mar 06 2023
Nampula já tem dois centros de recursos da área agrária
Foram Criados em Nampula dois Centros de Recursos do sector agrário, que poderão modernizar e dinamizar igual número de Institutos de Ensino Profissional. A informação foi revelada durante a visita de trabalho do secretário do estado desta Província Jaime Neto ao Instituto Industrial e Comercial de Nampula na última sexta-feira, 3 de Março. Jaime Neto disse que a Província tem a sorte de albergar os dois centros de Recursos sendo um na cidade de Nampula e outro em Nacucha Distrito de Mossuril. O dirigente referiu que a partir de agora, os dois institutos vão formar técnicos com capacidades que correspondam as exigências do momento. O governante disse igualmente que pela qualidade dos equipamentos que o Instituto Industrial e Comercial de Nampula possui, estão criadas condições favoráveis para a formação de quadros naquele estabelecimento de ensino. A fonte encoraja a direcção do instituto a continuar a empreender esforços com responsabilidade e elevarem o nível de conhecimentos técnicos dos formandos. Aliás, Jaime Neto apelou aos formadores a ensinarem os estudantes de forma a criarem ações de empreendedorismo apos a formação. Na mesma visita o Secretario do Estado na Província de Nampula Jaime Neto fez a entrega de duas viaturas àquela instituição, que irão auxiliar os trabalhos. Neto não se esqueceu de exortar a direção a fazer uso racional dos meios ora disponibilizados. Por Assane Júnior
fev 27 2023
Ordenamento territorial e conflito de terras nas cidades e vilas
Por Dr.ArmandoAlí Amade “Vivo num bairro nos arredores da cidade da Beira desde 2018. Naquela altura éramos poucos e ocupávamos o espaço que desejávamos. Ao longo destes anos o bairro ficou superlotado e temos muitos conflitos com os vizinhos que pretendem ocupar tudo. Cada dia é uma luta para poder passar entre as casas porque o espaço fica cada vez mais reduzido. Se acontecer uma infelicidade nenhum carro pode passar nos labirintos para socorrer. Como podemos defender-nos destes abusos?” (Camila Araújo) Moçambique regista um crescimento urbano bastante rápido, impulsionado pelo crescimento populacional. Apesar do crescimento urbano ser importante para o desenvolvimento do país, este comporta consigo algumas desvantagens mormente a pressão que o solo urbano sofre devido à concentração da população. Devido ao elevado número de habitantes num pequeno espaço de terra, regista-se a construção desordenada de casas ou barracas para pequenos negócios, construção em locais impróprios por vezes nas bermas das estradas e ruas, forçando por conseguinte a redução das dimensões das próprias ruas e vias de acesso, obstrução da passagem das águas fluviais, acessos condicionados para a remoção do lixo urbano, rápida mobilidade, em caso de necessidade, do corpo de salvação pública (Bombeiros), ambulâncias, para além do impacto Ambiental… O assunto apresentado na carta é de dimensões enormes, notório um pouco por todas as cidades do nosso país. Medidas e meios para defesa contra o desordenamento territorial nos bairros Desde já indicamos a Constituição da República de Moçambique de 2004 (CRM);o artigo 35 recomenda que “Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnico, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou ocupação política.” Portanto,à partida, todos nós temos direitos consagrados na Constituição mas também deveres e ou obrigações e assim, qualquer cidadão pode fazer uso dos seus direitos sem necessariamente lesar os direitos dos outros, seus vizinhos ou concidadãos. “Todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente equilibrado e o dever de o defender” – n.º 1 do artigo 90 da CRM. Por outro lado, ainda com base na Lei-mãe, todos os cidadãos têm direito à habitação condigna, sendo dever do Estado, de acordo com o desenvolvimento económico nacional, criar as adequadas condições institucionais, normativas e infra-estruturais – n.º 1 do artigo 91 da CRM. Assim dito, significa dizer que cabe às estruturas locais,sejam elas províncias, distritos, postos administrativos, localidades e povoações solucionar as preocupações e inquietações dos residentes de cada parcela territorial. Por outro lado, temos a Lei n.º 19/2007, de 18 de Julho (Lei do Ordenamento do Território). Essa lei faz o enquadramento jurídico da Política de Ordenamento do território, para que se alcancem, objectivos essenciais com destaque para o aproveitamento racional e sustentável dos recursos naturais, a preservação do equilíbrio ambiental, o melhoramento das condições de habitação podemos incluir aqui o acesso as habitações – ruas e estradas. O processo de ordenamento do território obedece aalguns princípios, para o caso em análise chamamos à colação o Princípio da Responsabilização, que recomenda a toda e qualquer entidade, pública ou privada, por qualquer intervenção sobre o território que possa ter causado, ou vir a causar, danos e degradação do território, ou afectar a sustentabilidade ambiental, assegurando a obrigação da reparação desses mesmos danos e a compensação dos prejuízos causados à qualidade de vida dos cidadãos., atento a alínea e) do artigo n.º 4 da Lei do Ordenamento do Território. Mais do que isso, o Estado e as Autarquias Locais devem promover, orientar, coordenar e monitorizar de forma articulada o ordenamento do território, no âmbito das suas atribuições e das competências dos respectivos órgãos. “Como podemos nos defender?” Primeiro, é necessário aproximar-se do Secretário do seu Bairro, apresentar o assunto que vos incomoda, ouvir as suas respostas ou formas de solução. Segundo, indicamos mais uma figura jurídica que serve para salvaguardar os acessos à via pública ou vice-versa chamada Servidão. Servidões legais de passagem como, dispõe o nº 1 do artigo 1550º do Código Civil é um meio que “os proprietários de prédios que não tenham comunicação coma via pública, nem condições que permitem estabelecê-la sem excessivo incómodo ou dispêndio, têm a faculdade de exigir a constituição de servidões de passagem sobre os prédios rústicos vizinhos”. Como pode perceber, essa é mais uma forma legal para exigir às autoridades competentes em especial as estruturas do seu Bairro o alargamento das ruas. Por outro lado é necessário um rigoroso acompanhamento das construções que vão ocorrendo por aí. Sabido que para a construção de qualquer empreendimento é sempre necessário uma licença de construção emitida pelo Município, Administração do Distrito ou Governo Provincial e do Corpo de Salvação Pública (Bombeiros).
fev 24 2023
Criminalidade na flôr da pele em Namarepo A, cidade de Nampula
Um grupo desconhecido de malfeitores esta a aterrorizar a Unidade Comunal de Namarepo “A”, bairro de Napipine, arredores da cidade de Nampula. Agressões físicas e violações a mulheres são os crimes mais comuns cometidos pelos malfeitores, durante anoite ou mesmo em pleno sol do dia. Caso recente aconteceu na madrugada desta sexta feira (24/02), em que a vitima foi uma jovem de cerca de 30 anos de idade, que ao sair de sua casa para comprar pão, foi agredida e violada sexualmente numa casa de banho, onde depois ficou abandonada meio morta. A vitima, ainda inconsciente, viria a ser socorrida por vizinhos, depois das sete horas, e encaminhada ao hospital central de Nampula, onde teve tratamentos médicos intensivos na Genecologia. Os moradores da área, estão desapontados com a situação e contam que para alem desta Acção, outras pessoas sofreram agressões, sob um olhar negligente de quem de direito. Falando a Rádio e Televisão Encontro, os moradores da área onde aconteceu o crime exigiram que a policia se faca presente naquela Unidade residencial, porque, segundo disseram, vivem numa insegurança. “Encontrei ela desmaiada na minha casa de banho esta madrugada e fui informar os vizinhos e o secretario da Unidade, para depois evacuamos ao hospital.” – disse o proprietário da casa de banho usada para o crime. Uma mãe que apenas se identificou por Jacinta lamentou o sucedido e pediu para que seja instalada uma unidade policial naquela zona residencial, por ser frequente a ocorrência de casos criminais. “Ē muito triste o que está a acontecer nesse nosso bairro, vivemos com medo e estamos a pedir socorro”.- lamentou. As autoridades locais tomaram conhecimento do crime e recordaram que vezes sem conta, acontecem situações similares, que ate já foram reportados as entidades policiais. “Na semana passada reportei para o SERNIC, que nessa Unidade Comunal, existem jovens que consomem drogas e álcool que depois agridem pessoas. Mas ainda não tenho resposta”. – Disse o Secretario da Unidade Comunal de Namarepo A, o qual revelou que a ocorrência de crimes na sua área de jurisdição, tem a ver com a falta de policiamento. Entretanto disse que estuda-se a possibilidade de se instalar uma Unidade policial naquela área, mas que há dificuldade de aquisição de uma casa para o efeito. Ficamos a saber que no ano passado, um membro da Policia da Republica de Moçambique foi agredido naquela Unidade Comunal tendo lhe sido retirado uma arma de tipo pistola e o respetivo fardamento. Por Elísio João
fev 22 2023
Défice de carteiras Escolares, está longe de ser solucionado no distrito Nampula
O Sector dos serviços distritais de educação, Juventude e Tecnologia do distrito de Nampula, continua a garantir que nos próximos meses serão adquiridas e canalizadas carteiras nas escolas onde se regista défice desse mobiliário. Apesar de o problema ser generalizado em todo distrito de Nampula, neste momento as atenções do sector estão mais viradas para as escolas primárias de Namiteca e Namicopo, todas nos arredores da cidade de Nampula, onde centenas de alunos continuam a receber aulas sentados no chão. A informação, foi avançada por Cecília Tacarindua, directora dos serviços distritais da educação, Juventude, Ciência e Tecnologia em Nampula, a qual declarou perante órgãos de comunicação Social, que nos próximos dias, sem avançar a data, outras escolas do distrito de Nampula receberão carteiras, que no seu entender, vão minimizar o problema de alunos sentados no chão. A ideia da dirigente, é colocar tolerância zero no que tange as crianças que estudam sentadas no chão, tendo em conta que esse fenómeno, dificulta o processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Questionada sobre as carteiras roubadas por desconhecidos recentemente na escola primária de Namicopo, Tacarindua, disse que trabalhos estão sendo intensificados pelas entidades competentes para a neutralização dos meliantes. “Mesmo sem carteiras na escola primária de Namicopo, por conta de roubo ocorrido recentemente, os alunos estão a receber aulas sem sobressaltos”. – clarificou a dirigente. Por Florêncio Alfredo
fev 22 2023
Uso de Línguas maternas melhora o processo de ensino e aprendizagem em Nampula
Sob lema educação multilíngue – uma necessidade de transformar a educação, celebrou-se nesta terça-feira, 21 de Fevereiro, em todo mundo, o dia da língua materna. Na província de Nampula, as cerimónias alusivas a data, decorrerem no posto administrativo de Anchilo, distrito de Nampula, orientadas pela direção provincial da educação e desenvolvimento humano em coordenação com a USAID através do programa ̎Saber̎, projecto que tem vindo a ajudar o sector, no que se refere ao ensino bilíngue no pais. Célia Ayuba, representante do programa ̎Saber,̎ aproveitou a ocasião para dar a conhecer que esse programa está para a melhoria da aprendizagem dos alunos na componente de leitura, escrita e contagem. A fonte disse que o programa Saber abrange quase todos distritos da província de Nampula. Por seu turno, Rodrigues Ussene, director do gabinete do Governador da província de Nampula, avançou que a lecionação em línguas maternas, veio dinamizar o ensino e aprendizagem, resgatando a identidade cultural para que a nossa língua não possa morrer. Segundo Rodrigues Ussene, das 1.033 Escolas Primarias, 976 têm apoio da USAD através do programa Saber e que leccionam com a modalidade bilíngue. Uma modalidade que segundo a fonte, veio para ficar, visto que, nota-se uma evolução qualitativa dos alunos que aprendem em línguas Emakhuwa e Portuguesa, dai ter considerado como vantajosa para as crianças que entram na escola pela primeira vez. Dados em nosso puder indicam que o dia mundial da língua materna foi instituído em 1999 pela UNESCO, com objectivo de galvanizar a educação, ciência e cultura. Por Florêncio Alfredo
fev 19 2023
A PROBLEMÁTICA DA TERRA EM MOÇAMBIQUE VII
Conflitos de terra na Arquidiocese de Nampula A província de Nampula por causa da sua localização estratégica sob ponto de vista de viabilização dos negócios para o mercado internacional por meio da cadeia logística, sobretudo, ferrovia e o Porto de Nacala, tem sido vítima do capital multinacional que busca a sua acumulação ampliada em escala global. A província de Nampula tem uma particularidade, pois, além de ter terras aptas para a prática da agricultura, as quais têm sido disputadas por corporações para a produção de commodities agrícolas, possui também importantes recursos naturais que tão tem sido alvos de disputa para a sua exploração capitalista por parte de empresas multinacionais. Tanto as empresas agrícolas quanto mineiras, ambas se têm beneficiado de extensas áreas de terras em forma de concessões por parte do Estado. É por meio dessas concessões que essas empresas procuram garantir tirar o lucro, produzindo commodities agrícolas, como também extraindo recursos naturais, os quais mais tarde são comercializados no mercado internacional. Um dos aspectos importantes a referenciar aqui, cinge-se no facto de as terras concessionadas as empresas, tanto agrícolas como mineiras, não serem livres, desocupadas ou degradas como nalguns casos o discurso oficial tenta transparecer. Significa que as concessões de terras para as empresas estão a ocorrer em áreas onde existem outros usos, sobretudo, comunitários. A província de Nampula tem muitos conflitos, a avaliar pelos relatos de órgãos de comunicação social. Seu estudo e mapeamento geral precisam de ser criterioso. Abaixo estão alguns exemplos mais recorrentes de conflitos de terra. A base usada para a sua listagem foi, além de estudos de várias organizações, conversas com as pessoas que foram vítimas e residentes das zonas em questão. Conflitos de terras na Diocese de Xai-Xai Na região sul do País, a província de Gaza, tem tido algum destaque no que tange aos conflitos de terras. O facto deve-se a entrada massiva dos grandes empreendimentos económicos, os quais tem-se beneficiado de extensas áreas de terras para a sua exploração capitalista. Trata-se, pois, de empreendimentos económicos ligados ao sector mineiro, como também agrário. Na maioria das vezes, tais concessões têm sido feitas em áreas onde já existem outros usos, nestes casos, comunitários. Tal facto, tem ocasionado disputas de territórios, pois, na maioria das vezes, os camponeses e/ou as comunidades rurais se insurgem contra as empresas que invadem as suas terras. No caso da província de Gaza, a sobreposição dos usos é evidente. Neste caso específico, as licenças mineiras em transição, as licenças mineiras válidas, as áreas de exploração mineiras, concessões florestais e as áreas correspondentes ao parque nacional, estão sobrepostos aos assentamentos humanos. Significa que na província de Gaza, as concessões ocorreram por cima das áreas de uso comunitário, as quais eram e são usadas por milhares de famílias camponesas para vários fins. Muitas famílias foram expropriadas e expulsas das suas terras para dar lugar a entrada dos mega-projectos, tanto de mineração, como agrícolas, sendo que algumas, foram reassentadas em outros lugares, mas sem condições materiais para a sobrevivência destas. A violação dos Direitos Humanos por causa da implementação de mega-projectos é similar nestes três distritos da província de Gaza: Chongoene, Chibuto e Massingir. Em Massingir, vinte anos depois do início do projecto de conservação ambiental, as famílias que vivem no interior do Parque Nacional do Limpopo ainda aguardam o reassentamento, e aquelas que foram reassentadas reclamam porque as casas correm o risco de desabar por terem sido mal feitas. As populações sentem-se burladas por quem as devia defender uma vez que as oportunidades de emprego para os jovens locais, como faziam parte das promessas, são uma pura miragem, enquanto sofrem os efeitos do conflito entre o homem e a fauna bravia. Os poucos espaços para o cultivo e a criação de gado são dizimados pelos animais bravios. Sem culturas e sem gado as populações não têm onde reivindicar a indemnização, ou qualquer outro socorro. No distrito de Chibuto, a empresa chinesa Deng Cheng, explora areias pesadas e das 1.200 famílias a reassentar, a concessionária construiu mais de 300 casas. O processo está interrompido porque as famílias não concordam com os valores de compensação a serem pagos. Mas a empresa já iniciou a exportação de titânio. E em Chongoene, onde está a construção de um aeroporto que deve terminar em Outubro 2021, cerca de 400 pessoas desalojadas aguardam as respectivas compensações desde 2018. Para finalizar, há concessões em tramitação nos distritos de Bilene, Xai-Xai, Chibuto e Mandlakaze. As concessões mineiras que se preparam localizam-se em áreas densamente povoadas, o que leva a prever os reassentamentos das comunidades abrangidas. Enquanto nos Distritos de Massingir e Mabalane, algumas concessões mineiras localizam-se no interior do Parque Nacional do Limpopo e na zona tampão da área de conservação, o que deixa antever conflitos intersectoriais, além do agravamento da situação actual das populações. CEPJ
fev 18 2023
A injustiça da guerra
Por AB À luz da encíclica “Fratelli Tutti” queremos reflectir sobre os conflitos que, no norte e no centro do Pais, criam sofrimentos e mortes. Papa Francisco propõe um percurso de perdão sem esquecimento e enriquecido com a memória para ultrapassar os graves conflitos que assolam o mundo. Desde 2017 a Província de Cabo Delgado no norte de Moçambique, é palco de ataques, acções violentas e atrocidades contra os civis indefesos por parte de grupos de terroristas de matriz islâmica que querem criar o seu próprio ”estado” dentro do Estado moçambicano. Até hoje é uma guerra sem vencedor que provocou a deslocação de mais de 500 mil pessoas que abandonaram as suas casas, as suas machambas, os seus pertences e, sobretudo, a sua existência quotidiana, para encontrar abrigo em Pemba ou na Província de Nampula, bem como em outros distritos de outras Províncias. É uma tragedia que se depara com o fundamentalismo de quem, em nome de Deus, mata, corta as cabeças e queimas as casas. Também no Centro do Pais recomeçaram os ataques armados, daquela que se chama a Junta militar da Renamo, contra viaturas, camiões e machimbombos que transitam na Nacional 1 e nas aldeias circunvizinhas. O lento caminho da paz Duas realidades conflituosas que paralisam Moçambique, provocam inúteis sofrimentos do povo e mantêm o pais num estado de insuportável ansiedade que prejudica aquele “futuro melhor” proclamado há tanto tempo. Esta é a nossa realidade. Agora vamos ver o que a carta “Fratelli Tutti” nos diz para encontrar um caminho de saída desta situação de escuridão. “No coração dos que maquinam o mal, há falsidade, mas aqueles que têm conselhos de paz, viverão na alegria» (Prov. 12, 20). No entanto, há quem busque soluções na guerra, que frequentemente «se nutre com a perversão das relações, com as ambições hegemónicas, os abusos de poder, com o medo do outro e a diferença vista como obstáculo». A guerra não é um fantasma do passado, mas tornou-se uma ameaça constante. O mundo está a encontrar cada vez mais dificuldade no lento caminho da paz que empreendera e começava a dar alguns frutos (256). Guerra negação de todos os direitos Dado que se estão a criar novamente as condições para a proliferação de guerras, lembro que «a guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente. Se se quiser um desenvolvimento humano integral autêntico para todos, é preciso continuar incansavelmente no esforço de evitar a guerra entre as nações e os povos. Para isso, é preciso garantir o domínio incontrastado do direito e o recurso incansável às negociações, aos mediadores e à arbitragem, como é proposto pela Carta das Nações Unidas, verdadeira norma jurídica fundamental» … (257) Guerra justa ou preventiva? Não! Deste modo facilmente se opta pela guerra valendo-se de todo o tipo de desculpas aparentemente humanitárias, defensivas ou preventivas, recorrendo-se mesmo à manipulação da informação. De facto, nas últimas décadas, todas as guerras pretenderam ter uma «justificação» … Assim, pretende-se indevidamente justificar inclusive ataques «preventivos» ou acções bélicas que dificilmente não acarretem «males e desordens mais graves do que o mal a eliminar» … Assim, já não podemos pensar na guerra como solução, porque provavelmente os riscos sempre serão superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Perante esta realidade, hoje é muito difícil sustentar os critérios racionais amadurecidos noutros séculos para falar duma possível «guerra justa». Nunca mais a guerra! (258) No nosso mundo, já não existem só «pedaços» de guerra num país ou noutro, mas vive-se uma «guerra mundial aos pedaços», porque os destinos dos países estão intensamente ligados entre si no cenário mundial (259). A guerra não é solução Toda a guerra deixa o mundo pior do que o encontrou. A guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal. Não fiquemos em discussões teóricas, tomemos contacto com as feridas, toquemos a carne de quem paga os danos. Voltemos o olhar para tantos civis massacrados como «danos colaterais». Interroguemos as vítimas. Prestemos atenção aos prófugos, àqueles que sofreram as radiações atómicas ou os ataques químicos, às mulheres que perderam os filhos, às crianças mutiladas ou privadas da sua infância. Consideremos a verdade destas vítimas da violência, olhemos a realidade com os seus olhos e escutemos as suas histórias com o coração aberto. Assim poderemos reconhecer o abismo do mal no coração da guerra, e não nos turvará o facto de nos tratarem como ingénuos porque escolhemos a paz (261)”.
fev 14 2023
55 turmas estudam ao relento na escola primária completa de Namiteca em Nampula
Essa situação triste, acontece numa altura em que o governo diz estar a envidar esforços para acabar com o fenómeno de lecionação ao ar livre ou por baixo de árvores. A escola primária completa de Namiteca, nesta cidade, é um exemplo das várias, que desde ano passado, enfrentam problemas de falta de salas de aulas, depois dos efeitos dos Ciclones Ana e Gombe. O director daquela instituição Carvalho Evaristo, numa entrevista exclusiva à Rádio Encontro, recuou no tempo e disse que depois das tempestades do ano passado, a escola ficou com apenas 4 salas de aulas, e os alunos estudavam no recinto de uma igreja próxima, oque preocupa bastante. Carvalho Evaristo disse que num universo de 82 turmas, apenas 27 é que recebem aulas dentro da sala, e como forma de mudar o cenário, o conselho da escola adoptou um mecanismo de contribuição obrigatória dos pais e encarregados de educação, para a construção de algumas salas. A fonte referiu que apesar dos esforços que estão sendo feitos pelo conselho da escola, em colaboração com os pais e encarregados de educação, será difícil todos estudantes estarem dentro de uma sala, devido ao elevado número que a escola inscreveu para o presente ano lectivo. O dirigente disse ainda que a insuficiência de salas de aulas naquele estabelecimento de ensino, influencia sobre maneira no fraco aproveitamento pedagógico do aluno, uma vez que o arranque do ano lectivo acontece na época chuvosa. Lopes António, Professor afecto naquela instituição, disse ser um desafio enorme que se associa com a falta de Material didático. Recorde-se que o Governo da província de Nampula apareceu em publico, semana passada, a dizer que este ano, não haverá construção de novas salas de aulas. Por Assane Júnior
fev 14 2023
AGE é pela retenção da Rapariga na Escola nos próximos 5 anos
Numa altura em que os governos dos vários países desenham suas políticas para tornar a educação mais acessível a todos, dados indicam que mais de metade das raparigas em moçambique, não conseguem concluir o nível secundário. São apontados vários factores que contribuem para esse fenómeno, com destaque para os casamentos prematuros, assédio sexual entre outros. Esses dados foram tornados públicos na cidade de Nampula pelo embaixador dos Estados unidos em Moçambique, a margem da cerimónia de lançamento de um novo programa, denominado AGE, que visa apoiar o avanço da educação das raparigas dos 10 aos 19 anos de idade, para que mais raparigas possam concluir o ensino básico e secundário geral, promovendo a sua retenção, aprendizagem e progressão de ciclos. Piter Hendrick Vrooman, revelou que esse programa, vai abranger 280 mil raparigas e rapazes em oitocentas escolas das províncias de Nampula e Zambézia, durante cinco anos. O Programa AGE é uma iniciativa da Agência dos Estados Unidos para o desenvolvimento Internacional, destinado para o apoio ao ensino básico. Para tal, a USAID selecionou um consórcio de 5 organizações lideradas pelo Centro de aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil – CESC. Com esse programa, espera-se melhorar o acesso a escola para raparigas, e aumentar o apoio comunitário a educação das raparigas, melhorar a retenção e o desempenho das raparigas nas Escolas primarias e secundarias, para alem de melhorar a segurança delas na escola, nas famílias e na comunidade. Por Elísio João
fev 07 2023
PRM neutraliza supostos ladrões de Carteiras Escolares em Nampula
Os envolvidos no roubo de Carteiras Escolares na Escola Primária de Namicopo, já estão sob custódia policial na cidade de Nampula. Os indiciados foram neutralizados depois de denúncias populares, que davam conta de que as carteiras roubadas naquela Escola, estavam a ser matéria prima para o fabrico de mobiliário numa carpintaria, naquele Bairro. Feitas as diligências, foi identificada a carpintaria e o respetivo proprietário, assim como outros elementos que constituíam o grupo. O porta voz da PRM no Comando Provincial de Nampula, Zacarias Nacute disse à imprensa que no grupo dos indiciados nesse crime, faz parte um guarda da Escola Secundaria de Muatala. O carpinteiro, de 31 anos de idade, confirma ter recebido 9 peças de madeira para fazer portas em Junho do ano passado, mas que acabou comprando por mil meticais. O Guarda da Escola Secundaria de Muatala assume ter desviado carteiras na instituição onde trabalha, alegadamente por se tratar de madeira estragada e nega que tenha roubado na Escola Primária de Namicopo. O segundo caso apresentado à imprensa pela polícia, é sobre um individuo que foi neutralizado na via pública mascarado e na posse de uma catana, o que criou suspeitas por parte da Polícia, tendo sido recolhido as celas. Aquele individuo foi interpelado pelas Forças de Lei e Ordem, no bairro de Muhala Expansão, quando transportava consigo uma quantidade de roupa. Não é primeira vez que este indiciado é encarcerado nas celas da PRM, pois ele mesmo recorda que certa vez ficou preso acusado de crime de violação de menor e roubo de telemóveis. Ainda na Segunda Feira, 06 de Fevereiro,, a Polícia apresentou à imprensa um individuo que se fazia de um técnico de saúde numa Unidade sanitária, mas que foi denunciado pelos profissionais ali afectos. O indiciado neste crime, conta que sofre de uma perturbação mental, e que não sabe como foi parar naquela Unidade Sanitária, para se fazer de técnico de saúde. Durante a semana finda, a PRM em Nampula neutralizou igualmente um grupo de meliantes e compradores de diversos bens de proveniência duvidosa e que já se encontram nas celas. A Polícia da República de Moçambique em Nampula diz ter registado uma redução em 40 porcento da onda de criminalidade, mas mesmo assim pede a colaboração da população, no combate ao crime. Por Eva Bento


