jan 30 2023
A reconciliação é um compromisso comum
A encarnação de Jesus Cristo, o Filho de Deus, aconteceu depois de João Baptista ter percorrido as terras da Galileia anunciando aos Judeus a necessidade do arrependimento e da conversão. Toda a humanidade foi reconciliada com Deus pela morte de Cristo na Cruz. Pois, “Deus que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, estando nós mortos pelos nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo” (Ef. 2,4-5). Ele – Jesus Cristo – é a nossa paz. “Ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, anulando pela sua carne, a Lei, os preceitos e as prescrições, veio para anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz também àqueles que estavam perto” (Ef. 2,14-17). Razão pela qual, com a Exortação Pastoral “Conversão e Reconciliação” elaborada pelos Bispos Católicos de Moçambique em 28 de Setembro de 1983, vamos falar do tema da Reconciliação. Reconciliados com Deus “Se, de facto, sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de Seu Filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela Sua vida. E não é só isto; também nos gloriamos em Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Qual obtivemos agora a reconciliação” (Rom. 5, 10-11). A partir desta palavra de Paulo, há todo um caminho a percorrer e todo um trabalho a fazer, não apenas quando celebramos a Fé na comunidade, mas em qualquer momento da nossa vida. Com efeito “a nossa vida, lembra o Papa Paulo VI, está perturbada por muitas rupturas, por demasiadas desarmonias, por demasiadas desordens. Temos necessidade, em primeiro lugar, de estabelecer relações autênticas, vitais e felizes com Deus, de ser reconciliados na humildade e no amor com Ele, a fim de que, desta primeira e fundamental harmonia, todo o mundo da nossa experiência exprima uma exigência e adquira uma virtude de reconciliação, na caridade e na justiça com os homens a quem, imediatamente, reconhecemos o título inovador de irmãos” (Paulo VI – Aloc. de 9 de Maio de 1973). Reconciliação fraterna Assim, a reconciliação deve ser para todos nós um empenho constante e decisivo. Em primeiro lugar a reconciliação com Deus, ou a conversão de que já falamos mais acima. Mas a reconciliação com Deus não é possível, sem a reconciliação com os outros. O maior sinal do amor a Deus é o amor sincero aos outros. (Jo. 13,35). Por outro lado, “se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas odiar a seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama o seu irmão, ao qual vê, como pode amar a deus, que não vê?” (1 Jo. 4,20). A reconciliação fraterna é o sinal mais vivo da reconciliação com Deus. Jesus lembra-nos este dever de reconciliação, quando nos diz que antes da oferta sobre o altar está a reconciliação com o irmão. “Se fores apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois volta para apresentar a tua oferta” (Mt. 5,23-24). Diz-nos também, na oração que nos ensinou, que o perdão de Deus está condicionado pelo perdão ao nosso irmão, “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o Vosso Pai Celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas” (Mt. 6,12-16). “Com o teu adversário mostra-te conciliador” (Mt. 5, 25). O homem da parábola dos dois devedores não foi perdoado porque se recusou a perdoar ao seu irmão. “E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. Assim procederá convosco Meu Pai celestial, se cada um de vós não perdoar do fundo do seu coração a seu irmão. (Mt. 18,34-35). O Apóstolo Paulo, escrevendo às comunidades de Corinto, diz-lhes que é dever delas não só assumir a reconciliação de todos os dias, mas também anunciá-la e praticá-la. “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo. Mas tudo isto vem de Deus que nos reconciliou consigo, por meio de Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação” (2 Cor. 5, 17-18). Deu-nos este ministério e mandou praticá-lo. “Reconciliai-vos com Deus” (2 Cor. 5,20). “Revesti-vos de entranhas de misericórdia suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra o outro” (Col. 3, 12-15). Devemos, então, viver no dia-a-dia a reconciliação e devemos testemunhá-la onde quer que estejamos e onde quer que haja ameaças ao amor fraterno e à paz. Reconciliação na comunidade eclesial A reconciliação leva-se a cabo na própria comunidade eclesial, na sociedade, na política, no ecumenismo, na paz” (Paulo VI – Aloc. De 9 de Maio de 1973). Primeiro, na comunidade eclesial. As comunidades cristãs devem saber que a igreja é um mistério de comunhão e que, na evangelização e na pastoral, construir, aqui e hoje, “uma Igreja – comunhão” é uma opção de todos nós. Ninguém, contudo, ignora as tentações que podem surgir contra a comunhão que nos propomos viver e aprofundar. Essas tentações ou ameaças podem nascer de muitos lados. Podem vir do egoísmo do coração de cada um, do egoísmo dos grupos, das etnias, das culturas e dos lugares onde nascemos ou vivemos. Podem vir dos serviços que prestamos nas comunidades se, em vez de servirmos, procuramos dominar. Podem vir da diversidade das mentalidades, ou das linhas e métodos pastorais porventura isolados ou mais individualistas. Podem vir das relações deficientes entre os diversos agentes de pastoral ou dos projectos de trabalho, de algum modo egoístas e desligados da comunhão de todos e com todos. A reconciliação, que o nosso Deus de misericórdia e de paz (Ef. 2,4 ; Fil 4,9) nos manda, passa efectivamente pelo combate contra estas e outras tentações; passa, ao mesmo tempo, pela edificação da
jan 05 2023
Famílias promovem paz e desenvolvimento da sociedade
A família é o fundamento da sociedade. Ela representa uma «pedra angular» na construção da paz e do desenvolvimento na sociedade. O desentendimento que se vive no relacionamento entre as famílias constitui uma ameaça à paz e ao desenvolvimento da sociedade. É da família que saem os cidadãos e na família encontram a primeira escola das virtudes sociais, que são o ponto focal da vida e do desenvolvimento da sociedade. A família constitui o lugar mais eficaz de humanização e de personalização da sociedade. Ela contribui para a promoção da paz e do desenvolvimento na sociedade através da sua experiência de comunhão e de participação na vida social. Como primeira escola de sociabilidade, a harmonia entre os pais e a correcção para com os filhos quando estes estão errados, estimula o crescimento das relações comunitárias,a sensibilidade para com a justiça, diálogo e amor e uma forte educação ao trabalho. Coragem da mudança “É de pequeno que se torce o pepino”, diz um proverbio popular. Numa família onde os pais primam por uma postura liberalista, olhando com indiferença os maus comportamentos dos filhos estão preparando para a sociedade, talvez, membros delinquentes. O hábito de se colocar sempre a favor dos filhos, de os encobrir, independentemente de estarem certos ou errados, perverte a personalidade deles como futuros membros da sociedade. A falta de união no relacionamento, a vida sempre conflituosa no seio da família, influencia na personalidade social das crianças. A maneira de os pais gerirem o conflito dos filhos dita também na sua educação moral. É a família que tem o dever de educar os filhos no respeito, no amor à verdade, justiça e solidariedade. Família humanizante Também a educação ao respeito da ecologia ambiental começa na família, quando os pais ensinam os filhos a valorizarem os recursos naturais como a água, as plantas. É assim que o Papa Francisco diz que “a humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo”. Diante de uma sociedade tendente a ser cada vez mais despersonalizada, desumana e desumanizante, a família possui a capacidade de “arrancar o homem do anonimato, de o manter consciente da sua dignidade pessoal”. Portanto, a família é uma pequena sociedade dentro de uma grande sociedade. A paz e o desenvolvimento da sociedade em que estamos, exige conversão das famílias no modo de lidar com seus membros e na maneira como gere os pequenos conflitos no seio das mesmas. As ameaças O mal-estar da sociedade é reflexo do mal-estar das famílias. Não é possível uma sociedade feliz, um mundo pacífico e desenvolvido sem famílias felizes, pacíficas e pacificadoras. Por esta íntima conexão entre a família e a sociedade, impõe-se ao Estado e à sociedade o dever fundamental de respeitar, defender e de promover a família. Contudoé preciso vencer algumas posturas que colocam em causa o seu papel de promoção da paz e do desenvolvimento. Medo: o medo de perder o emprego, do terrorismo, de perder o amor do parceiro, da exclusão, de ficarmos para trás influenciam negativamente o desenvolvimento familiar. Smartphonismo ou onlinismo: é o apego doentio do celular, a ponto de boicotar o diálogo directo entre membros da família e que mata o hábito de conversar, dialogar entre os vários membros familiares. Quaresma sem Páscoa: é a situação de muitos lares familiares hoje que já não são lugar de amor nem de paz, mas, antes, campos de batalha e luta. Perante estes medos e dificuldades temos uma inversão de marcha a respeito daquilo que a educação familiar exige. Por exemplo, o “você é tudo para mim” transforma-se em “você não é nada para mim”; “eu amo-te” é substituído por “eu odeio-te”; em lugar do “meu bem” fica “minha desgraça”; “sem você eu não vivo” fica “você é um inferno para mim. É o perigo do desenraizamento generalizado. A ruptura familiar desemboca num caos drástico: filhos desenraizados, idosos abandonados, crianças órfãs de pais vivos, adolescentes e jovens desorientados e sem regras. Famílias responsáveis Enfim, recordamos que a família é uma instituição social de capital importância, é uma instituição de “ensino superior” onde se promovea paz e o desenvolvimento da nossa sociedade. Daí que há necessidade de cada família assumir a responsabilidade de, através da sua experiência de comunhão em casa, na sociedade, transmitir uma boa educação às novas gerações. Como deixámos claro, o mal-estar da sociedade actual é reflexo do mal-estar das famílias. Na verdade, o medo de educar, corrigir os próprios membros da família, a falta da cultura de diálogo, a fragilidade dos laços familiares, a atitude de estar sempre a favor dos membros da família independentemente de estarem certos ou errados, só podem contribuir para a destruição da própria família e da sociedade. Por último, dada a íntima conexão entre a família e a sociedade, existe, por outro lado, o imperativo de a sociedade e o Estado estarem a par da defesa e da promoção dos direitos das famílias, sobretudo as que se encontram em situação de vulnerabilidade. Por Serafim João Muacua
jan 01 2023
CRONICANDO: PESSOAS DE COSTAS QUENTES
Repetidas vezes ouvi e oiço dizer que “Cada um por si e Deus por todos”. Se por um lado isto contribui para o predominante desequilíbrio social entre a minoria cada vez mais rica e a maioria de pobres cada vez mais empobrecidos, por outro lado, alimenta o espírito de nepotismo e a crescente corrupção. Cada um quer ser primeiro e o mais importante. E a cadeia é longa. Quem se beneficia disso são os socialmente bem posicionados. E quem fica prejudicado são os pobres e desconhecidos. Penso que nas nossas sociedades aplica-se mal a palavra padrinho. Ao invés de ser o nosso conselheiro, muitas vezes o padrinho aparece como advogado defendendo até em situações de pecado grave. Há padrinhos do hospital, padrinhos do banco, padrinhos dos ritos de iniciação, padrinhos dos sacramentos, padrinhos do registo civil, padrinhos do bairro, padrinhos da escola, padrinhos da cadeia, padrinhos da barraca, padrinhos das dívidas ocultas, padrinhos de etc., padrinhos de tudo o que há debaixo do céu. E só me falta ver padrinhos visíveis do cemitério. Será que ninguém gosta de defender os mortos? Aliás, mesmo no cemitério há padrinhos para garantir lugar onde cavar a sepultura até nos cemitérios oficialmente fechados. É certamente isto que nos pode provar que cada coisa tem o seu padrinho. Mas são as ditas pessoas de costas quentes que aumentam o número de padrinhos. Geralmente, essas pessoas, não querendo fazer bicha por se acharem mais ocupadas e importantes que as outras, suplantam os outros, passam-lhes a perna e são atendidas imediatamente. O grito silencioso dos pobres é quase inaudível. Pena é que não sabem que o coração dos outros fica dolorido com esse tipo de comportamento que revela falta de educação e de humanismo. Somos iguais em direitos. Não há motivos de nos pisarmos em vão. Sim!!! De acordo com o artigo 35 da Constituição, “todos os cidadãos são iguais perante a lei e gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, a sua profissão ou a sua preferência política. A realidade que vemos todos os dias, no entanto, nos apresenta esse artigo como mais uma utopia criada para que nos enganemos e nos deixemos levar pelas condições e situações de conformismo. Essa afirmação nos permite, muitas vezes, tolerar todos os dias as diferenças que vemos, seja no noticiário, seja ao vivo, das discrepâncias criadas em relação a factos e pessoas, não conseguindo convencer muitas pessoas da desigualdade que temos em nosso país. E isso tudo, por que motivo? Na vivência comum do dia-a-dia, podemos entender que diferenças podem ocorrer em vista de um sistema criado por seres humanos que, naturalmente, são falhanços, não são perfeitos. Em nossa sociedade os que não têm costas quentes são postos na cadeia e até podem desaparecer ou apodrecer lá mesmo sem o mínimo de julgamento ou abertura do processo criminal. Por isso mesmo, as cadeias moçambicanas são lotadas por pessoas que roubam galinhas, artigos de vestuário, etc. Mas os que possuem costas quentes não conhecem o caminho da esquadra. Se eles cometerem crime, têm advogados que os inocentam à custa de avultadas somas de dinheiro. As pessoas de costas quentes podem até matar, corromper, defraudar a nação inteira, ninguém lhes toca porque têm os seus padrinhos vitalícios. O corruptor fica livre e o corrompido entra na cadeia. É a lei da apadrinhagem moçambicana. Podemos crer na igualdade, sim, a partir do momento em que tivermos diante de nossos olhos o resultado incontestável para os delitos, quando tivermos a garantia de que, enquanto estamos à nossa mesa, matando a nossa fome, todos os moçambicanos estarão na mesma condição; ou quando tivermos a certeza de que não haverá falta de vaga numa creche infantil para aquela empregada doméstica que trabalha todos os dias em nossa casa para nos satisfazer as pequenas vontades; ou quando entendermos que a democracia entende que todos são iguais perante a lei, eliminando aqueles que se consideram mais iguais que os iguais. Seremos perfeitamente iguais quando fugirmos das condições estabelecidas na “Revolução dos Bichos” (George Orwell) e nos encontrarmos frente a frente com a “Utopia” (Thomas More). Ou, enfim, quando estivermos preparados para viver efectivamente numa “República” (Platão). E aqueles que têm costas arrefecidas quando é que serão reconhecidos como merecendo atendimento rápido? Será que há um lugar onde não há costas quentes? Onde? Não sei se existe. Mesmo para arrumar um cadáver numa gaveta melhor na casa mortuária é preciso costas quentes. Tenho medos que nos queimem com as vossas costas esquentadas. Quem nos livrará disso? Começa contigo! E mais não disse! Por Kant de Voronha, in Anatomia dos factos
dez 21 2022
De Ahlu Sunna Wal Jamaa ao Estado Islâmico Moçambique
Embora a insurgência tenha enfrentado desafios consideráveis desde seu pico em 2020 e no primeiro semestre de 2021, ela permaneceu robusta e capaz. Evidências sugerem que ele tem sido consistente em sua ideologia e objetivos. Apesar de operar com uma liderança descentralizada e uma estrutura de células, sua liderança permaneceu focada e coerente diante dos recursos significativos implantados contra ela. A associação com o EI deu ao grupo uma identidade mais clara, mesmo que as implicações práticas desse relacionamento às vezes flutuante permaneçam obscuras. Embora enraizada em Cabo Delgado, a insurgência sempre foi de natureza transnacional. A sua seita religiosa antecedente, com escolas e mesquitas em Mocímboa da Praia e noutros locais, fazia parte de redes de religiosos e grupos armados de ideologia islâmica semelhante em toda a África Oriental. Alguns de seus professores originais vieram da Tanzânia e dos Grandes Lagos. Um grupo armado semelhante na Tanzânia, promovendo uma interpretação socialmente divisiva semelhante do Islã, foi violentamente desmantelado pelas forças de segurança tanzanianas em meados de 2017. Seus líderes escaparam por rotas provavelmente bem trilhadas para o sul até Cabo Delgado, e noroeste para a RDC, via Burundi. Tal como na Tanzânia, os insurgentes em Cabo Delgado não projectaram uma identidade clara para os forasteiros. O grupo inicialmente assumiu o nome Ahlu Sunnah Wal Jamaa (ASWJ) para demonstrar sua autenticidade espiritual, mas o Al Shababpassou a ser usado com mais frequência. Se este último era um descritor usado pela comunidade e adotado pelos insurgentes sempre foi incerto. Na costa leste africana, “Shabab”, que significa “juventude”, era no passado recente tão provável de aparecer em uma música pop, quanto na propaganda oficial de recrutamento. ASWJé raramente usado agora, com a possível exceção do SAMIM. A incorporação da insurgência na Província da África Central do EI em junho de 2019, por meio de uma reivindicação de ataque ao Escritório Central de Mídia do EI, foi, portanto, um reflexo justo das redes transnacionais existentes. Elementos das Forças Democráticas Aliadas na RDC tinham uma relação significativa com o EI. No entanto, não há evidências de que a taxa de crescimento da insurgência naquela época tenha sido devido à mão-de-obra ou apoio externo. Acredita-se que tenha até 1.500 pessoas em suas fileiras em meados de 2019, a maioria de Cabo Delgado, de acordo com fontes de segurança. A ideologia foi crucial para semear a insurgência. A resiliência que a insurgência demonstrou ao sobreviver à considerável perturbação provocada pela intervenção militar internacional provavelmente dependeu da organização interna em primeira instância, tanto quanto de qualquer apoio externo. O que sabemos disso é esboçado e depende em grande parte do testemunho de ex-insurgentes e cativos libertados ou fugidos. Evidências parciais que temos para essa resiliência apontam para pelo menos três fatores: o uso intencional da ideologia islâmica violenta em assuntos internos, uma liderança confortável operando em redes e uma capacidade de adaptar uma série de abordagens militares. Cativos que escaparam ou foram libertados, e combatentes que desertaram, têm consistentemente referido a importância da ideologia na indução de recrutas e cativos. Um programa ativo para reforçar a orientação ideológica foi confirmado por materiais recuperados de campos insurgentes pelas forças de segurança. Ao promover a rejeição da autoridade do Estado laico, da educação e das hierarquias tradicionais, espera-se que a lealdade ao novo grupo seja induzida, seja por medo ou de outra forma. Também houve evidências de estruturas departamentais para a administração de assuntos do dia-a-dia, como serviços de saúde, que ilustram a disciplina necessária para gerenciar qualquer grande organização. Tais estruturas são uma exigência do EI das suas províncias, são funcionais e não apenas operacionais, e informaram a decisão do EI de anunciar a sua Província de Moçambique em Maio de 2022. Enquanto os Estados Unidos em março de 2021 declararam Abu Yasir Hassan como o líder do EI Moçambique, sua liderança tem sido entendida como coletiva. Figuras que conhecemos, como Bonomade Machude Omar, Abu Dardai Jongo, Andre Idrissa e Ansumane Vipodozi, normalmente trabalharam como pequenos comerciantes ou empresários, muitas vezes operando regionalmente. Eles estão, portanto, provavelmente mais confortáveis trabalhando em redes colaborativas baseadas em confiança do que em organizações hierárquicas. A capacidade de operar efetivamente em redes de apoio mútuo foi fundamental para a sobrevivência do grupo em 2021 e além. As operações das forças de intervenção, particularmente o Ruanda, expulsaram com sucesso os insurgentes dos distritos de Palma e Mocímboa da Praia, bem como de algumas das bases bem estabelecidas em Nangade e Macomia. A queda nos eventos organizados de violência política envolvendo os insurgentes em Palma foi vertiginosa, de 58 no primeiro semestre de 2021 para apenas nove no segundo semestre, e seis nos primeiros seis meses de 2022. Mocímboa da Praia assistiu a uma intensificação da atividade. Os eventos organizados de violência política envolvendo os insurgentes subiram para 44 no segundo semestre de 2021, caindo para apenas sete nos seis meses seguintes. Isso refletiu a retomada da sede do distrito pelas forças ruandesas e pelo FDS em agosto de 2021, após um ano de ocupação pelos insurgentes, e a tomada de seus principais campos, Siri 1 e Siri 2, no sul do distrito em setembro de 2021. Essas operações deram à insurgência um duro golpe, levando a um declínio significativo em seu número, resultando em uma queda significativa nas mortes relatadas e na proporção de civis entre as fatalidades. No entanto, eles não foram embora. Grupos móveis menores de combatentes seguiram para o distrito de Nangade, no oeste, onde a atividade insurgente mais do que dobrou para 70 incidentes no primeiro semestre de 2022, em comparação com os seis meses anteriores. Seguiram também para sul, abrindo uma nova frente nos distritos meridionais da província, bem como na província de Nampula, em meados de 2022. Não há evidências de qualquer perturbação grave do grupo de liderança. O Cabo Ligado entende que pelo menos dois dos líderes pré-intervenção ainda estão ativos – Bonomade Machude Omar, no distrito de Macomia, e Abu Dardai Jongo, no sul. Outros líderes permaneceram ativos em Nangade. Relatórios consistentes por parte
dez 13 2022
Igreja Católica assina Memorando com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano
A igreja Católica através da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) assinou no dia 12 de Dezembro em Maputo o memorando de entendimento com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MEDH). O mesmo foi assinado pela Sua Excelência Reverendíssima, Dom Ernesto Manguengue, Bispo de Inhambane e Presidente da Comissão Episcopal da Educação na CEM e pela Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua Leia aqui o Memorando memorando educação MEDH e CEM
dez 08 2022
Cinco Anos de Conflito no Norte de Moçambique
Cinco Anos de Conflito no Norte de Moçambique Cinco anos em resumo Estatísticas Vitais O ACLED (Armed Conflict Location and Event Data Project) é um projecto de colecta de dados desagregados, análise e mapeamento de crises. A ACLED colecta informações sobre datas, atores, locais, fatalidades e tipos de violência política relatada e eventos de protesto em todo o mundo. O ACLED registou 35 eventos organizados de violência política na província de Cabo Delgado em Outubro de 2022, resultando em 73 mortes registadas. De Outubro de 2017 a Outubro deste ano, um total de 1.475 eventos organizados de violência política tiveram lugar em Cabo Delgado, com 4.332 mortes registadas. Em Outubro de 2022, as mortes relatadas foram maiores nos distritos de Ancuabe e Nangade, onde insurgentes realizaram ataques contra civis e entraram em confronto com forças estatais e milícias comunais. No entanto, ao longo do período de cinco anos desde Outubro de 2017, as mortes registadas foram mais elevadas nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia e Palma. Outros eventos tiveram lugar nos distritos de Chiure, Macomia, Montepuez, Muidumbe e Nambuno, em Cabo Delgado, em Outubro de 2022. Desde Outubro de 2017, os distritos de Macomia, Mocímboa da Praia, Nangade, Palma e Muidumbe têm tido o maior número de eventos organizados de violência política. Tendências Vitais Nos últimos cinco anos, o conflito na província de Cabo Delgado custou mais de 4.000 vidas, mais de 40% desses civis. No seu quinto aniversário, tinha tocado a maioria dos distritos da província, bem como as províncias vizinhas do Niassa e Nampula, e a região de Mtwara, na Tanzânia. Quase um milhão de pessoas foram deslocadas. O conflito é internacional, moldando a insurgência e a resposta a ela. Os insurgentes, embora principalmente moçambicanos, sempre tiveram ligações regionais com a África Oriental e Central. A assimilação dos insurgentes, e sua rede regional, em estruturas do Estado Islâmico (EI) aguçou esse aspecto da insurgência. Há evidências de que isso moldou a mensagem pública da insurgência, bem como suas estruturas internas. A resposta também tem sido necessariamente internacional. Reunir e dirigir a intervenção militar internacional tem sido um desafio significativo para as autoridades moçambicanas. Avanços significativos foram feitos contra a insurgência. No entanto, os mais afectados pelo conflito, sejam enlutados, feridos ou deslocados, dependerão das instituições domésticas para prestação de contas e reconstrução futura. O equilíbrio dos interesses internos com o leque de partes interessadas agora envolvidas no conflito continuará a testar os líderes políticos de Moçambique. Resumo de cinco anos O progresso feito pelos insurgentes nos dois anos e meio até maio de 2020 foi considerável. Embora concentrados em cinco distritos no norte da província, e ao longo da costa, eles também haviam sondado até o sul de Ancuabe e Metuge naquela época. As autoridades já haviam perdido o controlo de grande parte do norte da província. Em Março de 2020, as sedes dos distritos de Quissanga e Mocímboa da Praia foram brevemente ocupadas. Em Abril, a sede de Muidumbe foi ocupada e, no mês seguinte, foi a vez da sede de Macomia. Esta capacidade atingiria o seu pico em agosto de 2020, quando os insurgentes, após meses de actividade, assumiram o controlo sobre a cidade de Mocímboa da Praia, expulsando as forças governamentais. Um ataque semelhante à cidade de Palma em Março de 2021 finalmente precipitaria um apoio militar internacional significativo. Isso mudaria a forma do conflito nos 18 meses subsequentes, impactando significativamente a dinâmica do conflito, mas, sem dúvida, não o aproximando de uma conclusão. No final de 2020, o conflito também se internacionalizou inquestionavelmente em ambos os lados do conflito. O Estado moçambicano tinha em 2019 contratado com o Wagner Group, e depois com o Dyck Advisory Group (DAG) em 2020 nos seus esforços para lidar com a crescente ameaça interna. O rápido crescimento da insurgência nos primeiros três anos colocou uma pressão considerável sobre Moçambique para aceitar o apoio bilateral e multilateral. Isso veio de muitos quadrantes, incluindo a África do Sul, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a antiga potência colonial Portugal, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia. O EI incluía, desde Junho de 2019, Moçambique na sua autodenominada Província da África Central através dos seus anúncios do Gabinete Central de Comunicação Social. Como discutimos abaixo, isso essencialmente reconheceu os vínculos existentes com elementos na República Democrática do Congo (RDC) e, provavelmente, no Burundi e na Tanzânia, que estavam mais adiantados em afiliação com o EI. Em maio de 2020, apontamos para a possibilidade de divisões dentro da insurgência, apontando para os exemplos da África Ocidental, bem como da Somália e da RDC, onde a afiliação ao EI foi seguida por faccionalismo e divisões. No norte de Moçambique, este não tem sido o caso, e apesar dos insights limitados sobre o quadro organizacional do movimento, uma estrutura de liderança plana e colegial permaneceu unida e estrategicamente focada nos últimos cinco anos. O conflito cresceu exponencialmente ao longo deste período, com fatalidades aumentando ano após ano. O número total de mortes relatadas foi de 204 em 2018, o primeiro ano completo do conflito. Em 2019, isso mais do que triplicou para 619. Em 2020, foram registradas 1.720 mortes. Dentro dos dados sobre fatalidades, é impressionante que a proporção de mortes de civis relatadas caia drasticamente nos primeiros três anos, de 87% em 2018 para 47% em 2020. Embora ainda alarmantemente alta, a taxa de fatalidades causadas pelos insurgentes nos primeiros três anos se aproxima cada vez mais, se não igualando, a taxa de fatalidades das forças estatais. Isso provavelmente reflecte a lentidão na mobilização e, possivelmente, o surgimento de milícias comunais nos primeiros três anos do conflito. Esses dados sombrios também se reflectiram no crescimento do número de insurgentes. Foi estimado por fontes do sector de segurança que seu número cresceu de pouco mais de 150 em 2017 para quase 3.000 até o final de 2020, quando ameaçaram pela primeira vez o projecto em construção para a gestão de gás natural liquefeito (GNL) em Palma.
nov 24 2022
Abalroamentos das locomotivas, roubos continuam a preocupar a empresa Nacala logístic em Nampula.
Segundo o porta-voz da Nacala Logistics, Tomas Mocavela, os abalroamentos continuam a preocupar a esta empresa visto que continuam a criar danos humanos e materiais. De acordo com a fonte, de Janeiro a esta parte houve registo de 11 abalroamentos ao nível da província de Nampula, que culminaram com 9 mortes. Uma outra preocupação da Empresa Nacala Logistic prende-se na vandalização que acontecem nas linhas férreas, para além do roubo de fixadores de linha férrea e lona de protecção de produtos transportados nas carruagens para diversos destinos. Como forma de evitar a sinistralidade, segundo o porta-voz, a Nacala Logistic está a fazer trabalhos de construção de lombas em todas passagens de nível de Nampula a Moatize. Reagindo em torno da situação de Acidentes ferroviários, o chefe do departamento da polícia de trânsito em Nampula disse que vários trabalhos de sensibilização estão em curso na via pública por forma a estancar o mal. Por: João Baptista
nov 24 2022
Nacala Logistics preocupada com o aumento de casos de acidentes ferroviários e rodoviários em Nampula
A preocupação foi manifestada por José Piquetai, supervisor de relacionamento com a comunidade na empresa Nacala logistic, durante um encontro para promover uma reflexão com vista a contribuir para a redução da ocorrência dos acidentes que se têm registado nos últimos meses. Piquetai referiu que a situação de abalroamento envolvendo viaturas tem-se verificado por conta da imprudência e falta de atenção por parte dos automobilistas. Sobre os atropelamentos, segundo a fonte, só no ano passado houve registo de 25 casos, e no presente ano registaram-se cerca de 22 casos. A apresentação destes dados mereceu atenção dos participantes, que exigem da Nacala Logistic intensificação da sinalização nas vias públicas e nos locais de passagem de nível. Por: João Baptista
nov 01 2022
ESTUDAR EM MEIO A DISCRIMINAÇÃO, ESTIGMATIZAÇÃO E MITOS
ESTUDAR EM MEIO A DISCRIMINAÇÃO, ESTIGMATIZAÇÃO E MITOS Ser uma pessoa com albinismo em Moçambique é um grande desafio, para além da questão de falta de pigmentação da pele que nos deixa vulneráveis a queimadura solar e consequentemente ao desenvolvimento do cancro da pele; a baixa visão; que nos agrega ao grupo de pessoas com deficiência, mas, manejável, que na sua maioria constitui a população de baixa renda na sociedade; somos também confrontados pelo dilema da discriminação, estigmatização e mitos, que muitas vezes tem levado aos raptos e assassinatos para fins satânicos, alegadamente por sermos fonte de riqueza e cura de doenças crónicas, constituindo assim um dilema para a nossa sobrevivência. Ademais, ter baixa visão constituiu uma pedra no caminho de alguns educadores, professores, colegas e conhecidos, na qual, por suas vidas, turmas, mãos eu passei. “Por várias vezes fui questionada porque continuo estudando se a minha visão não permite ir a lado nenhum? Estás a estudar muito para quê, não vês que tens limitações! Várias vezes fui dita, fica em casa, a escola é para quem enxerga! Várias vezes fui dita, aqui não é o teu lugar, porque não vai a uma escola especial!” Com certeza o fora dito, afectou-me como qualquer ofensa que nos é dirigida, todavia, as mesmas palavras não permitiram que morressem os meus sonhos e a força de enfrentar as minhas limitações e superar a mim mesma. Por isso, ainda que tenha passado os anos a repassar os apontamentos de cadernos emprestados dos colegas, ter aulas extras, e muitas vezes não poder brincar livremente como outra criança qualquer devido a baixa visão, e na faculdade ter que enfrentar as longas filas para pegar chapas, as entrevistas dos cobradores, suportar as chuvas dentro do chapa My Love, aguentar o mau humor de alguns docentes e outros incompreensíveis em relação a minha baixa visão, e as noites mal dormidas correndo contra o tempo para concluir os inúmeros trabalhos, a gastrite e problemas estomacais desenvolvidos devido a longas horas sem se alimentar, se dedicando as bibliotecas e aos trabalhos da faculdade… Eu nunca desisti, e a cada dificuldade vivida era um desafio para lutar e alcançar os meus objectivos. Portanto, que as nossas limitações sejam um desafio para alcançar os nossos potenciais…sempre e nunca motivos para desistir e matar nossos sonhos. Que a minha vontade de lutar e superar a mim mesma e os estímulos sociais, e alcançar os meus sonhos, só ganharam mais força e sentido, crendo, confiando e abraçando a maior de todas as forças: a de DEUS. Com DEUS venci, e hoje sou Licenciada em Psicologia Clínica com Habilitações em Psicotraumatologia e Aconselhamento Psicodinâmico. Não é o fim, mas início de uma longa jornada académica. Joana Rosa Da Cruz Psicóloga Clínica Activista Social
nov 01 2022
Queridos filhos Professores e Educadores Católicos
«Toda a Escritura inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim, o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras» (2 Tm 3, 10-17). Queridos filhos Professores e Educadores Católicos É com o coração cheio de zelo que vos dirigimos estas palavras de conforto e admiração para vos saudar efusivamente e transmitir o calor do fogo da amizade que deflagra da inadiável missão que ecoa imperiosamente “ide, ensinai todas as nações” (Mt 28,19). Na nossa saudação de 2021 pela ocasião do mês do Professor, apresentamos a grave urgência da missão para qual Cristo vos chama com a proposta de caminhar com os pés no chão e com os olhos no Ceu. Para este ano 2022, gostaríamos de vos saudar convidando-vos para uma reflexão do tema servido pela Sua Santidade Papa Francisco pela ocasião do dia mundial da Paz e achamos que é perfeitamente aplicável a nossa realidade educativa: “Diálogo entre as gerações, educação e trabalho: instrumentos para construir uma paz duradoura.” [1] O Pontífice lembra-nos que o Diálogo entre as gerações, a educação e o trabalho são as três estradas que levam a um único caminho que é a uma paz duradoura. Uma paz que nos parece cada vez mais distante, a olhar pela natureza das notícias do dia: guerra e morte na Ucrania; mal estar na Russia e no Irão; guerra e morte em Cabo Delgado e Nampula…portanto, apesar de múltiplos esforços, aumenta o ruído ensurdecedor de conflitos, ao mesmo tempo que ganham espaço doenças de proporções pandêmicas, pioram os efeitos das alterações climáticas e da degradação ambiental, agrava-se o drama da fome e da sede e continua a predominar um modelo econômico mais baseado no individualismo.[2] Amados Professores e Educadores Católicos, a realidade que se nos apresenta é o fruto do nosso distanciamento moral e ético; distanciamento entre os homens; distanciamento entre gerações e distanciamento dos homens com Deus. É urgente tomarmos a pedagogia de Deus como modelo de Educação. O Papa Francisco na sua mensagem pela ocasião do 56º aniversario da comunicação social traça o caminho para a prática dessa pedagogia: escutar com o ouvido do coração. Na visão bíblica, escutar não é apenas uma percepção acústica, mas uma relação dialogal entre Deus e a humanidade, “shema’ Israel – escuta, Israel” (Dt 6, 4). Deus ensina à humanidade e esta escuta. Portanto, de um lado, Deus Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, a humanidade, a quem é pedida para sintonizar-se, colocar-se à escuta, numa aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro.[3] Professores e educadores católicos que sois, pertence a vós o cultivo do espírito de diálogo e escuta entre os professores, depois entre os professores e alunos imbuídos de caridade dando testemunho de Cristo, Mestre Único tanto na vida como na doutrina (Gravissimum Educationis nº9). Portanto, o primeiro passo para uma paz duradoura segundo o Pontífice é Diálogo entre as gerações, o que significa ouvir-se um ao outro; confrontar posições; pôr-se de acordo e caminhar juntos. O segundo passo é a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento. É por que o Papa insiste que Instrução e educação são os alicerces de uma sociedade coesa, civil, capaz de gerar esperança, riqueza e progresso. Mas também critica as tendências da sociedade atual de aumentar de forma exorbitante os investimentos para assuntos militares em detrimento do campo da educação. Finalmente vem o terceiro passo que é o trabalho. O sumo Pontífice entende que trabalho digno é um direito para todos, e não pode ser entendido como punição ou um favor para alguns. Na visão do Para Francisco, é preciso unir ideias e esforços que levem também a uma renovada responsabilidade social para que o lucro não seja o único critério-guia.[4] Filhos amados, com grande riqueza, Outubro em que se celebra o vosso dia é peculiarmente o mês dedicado à Maria. Por isso convido-vos a confiar as vossas intenções à Mãe do Salvador, pois saberá encaminhar na devida hora ao Seu Filho. DOM ALBERTO, bispo de Nacala Nacala, Outubro de 2022 [1] https//www.vaticannews.va./pt/papa/news/2021-12/papa-francisco-mensagem-dia-mundial-paz-dialogo-trabalho.html [2] https//www.vaticannews.va./pt/papa/news/2021-12/papa-francisco-mensagem-dia-mundial-paz-dialogo-trabalho.html [3] Mensagem Do Papa Francisco Para o LVI Dia Mundial Das Comunicações Sociais, 24 de janeiro de 2022, São João de Latrão, Roma, na Memória de São Francisco de Sales, [4] Mensagem Do Papa Francisco Para o LVI Dia Mundial Das Comunicações Sociais, 24 de janeiro de 2022, São João de Latrão, Roma, na Memória de São Francisco de Sales,


