jul 15 2020
DEUS É PAI E MÃE AO MESMO TEMPO
DEUS É PAI E MÃE AO MESMO TEMPO (Is. 49, 14-15; 1Cor. 4, 1-5; Mat. 6, 24-34) Nos tempos do profeta Isaías, quando um marido rejeitasse a mulher, já não podia voltar a recebê-la na sua casa. Ou se um pai expulsasse um filho de casa, ele ficava amaldiçoado para sempre e não podia recebê-lo de novo. Depois da derrota e destruição de Jerusalém (quando o povo foi levado preso para Babilónia) Israel sentiu que Deus o tinha amaldiçoado e expulso de casa. Por isso a 1ª leitura de hoje começa dizendo: “O Senhor abandonou-me de vez; o Senhor esqueceu-se de mim”. Vejam qual foi a resposta de Deus: “Pode uma mãe esquecer aquele que cresceu na sua barriga”? Afinal, Deus é muito diferente daquilo que nós pensamos! No Evangelho, Jesus diz que Deus ama tanto os ricos como os pobres. Por amar os ricos é que Jesus procura abrir-lhes os olhos para o perigo que eles correm, agarrando-se ao dinheiro mais do que a Deus. É que o dinheiro pode tornar-se num deus falso (ídolo). Quem ama a Deus acima de tudo usa o dinheiro para ajudar os pobres. Aos pobres, Jesus aconselha que confiem em Deus e fiquem calmos, nos momentos de dificuldade. Confiar não é um convite à resignação ou à preguiça, mas a pensar com calma o que fazer, sabendo que Deus abençoa os esforços dos que nele confiam. Ricos e pobres, a viver juntos o amor de Deus, podem-se ajudar muito uns aos outros.
jul 15 2020
SER SANTOS COMO DEUS É SANTO
SER SANTOS COMO DEUS É SANTO (Lev.19, 1-2.17-18; 1Cor. 3, 16-23; Mat. 5, 38-48) “Santo” em hebraico quer dizer “separado”. Deus, no A.T. é chamado “santo” porque é completamente diferente de tudo o que existe. Vive num mundo à parte, no céu, ou no lugar muito reservado do Templo de Jerusalém. Por isso, os Israelitas achavam que, para serem santos, não podiam misturar-se com outros povos e culturas. Tinham que viver separados, para não se contaminarem. No entanto o livro do Levítico já fala de uma santidade que consiste em não guardar ódio nem rancor contra o irmão e em amar o outro como cada um se ama a si mesmo. Mas, como no Evangelho do Domingo passado, Jesus pede mais aos seus seguidores: não basta amar (não odiar) os irmãos da própria família ou da própria nação. É preciso amar a todos, mesmo os inimigos. Também considera que não é bom punir o criminoso com a mesma violência que ele cometeu (olho por olho, dente por dente), porque violência gera mais violência. Se alguém te bate numa face, não lhe pagues com a mesma moeda. Não respondas. Desse modo a violência acaba ali. Isso é o que significa oferecer a outra face.
jul 15 2020
A antiga Lei é boa, mas não é suficiente
A antiga Lei é boa, mas não é suficiente (Ecl. 15, 16-21; 1Cor. 2,6-10; 5, 17-37) Diante da Lei de Moisés é fácil comportarmo-nos como escravos: cumprimos só o que está exigido, por medo do castigo. A Lei também só impõe o mínimo que se deve fazer para não receber castigo, mas não estimula a liberdade para amar sem limites. Só o Espírito de Jesus abre novas possibilidades para fazer mais e melhor – como nos ensina o Evangelho de hoje. E a liberdade leva-nos a assumir as nossas responsabilidades no bem ou no mal que escolhemos fazer, com todas as suas consequências – como diz a primeira leitura. Jesus cumpriu tudo o que mandava a Lei de Moisés, mas com um espírito novo, com um coração super generoso. Por isso é que qualquer cristão precisa de interpretar a Lei (e todo o Antigo Testamento) não à letra, mas à luz de Jesus. Cuidado, então, para não pensar que estamos a fazer o bem, quando não. Não é verdade que muitas vezes ficamos tranquilos depois de cometer adultério, depois de roubar, depois de dizer mentiras, só porque ninguém descobriu o mal que fizemos? Isso é liberdade? Isso é responsabilidade? Será que já somos bons por não matarmos nem roubarmos, por não faltarmos à missa nem andarmos com a mulher do vizinho? Será que Jesus se contentou em fazer só isso? Não deu ele a vida por aqueles que o maltratavam? Talvez não seja questão de arrancar um olho ou de cortar uma mão, mas o coração ainda precisa de mudar muito.
jul 15 2020
Qual é o papel do cristão no mundo?
Qual é o papel do cristão no mundo? Por Pe José Júlio Marques Para responder a esta pergunta, o Evangelho de Mateus usa duas comparações: o sal e a luz. Uma das coisas que o sal faz é dar sabor à comida. Neste caso, o sal significa a sabedoria de Deus que dá sentido à vida. O cristão “salgado” aprendeu de Jesus que a vida não acaba neste mundo, mas desemboca na vida eterna. Esta começa já neste mundo, na vida de quem ama. O sal tem outra função: não deixar que a carne ou o peixe apodreçam. O cristão “salgado” tem a missão de impedir que a sociedade caia na corrupção e nos vícios: imoralidade, ódios, vinganças, violências, ofensas, calúnias… Mas, não é verdade que há muitos cristãos corruptos e metidos nos vícios? Claro! Esses são como o sal que perdeu a força. São batizados, mas não vivem segundo de acordo com a maneira de ser de Jesus. A outra comparação é a da luz: função da luz é mostrar as coisas. A luz não se vê: faz ver o que está à nossa volta. Dizer que o cristão é luz significa que, nas boas obras que tenta praticar, ele faz ver que o verdadeiro autor delas é Deus, que atua nele. O cristão “iluminado” não atrai as atenções para si, mas para Aquele que trabalha nele. Se as obras do cristão não falam de Deus e não O mostram ao mundo, para que o mundo creia e O louve, é um cristão “apagado”.
jul 15 2020
CENTRO CATEQUÉTICO “PAULO VI” DO ANCHILO
CENTRO CATEQUÉTICO “PAULO VI” DO ANCHILO “50 anos ao serviço da evangelização” Por Pe Massimo Robol O Centro Catequético “Paulo VI” foi idealizado como uma estrutura polivalente que funcionaria também como Centro Pastoral. A ideia de um Centro Catequético Diocesano datava de meados de 1968, mas só se tornou realidade em Janeiro de 1969, quando na reunião da Conferência Episcopal, realizada no Seminário de S. Pio X em Maputo, foi proposta a criação de três Centros Catequéticos: um no Norte para aquelas que são agora as Dioceses de Nampula, Lichinga e Pemba; outro no Centro para Beira, Quelimane e Tete e outro no Sul para as Dioceses de Inhambane, Xai-Xai e Maputo. Contudo, só na “Semana de Pastoral” realizada em Nampula a finais de Julho e início de Agosto de 1969 é que foi proposta definitivamente a criação de um Centro Catequético e de um Centro Pastoral. A proposta tornou-se realidade a 14 de Setembro do mesmo ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, com o decreto do Bispo da Diocese de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto.Ele idealizava o Centro Catequético como motor de arranque para uma pastoral encarnada no povo e caraterizada pela participação ativa dos leigos. Para a coordenação das várias atividades do Centro, pensou-se numa equipa intercongregacional, com a presença dos Missionários Combonianos, da Sociedade Missionária (Boa Nova), das Irmãs da Apresentação de Maria, das Irmãs Vitorianas, das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima e das Irmãs Missionárias Combonianas. O Pe. Graziano Castellari, missionário comboniano, primeiro director do Centro, numa entrevista, recordava que os objectivos do Anchilo constituíram uma autêntica “profecia do futuro”.Ele sublinhava a importância“da formação de leigos que assumissem a responsabilidade do crescimento desta Igreja e descobrissem as formas particulares e próprias de uma Igreja enraizada na própria cultura e no próprio povo. Naquele momento o Centro Catequético movia-se em três dimensões: catequistas, inculturação, liturgia. Cada uma destas três opções era um grande capítulo… Catequistas como sujeitos próprios de evangelização, e não simples delegados. Estudo da própria cultura e preparação dos novos missionários para amarem e respeitarem esta cultura, como um novo Belém onde Cristo continuava a incarnar-se. Colocar na mão dos cristãos a Palavra e a celebração dominical”. Como opção pastoral, foi dada prioridade:à Palavra de Deus traduzida em lingua macua; à catequese com conteúdos atentos aos sinais dos tempos; à reorganização do caminho catecumenal; à caridade; à justiça epaz e à formação na Doutrina Social da Igreja; à liturgia; à organização das pequenas comunidades cristãs; à informação; à pastoral da saúde e à prevenção das doenças; ao diálogo com o Islão e com a religião tradicional; ao ecumenismo; à iniciação tradicional em contexto cristão. O primeiro curso de dois anos para catequistas e suas esposas iniciou em 1970. No mesmo ano, foi fundado, no Centro Catequético do Anchilo, o Centro de Adaptação Missionária. O objectivo era preparar os missionários para o trabalho pastoral, através do estudo da língua, história, crenças religiosas, usos e costumes do povo macua, da história do país e da Igreja moçambicana, e das linhas da pastoral diocesana. A 3 de Janeiro de 1971, fez-se o lançamento da primeira pedra do bairro dos catequistas. O projecto previa a construção de 40 casas. Anchilo podia igualmente valer-se de um instrumento privilegiado de formação, informação e difusão das novas diretivas de renovação eclesial: a revista Vida Nova, fundada emMeconta, em 1960, com o nome de Boa Nova, por obra dos Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova). Quando foi aberto o Centro Catequético no Anchilo, a revista passou a ser alí editada, com o atual nomeVida Nova.Em breve tempo tornou-se um importante meio de comunicação para os cristãos. Os assuntos foram desde o princípio temas bíblicos, de catequese, de formação cristã, de liturgia, de promoção da mulher, de justiça e paz, de educação, contando sempre com a participação ativa dos leitores através de cartas e contribuições pessoais enviadas à revista.Ao longo destes 60 anos de actividade, na revista Vida Nova sucederam-se vários directores, os Padres: Graziano Castellari, Cornélio Prandina, Francisco Antonini, Pier Maria Mazzola, António Bonato, João de Deus Martinez González, António Manuel Constantino Bogaio, Tiago Palagi, Victor Hugo Garcia Ulloa. Atualmente, a equipa de redação é composta pelo Pe.António Bonato, missionário comboniano e Pe. Cantífula de Castro, do clero diocesano de Nampula. Importantes colaboradoras foram também as Irmãs Missionárias Combonianas: Pina Scanziani, Daniela Maccari e Marcela Moncayo. Posteriormente, colaboraram na revista as Irmãs de Nossa Senhora da Paz e Misericórdia: Deolinda Maria Edmundo Pires,Aida Gonçalves do Rosário e Natália José Toqueleque. Lembramos também a figura do Ir. Edgar Costa Marques, dos Missionários da Boa Nova, pelo incansável trabalho de impressão da Vida Nova. Juntamente com a revista, conquistaram também grande importância as edições do mesmo Centro. Foram imprimidos em língua macua textos sagrados e devocionais, catecismos e documentos da Igreja e subsídios para os vários ministérios das comunidades cristãs. Principal organizador destas traduções foi o Pe. Gino Centis, coadjuvado por alguns colaboradores, entre os quais os Padres Ambrogio Reggiori, Cornélio Prandina, Pier Maria Mazzola e o Sr. Daniel Sitora, que merece um agradecimento particular, pela sua dedicação e fidelidade ao serviço do Centro. Entretanto, nasceu tambémo Centro de Saúde do Anchilo, para responder às necessidades de assistência sanitária das famílias dos catequistas em formação. Em seguida, esta assistência estendeu-se também às populações vizinhas. O Centro de Saúde contou desde o princípio com a presença das Irmãs Missionárias Combonianas, entre as quais merecem um particular agradecimento as Irmãs Giulia Costa, Maria Pedron, Laura Malnati e Gabriella Visentin, que garantiram um apóio solícito e constante à população local. O Centro Catequético tornou-se um ponto de referência para a pastoral da Diocese, graças à presença e ao trabalho incansável de muitos missionários, missionárias e leigos comprometidos que colaboraram nas várias actividades e âmbitos de trabalho próprios desta realidade diocesana. No que diz resepito ao Centro Catequético, desde 1969 até 1975 estiveram presentes os Padres da Sociedade Missionária (Boa Nova): Pe. José Maria Luís da Silva, Pe. António Pires Prata e Pe. José dos
set 04 2019
RASTOS DA VISITA PAPAL
RASTOS DA VISITA PAPAL Apos a visita de Papa Francisco à Moçambique e a sua carinhosa recepção por parte dos fiéis da Igreja Católica e de muitos outros, fazemos um balanço da visita a partir da conversa que o Papa teve com os jornalistas no avião na sua viagem de volta para Roma. Francisco levava na sua “bagagem de mão”, uns objectivos essenciais para o País, entre outros: a implementação duma paz duradoura, o cuidado com o meio ambiente, o diálogo inter-religioso e a visão de uma Igreja aberta e que se solidarize com as últimas fronteiras da sociedade num mundo globalizado, mas justo. Paz De facto, Ele nos disse: “Em Moçambique fui semear sementes de esperança, paz e reconciliação numa terra que tanto sofreu no passado recente por causa de um longo conflito armado e que na passada Primavera foi vítima de dois ciclones que causaram danos muito graves.” Depois, clamou perante as autoridades: “Não à violência que destrói, sim à paz e à reconciliação.” Papa Francisco reconheceu que o processo de paz foi fruto dum trabalho de conjunto com a comunidade internacional: “a reconciliação é o melhor caminho para enfrentar as dificuldades que tendes como Nação… Vós tendes uma missão valorosa e histórica a cumprir! Que não cessem os esforços, enquanto houver crianças e adolescentes sem educação, famílias sem tecto, operários sem trabalho, camponeses sem terra, de alcançar uma verdadeira reconciliação que os leva a esperança e a dignidade. Estas são as armas da paz.” Terra Mãe Certamente pensando no facto de Moçambique, entre 2001 e 2008, ter perdido 3 milhões de hectares de floresta — um total de 11% da sua área florestal (Madagáscar perdeu 3,63 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 21%), declarou que “A defesa da terra é também a defesa da vida, que reclama atenção especial quando se constata uma tendência à pilhagem e espoliação, guiada por uma ânsia de acumular que, em geral, não é cultivada sequer por pessoas que habitam estas terras, nem é motivada pelo bem comum do vosso povo. Uma cultura de paz implica um desenvolvimento produtivo, sustentável e inclusivo, onde cada moçambicano possa sentir que este país é seu, e no qual possa estabelecer relações de fraternidade e equidade com o seu vizinho e com tudo o que o rodeia”. Visita em Tempo oportuno Tendo observado que o Papa estava a visitar Moçambique preste a começar a campanha eleitoral, Francisco respondeu, já no avião, de regresso a Roma: “Não foi um erro, foi uma opção decidida livremente, porque a campanha eleitoral começou nestes dias e foi eclipsada pelo processo de paz. O importante era ajudar a consolidar este processo. E isto é mais importante do que uma campanha que ainda não começou. Ao fazer o balanço, é necessário consolidar o processo de paz. E também me reuni com os dois opositores políticos, para sublinhar que o importante era isso e não para animar o presidente, mas para sublinhar a unidade do país.” A sociedade civil Ao Papa foram endereçadas duas cartas por parte de algumas organizações da sociedade civil para o ajudar a fazer uma leitura atenta de Moçambique. … “As Organizações da Sociedade Civil, Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), o Centro de Integridade Pública (CIP) e o Observatório do Meio Rural (OMR), apresentam-lhe as melhores boas vindas a Moçambique… Na sua visita, Santo Padre, temos a esperança que haja meditação e que se reze a Deus para que a nossa Pátria retome caminhos da justiça, da democracia, do Estado de Direito, da defesa dos mais pobres num processo de desenvolvimento sustentável e socialmente cada vez mais justo e equitativo. As suas intervenções deverão assinalar um marco para que o Governo de Moçambique possa ser mais respeitoso, justo e com um modelo de desenvolvimento, com e para o Povo moçambicano, e não para uma elite minoritária as vezes corrupta”. Outra carta, assinada pela organização Amnistia Internacional e outras entidades, apresentava a situação dos direitos humanos no País e pediu ao papa Francisco para que “ a visita de sua Santidade a Moçambique possa representar uma genuína oportunidade para o Governo Moçambicano de reafirmar o próprio compromisso na defesa dos direitos humanos assim como está consagrada na Constituição da República”. Percorrendo os caminhos da Paz O Papa deixou-nos umas dicas para poder alcançar uma boa qualidade de vida: “Nós não devemos ser triunfalistas nestas coisas. O triunfo é a paz. Não temos o direito de ser triunfalistas, porque a paz ainda é frágil no seu país, tal como é frágil no mundo. A paz deve ser tratada da mesma forma como se tratam as coisas recém-nascidas, como as crianças, com muita, muita ternura, com muita delicadeza, com muito perdão, com muita paciência, para fazê-la crescer e ser robusta. É o triunfo do país: a paz é a vitória do país, é preciso entender isso… E isso vale para todos os países, que se destroem com a guerra. As guerras destroem, fazem perder tudo”. Pedimos a todos os homens e as mulheres de boa vontade de percorrer os caminhos da Paz para que todos os moçambicanos tenham uma vida digna e saudável.
6º Domingo da Páscoa
Act. 15, 1-2.22-29; Ap. 21, 10-14.22-23; Jo. 14, 23-29 O coração novo (o Espírito) de Jesus guia a Igreja Já víamos no Domingo passado que o coração de Jesus tem sentimentos diferentes dos nossos e que só entrando no seu modo de sentir e viver (o seu Espírito) se constrói a nova Jerusalém, a Igreja, a nova sociedade. Esta dispensa a luz do sol e da lua (a esperteza humana); basta-lhe o Cordeiro, como lâmpada (a sabedoria da cruz), como diz hoje o Apocalipse. No Evangelho, Jesus firma que quem O segue será amado por Deus e Deus habita nele. Que significa Deus “abitar” em alguém? Significa que alguém tem o Espírito de Jesus e, por isso, atua com um coração novo, vivendo na sociedade de acordo com a sabedoria de Jesus e não segundo os critérios egoístas do coração humano. Não é difícil de compreender que quem não respeita o marido ou a esposa, quem gasta o salário na bebida e deixa a família à fome, quem enriquece através da corrupção e do desvio dos bens públicos… não é habitado por Deus. A seguir Jesus promete o Espírito e chama-lhe o Consolador (Paráclito). Deus habita-nos para nos animar no caminho da entrega aos irmãos e para nos consolar quando erramos, de forma a não desanimarmos. “Função” do Espírito é ensinar, isto é, explicar melhor o que não compreendemos do ensino de Jesus, sobretudo para sabermos aplicar o Seu ensino às situações novas colocadas por situações novas ou pelos costumes culturais diferentes das pessoas que querem viver o Evangelho. Uma dessas situações é descrita na primeira leitura de hoje: os cristãos que não são judeus têm que se circuncidar como os judeus para serem baptizados? Podem comer carne de porco? Têm que cumprir todas as prescrições da religião judaica? Etc. Uns diziam que sim; outros que não. Nesta situação os Apóstolos decidem juntar-se para rezar, pedir a luz do Espírito Santo e dar uma resposta. No fim, sentem que a decisão que tomam, não é só deles: o Espírito de Jesus também participou, ensinando-lhes o caminho a seguir. Outra função do Espírito é recordar: entre tantas coisas que Jesus ensinou, é fácil pôr algumas de parte. O Espírito de Jesus não permite isso. Às vezes só nos interessam certas partes do Evangelho. Outras esquecemo-las de propósito porque não nos agradam. Isso não vem do Espírito Santo e mostra que nem sempre Lhe damos espaço de manobra.
5º Domingo da Páscoa
Act. 14, 20-26; Ap. 21, 1-5; Jo. 13, 31-35 Os novos céus e a nova terra Quando Judas sai do Cenáculo para iniciar todo o processo que levará Jesus até à morte na cruz é quando Jesus diz que chegou o momento da Sua glorificação. Segundo os nossos manuais de história, os heróis, os gloriosos são aqueles que venceram, nem que, para isso, tenham matado e maltratado os que consideravam “inimigos”. Jesus diz que a sua glória não está em destruir aqueles que lhe fazem mal, mas em dar a vida por eles. Quer dizer que, para Jesus, a glória não está em vencer: está em ser vencido. Lembramos que ele já tinha dito: “quem perder a vida por minha causa, ganhá-la-á” (Mt. 16,25). Neste render-se perante a violência e o mal está a grande vitória de Jesus. Esse render-se exige mais força e dignidade humana para dominar o poder do ódio e da vingança, do que deixar-se levar pela fúria da ira descontrolada. Quem, na sociedade, às vezes aparece como forte e poderoso, afinal pode ser muito fraco e desumano. É por essas e por outras que a justiça de Deus tantas vezes nos parece injusta. O misericordioso não é fraco: é um herói! Perdoar não é perder: é ter um coração grande! Lavar os pés aos irmãos não diminui a grandeza humana: aumenta-a! Trabalhar e sacrificar-se (na família, na sociedade, na Igreja) sem esperar agradecimentos ou recompensas não é empobrecer: é ficar mais rico! É precisamente quando morre que Jesus ressuscita! Esse é o mandamento novo, que não é imposto, mas nasce de um coração novo, no qual entrou o Espírito de Jesus. Não sei bem se eu, que sou padre, acredito muito nisto. Talvez acredite na teoria, mas na prática!?!… No entanto é assim que se constroem os novos céus e a nova terra, a nova Jerusalém, bela como a noiva no dia do seu casamento, de que fala o Apocalipse. Ela não se constrói com a minha mentalidade humana e mesquinha: ela desce do Alto; nasce do testemunho activo d’Aquele que veio de Deus. O mundo renovado é fruto da abnegação do Filho do Homem “que se humilhou até à morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou…” (Fil. 2, 8-9).
4º Domingo da Páscoa
Act.13, 14.43-52; Ap. 7, 9-17; Jo. 10,27-30 A alegria de morrer com Cristo O livro dos Actos conta hoje o que aconteceu a Paulo e a Bernabé em Antioquia da Pisídia. Depois de terem anunciado a Boa Notícia de Jesus, vencedor da morte, as pessoas ficaram entusiasmadas, mostrando a sua alegria em seguir Jesus e em ser por Ele libertadas da morte e de todos os males. Mas, uma semana depois, a situação muda completamente: embora os pagãos aderissem com alegria à fé, os judeus moveram uma perseguição terrível contra Paulo e Bernabé. Eles tiveram que fugir para Icónio e, depois, para Listra e Derbe. Aí, as coisas pioraram ainda mais: foram apedrejados e deixados meio mortos (Act. 14, 19). Embora se diga que os Apóstolos continuaram a pregar, felizes por sofrer pelo Evangelho, isso não tira que Paulo, (em 2Cor. 1, 8-9) diga que aqueles acontecimentos o chocaram muito, para além das suas forças. Os discípulos de Jesus são, aqui, alertados para o facto de que “é através de muitas tribulações que se entra no Reino dos Céus” (Act.14,22). Seguir Jesus não garante sucessos imediatos. De facto, o livro do Apocalipse, apresentando os participantes do banquete das bodas de casamento do Cordeiro imolado, protegidos pela mão do Altíssimo, diz que “eles são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro”. Quem deseja o céu (a felicidade) já sabe o caminho. Não vale a pena tentar outros atalhos mais fáceis. Seguir Jesus é bonito; a meta da caminhada é maravilhosa; beber na fonte das águas vivas é uma delícia, mas só lá chega quem assume as escolhas do Mestre, quem aceita ser cordeiro imolado, cuja vida é oferecida para o bem dos outros. Ali não há lugar para gente fechada nos próprios interesses. Não basta receber baptismo: é preciso viver o baptismo. Isso é ouvir a voz do Pastor.
nov 12 2017
COMUNICADO DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE
COMUNICADO DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE Às Comunidades cristãs e a todos os homens de boa vontade, paz e alegria no Senhor ressuscitado. Desejamos-vos a mesma paz e alegria que o Senhor, repetidas vezes, desejou e deu aos seus discípulos. Queremos, através deste meio, exprimir a nossa comunhão convosco, manifestar-vos a nossa presença espiritual e partilhar convosco o fruto das nossas reflexões e deliberações sobre a nossa vida eclesial e social deste tempo. De 7 a 12 de Novembro de 2017, nós, os Bispos Católicos da Conferência Episcopal de Moçambique, estivemos reunidos no Seminário Interdiocesano Filosófico de Santo Agostinho na Matola, na II Sessão da Assembleia Plenária de 2017. Estiveram presentes todos os Bispos Diocesanos e dois Bispos Eméritos, Sua Eminência o Cardeal D. Júlio Duarte Langa e D. Januário Machaze. Participou pela primeira vez o Reverendo Padre Sandro Faedi, Administrador Apostólico da Diocese de Tete. Na abertura da Sessão, D. Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo e Presidente da CEM, saudou todos os Bispos. O Senhor Núncio Apostólico, D. Edgar Peña Parra, no seu discurso de saudação transmitiu uma mensagem de encorajamento da parte do Santo Padre e partilhou alguns temas de particular importância para serem submetidos à consideração da CEM. A primeira parte, a partir da leitura dos relatórios das Dioceses e das Comissões Episcopais e do Secretariado Geral da CEM e ajudados pela reflexão de um economista, consistiu na análise e reflexão da realidade sócio – política e económica do nosso País no momento presente. CLIMA SOCIAL Entre as várias feridas que fazem sofrer o nosso povo verificamos a prevalência da corrupção e a violência generalizada; o aumento da pobreza em contraste com a acumulação da riqueza nas mãos de poucos; a falta de esclarecimento das dívidas ocultas e a devida responsabilização dos autores; o abuso nos recursos da natureza pela desflorestação, mineração e conflitos de terra; o desemprego que aumenta a instabilidade e desesperança na juventude; a fragilidade da paz, sinal de falta duma verdadeira reconciliação baseada na justiça, respeito dos direitos humanos e na participação de todos os moçambicanos; e o excessivo números de mortes por causa dos acidentes de viação. Da leitura dos relatórios constatámos a necessidade de potenciar a Catequese, a formação ética, moral e espiritual, o trabalho pela reconciliação, a promoção da formação em doutrina social da Igreja e o testemunho de uma vida cristã coerente. A JUVENTUDE, A ANIMAÇÃO VOCACIONAL E OS SEMINÁRIOS Reflectindo sobre a problemática juvenil, damos graças a Deus pelo aumento significativo do número de seminaristas nos seminários maiores e nas casas de formação das congregações religiosas. Entretanto, ficamos preocupados por constatarmos uma desorientação generalizada da juventude, talvez como consequência da degradação da vida familiar, que também conhece momentos muito difíceis. PRÓXIMOS EVENTOS Olhando para o futuro, apelamos a todos os fiéis a orar pelo sucesso dos próximos eventos eclesiais e a participar activamente em cada um deles. Em 2018, celebraremos os seguintes: – O 30º ano da Visita Papal de S. João Paulo II ao nosso País; – Os 50 anos do Seminário Maior São Pio X. – A realização da XIX Assembleia Nacional da Caritas Moçambicana. Iniciaremos também a preparação da IV Assembleia Nacional de Pastoral, momento de fortalecimento da comunhão, de renovação espiritual e de conversão pessoal e comunitária da Igreja em Moçambique. Exortamos a todos a dar o seu melhor para o bom sucesso deste evento muito importante para a nossa Igreja e para toda a família moçambicana. Apelamos igualmente a todos a unirmos e rezar pela próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Juventude, que terá o seguinte tema: OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMETO VOCACIONAL. Nós pastores, unidos e solidários com o povo que sofre, exortamos a não perder a coragem mas caminhar na esperança que nasce da fé em Jesus Cristo Rei do Universo, como anuncia o profeta: “O Povo que andava nas trevas viu uma grande luz: sobre os que habitavam na sombra da morte resplandeceu a luz” (Is 9,2). Com alegria do Nascimento do Salvador, desejamos Boas Festas de Natal e Próspero Ano Novo. Matola, 12 de Novembro de 2017 + Francisco Chimoio, ofmcap Arcebispo de Maputo e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique


