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Archive for vidanova

fev 03 2026

Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo bíblico

Introdução Fevereiro é, em Moçambique, o mês dos heróis porque a 3 do mesmo mês celebra-se o dia nacional dos “Heróis”, uma ocasião para reflectir sobre os feitos daqueles que se empenharam na luta pela independência do país e para honra-los pela sua dedicação na construção da nação moçambicana. Este facto serviu de pretexto para a escolha do nosso tema deste mês: “Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo”. O que é um herói? Na conceção secular tradicional, herói é uma pessoa de coragem excecional, integridade moral e capacidade de sacrifício, motivada por ideais meramente humanos, sociais ou éticos. No Novo Testamento, verdadeiro herói é aquele que, através da fé, obediência à vontade de Deus, humildade, serviço e sacrifício segue Jesus e está disposto a enfrentar perseguição por causa do Evangelho. Jesus, o arquétipo e fonte do heroísmo bíblico O modelo bíblico de heroísmo, por excelência, é Jesus Cristo. Ele é também a fonte do heroísmo bíblico pois de si provêm todas as graças para que o indivíduo tenha a perfeição (cf. Mt 5,58; Jo 14,6; Hb 5,8-9). O exemplo mais eloquente de heroísmo que Jesus deu é o seu sacrifício supremo na cruz por amor incondicional (cf. Jo 3,16; Mt 20,28; Hb 10,10), entregando livremente sua vida (cf. Jo 10,18) para expiação dos pecados da humanidade, demonstrando humildade (cf. Mt 11,29; Jo 13,5; Fl 2,6-8), obediência (Mt 26,39; Jo 6,38; Jo 8,29; Fl 2,8) e serviço (cf. Mt 20,26-27; Mc 10,45; Lc 22,27; Jo 13,14-15). Nisso, o heroísmo de Jesus está em forte contraste com a conceção secular tradicional de heroísmo que valoriza a força, o poder e a glória humana. “O discípulo não é superior ao mestre…” Se Jesus é modelo e fonte de heroísmo, todo seu discípulo é chamado a ser um “herói” no sentido de viver uma vida de fé, superação e impacto, seguindo o modelo do Mestre, porque “o discípulo não é superior ao mestre, mas todo aquele que for bem instruído será como o seu mestre” (Mt 10,24). O estar com Jesus deve transformar radicalmente a pessoa e torna-la um agente de transformação, capaz de enfrentar desafios. Portanto, todo discípulo de Jesus é chamado a seguir o Mestre também no heroísmo, que se manifesta na renúncia total do próprio “eu” egocêntrico para se voltar a Deus, na tomada da própria cruz, isto é, aceitação das dificuldades, perseguições e sacrifícios que vêm com a fé cristã, e na obediência amorosa a Jesus, pondo em prática as suas obras com fé inabalável e serviço sacrificial (cf. Mt 16,24). Por isso, “Não temais” (Mt 10,26-33) Por isso, ao enviar os seus discípulos, Jesus os adverte de que as perseguições e incompreensões, que se traduzirão em sofrimento, gerando medo e angústia, são inevitáveis; entretanto, garante-lhes a contínua ajuda e protecção de Deus ao longo de todo o caminho, sinal da sua atenção e amor por eles; por isso, “não temais” (cf. Mt 10,26.28.31). Os discípulos de Jesus devem proclamar com coragem, com convicção, com coerência e com abertura, por palavras e por atitudes, evitando a cobardia e o comodismo, a mensagem libertadora do Mestre a fim de transformar o mundo, libertando a todos, homens e mulheres, de tudo aquilo que lhes rouba a vida e a felicidade: a opressão, o egoísmo, o sofrimento, o medo. O verdadeiro temor não deve ser de quem apenas pode matar o corpo, mas de Deus que pode destruir o corpo e a alma, fazendo perder a possibilidade de chegar à vida definitiva, um dom que Deus oferece àqueles que aceitaram pôr a própria vida ao serviço do Reino. Quem procura percorrer com fidelidade o caminho de Jesus não precisa viver angustiado pelo medo da morte pois Deus tem um cuidado especial por cada pessoa, como mostra a imagem dos passarinhos, insignificantes e indefesos, e a contagem dos cabelos. Há, portanto, que confiar absolutamente na solicitude, no cuidado e no amor de Deus e empenhar-se, sem medo, na missão. Conclusão Todo cristão é chamado a ser herói, isto é, à perfeição e à imitação de Cristo, onde a verdadeira bravura se manifesta na entrega total a Deus e ao próximo, sendo sal e luz do mundo, transformando-o com pequenas acções de bondade, justiça e coerência com o Evangelho, encontrando poder na fé para superar as limitações humanas e a própria morte.   (Por: Pe. Marcos Mubango)

jan 30 2026

IDENTIDADE E MISSÃO DO CATEQUISTA NA IGREJA

A identidade do catequista constitui o fundamento de toda a acção evangelizadora nas comunidades cristãs. O catequista é mais do que um simples transmissor de conteúdos doutrinais: é um servo da Palavra, testemunha de fé, educador da comunidade e ponte entre o Evangelho e a vida concreta do povo. A missão catequética ganha especial relevância num país que continua a enfrentar desafios sociais, económicos, culturais e pastorais, exigindo agentes de pastoral maduros, conscientes e comprometidos com a construção de uma sociedade reconciliada, fraterna e justa. Do ponto de vista eclesial, o catequista é chamado a participar activamente na missão evangelizadora da Igreja, iluminando com o Evangelho as realidades da vida quotidiana. Assim, a sua identidade articula-se em três dimensões essenciais: vocacional, ministerial e comunitária. A dimensão vocacional recorda que o catequista responde a um chamamento de Deus, discernido e confirmado pela comunidade cristã. A dimensão ministerial sublinha que o catequista exerce um serviço reconhecido, com responsabilidade específica na transmissão da fé. Já a dimensão comunitária reforça que o catequista não age isoladamente, mas inserido na vida da paróquia e da comunidade local, colaborando com outros ministérios. No contexto local, a missão do catequista inclui desafios particulares que exigem sensibilidade pastoral e competência humana. Entre eles destacam-se: a diversidade linguística que requer criatividade na comunicação; a necessidade de evangelizar respeitando as culturas e valores locais; a convivência com práticas tradicionais que pedem discernimento pastoral; a realidade de conflitos e deslocamentos que exige uma catequese promotora de paz, reconciliação e esperança; e a urgência de formar cristãos comprometidos com a transformação social, sobretudo nos ambientes de pobreza, violência doméstica, injustiça e exclusão. A missão do catequista inclui ainda o testemunho de vida. Mais do que “falar de Deus”, é chamado a “mostrar Deus” através das atitudes: humildade, serviço, diálogo, coerência moral, espírito comunitário e capacidade de amar sem distinções. A sua presença deve inspirar confiança, motivar a participação e fortalecer a fé dos catequizandos e das suas famílias. Para desempenhar bem esta missão, o catequista necessita de formação permanente — bíblica, doutrinal, litúrgica, pastoral e humana — permitindo-lhe acompanhar as rápidas transformações da sociedade e os novos desafios da evangelização. A catequese, para ser fecunda, deve integrar elementos da cultura moçambicana, promover a inculturação da fé e responder às realidades concretas da vida: educação dos jovens, fortalecimento das famílias, promoção da paz, cuidado da criação, ética do trabalho e compromisso comunitário. Assim, o catequista é chamado a ser testemunha, servidor e construtor de comunhão, assumindo com alegria e responsabilidade o mandato de Jesus: “Ide e fazei discípulos” (Mt 28,19). A Igreja conta com este ministério para fortalecer a fé, renovar as comunidades e promover a dignidade humana em todas as suas dimensões.

jan 28 2026

Mulher que é Mulher: na Vida Doméstica, Familiar, Social, Política e Económica

Discutir sobre as mulheres não é fazer com que elas se conformem a um modelo cultural específico, mas sim entender a gama de funções que desempenham e o valor de sua contribuição para o progresso socioeconómico de um país. De acordo com Sen (2000), um país só pode crescer se as liberdades e a gama de oportunidades disponíveis para todos os seus cidadãos, mulheres em particular, forem aumentadas. Em Moçambique, as mulheres têm sido as protagonistas silenciosas e, em alguns momentos, invisíveis no lar, na família, na economia da agricultura e do comércio informal, na política comunitária e no patrimônio cultural. 1. Mulher que é Mulher no Lar O lar é um dos primeiros locais onde os papéis de gênero se manifestam. Beauvoir (1949) observa que em muitas sociedades, as mulheres são socializadas para serem “a responsável natural” na gestão do lar, o que reforça a suposição de que tal trabalho doméstico é uma função social das mulheres. Na prática, as mulheres acordam ao amanhecer para ir buscar água, preparar refeições, cuidar das crianças e arrumar a casa. Em províncias como Nampula, Zambézia e Cabo Delgado, ainda é comum caminhar longas distâncias para coletar lenha para cozinhar e também caminhar por longos períodos. 2. Mulher que é Mulher na Vida Familiar Na família, como uma das primordiais instituições da sociedade, é onde a mulher está mais presente. Ela exerce maior papel na qualidade das relações familiares e para o desenvolvimento humano. Ela é educadora, mediadora e guarda os valores éticos. Gilligan (1982) afirma que as mulheres são relacionais e assumem responsabilidades que impactam a estabilidade emocional da família. Assim mulher que é mulher na família é a que em grande parte, mesmo em difíceis condições socioeconómicas, assegura a continuidade e a estabilidade da vida da família. A sua autoridade moral dentro da família a fortalece como o principal sustento da sociedade. 3. Mulher que é Mulher na Vida Social A presença da mulher na vida social moçambicana é notável e crescente. Giddens (2001), ao analisar o fenómeno da modernidade, defende que ela amplia a esfera pública. Deste modo, grupos anteriormente marginalizados, como as mulheres, tornam-se visíveis. Nos diversos sectores que integram, como associações comunitárias, grupos religiosos, cooperativas, actividades culturais e movimentos de solidariedade, as mulheres desempenham funções significativas na facilitação da prevenção da violência, na assistência humanitária e na perpetuação de um legado. Contudo, continuam a sofrer com a discriminação social, com a violência baseada no gênero, a educação escassa em algumas regiões, e a marginalidade social. O que se ressalta é a capacidade da mulher em desempenhar o papel de agente de transformação da sua comunidade, assistindo o empoderamento de outras mulheres e a defesa de direitos sociais. 4. Mulher que é Mulher na Vida Política A evolução da democracia é acompanhada pelo desenvolvimento da participação da mulher na política. Quanto aos direitos democráticos, a ONU (2023) afirma que a democracia é legítima na medida em que a mulher faz parte dos processos de decisão. Pitkin (1967) reafirma que a existência de mulheres nos espaços de tomada de decisão é mais do que um detalhe, porque com mulheres se reservam direitos que, de outro modo, poderiam ser ignorados. Moçambique tem facilitado a inclusão da mulher que actualmente é vista nos espaços de tomada de decisão, como nos parlamentos, nos governos provinciais e na justiça. As mulheres têm sido protagonistas nos processos de paz e reconciliação, principalmente, depois do conflito armado. Contudo, padece de: violência política; pressão familiar e social; falta de recursos financeiros para a sua campanha; estereótipos que a posicionam como incapaz de exercer a liderança. Por isso, uma mulher, neste sector, é a que constrói um caminho, representando as outras na conquista paulatina de mais direitos e na desigualdade da distribuição do poder. 5. Mulher que é Mulher na Vida Económica A economia moçambicana depende fortemente do trabalho feminino. Elson (1995) demonstra que o trabalho das mulheres, embora essencial, é frequentemente invisível. Ela destaca que o desenvolvimento económico só é sustentável quando reconhece e valoriza a contribuição das mulheres. As mulheres estão presentes: na agricultura de subsistência e comercial; na pesca artesanal; nos pequenos negócios urbanos e informais; nos mercados municipais; no sector dos serviços, saúde e educação; no empreendedorismo local. Mesmo assim, enfrentam barreiras como: dificuldade de acesso ao crédito e terra; baixa escolaridade em algumas regiões; sobrecarga de tarefas domésticas; vulnerabilidade económica. Apesar de tudo, mulher que é mulher investe, cria, empreende e garante a sobrevivência familiar. São verdadeiras sustentadoras da economia nacional. (Por: Dra. Alice da P. E. Manuel)

jan 27 2026

Dom Constantino propõe ‘diplomacia das águas’ para travar cheias na África Austral

O novo Bispo da Diocese de Caia, no centro de Moçambique, Dom António Constantino, manifestou gratidão pela confiança depositada na sua nomeação, reconhecendo ao mesmo tempo os grandes desafios da missão numa diocese rural, sem infraestruturas e com 12 distritos no Vale do Zambeze. Em entrevista à Vatican News, o prelado destacou que a criação da Diocese de Caia concretiza um antigo sonho dos primeiros missionários e permitirá uma maior proximidade dos pastores com o povo, fortalecendo a evangelização e o crescimento da Igreja moçambicana. No contexto das cheias que afectam Moçambique e toda a África Austral, Dom Constantino lançou um forte apelo à solidariedade nacional e internacional, sublinhando que as inundações não são um problema isolado de um só país, mas resultado de um sistema regional de águas que envolve países como África do Sul, Zâmbia e Malawi. Segundo o bispo, citado pela Vatican News, é urgente uma gestão conjunta das barragens e uma cooperação efectiva entre os países da região, através do que chamou de “diplomacia das águas”, para prevenir e mitigar os impactos cíclicos das cheias. O prelado reforçou ainda a necessidade de cuidar do meio ambiente e da “Casa comum”, lembrando que as mudanças climáticas afectam a todos. Na sua mensagem final, Dom Constantino deixou palavras de esperança às vítimas das cheias, exortando à partilha, à entreajuda e à rejeição de qualquer oportunismo. Conforme destacou à Vatican News, mesmo em tempos de sofrimento é preciso manter a esperança, dar a mão uns aos outros e garantir que a ajuda chegue a quem mais precisa.

jan 27 2026

O REGRESSO ÀS AULAS E A ORGANIZAÇÃO FAMILIAR

Por:Valentina Atthumpuha O início de cada ano escolar em Moçambique costuma trazer um misto de entusiasmo, expectativas e alguma ansiedade para pais, educadores e alunos. Janeiro chega sempre com a força de um recomeço, e com ele surgem novas oportunidades para reorganizar rotinas, rever objectivos e fortalecer os laços que dão sustentação ao processo educativo. Não importa se o aluno está a entrar pela primeira vez na escola ou se já frequenta o ensino secundário: o regresso às aulas é sempre um momento decisivo para estabelecer bases sólidas que influenciarão o restante ano. Apesar de muitos desafios enfrentados no sistema educativo moçambicano, desde o acesso a materiais escolares até às longas distâncias percorridas por milhares de crianças, é possível transformar este período inicial numa fase de arranque equilibrada, consciente e inspiradora. A organização familiar desempenha um papel decisivo nesta etapa. Quando a família se envolve, mesmo com recursos limitados, o aluno tende a apresentar mais motivação, mais disciplina e maior capacidade de adaptação diante das exigências escolares. Preparar emocionalmente as crianças e os jovens O aspecto emocional é frequentemente esquecido quando se fala do regresso às aulas, mas ele é fundamental para o sucesso escolar. Muitas crianças, especialmente as mais pequenas, enfrentam receios naturais diante de um ambiente novo, um novo professor, novos colegas, ou até mesmo uma nova escola. Os adolescentes, por sua vez, além das expectativas sobre o desempenho académico, lidam com questões típicas da idade, como a auto-estima, a afirmação pessoal e o sentimento de pertença ao grupo. Por isso, é importante que o diálogo aconteça dentro de casa, de modo simples e acolhedor. Pais e encarregados devem encorajar os filhos, ouvir as suas inquietações e ajudar a transformar as preocupações em metas possíveis. Um aluno emocionalmente apoiado sente-se mais seguro, mais atento e mais disposto a aprender. Pequenas acções que fazem grande diferença A organização familiar não depende de grandes investimentos, mas sim de pequenas acções consistentes. Definir horários para dormir, acordar, estudar e brincar ajuda a criar disciplina sem que a criança ou o jovem se sintam sobrecarregados. É útil, por exemplo, estabelecer um espaço específico para os estudos, mesmo que seja apenas uma mesa limpa, bem iluminada e longe de distrações. Ter um local simbólico para a aprendizagem ajuda o cérebro a “entrar no modo de concentração”. Outra medida importante é preparar com antecedência os materiais escolares. Em muitas famílias, o orçamento pode ser limitado, mas mesmo com poucos recursos é possível organizar-se. Reutilizar cadernos parcialmente usados, forrar livros com papel resistente e arrumar a mochila na véspera das aulas são práticas que evitam stress e reforçam a responsabilidade do aluno. Para os mais pequenos, os pais podem transformar a preparação da mochila num momento divertido e educativo, ajudando-os a distinguir o que é essencial e promovendo hábitos de autonomia. Alimentação equilibrada e cuidados com a saúde A alimentação é uma das bases para o bom rendimento escolar. Crianças e jovens que saem de casa sem tomar o pequeno-almoço, chegam às aulas com menor capacidade de atenção, irritabilidade e cansaço precoce. Mesmo em famílias com poucos recursos, é possível assegurar uma refeição simples, como chá com pão ou uma fruta. O mais importante é que o corpo tenha energia suficiente para o período da manhã. Além disso, Janeiro é também o momento ideal para rever o estado de saúde das crianças: actualizar cadernetas de vacinação, verificar se há necessidade de óculos, acompanhar o crescimento e observar sinais de dificuldades auditivas ou visuais que possam prejudicar o desempenho escolar. Muitas crianças têm baixo rendimento simplesmente porque não conseguem ver o quadro ou ouvir o professor com clareza. Segurança no caminho para a escola Em várias regiões do país, a distância entre casa e escola continua a ser um dos maiores desafios. Por isso, é fundamental reforçar conversas sobre segurança. Para os alunos que caminham sozinhos, recomenda-se a escolha de caminhos movimentados e a criação de pequenos grupos de companheiros. Para os que utilizam transporte escolar ou semi-colectivos, é importante que os pais orientem sobre o comportamento adequado, a importância de manter as mochilas fechadas e a necessidade de evitar conversas com desconhecidos. Criar redes de apoio entre vizinhos também pode ser uma solução. Partilhar responsabilidades no transporte ou na vigilância das crianças fortalece a comunidade e reduz riscos. Fortalecer o vínculo entre escola e família O início do ano escolar é um momento privilegiado para que os pais reforcem o contacto com a escola. Conhecer o director, conversar com os professores, participar nas primeiras reuniões e estar disponível para ouvir orientações é fundamental para construir uma parceria que favoreça o progresso do aluno. Uma relação aberta e respeitosa entre família e escola reflecte-se directamente no comportamento e no empenho da criança. É igualmente importante que os encarregados não procurem a escola apenas quando surge um problema. A participação regular demonstra interesse e compromisso, motivando o aluno e facilitando a identificação precoce de dificuldades. Cultivar expectativas realistas e celebrar pequenas conquistas Cada aluno tem o seu próprio ritmo de aprendizagem. Comparações são prejudiciais e criam tensões desnecessárias. O ideal é estabelecer objectivos realistas, ajustados às capacidades do estudante e às condições disponíveis. E, mais do que isso, celebrar cada progresso — um caderno mais organizado, uma nota melhor, um comportamento mais responsável — ajuda a fortalecer a auto-estima e a criar uma relação positiva com a escola. O ano escolar não é uma corrida de velocidade, mas sim uma maratona. Exige persistência, paciência e apoio contínuo. Quando a família, a escola e a comunidade se unem, o regresso às aulas deixa de ser um momento de preocupação e passa a ser uma oportunidade de renovação. Janeiro é, portanto, um convite para reorganizar, fortalecer e inspirar. É o mês em que se semeiam hábitos que podem transformar o restante do ano. E, mesmo diante de desafios sociais e económicos, é sempre possível criar caminhos de esperança, responsabilidade e confiança para as nossas crianças e jovens.

jan 26 2026

Não a paz, mas a espada?

Introdução No primeiro dia do ano, para coincidir com o ano novo e ser uma oportunidade simbólica para iniciar o ano com um apelo à promoção da paz universal e da dignidade humana, comemora-se o Dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa Paulo VI, em 1967. Para o presente ano de 2026, em que se celebra o 59º Dia Mundial da Paz, o Papa Leão XIV escolheu como tema: “A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz ‘desarmada e desarmante’”. Trata-se de um convite à humanidade para rejeitar a violência e a guerra e promover uma paz autêntica, uma paz que não se baseia no medo, mas no amor e na justiça, e que é capaz de dissolver conflitos e gerar confiança. Entretanto, este propósito parece contrariar o de Jesus que, em S. Mateus, evangelista do presente ano litúrgico, afirma categoricamente: “Não penseis que eu vim trazer a paz à terra; eu não vim trazer a paz e sim a espada” (Mt 10,34-39). Como entender estas palavras de Jesus? Na nossa “Formação Bíblica” deste mês, vamos meditar sobre este texto para colhermos e vivermos o seu significado. 1. A “espada” de Cristo e a divisão (Mt 10,34-36) A espada que Jesus veio trazer é uma metáfora para a divisão que o Evangelho causa, separando quem o aceita de quem o rejeita, resultando em conflitos e desafios, inclusive familiares. Essa divisão, embora não sendo desejada por Jesus, é uma consequência necessária da decisão de seguir a verdade. A “paz” que Jesus trouxe não é a ausência de conflitos a qualquer custo, nem é o comodismo espiritual. A paz de Cristo é um estado de harmonia com Deus que pode coexistir com tribulações e perseguições no mundo. 2. Amar a Deus mais do que a qualquer outra coisa (Mt 10,37) O amor por Deus deve ser o centro da vida. É preciso amar a Deus mais do que a qualquer outra coisa, inclusive a família. Quem ama pai, mãe, filho ou filha mais do que a Ele, não é digno d’Ele. Isso não diminui a importância da família. Devemos colocar Deus em primeiro lugar nas nossas vidas, acima de desejos, vontades, trabalho ou estudos. Se algo ou alguém nos afasta da comunhão com Deus, essa coisa ou pessoa está indevidamente no lugar de Deus. 3. Carregar a Cruz e Perder a Vida (Mt 10,38-39) Seguir Jesus implica tomar a própria cruz, o que significa ter disposição de sofrer perseguição, rejeição e outras adversidades por causa da fé, vivendo de acordo com a vontade de Deus em vez da própria. Não é apenas suportar as dificuldades da vida, mas, sobretudo, renunciar activamente à própria vontade, aos desejos egoístas e até mesmo à própria vida física por causa d’Ele. Quem procura conservar a sua vida física, apegando-se aos bens terrenos, confortos e segurança, perdê-la-á. Mas aquele que perde a sua vida física por causa de Jesus, renunciando a si mesmo e dedicando-se ao Seu serviço, encontrá-la-á, alcançando uma vida mais valiosa, a vida espiritual plena e eterna que se alcança ao viver para Cristo. Conclusão A aparente contradição entre as palavras de Jesus em Mt 10,34-39 é solucionada ao entender os diferentes tipos de “paz” a que Mateus se refere no seu evangelho: a paz verdadeira, que é a paz que vem de dentro, a paz testemunhada pelos pacificadores (Mt 5,9) e transmitida aos dignos (Mt 10,13) e a “paz” superficial, a paz do comodismo e da falta de compromisso. Esta última não é a paz que Jesus oferece. A paz que Jesus trouxe é a primeira, isto é, a paz que se conquista através de uma luta e compromisso com a verdade. A divisão causada pela “espada” é um passo necessário para se chegar essa paz verdadeira, usando as palavras do Papa Leão XI, uma paz “desarmada e desarmante”, construída na justiça e no amor, que não se fundamenta no medo ou na força das armas, mas na confiança e esperança.

Cheias e inundações afectam mais de 700 mil pessoas em Moçambique

As cheias e inundações que se abateram sobre várias regiões de Moçambique entre os dias 10 e 22 de Janeiro de 2026 já afectaram, de forma cumulativa, 723.532 pessoas, correspondentes a 154.472 famílias, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD). O balanço provisório aponta para 124 óbitos, 99 feridos e 6 pessoas desaparecidas. No sector habitacional, foram registadas 11.519 casas parcialmente destruídas, 4.989 casas totalmente destruídas e 82.634 casas inundadas. As infra-estruturas sociais também sofreram danos significativos, com 169 unidades sanitárias afectadas e 44 casas de culto danificadas. No sector da educação, 320 escolas foram impactadas, envolvendo 592 salas de aula e 57 blocos administrativos, afectando directamente 135.031 alunos e 2.625 professores. De acordo com o INGD, as cheias danificaram ainda 7 pontes, 27 aquedutos e cerca de 2.957 quilómetros de estradas. No sector produtivo, registou-se a morte de 64.743 animais (bovinos, caprinos e aves), além de 166.308 hectares de área agrícola afectada, dos quais 74.769 hectares correspondem a área perdida. No total, 115.092 agricultores foram impactados. Os dados referem igualmente danos em 94 embarcações, 338 tanques piscícolas, 3.933 artes de pesca, 193 postes tombados e 27,30 quilómetros de linhas eléctricas quebradas. Sete sistemas de abastecimento de água foram afectados, embora não se tenham registado torres de telecomunicações tombadas. No âmbito da resposta humanitária, 17.524 pessoas foram resgatadas e encaminhadas para centros de acomodação. Actualmente, estão abertos 96 centros, que acolhem 106.053 pessoas, enquanto 97.325 encontram-se em centros activos. Outros 11 centros já foram encerrados, depois de terem acolhido 8.728 pessoas. Paralelamente, o INGD apresenta também um balanço específico apenas das cheias e inundações, que indica 585.627 pessoas afectadas, correspondentes a 127.486 famílias, com 13 óbitos, 2 feridos e 4 desaparecidos. Neste período, foram registadas 2.867 casas parcialmente destruídas, 743 totalmente destruídas e 71.560 casas inundadas. O impacto estendeu-se igualmente ao sector da educação, com 146 escolas afectadas, 88 salas de aula e 23 blocos administrativos, atingindo 75.656 alunos e 1.665 professores. No sector produtivo, morreram 58.621 animais e cerca de 60.544 hectares de área agrícola foram afectados, dos quais 58.670 hectares correspondem a área perdida, impactando 83.370 agricultores. As províncias do Centro e Sul do país, com destaque para Sofala, Manica, Gaza e Inhambane, figuram entre as mais afectadas, segundo o mapa de impacto humano divulgado pelo INGD.

jan 22 2026

𝗦𝗘𝗠𝗔𝗡𝗔 𝗗𝗘 𝗢𝗥𝗔𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗣𝗘𝗟𝗔 𝗨𝗡𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗢𝗦 𝗖𝗥𝗜𝗦𝗧𝗔̃𝗢𝗦 𝟮𝟬𝟮𝟲 𝗗𝗘𝗖𝗢𝗥𝗥𝗘 𝗗𝗘 𝟭𝟴 𝗔 𝟮𝟱 𝗗𝗘 𝗝𝗔𝗡𝗘𝗜𝗥𝗢

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026, que decorre de 18 a 25 de Janeiro, é um momento forte de reflexão, oração e compromisso com a unidade entre todos os cristãos. De acordo com o Padre Massimo Robol, presidente da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso. Celebrada há mais de 100 anos, esta iniciativa resulta do trabalho conjunto entre a Comissão Fé e Constituição e o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Igreja Católica. As datas têm um significado especial: 18 de Janeiro assinala a festa da Cátedra de São Pedro e 25 de Janeiro celebra a conversão de São Paulo, dois pilares fundamentais da fé cristã. Os textos e o tema deste ano foram preparados pelos fiéis da Igreja Apostólica Arménia, em colaboração com a Igreja Católica e Igrejas Evangélicas Arménias, inspirados em antigas tradições de oração. O tema escolhido, retirado da Carta de São Paulo aos Efésios (4,4) “Há um só corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados a uma só esperança”, destaca a unidade profunda da Igreja. A Semana de Oração é, assim, um convite à vivência concreta da fé, do diálogo, da fraternidade e do amor mútuo entre todos os cristãos.

jan 22 2026

Bispos apelam à solidariedade nacional face às cheias em Moçambique

A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) divulgou esta quarta-feira uma mensagem de solidariedade com as vítimas das cheias e inundações que têm afectado várias regiões do país com especial gravidade nas zonas Centro e Sul. Assinada pelo presidente da CEM, D. Inácio Saure, a nota combina solidariedade pastoral, apelo à acção e um chamado à esperança cristã. Na mensagem, os bispos manifestam proximidade espiritual e solidariedade fraterna para com as famílias enlutadas, desalojadas e todas aquelas que viram comprometida a sua dignidade e futuro. Os bispos lembram a passagem do apóstolo Paulo: «Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram» (Rm 12,15), sublinhando que a palavra de Deus interpela a comunidade a não permanecer indiferente perante o sofrimento alheio. A CEM apela com «sentido de urgência» à mobilização conjunta de fiéis, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil, confissões religiosas e parceiros internacionais, a fim de garantir apoio imediato às populações afectadas e recursos para a recuperação e reconstrução das comunidades. A mensagem destaca igualmente o papel da Cáritas Moçambicana, presente com delegações em todas as dioceses, como uma estrutura já empenhada na assistência às populações. Para além da resposta imediata, os bispos renovam o apelo a um compromisso sério com a prevenção, protecção da vida e cuidado da casa comum, para que o país esteja cada vez mais preparado para enfrentar cheias semelhantes no futuro.

Apresentação da Capa de Janeiro

Rumo a uma paz “desarmada e desarmante” O ano 2026 começa com um convite audacioso do Papa Leão XIV, pela paz no mundo. De facto, o 59º Dia Mundial da Paz deste ano é celebrado sob o tema: «A paz esteja com todos vós: rumo a uma paz “desarmada e desarmante”». Num mundo dilacerado pelas guerras, divisões e discórdias, o Papa Leão ergue a voz para propor ao mundo uma peregrinação rumo a uma paz “desarmada e desarmante”. Trata-se dum apelo à reconciliação e ao diálogo, uma paz que encontra em Cristo a sua essência e fundamento, uma paz que constrói pontes dando voz a todos; uma paz que vai além do cessar-fogo das armas e alcança também as palavras: “desarmemos as palavras para desarmar a Terra”.

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