dez 22 2019
4º Domingo do Advento – Ano A
4º Domingo do Advento – Ano A Is. 7, 10-14; Rm. 1, 1-7; Mt. 1, 18-24 Jesus é o Emanuel: Deus connosco O rei Acaz sentiu-se ameaçado pelos seus inimigos e, embora fosse descendente de David, não quis confiar em Deus, que tinha prometido a David: o teu reinado não terá fim. Preferiu antes pedir ajuda a uma grande nação: a Assíria. O profeta Isaías vê nessa decisão um grande perigo: a Assíria viria ajudar mas, depois, colonizaria e tiraria a liberdade aos Israelitas, impondo a sua religião e as suas leis pagãs. Por isso diz ao rei que não tenha medo, que confie em Deus e não na Assíria, e até o desafia a pedir um sinal a Deus. Mas o rei não quis voltar atrás na sua decisão. Então o profeta diz ao rei porque é que deveria ter confiança: a sua jovem esposa (virgem) estava para ser mãe e, no seu filho, Deus iria mostrar a sua força, como Emanuel. O filho de Acaz, Ezequias, foi de facto um bom rei, mas não conseguiu evitar que as escolhas do pai levassem o povo para o exílio de Babilónia. No entanto a promessa de Deus ficou de pé. Uma outra jovem, Maria de Nazaré, seria a virgem que haveria de dar à luz o verdadeiro Emanuel. O nascimento daquele que, de verdade, seria ‘Deus connosco’ aconteceu de modo admirável. Foi gerado, não pela força de um homem, mas pela força de Deus. José era o esposo prometido a Maria, mas ainda não a tinha junto de si. Sendo justo, não queria ser de obstáculo à ação de Deus e, por isso, pensou em dispensar Maria do seu casamento. Deus, porém, fez-lhe compreender que ele não estava a mais na história. Sendo José da descendência de David, seria ele a dar o nome a Jesus, para que se cumprisse a promessa de que o Messias seria descendente de David. Todos somos importantes, como Maria e José, para permitir que Deus se torne o Emanuel do nosso povo.
dez 15 2019
3º Domingo do Advento – Ano A
3º Domingo do Advento – Ano A Is. 35, 1-10; Tg. 5, 7-10; Mt. 11, 2-11 És tu o Messias? João Batista imaginava o Messias como um novo Elias. O profeta Elias tinha tentado reconduzir o Povo outra vez para Deus e fez isso de forma violenta, matando várias centenas de profetas de Baal, que tinham arrastado Israel para a idolatria (1Re. 18,20-40). Por isso, é também de maneira violenta, com castigos severos, que o Batista pensava que o Messias iria fazer voltar para Deus os pecadores do seu tempo. Ele tinha tentado fazer isso com muitas ameaças. Mas sem grande resultado. Por isso ele diz: “Está a vir quem é mais poderoso do que eu” (Mat. 3,11), como que a ameaçar: haveis de ver o que vos vai acontecer! João deve ter ficado confuso quando viu que Jesus não usava o machado para cortar o mal pela raiz, não quebrava a cana rachada, não condenava os fracos, não queimava com fogo os pecadores, mas procurava transformar a vida deles e curava as suas doenças: punha os coxos a andar, os surdos a ouvir e os mudos a falar. Isaías já tinha profetizado que essa seria a atuação do Messias (Is.35, 4-6), mas João gostava mais da radicalidade de Elias. Quantos de nós também não gostaríamos que Deus fosse mais severo com tantos malandros, corruptos, ladrões, assassinos, que tanto mal fazem ao mundo? E ficamos desorientados com a paciência de Deus que, com tanta misericórdia, deixa andar o mundo cada vez pior! Afinal, que Deus é este? Tiago anima os cristãos a não desistirem, mesmo se parece que Deus não faz nada para os livrar do sofrimento e da opressão dos poderosos porque, a seu tempo, Ele há-de intervir. Do mesmo modo, de maneira pacífica, os cristãos também devem intervir na sociedade para a mudar e transformar, porque paciência não significa resignação. Diante dos impacientes, como João Baptista, Jesus mostra que o verdadeiro Messias está ao serviço das pessoas e não desanima perante a maldade delas, mas procura pegar no pouco de bom que elas têm para as animar a entrar num caminho novo. Ele não vem para condenar e castigar: vem como médico, para curar o mal. Os verdadeiros discípulos do Messias são aqueles que não se limitam a criticar e condenar o mal do mundo, mas se empenham a trabalhar para curar as causas da injustiça e da opressão.
dez 08 2019
2º Domingo de Advento – Ano A
2º Domingo de Advento – Ano A Is. 11, 1-10; Rm. 15, 4-9; Mt. 3, 1-12 “Convertei-vos… Mudai o vosso coração” Numa visão, como nos relata a 1ª leitura, o profeta Isaías vê gazelas ao lado de leões, crianças a brincar com víboras, vitelos a pastar com ursos bravos. Significado: com a chegada do Reino de Deus, as pessoas que antes não conseguiam sentar-se ao lado umas das outras, porque se odiavam e matavam, conseguem conviver em paz e tranquilidade. Isto é fácil de conseguir? Não, não é. Um coração cheio de orgulho, de egoísmo, de cobiça, de inveja, de ódio, de vingança não pode viver em paz com os outros. É impossível! Como conseguir, então? 1ª coisa: acreditar que, do tronco velho de Jessé – o pai de David – Deus pode fazer brotar um rebento novo. A Humanidade é um tronco velho, bichoso, podre, com muitos vícios, que cada um de nós também sente, em si mesmo. A ameaça do machado, feita pelo Batista, não é em vista do castigo, mas em vista da mudança de vida, fruto do Espírito trazido por Jesus, o Espírito que perdoa e dá nova vida. A Humanidade, sozinha, não pode produzir nada de bom, de justo, de alegre. Mas, dessa humanidade, com a colaboração de uma simples rapariga de Nazaré (Nova Eva), surge o Homem novo (Novo Adão): assim começa a Nova Criação, onde Deus volta a ser o dono do coração. E, quando Deus começa a ser dono do coração de uma pessoa, ela começa a ser capaz de perdoar, de querer bem e até de dar a vida pelos seus inimigos. Então, mudar o coração, como pede João Batista, é possível? Sim. Só é preciso acreditar que o caminho de Jesus é o caminho certo e segui-lo. Sim. Basta despir-se de interesses pessoais e partidários, como Jesus, nu, na Cruz e aprender com Ele a dar a vida por todos, com generosidade e alegria, sem favorecer só aqueles que nos apoiam. Cada um de nós, de tribos diferentes, do norte ou do sul, deste ou daquele partido, trabalhador ou patrão… está convidado a percorrer este mesmo caminho. É um caminho lento, de contínuas pequenas mudanças… e que exige perseverança porque, no Reino de Deus, vamos entrando aos poucos, confiados na misericórdia e no poder de Deus que, para isso, vem ao nosso encontro.
dez 01 2019
1º Domingo do Advento – Ano A
1º Domingo do Advento – Ano A Is. 2, 1-5; Rm. 13, 11-14; Mt. 24, 37-44 Estar atentos “às vindas” do Senhor Deus visita-nos muitas vezes mas, como no tempo de Noé, como quando os ladrões assaltam, como aconteceu quando Jerusalém foi destruída, nós somos apanhados de surpresa, não estamos preparados para O receber e perdemos a ocasião que poderia tornar a nossa vida numa vida espetacular. Imaginemos o caso de um pai que precisa muito de um emprego para sustentar a sua família. Um dia, um patrão vai à sua casa para o convidar para um trabalho bom, mas ele pai estava a beber nas barracas. Perdeu tudo! O Evangelho de hoje diz-nos que devemos estar sempre à espera, atentos, porque o Senhor vem, de facto, ao nosso encontro nas pessoas que nos ensinam, que nos amam, que nos dão ideias novas, que nos chocam com o seu sofrimento, que se sacrificam por um mundo sem guerras, sem fome, sem doenças. Quem não descobre que Jesus está e atua nessas pessoas perde a oportunidade de se encontrar com Ele e de ver a sua vida transformada. Pelo contrário, até se pode pôr contra Ele, só porque não estava à espera dEle e não O reconheceu. Paulo, na sua carta, fala das pessoas que só vêem trevas à sua volta e andam desanimadas. Se estivessem atentas e abrissem bem os olhos, poderiam descobrir tantos sinais luminosos que mostram um novo dia a despontar. Nós esperamos o Reino de Deus, mas ele já começou a brilhar no meio de nós, pela ação de Cristo e de tanta gente que O segue. O profeta Isaías fala do sonho de Deus de um mundo sem ódio e sem violência, em que as pessoas transformam as armas em utensílios que promovem o bem-estar de todos. Quando virá o dia em que os carros de combate transportarão comida, remédios, livros e tudo o que facilita o desenvolvimento? Quando é que os rendimentos do gaz, do petróleo, da agricultura, do turismo promoverão uma sociedade justa, sem desigualdades chocantes entre os muito ricos e os muito pobres? O profeta responde: Quando toda a gente se encaminhar para Jerusalém e subir ao monte do Senhor, isto é, quando toda a gente se orientar para Cristo e aceitar a sua Lei: o amor. Irmão(ã), esta é a proposta do Senhor para ti, neste Advento.
nov 29 2019
O PAIS DOS “OCULTOS”
O PAÍS DOS “OCULTOS“ Por Alberto António Carlos Moçambique é um país em franco desenvolvimento. Tem recursos que se invejam pelo mundo fora. Recursos da flora, recursos minerais, e, sobretudo petrolíferos, os quais mexem com o mundo. Desde a independência, o país passou por única governação mas com variadas manifestações. Tornou-se independente em fase crítica, economicamente e num preparativo humano/social. Quer dizer, faltava quase tudo e apenas havia liberdade colonial. Isso era o melhor ganho, o ganho dos moçambicanos. Repito “moçambicanos”. Porque todos moçambicanos estavam confortáveis pois sentiam que estavam libertos do poder opressor colonial, o colono português ou de suas influências. Esse era o desejo de todos os que se identificavam como moçambicanos. Há um dado importante neste assunto, talvez seja esse mesmo dado que se tenha esquecido da sua essência “libertar o país da opressão para o bem de todos”. Aqui não há espaço para discriminação. Neste trecho, se entendi, não dá oportunidade para certos grupos, como “o último ou o primeiro moçambicano” de certas personalidades. Portanto, tudo era para o bem-estar socioeconómico, cultural, etc, etc, de todos moçambicanos. O assunto torna-se complicado na medida em que o moçambicano particularizou as coisas colectivas. Na medida em que começou a usar muitas camisolas: camisola politica, camisola económica, social de entre outras cores que envenenam esta sociedade. Daí nasce o problema. O problema tem o nome de “EU”, tem o nome de “MEU”. Aquele plano comum começou a ganhar outras proporções, proporções que até certo ponto desmistificam o nosso ser. O particular substituiu as intenções da independência. A ganância pelos bens materiais confundiu ainda mais os moçambicanos. Me parece que logo que espreitamos a Europa para nos escolarizarmos transformamo-nos em colonos naturais. Tudo passou a necessidades mais pessoais em detrimento do comum. Até este ponto o assunto não estava grave mas não bem. Tudo se complica quando o país enche de coisas ocultas. Adianto a dizer que não importa a posição dos factos nesta descrição mas dos mesmos. O governo tem um desafio de implantar a paz verdadeira em todo país. Devem ser calados os insurgentes de Cabo Delgado e seus acólitos e discípulos. Já vão pelo menos dois anos que se morre de forma brutal, desumana, inaceitável nos distritos do norte da Província de Cabo Delgado. Quem mata? Porque mata? O governo que adquiriu meios para a vigilância do país, num valor muito elevado, não conhece? Os órgãos da justiça espalhados pelo país, os agentes de investigação dos secretos do Estado, igualmente dispersos pelo país, ainda não conseguem identificar os rostos desses criminosos? A polícia de protecção que se encontra em quase todos povoados do país, cai na mesma sorte de vista oculta. Todos com dever de esclarecer não o fazem porque estão penumbrados pelas vontades. Enquanto os inocentes morrem os jornalistas são presos, privados de exercer o seu dever. E quem prende é aquele que tinha de esclarecer o que acontece, como acontece, porque acontece. O alarme é de o facto estar a ganhar proporções elevadas. A sua evolução tende a arrastar-se a fronteiras não só distritais mas também provinciais. Devemo-nos preparar para travar eventual segunda guerra civil. Mas desta vez sem rosto do inimigo? Se for o caso, a quem o governo vai combater? Segundo: O país é orientado pela Assembleia da República, quer dizer, nada pode acontecer, sobre a gestão legal e económica do país, sem o consentimento daquele órgão. Afinal são os representantes do povo. E tudo realizado à sua margem é ilegal, é oculto. O engraçado é que há parlamentares que desafiam consigo mesmos. Defendem ilegalidades. São amigos da ilegalidade. Em suma, são ilegais, são ocultos. Aplaudem o erro porque têm benefícios nisso. Num momento em que o país espreita portas de desenvolvimento mais coisas ocultas enchem. Há indivíduos que se endividam e penhoram o país inteiro e o governo fica taciturno ainda com promessas de pagar a dívida com as divisas de hidrocarbonetos. Será uma tentativa de recuperar as desgraças e voar com duas asas?
nov 20 2019
“Não vos deixeis roubar a Esperança”
“Não vos deixeis roubar a Esperança” «A Conferencia Episcopal Moçambique (CEM) agradece todo o povo moçambicano que acolheu Papa Francisco tão calorosamente, desde os governantes, aos jovens que atentamente o escutaram: os tantos voluntários e pessoas que se envolveram nos diferentes serviços com disponibilidade e empenho, ate ao povo que se abeirou às ruas por onde o Papa passou e lhe manifestou o afecto que é capaz. Quem o acolheu, foi Moçambique! Façamos tesouro das palavras que o Papa Francisco nos dirigiu ao longo da sua visita: ˝Todos vós sois os construtores da obra mais bela a ser realizada: um futuro de paz e reconciliação como garantias do direito ao futuro dos vossos filhos˝…˝Guardai a esperança: não deixeis que vo-la roubem”… “Não deixar que interesses pessoais ou de grupos, intolerância ou vontade de vingança, roubem, particularmente aos jovens, o direito a um futuro de reconciliação e de paz em Moçambique˝. Obrigado, Papa Francisco. (Comunicado Conselho Permanente – CEM 25/9/19) A mais sangrenta de sempre! A Campanha eleitoral 2019 acabou revelando o lado obscuro da política dos País. Contamos com cerca de 36 vítimas, duas centenas de feridos (acidentes, de viação, agressões físicas, acidente durantes o show-micio em Nampula…) e cerca de 74 detidos, mais casas incendiadas, danificação de viaturas, motorizadas e bicicletas. O assassinato, na cidade de XAI XAI no dia 7/10 de Anastácio Matavel, membro da Sala da Paz, observador eleitoral e activista da sociedade civil, perpetrado por agentes da unidade especial da Polícia (como foi confirmado no dia 8/10 pelo porta-voz do Comando Geral da Polícia, Orlando Mudumane revelando que já foi criada uma comissão de inquérito especial para investigar no sucedido), criou um obstáculo intransponível à transparência das eleições e ao respeito pela participação dos cidadãos. O processo de apuramento parcial dos resultados eleitorais (até o dia 16/10) indica que a Frelimo e o seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, parecem estar a caminho da victória, que os partidos de oposição, definem como parcialmente “contaminada”. Enfim, estes resultados parciais indicam que será necessária uma grande responsabilidade e uma forte paixão, por parte dos vencedores, para fazer com que o País se sinta unido e “irmanado”, de Rovuma ao Maputo, procurando o bem-estar de todos os cidadãos conforme as promessas eleitorais.
set 04 2019
RASTOS DA VISITA PAPAL
RASTOS DA VISITA PAPAL Apos a visita de Papa Francisco à Moçambique e a sua carinhosa recepção por parte dos fiéis da Igreja Católica e de muitos outros, fazemos um balanço da visita a partir da conversa que o Papa teve com os jornalistas no avião na sua viagem de volta para Roma. Francisco levava na sua “bagagem de mão”, uns objectivos essenciais para o País, entre outros: a implementação duma paz duradoura, o cuidado com o meio ambiente, o diálogo inter-religioso e a visão de uma Igreja aberta e que se solidarize com as últimas fronteiras da sociedade num mundo globalizado, mas justo. Paz De facto, Ele nos disse: “Em Moçambique fui semear sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que tanto sofreu no passado recente por causa de um longo conflito armado e que na passada Primavera foi vítima de dois ciclones que causaram danos muito graves.” Depois, clamou perante as autoridades: “Não à violência que destrói, sim à paz e à reconciliação.” Papa Francisco reconheceu que o processo de paz foi fruto dum trabalho de conjunto com a comunidade internacional: “a reconciliação é o melhor caminho para enfrentar as dificuldades que tendes como Nação… Vós tendes uma missão valorosa e histórica a cumprir! Que não cessem os esforços, enquanto houver crianças e adolescentes sem educação, famílias sem tecto, operários sem trabalho, camponeses sem terra, de alcançar uma verdadeira reconciliação que os leva a esperança e a dignidade. Estas são as armas da paz.” Terra Mãe Certamente pensando no facto de Moçambique, entre 2001 e 2008, ter perdido 3 milhões de hectares de floresta — um total de 11% da sua área florestal (Madagáscar perdeu 3,63 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 21%), declarou que “A defesa da terra é também a defesa da vida, que reclama atenção especial quando se constata uma tendência à pilhagem e espoliação, guiada por uma ânsia de acumular que, em geral, não é cultivada sequer por pessoas que habitam estas terras, nem é motivada pelo bem comum do vosso povo. Uma cultura de paz implica um desenvolvimento produtivo, sustentável e inclusivo, onde cada moçambicano possa sentir que este país é seu, e no qual possa estabelecer relações de fraternidade e equidade com o seu vizinho e com tudo o que o rodeia”. Visita em Tempo oportuno Tendo observado que o Papa estava a visitar Moçambique preste a começar a campanha eleitoral, Francisco respondeu, já no avião, de regresso a Roma: “Não foi um erro, foi uma opção decidida livremente, porque a campanha eleitoral começou nestes dias e foi eclipsada pelo processo de paz. O importante era ajudar a consolidar este processo. E isto é mais importante do que uma campanha que ainda não começou. Ao fazer o balanço, é necessário consolidar o processo de paz. E também me reuni com os dois opositores políticos, para sublinhar que o importante era isso e não para animar o presidente, mas para sublinhar a unidade do país.” A sociedade civil Ao Papa foram endereçadas duas cartas por parte de algumas organizações da sociedade civil para o ajudar a fazer uma leitura atenta de Moçambique. … “As Organizações da Sociedade Civil, Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), o Centro de Integridade Pública (CIP) e o Observatório do Meio Rural (OMR), apresentam-lhe as melhores boas vindas a Moçambique… Na sua visita, Santo Padre, temos a esperança que haja meditação e que se reze a Deus para que a nossa Pátria retome caminhos da justiça, da democracia, do Estado de Direito, da defesa dos mais pobres num processo de desenvolvimento sustentável e socialmente cada vez mais justo e equitativo. As suas intervenções deverão assinalar um marco para que o Governo de Moçambique possa ser mais respeitoso, justo e com um modelo de desenvolvimento, com e para o Povo moçambicano, e não para uma elite minoritária as vezes corrupta”. Outra carta, assinada pela organização Amnistia Internacional e outras entidades, apresentava a situação dos direitos humanos no País e pediu ao papa Francisco para que “ a visita de sua Santidade a Moçambique possa representar uma genuína oportunidade para o Governo Moçambicano de reafirmar o próprio compromisso na defesa dos direitos humanos assim como está consagrada na Constituição da República”. Percorrendo os caminhos da Paz O Papa deixou-nos umas dicas para poder alcançar uma boa qualidade de vida: “Nós não devemos ser triunfalistas nestas coisas. O triunfo é a paz. Não temos o direito de ser triunfalistas, porque a paz ainda é frágil no seu país, tal como é frágil no mundo. A paz deve ser tratada da mesma forma como se tratam as coisas recém-nascidas, como as crianças, com muita, muita ternura, com muita delicadeza, com muito perdão, com muita paciência, para fazê-la crescer e ser robusta. É o triunfo do país: a paz é a vitória do país, é preciso entender isso… E isso vale para todos os países, que se destroem com a guerra. As guerras destroem, fazem perder tudo”. Pedimos a todos os homens e as mulheres de boa vontade de percorrer os caminhos da Paz para que todos os moçambicanos tenham uma vida digna e saudável.
6º Domingo da Páscoa
Act. 15, 1-2.22-29; Ap. 21, 10-14.22-23; Jo. 14, 23-29 O coração novo (o Espírito) de Jesus guia a Igreja Já víamos no Domingo passado que o coração de Jesus tem sentimentos diferentes dos nossos e que só entrando no seu modo de sentir e viver (o seu Espírito) se constrói a nova Jerusalém, a Igreja, a nova sociedade. Esta dispensa a luz do sol e da lua (a esperteza humana); basta-lhe o Cordeiro, como lâmpada (a sabedoria da cruz), como diz hoje o Apocalipse. No Evangelho, Jesus firma que quem O segue será amado por Deus e Deus habita nele. Que significa Deus “abitar” em alguém? Significa que alguém tem o Espírito de Jesus e, por isso, atua com um coração novo, vivendo na sociedade de acordo com a sabedoria de Jesus e não segundo os critérios egoístas do coração humano. Não é difícil de compreender que quem não respeita o marido ou a esposa, quem gasta o salário na bebida e deixa a família à fome, quem enriquece através da corrupção e do desvio dos bens públicos… não é habitado por Deus. A seguir Jesus promete o Espírito e chama-lhe o Consolador (Paráclito). Deus habita-nos para nos animar no caminho da entrega aos irmãos e para nos consolar quando erramos, de forma a não desanimarmos. “Função” do Espírito é ensinar, isto é, explicar melhor o que não compreendemos do ensino de Jesus, sobretudo para sabermos aplicar o Seu ensino às situações novas colocadas por situações novas ou pelos costumes culturais diferentes das pessoas que querem viver o Evangelho. Uma dessas situações é descrita na primeira leitura de hoje: os cristãos que não são judeus têm que se circuncidar como os judeus para serem baptizados? Podem comer carne de porco? Têm que cumprir todas as prescrições da religião judaica? Etc. Uns diziam que sim; outros que não. Nesta situação os Apóstolos decidem juntar-se para rezar, pedir a luz do Espírito Santo e dar uma resposta. No fim, sentem que a decisão que tomam, não é só deles: o Espírito de Jesus também participou, ensinando-lhes o caminho a seguir. Outra função do Espírito é recordar: entre tantas coisas que Jesus ensinou, é fácil pôr algumas de parte. O Espírito de Jesus não permite isso. Às vezes só nos interessam certas partes do Evangelho. Outras esquecemo-las de propósito porque não nos agradam. Isso não vem do Espírito Santo e mostra que nem sempre Lhe damos espaço de manobra.
5º Domingo da Páscoa
Act. 14, 20-26; Ap. 21, 1-5; Jo. 13, 31-35 Os novos céus e a nova terra Quando Judas sai do Cenáculo para iniciar todo o processo que levará Jesus até à morte na cruz é quando Jesus diz que chegou o momento da Sua glorificação. Segundo os nossos manuais de história, os heróis, os gloriosos são aqueles que venceram, nem que, para isso, tenham matado e maltratado os que consideravam “inimigos”. Jesus diz que a sua glória não está em destruir aqueles que lhe fazem mal, mas em dar a vida por eles. Quer dizer que, para Jesus, a glória não está em vencer: está em ser vencido. Lembramos que ele já tinha dito: “quem perder a vida por minha causa, ganhá-la-á” (Mt. 16,25). Neste render-se perante a violência e o mal está a grande vitória de Jesus. Esse render-se exige mais força e dignidade humana para dominar o poder do ódio e da vingança, do que deixar-se levar pela fúria da ira descontrolada. Quem, na sociedade, às vezes aparece como forte e poderoso, afinal pode ser muito fraco e desumano. É por essas e por outras que a justiça de Deus tantas vezes nos parece injusta. O misericordioso não é fraco: é um herói! Perdoar não é perder: é ter um coração grande! Lavar os pés aos irmãos não diminui a grandeza humana: aumenta-a! Trabalhar e sacrificar-se (na família, na sociedade, na Igreja) sem esperar agradecimentos ou recompensas não é empobrecer: é ficar mais rico! É precisamente quando morre que Jesus ressuscita! Esse é o mandamento novo, que não é imposto, mas nasce de um coração novo, no qual entrou o Espírito de Jesus. Não sei bem se eu, que sou padre, acredito muito nisto. Talvez acredite na teoria, mas na prática!?!… No entanto é assim que se constroem os novos céus e a nova terra, a nova Jerusalém, bela como a noiva no dia do seu casamento, de que fala o Apocalipse. Ela não se constrói com a minha mentalidade humana e mesquinha: ela desce do Alto; nasce do testemunho activo d’Aquele que veio de Deus. O mundo renovado é fruto da abnegação do Filho do Homem “que se humilhou até à morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou…” (Fil. 2, 8-9).
4º Domingo da Páscoa
Act.13, 14.43-52; Ap. 7, 9-17; Jo. 10,27-30 A alegria de morrer com Cristo O livro dos Actos conta hoje o que aconteceu a Paulo e a Bernabé em Antioquia da Pisídia. Depois de terem anunciado a Boa Notícia de Jesus, vencedor da morte, as pessoas ficaram entusiasmadas, mostrando a sua alegria em seguir Jesus e em ser por Ele libertadas da morte e de todos os males. Mas, uma semana depois, a situação muda completamente: embora os pagãos aderissem com alegria à fé, os judeus moveram uma perseguição terrível contra Paulo e Bernabé. Eles tiveram que fugir para Icónio e, depois, para Listra e Derbe. Aí, as coisas pioraram ainda mais: foram apedrejados e deixados meio mortos (Act. 14, 19). Embora se diga que os Apóstolos continuaram a pregar, felizes por sofrer pelo Evangelho, isso não tira que Paulo, (em 2Cor. 1, 8-9) diga que aqueles acontecimentos o chocaram muito, para além das suas forças. Os discípulos de Jesus são, aqui, alertados para o facto de que “é através de muitas tribulações que se entra no Reino dos Céus” (Act.14,22). Seguir Jesus não garante sucessos imediatos. De facto, o livro do Apocalipse, apresentando os participantes do banquete das bodas de casamento do Cordeiro imolado, protegidos pela mão do Altíssimo, diz que “eles são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro”. Quem deseja o céu (a felicidade) já sabe o caminho. Não vale a pena tentar outros atalhos mais fáceis. Seguir Jesus é bonito; a meta da caminhada é maravilhosa; beber na fonte das águas vivas é uma delícia, mas só lá chega quem assume as escolhas do Mestre, quem aceita ser cordeiro imolado, cuja vida é oferecida para o bem dos outros. Ali não há lugar para gente fechada nos próprios interesses. Não basta receber baptismo: é preciso viver o baptismo. Isso é ouvir a voz do Pastor.


