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Archive for vidanova

jul 17 2020

A coragem da Paz e o Compromisso da Missão

«Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Nosso Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, o Qual nos consola em todas as nossas tribulações afim de podermos consolar, com a mesma consolação com que somos consolados, aqueles que estão atribulados». Nós os Bispos Católicos de Moçambique, reunidos no Seminário de Santo Agostinho da Matola, na nossa Segunda Assembleia Plenária Ordinária Anual (Novembro 2019), solícitos em servir e confirmar os irmãos na fé e empenhados em colaborar na promoção do bem para todos os moçambicanos, saudamo-vos com afecto. Comunicado da CEM 2019

jul 15 2020

Conto – Soberba lição!!!

Soberba lição!!! Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as  tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias… E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela. O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia apassar: Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas. Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira  deixou o quarto. Lentavelmente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem… Moral da História: Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada. Se te queres sentir rico, conta todas as coisas que tens que o dinheiro não pode comprar. ” O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente.”

jul 15 2020

O HOMEM É MAIS MACACO DO QUE O MACACO

O HOMEM É MAIS MACACO DO QUE O MACACO Por José João Tute, Facebook. Eu nunca vi um macaco a fabricar armas para matar outros macacos nem nunca vi macacos sequestrados por outros macacos para traficar os seus órgãos; ou corpos de macacos espalhados nas ruas. Porém, já vi nas notícias, corpos de homens espalhados, mortos, pessoas sequestradas, tráfico de órgãos e mais. Até às vezes me pergunto se os macacos não são mais inteligentes do que os homens.

jul 15 2020

A COMUNIDADE E OS QUE MORREM

A COMUNIDADE E OS QUE MORREM Carta assinada, Paróquia São Pedro de Napipine Querida amiga Vida Nova: a minha inquietação está no Diretório da Pastoral da Arquidiocese de Nampula que fala sobre o funeral de um cristão que vive numa situação “irregular”. O DP, no nº 84, diz: “A igreja, neste caso, tem seguido as seguintes normas: Não se pode realizar uma celebração solene do funeral. Não se pode pretender que esteja presente o Padre, animador, ancião ou ministro dos funerais a presidir a cerimónia religiosa, quer em sua casa quer no cemitério, ou que se leve o cadáver à Igreja para rezar por ele. No entanto, não é proibido rezar para um irmão que morre não estando a praticar a religião ou que não recebe os sacramentos. A família pode e deve rezar por ele. Se estiverem os cristãos presentes, é bom que acompanhem nas orações pelos defuntos.” Acontece que num funeral deste tipo, sai um irmão da comunidade e começa a dizer o seguinte: “Vocês do grupo de oração negam rezar por este irmão com alegações que ele era irregular e nunca rezou convosco, mas nós testemunhamos que ele foi batizado, crismado e todo aquele que reúne estes requisitos, mesmo que não vá à Igreja regularmente, deve ser acompanhado com oração presidida pelo Padre, ancião ou animador e ainda dizem que quem pode julgar pelos pecados é só Deus. Não devem rezar por ele porque? Por ser irregular? E vocês não são irregulares? Jesus fazia milagres apenas para cristãos em estado regular?”. Será que estamos a interpretar mal o DP? Se assim for, porque é que as pessoas ligadas a estes regulamentos não nos atualizam para nos tirar da vergonha que tem vindo a registar-se nas cerimónias e em frente de pessoas estranhas à nossa religião? Algumas pessoas esperam um acontecimento deste tipo para difamar os responsáveis do grupo de oração ou núcleo. Ajudem-nos a sair desta vergonha. Resposta Vida Nova: Amigos de Napipine. Muito obrigado pela vossa carta (que tivemos que resumir por falta de espaço). Na verdade, a vossa é uma preocupação muito legítima. O problema está na interpretação deste número do DP. O Diretório não proíbe rezar pelo defunto, pelo contrário, aconselha-o. A palavra chave é “solene”; diz também que “não se pode pretender…”, isto é, não se  pode exigir um tratamento igual para uma pessoa que viveu como cristão verdadeiro e para outra que, mesmo batizada e crismada, voluntariamente abandonou o seguimento de Cristo; quis, com os seu comportamento, deixar de viver como cristão-católico. Porém, estes casos devem ser resolvidos no Conselho Paroquial pois, neste espaço, corremos o risco de não entender o contexto da situação que também é muito importante para dar uma resposta. Aconselhamos que apresentem o caso ao vosso Pároco ou ao Bispo.  Por último: nunca deixem de praticar os gestos de caridade com os que sofrem e com as famílias dos defuntos, como fez Jesus.

jul 15 2020

Resposta à carta “Anciãos sem casamento canónico”

Resposta à carta “Anciãos sem casamento canónico”, VN setembro 2016 Por Comunidade São João de Deus, Nampula A carta em referência é da autoria de um grupo pequeno de cristãos descontentes que usam mal a sua liberdade de expressão enveredando pelo caminho da difamação. Como resposta a esta carta, queremos esclarecer o seguinte: a comunidade de São João de Deus é dirigida por uma anciã (pela primeira vez na historia da comunidade sede), eleita com 156 votos válidos, contra 80 votos do seu seguidor mais direto. A nossa anciã é uma cristã comprometida, batizada, crismada e viúva há mais de dez anos. Por causa da sua maturidade na fé desempenhou alguns ministérios na comunidade e na paróquia. Como anciã, ela conseguiu dinamizar a comunidade ao ponto de iniciar a construção da nossa sede paroquial, coisa que nunca se viu na história da paróquia. Alguns descontentes da comunidade não toleram, que uma mulher consiga tantas proezas e daí que começa tal difamação contra ela. Para nós, não há nenhum impedimento para que a nossa anciã desempenhe o seu trabalho. Encorajamo-la a prosseguir com o seu vigor e dinamismo espiritual.

jul 15 2020

Comer a farinha do próprio saco

Comer a farinha do próprio saco Abílio de Gouveia Latão, e-mail. É triste ver jovens que não têm opções de vida. Uns pautam pelos crimes, alguns optam pela delinquência, outros tantos se refugiam na droga, no álcool, na violação sexual…. Caros jovens: é do suor onde pode provir a riqueza e o bem estar. Riqueza fácil não dignifica o beneficiário. Meu falecido pai dizia: “Quem cobiça algo sem sacrifício, acabará comendo-o com as mãos sujas”. E hoje vejo isso no meu belo país. Comamos do suor do nosso sacrifício. Nada de invadir casas alheias ou roubar bens dos outros. Sejamos honestos e comamos a farinha do nosso próprio saco!

jul 15 2020

Quero ser como Mia Couto

Quero ser como Mia Couto Por Tobias Manuel Sou natural de Gilé, residente em Milange, província da Zambézia. Venho através deste meio pedir conselhos. Sou de baixa escolarização. Por os meus pais apresentarem uma progressiva incapacidade financeira, tive que começar a trabalhar muito cedo e assim suportar as minhas despesas e as dos meus irmãos mais novos mas perdi o meu sonho da infância: ser escritor. Mas ainda não perdi o meu sonho, mesmo sem conhecimentos detalhados sobre literatura. Inspiro-me no escritor moçambicano Mia Couto, sonho com conhecer ele um dia e aprender a fazer literatura. Ponho em seguida um dos meus versos onde espelho a necessidade de ser grande escritor, conhecido não só pela qualidade da minha escrita mas também pelo meu compromisso social como Mia Couto: “Quando eu for Mia Couto, não só apresentarei contos magníficos, mas levarei à todo o canto, o Moçambique de natural encanto”.

jul 15 2020

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO (Parte II) Por: Carlos Mesters Jesus é a chave principal da Sagrada Escritura (DV 2.4.16) Para nós cristãos, Jesus é o centro, a plenitude e o objetivo da revelação que Deus vinha fazendo de si desde o Antigo Testamento (DV 2.3.4.15.16.17). “Os livros do Antigo Testamento adquirem e manifestam sua plena significação no Novo Testamento e, por sua vez, o iluminam e explicam” (DV 16). Sem o Antigo Testamento não se entende o Novo, e sem o Novo não se entende o Antigo. A experiência viva de Jesus na comunidade é a luz nova nos nossos olhos para poder entender todo o sentido do Antigo Testamento (DV 16). Cristo está como que do nosso lado, olhando conosco para o Antigo Testamento, clareando-o com a luz da sua presença. Dizia Santo Agostinho: “Novum in Veterelatet, Vetus in Novo patet”, o que significa “O Novo está escondido no Antigo, o Antigo desabrocha no Novo”. Tudo isto tem uma atualidade muito grande. Não se trata só de descobrir como os primeiros cristãos souberam encontrar as figuras de Jesus no Antigo Testamento (DV 15). Trata-se sobretudo de fazer hoje o que eles fizeram, a saber: descobrir como o nosso “antigo testamento”, isto é, a nossa história pessoal e comunitária, está sendo empurrada pelo Espírito de Deus para a vida plena em Cristo. A conversão para Cristo tira o véu dos olhos e faz entender o sentido da Bíblia e da vida (2 Cor 3,16). De um lado, a Bíblia ajuda a entender e a aprofundar aquilo que estamos vivendo em Cristo. De outro lado, nossa vida e nossa prática nos ajudam a entender melhor o sentido cristológico da Escritura. Antigamente, este sentido era chamado de “sentido espiritual”. Isto é, o Espírito nos ajuda a descobrir o sentido que o texto antigo tem para nós hoje. Também era chamado “sentido simbólico”, pois unia (sym-ballo) a vida e a Bíblia. Aceitar a lista completa dos livros (DV 16) Existem duas listas de livros inspirados: a lista judaica, que compreende o que nós chamamos o Antigo Testamento, e a lista cristã, que compreende os livros do Antigo e Novo Testamento. Aceitar a lista completa é aceitar a unidade dos dois Testamentos e admitir que uma e mesma economia divina une os dois Testamentos num único projeto de salvação e de libertação, projeto que só se revela plenamente na medida em que o Antigo passa a ser Novo. Esta passagem do Antigo para o Novo começou no momento da Ressurreição de Jesus e ainda não terminou. A cada momento novos povos, novas pessoas e novos setores da nossa vida pessoal e comunitária vão entrando no “Caminho” (At 9,2; 18,25.26). Esta passagem, páscoa, envolve tudo e todos, pois tudo foi criado por Deus para Cristo (Cl 1,16). Assim, cada pessoa, cada grupo, cada comunidade, povo ou nação tem o seu Antigo Testamento, tem a sua história de salvação e deve fazer a sua passagem do Antigo para o Novo, isto é, deve aprofundar a sua vida até descobrir lá na raiz, a presença amiga e gratuita de Deus, empurrando tudo para a plena vida em Cristo. A Bíblia com seus dois Testamentos é norma, é cânon, dado por Deus, para ajudar-nos no discernimento e na realização desta nossa páscoa de salvação e de libertação. “Renovar” é fazer com que também hoje nas nossas vidas o Antigo se torne Novo. A Bíblia é livro da Igreja (DV 21) Quando nos reunimos em torno da Palavra de Deus, formamos um pequeno santuário ou sacrário, tão santo quanto o sacrário que conserva o Corpo de Cristo. Na Igreja existem o Livro e o Cálice (João XXIII), o santuário da Palavra de Deus e o santuário do Corpo de Deus (DV 21). Os inúmeros pequenos santuários da Palavra de Deus que, assim, se espalham pelo mundo, sobretudo entre os pobres, são as pontas finas e frágeis da raiz que dão força e vigor à árvore da Igreja. Estes pequenos santuários em torno da Palavra de Deus são o lugar, onde a Igreja nasce como a água da sua fonte. A Bíblia não é, em primeiro lugar, um livro de piedade individual, nem uma cartilha de transformação social, mas é o livro de fé da comunidade, livro de cabeceira. A Palavra de Deus gera a comunidade. Interpretar a Palavra de Deus não é a atividade individual do exegeta que estudou um pouco mais que os outros, mas é e deve ser uma atividade comunitária, na qual que todos participam, cada um a seu modo com os seus dons, inclusive o exegeta. Deste modo, surge e cresce o sentido comum, aceito e partilhado por todos. É o “sensusecclesiae”, o “sensusfidelium”, o “sentido de fé da Igreja”, com o qual todos se comprometem como se fosse com o próprio Deus. Este “sentido de fé da Igreja”, quando partilhado por todos nos Concílios Ecumênicos e expresso pelo Magistério, cria o quadro de referência dentro do qual se deve ler e interpretar a Bíblia. Levar em conta os critérios da fé (DV 12) Não basta a razão para poder captar todo o sentido que a Bíblia tem para a nossa vida. É necessário levar em conta também os critérios da fé e ler a Bíblia “naquele mesmo Espírito em que foi escrito” (DV 12). Os critérios da fé são três: “Atender com diligência ao conteúdo e à unidade de toda a escritura, levada em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé” (DV 12). Ou seja, a interpretação cristã da Bíblia deve levar em conta: (1) a “unidade de toda a Escritura”, isto é, a Visão Global da Bíblia; (2) a “tradição viva da Igreja” dentro da qual a Bíblia foi gerada e é transmitida; (3) a “analogia da fé”, isto é, a vida da Igreja dentro da qual e em função da qual a Bíblia é lida e interpretada. Os três têm o mesmo objetivo: descobrir o sentido pleno da Escritura, impedir

jul 15 2020

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO

DEZ CARACTERÍSTICAS DO ACOMPANHAMENTO DA LEITURA DA BÍBLIA PELO MAGISTÉRIO (Parte I) Por: Carlos Mesters Nos anos depois do Concílio saíram vários documentos da parte do Magistério para estimular e orientar a leitura e a interpretação da Bíblia na Igreja. Pois a fidelidade à Igreja, à Tradição e ao Magistério é tão importante para a interpretação da Bíblia quanto a raiz para a árvore. Apresentamos aqui dez normas hermenêuticas (de interpretação), frutos do Vaticano II, que estão orientando a leitura e a interpretação da Bíblia na Igreja hoje.   Crer que a Bíblia é Palavra de Deus (DV 11) A fé de que a Bíblia é Palavra de Deus é o que mais caracteriza a leitura cristã da Bíblia. É por ser Palavra de Deus que a Bíblia tem aquela autoridade. A Palavra de Deus, porém, não está só na Bíblia. Deus também fala pela vida, pela natureza, pela história (DV 3). A leitura da Palavra escrita da Bíblia ajuda a descobrir a Palavra viva de Deus na vida. Santo Agostinho ensina que Deus escreveu dois livros. O primeiro livro é a criação, a natureza, a vida. O segundo livro é a Bíblia, inspirada por Deus para nos “devolver o olhar da contemplação”, para que possamos ler e interpretar melhor o Livro da Vida e da Natureza. Por ser Palavra de Deus, a Bíblia, quando “lida e interpretada naquele mesmo Espírito em que foi escrita” (DV 12), comunica a luz e a força deste mesmo Espírito aos que a lêem. Por isso, a Palavra de Deus tem força para realizar o que transmite (DV 21).   É Palavra de Deus em linguagem humana (DV 12) A linguagem usada por Deus para comunicar-se conosco na Bíblia é, em tudo, igual à nossa linguagem, menos no erro e na mentira. Por isso ela deve ser interpretada com a ajuda dos mesmos critérios que se usam para interpretar a linguagem humana: crítica textual, crítica literária, pesquisa histórica, etnologia, arqueologia, etc (DV 12; Pio XII 20). Do contrário, caímos no erro do fundamentalismo que tanto mal faz, pois desliga a Bíblia do contexto da realidade humana daquela época, isola o leitor e a leitora da comunidade e da tradição e separa vida e fé.   Deus se revela a si mesmo na sua Palavra (DV 20) O povo cristão procura e encontra na Bíblia “o conhecimento de Deus e do homem e a maneira pela qual o justo e misericordioso Deus trata com os homens” (DV 15). A Leitura Orante faz com que o modo de pensar de Deus, aos poucos, se torne o nosso modo de pensar. Por isso mesmo, ela ajuda a descobrir e quebrar em nós as falsas ideologias, e contribui para que aprendamos a olhar a vida com os olhos de Deus. Antes de ser um catálogo de verdades, a Bíblia é a revelação da graça e da misericórdia de Deus (DV 2). Ele nos amou primeiro! Para os pobres e oprimidos, esta revelação significa, desde sempre, que Deus se inclina para escutar o seu clamor e estar com eles na sua aflição, para caminhar com eles e libertá-los do cativeiro (Ex 3,7-8; Sl 91,14s). O objetivo primeiro da Bíblia é ajudar-nos a descobrir na vida esta presença amiga de Deus e experimentar o seu amor libertador. A leitura da Bíblia funciona como um colírio que vai limpando os olhos. Esta revelação e experiência de Deus são fruto, ao mesmo tempo, da graça de Deus e do esforço humano. De um lado, a revelação que Deus faz de si mesmo provoca nossa colaboração e participação e exige a observância da Aliança. De outro lado, ela “nos faz participar dos bens divinos que superam inteiramente a capacidade da mente humana” (DV 6). Eficiência e gratuidade, luta e festa, natureza e graça, ambos se misturam na caminhada conflituosa em direção a Deus. Este olhar libertador, nascido de Deus, liberta e abre o sentido da Bíblia.

jul 15 2020

ÁFRICA: MALDIÇÃO DO MINÉRIO Por: José Vieira A África é rica em recursos naturais, mas quase metade dos africanos vive abaixo da linha da pobreza. A África é depósito de cerca de um terço dos recursos naturais do planeta: tem 80 por cento das reservas de platina, fornece mais de metade dos diamantes brutos comercializados, produz 40 por cento do ouro; um quinto do tântalo usado em telemóveis, computadores e outros produtos de tecnologia digital vem da República Democrática do Congo, que tem metade das reservas globais de cobalto, um mineral necessário para a produção de superligas usadas na aviação; a Guiné-Conacri possui uma das maiores reservas de bauxite, o minério com que se faz o alumínio, a liga que domina a indústria global; Nigéria e Angola extraem juntas mais de quatro milhões de barris de crude por dia… Com tanta riqueza a jorrar das entranhas da África, como é possível haver tantos pobres na região?   A Pilhagem de África Li o livro A Pilhagem de África de Tom Burgis para tentar perceber o que se passa no continente. Burgis é um jornalista de investigação que escreve sobre «senhores da guerra, oligarcas, multinacionais, contrabandistas e o roubo da riqueza africana». Analisou a indústria da extração de recursos naturais em vários países – incluindo Angola, República Democrática do Congo, Nigéria, Guiné-Conacri e Níger – e encontrou um padrão que se repete: estrangeiros extraem riquezas imensas que as elites partilham para enriquecimento próprio. Chama-lhe «a maldição dos recursos». Os governantes celebram contratos opacos com multinacionais ou investidores sem rosto em condições especiais a troco de favores pessoais. As mineradoras são isentas de impostos, pagam uma taxa mínima pelo que extraem e movem capitais por meio de engenharias financeiras que defraudam o erário púbico dos países produtores. As populações locais sofrem as consequências da mineração: deslocações forçadas, poluição, empobrecimento. Os ganhos? Esses vão direitinhos para os bolsos dos investidores e dos detentores do poder, políticos e militares, e respectivas clientelas. Governantes corruptos criam sistemas paralelos para gerir contratos através de esquemas nebulosos. A indústria extrativa mantém no poder «dinossauros da corrupção» como Teodoro ObiangNguemaMbasogo, da Guiné Equatorial, e José Eduardo dos Santos, de Angola, ambos no poder há 36 anos, e Robert Mugabe, do Zimbabué, presidente há 35 anos. O Banco Mundial documentou a existência de um saco azul de mais de 32 mil milhões de dólares da venda de petróleo angolano para o regime cuidar das clientelas. A exportação de matérias-primas e a importação de bens de consumo também empobrece a economia africana: o processamento dos minerais chega a aumentar o seu valor até 400 vezes. Esta situação tem de mudar! Depois há a violência por parte das autoridades ou de rebeldes para controlar as jazidas – como aconteceu com os diamantes de sangue em Angola e Serra Leoa e acontece no Zimbabué e no Leste da República Democrática do Congo. E de grupos que lutam para tentar aceder ao bolo das riquezas naturais ou para defender o direito a uma vida melhor. Há também a constante chinesa: empresas estatais e privadas que oferecem crédito barato a regimes africanos párias, cobrando as dívidas em género: petróleo e minerais. A economia chinesa aumentou oito vezes entre 2000 e 2012 e devora quantidades enormes de crude e minerais para se alimentar. Durante o mesmo período o volume de negócios da China com a África cresceu de 13 mil milhões de dólares para 180 mil milhões. A China está a financiar dois terços das obras públicas africanas e empresta mais dinheiro ao continente que o Banco Mundial. Esta situação tem de mudar! O cardeal ganês Peter Turkson disse ser «moralmente inaceitável, politicamente perigoso, ambientalmente insustentável e economicamente injustificável que os povos em vias de desenvolvimento continuem a alimentar o desenvolvimento dos países mais ricos à custa do seu presente e do seu futuro».

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