto da conversão pessoal, exige empenho por parte duma multiplicidade de sujeitos que detêm responsabilidades de carácter educativo e formativo. Penso em primeiro lugar nas famílias, chamadas a uma missão educativa primária e imprescindível. Constituem o primeiro lugar onde se vivem e transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado pelo outro e da transmissão da fé. Também os agentes culturais e dos meios de comunicação social têm responsabilidades no campo da educação e da formação, especialmente na sociedade actual onde se vai difundindo cada vez mais o acesso a instrumentos de informação e comunicação (114). Sociedades líquidas Nestes momentos em que tudo parece diluir-se e perder consistência, faz-nos bem invocar a solidez, que deriva do facto de nos sabermos responsava pela fragilidade dos outros na procura dum destino comum. A solidariedade manifesta-se concretamente no serviço, que pode assumir formas muito variadas de cuidar dos outros. O serviço é, «em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo». Nesta tarefa, cada um é capaz «de pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de omnipotência, à vista concreta dos mais frágeis (…). O serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até “padece” com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos ideias, mas pessoas» (115). Pensar e agir como comunidade Solidariedade é uma palavra que nem sempre agrada; diria que algumas vezes a transformamos num palavrão, que não se pode dizer; mas é uma palavra que expressa muito mais do que alguns gestos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. É também lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a casa, a negação dos direitos sociais e laborais. É fazer face aos efeitos destrutivos do império do dinheiro (…). A solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo, é uma forma de fazer história e é isto que os movimentos populares fazem» (116). Solidariedade e casa comum Quando falamos em cuidar da casa comum, que é o planeta, fazemos apelo àquele mínimo de consciência universal e de preocupação pelo cuidado mútuo que ainda possa existir nas pessoas. De facto, se alguém tem água de sobra mas poupa-a pensando na humanidade, é porque atingiu um nível moral que lhe permite transcender-se a si mesmo e ao seu grupo de pertença. Isto é maravilhosamente humano! Requer-se este mesmo comportamento para reconhecer os direitos de todo o ser humano, incluindo os nascidos fora das nossas próprias fronteiras (117). Desenvolvimento deve ser riqueza para todos O desenvolvimento não deve orientar-se para a acumulação sempre maior de poucos, mas há-de assegurar «os direitos humanos, pessoais e sociais, económicos e políticos, incluindo os direitos das nações e dos povos». O direito de alguns à liberdade de empresa ou de mercado não pode estar acima dos direitos dos povos e da dignidade dos pobres; nem acima do respeito pelo ambiente, pois «quem possui uma parte é apenas para a administrar em benefício de todos» (122). É verdade que a actividade dos empresários «é uma nobre vocação, orientada para produzir riqueza e melhorar o mundo para todos»… Mas estas capacidades dos empresários, que são um dom de Deus, deveriam em todo o caso orientar-se claramente para o desenvolvimento das outras pessoas e a superação da miséria, especialmente através da criação de oportunidades de trabalho diversificadas. (123). Novas relações Falamos duma nova rede nas relações internacionais, porque não é possível resolver os graves problemas do mundo, pensando apenas em termos de mútua ajuda entre indivíduos ou pequenos grupos. Lembremo-nos que «a desigualdade não afecta apenas os indivíduos mas países inteiros, e obriga a pensar numa ética das relações internacionais». E a justiça exige reconhecer e respeitar não só os direitos individuais, mas também os direitos sociais e os direitos dos povos. Quanto afirmamos implica que se assegure «o direito fundamental dos povos à subsistência e ao progresso», que às vezes é fortemente dificultado pela pressão resultante da dívida externa. Em muitos casos, o pagamento da dívida não só não favorece o desenvolvimento, mas limita-o e condiciona-o intensamente. Embora se mantenha o princípio de que toda a dívida legitimamente contraída deve ser paga, a maneira de cumprir este dever que muitos países pobres têm para com países ricos não deve levar a comprometer a sua subsistência e crescimento (126). Sonhar humanidade diferente Trata-se, sem dúvida, doutra lógica. Se não se fizer esforço para entrar nesta lógica, as minhas palavras parecerão um devaneio. Mas, se se aceita o grande princípio dos direitos que brotam do simples facto de possuir a inalienável dignidade humana, é possível aceitar o desafio de sonhar e pensar numa humanidade diferente. É possível desejar um planeta que garanta terra, tecto e trabalho para todos. Este é o verdadeiro caminho da paz, e não a estratégia insensata e míope de semear medo e desconfiança perante ameaças externas. Com efeito, a paz real e duradoura é possível só «a partir de uma ética global de solidariedade e cooperação ao serviço de um futuro modelado pela interdependência e a co-responsabilidade na família humana inteira» (127).
ago 09 2021
Os maiores travões do desenvolvimento de Moçambique
4 – A fragmentação da governação Por Thomas Selemane thomselemane9@gmail.com A fragmentação da governação neste texto significa a prática de ter muitos “planos de desenvolvimento” ou “planos estratégicos”, muitas vezes desconexos e contraditórios entre si, para um mesmo sector (agricultura, educação, saúde, e por aí em diante) e com horizontes temporais diferentes. Essa prática de “governar à retalho” a que chamo de fragmentação da governação é um dos maiores travões do desenvolvimento de Moçambique, a par da intolerância política, da ausência de reconciliação nacional e da frágil unidade nacional, a que me referi nas últimas três edições desta revista. Por causa dessa fragmentação, a nossa governação tem sido orientada mais por uma visão de curto prazo, típica dos interesses partidários, do que por uma visão de longo prazo, que seria mais consentânea com um projecto de construção de uma nação. Mas nem sempre foi assim. Ao longo do percurso do nosso país houve várias tentativas de pensar o desenvolvimento nacional a médio e longo prazos, de forma integrada, embora os resultados nunca tenham sido satistafatórios na medida em que se desejaria. A prática de criar vários fragmentos da governação (estratégias, políticas, directivas, planos nacionais) vem dos últimos 20 anos, para prejuízo do país e de todos os moçambicanos. Não pretendo defender aqui o modelo de economia centralmente planificada que vulgarmente se chamou de “socialismo”. Estou apenas a situar aos leitores o percurso que a governação do país seguiu desde que Moçambique existe como tal. A última tentativa de se pensar na construção da nação, a médio e longo prazo, foi nos primórdios dos anos 2000, quando se elaborou a consensual “Agenda 2025 – Visão e Estratégias da Nação.” Esse documento cujo prazo deve terminar daqui a quatro anos, em 2025, preconizava “a nação em primeiro lugar.” A sua elaboração foi tanto inclusiva – no verdadeiro sentido da palavra – quanto demorada e metodologicamente sofisticada. Esperava-se que nestes 25 anos, desde o ano 2000, toda a planificação da governação do país se baseasse na Agenda 2025. Mas isso não aconteceu. Foram sendo elaboradas novas “agendas”, “visões” e “estratégias” com curto alcance temporal, sem a perspectiva inclusiva que a Agenda 2025 teve, e acima de tudo, sem colocar a nação em primeiro lugar, procurando responder mais a demandas de fora e menos a demandas de dentro. Os resultados dessa fragmentação da governação – em particular, os resultados de se ter ignorado a Agenda 2025 – estão à nossa vista: desde a progressiva desagregação da sociedade moçambicana, passando pelos conflitos pós-eleitorais, desembocando na guerra de Cabo Delgado. Apresento a seguir alguns exemplos para demonstrar como a fragmentação da nossa governação tem sido um dos principais travões ao desenvolvimento do nosso país. Começando pelo campo económico, vemos uma lista interminável de “planos” e “agendas.” Por exemplo, o país conta com uma “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, que se pretende que seja um mecanismo nacional de resposta aos anseios internacionais de atingir os chamados “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” em 2030, isto é, daqui a nove anos. Reservo para outra ocasião a discussão sobre a fiabilidade dos tais ODS. Por enquanto, importa-me realçar a ténue e por vezes ausente ligação entre a Agenda 2030 e os demais instrumentos de governação. Para além dela, Moçambique possui também uma “Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2015-2035. Esse fragmento da governação, diz o seguinte: “Por forma a assegurar uma maior coordenação do processo de desenvolvimento, o Governo decidiu elaborar a Estratégia Nacional de Desenvolvimento , que tem como objectivo: elevar as condições de vida da população através da transformação estrutural da economia, expansão e diversificação da base produtiva.” Ninguém discorda das boas intenções anunciadas naquele documento. Nenhum moçambicano diria que até ao 2035, não gostaria de ver no país uma “transformação estrutural da economia”. Por outras palavras, todos os moçambicanos querem ver o país a ter mais exportações do que importações, a gerar mais emprego de qualidade, a produzir mais do que o suficiente para alimentar os 30 milhões de moçambicanos. Mas como é que se chega lá? Temos também uma “Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2016-2022”. Tal como os outros fragmentos da governação, essa estratégia de inclusão financeira também colhe consenso de toda a gente. Porque, afinal, ninguém acha mau que todos os cidadãos do nosso país tenham acesso aos serviços financeiros. Sejam eles bancos, contas móveis de uma ou de outra companhia de telefonia móvel. Ora, qual é a ligação entre essa estratégia de inclusão financeira cujo prazo termina no próximo ano de 2022 e as outras estratégias de desenvolvimento económico? Nenhuma ligação! Outra área da governação que merece atenção é agricultura, que é definida como “a base de desenvolvimento de Moçambique”, pela nossa Constituição da República (Nr 1, Art. 103). Vários estudos têm considerado o fraco desempenho da agricultura em Moçambique como um dos principais entraves para a falta de redução da incidência da pobreza. E uma das razões desse fraco desempenho tem sido comprovadamente a existência de demasiados “planos” e “estratégias” sem conexão entre si, por vezes contraditórias entre si, e sem visão de longo prazo. Decorre actualmente o mais badalado programa do sector agrário – SUSTENTA – que se pretende que seja uma iniciativa transformadora da vida dos camponeses, dos comerciantes e de todos os demais agentes económicos que trabalham ao longo da cadeia de valor da agricultura. Se o programa SUSTENTA pode ou não dar os resultados que se prometem, veremos mais tarde, quando se fizer uma avaliação. Por enquanto, e para efeitos deste texto interessa-me problematizar a existência de vários programas dentro do sector agrário. Nos últimos 20 anos, o país teve os seguintes cinco programas nacionais do sector agrário: (i) PROAGRI 1 (1999-2005); (ii) PROAGRI 2 (2005-2009); (iii) Estratégia de Desenvolvimento Rural (EDR) 2007-2025; (iv) Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA) 2010-2020; (v) Plano Nacional de Investimento do Sector Agrário (PNISA) 2013-2017. Cada um desses programas foi desenhado na boa-fé de ser a salvação da agricultura e a solução para o problema da pobreza em Moçambique. Porque é
ago 05 2021
Casos de conflitos laborais tendem a acentuar-se na Província de Nampula
Por Júlio Assane Cerca de 382 casos de conflitos laborais foram notificados no presente ano na província de Nampula. Segundo Mety Gôndola, Secretário de Estado da Província de Nampula, estes casos foram notificados nos distritos de Nacala-Porto, Angoche e cidade de Nampula, onde estiveram envolvidos um total de 1.108 trabalhadores em conflito com o seu patronato. Aliás, para resolver os problemas dos trabalhadores, foram usados mais de 5 milhões de meticais. “Esta situação nos preocupa bastante, a avaliar pelo momento em que nos encontramos, a de pandemia viral, a covid-19” precisou o dirigente tendo advertido que, “O mais importante neste momento é manter o diálogo nas empresas. Ou seja, por simples rescisão de contratos tem de haver formas de como encontrar linhas fortes para o consenso” exortou. Por outro lado, o Director do Centro de Mediação e arbitragem laboram de Nampula Gildo Niconte, deu a conhecer que, os casos de conflitos laborais envolvendo o empregado e o seu empregador tende a reduzir, dai que apelou aos empregadores que evitem conflitos com os seus trabalhadores e haja paz nas empresas. “Desde já apelar a todos intervenientes a pautarem pelo diálogo, porque é a via formal para o alcance do consenso. É desta forma que sairemos vitoriosos” afirmou. De referir que esta informação foi tornada pública no decorrer da segunda reunião provincial do Centro de Mediação e arbitragem laboral, havida recentemente em Nampula, e que teve como pano de fundo incutir os dirigentes de conhecimento, sobre como devem se posicionar em casos de uma eventual greve, sob pena de se fazerem a empresa em conflitos e serem feitos de refém.
ago 03 2021
Anti-Corrupção recolhe às celas antigo director dos serviços provinciais de identificação civil de Nampula.
Por Júlio Assane Um comunicado de imprensa número 5/GPCCN/2021, recebido na nossa redacção, indica que o antigo director é indiciado no crime de desvio de fundos públicos avaliados em dois milhões, cento e vinte sete mil e cento e sessenta meticais, resultante de receitais de emissão de Bilhetes de Identidade entre os anos 2019 e 2020. A nota refere ainda que, o facto foi denunciado pela direcção Nacional de Identificação civil ao verificar que durante aqueles anos, o indivíduo em causa a contas com as autoridades judiciais, não apresentou os valores completos das receitas resultantes do processo de emissão de BI’s. O documento na posse da nossa redacção, sublinha ainda que, dos modos operantes, o antigo chefe dirigia-se pessoalmente aos postos de Identificação Civil de Nampula e de outros distritos da província, onde solicitava a entrega de valores da receita, simulando a posterior iria enviar a direcção nacional, uma vez na posse de valor, ele subtraia uma parte e a outra, depositava em conformidade. O indivíduo em causa, está a ver o sol aos quadradinhos, numa das subunidades polícias desta cidade, desde as 9 horas desta segunda-feira.
ago 03 2021
De Janeiro a esta parte: Nampula regista 29 mortes por acidente de viação
Por Júlio Assane Nos primeiros meses do ano em curso, pelo menos 29 pessoas perderam a vida e um número não especificado de internamentos, deram entrada nas unidades sanitárias desta província, em consequência de 21 acidentes de viação registados nas estradas da província de Nampula. Segundo Léo Jamal Director dos Transportes e Comunicação de Nampula, maior parte dos acidentes foram registados nos distritos de Murrupula, Erati, Nacala-Porto, Mogovolas e Ribaué. “De realçar que, a nossa província registou de Janeiro a esta parte, um total de 21 acidentes de viação que resultou na morte de 29 pessoas, para alem de danos materiais avultados”. Relatou o governante, para quem apela a todos que se fazem a via publica à consciência de modo a inverter este cenário dramático. Alias, Léo Jamal, Director dos Transportes e Comunicação de Nampula disse que, decorre em paralelo as campanhas de fiscalização juntos dos transportadores que operam nas diferentes rotas desta província, com o intuito de reduzir esta problemática. “Estamos no terreno a disseminar mensagens de persuasão junto dos transportadores de passageiros e carga para o cumprimento à risca das regras elementares de trânsito de modo a evitar o derramamento de sangue nas estradas desta província”. Referiu a fonte. De referir que para o presente ano, foram fiscalizadas cerca de 413 viaturas nas vias públicas e passadas oito mil multas por várias irregularidades.
ago 03 2021
CEMIRDE em Nampula constata falta de denúncia de casos de tráfico de seres humanos no país
Por Júlio Assane Ainda prevalece o receio na denúncia de casos de tráficos de seres humanos no país. Considera Charles Moniz da Comissão Episcopal para Migrantes e Refugiados e Deslocados em Nampula. Esta situação resulta de falta de confiança entre as lideranças comunitárias e as vitimas na denúncia casos de tráfico de seres humanos. “Ainda prevalece o silêncio na denúncia de pessoas corajosas que transforma uma outra pessoa como de mercadoria se tratasse. Tudo isso, alia-se a não confiança das autoridades competentes. Ou seja, as penas dos traficantes não têm sido exemplares no sentido de desencorajar outros meliantes”. Disse. Alias, sem especificar o número total das vítimas, Charles Moniz, da Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados CEMIRDE em Nampula, diz que, o tráfico de seres humanos tem sido recorrente a pessoas vulnerais, com maior incidência aos deslocados de Cabo Delgado. “Diante desta situação, sabemos que a questão de tráfico de seres humano vem através da vulnerabilidade. A nossa província de Nampula tem vindo a receber os nossos irmãos deslocados de Cabo Delgado que já carrega essa vulnerabilidade tendo em consideração que os traficantes aproveitando-se desta fragilidade, tem logrado seus intentos”. Frisou a fonte, acrescentando que, as vítimas são aliciadas com promessas de emprego entre outras. Para inverter este quadro sombrio, o nosso interlocutor avançou que, decorre neste momento, campanhas de sensibilização às comunidades, com vista a dirimir tais violações. “Apesar de estarmos diante da pandemia do novo coronavirus, iniciamos as nossas acções de sensibilização nas escolas, onde criamos os pontos focais. São os mesmos, que irão facilitar a disseminação desta mensagem de repúdio aos seus progenitores”. Precisou o nosso interlocutor. Entretanto, um estudo sobre tráfico de pessoas, órgãos e partes do corpo humano baseado nas três regiões do país e divulgado recentemente pela CEMIRDE em parceira com agência católica para o Desenvolvimento Internacional, revela que, os traficantes têm como seu prato forte, a exumação de campas, isto na região norte, promessas de emprego no central e sequestros e violações sexuais no sul do país.
ago 03 2021
Aquacultura gera mais de três mil postos de trabalho em Nampula
Por Júlio Assane Em Nampula, o projecto foi oficializado na manhã desta segunda-feira, consiste na criação de peixes em tanques piscícolas em que numa primeira fase ira beneficiar os distritos de Mossuril, Larde e Ribáuè, e vão absorver 49 milhões meticais. Aliás, esta actividade vai integrar 88.900 pessoas e 17.800 famílias, e que espera gerar 3.500 postos de trabalhos, na sua maioria jovens e mulheres. “É uma actividade que irá gerar emprego a milhares de pessoas, com destaque para mulheres e jovens. Aliás, é uma actividade de geração de renda para famílias que procura pela primeira vez ganha a vida”. Disse o dirigente. Por seu turno, Tome Capece, Coordenador Nacional do Projecto de Desenvolvimento da aquacultura de Pequena escala PRODAPE, fala das vantagens nesta fase. “Nesta primeira fase, ou seja, na fase piloto, pretendemos conhecer melhor o terreno para a efetivação definitiva desta iniciativa de rentável”. Referiu. De referir que, o projecto de desenvolvimento da aquacultura de pequena escala, foi lançado a 28 de Junho último na província de Tete pelo presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi, e será implementado em 23 distritos das regiões centro e norte do país.
jul 21 2021
Pai queima seu próprio filho por causa de duas badjias em Carrupeia
Por Júlio Assane Pai entra em conflito com a lei por queimar seu próprio filho, no bairro de Carrupeia em Nampula O caso deu-se na semana passada, no bairro de Carrupeia, arredores da cidade de Nampula, quando o cidadão de 29 anos de idade, de forma deliberada, queimou o seu próprio filho com recurso a fogo, movido de fúria, pelo facto do menor de oito anos, ter consumido duas badjias sem autorização da sua madrasta também detida. “Na última segunda-feira, fui ao serviço e voltei, e encontrei minha mulher a contar para vizinhos a dizer que essa criança aqui em casa roubou de novo” contou o pai da vítima, mostrando o seu arrependimento alegando que queimou o seu filho por motivações de diabo. Falando a jornalistas, a vítima avançou que o seu próprio pai foi o principal autor do acto. “Eu fui queimado porque comi duas badjias” disse a vítima inocente e triste com a situação que sofreu do seu próprio pai. Dércio Samuel, Chefe das Relações Públicas da PRM em Nampula, avançou que a detenção do cidadão foi graças a denúncias populares que, e face a este cenário, decorre procedimentos jurídicos para o efeito. O casal será responsabilizado criminalmente pelo acto cometido e por ter maltrato o menor, alegando que roubou 5,00Mt (cinco meticais). Sublinhou Dercio Samuel Chefe das relações públicas da PRM em Nampula.
jul 21 2021
Vendedores de batata-doce somam prejuízos avultados por falta de mercado em Nampula
Por: Júlio Assane Batata-doce um dos produtos considerado de referência pelos especialistas na área de saúde, para o combate a desnutrição nas famílias de baixa renda, perdeu mercado nos últimos tempos, mesmo com estas qualificações. Só para se ter uma ideia, um saco de 50 quilogramas que, no ano passado, era vendido a 750 meticais, actualmente custa 300 a 450 meticais. Aliás, João António vendedor de batata-doce no mercado grossista de Waresta na cidade de Nampula, decidiu vender a retalho o seu produto, alegando a falta de compradores. “Por falta de clientes para comprar este produto, assistimos os nossos produtos a deteriorar-se por falta de clientes” avançou o nosso entrevistado. A mesma ideia é compartilhada por José Amade também vendedor de batata-doce que viu os seus produtos mercado. Esta realidade trás um contraste aos apelos do governo no que tange ao aumento da produção deste tubérculo. Como forma de facilitar a venda, estes sugerem ao governo a implantação de uma fábrica de processamento deste produto, rico em recursos energéticos.
jul 16 2021
Mundo: casa comum e consumismo global
Por AB Mundo: casa comum Casa Comum é uma expressão compartilhada entre a Agenda 2030 da ONU para os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Carta Encíclica Laudato si ‘(Ls). O novo cenário do COVID19 e da crise humanitária exige ainda mais a adopção de uma agenda pública com um esforço político e social colectivo que vide a construção duma cultura de solidariedade. Em momentos como estes, as religiões têm um grande potencial de empatia e cooperação social com as agendas públicas. É por isso os objectivos da Agenda 2030 da ONU com base na noção compartilhada de Casa Comum com a Laudato si’visa: a) Desenvolver um modelo de compreensão que interaja com o potencial de cooperação e solidariedade no campo religioso com as diversas áreas do conhecimento para uma revisão das perspectivas morais e mentais, em uma chave intercultural que busca soluções cooperativas entre diferentes pessoas e instituições para problemas comuns; b) Promover uma criação cultural ecológica para os ODS interdependentes, que se concentram em linguagens que reúnem senso crítico e senso comum; c) Práticas quotidianas, que trazem a necessidade de pensar na vulnerabilidade como categoria central de uma ética e estética do cuidado. Conversão ecológica Não há duas crises separadas, ambiental e social, e as soluções passam pelo combate à pobreza, pela valorização da dignidade do ser humano e pela preservação da natureza. O apelo do Papa à “conversão ecológica” converge nalguns pontos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), adoptados pelas Nações Unidas. Mas a transformação que o Papa pede é mais radical. Os ODS e LS, são unânimes em afirmar que não há duas crises separadas, ambiental e social, e que as soluções passam pelo combate à pobreza, pela valorização da dignidade do ser humano e pela preservação da natureza. É urgente salvarmos a casa comum e para isso é necessário unir a família humana, num desenvolvimento sustentável e integral. Produção e Consumismo Os ODS e a LS convergem na necessidade de alterar padrões de produção e consumo. O tom da LS é mais forte no que diz respeito ao desperdício e ao crescimento. Há uma convergência no que diz respeito à reforma das instituições que passa pela reabilitação do político, no sentido de um multilateralismo. Sublinha-se o papel das instituições multilaterais, lugar privilegiado da elaboração de consensos políticos mundiais necessários à acçãocolectiva. Contudo, a LS vai mais longe e o Papa diz-nos que a política não deve estar submetida ao económico nem à eficácia tecnocrata e que a economia política deve orientar-se para o bem comum.


