ago 16 2022
Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Porto Alegre, no Brasil, visita a missão de Moma
Está na Arquidiocese de Nampula, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Porto Alegre, no Brasil, para visitar a missão de Moma, onde seus missionários estão a 28 anos prestando serviços de cura pastoral naquela missão da Igreja Católica. Em entrevista pela Rádio e Televisão Encontro, o bispo auxiliar relata momentos maravilhosos em que seus vários missionários e sacerdotes ganharam e partilharam suas experiências. Na ocasião, fez saber que o Papa Francisco fala muito da estação radiofónica e televisiva Encontro, realidade que constitui a nossa razão de empenho na formação e informação às comunidades dos ouvintes, na divulgação dos valores para uma cidadania justa e transparente. Refira-se que todos missionários que por cá passaram voltam alegres, sobretudo pelo evangelho semeado, mas também colhido. Segundo fez saber o prelado brasileiro, a organização que os fiéis têm nas comunidades, a liderança dos leigos, a força na fé, o espírito de convivência mútua entre os cristãos e muçulmanos na cultura macua, são alguns dos aspectos que impressionaram o bispo auxiliar do Porto Alegre. César Rafael
ago 14 2022
Missão é partir: idade é uma experiência e não obstáculo
No Evangelho de são Mateus 28,19-20, o Mestre diz: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco, todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém”. As experiências de várias pessoas de diferentes nacionalidades que partem à Missão e se encantam com o povo autóctone marca para toda vida. É assim que sente a Ir. Elisa, religiosa Pastorela de 83 anos de idade. No ano de 2000, início do terceiro milênio, um grupo formado por quatro religiosas, italianas, da Congregação de Jesus, o Bom Pastor, Pastorelas, chegava nas terras de Moçambique, especificamente, na diocese de Pemba, em Cabo Delgado. A juventude e o ardor missionário caracterizava as quatro mulheres com o carisma de Jesus o Bom Pastor, para animar as paróquias, como prioridade e ofício. Não são “párocos”, mas “auxiliadoras” diretas dos párocos, os agentes e atividades pastorais. Numa diocese que contava com poucas congregações, um novo instituto religioso se fazia presente com a chegada das Irmãs: Dina, Rosângela, Elisa e Lucia. A pedido de Dom Tomé Makhwèliha, então bispo de Pemba, as Pastorelas se instalaram na paróquia da Sé Catedral de São Paulo, cidade de Pemba. Depois de longo período sem nenhuma formação profunda de catequistas, as Pastorelas foram encarregues a levar a cabo a tarefa de passar em todas as paróquias animando o povo com novos modelos de ensinar a catequese e testemunhar o Evangelho de Cristo. Conheceram a diocese e encontraram várias pessoas de culturas e etnias diferentes. Enquanto duas: Dina e Lucia partiam para às paróquias e aldeias longe da cidade, Rosângela e Elisa ficavam em Pemba, contudo com outras incumbências: auxílio no seminário diocesano, apoio aos pobres e cuidado da pequena livraria católica. Aos poucos, as consagradas foram se instalando na diocese e na cidade de Pemba. Com o término da construção da casa e instalação da comunidade religiosa oficial, fixaram-se em Gingone, um dos bairros de Pemba, espaço que acolheu por muitos anos a maior e única biblioteca-livraria privada. Os anos passaram, as mudanças bateram a porta e as irmãs pioneiras foram se separando para outros compromissos em destinos diferentes. Algumas estão na Itália e outras em Pemba animando as irmãs nativas e as jovens formandas. Um dado fundamental que nos leva a fazer este artigo de agradecimento e encorajamento, é a perseverança e ousadia da Ir. Elisa, uma das pioneiras. Ir. Elisa, tímida aparentemente, bastante humilde, a *”Dulce dos Pobres”* de Pemba, de poucas palavras e muita ação, já retornou a Pemba depois de aproximadamente dois anos fechada na Itália. Quando foi a Itália de férias e cuidar um pouco de sua saúde, Ir. Elisa já havia celebrado os 80 anos de vida bem vivida e doada, o “Jubileu de Diamante” da Vida consagrada a Deus e nas Pastorelas, cerca de vinte anos de Missão na diocese de Pemba e uma larga experiência no trabalho pastoral e social com os pobres e marginalizados, particularmente, as mulheres carentes de Pemba e arredores. Por causa da COVID-19 e da guerra em Cabo Delgado, norte de Moçambique, quando mais os anos foram se passando, a ideia de que a religiosa “velhinha” não voltaria parecia fixa na mente das pessoas. A saudade apertava no coração, no entanto, o agradecimento a Deus pela vida e vocação da Ir. Elisa perpassava na vida de todas pessoas que a conhecem. Não obstante a todos os fatores que contribuiriam para a Ir. Elisa não voltar a Moçambique, principalmente pela idade, fomos surpreendidos com a notícia do seu retorno: mais animada e entregue aos desígnios de Deus como se uma religiosa juniora se tratasse. Às 16h, horário da Itália, do dia 23 de Junho de 2022, ligamos como de costume a nossa amada irmã. Atende o telefone com dúvida se era ligação a partir de Moçambique ou outro lugar, ela pergunta: ” tu ligas donde, onde estás?” Antes de terminarmos a resposta, a missionária anuncia com muita alegria que em agosto deste ano, já vai a Pemba. Porque nas conversas anteriores já mostrava essa vontade de voltar a Moçambique apesar da resistência das superioras, familiares e amigos, não ficamos tanto surpresos quando a Ir. Elisa anunciou a viagem. Na tentativa de desanima-la, tem gente que insistia e insiste em perguntar a irmã o que fará na África? Uma pergunta que perde sentido olhando a dimensão missionária que não deve se restringir em fazer. Missão é partir não obstante ao fator idade Missão é deixar que o Senhor envie a pessoa para onde quer que o missionário ou a missionária vá e esteja para testemunhar o Amor de Deus. Missão é não focar nos problemas mas transformá-los em desafios do projeto da Evangelização. Missão é não se limitar pela idade, riqueza ou pobreza, clima, e formação. Missão é seguir para frente a exemplo dos setenta e sete discípulos que foram dois a dois às povoações enviados pelo Mestre Jesus. Missão é compreender que quem parte leva o Evangelho e o dono da Messe estará sempre presente. Missão é ir ao encontro do outro para partilhar a vida. Missão é fazer como a irmã dos pobres, nossa Elisa, apesar dos mais de oitenta anos, vai ao encontro do seu primeiro amor pela missão, o povo da diocese de Pemba. Missão é ser com Deus e estar com os irmãos e as irmãs. Portanto, Ir. Elisa não vai “fazer” nada, mas irá “ser com Deus e estar com o povo” que ela tanto ama. Conversando com ela, Ir. Elisa disse: “se eu morrer posso ser enterrada junto com meu povo, na terra que eu tanto amo”. Não há mais motivo de brigarmos com ela na tentativa de desencoraja-la para ir a Missão porque ela é uma autêntica e verdadeira missionária. Ela já está no meio do seu povo e feliz porque é sua escolha. Estar na Missão e com povo da terra do índico, torna Ir. Elisa
ago 13 2022
Terra abandonada está em disputa na Comunidade de Cupiha, distrito de Rapale, em Nampula
O desconforto das mais de mil famílias que praticam actividades agrícolas na comunidade de Cupiha, no distrito de Rapale, está perto do fim. Já lá vão anos que muitas famílias ocuparam um espaço que outrora pertencia a uma empresa vocacionada no plantio de eucaliptos, num espaço muito extenso na Comunidade de Cupiha. A empresa teria movimentado pessoas que lá residiam e praticavam actividades agrícolas, sendo que algumas dessas pessoas foram indemnizadas e outras não. Anos depois, o projecto de plantio de eucaliptos naquela Comunidade fracassou e a empresa abandonou as terras, que, mais tarde, tornou-se uma mata, onde aconteciam muitos assassinatos. Movidos pela força de procurar sobrevivência, muitas famílias da cidade de Nampula começaram a ocupar parcelas de terra abandonadas pelo projecto para fazer machambas. Nos últimos anos, essa atitude foi tomada por mais de mil famílias, que saindo dos diferentes bairros da cidade de Nampula, foram ocupando espaços e abriram suas machambas em Cupiha, caso que não agradou aos nativos que teriam sido movimentados pelo projecto de eucaliptos. No ano passado, iniciaram os conflitos entre os nativos de Cupiha e os que vindo da Cidade de Nampula estão a produzir várias culturas naquela comunidade. Aliás, por algum tempo, esses nativos acusaram o líder local de estar a vender as terras. O problema que desconforta as famílias camponesas que ocuparam os espaços chegou aos ouvidos das autoridades governamentais do nível distrital de Rapale, que começou a dar o respectivo seguimento. Na última quarta-feira, o Administrador do Distrito de Rapale delegou uma comissão para auscultar as duas partes que, se calhar estiveram em litígio. A Rádio Encontro soube no local que afinal, os nativos exigiam a devolução das suas terras, uma vez terem sido movimentados pelo projecto e que alguns deles não foram indemnizados. As famílias que neste momento estão a explorar as terras, aguardam a decisão do governo do Distrito de Rapale, que apesar de terem sido sensibilizados que não devem construir habitações e nem plantar cajueiros, continuam a praticar agricultura de sobrevivência. O Régulo Cupiha não considera esta situação como um problema, uma vez que depois do abandono pelo projecto de plantio de eucaliptos, aquelas terras tornaram-se uma mata e era local onde se registavam muitas mortes estranhas. Com a intervenção do Governo do Distrito, as famílias esperam um fim feliz. A brigada criada pelo Administrador do Distrito de Rapale, que na quarta-feira trabalhou com os camponeses de Cupiha, recusou-se a falar aos nossos microfones, alegando não estar autorizada. As famílias, que neste momento praticam agricultura na Comunidade de Cupiha, produzem, principalmente, mandioca, feijões e amendoim. Por Elísio João
ago 13 2022
Paulo Vahanle continua zangado com o FIPAG e EDM em Nampula
O presidente do Conselho Autárquico de Nampula, Paulo Vahanle, mostra-se agastado com a falta de compromisso por parte de algumas empresas, com destaque para a Electricidade de Moçambique (EDM) e o Fundo de Abastecimento de Água (FIPAG), por não canalizarem os fundos resultantes da taxa de Saneamento. Paulo Vahanle deu esses pronunciamentos na manhã desta sexta-feira (12/08) na abertura do II Conselho Nacional de coordenação que decorre na cidade de Nampula. O edil revelou que passam quinze anos que a Electricidade de Moçambique delegação de Nampula não actualiza os números de clientes que consomem a energia, no sentido de se dar a conhecer o número concreto da população que paga a taxa de lixo, facto que, segundo Vahanle, poderia impulsionar o desenvolvimento da cidade. Calisto Cossa, Presidente da Associação de Municípios (AMUNA), reconhece haver vários desafios, daí que o governo colocou na mesa vários assuntos para o debate com objectivo de desenvolver o nosso País. Por sua vez, Ana Cumbuane, Ministra de Administração Estatal e Função Pública do nosso País, fez saber que o órgão que dirigi privilegia momento de coordenação com vista a criar entendimentos entre instituições. “De entre os vários pontos de agenda que serão debatidos nesse II conselho coordenador Nacional, destaca-se a consolidação da governação a todos níveis”, referiu Ana Cumbuane, Ministra de Administração Estatal e Função Pública do nosso país. Por: Malito João
ago 11 2022
O Ministro da Saúde está de costas voltadas com as irregularidades no sector de saúde, na província de Nampula.
Armindo Tiago, que falou à imprensa, na manhã desta quinta-feira (11/08), disse que são vários os casos reportados que deixam a desejar o seu ministério, com destaque para o mau atendimento, cobranças ilícitas, e o desvio sistemático de fármacos nas farmácias hospitalares. De referir que arrancou, a nível nacional, uma campanha multissectorial, que envolve o pessoal de saúde, a população e o pessoal de comunicação, na perspectiva de denunciar casos de corrupção. Tiago disse, porém, que a campanha iniciou em Nampula, visto que a situação na Província é bastante crítica, dai que há essa necessidade de ser escolhida no sentido de desencorajar as tais práticas que mancham o sector de saúde. Aquele dirigente deu a conhecer que o controlo será renhido, e que, segundo fez saber, cada funcionário em pleno exercício deve, de forma obrigatória, estar devidamente identificado com uma fotografia visível Armindo Tiago prometeu tomar as devidas medidas, assim que forem detectadas algumas irregularidades nas unidades sanitárias, que poderão culminar com a expulsão imediata da parte de agentes envolvidos. Por Felismino Leonardo
ago 11 2022
O Secretário das Comunicações na CEM felicita a Arquidiocese de Nampula pela formação dos membros da comunicação Social naquela Arquidiocese.
Falando telefonicamente, Marcolino Vilanculos, louvou a iniciativa que Arquidiocese de Nampula tomou em formar seus membros porque, segundo seu entender, vai impulsionar aos comunicadores a nível desta Arquidiocese e noutras Dioceses do País. A fonte disse que através dos meios de comunicação Social os comunicadores devem anunciar a boa nova que é a Palavra de Deus, daí que destacou algumas actividades daquele organismo eclesial. Por Malito João
ago 11 2022
A Comissão da Comunicação Social (CCS) desafia aos párocos a criarem o sector de comunicação nas suas paróquias
O desafio foi lançado pelo coordenador daquela comissão, Gelácio Rapieque, no término de uma capacitação de cerca de 30 comunicadores oriundos de várias paróquias da Arquidiocese de Nampula, acto que teve lugar no Centro Catequético de Paulo VI de Anchilo, província de Nampula. Aquele coordenador salientou que a comunicação social é um dos meios indispensáveis na componente de formação do homem: “e a criação dessa comissão nas comunidades e Paróquias não é questão de gozo ou luxo, mas sim, de necessidade para formação e informação da comunidade cristã nesta Diocese ”, -disse Rapieque, que pede o envolvimento de todos os párocos para materialização desse desafio. A fonte acrescentou que este processo abrange a todas as regiões pastorais da Arquidiocese, razão pela qual a capacitação poderá decorrer nas regiões de Angoche e Iapala, que vão culminar com a eleição dos representantes dessa comissão de cada região Pastoral da Arquidiocese de Nampula. É nesse contexto em que os enviados às paróquias e participantes da capacitação comprometeram-se dinamizar esta comissão nas comunidades e Paróquias. Por Ofélio Adriano
ago 09 2022
Comissão da Comunicação Social (CCS) capacita seus membros em técnicas de leitura e uso das redes sociais
Um total de 30 membros da comissão das comunicações Sociais na Arquidiocese de Nampula foi potenciado de uma capacitação em matérias de Técnica de Leitura e uso das redes sociais, suas vantagens e desvantagens. A formação, que teve lugar no Centro Catequético Paulo Sexto de Anchilo, contou com a participação de coordenadores da comunicação Social das paróquias e de outras regiões pastorais desta Arquidiocese. Os participantes disseram que aprenderam muita coisa sobre a comunicação Social e prometeram mudar a forma de executar as suas actividades nas suas paróquias. “Não há motivos para repetir os mesmos erros passados porque já fomos blindados de uma bagagem sólida para comunicar melhor” – disseram afirmaram as nossas fontes. Falando à margem da formação, Gelácio Rapieque, coordenador da comissão Arquidiocesana de Comunicação Social, disse acreditar que depois daquela capacitação, os membros poderão fazer a réplica daquilo que aprenderam junto dos comunicadores nas suas paróquias. Rapieque revelou que o pano de fundo naquela formação era uniformizar a comunicação Social a nível da Arquidiocese de Nampula e ter um ponto focal da comunicação em cada Paróquia ou comunidade. Por Seu turno, Dionísia Agostinho, vice coordenadora daquela comissão, disse que tudo correu bem graças à colaboração dos párocos que responderam positivamente, enviando os nomes dos participantes atempadamente para aquele encontro. A nossa fonte lembrou que muitas pessoas têm-se preocupado com o crescimento do grupo da C.C.S, facto que lhe custou reiterar agradecimentos de uma forma singular. Aliás, Dionísia aproveitou os nossos microfones para agradecer de forma particular sua Excelência Reverendíssima Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula, por se envolver directamente e ajudar no crescimento espiritual do grupo. Importa lembrar que a capacitação teve a duração de três dias intensivos, e os comunicadores tiveram acompanhamento Espiritual de Júlio André, membro sénior da Associação dos Professores Católicos de Moçambique. Por Malito João
ago 09 2022
Comissão Parlamentar de Plano e Orçamento vai propor revisão da Lei, para acomodar o código fiscal no País
Quantidades consideráveis de produtos perecíveis deterioram-se no país devido à morosidade processual, depois de confiscados pela Autoridade Tributária. Por causa dessa situação, a Comissão Parlamentar do Plano e Orçamento da Assembleia da República vai propor a revisão da lei para ajustar o Código Fiscal com algumas realidades específicas actuais. A intenção foi partilhada pelo Presidente dessa Comissão, António Niquice, que, falando recentemente a jornalistas em Nampula, disse que ao invés de se deixar produtos em armazéns a se deteriorarem, deveriam ser canalizados aos hospitais ou centros de caridade. “Não faz sentido que em Nampula, onde os níveis de desnutrição são altos, estejam produtos apreendidos a se estragarem, por causa da morosidade processual” – disse António Niquice, sublinhando que o nosso código fiscal está desajustado com a realidade actual. Essa observação da Comissão do Plano e Orçamento da Assembleia da República é feita numa altura em que estão a ser apreendidas quantidades consideráveis de produtos perecíveis pela Autoridade Tributária em Nampula. Uma entidade que pretende expandir suas acções para Nacala-à-Velha, Malema, Ribaué, Namialo e Erate. A Delegada Provincial da Autoridade Tributária de Moçambique em Nampula, Muanjuma Sualé, disse que para uma implantação efectiva dos serviços nesta parcela do país, são necessários 70 milhões de meticais. “A nossa expansão depende do factor financeiro. Mas se tivéssemos esses postos a funcionarem, facilitaria a nossa tarefa de colecta de receitas, porque actualmente estamos a fazer de forma sazonal e precisamos de nos deslocar para as potenciais regiões” – sublinhou Muanjuma Sualé, Delegada Provincial da Autoridade Tributária em Nampula, falando da intenção da expansão física dos Postos Fiscais e de Cobrança. Por Elísio João
ago 04 2022
Crónica do dia – Um cego não pode guiar outro cego
O sistema de educação do nosso país está doente. Está de baixa na sala de reanimação de onde voltar ou não tudo se mistura como produtos homogéneos, num clima de desespero total e completo. Está doente de um cancro que não aceita nem cuidados paliativos. Essa incompetência é demais. Morremos de vergonha e somos julgados pelo mundo como piores analfabetos. Nunca pensei, menos imaginei, que, depois da vergonha do conteúdo errado do livro da 6ª classe, voltássemos a assistir cenários tristes de erros, até nos testes finais. Erros de cálculos e de conteúdo. Parece que os autores daqueles conteúdos tomam “sicuta” de Sócrates. Não sei ao certo o que está acontecer no sistema educativo moçambicano. O que sei é que há um suicídio intelectual provocado ou espontâneo. Há uma necessidade de reforma no sistema educativo, até de demissão de alguns, do topo à base. As constantes reclamações de eficiência e satisfação no trabalho comprovam a presença do “veneno da incompetência” nos diversos sectores públicos da nossa sociedade. Este fenómeno acontece em pleno século XXI, era em que existem muitas instituições de formação para diferentes áreas profissionais, cada uma arrogando-se estar na posse da capacidade de oferecer melhores serviços e formações de qualidade. Muitos são os quadros formados e graduados, mas poucos são os que sabem exercer com eficiência o seu trabalho. A corrupção de que fala Mia Couto é um assunto sério. De facto, o pedido cancerígeno de “refresco em notas” no mercado de emprego e noutros sectores de interesse público faz dos nossos sectores profissionais covis de incompetentes. Olhando para o cenário da falta de emprego, nos dias actuais, é possível constatar que muitas pessoas se encontram trabalhando nos ministérios, não por vocação, mas por refúgio profissional. Porque “na falta do melhor o pior serve”. Muitos profissionais da educação são simples refugiados, daqueles que tentaram ser enfermeiros, pedreiros, engenheiros, sem sucesso. A falta de motivação salarial também está na raiz de tanta incompetência. Como é possível haver concentração diante das irregularidades da Tabela Salarial Única? Na verdade, quando o salário não compensa, morre também a vontade de trabalho sério. A preguiça física e psicológica associada ao consumo de drogas é outro factor detrás destes erros gritantes de conteúdos nos livros e nos testes. Pois, muitos trabalhadores, até de alto escalão profissional, vivem de fumos e babalazas. E no comando de todo seu trabalho está a inconsciência do que fazem. No quadro da degradação académico-intelectual no nosso país, está a negligência de fazer reciclagem, posto que muitos não participam das capacitações, rejeitam quaisquer observações dos colegas, e primam por trabalhar segundo o seu coração coberto de véu de ignorância. Frutos concretos já começamos a colher, pois nenhum cego pode guiar outro cego. Quem tem ouvidos, ouça! Giovanni Muacua, 04 de Agosto de 2022


