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Archive for vidanova

set 01 2021

SERNIC em Nampula desactiva venda de ferros roubados, na Escola Secundária de Teacane.

Os ferros metálicos foram roubados na escola secundária de Teacane localizada algures da cidade de Nampula e transportados para posterior venda no mercado de Muacowanvela isto no bairro de Mutauanha Nampula. Entretanto, SERNIC nesta parcela do País através da sua porta-voz acredita que estes indivíduos fazem parte de outros elementos que têm protagonizado roubos nas diversas escolas da Província. A fonte garantiu que vai continuar a trabalhar, como forma de encontrar outros elementos que perfazem este grupo de malfeitores. Agora nas mãos das autoridades da justiça, os indiciados negam o seu envolvimento no furto dos ferros que eram usados pela instituição de ensino como murro de vedação, afirmando que estes apenas são compradores de ferro velho e não tinham conhecimento de que os ferros teriam sido furtados numa Escola. Enquanto isso, o director da Escola Secundária de Teacane, avançou que o furto dos ferros metálicos, causa um prejuízo de 102 mil meticais. Refira-se que esta não é a primeira vez que SERNIC neutraliza indivíduos por envolvimento nos crimes de roubo. (Júlio Assane)

set 01 2021

Os maiores travões do desenvolvimento de Moçambique:

Por Dr. Tomás Selemane A promoção do ódio e da violência Por razões históricas, ao longo da trajectória de construção da nação moçambicana, a nossa sociedade desenvolveu uma cultura política de promoção do ódio e do recurso à violência como mecanismo de contestação política e de auto-afirmação. A enraizada cultura política de promoção do ódio contra os que pensam diferente, e consequente promoção da convicção de que a violência é justificável sempre que estamos diante de quem pensa diferente de nós, de quem pertence a outro partido político, de quem provém doutra província ou distrito ou etnia/tribo, de quem não professa a nossa religião. O meu argumento é o seguinte: a cultura política que desenvolvemos desde o tempo da luta armada de libertação nacional tem sido um fermento para a promoção do ódio uns para com os outros e da violência contra o outro. E, por esse andar, nós não conseguiremos tempo e capacidade de juntar esforços a nível nacional para construirmos mais furos de água, melhores estradas, mais e melhores escolas e centros de saúde, mais produção agrícola, mais postos de trabalho, enquanto continuarmos a pensar que o amor ao próximo, o direito ao bem-estar social e económico, a paz social e política só nos merecem a nós do mesmo partido, da mesma província, da mesma etnia. É pois nesses termos que a promoção do ódio funciona como um grande travão do desenvolvimento nacional. Para não traçar um percurso histórico demasiado longo, vou me limitar aos últimos 60 anos. Durante a luta de libertação nacional (1964-1974), o ódio entre moçambicanos que lutavam em diferentes trincheiras – uns do lado do exército colonial e outros do lado do exército moçambicano – foi promovido e usado como factor instigador da violência. Ainda hoje existe a convicção, embora nunca provada, de que sem esse ódio, talvez não tivesse sido possível a luta pela independência nacional. Quando chegou a independência nacional em 1975, a nossa sociedade ainda vivia sob esse manto de ódio entre moçambicanos que tinham estado em lados opostos nos 10 anos anteriores da luta de libertação nacional. Dois anos após a independência nacional, não conseguimos matar a cultura de ódio, que se agudizou até chegar ao nível daquela sangrenta guerra dos 16 anos. Até à altura da assinatura do Acordo Geral da Paz (AGP), a 4 de Outubro de 1992, a nossa sociedade alimentava a cultura de odiar-se mutuamente. Como referi no texto sobre a ausência da reconciliação nacional, nós não conseguimos traduzir o AGP em acções concretas de convivência social, económica e cultural. Não admira, por isso, que a guerra terminada em 1992 tenha igualmente servido como um sinal, a alguns moçambicanos, de que em Moçambique a contestação política só tem sucesso quando se usam armas. A abertura do espaço político, que permitiu o surgimento de novos partidos políticos a partir da Constituição de 1990 e a realização de eleições regulares deveriam ter servido de encorajamento para uma convivência mais tolerante, sem ódio nem promoção e aceitação da violência, mas eis que temos feito das eleições um factor de conflito. Conseguimos mesmo o infeliz feito de sermos o único país desta região de África que entra em conflito a seguir a todas as eleições. A guerra de 2012 ou “guerra de Muxúnguè” – eufemisticamente chamada de “hostilidades militares” não foi apenas um conflito pós-eleições de 2009 e o fracasso do diálogo entre a Frelimo e a Renamo, foi sobretudo uma reafirmação dessa cultura política de ódio e de violência. Depois veio aquele “Acordo de Cessação das Hostilidades Militares” que só serviu para viabilizar as eleições de 2014. Mas o ódio e a violência continuaram. Chegámos às eleições de 2019 e todos esperávamos que elas fossem diferentes, que depois delas o país vivesse um sossego, paz e tranquilidade, sem ódio. Contra todas as nossas expectativas e nossos desejos, o nosso país vive actualmente duas guerras: uma em Cabo Delgado, onde terroristas nacionais e estrangeiros já mataram mais de 200 pessoas, destruíram muitos bens públicos e privados, obrigou a deslocação de mais de 800 mil pessoas. Ninguém consegue estimar quando é que aquela guerra vai terminar. E temos outra guerra na zona centro – nas províncias de Manica e Sofala – da autoproclamada Junta Militar da Renamo, que também mata, destrói e impede o país de se desenvolver. A par dessas duas guerras, os últimos anos têm sido de mudança das arenas de manifestação de ódio e da violência do campo militar para o assassinato de carácter. Se aquelas duas guerras são geograficamente localizáveis, a guerra da promoção do ódio nas redes sociais, particularmente no Facebook e nos grupos de Whatsapp. Essas plataformas digitais têm sido de uma grande utilidade na conexão entre familiares, amigos, colegas e membros dos núcleos nas nossas comunidades. Mas também é naquelas plataformas que nos dias que correm se destila ódio contra os que pensam diferente. É por lá que se disseminam notícias falsas (fake news) com o propósito de instigar o ódio e destruir o bom nome dos outros. O mais preocupante nesta nova onda de violência é o facto de nós cristãos católicos não estarmos a conseguir marcar diferença. Ainda não conseguimos ser “sal da terra e luz do mundo” (Mt. 5, 13-16) como nos ensina a Sagrada Escritura. Vemos com tristeza a participação activa nalguns casos, e passiva nos outros casos (por via do silêncio) de irmãos nossos nessas sagas de promoção do ódio e da violência contra quem definimos como sendo diferente de nós.

set 01 2021

A função pública em Moçambique

Para acompanhar os passos do desenvolvimento do país e dos serviços prestados nas instituições públicas, lançamos na presente edição a entrevista realizada com o Mestre em Sociologia do Trabalho e das Organizações, Achegar Tiodósio*. Acompanhe-nos.   VN: Qual é a sua experiência sobre a função pública em Moçambique? Vantagens e desvantagens. AT: Falar da minha experiencia sobre a função pública no nosso país é o mesmo que me referir à Administração Pública, um assunto bastante enorme e delicado, tendo em vista que ela engloba vários sectores públicos e que tem como objectivo trabalhar em favor do interesse público e dos direitos e interesses dos cidadãos que administram. Dai que começaria por avançar sobre o factor histórico da própria função pública moçambicana, desde os tempos remotos da nossa independência nacional até aos nossos dias, ela tem-se reajustado e adequado recorrentemente a novos factores da realidade, embora haja quem qualifique que vai do mau ao pior, no que diz respeito aos problemas de organização e funcionamento da mesma, apontados pela falta de transparência que pode igualmente exacerbar as preocupações a governantes, a sociedade civil e agravando o risco de conflitos de interesses. Portanto, carrego uma experiência, infelizmente, não muito cómoda, sob o ponto de vista e sobretudo ao Estado de Direito, que há diversas áreas carentes de melhorias como por exemplo os recursos judiciais são ainda insuficientes, como se pode notar nos problemas dos atrasos processuais na administração da justiça, a falta de atendimento personalizado nos serviços prioritários e públicos, quando comparado ao sector privado, onde não existem quase bichas mas prestam os mesmos serviços (Educação, saúde …). Quanto às vantagens, diria que depende do tipo de componente e estrutura funcional. Por exemplo como funcionário público naturalmente oferece um trabalho seguro como estabilidade, desfrutar de sistemas de promoção de cargos, progressão, mudanças de carreiras, aposentadoria integral e não exigência acumulada de experiências anteriores em alguns casos, como também maiores salários embora os pagamentos variem conforme o nível de formação exigida para o cargo ou a complexidade da função. As desvantagens da função pública, penso que na maioria dos casos tem sido na falta de liberdade para desenvolver outros projectos de carácter pessoal e de sustentabilidade própria, embora hoje exista um grosso número de servidores públicos que tende a se ocupar noutras actividades mas que deve ser claro que são ou, sem o conhecimento da outra parte ou seja desde que não prejudique o funcionamento laboral das suas funções públicas e por outro lado a falta de dependência de um órgão público para prosperar financeiramente.   VN: Qual é o seu ponto de vista sobre os serviços oferecidos nas instituições públicas? Que recomendações a deixar? AT: Abordar em vista dos serviços oferecidos nas instituições públicas, realmente este é um facto infelizmente generalizado, uma dificuldade para manter os serviços à população, principalmente naqueles essenciais, como segurança, saúde, educação e moradia. E sem contar que os custos para o uso desses serviços que deveriam ser prestados pelo poder público, acabam sendo pagos pela população em forma de elevada carga tributária. Mas não restam dúvidas que tudo isso converge em casos de escândalos e corrupção em diferentes esferas de poder, onde são colocados os interesses públicos acima das pessoas. No que concerne às recomendações, o mais importante é entender que o nosso país ainda precisa de uma maior maturidade nos seus processos gerenciais para promover mais eficácia na sua condução, reduzindo as burocracias e entregando melhores serviços a quem precisa (população) como um todo, mas para isso, a transparência é imprescindível acima de tudo.   VN: Quais são os desafios da função pública moçambicana? AT: Uma das grandes e principais catástrofes da função pública moçambicana reside na falta da gestão administrativa participativa. Este é um assunto tratado como Tabu, portanto, continua ainda como desafio a inclusão dos cidadãos no processo de tomada de decisões e também na fiscalização dos problemas de mudança que afectam directamente a sociedade. Além disso, a palavra final sobre decisões que têm o poder de mudar uma situação, ainda fica por incumbência dos altos poderes que administram a função pública. O outro desafio, não menos importante, é a qualificação dos servidores públicos. Afinal de contas o emprego público é muitas vezes associado à estabilidade. De facto, a característica é forte no segmento, mas isso não significa que os nossos servidores devem parar de se qualificar. Pois, se eles quiserem crescer, precisarão de provar que se encaixam e podem desempenhar um papel de qualidade. Sem contar ainda que há problemas ligados à remuneração, que costuma ser muito díspar entre certas categorias. Portanto, despedaçar esse ciclo é desafio da gestão pública moçambicana, que precisa de oferecer oportunidades e mais igualdade entre os servidores. Podemos ainda apontar os desafios ligados a eficácia dos processos, muitas vezes prejudicada pela burocracia excessiva, morosidade das etapas e a própria falta de capacitação específica dos servidores para atender as demandas dos cidadãos. É preciso ainda incorporar a tecnologia no sector não só de qualidade e de ponta, porque há uma falta de preparação para lidar com tais instrumentos, bem como uma resistência na mentalidade do próprio segmento em submeter o trabalho a um software. Muitos dos servidores da função pública moçambicana ainda são funcionários de carreira, sem contar que existem diferentes departamentos internos que compõem a estrutura do poder público. Antes que me esqueça de o abordar, um dos grandes males que constituem igualmente os desafios da função publica é optimizar a divisão do capital a fim de que ele atenda a todas as esferas sociais e sobretudo as que anteriormente já referi, a divisão de maneira justa dos recursos para saúde, educação, segurança e outras áreas afins.   VN: Que perspectivas a aventar para o futuro? Ansiamos que nos próximos quinquénios, a nossa função pública recupere os valores verdadeiros através da promoção da ética, disciplina, integridade, auto estima, deontologia profissional e a transparência, transversalmente no cumprimento rigoroso das normas e procedimentos na prestação para elevada qualidade de serviços. Não só, mas também toda esfera funcional que cultive

set 01 2021

As consequências da saída da Vale

A saída da Vale Moçambique, multinacional que explorava o carvão em Moatize, não só significa perdas fiscais para o cofre do Estado moçambicano mas também perda de benefícios para a população de Moatize. Porém há duas faces da mesma medalha a ter em conta. 1ª face: Lembramos que a mineradora Vale Moçambique desde a sua implantação em Moatize (Tete) trouxe uma nova forma de ser e estar na população local. Desde então um dos seus maiores desafios foi o desenvolvimento e formação de recursos humanos. Garantindo desta forma postos de emprego a mais de 13 mil pessoas, entre eles trabalhadores próprios e terceiros e cerca de 85% dos trabalhadores próprios são quadros nacionais. Contribuindo desta forma para a redução do índice de desemprego a nível da província de Tete e em concreto na cidade de Moatize.   Benefícios socioeconómicos A Vale Moçambique garante de forma directa postos de trabalho aos seus trabalhadores directos e de forma indirecta gera emprego contratando empresas para prestarem serviços à própria Vale. Esta mineradora tem contribuído de forma significativa na melhoria de vida da população da cidade de Moatize. Importa destacar o contributo desta na melhoria das infra-estruturas públicas e sócias como escolas, hospitais, vias de acesso, fornecimento de água potável para a população, apoio ao auto sustente através de fornecimento de sementes e apoio técnico especializado às comunidades. Desde 2012, a Vale Moçambique vem implementando programas de geração de renda e empreendedorismo tendo distribuído 100 hectares de terra arável e sementes a 200 famílias, nesta mesma altura implantou o projecto de rendimento comunitário no qual faz formação de produção aviária e posteriormente fornece pintos para que cada família gere seu próprio sustento através deste. A Vale possui viveiros um dos quais se localiza em Tete, local onde são produzidas mudas a fim de incentivar o plantio de árvores e consequentemente a preservação da fauna regional, e ainda através desta actividade garante ainda mais postos de trabalhos para jovens moçambicanos. Por estas e outras acções, com a saída da mineradora Vale Moçambique, o nível socioeconómico da população da cidade de Moatize sofrerá drasticamente. Mas isto é só uma face da medalha. (Izilda Ivala & Queirós Armando)   2ª face da medalha: impacto ambiental Um dos motivos arrolados pela Vale para sua retirada é sobre questões ambientais. De facto, a Vale e a indiana International Coal Ventures Limited (ICV) exploram minas a céu aberto na província de Tete, poluindo a região. Uma pesquisa levada a cabo pelo Sekelekane, uma organização não-governamental, denuncia elevados riscos da actividade mineira à saúde da população de Moatize. O estudo foi divulgado em Junho de 2020 e analisou os impactos socio-ambientais da actividade de extracção de carvão mineral nas regiões de Moatize e Benga, abrangidas pelas mineradoras Vale Moçambique e International Coal Ventures Limited (ICVL). Para além de descrever as mudanças resultantes da mina e elevados níveis de poluição sonora, da água e do ar, os resultados do estudo apontam que essas mudanças interferem na saúde da população incluindo os seus meios de subsistência: agricultura e pesca, por causa da poluição dos caudais dos rios e qualidade da água. Outro estudo levado a cabo pela pesquisadora Ana Piedade Monteiro, da Universidade Zambeze indica que que a exposição ao pó de carvão, que é produzido durante o processo de extracção, pode provocar várias doenças respiratórias aos afectados. A pesquisadora apela para que “venha nos prontuários da saúde aquilo que acontece com a exposição ao pó de carvão para que os médicos possam diagnosticar melhor os doentes”. O Diretor Executivo do Sekelekane, Tomás Vieira Mário, diz que é preciso também olhar para os impactos socioculturais da mineração em Moatize, acrescentando por exemplo que “tem havido ao longo de anos reclamações de profanação de campas, o lado espiritual das comunidades.”. Por último uma sentença do Tribunal Provincial de Tete, assinada pelo juiz Justo Mulembwe de 26 de Janeiro, condenou a Vale por causa da vedação que a empresa construiu em redor da sua mina impedindo assim o acesso de 48 camponeses de Moatize, província central de Tete, aos seus campos de cultivo. “Há dano na medida em que a vedação causou, entre outros impactos, o bloqueio da estrada vicinal”, que era usada “pelos camponeses para chegar a Chidwé e outras regiões a sul da área concessionada”, lê-se na sentença. (Kant de Voronha)

set 01 2021

Ministério do Catequista – antigo e actual

No mês de maio, papa Francisco publicou uma carta apostólica com a qual instituiu o ministério do catequista: uma necessidade urgente para a evangelização no mundo contemporâneo, a ser realizada sob forma secular, sem cair na clericalização. Eis um resumo do documento. «Ministério antigo é o de Catequista na Igreja. Os teólogos pensam, comumente, que se encontram os primeiros exemplos já nos escritos do Novo Testamento. A primeira forma, germinal, deste serviço do ensinamento achar-se-ia nos «mestres» mencionados pelo apóstolo Paulo ao escrever à comunidade de Corinto (1 Cor 12, 28-31) e em Gal 6, 6 e 1 Cor 12, 4-11. O próprio Lucas afirma, na abertura do seu Evangelho: «Resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los [os factos que entre nós se consumaram] a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1, 3-4). Por isso desde o Concílio Vaticano II tem havido uma crescente consciência de que “a tarefa do catequista é da maior importância”, bem como necessária para o “desenvolvimento da comunidade cristã”… Toda a história da evangelização destes dois milénios manifesta, com grande evidência, como foi eficaz a missão dos catequistas…   Testemunho de vida dos catequistas Não se pode esquecer a multidão incontável de leigos e leigas que tomaram parte, directamente, na difusão do Evangelho através do ensino catequístico. Homens e mulheres, animados por uma grande fé e verdadeiras testemunhas de santidade, que, em alguns casos, foram mesmo fundadores de Igrejas, chegando até a dar a sua vida. Também nos nossos dias, há muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé. A longa série de Beatos, Santos e Mártires catequistas que marcou a missão da Igreja, merece ser conhecida, pois constitui uma fonte fecunda não só para a catequese, mas também para toda a história da espiritualidade cristã (não esqueçamos os nossos testemunhos: Cipriano Parite e os catequistas mártires de Guiúa).   Catequista obreiro da evangelização A partir do Concílio Ecuménico Vaticano II, a Igreja apercebeu-se, com renovada consciência, da importância do compromisso do laicado na obra de evangelização. Os Padres conciliares reafirmaram várias vezes a grande necessidade que há, tanto para a implantação da Igreja como para o crescimento da comunidade cristã, do envolvimento directo dos fiéis leigos nas várias formas em que se pode exprimir o seu carisma. “É digno de elogio aquele exército com tantos méritos na obra das missões entre pagãos, o exército dos catequistas, homens e mulheres, que, cheios do espírito apostólico, prestam com grandes trabalhos uma ajuda singular e absolutamente necessária à expansão da fé e da Igreja. Hoje em dia, em razão da escassez de clero para evangelizar tão grandes multidões e exercer o ministério pastoral, o ofício dos catequistas tem muitíssima importância”  (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Ad gentes, 17). A par do rico ensinamento conciliar, é preciso referir o interesse constante dos Sumos Pontífices, do Sínodo dos Bispos, das Conferências Episcopais e dos vários Pastores, que, no decorrer destas décadas, imprimiram uma notável renovação à catequese.   Vocação do catequista O Catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada baptizado esteja sempre pronto «a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça» (cf. 1 Pd 3, 15). O Catequista é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a participação directa na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade.   Instituição do ministério Convém que, ao ministério instituído de Catequista, sejam chamados homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação activa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé, e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese. Assim, depois de ter ponderado todos os aspectos, em virtude da autoridade apostólica, instituo o ministério laical de Catequista».   BOX A decisão de Francisco de instituir o ministério de catequista, que segue a abertura às mulheres dos ministérios do leitorado e do acolitado coloca-se no caminho já intuído pelo Papa Pio XII. Especialmente no nosso tempo, a tarefa de testemunhar e transmitir a fé às novas gerações é uma tarefa para “os pais e mães de família”. Já ao longo dos séculos e ainda hoje em vários países, na ausência de sacerdotes, a fé tem sido mantida viva, graças aos pais e mães e aos catequistas que passaram e muitas vezes sacrificaram suas vidas por isso. A criação de novos ministérios laicais para responder às novas necessidades também foi discutida no recente Sínodo sobre a Amazônia, e clarifica que os leigos não são chamados a realizar apenas um trabalho de suplência, porque há falta de vocações para o sacerdócio. Não é uma questão de suplência, mas de plena e reconhecida acção, envolvimento e co-responsabilidade: sua presença é verdadeiramente necessária para que a Igreja seja comunhão e seja missionária. Portanto, a instituição de um ministério laical não se destina a “clericalizar” a pessoa leiga.

ago 28 2021

XXII Domingo do Tempo Comum B

LITURGIA DA PALAVRA LEITURA I – Dt 4,1-2.6-8 SALMO RESPONSORIAL – Salmo 14 (15) LEITURA II – Tg 1,17-18.21-22.27 EVANGELHO – Mc 7,1-8.14-15.21-23 TEMA: MOMENTO DE CONSERVAR OU DE MUDAR? Neste 22º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia propõe-nos uma reflexão sobre a “Lei”. Deus quer a realização e a vida plena para o homem e, nesse sentido, propõe-lhe a sua “Lei”. A “Lei” de Deus indica ao homem o caminho a seguir. Contudo, esse caminho não se esgota num mero cumprimento de ritos ou de práticas vazias de significado, mas num processo de conversão que leve o homem a comprometer-se cada vez mais com o amor a Deus e aos irmãos. A primeira leitura garante-nos que as “leis” e preceitos de Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por isso, o autor dessa catequese recomenda insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e se deixe guiar por ela. Enquanto no Evangelho, Jesus denuncia a atitude daqueles que fizeram do cumprimento externo e superficial da “lei” um valor absoluto, esquecendo que a “lei” é apenas um caminho para chegar a um compromisso efectivo com o projecto de Deus. Na perspectiva de Jesus, a verdadeira religião não se centra no cumprimento formal das “leis”, mas num processo de conversão que leve o homem à comunhão com Deus e a viver numa real partilha de amor com os irmãos. A imposição de leis aos outros mesmo as que não conseguimos cumprir é contra a proposta de Jesus que quer que a lei defenda a vida e o amor entre irmãos. Paulo convida aos cristãos a escutarem e acolherem a Palavra de Deus; mas avisa que essa Palavra escutada e acolhida no coração tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade com o mundo e com os homens e mulheres. No meio das actividades frenéticas, as correrias do mundo, o cristão é convidado a encontrar tempo para escutar Deus, para meditar as suas propostas, para repensar as suas leis e preceitos, para descobrir o sentido da nossa acção no mundo. Sem a escuta da Palavra, a nossa acção torna-se um “fazer coisas” estéril e vazio que, mais tarde ou mais cedo, nos leva a perder o sentido do nosso testemunho e do nosso compromisso. Hoje encontramos muitos escribas e fariseus a investirem seu tempo para aprovar leis que no final quem passará mal é o pobre. Os jovens são um elemento activo dessa dinâmica de transformação de estruturas e tradições inadequadas. Porém, deve haver respeito por essa transformação para não atropelar nada. Não se deve assumir brigas em nome da transformação. Os jovens devem aprender com os erros e realizações de boas práticas dos mais velhos com vista a projectar um futuro com uma abertura madura. Os jovens devem ser livres para apresentar fantasia e utopia suficientes para acelerar bastante as mudanças, ou a revisão de usos, costumes e relações de dependência, de modo a conduzir a comunidade. A força dos jovens impele uma comunidade para o futuro.   Compromisso Pessoal Ser flexível nas mudanças Ser aberto para novos desafios Ser acolhedor das experiências novas.

ago 25 2021

O CONTEXTO MAIS AMPLO DA CONJUNTURA DO IMPERIO ROMANO

Frei Carlos Mesters, Carmelita O CONTEXTO MAIS AMPLO DA CONJUNTURA DO IMPERIO ROMANO Depois da morte e ressurreição de Jesus, o evangelho foi se espalhando. Em pouco tempo, a Boa Nova atravessou as fronteiras da Palestina e entrou pelo império romano a dentro: Ásia Menor, Grécia, Itália, Roma. Não foi uma caminhada fácil. Houve muitas dificuldades e perseguições, mas, apesar de tudo, o sol brilhava. O vento era favorável. Aquelas primeiras comunidades tinham uma espiritualidade muito viva, forte e resistente. Eram comunidades pequenas, muito pequenas, perdidas na imensidão do império romano que abarcava o mundo, havia mais de 200 anos. Aos poucos, porém, o céu se cobria de nuvens. Uma tempestade se armava. Um conflito aberto com o império não podia demorar. A nova maneira de viver e conviver em comunidade, iniciada pelos cristãos, querendo ou não, ameaçava o sistema do império (Cf. At 17,6-7). Uma espiritualidade centrada na partilha de bens ameaça a quem só quer acumular! A vivência da fraternidade mina por baixo o sistema de quem só pensa em si. De fato, uns trinta anos depois da morte de Jesus, o imperador Nero decretou a primeira grande perse­guição. Foi apenas o início dos males! Em torno do ano 90, o imperador Domiciano decreta uma nova perseguição. Desta vez mais violenta e mais organizada. Domiciano torturava os cristãos para que abandonassem a fé. Como explicar essa mudança? Quando as comunidades cristãs iniciam sua caminhada, o império romano ainda não tinha atingido seu apogeu. O império, que estava sendo construído com muita violência, era um aglomerado imenso de reinos, províncias, etnias, povos, cidades, tribos, todos congregados na submissão ao imperador. Em caso de rebeldia não havia perdão. O exército, formado pelas bem treinadas legiões, intervinha e matava sem piedade. O império era uma grande panela de pressão, cuja temperatura começou a subir na segunda metade do primeiro século com risco de explosão. Tudo isto influía na maneira de os cristãos viverem e anunciarem a Boa Nova de Jesus. O Apocalipse de João surgiu neste período entre os anos 70 e 100. Enumeramos aqui sete fatores que mais de perto interferiram na vida das comunidades cristãs e que estimularam o surgimento de uma nova espiritualidade, capaz de sustentar a fé, a esperança e o amor do povo durante a tempestade e a crise da mudança. Variedade de grupos e tendências nas comunidades De um eucalipto cortado nascem inúmeros galhos e ramos. Do tronco do Crucificado ressuscitaram inúmeros brotos e flores. Desde a sua origem, o cristianismo nasce diversificado. A origem desta variedade está na própria natureza da encarnação e na liberdade do Espírito que atua nas comunidades. A variedade revela a beleza do rosto de Deus. Os fatores que contribuíram para fazer aparecer as diferenças eram muitos: a variedade das culturas em que a Boa Nova se encarnava; a diversidade dos costumes dos povos; as distâncias geográficas; a variedade da história de cada comunidade; os vários centros de irradiação: Jerusalém na Judéia, Antioquia na Síria, Éfeso na Ásia Menor, Roma na Itália, Alexandria no Norte da África, Corinto na Grécia; o jeito diferente dos missionários e das missionárias: Tiago, Pedro, Paulo, Lídia, Apolo, Maria Madalena, o casal Priscila e Aquila, e tantos outros; a variedade dos problemas que pediam respostas diferentes; as diferenças de classe; as diferentes tomadas de posição frente à política do império romano; a enorme variedade de doutrinas e religiões que invadiam o império. Além disso, as várias tendências existentes entre os judeus reapareceram nas comunidades cristãs: piedosos (hassidim ou hassideus), essênios, zelotes, fariseus. Por exemplo, alguns ex-fariseus da comunidade de Jerusalém, ligados a Tiago, irmão de Jesus, se mantinham na observância da Lei, sem se misturar com os pagãos (At 15,1-2; Gl 2,7-8; 1,6-10; 9,12). Outros, como Apolo de Alexandria e os doze discípulos que apareceram na comunidade de Éfeso, combinavam o batismo de João Batista com a mensagem de Jesus (At 18,24-26; 19,1-7). Outros como Paulo deixavam para trás a observância rigorista da Lei e com um ardor missionário muito grande tentavam atrair o maior número possível de pagãos. Mas nem sempre a variedade nascia da vontade de manifestar o Reino. Às vezes, ambições pessoais, medo de ser perseguido, visões diferentes, conflitos e tantas outras tensões e problemas levavam pessoas ou comunidades a acomodar a mensagem às vantagens do momento e a anunciar o Reino conforme tendências e medos não confessados. Isto começou a aparecer sobretudo depois dos anos setenta, quando a infiltração crescente da ideologia do império ia mostrando a fragilidade das comunidades dispersas e fazia sentir a necessidade de uma organização mais consistente para elas poderem sobreviver. Esta variedade, ao mesmo tempo rica e ambígua, transparece no Apocalipse de João, sobretudo nas cartas (Ap 2-3). A revolta dos Judeus e a destruição de Jerusalém Ainda durante a vida de Jesus e sobretudo depois, as explosões populares contra a ocupação romana foram crescendo (Lc 13,1; 23,19; At 5,37; 21,38), novos partidos foram surgindo ou se organizavam: zelotes, sicários. A situação se radicalizava. A incapacidade e a brutalidade dos governadores romanos junto com a corrupção e a luta pelo poder da classe dirigente da Judéia, deixou o povo sem proteção e sem alternativa, e no ano 66 explodiu numa revolta generalizada. Roma perdeu o controle da situação. Estimulados pelas idéias do movimento apocalíptico, muitos viam no levante contra Roma a chegada do Dia de Javé! Sacerdotes, saduceus e anciãos, forçados a entrar na revolta contra Roma, faziam o possível pa­ra manter o controle da situação. Mas pouco adiantou. As legiões romanas vieram e foram reconquistando a Galiléia e a Judéia, à espera do momento oportuno para o assalto final contra Jerusalém. Enquanto isso, dentro da cidade de Jerusalém, grupos rivais lutavam entre si pelo poder. Dois grupos de judeus, porém, não quiseram participar da rebelião: os judeus da linha farisaica e os judeus que tinham aderido à fé em Jesus. Tanto para os fariseus como para os cristãos, a revolta contra Roma não era expressão da chegada do Dia de Javé. Pouco depois da Páscoa do

ago 23 2021

PERSPECTIVAS PARA O FUTURO DAS ZONAS RECONQUISTADAS PELA TROPA DA SADC EM CABO DELGADO

Caro leitor, no presente artigo pretende-se perspectivar o futuro das zonas atacadas e reconquistadas pela tropa da SADC em Cabo Delgado nos vários domínios do desenvolvimento Sociopolítico, Cultural, Económico e religioso, numa altura em que a região está completamente destruída, para não nos referirmos das infraestruturas escolares, da Saúde, Agricultura e de modo em geral o êxodo rural da população. Na actualidade, a província de Cabo Delgado é um território que tem galvanizado as atenções mundiais, com a descoberta dos recursos naturais, o maior investimento privado de África para exploração de gás natural. Esta província é palco de ataques armados supostamente pertencentes a grupos radicais islâmicos desde 05 de Outubro de 2017. Já há mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, assim consideram as autoridades moçambicanas e internacionais e classificam este fenómeno como uma ameaça terrorista. Declaração do Estado de Alerta Face a evolução deste conflito foi lançado pelas autoridades governativas no dia 09 de Agosto deste ano, a Força em Estado de Alerta para o combate aos grupos armados na província de Cabo Delgado. E desde a sua implementação, às operações conjuntas em curso entre as forças governamentais de Moçambique e do Ruanda, já há resultados visíveis na luta contra os rebeldes em Cabo Delgado, pois já se pode caminhar livremente dos distritos de Mueda até Palma, o que se notabiliza a reconquista de Mocímboa da Praia-Sede, e postos Administrativos (Mbau, Diaca, Quelimane) outras zonas atacadas, destacou o ministro da Defesa de Moçambique, (Jaime Neto, 2021-19:8). Não constitui novidade para muitos de nós que Moçambique é dos países mais pobres do mundo. Este é um problema ainda longe de ser resolvido, especialmente agora em que as bolsas de fome em Moçambique aumentaram com a intensificação do actual conflito violento no norte da Província de Cabo Delgado. Situação Pré-Terrorismo Com uma população maioritariamente rural, o país conseguia minimizar os problemas de insegurança alimentar com as pequenas produções de subsistência de algumas famílias que por possuir terra fértil para produção agrícola, recorria às suas machambas para contornar uma das necessidades básicas do ser humano que é a alimentação. No entanto, o acesso a outras necessidades fundamentais do ser humano como a saúde e a educação continuavam e continuam a ser o calcanhar de Aquiles da nossa governação especialmente no actual contexto de pandemia que se vive a nível global, e que não se sabe ainda até quando poderá isto acabar. Isso nos lembra o famoso provérbio indiano que diz “Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro.” Contexto geral e social Num contexto geral e social, perspectivar o futuro das zonas atacadas e reconquistadas pelas tropas da SADC, no cenário actual que a província de Cabo Delgado vive, é uma tarefa de total complexidade porque por conta do conflito, vem engrossando o número de bolsas de fome no país dada crise humanitária que se agrava naquele ponto do país. Portanto, não deixa de saltar a vista o “dilema” que vive o governo moçambicano em uma situação em que tem estado a solicitar a solidariedade de outras comunidades pobres e com sérios problemas de acesso a infraestruturas e serviços para que possam acolher a outras comunidades que vêm de um contexto onde viviam os mesmos problemas e em alguns casos agravados por serem afectadas por projectos de exploração de recursos, tal como é o caso das comunidades da Península de Afungi de onde são provenientes alguns dos deslocados, onde as pessoas enfrentavam o problema de perda de terras agrícolas para a multinacional Total. A título de exemplo, neste momento, os distritos de Metuge, Chiúre, Ancuabe, Mecufi e Montepuez têm estado a ceder parte de suas terras agrícolas para a construção de casas e de machambas para os deslocados, o que é muito bom e demonstra uma solidariedade que é de se louvar. No entanto, não descartamos as hipóteses e não nos podemos esquecer que ao ceder tais terras estas pessoas reduzem a sua capacidade de produção de comida aumentando desta forma os níveis de insegurança alimentar no país, por outro lado, a violência estrutural a que são expostos, onde os deslocados têm direito a receber kits de alimentação, limpeza e dignidade. No entanto, as comunidades acolhedoras estão sendo simplesmente oferecido um “muito obrigado” e a promessa de que suas aldeias hoje irão desenvolver devido ao aumento de fluxo de pessoas e bens a circularem no local. Desta forma, ainda podemos chegar analisar que os vários deslocados das zonas atacadas e actualmente já reconquistadas pela tropa da SADC, que outrora perderam as suas terras, casas e outros recursos de carácter patrimoniais, materiais, financeiros e humanos, poderão um dia voltar as suas origens? Mesmo sabendo que nas zonas por onde actualmente foram acolhidos ainda não se superaram com as suas crises? Ora, o único problema é que mais uma vez, diante de mais uma crise os mais sacrificados continuam sendo os mais pobres, onde é sobejamente sabido que as elites políticas poderiam perfeitamente ceder as centenas de hectares reservados a “futuros projectos” que já se encontram reservados há décadas. Futuro incerto nas zonas reconquistadas Concluindo, a ser verdade, o futuro das zonas atacadas e já reconquistadas graças às operações conjuntas entre as forças governamentais de Moçambique e do Ruanda (SADC), pode e continua ser incerto, numa altura em que nos avançam em grandes e enormes desafios frente a reconstrução da desastrosa destruição que o conflito causou nestes 04 anos. Porém, entre os quais destacam-se basicamente com o reassentamento de centenas de milhares de indivíduos vai representar um grande desafio em termos de infraestruturas e serviços públicos, relacionados com água e saneamento, educação e saúde, mas também electrificação e rede comercial. Mais acima de tudo, as populações deslocadas constatam-se múltiplas perspectivas em relação ao futuro. Para uns, o reassentamento representa a esperança de reinício de actividades socioeconómicas (produção agrícola, pesca ou pecuária, etc.),

ago 23 2021

RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO

Frei Carlos Mesters, Carmelita 15ª Chave RESUMO DA MENSAGEM DO APOCALIPSE DE JOÃO Tirar o véu dos olhos, da Bíblia e da história O povo está impaciente e diz: “Até quando, Senhor?” (Ap 6,10). Se Deus é o dono do mundo, como Ele permite esta perseguição tão demorada? Desmascarando a falsa propaganda do império (Ap 12,16; 13,1-18; 17,1-18), o Apocalipse tira o véu dos olhos e aponta os sinais da vitória de Jesus. Usando textos do Antigo Testamento para descrever a situação (Ap 4,2.8; 5,10; etc), tira o véu da Bíblia e mostra que o mesmo Deus de ontem conti­nua conosco hoje. Mostrando “as coisas que devem acontecer muito em breve” (Ap 1,1), tira o véu da história e situa a perseguição dentro do conjunto do plano da Salvação (cf. Subsídio 10) Deus Pai, Juiz Supremo, Senhor do Tempo e do Espaço, Defensor da vida Perseguidos pelo Império, os cristãos estão morrendo. A mensagem central do Apocalipse é a fé na ressurreição (Ap 1,17-18). O fundamento desta fé é a certeza de que Deus é o Criador do céu e da terra, Senhor da vida e da morte (Ap 11,17-18). A ele nada é impossível. Esta fé vitoriosa transparece na visão majestosa do Trono do Juíz, onde Deus toma assento como Senhor da história e Criador do Universo (Ap 4,2-8). É graças ao poder deste Deus que Jesus venceu (Ap 5,6-10) e que os fiéis têm coragem de crer em Jesus (Ap 1,5-6). Por isso, desde já, eles participam na vitória e podem reinar junto com ele (Ap 20,4-6). Jesus Cristo, Vencedor da morte, Defensor do povo, Senhor da História Jesus é o Go´êl, o parente mais próximo, o irmão mais velho, aquele que, pela entrega de si, resgata seus irmãos perseguidos (Ap 5,9). Ele é o Defensor do povo. Pela sua morte e ressurreição enfrentou e venceu o Satanás, o Acusador do povo (Ap 12,10). Deus, o Juiz, ratificou a vitória de Jesus e o Satanás foi jogado fora (Ap 12,7-11). Jesus tornou-se o Senhor da história (Ap 5,7). Um resumo desta mensagem central está na visão inaugural (Ap 1,9-20). O seu lembrete repetido está nos títulos dados a Jesus e nas frequentes aclamações de vitória (Ap 2,1.8.12.18; 3,1.7.14; 5,5.9-10.12; 7,10. 17; 11,15; 12, 5.10; etc.). São como postes que conduzem o fio da mensagem ao longo das páginas do Apocalipse até à visão final da Jerusalém celeste (Ap 21-22). Co­municam às comunidades perseguidas a certeza da presença de que Jesus ressuscitado está vivo no meio delas. O Espírito e a Esposa dizem: “Vem!” Os sete espíritos são de Deus (Ap 4,5) e também do Cordeiro (Ap 3,1). Eles estão diante do Trono (Ap 1,4). Como fiéis mensageiros, são enviados por toda a terra para executar o plano de Deus (Ap 5,6). O Espírito se comunica com as comunidades e lhes faz saber qual a vontade de Deus: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às comunidades!” (Ap 2,7.11.17.29.; 3,6.13.22). Ele fala pelos profetas (Ap 19,10; 22,6), arrebata o vidente para comunicar as visões (Ap 1,10; 4,2; 17,3; 21,10) e suscita no ser humano o desejo de Deus e da união com Ele (Ap 22,17). O número sete indica a plenitude da presença de Deus no meio das comunidades. Perseguição e martírio Perseguição e sofrimento, insegurança, medo e perigo de morte, falta de horizonte, cansaço, eram o pão de cada dia do povo das comunidades (Ap 2,10; 6,9-11; 7,13-14; 12,13.17; 13,7; 16, 6; 17,6; 18,24; 20,4). Como sobreviver nesta situação e testemunhar a Boa Nova de Deus? O Apoca­lipse é mensagem de esperança para o povo perseguido (Ap 1,9-18). Através de imagens e símbolos, faz outra leitura dos fatos. Aquilo que aparentemente é derrota, fraqueza e morte, na realidade, é expressão da vitória de Jesus, é pedra na construção do Reino, etapa na realização do plano de Deus (Ap 5,6-10). Assim, a perseguição perde a sua virulência e invencibilidade e assume a dimensão de teste­munho, de martírio. Símbolos do passado O uso do Antigo Testamento caracteriza o Apocalipse. Um uso marcado pela familiaridade de quem se sente em casa no Antigo Testamento, pela liberdade de quem se sente herdeiro da tradição e pela fidelidade de quem quer ser fiel ao compromisso da Aliança. Sobre o sentido e o alcance dos símbolos, veja o Subsídio 6. Sobre o uso do Antigo Testamento, veja o Subsídio 10) O Específico: a fé na ressurreição O que marca o Apocalipse e o diferencia dos outros apocalipses é o alcance e a centralidade da fé na ressurreição. A ideologia persa admitia dois princípios absolutos que governam o mundo ou interferem na história, o bem e o mal. Os apocalipses judeus e cristãos não admitem este dualismo. Para eles, o que existe é o projeto de Deus e o desvio dos que se colocam contra o projeto. O poder do mal é real e é respon­sável pelo que faz, mas não é dono da história nem tem autonomia total. É um poder dependente e limitado. No fim todo o mal será totalmente eliminado. A vitória final será de Deus, será do bem.

ago 22 2021

APOCALIPSE E A VINDA DE JESUS NO FIM DOS TEMPOS

Frei Carlos Mesters, Carmelita 14ª Chave APOCALIPSE E A VINDA DE JESUS NO FIM DOS TEMPOS A palavra Apocalipse significa re-velação. O Apocalipse re-vela (desvela) a vinda de Jesus e a descreve de várias maneiras: como já presente nas comunidades (Ap 1,9-20); como apelo à conversão (Ap 2 e 3);  como libertador do povo perseguido (Ap 4-11); como Juiz que vem destruir as forças do mal que oprimem as comunidades (Ap 12-22). A vinda deve acontecer em breve (Ap 1,1). Ou melhor, já está acontecendo e, em breve, será revelada. No fim do livro, as comunidades pedem com insistência, para que Jesus não demore, e gritam: Vem! (Ap 22,17). O próprio Jesus responde: Sim, venho logo! (Ap 22,20). São várias maneiras de se entender a vinda de Jesus, mas todas elas são como galhos variados que nascem do mesmo tronco. Este tronco tem quatro aspectos importantes misturados entre si: 1) Centro e raiz de tudo: O centro e a raiz de tudo é o nome de Deus É-Era-Vem (Ap 1,4.8; 4,8). Ele vem e virá por fidelidade ao próprio Nome (cf. Sl 91,14-15; 52,9). Em tudo que acontece Deus está vindo até nós. Ao longo dos séculos, a sua vinda se intensifica e só terminará no fim da história. Aí ele se chamará Era-É (Ap 11,17; 16,5), e já não vem mais, pois já veio e a sua presença será total, tudo em todos (1Cor 15,28). 2) Experiência da ressurreição: As comunidades viviam a experiência forte da presença do Ressuscitado no meio delas, “no meio dos candelabros” (Ap 1,13.20). Ao mesmo tempo, viviam a expectativa intensa da sua manifestação plena no fim dos tempos e queriam saber como e quando seria esta vinda: “Senhor, é agora que vai restaurar o Reino de Israel?” (At 1,6) Jesus responde que, em vez de perguntar pela data da vinda futura, devem testemunhar a Boa Nova da vinda de Deus hoje no meio de nós (At 1,7-8). Irrigando esta semente da presença da vinda hoje, apressamos o amadurecimento da hora da vinda futura (2Pd 3,11-13; 4,7-11). 3) Interpretação dos fatos: A maneira dos primeiros cristãos falarem da vinda de Deus e de Jesus era uma forma de eles lerem e interpretarem os fatos da história e da vida. Era para dizer que não existe neutralidade. Todos nós, de uma ou de outra maneira, estamos contribuindo para a chegada do fim, ou a favor ou contra. Estamos todos jogando no campo. Não há arquibancada para assistir à história do lado de fora. Falar da vinda era uma forma de provocar compromisso e engajamento nas pessoas (2Ts 3,10-11). 4) Limitações inerentes a toda percepção: Finalmente, deve-se levar em conta o aspecto particular dos primeiros cristãos que, inicialmente, esperavam a chegada do Dia de Javé e a vinda de Jesus para logo. Foi a experiência concreta da presença libertadora de Jesus Ressuscitado, que os ajudou a perceber melhor o alcance e o significado mais profundo da vinda de Jesus. Mas isto foi um processo longo que levou muitos anos, toda a segunda metade do primeiro século (2Pd 3,8-10). O verdadeiro ecumenismo A comunidade de Filadélfia era perseguida pelos judeus fariseus, mas, conforme a afirmação da carta, estes acabarão por converter-se (Ap 3,9). Reconhecerão que Deus ama não somente a eles, os judeus fariseus, mas também aos irmãos cristãos. Aqui está o fundamento do verdadeiro ecumenismo: não brigar para um ter razão contra o outro, nem querer converter o outro para ele aderir ao grupo da gente, mas sim, sem nenhuma segunda intenção, viver de tal modo o amor de Deus, a ponto de tornar-se para o outro uma Boa Notícia do amor de Deus. Viver de tal modo que o outro terá que reconhecer: Deus te ama. Quando o outro diz a mim: “Reconheço que Deus te ama!”, ele fala a partir do Deus que ele adora. Se ele reconhece que o Deus dele ama também a mim, deverá reconhecer que somos irmãos. Este é o significado profundo da afirmação da carta: Vou entregar-te alguns da sinagoga de Satanás que se afirmam judeus, mas não são, pois mentem. Farei com que venham prostrar-se a teus pés e reconheçam que eu te amo!” (Ap 3,9) Não é proselitismo. Não é superioridade. É vivência gratuita do amor! A mesma intuição, Jesus a transmite no fim da oração-testamento, conservada no evangelho de João (Jo 17,20-26). Esta atitude ecumênica leva a sério a experiência de Deus dos que pensam diferente de nós.

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