jul 15 2020
VERDADES SOBRE A RADIOGRAFIA DO TÓRAX
VERDADES SOBRE A RADIOGRAFIA DO TÓRAX Por: Éden Mucache Radiografia de tórax, comumente chamada de raio-X de tórax, é uma imagem semelhante a uma fotografia do coração e dos pulmões, que usa uma pequena dose de radiação para criar uma imagem. Esse é um dos exames médico mais realizado. O exame de raios-X fornece imagens rápidas, de alta qualidade e são relativamente baratas. O tempo médio para os exames de filmes simples não leva mais do que 10-15 minutos e não requerem preparação especial do paciente. A imagem dos raios-X é estocada em um pedaço de filme que é chamada de radiografia. As partes do corpo envolvidas são coração, vasos sanguíneos próximos ao coração, pulmões e costelas e outros ossos. O raio X do tórax é feito para verificar doenças ou anormalidades do coração, dos pulmões, dos ossos ou vasos sanguíneos no tórax. O médico pode solicitar um raio X do tórax em resposta a determinados sintomas ou para ajudar a diagnosticar um problema médico. Entre os sintomas que podem requerer um raio X do tórax estão: Tosse intensa ou persistente; dor no peito; tosse com sangue e falta de ar. Os seguintes problemas podem ser diagnosticados por um raio X do tórax: Doença cardíaca congênita; insuficiência cardíaca, fraturas das costelas; cancro de pulmão;pneumonia e tuberculose. A radiação ionizante utilizada na produção das imagens de raios-X é carcinogênica e a exposição contínua a estes raios ao longo do tempo pode causar dano ao corpo e aumentar o risco de câncer. Entretanto, especialistas consideram que os benefícios de um diagnóstico e tratamento precisos compensam o pequeno risco envolvido no exame. Os riscos dos raios-X são maiores para crianças pequenas e bebês em gestação e o médico deve ter isso sempre em mente quando decidir sobre a necessidade de um exame por imagem utilizando raios-X. Se você estiver grávida ou com suspeita de gravidez, informe seu médico ou técnico de radiografia. Então? Já percebe porque o seu médico pede a radiografia do tórax?
jul 15 2020
A PARÁBOLA DO PATRÃO MAIS POBRE DO QUE O SEU EMPREGADO
A PARÁBOLA DO PATRÃO MAIS POBRE DO QUE O SEU EMPREGADO Por: Oreste Muatuca Numa certa cidade deste planeta, vivia um senhor que tinha muitos filhos, muitos parentes e, igualmente, muitos bens para gerir. Vendo que sozinho não dava conta de tudo, abriu um concurso para admitir várias pessoas qualificadas para ocuparem certas vagas, de acordo com as necessidades que o patrão identificara. Abriu-se o concurso e os concorrentes começaram a entregar as suas cartas de manifestação de interesse e os seus currículos. Marcou-se o dia da entrevistae o patrão confiou algumas pessoas para o representar, com o intuito de encontrar, dentre os concorrentes, aqueles que melhores qualidades apresentavam para ocupar as vagas existentes. Não se sabe ao certo que medidas ou critérios os membros do júri daquela sessão de entrevista usaram para a seleção dos concorrentes. Mas o patrão recomendara que a seleção devia ser feita com base nas competências, idoneidade, honestidade, sentido de responsabilidade, entre outros valores. O que se sabe é que, depois daquela sessão de entrevista, os membros do júri apresentaram um conjunto de candidatos apurados, cada um com a proposta de vaga a ocupar. O cargo mais importante era o de Gestor Geral. As responsabilidades, sobretudo do Gestor Geral, eram de coordenar todas as atividades desenvolvidas por outros empregados com vista a providenciar melhores condições de vida para o patrão e para os seus filhos, aumentar a sua riqueza e elevar o seu nome para patamares invejáveis. Aquele patrão alertara, também, que não queria gestores arrogantes, egoístas, desonestos, nepotistas, trogloditas, pechinchas ou gananciosos como os que acabava de demitir. Face a estas recomendações, no dia de tomada de posse para os diversos cargos daquela empresa, cada empregado devia prestar um juramento, no qual se comprometia em trabalhar abnegadamente, sem poupar energias, para o bem do seu patrão e de todos os que dele dependessem. Houve então essa linda cerimónia de juramento. O Gestor Geral jurou honestidade, idoneidade, responsabilidade, entrega e abnegação no trabalho. Jurou ética, moral e justiça. Disse que só pensava no seu patrão e nas suas necessidades. Jurou cumprir e fazer cumprir as regras daquela empresa; prometeu que o patrão, os seus filhos e bens seriam bem protegidos de todas as pragas, ladrões ou salteadores. Disse que apenas na sua cabeça cabia a Paz e tranquilidade do seu patrão e tudo faria para não o decepcionar. O patrão aplaudiu, alegrou-se, dançou, festejou. Mas o drama começou… Depois de um ano de gestão o drama começou. O patrão começou a perceber que os seus empregados viajavam sempre em aviões de primeira classe e em helicópteros, comprovam para si carros de luxo, comida para verdadeiros banquetes, roupa de qualidade, ao mesmo tempo que o patrão nem pão tinha. Caiu de três refeições por dia para uma única. Quando ele ou um dos filhos quisesse andar de carro, ou não havia combustível ou este era-lhe arrancado por salteadores. Começaram a vir na empresa pessoas de longe para exigir pagamento de dívidas contraídas pela empresa, aliás, contraídas por pessoas singulares, em nome da empresa. As dívidas eram em valores que, mesmo vendendo aquela empresa, não chegavam para saldá-las salvo vendendo o próprio patrão e seus filhos e parentes. O Gestor Geral e os colaboradores disseram ao patrão que realmente havia aquela dívida, mas que tinha sido contraída antigamente em nome da empresapara beneficio pessoal dos antigos gestores. Os novos gestores obrigaram o patrão a pagar aquela dívida pois não podiam responsabilizar as pessoas que a contraíram em virtude de que estes tinham sido recomendados para os cargos que ocupavam pelos mesmos antigos gestores e, por isso, deviam-lhes“favores”. Ou seja, os novos gestores pertenciam à mesma tribo dos gestores antigos e também eles iriam continuar os mesmos saques dos predecessores. Hoje, o patrão não pode mais circular livremente, porque se o fizer será perseguido e morto por indivíduos que dizem ter problemas com os gestores, mas caçam apenas o patrão, os seus filhos e os poucos bens que continuam em sua posse. O patrão ficou na miséria plena e está condenado à dor e à morte. Então alguém me responde, quem é “o patrão”daquela parábola?
jul 15 2020
CARTA A TITO
CARTA A TITO Por: Judith Hanauer Esta carta é dirigida a Tito e aos pastores da Igreja por volta dos anos 64-65 d. C., onde Paulo apresenta normas e regulamentos de como deve ser o comportamento do ministro cristão. Paulo confia a Tito a organização das Comunidades. Orienta sobre os critérios a ser usado na escolha dos responsáveis das Comunidades. Que não serve qualquer pessoa, mas deve ser alguém com comportamento exemplar em todos os sentidos, ter uma vida digna, ser fiel e coerente com o que for anunciar. Assim como hoje, havia naquele tempo, falsos anunciadores, pessoas que se aproveitavam da fé dos cristãos para proveito próprio. Paulo alerta Tito para que tenha cuidado neste sentido, pois estava a surgir falsos mestres entre eles e que geravam confusão na mente dos fiéis. Dá orientações a Tito como orientar a todos, sejam velhos ou jovens, homens ou mulheres.Todos deviam mostrar a partir da vida prática, no dia a dia, que realmente tinham se convertido para Cristo. Ninguém estaria dispensado de ter uma boa conduta e uma boa vivência da fé. Para Paulo o relacionar-se bem com pessoas de todas as idades dentro da Igreja era muito importante. Lembra a Tito que ele como responsável, tem obrigação de chamar atenção de quem não se comportar bem como convém a um cristão. Ao lermos esta carta havemos de perceber que esta Palavra é dirigida, principalmente, aos responsáveis das Comunidades, aqueles que deviam conduzir de maneira exemplar o povo. O mesmo, Paulo continua a pedir de maneira insistente, aos responsáveis da Igreja nos tempos atuais. Pois há muitos que assumem serviços, ministérios na Igreja, como uma promoção pessoal, um emprego, para se manter e não há uma preocupação com o crescimento da fé dos cristãos das Comunidades. Há muitos falsos evangelizadores em nossas Comunidades, Paróquias e Dioceses que precisam ser advertidos, a fim de, assumirem com maior responsabilidade o compromisso que seu ministério exige. Boa reflexão e um bom exame de consciência para todos nós!
jul 15 2020
CENTRO CATEQUÉTICO “PAULO VI” DO ANCHILO
CENTRO CATEQUÉTICO “PAULO VI” DO ANCHILO “50 anos ao serviço da evangelização” Por Pe Massimo Robol O Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula a finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral. A proposta tornou-se realidade a 14 de Setembro do mesmo ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, com o decreto do Bispo da Diocese de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto.Ele idealizava o Centro Catequético como motor de arranque para uma pastoral encarnada no povo e caraterizada pela participação ativa dos leigos. Para a coordenação das várias atividades do Centro, pensou-se numa equipa intercongregacional, com a presença dos Missionários Combonianos, da Sociedade Missionária (Boa Nova), das Irmãs da Apresentação de Maria, das Irmãs Vitorianas, das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima e das Irmãs Missionárias Combonianas. O Pe. Graziano Castellari, missionário comboniano, primeiro director do Centro, numa entrevista, recordava que os objectivos do Anchilo constituíram uma autêntica “profecia do futuro”.Ele sublinhava a importância“da formação de leigos que assumissem a responsabilidade do crescimento desta Igreja e descobrissem as formas particulares e próprias de uma Igreja enraizada na própria cultura e no próprio povo. Naquele momento o Centro Catequético movia-se em três dimensões: catequistas, inculturação, liturgia. Cada uma destas três opções era um grande capítulo… Catequistas como sujeitos próprios de evangelização, e não simples delegados. Estudo da própria cultura e preparação dos novos missionários para amarem e respeitarem esta cultura, como um novo Belém onde Cristo continuava a incarnar-se. Colocar na mão dos cristãos a Palavra e a celebração dominical”. Como opção pastoral, foi dada prioridade:à Palavra de Deus traduzida em lingua macua; à catequese com conteúdos atentos aos sinais dos tempos; à reorganização do caminho catecumenal; à caridade; à justiça epaz e à formação na Doutrina Social da Igreja; à liturgia; à organização das pequenas comunidades cristãs; à informação; à pastoral da saúde e à prevenção das doenças; ao diálogo com o Islão e com a religião tradicional; ao ecumenismo; à iniciação tradicional em contexto cristão. O primeiro curso de dois anos para catequistas e suas esposas iniciou em 1970. No mesmo ano, foi fundado, no Centro Catequético do Anchilo, o Centro de Adaptação Missionária. O objectivo era preparar os missionários para o trabalho pastoral, através do estudo da língua, história, crenças religiosas, usos e costumes do povo macua, da história do país e da Igreja moçambicana, e das linhas da pastoral diocesana. A 3 de Janeiro de 1971, fez-se o lançamento da primeira pedra do bairro dos catequistas. O projecto previa a construção de 40 casas. Anchilo podia igualmente valer-se de um instrumento privilegiado de formação, informação e difusão das novas diretivas de renovação eclesial: a revista Vida Nova, fundada emMeconta, em 1960, com o nome de Boa Nova, por obra dos Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova). Quando foi aberto o Centro Catequético no Anchilo, a revista passou a ser alí editada, com o atual nomeVida Nova.Em breve tempo tornou-se um importante meio de comunicação para os cristãos. Os assuntos foram desde o princípio temas bíblicos, de catequese, de formação cristã, de liturgia, de promoção da mulher, de justiça e paz, de educação, contando sempre com a participação ativa dos leitores através de cartas e contribuições pessoais enviadas à revista.Ao longo destes 60 anos de actividade, na revista Vida Nova sucederam-se vários directores, os Padres: Graziano Castellari, Cornélio Prandina, Francisco Antonini, Pier Maria Mazzola, António Bonato, João de Deus Martinez González, António Manuel Constantino Bogaio, Tiago Palagi, Victor Hugo Garcia Ulloa. Atualmente, a equipa de redação é composta pelo Pe.António Bonato, missionário comboniano e Pe. Cantífula de Castro, do clero diocesano de Nampula. Importantes colaboradoras foram também as Irmãs Missionárias Combonianas: Pina Scanziani, Daniela Maccari e Marcela Moncayo. Posteriormente, colaboraram na revista as Irmãs de Nossa Senhora da Paz e Misericórdia: Deolinda Maria Edmundo Pires,Aida Gonçalves do Rosário e Natália José Toqueleque. Lembramos também a figura do Ir. Edgar Costa Marques, dos Missionários da Boa Nova, pelo incansável trabalho de impressão da Vida Nova. Juntamente com a revista, conquistaram também grande importância as edições do mesmo Centro. Foram imprimidos em língua macua textos sagrados e devocionais, catecismos e documentos da Igreja e subsídios para os vários ministérios das comunidades cristãs. Principal organizador destas traduções foi o Pe. Gino Centis, coadjuvado por alguns colaboradores, entre os quais os Padres Ambrogio Reggiori, Cornélio Prandina, Pier Maria Mazzola e o Sr. Daniel Sitora, que merece um agradecimento particular, pela sua dedicação e fidelidade ao serviço do Centro. Entretanto, nasceu tambémo Centro de Saúde do Anchilo, para responder às necessidades de assistência sanitária das famílias dos catequistas em formação. Em seguida, esta assistência estendeu-se também às populações vizinhas. O Centro de Saúde contou desde o princípio com a presença das Irmãs Missionárias Combonianas, entre as quais merecem um particular agradecimento as Irmãs Giulia Costa, Maria Pedron, Laura Malnati e Gabriella Visentin, que garantiram um apóio solícito e constante à população local. O Centro Catequético tornou-se um ponto de referência para a pastoral da Diocese, graças à presença e ao trabalho incansável de muitos missionários, missionárias e leigos comprometidos que colaboraram nas várias actividades e âmbitos de trabalho próprios desta realidade diocesana. No que diz resepito ao Centro Catequético, desde 1969 até 1975 estiveram presentes os Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova): Pe. José Maria Luís da Silva, Pe. António Pires Prata e Pe. José dos
abr 26 2020
3º Domingo de Páscoa
Act. 5, 27-41; Ap. 5, 11-14; Jo. 21, 1-19 Jesus ressuscitado guia o trabalho da pesca Pescar é a missão da Igreja. Ao chamar os Apóstolos, Jesus tinha-lhes dito: farei de vós, pescadores de homens. Pescar peixes é matá-los. Pescar homens é salvá-los. No Evangelho de hoje vemos alguns Apóstolos em missão. Andam no meio do mar (o lugar do perigo, do sofrimento, do mal e da morte, para os humanos). Tinham visto o trabalho de Jesus de libertar as pessoas do mal (em todas as suas manifestações); viram-no vencer a morte… e, agora, também eles se metem no mar da vida, enfrentam a morte e se entregam generosamente, como Jesus, para tirar da morte os que, na vida, andam prisioneiros do mal. Pedro diz: vou pescar! E os outros seguem-no corajosamente. No barco estão 7 discípulos (número simbólico que representa a totalidade dos verdadeiros discípulos de Jesus, de todos os tempos). Jesus não está na barca (a Igreja). De facto já não estava visivelmente no meio dos discípulos. O Apocalipse mostra-o sentado no trono da sua realeza, cheio de glória, com os sinais do seu amor pela humanidade, como Cordeiro imolado. No entanto, Jesus não está longe da barca. Nem sempre a fé da Igreja é suficiente para sentir a presença de Jesus. Por isso ela se vê muitas vezes incapaz de ser salvadora da humanidade: a pesca não rende. Mas a fé da Igreja nunca morre totalmente: alguém vê que Jesus está perto – o discípulo predilecto. E, quando os 7 pescadores obedecem à Palavra de Jesus, com fé, a pesca torna-se abundante. Esta catequese é muito válida também para nós: tantas vezes temos a sensação que estamos sozinhos na realização da missão: não se vêem os frutos do nosso trabalho; o mal parece que aumenta cada vez mais e a salvação do mundo está mais longe (ver as dificuldades dos primeiros cristãos, na 1ª leitura). Mas não é verdade: não estamos sós. Podemos ser salvadores. Basta que também nós, hoje, sigamos a Palavra de Jesus. Esta, tal como a Pedro, nos pede que deixemos os projectos de glória, de honra e de grandeza pessoal, para nos convertermos ao amor desinteressado aos irmãos, tornando-nos seus pastores, ou melhor, seus pescadores.
mar 16 2020
A ESPIRITUALIDADE DO TEMPO DA QUARESMA
Por: Pe. Fonseca Kwiriwi, CP Iniciamos a abordagem sobre o tempo da Quaresma apontando o mistério que celebramos na Igreja Católica que com alegria todo cristão é convidado a vivenciar: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o ponto mais alto da fé cristã. É a partir desse mistério da nossa salvação que podemos mergulhar na espiritualidade da Quaresma. O que não deve ser confundido com a Quaresma como tempo litúrgico é o seguinte: Não é tempo de tristeza. Não é tempo de sofrimento. Não é tempo de viver alguma dieta alimentar em busca de um corpo “fitness”. Não são quarenta dias de luto pela morte de um familiar ou amigo. Que não haja confusão como muitas vezes se observa em várias comunidades cristãs que chamam quaresma o término da cerimónia de luto. Parece ser uma compreensão vinda de outras religiões ou costumes. O que é, então, Quaresma para a Igreja Católica? A partir do Evangelho de Mateus 6,1-18, encontramos o ensinamento de Jesus sobre os temas de Caridade, Oração e Jejum que a Igreja desde cedo busca viver na Quaresma. Quaresma é tempo de Oração: orar ao Pai em segredo. Participar da Santa Missa. Participar dos exercícios da Via Crucis (Via Sacra) todas as sextas-feiras. Rezar em família ou individualmente o Rosário (o Terço). Leitura e Meditação da Palavra de Deus em família ou na Comunidade. Quaresma é tempo de prática da Caridade: dar o que a pessoa tem sem tocar trombeta. Dar incondicionalmente a quem necessita. Dar ao outro o que na verdade lhe será útil. Abandonar o supérfluo para salvar a vida. Fazer dos bens uma ocasião de ser instrumento de Deus que aproxima os excluídos e os empobrecidos. Fazer o bem ao próximo com humildade. Quaresma é tempo de Jejum: permitir ao corpo sentir a fome como várias pessoas sentem a fome. No entanto, o cristão jejua para que depois partilhe com quem não tem o que comer. Dando exemplo: Se a pessoa jejua toda quaresma, a comida ou o dinheiro que serviria para si, partilha com alguém que passa fome por não ter nenhuma condição. Lembrar que durante o jejum ninguém deve saber, por isso, jejue em segredo. Jejue sem modificar o rosto. Um jejum bem feito traz paz interior. O jejum é uma das formas de penitência. O jejum traz benefícios ao corpo e a alma porque a pessoa pode torna-se paciente, calma, humilde, diminui a ansiedade, diminui a agressividade e torna a pessoa mais humana. Finalidade da Quaresma Toda caminhada quaresmal leva-nos a Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, viver bem a Quaresma significa fixar os olhos a Cristo Crucificado e Ressuscitado. Como Disse São Paulo da Cruz: “a Paixão de Cristo é o maior remédio para todos os males do mundo”. É nesta vertente que cada cristão é convidado a meditar a Paixão de Cristo no mínimo quinze minutos por dia durante a Quaresma ou mesmo todos os dias do ano porque irá obter o remédio para os males do mundo: as guerras, o ódio, a inveja, os ciúmes, todo tipo de pecado que ameaça a humanidade. Reiteramos que a Igreja não é uma instituição de sadomasoquistas. Não buscamos o sofrimento. Mas lutamos para um mundo melhor, justo, solidário e fraterno. Em Jesus Cristo e com Ele aprendemos e praticamos a Compaixão. Cristo nos convida a sermos misericordiosos como o Pai do Céu é Misericordioso. Todas as práticas do tempo da Quaresma, com maior relevância a penitência, devem ajudar o cristão a purificar-se. Por isso, no tempo da Quaresma cada cristão é convidado a confessar-se dos pecados e viver a penitência conforme a orientação do confessor. O que nos recomenda a Quaresma? O tempo da Quaresma deve lembrar na vida do cristão a experiência de Jesus no deserto que foi tentado mas venceu porque estava com o Pai. Cada cristão deve buscar fazer a vontade do Pai, confiar em Deus Pai. Não há nenhuma acção boa que seja distante de Deus, ou seja, todo bem que fazemos é Deus agindo em nós, seus filhos, instrumentos do seu Amor. Quaresma é tempo de reconciliação com Deus, com os outros, com o mundo e até connosco mesmo. Quaresma é de tempo de construirmos a Paz interior, na família, na sociedade e no mundo. Quaresma é tempo de lutarmos por uma sociedade justa. Quaresma é tempo de solidariedade e partilha de bens. Quaresma é tempo de abrirmos os nossos corações que Deus habite em nós. Quaresma é tempo de sermos “Cristos” hoje e aqui onde vivemos e trabalhamos. Quaresma é tempo de sermos Igreja, de sermos unidos, de sermos irmãos. Quaresma é tempo de superarmos as divisões e divergências. Quaresma é tempo de testemunharmos ao mundo o Cristo que continua sendo crucificado pelas grandes potências multinacionais que exploram aos pobres e suas riquezas. Quaresma é tempo de sermos luz das nações neste mundo que os poderosos procuram eliminar os fracos; os ricos continuam mais ricos e os pobres mais paupérrimos. Quaresma é tempo de Oração, de Jejum e de prática de Caridade. Mas tudo em segredo e dirigido a Deus, o Pai. Que a Quaresma de 2020 seja diferente na sua vida e na vida da Igreja e da sociedade.
jan 30 2020
VOLTAMOS AO MONOPARTIDARISMO. DE QUEM É A CULPA?
Geralmente chama-se de monopartidário o regime vigente em países que são governados apenas pela influência ou domínio absoluto ou relativo de um único partido na gestão pública. Nesses países, não existem, pelo menos de forma expressiva, outros partidos políticos. Geralmente neles não há liberdade, há apenas ditadura. Em 1994 as primeiras eleições quebraram o monopartidarismo e o cenário político nacional passou a ser multipartidário, o que estabeleceu a democracia. Desde lá, há partilha de lugares na Assembleia da República pelos partidos políticos que se supõe representarem o povo. Com essa configuração supõe-se que haja debate para a construção do país, as arbitrariedades diminuam, a liberdade dos cidadãos cresça e o bem-estar e a justiça sejam igualitários para todos. 6ªs eleições gerais Ora, as últimas eleições trouxeram reultados pouco animadores para esse modelo já estabelecido. A Frelimo ganhou (segundo os resultados oficiais) de forma retumbante, conseguiu a eleição de dez governadores para todas as províncias, bem como a eleição de 184 deputados. De acordo com analistas conhecedores do direito, com este número de deputados e o controlo quase absoluto das Assembleias provinciais, a Frelimo poderá agir como no periodo entre 1975-1990, ouseja, sozinha poderá fazer o quorum para deliberar em sessões da AR, aprovar o plano do governo, alterar (querendo) a Constituiçãoda República e tomar muitas outras medidas necessárias sem precisar de debate multipartidário. Poderíamos muito bem dizer que o que aconteceu é resultado de um processo eleitoral e que é normal e, por isso, confiarmos no bom senso da Frelimo para assumir essa hegemonia no espírito democrático. Entretanto, a nossa memória não nos permite ser ingénuos e pelo modo de gestão arbitrária e pouco transparente a que a Frelimo nos habituou, temos que duvidar sobre a prevalência da genuína democracia neste quinquénio. Mas a quem podemos atribuir a culpa por este retrocesso democrático? Quase toda a gente, ao falar da viciação dos resultados culpa a Frelimo pela sua desonestidade ao influenciar os órgãos de administração eleitoral e pelos constantes processos eleitorais não credíveis. Estamos de acordo! Mas o que muita gente não colocou em questão nem mesmo os partidos derrotados assumiram é se é possível um partido como Frelimo, tendo margens de manobra que lhe são facilitadas pelos seus adversários poder assistir o seu próprio prejuízo. Algum partido moçambicano que almeja o poder faria isso? Por que motivos 25 anos depois da democracia eleitoral, já nas sextas eleições, o que nos permitiu ter adquirido certa maturidade, a Frelimo continua a viciar resultados de forma fácil, básica, sem esforço e ganhá-las sem que ninguém se dê conta apresentando provas verídicas de viciação? Que capacidades os partidos políticos da oposiçãoe a sociedade civil não têm para contrariar a questionável manutenção no poder da Frelimo? Acho que isto tem a ver com dois problemas. Primeiro Problema: o medo se sobrepõe ao profissionalismo Em primeiro lugar acho que temos uma sociedade civil cobarde. A nossa democracia não se vai desenvolver enquanto os organismos da sociedade civil e os intelectuais que temos continuarem isolados entre si. São dominados pelo medo e pelo interesse porque agem separados, por isso não denunciam maus tratos, violação de direitos, detenções arbitrárias por medo de represálias. É o medo que faz com que funcionários públicos vistam a camisete vermelha e façam campanha eleitoral contra a sua vontade; é o medo que faz com que agentes da polícia ajam contra a lei e contra a sua consciência, obedecendo a ordem imoral; é o medo que leva magistrados a arquivar processos ou a arrastá-los por longo tempo, a aplicar pena suave ou a ilibar pessoas em tribunais mesmo que tenham manifesta culpa. Em suma, o medo se sobrepõe ao profissionalismo. Onde há medo não há cidadania nem democracia. É ridículo que membros da sociedade civil tenham sido mortos, encarcerados, espancados e ameaçados e ninguém ou nenhum grupo tenha feito nada. Uma sociedade civil forte e que age em bloco seria a protecção contra as arbitrariedades. Separados, continuaremos a assistir aarbitrariedades e a única coisa que conseguiremos fazer serão comentários que não vão mudar nada. Segundo Problema: Interesse próprio Outro problema da sociedade civil é o interesse próprio. A nossa sociedade civil está cheia de pessoas interesseiras capazes de trocar o seu patriotismo pela promessa de somas de dinheiro ou um cargo público. São críticos activos ao regime injusto, apresentam boas propostas de solução, mas apenas tenham frustrações financeiras, basta que lhes façam propostas aliciantes para trair a sua consciência e a causa patriótica.Por isso são raros críticos patriotas a favor do bem-estar social colectivo.A maior parte dos intelectuais e académicos fala e escreve a favor do partido no poder independentemente das injustiças que este tenha cometido contra o país e outros falam contra o partido no poder independentemente do bem que tenha feito em favor do Estado. Uma sociedade civil assim, sem compromisso patriótico, é incapaz de fazer uma reclamação capaz de mudar o rumo das coisas. Portanto, por causa do medo e do interesse dos cidadãos, este país já teve as piores injustiças, as péssimas arbitrariedades, os mais graves crimes de corrupção, as mais graves violações de direitos humanos e nenhuma sociedade civil foi capaz de fazer nada para devolver a moralidade. Por que motivo poderíamos pensar que essa sociedade civil seria capaz de impugnar simples eleições injustas? Terceiro Problema: fragilidade dos partidos políticos O terceiro problema que acho mais grave é que temos partidos políticos frágeis. As últimas duas eleições vieram provar, de entre várias coisas, que a cada vez o povo está mais democraticamente maduro do que os partidos políticos. Mudam os tempos, mudam as leis, muda a consciência dos cidadãos, mas os partidos políticos continuam os mesmos, suas acções permanecem iguais as do passado, ineficientes. É incompreensível que partidos políticos não consigam fazer a coisa básica como obedecer à lei nas suas reclamações sobre as eleições. Os partidos estão conscientes da partidarização das instituições do Estado e que por via disso osseus recursos podem ser chumbados se falharem num único detalhe na instrução do processo.Ainda não
jan 01 2020
A ILUSÃO DA ROUPA BRANCA
Boas vindas ao ano 2020. Tenho fé que transitamos todos com novas energias e forças para “lutar” por um Moçambique sempre melhor e apostado na promoção da Paz e Reconciliação nacional. O costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário não é nada novo. Existe há mais de 4 mil anos. Mas, naquela época, em vez de um “ano” novo, a passagem do tempo era contada pelas estações do ano. O primeiro povo a celebrar a festa de passagem teria sido o da Mesopotâmia, área que corresponde hoje aos territórios de Iraque, Kuwait, Síria e Turquia. Por dependerem da agricultura para sobreviver, eles celebravam o fim do inverno e início da primavera, época em que se iniciava uma nova safra de plantação. Com isso, a festa de passagem dos mesopotâmicos não se dava na noite do dia 31 de Dezembro para 1º de Janeiro, mas sim do dia 22 para o 23 de Março, data do início da primavera no Hemisfério Norte. Foi somente com a introdução de um novo calendário no Ocidente, em 1582 – o calendário gregoriano, adoptado pelo Papa Gregório XIII no lugar do calendário Juliano – que o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de Janeiro. Assim como acontece nas comemorações de Ano Novo actualmente, as celebrações de passagem também representavam Esperança. Já o termo Réveillon, usado em várias partes do mundo para descrever a festa de véspera de Ano Novo, é mais recente: surgiu no século XVII, na França, e representava festas da nobreza que duravam a noite toda. A palavra Réveillon deriva do verbo “acordar” em francês. No século XIX, essas festas foram adoptadas pela nobreza de outros lugares do mundo. Nestas ocasiões de passagem de ano, muitas famílias (supostamente urbanas e civilizadas) gastam mares e rios de dinheiro em compras de bebidas alcoólicas e roupas diversificadas. Provavelmente, você também faz o mesmo para mudar o seu look e aposto que na transição do ano usou roupa branca. Mas você sabe por que as pessoas escolhem roupa branca no Réveillon? As pessoas anseiam pela Paz. E esta (Paz) é simbolicamente representada pela cor branca. Assim, usar roupas brancas na festa de Ano Novo tornou-se comum porque as pessoas associam essa cor com harmonia, calma e Paz. Por essa razão, as barracas, restaurantes, passeios das estradas e avenidas, os bairros etc. no último dia do ano, ficam repletos de pessoas vestidas de branco. Por outro lado, pessoas há que julgam que a roupa branca representa a purificação espiritual. Aliás, a cor branca transmite pureza. Além disso, o branco é a união de todas as cores. Quando vemos essa cor, pensamos em inocência e esperança. Assim, ela se tornou ideal para trazer sensações que, psicologicamente, nos livram das “energias pesadas”, dissabores, espíritos impuros e nos dão forças para começar coisas novas. Por conta disso, acredita-se que usar roupa branca no Ano Novo traz protecção contra conflitos nos próximos 12 meses do ano. Portanto, pensa-se que usando roupa branca no Réveillon as pessoas terão um ano repleto de harmonia. Ou seja, nada de traições no relacionamento, brigas no lar e desentendimentos na família e stress no trabalho. Essa é a cor que traz a tranquilidade e renovação de energias positivas na vida. Mas isso não é ilusão dos sentidos? É a cor de roupa que muda a vida? Enganam-se os que pensam que por se vestirem de branco atraem a Paz para ano inteiro. É preciso mudar de atitudes. Deixar de fazer o mal e praticar o bem. Deixar guerras para promover a Paz. Deixar ódios para semear o amor. Deixar vinganças para espalhar solidariedade e compreensão. Deixar brigas e disseminar entendimento e diálogo. Assim, o que muda uma pessoa não é aquilo que ela veste ou come. Conheço muitas pessoas que vivem no luxo mas o coração é selvagem; pessoas com muito dinheiro mas comem “minhocas”; camas torneadas mas os donos vivem com insónia; casais aparentemente felizes, mas vivendo um autêntico inferno. Conheço pessoas simplíssimas, morando em casas de capim, alimentando-se de Karakata, mas felizes do mundo. Logo, a felicidade, a alegria, as energias positivas, o lar abençoado, o trabalho bem sucedido dependerão do modo como você pensa e age diariamente. Já li no livro “O Segredo” que semelhante atrai semelhante. Ou seja, quem pensa negativo e alimenta isso como a única regra que norteia sua vida tudo lhe cairá negativo. Mas quem pensa positivo e age positivamente, investe todas suas energias nisso, consequentemente atrai o positivo para si. Deste modo, para este novo ano não basta a roupa branca que você trajou na transição do ano. Sente-se, planifique-se, decida-se, deixe-se interpelar, mude-se e avance com PERSISTÊNCIA. Cruzar os braços face ao primeiro obstáculo não resolve os problemas do seu lar, do seu sector de trabalho, do seu relacionamento, dos seus propósitos. Outrossim, se você quer mudar o mundo em sua volta, comece mudando a si em primeiro lugar. Eu percebo que, às vezes, os problemas se agudizam porque descarregamos tudo no outro. É preciso ler os problemas que se tem como se fosse num espelho. Isto é, quem cria problemas no seu trabalho não é o seu director; quem começa com brigas no seu lar não é o seu marido/esposa; quem impede o desenvolvimento do país não são os governantes. Deixe de culpar os outros. Em nenhum espelho se reflecte outra imagem senão a minha própria imagem se for eu a me espelhar. Mude o seu coração, o seu pensamento, as suas acções e tudo será branco e reluzente. Se apenas mudar de roupa e não mudar o coração vai-se iludir e passará a vida pensando que o azar lhe persegue e que nasceu para sofrer. Mas não é esse o propósito de Deus. Todos nós nascemos para viver felizes. Não alimente ilusões; não viva de aparências. Seja você mesmo e acredite no seu potencial. Por Kant de Voronha, in Anatomia dos Factos
dez 29 2019
Festa da Sagrada Família
Festa da Sagrada Família Sir. 3, 3-17; Cl. 3, 12-21; Mt. 2, 13-15.19-23 O Filho de Deus cresce numa família humana Deus preparou uma família adequada para que o seu Filho, enquanto homem, pudesse crescer harmoniosamente. É na família que todos aprendemos a ser pessoas de bem. A primeira leitura fala dos deveres dos filhos para com os pais. Mas, como é que um pai pode merecer respeito, se com frequência se embebeda, gasta o dinheiro sozinho e maltrata a família, cria problemas com os vizinhos e não se mostra responsável em nenhum trabalho? Nas nossas comunidades não há muitas situações dessas? Não basta casar na Igreja para formar um bom casal. É necessário criar espaço para o diálogo sobre as questões familiares, deixar cada um de fazer o que lhe apetece, partilhar os trabalhos, compreender e perdoar as fraquezas um do outro e saber apreciar o que o outro tem de bom. É importante também saber oferecer a Deus o marido, a esposa e os filhos que temos, como fizeram Maria e José com Jesus. Colocando nas mãos de Deus os que nos são queridos, asseguramos o nosso amor por eles. A comunidade cristã é uma família. Tal como os pais têm tendência a castigar severamente os filhos descomandados, também a comunidade cristã tende a pôr fora os seus filhos que se comportam mal, abandonando-os ao seu descontrolo. Isso não é bom. Bom é oferecer à pessoa fraca um clima de confiança que a anime a vencer as suas fraquezas. É preciso ser fortes nas exigências que propiciam a mudança mas, ao mesmo tempo, usar de muita paciência e acompanhar a pessoa com muito amor, de modo que ela possa reerguer a sua vida. A Igreja deve-se considerar a si mesma como um hospital onde os que já foram curados tomam conta dos que estão convalescentes e a recuperar dos seus pecados e não como um clube de santos que expulsam os pecadores.
dez 25 2019
Festa do Nascimento de Jesus
Festa do Nascimento de Jesus Missa da noite: Is. 9, 2-7(1-6); Tt. 2, 11-14; Lc. 2, 1-14 Missa da Aurora: Is. 62, 11-12; Tt. 3, 4-7; Lc. 2, 15-20 Missa do Dia: Is. 52, 7-10; Hb. 1, 1-6; Jo. 1, 1-18 Acabou a noite: nasceu o dia! As leituras das celebrações de Natal falam da escuridão, do sofrimento e da morte que envolviam o mundo, antes do nascimento de Jesus. O Natal do Salvador é como se, inesperadamente, o sol começasse a nascer, transformando a noite em dia: é o princípio do fim do sofrimento, do luto e da tristeza. É o princípio do mundo novo! A transformação do mundo não acontece de repente, de um momento para o outro. Não é num instante que se muda um coração de pedra, num coração bondoso, compassivo e justo. Não é de repente que se mudam as estruturas injustas e corruptas de uma sociedade. Não é de um dia para o outro que se acaba uma guerra. Mas aquele que crê em Jesus já encontrou a forma de se ir libertando do mal, na medida da sua fé. É preciso ressaltar que nem todos se deixaram iluminar pela presença do Messias de Deus: os simples, os que não estavam agarrados a nada, porque nada tinham, os pastores, deixaram-se conquistar por essa luz e foram alegrados por ela: dirigiram-se para ela, adoraram-na e regressaram iluminados. Outros, como Herodes, agarrados ao poder e às riquezas, sentiram Jesus como uma ameaça. É que ele vem reforçar o direito e a justiça. Quem se tornou forte e enriqueceu sem respeitar o direito e a justiça olha para o Salvador como um inimigo. O Natal é festa de grande alegria porque, quem aceita Jesus e acredita nele torna-se, como ele, filho de Deus. O Filho de Deus fez-se Homem, para que todo o homem pudesse possuir a herança de Deus, a vida no amor, a vida que a morte não atinge. Deste modo é injetada na humanidade a vacina que cura o mal de Adão: o egoísmo. Abre-se assim, de novo, o paraíso e volta a esperança da felicidade para sempre.


