logo

jul 14 2021

Felizes os que choram, porque serão consolados

CARTA PASTORAL DE DOM INÁCIO SAURE O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, na sua Carta Pastoral para o ano pastoral de 2020/2021, com o lema: “Felizes os que choram, porque serão consolados” destaca várias reflexões ligadas a instabilidade de Pemba e os efeitos nefastos da pandemia do Coronavírus. Com efeito, na presente edição iremos partilhar parte dessas reflexões.   A voz do sangue do povo clama da terra até Deus Como outrora disse Deus a Caim, que matara seu irmão Abel, “a voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim” (Gn 4,10), Ele interpela hoje a consciência de todos os que matam seus irmãos na nossa terra, dizendo: a voz do sangue dos teus irmãos mortos e atirados como lixo no troço entre as aldeias de Nahipa e Napuri, em Corrane, no distrito de Meconta, a voz do sangue do povo de Cabo Delgado, de Manica e de Sofala, clama da terra até mim. Aos ouvidos dos nossos corações tem chegado, com um estrondoso ruído, o choro das mães que perderam seus filhos, das esposas que perderam seus maridos, dos netos que perderam seus avôs, em Cabo Delgado, ou vivem sem tecto, separados compulsivamente deles, em Nampula, Niassa, Zambézia e um pouco por quase todo o país (nº 4). As bem-aventuranças hoje A primeira palavra da pregação de Jesus é a Felicidade. As bem-aventuranças são o anúncio de felicidade, uma boa notícia e constituem uma espécie de resumo de todo o Evangelho (nº 9). O que há na proclamação das bem-aventuranças é a revelação de uma certa ideia de Deus: Deus encontra honra em tornar felizes, misteriosamente, aqueles que são privados de toda a felicidade. Se tu queres, tu podes ser feliz (nº 13).   O imperativo divino de consolar o povo Face à pandemia do Coronavírus, o mundo tornou-se como um barco que, depois de um forte embate contra um iceberg no alto mar, todos os passageiros, desprevenidos, entram em pânico face a um iminente naufrágio colectivo. Assim acontece no barco em que viaja hoje toda a humanidade: pequenos e grandes, todos, somos vulneráveis, todos podemos ser infectados pelo novo Coronavírus, pequenos e grandes. O novo Coronavírus mudou o nosso modo de viver, mudou o curso da história (nº 16). Infelizmente, também Moçambique não escapa da lista dos países africanos que, depois da independência, uma minoria enriqueceu-se explorando a maioria pobre através da corrupção e da injustiça social. Podemos imaginar que filho nasceu do casamento da dona corrupção moçambicana com o senhor mundial Coronavírus, matrimónio contraído ao som da música do ribombar das armas do terrorismo que fustiga Cabo Delgado desde 5 de Outubro de 2017 e da guerra (fratricida?) no centro do país (Manica e Sofala)? É um autêntico monstro (nº 19).   Vai tu e faz também o mesmo Vai tu consolar o povo de Deus. O povo caiu nas mãos dos salteadores, que continuam a despojá-lo, humilhá-lo, enche-lo de pancadas, abandona-lo meio morto e, não raras vezes, cadavérico, em Cabo Delgado, Manica, Sofala e em Nampula também. É preciso abrir os olhos do coração para ver as assimetrias e/ou exclusões sociais, os abandonos da parte dos membros da nossa comunidade cristã ou da sociedade, para curar as feridas das vítimas destas graveis ofensas à dignidade do homem e do próprio criador. Consolemos os nossos irmãos deslocados internos. Para isso, é preciso conhecer os deslocados para os compreender. Convido todos os diocesanos a procurar ir ao encontro dos deslocados, para entrar em contacto pessoal com eles, para os conhecer. Não bastam os números vistos na TV ou ouvidos na Rádio, nas redes sociais. Os deslocados não são números (realidades abstractas), são pessoas, que é preciso ver, conhecer e amá-las de verdade (nº 21).   Efeitos devastadores da pandemia do novo Coronavírus O tempo do confinamento que vivemos por conta da pandemia da Covid-19 e o actual estado de Calamidade são extremamente difíceis para todos. Ninguém estava previamente preparado para isso. O estado de emergência e a situação de calamidade pública são experiências novas para todos. Por isso, o futuro assume hoje uma imprevisibilidade de magnitude sem precedentes. Perante tal futuro desconhecido, importa estarmos atentos à leitura dos sinais dos tempos, à luz da fé e da histórica sabedoria cristã. Devemos partir com determinação para a implementação de iniciativas pastorais corajosas, ousadas. Chegou o tempo de não procurarmos a sobrevivência sozinhos (nº 21, e).   Não se deixar inquietar por nada Chegou o tempo de não nos deixar inquietar por estar nem abaixo nem acima dos outros, porque todos somos irmãos, como no-lo ensinou o Senhor Jesus e nos Lembra o Papa Francisco na sua carta encíclica Frateli Tutti (todos irmãos), ao afirmar que precisamos de construir “uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde nasceu ou habita” (FT, nº 1).   Jovens não desistais de ser jovens A pandemia do novo Coronavírus ditou o adiamento, por tempo indeterminado, da clebração da 2ª Jornada Nacional da Juventude, que devia ter acontecido de 12 a 16 de Agosto de 2020, com o tema: “Encontrámos o Messias (Jo 1,24). Acompanhar os jovens na Igreja e na Sociedade hoje”. O grande desejo de os jovens se encontrarem para, juntos e à luz da fé, construírem pondes de amizade, de esperança, de fraternidade, de solidariedade e de paz em Moçambique, com um olhar solidário ao mundo inteiro, prevalece. Ao Comité Organizador Local do evento, a boa vontade de servir os jovens não falta. Infelizmente, o Coronavírus continua teimoso a devastar o mundo e Moçambique também (nº 23). Concomitantemente, a guerra vai alastrando-se em Cabo Delgado e nas províncias de Manica e Sofala. Segundo os dados tornados públicos, mais de duas mil pessoas morreram da guerra em curso em Cabo Delgado, 53 das quais eram jovens na aldeia de Xitaxi, distrito de Muidumbe (nº 24). Jovens, há ainda uma esperança de futuro para vós, porque em Cristo não há causas perdidas. Convido-vos, portanto, a

jul 12 2021

LINEAMENTA “REAVIVAR O ANÚNCIO E O TESTEMUNHO DA PALAVRA DE DEUS HOJE”

CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE       IVª ASSEMBLEIA NACIONAL DE PASTORAL           “REAVIVAR O ANÚNCIO E O TESTEMUNHO DA PALAVRA DE DEUS HOJE”     LINEAMENTA Lineamenta IVª ASSEMBLEIA NACIONAL DE PASTORAL Texto Final MAPUTO, 2021   “Em todos os baptizados, desde o primeiro ao último, actua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar…  Em virtude do Baptismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização, e seria inapropriado  pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas acções. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos baptizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização…” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 119-120)   APRESENTAÇÃO Caríssimos Irmãos e Irmãs A Igreja Católica em Moçambique, alicerçada e inspirada na sua história e caminhada eclesial prepara-se para celebrar a IVa Assembleia Nacional de Pastoral (IVªANP). Ontem como hoje, à luz da Palavra de Deus, queremos perceber os sinais dos tempos e acompanhar o Povo Moçambicano nas suas vicissitudes políticas, sociais, económicas e religiosas. As três Assembleias Nacionais de Pastoral (ANP) – a IªANP na Beira (1977) sobre as comunidades ministeriais; a IIª ANP sobre a consolidação da Igreja local, na Matola (1991); e a IIIª ANP sobre a evangelização, também na Matola (2005) – constituem momentos fortes desse trabalho de discernimento dos sinais dos tempos e de acompanhamento do Povo Moçambicano nos seus variados momentos. Há naturalmente uma linha de continuidade entre as três Assembleias que mostra a unidade do caminho da Igreja local, mas cada uma enfatizou aspectos próprios como forma de responder aos desafios concretos que cada contexto lançava para a missão evangelizadora da Igreja em Moçambique. A IVª Assembleia de Nacional de Pastoral, a realizar-se em 2023, sob o lema “Reavivar o Anúncio e o Testemunho da Palavra de Deus Hoje”, cuja preparação estamos a iniciar, insere-se na pegada das anteriores Assembleias Pastorais procurando responder aos desafios pastorais do tempo actual.   A IVª Assembleia Nacional de Pastoral terá 2 fases: 1ª Fase: Fase Preparatória: 2021-2022 -Janeiro 2021: Constituição da Comissão Diocesana de preparação da IVa ANP -Janeiro-Fevereiro 2021: Tradução do texto dos Lineamenta nas línguas locais -Páscoa 2021: Entrega do documento dos Lineamenta às paróquias e comunidades -Abril-Agosto 2021: Estudo dos Lineamenta nas paróquias e comunidades -Setembro-Outubro 2021: Assembleias Paroquiais -Outubro 2021-Abril 2022: Assembleias Diocesanas e escolha dos Delegados à IVª ANP Agosto 2022: Assembleias das Províncias Eclesiásticas: Estudo dos contributos aosLineamenta e síntese Setembro-Outubro 2022: Preparação do Instrumento de Trabalho da IVª ANP Novembro 2022: Apresentação do Instrumento de Trabalho na IIª Plenária da CEM   2ª Fase: Fase Celebrativa: 2023 Maio 2023: Celebração da IVa ANP Apresentação dos Lineamenta da IVª ANP Para ajudar o caminho de preparação da IVa Assembleia Nacional de Pastoral, a Conferência Episcopal de Moçambique preparou um Documento Preparatório que se chama LINEAMENTA (Linhas gerais) que agora apresentamos às comunidades cristãs e a todos os fiéis católicos.   Qual é o objectivo do documento dos Lineamenta? O objectivo é encorajar e animartodos os agentes de pastoral a participar na reflexão para que se possa discutir, fazer um inventário pastoral e apresentar propostas de actuação.  Qual a função do documento dos Lineamenta? -Ajudar a reflexão das Comunidades cristãs, Paróquias e Dioceses sobre os temas da IVa ANP. -Fazer uma análise da situação, no plano da Igreja e da sociedade em geral. -Buscar uma fundamentação teológica que abra pistas às iniciativas a propor à Igreja em Moçambique.   Qual o contéudo dos Lineamenta? Estrutura: -Leitura da realidade -Fundamentação Teológica -Propostas Operativas -Perguntas para a reflexão e partilha   Quais são os temas dos Lineamenta? O temas propostos e desenvolvidos nos Lineamenta são os seguintes: I.Missão: Ser Igreja em Saída, decidamente Missionária II.Diálogo entre o Evangelho e a Cultura III.Catequese e formação cristã IV.Pastoral da Família V.Pastoral Juvenil VI.Os Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades VII.O Desafio das Seitas e resposta pastoral VIII.O Cristão e o compromisso social em Moçambique IX.Auto-sustentabilidade da Igreja Local X.Os desafios do mundo digital para a Igreja e para a evangelização.   Qual a metodologia de trabalho? Cada Diocese deve nomear uma Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP a qual é responsável pela animação do trabalho de preparação da Assembleia na Diocese. Como primeiro trabalho, recomenda-se a tradução do texto dos Lineamenta nas principais linguas locais em uso na Diocese para uma melhor compreensão por parte de todos os intervenientes na reflexão e partilha a nível de comunidade cristã e paróquia. Os Lineamenta serão estudados primeiro nas comunidades cristãs e nas zonas pastorais, devendo-se dar resposta às perguntas referentes aos temas. Em seguida, cada Paróquia, numa especial assembleia pastoral, fará a partilha e síntese das propostas apresentadas. A sintese diocesana das resposta aos Lineamenta será realizada pela Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP. Esta é uma proposta de caminho metodológico que pode ser adaptado à realidade e às necessidades locais.O mais importante é que esta fase de preparação a nível diocesano permita fazer um inventário da situação pastoral local (luzes e sombras) e apresente propostas pastorais pertinentes.   Conclusão Caríssimos Irmãos e Irmãs Com a preparação e celebração da IVa Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) queremos fazer juntos uma experiência de ESCUTA, DISCERNIMENTO e COMUNHÃO ECLESIAL que coloque todo o Povo de Deus (fiéis católicos) a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo o Moçambique.A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça RUMOS DE ACÇÃO COMUM para uma pastoral de conjunto.Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar LINHAS PASTORAIS COMUNS, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral. Bom trabalho.  

jul 12 2021

Viver e testemunhar a Esperança nos momentos difíceis

Pela redacção Os bispos católicos de Moçambique reiteram asua preocupação pelas tribulações que abalam a sociedade moçambicana. Reunidos em sessão ordinária, de 9 a 14 de Novembro, da Assembleia plenária da Conferência Episcopal de Moçambique, os bispos apelam à esperança, face ao recrudescimento da guerra em Cabo Delgado e centro do país e “de outras formas de violência, raptos, criminalidade e violação dos direitos humanos” sem esquecer a pandemia do Coronavírus. Por outro lado, os bispos insistem na necessidade de fortalecer as instituições caritativas da Igreja como forma de direccionarem todo o seu trabalho na mitigação do drama de Cabo Delgado que já soma mais de 2000 mortos e 600.000 deslocados para várias províncias de Moçambique. À luz disso, o Papa Francisco expressou a sua proximidade e solicitude doando para os deslocados um valor de 100.000,00 Euros.   Análise da situação social do país Mergulhados em várias crises, a análise da situação social do país é negativa. Por essa razão, para um maior desenvolvimento social, os bispos exigem que se tome como prioridade a educação a todos os níveis, recuperar com urgência a memória histórica de Moçambique como passo indispensável para a reconciliação nacional verdadeira. Com efeito, “é responsabilidade de todos e de cada um trabalhar para sair das actuais crises”. No ponto concernente aos Seminários de formação sacerdotal, o Comunicado da CEM dá destaque a nomeação do Padre Pinto Tene Rabiana, como Reitor do Seminário São Pio X; o reforço das equipas formadoras com mais sacerdotes e a retomada da formação em todos os seminários no ano de 2021 e a conclusão das obras de construção do Seminário Filosófico São Carlos Lwanga.   IV Assembleia Nacional de Pastoral O Comunicado que temos vindo a citar aponta que a IV Assembleia Nacional de Pastoral terá como tema: “Reavivar o anúncio e o testemunho da Palavra de Deus hoje”. Assim, o povo de Deus está convidado a viver e participar nesse evento eclesial por meio da oração e do estudo dos lineamenta, que são o ponto de partida para a reflexão e estudo dos temas a vários níveis: comunidades, paróquias, dioceses.   Relação Institucional Igreja-Governo A Igreja Católica, em Moçambique, continua aberta paracolaborar na “educação cívica e moral dos jovens, educação para a paz e reconciliação, o combate à pobreza”. Entretanto, os bispos mostram-se preocupados com as situações ligadas à “renovação dos DIREs, à entrada dos novos missionários, a retomada dos cultos e a lei da liberdade religiosa”.   O DIA MUNDIAL DOS DIREITOS HUMANOS «Celebrámos no dia 10 de Dezembro, o dia Internacional dos Direitos Humanos. O terrorismo em Cabo Delgado e os ataques na zona centro (Províncias de Manica e Sofala) são actos que atentam contra a dignidade da pessoa humana, colocando em causa os direitos humanos. Perante estes factos, e vários outros cenários de violação dos direitos humanos em todos cantos do nosso País, nós, a Comissão Episcopal de Justiça e Paz juntamente com as Comissões Diocesanas de Justiça e Paz da Igreja Católica em Moçambique, queremos manifestar o nosso apoio e solidariedade a todos aqueles que, tando no mundo como, de modo particular, no nosso país, se esforçam em proteger e promover a dignidade da pessoa humana, como fundamento dos direitos humanos». (Comissão Episcopal de Justiça e Paz)  

jun 28 2021

IV ASSEMBLEIA NACIONAL DA PASTORAL

A caminho da IV ANP A Igreja Católica, em Moçambique, no seguimento do trabalho de discernimento dos sinais dos tempos e de acompanhamento do povo moçambicano nos seus variados momentos, vai realizar em 2023 a IVª Assembleia Nacional de Pastoral (ANP) sob o lema “Reavivar o Anúncio e o Testemunho da Palavra de Deus Hoje”, cuja preparação estamos a iniciar, insere-se na pegada das anteriores Assembleias Pastorais procurando responder aos desafios pastorais do tempo actual. A Iª ANP realizou-se em 1977 na Beira sobre as comunidades ministeriais; em seguida, em 1991 decorreu a IIª ANP sobre a consolidação da Igreja local, na Matola; e no ano de 2005 realizou-se a IIIª ANP sobre a Evangelização, também na Matola. Como forma de animar as comunidades na preparação e participação activa deste evento da nossa igreja, a Vida Nova vai oferecer, a partir desta edição, os textos dos Lineamenta (Linhas gerais) destacando os vários temas aflorados pelo documento.   Participar é fundamental A iniciativa da preparação e celebração da IVª Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) visa criar uma experiência conjunta de escuta, discernimento e comunhão eclesial que coloque todo o Povo de Deus a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo Moçambique. A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça rumos de acção comum para uma pastoral de conjunto. Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar linhas pastorais comuns, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral.   Qual é o objectivo do documento dos Lineamenta? O objectivo é encorajar e animar todos os agentes de pastoral a participar na reflexão para que se possa discutir, fazer um inventário pastoral e apresentar propostas de actuação. Qual a função do documento dos Lineamenta? -Ajudar a reflexão das Comunidades cristãs, Paróquias e Dioceses sobre os temas da IVa ANP. -Fazer uma análise da situação, no plano da Igreja e da sociedade em geral. -Buscar uma fundamentação teológica que abra pistas às iniciativas a propor à Igreja em Moçambique.   Qual o conteúdo dos Lineamenta? Estrutura: -Leitura da realidade -Fundamentação Teológica -Propostas Operativas -Perguntas para a reflexão e partilha   Quais são os temas dos Lineamenta? Os temas propostos e desenvolvidos nos Lineamenta são os seguintes: Missão: Ser Igreja em Saída, decididamente Missionária Diálogo entre o Evangelho e a Cultura III. Catequese e formação cristã Pastoral da Família Pastoral Juvenil Os Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades VII. O Desafio das Seitas e resposta pastoral VIII. O Cristão e o compromisso social em Moçambique Auto-sustentabilidade da Igreja Local Os desafios do mundo digital para a Igreja e para a evangelização.   Qual a metodologia de trabalho? Cada Diocese deve nomear uma Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP a qual é responsável pela animação do trabalho de preparação da Assembleia na Diocese. Como primeiro trabalho, recomenda-se a tradução do texto dos Lineamenta nas principais línguas locais em uso na Diocese para uma melhor compreensão por parte de todos os intervenientes na reflexão e partilha a nível da comunidade cristã e paróquia. Os Lineamenta serão estudados primeiro nas comunidades cristãs e nas zonas pastorais, devendo-se dar resposta às perguntas referentes aos temas. Em seguida, cada Paróquia, numa especial assembleia pastoral, fará a partilha e síntese das propostas apresentadas. A síntese diocesana das respostas aos Lineamenta será realizada pela Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP. O mais importante nesta fase de preparação a nível diocesano é fazer um inventário da situação pastoral local (luzes e sombras) e apresente propostas pastorais pertinentes.   Missão: ser uma igreja em saída, decididamente missionária As pequenas comunidades cristãs ministeriais, sobretudo depois da Iª Assembleia Nacional de Pastoral (1977), ajudaram a Igreja em Moçambique a ser uma Igreja de base e de comunhão, “uma Igreja família, de serviços recíprocos, livremente oferecidos, uma Igreja no coração do povo que a faz sua, inserida nas realidades humanas e fermento da sociedade” (Ia ANP, n.1). As nossas paróquias são uma rede de comunidades, e assim conseguimos passar corajosamente de uma pastoral de manutenção para uma pastoral decididamente missionária.   Leitura da realidade A Igreja Católica em Moçambique, fruto da evangelização que remonta há cinco séculos, é por sua natureza missionária. Nos dias de hoje nota-se o enfraquecimento do espírito e dinamismo missionário nos evangelizadores e comunidades cristãs. A Igreja local moçambicana, perante os desafios da sociedade actual, tem a necessidade urgente de ser mais irradiante, apostólica, missionária. Para isso, é necessário organizar no contexto actual todas as nossas forças em vista de uma missão evangelizadora directa, abrangente, incisiva, generosa, audaz e à altura das necessidades. Trata-se do anúncio corajoso da Palavra de Deus que é acompanhado pelo testemunho de uma vida dedicada e de boas obras (Cf. At 4,29). Devemos, pois, aceitar o grande desafio que o Papa Francisco coloca a cada um de nós, na sua visita apostólica a Moçambique, no dia 5 de Setembro de 2019, na Catedral de Maputo: “A vossa vocação é evangelizar; a vocação da Igreja é evangelizar; a identidade da Igreja é evangelizar”. Ele nos convida a todos a sermos ousados e criativos na evangelização. Trata-se de colocar a Missão de Jesus no coração da própria Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia das nossas estruturas, os resultados do nosso trabalho, o nosso empenho de evangelizadores e a alegria que somos capazes de suscitar nos outros, porque sem alegria não se atrai ninguém.   Fundamentação teológica O Papa Francisco tem proposto no seu ensinamento a imagem de uma “Igreja em saída”, mobiliza-nos para uma acção comprometida com a evangelização dos povos, insiste em afirmar que a missão fundamental da Igreja é o anúncio do Evangelho (Cf. Evangelii Gaudium, 20-24). De facto, a Igreja Católica é por essência uma comunidade missionária. Continua e prolonga a comunidade apostólica, instituída por Cristo para anunciar a Mensagem (Mc 16, 15). Nascida da Palavra de Deus acha-se a serviço desta Palavra (Cf. 1 Cor 9,

jun 28 2021

CAJUNA continua erguida para apoiar os deslocados de Cabo Delgado

Por Kant de Voronha A Coordenadora da Comissão Arquidiocesana da Juventude, Irmã Francinete Ribeiro, considera que os jovens nunca ficaram parados durante a vigência do Decreto Presidencial que ordenou o encerramento das celebrações e encontros públicos. A fonte falava na margem do término da formação da CAJUNA havida no último Sábado, 26/6, no Centro Catequético Paulo VI de Anchilo. Mesmo a meio de muitos desafios sobretudo as restrições do número de participantes, os jovens abraçam o trabalho com os deslocados apoiando-os na construção de tendas em Corrane, acolhimento, escuta e difusão radiofónica de programas de apelo à solidariedade para com os necessitados. “Foi um desafio, como CAJUNA, durante esse tempo que não podíamos visitar as comunidades nem as regiões, mas abraçamos o trabalho com os deslocados. Procuramos apoiar com aquilo que os jovens podiam e podem: construção de tendas em Corrane, acolhimento, escuta e difusão radiofónica de programas de apelo à solidariedade para com os necessitados”, apontou. Para além de doação de si próprios e seus bens, os jovens da CAJUNA introduziram recentemente o programa de alfabetização para os deslocados em coordenação com o Governo e várias entidades religiosas. A nossa fonte apela aos jovens e deslocados que não se sintam sozinhos e isolados. Que se faça trabalhos de reintegração da juventude nas comunidades e nas paróquias. “Vemos nestes dias que um grande número de jovens abandonou a igreja e estão por aí. Que possa haver esse trabalho de reintegração. Saibamos ir ao encontro e escutar os jovens”.

jun 28 2021

“Nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra”

Por Kant de Voronha O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, considera que a Fé e a Esperança em Deus devem ser os pilares que sustentam os jovens em tempos de incerteza. Pois “Nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra”. O prelado falava na manhã do último sábado em mensagem, áudio, enviada a partir da Itália, por ocasião da formação promovida pela Comissão Arquidiocesana da Juventude (CAJUNA). Dom Inácio encoraja os jovens a não se deixar abalar pelas adversidades da guerra e as incertezas da Covid-19. “Nós temos não só uma esperança, mas também temos uma certeza: Deus! Jovens, Deus está convosco, Deus está connosco. Por isso, nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra. A última palavra pertence a Deus” Dom Inácio referiu ainda que o Dicastério para os leigos, a família e a vida, da Santa Sé anunciou a mudança da celebração da Jornada Mundial da Juventude, nas Arquidioceses e Dioceses, do Domingo de Ramos para o Domingo de Cristo Rei do Universo. É seu desejo que a primeira data a celebrar-se em Novembro próximo seja um verdadeiro momento de festa juvenil e reencontro de quantos almejam construir o Reino de Deus. “Que Cristo seja, na verdade, o vosso Rei, o Rei da juventude e sereis verdadeiramente felizes. Desde já marco um grande encontro convosco para celebrarmos o dia mundial da juventude na solenidade de Cristo Rei do Universo nos dias 20 e 21 de Novembro que vem. Quero que a primeira Jornada Mundial da Juventude seja verdadeiramente uma experiência de encontro, de amizade e de fraternidade universal”, exortou Dom Inácio. De salientar que a formação da CAJUNA teve como tema “ESPERANÇA E FÉ DOS JOVENS EM TEMPO DE INCERTEZA. Jovens lancem as vossas redes para outra margem (Mc,5.35-41)”.

jun 28 2021

Juventude da Arquidiocese de Nampula reflecte sobre o terrorismo que se abate sobre cabo Delgado e a Covid-19

Por Kant de Voronha Terminou no último sábado, 26/6, em Anchilo a formação de 3 dias que juntou cerca de 35 jovens da Comissão Arquidiocesana da Juventude (CAJUNA) oriundos das 5 regiões pastorais de Nampula. Sobre o tema “ESPERANÇA E FÉ DOS JOVENS EM TEMPO DE INCERTEZA. Jovens lancem as vossas redes para outra margem (Mc,5.35-41)” o encontrou serviu para reflectir em torno do terrorismo em Cabo Delgado e a situação de pandemia que assola o mundo e Moçambique em particular. A Coordenadora da CAJUNA, Irmã Francinete Ribeiro, enalteceu a partilha de ideias levada a cabo pelos jovens e espera que haja repercussão disso nas paróquias como forma de revitalizar a pastoral juvenil esmorecida em virtude das incidências da Covid-19. “Saimos daqui com algo novo e diferente. Que os temas abordados possam penetrar na consciência de cada um deixando-se iluminar pela Palavra de Deus. Os jovens partilharam suas experiências e desafios”, referiu a fonte. Francinete mostra-se motivada a redesenhar a pastoral juvenil para adaptar-se ao ritmo do contexto pandémico para oferecer novo vigor a partir da realidade da juventude. “Mesmo que se tenha este tempo de pequenos números, nós queremos voltar o trabalho com as regiões e nas paróquias. E trabalhar os mesmos temas a partir da realidade dos jovens. Abraçar algo novo na vida e fazer com que eles se sintam capazes de lançar as redes”, declarou. Alguns jovens que participaram da formação comprometem-se a fazer réplica dos conteúdos recebidos nas suas paróquias e regiões paróquias como forma revitalizar os jovens e motiva-los a trabalhar incansavelmente. Refira-se que o encontro de três dias abordou também alguns temas a saber: Diálogo inter-religioso neste tempo de desafio e esperança. O que fazer como jovem? (Documento do Papa Francisco Fratellituti) O que é a CAJUNA (pastoral juvenil Actividades realizadas neste tempo). Tempo para quem deseja ser escutado Disponível para o serviço de escuta Laudato SI Nova organização da pastoral na Arquidiocese de Nampula Como viver a nossa afectividade e sexualidade neste tempo de provações de maneira integrada

jun 21 2021

Génese do Coral da Região da cidade marcada por discriminação e incompreensões

Por Kant de Voronha Passados 5 anos desde a constituição e primeira animação litúrgica do Grupo Coral da Região Pastoral da Cidade de Nampula, ficam memórias de discriminação e incompreensões. A informação foi partilhada no último Domingo (20/06) pela respectiva Coordenadora, Felicite Nsipanil Luvuezo, a margem da celebração dos 5 anos de fundação, no Seminário Filosófico São Carlos Lwanga. A fonte referiu que o coral nasce como iniciativa do Arcebispo Emérito de Nampula, Dom Tomé Makhwéliha, com objectivo de animar grandes eventos arquidiocesanos como ordenações e outras cerimónias lirúrgico-pastorais. “O nosso grupo nasce a 19 de Junho de 2016 na ordenação Sacerdotal dos padres Jeremias, Raça e Chuva. Não foi tão fácil permanecer até chegar a comemorar estes 5 anos. As tempestades não faltaram. No início houve discriminação porque diziam que o grupo não podia ser coordenado por uma estrangeira. Mesmo assim não desanimei até este dia” referiu Luvuezo. Como perspectivas para o futuro, o Coral da Cidade pretende gravar um CD e compilar um livro à semelhança de Niwipele Apwiya da Diocese de Nacala. Felicite diz que o grupo carece de uma sede onde os membros se possam reunir, conservar seu material e realizar as suas actividades livremente. “Gostaria que os nossos Bispos junto com os padres ajudassem o grupo a ter um lugar onde possa guardar seu material, realizar seus ensaios e outras actividades”. O Coordenador Arquidiocesano de Liturgia em Nampula, o Pe. Jeremias do Rosário, no seu discurso por ocasião da Missa de 5 anos da sua turma manifestou gratidão pelas orações de quantos acompanham os passos do exercício ministerial do seu grupo presbiteral. Pe clérigo destacou ainda o sofrimento por que passa o Pe Agostinho Chuva que há dois anos sofreu agressão por desconhecidos em sua Paróquia, em Namitória, tendo sido submetido a uma cirurgia na cabeça e encontra-se em convalescença. “Agradecemos aos nossos Bispos que nos acolhem. Ao Pe Alberto Ferreiro que nos acompanhou durante o nosso retiro espiritual. Rezamos insistentemente ao nosso confrade PE Agostinho, estamos em comunhão e oração”. Refira-se que o grupo Coral da Região Pastoral da cidade de Nampula é composto por cristãos oriundos das Paróquias da Sé Catedral, São José, São João Baptista do Marrere, São Pedro de Napipine, Santa Maria, Nossa Senhora da Paz, Santa Isabel, São Francisco Xavier e Santa Cruz.

maio 11 2021

O Ecumenismo e unidade dos cristãos

Por Pe. Massimo Robol Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo 15,5) Este ano, a Comunidade monástica de Grandchamp, na Suíça, preparou o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que pode ser celebrada de 18 a 25 de Janeiro ou na semana que antecede a Festa de Pentecostes. As Irmãs da comunidade suíça, fundada na década de 1930, provenientes de diferentes países e tradições cristãs, foram responsáveis pelas reflexões, desenvolvendo o tema: “Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo 15,5). O encontro preparatório para a elaboração do material para a Semana de Oração, contou com a presença de membros do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, do Conselho Ecuménico das Igrejas e da Comunidade monástica de Grandchamp. O tema da Semana de Oração, escolhido pelas Irmãs, permitiu às religiosas de compartilhar a experiência da sua vida contemplativa e falar do fruto desta oração: uma comunhão mais profunda com os seus irmãos e irmãs em Cristo, e uma maior solidariedade com toda a criação. O material elaborado baseia-se em três pilares: oração, vida comunitária e hospitalidade. Eles são articulados como um apelo a permanecer em Cristo a fim de se aproximar dos outros e superar as divisões entre os cristãos. É Jesus que nos convida a deixar a sua Palavra habitar em nós, para que qualquer pedido que fizermos seja atendido. Como cristãos, como Igreja, desejamos unir-nos a Cristo para cumprir o seu mandamento de amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. Isto, sabendo que aproximar-se dos outros, viver em comunhão com outras pessoas, às vezes muito diferentes de nós, é um desafio. Num contexto ecuménico, a actual proliferação de muitas igrejas livres, igrejas pentecostais e seitas é um fenómeno que deve ser levado a sério. Estima-se que em Moçambique se encontrem mais de mil igrejas que não estão registadas. As que têm aval para exercer a sua actividade religiosa são de igual número! Infelizmente, a finalidade de muitas destas denominações cristãs é mais material do que espiritual. A pobreza e o momento difícil por que o país passa está a criar espaço para que as igrejas livres e as seitas prosperem. Sem tirar o desejo de encontro pessoal com Deus e da procura da sua ajuda, que animam os cristãos em geral, corre-se o risco que os crentes de muitas destas igrejas e seitas se tornem simples “consumidores” de produtos sagrados, “consumidores” de milagres, para conseguir melhorar as suas condições de vida. O Governo de Moçambique está a preparar uma legislação para enfrentar esta situação. Actualmente, está em fase de auscultação pública a nova proposta de Lei sobre a liberdade religiosa, de crença e de culto, à qual todos deveríamos poder dar um contributo construtivo. Porém isso é só parte da solução. De facto, perante estes novos desafios, o nosso esforço ecuménico pela unidade visível dos cristãos encontra-se numa encruzilhada. A experiência mostra que o processo ecuménico deve ser sustentado pela prática da vida e da fé dos próprios cristãos. Actualmente, o principal problema do ecumenismo é a sua fraca recepção por parte de muitas igrejas e confissões cristãs. Há ainda uma certa indiferença, incompatibilidade e desconfiança entre os próprios cristãos. Certamente, os esforços de aproximação e reconciliação custam e exigem sacrifícios, mas sempre sustentados pela oração de Cristo que deseja que sejamos um, como Ele está com o Pai, para que o mundo creia. Na véspera da sua paixão e morte, Jesus Cristo reza pelos seus discípulos, para que “sejam um só” (Jo 17,21). Esta oração é considerada a base do movimento ecuménico e, ao mesmo tempo explica o que é o ecumenismo. As palavras de Jesus não são uma ordem, um mandamento, uma regra, mas uma oração. Portanto, nós não podemos programar, organizar, nem conceber e construir a unidade de acordo com as nossas ideias e desejos. Podemos dizer que não existe uma Igreja mantida unida pela “cola”, porque a unidade que Jesus pede é uma graça de Deus e um compromisso de todos os cristãos. É preciso, então, dar espaço ao Espírito para que cada um possa ser transformado. Talvez seja o caso que todas as igrejas e denominações cristãs parem de andar à volta de si próprias, da sua hierarquia, dos seus pregadores, da sua estrutura, para que se fale cada vez mais de Deus, do seu amor, da sua misericórdia e da salvação de toda a humanidade em Cristo. Não podemos esquecer que, como cristãos, vivemos também numa criação que geme enquanto espera ser libertada: permanecendo em Cristo, pode-se receber a força e a sabedoria para agir contra estruturas de injustiça e opressão, para nos reconhecer plenamente como irmãos e irmãs em humanidade, e ser artífices de uma nova maneira de viver em respeito e comunhão com toda a Criação. Espiritualidade e solidariedade estão inseparavelmente unidas. Oração e acção devem estar juntas. Quando permanecemos em Cristo, recebemos o Espírito de coragem e sabedoria para acolhermos uns aos outros, favorecendo um clima de reconciliação, esperança e paz.

maio 10 2021

A CATEQUESE EM TEMPO DE CORONAVÍRUS

Por Pe. Jeremias do Rosário Em Dois mil e vinte atravessámos um ano atípico no âmbito civil bem como na linha da pastoral da igreja. O mundo inteiro viveu um grande susto e a nível dos serviços civis uma enorme mudança no ritmo dos trabalhos quotidianos. Toda esta conjuntura fez-nos viver novos tempos e novas experiências de vida.   Efeitos do Coronavírus Na dimensão da fé também se notou um certo retardamento e paralisação no que diz respeito as celebrações em comunidade, encontros de catequese e reuniões de outras formações. Como é do conhecimento de muitos cristãos, sem catequese na igreja não há novos filhos de Deus, a igreja de Cristo não cresce, por isso Jesus disse em Mateus 28,19-20: “ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo”. Diante deste mandato, bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, catequistas e todos os baptizados, todos estes arautos da boa nova viram-se com dificuldades de como ir ao encontro dos catecúmenos e catequizandos de várias etapas devido às medidas propostas para prevenção do Coronavírus. Neste contexto, ouviam-se gritos de pessoas com pouca fé afirmando: “este é o tempo para o demónio governar”. Entretanto, Deus que é Sabio e Omnipotente não permitiu tal acontecimento. Foi assim que muitas famílias incentivaram a igreja família durante o tempo da pandemia. Foi assim que vimos muitas famílias reunidas não apenas aos domingos mas mesmo em dias lectivos rezando o terço, celebrando e partilhando a Palavra de Deus, fazendo orações invocando o fim da pandemia e a retoma da vida normal. Não foram raras vezes que ouvimos, passando pelos bairros, cristãos fervorosos afirmando “nós nunca ouvimos dizer que as igrejas fecham. Ninguém deve fechar portas a Deus”. Estas palavras confirmam o testemunho tão grande de fé do povo cristão, que sem medo ia para o meio da mata e la fazia as suas catequeses e pregação da Palavra uns aos outros. Porém, com a origem da pandemia alguns cristãos viram um tempo de graça e de intervalo para não rezar, não frequentar a catequese, não participar das missas, não fazer os trabalhos da igreja, em suma tais cristãos tinham em suas mentes que a igreja já acabou.   O novo normal pastoral No contexto dum novo normal, a igreja ainda tem um grande desafio para a área da catequese grupal visto que ainda não se proclamou o fim total e completo da pandemia. Daí que a igreja deverá ainda estudar métodos e estratégias para fornecer a formação catequética dos seus membros. Importa referir que algumas igrejas usam os meios de comunicação social como: a radio comunitária, revistas e jornais, para fazer passar a mensagem cristã aos seus fiéis. A igreja precisa de um grande trabalho para ir em busca das ovelhas perdidas durante o período do Coronavírus, com novas estratégias de pastoral como acima referimos. O povo espera muito das palavras consoladoras da igreja nestes momentos tão cruéis em que o nosso país atravessa: a pandemia do Coronavírus, antecedida de dois ciclones IDAI e Kenneth e dois conflitos do centro e norte do país.   Exigências dos novos tempos O povo precisa de um novo modelo de catequese e de novos profetas preparados especificamente na linguagem destes problemas. Por isso é urgente que os agentes da pastoral catequética e as equipas missionárias de várias dioceses se empenhem na formação face aos problemas de hoje. Pregadores de hoje sejam os verdadeiros profetas que vão à realidade do povo que sofre a fim de dar uma esperança viva a toda esta gente, a exemplo de Jesus Cristo que foi bom pastor e que teve compaixão do seu povo. Os catequistas precisam de ir ao encontro das ovelhas sofredoras e falar-lhes do sentido da fé e dá vida. Como sabemos, a Palavra de Deus não se encerra numa capela, antes pelo contrário, ela ecoa no mundo e o Espírito Santo a leva onde quer que seja e fá-la chegar a toda a gente.   O valor da catequese A catequese é um meio de formação para os crentes. Sem ela a nossa comunidade eclesial é fraca e não tem futuros profetas; sem ela os sacramentos tornam-se apenas momentos de diversão. Daí a necessidade de fortificar a formação catequética mesmo em tempos difíceis da história da igreja. Precisamos de pastores incansáveis e que amam a Palavra de Deus, pastores que proclamem sem medo nem receio face as censuras da vida sociopolítica. Nesta hora precisamos de catequistas corajosos e que se entregam sem medida, que proclamam a verdade e a justiça. Catequistas que denunciam as injustiças e não catequistas mudos, embebidos com o medo. Precisamos de catequistas sérios que se doam no anúncio da mensagem cristã com dedicação. Se assim for, então teremos uma igreja viva e forte e nenhuma força do inferno prevalecerá contra ela. A catequese faz a comunidade cristã ou seja a catequese faz a igreja. Deste modo, os seus membros devem ser bem formados para que não deixem desmoronar esta igreja. Pois, cristãos bem formados na fé nada e ninguém lhes engana.   Formação sólida na fé Face aos falsos profetas dos nossos dias precisamos de uma sólida formação na fé em Jesus Cristo mas também em matérias da vida da igreja e da defesa da sua soberania como uma instituição terrena e celestial. Os cristãos bem formados na fé conseguem ler os sinais dos tempos e os protagonistas dessa boa formação são os agentes da pastoral catequética. Os cristãos bem formados na fé são membros bem esclarecidos a respeito da fé da sua própria comunidade e também em relação às outras designações religiosas cristãs e não cristãs. Os cristãos bem formados são também tolerantes em relação à vivência de fé das outras confissões religiosas. Por isso, as autoridades eclesiais e os agentes da pastoral catequética se esforcem em formar os seus cristãos na fé e também os preparem para saberem

Nossa Localização

© 2025 Revista Vida Nova – Propriedade do Centro Catequético de Anchilo. Todos os direitos reservados.