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Archive for vidanova

set 11 2021

XXIV – DOMINGO DO TEMPO COMUM

12/09/2021: LITURGIA DA PALAVRA Primeira leitura: Is 50,5-9a Salmo responsorial: Salmo 114 (115) Segunda leitura: Tiago 2,14-18 Santo Evangelho: Mc 8,27-35 Tema: DEFENDER A VIDA DO OUTRO É ABRAÇAR O PROJECTO DE DEUS A Palavra de Deus neste domingo, convida-nos a abraçar o projecto de Deus que passa necessariamente pela defesa da vida numa altura que parece bastante fragilizada. Defender a vida significa, inicialmente acreditar que ela é dom de Deus. O relato de Isaías apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar a Palavra da salvação e que, para cumprir essa missão, enfrenta a perseguição, a tortura, a morte. Contudo, o profeta está consciente de que a sua vida não foi um fracasso: quem confia no Senhor e procura viver na fidelidade ao seu projecto, triunfará sobre a perseguição e a morte. O “Servo” sofredor, apresentado por Isaías, que põe a sua vida, integralmente, ao serviço do projecto de Deus e da salvação dos homens mostra-nos o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Darias a sua vida para defender a vida dos outros? Na guerra provocada por terroristas, acompanhamos testemunhos de muitas pessoas que deram a vida pelos outros. Sejamos corajosos para defender a vida que está muito fragilizada. O Evangelista Marcos apresenta Jesus como o Messias libertador, enviado ao mundo pelo Pai para oferecer aos homens o caminho da salvação e da vida plena. Pedro professa sua fé em Jesus, o Messias. Para Marcos, Jesus cumpre o plano do Pai. Jesus mostra aos discípulos que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante: dar a vida aos outros no sofrimento paciente. A segunda leitura lembra aos crentes que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos. O autor apresenta a relação entre a fé e as obras. A fé sem obra é morta. O cristão não deve viver de utopias mas de uma realidade que parte pela acção concreta como fruto da sua fé em Cristo. Nas nossas paróquias, os livros de registo de sacramentos, encontramos milhares de baptizados, mas poucos vivem “o ser cristão autêntico”. A nossa caminhada cristã não é um processo teórico e abstracto concretizado num reino de bons discursos que parecem de campanha eleitoral; mas é um compromisso efectivo com Cristo que tem de se traduzir, a cada instante, em gestos concretos em favor dos irmãos. Quem é Jesus para ti? O que é que “os homens”, seus amigos, familiares, outras religiões dizem de Jesus? Jesus não é um simples profeta nem um nacionalista. Por isso ele pergunta a todos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a pergunta de Jesus obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir… Quem é Cristo para mim? Jesus tornou-se um de nós para concretizar os planos do Pai e propor aos homens e mulheres do seu tempo e do nosso – através do amor, do serviço, do dom da vida – o caminho da salvação, da vida verdadeira. Jesus nos ensina  a “renunciar a si mesmo”, o que implica a não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a auto-suficiência dominem a vida. Jesus nos ensina também a “tomar a cruz”, que significa amar até às últimas consequências, até à morte. Compromisso Pessoal Vivenciar gestos de gentileza, de serviço, de perdão, de partilha na família, na comunidade e na sociedade. Suportar com paciência as perseguições e os sofrimentos deste mundo. Seguir o caminho de Cristo conscientes de que a cruz é pesada.

set 04 2021

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

5/9/2021 – LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Is 35,4-7a Salmo: 145 (146) Segunda Leitura: Tiago 2,1-5 Evangelho: Mc 7,31-37 Tema: SER PROFETA DE ESPERANÇA E DO AMOR Neste Domingo, a Palavra de Deus fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade da pessoa humana, obra das suas mãos. Deus está continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar a pessoa humana, com o propósito de fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo renovado em Cristo. Na primeira leitura, Isaías garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Deus está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar e para o conduzir à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá. Em momento em que o mundo está a passar muitos problemas, como por exemplo, da pandemia Covid-19, das guerras, precisamos de cristãos com uma visão profética para dar esperança ao povo para superar o desespero e a angústia. Deve haver gente que saiba interpretar os sinais de Deus consolando Seu povo. No Evangelho, São Marcos relata o cenário no qual Jesus é o cumpridor da profecia de Isaías o mandato que o Pai Lhe confiou: abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo. No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na auto-suficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão. O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem excepção. Hoje mais que do nunca, é uma urgência a acção e o testemunho cristão que assume a posição de Cristo – sinal visível da presença de Deus no meio do povo. O cristão não se conforma com o sofrimento do outro, mas antes se empenha na libertação dos pobres e excluídos. Na segunda leitura, Tiago dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a seguir o Mestre no caminho do amor, da partilha, da doação. Tiago convida aos cristãos a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres. Para os optimistas, os profetas do bem, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes descobertas, em que se abre todo um mundo de possibilidades ao homem. Embora haja pandemia, há descoberta de vacinas, há solidariedade; alguns países ricos partilham seus bens. Porém, o profeta deve também denunciar os males sem no entanto ser pessimista. O profeta deve apontar o uso abusivo dos recursos naturais verificando-se a eliminação das florestas que trazem consequências do sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozono. Isto é, os males que verificamos, são provocados pelos homens e não se trata de castigo ou abandono de Deus. O problema da discriminação e da marginalização das pessoas põe-se também – e talvez com maior ênfase nos actuais fenómenos de refugiados e deslocados de guerra e de diversos conflitos e desempregos. O cristão é convidado a denunciar não só em palavras mas dando o exemplo de acolhimento e partilha de bens.   Compromisso Pessoal Olhar os sinais dos tempos e transformá-los em ocasião de profecia. Ser profeta de esperança para animar os pobres e excluídos. Incentivar a comunidade cristã a acolher os deslocados e refugiados. Ser testemunhas do amor de Deus revelado por Cristo.

set 03 2021

Ordenamento territorial e conflito de terras nas cidades e vilas

Por  Dr. Armando Alí Amade “Vivo num bairro nos arredores da cidade da Beira desde 2018. Naquela altura éramos poucos e ocupávamos o espaço que desejávamos. Ao longo destes anos o bairro ficou superlotado e temos muitos conflitos com os vizinhos que pretendem ocupar tudo. Cada dia é uma luta para poder passar entre as casas porque o espaço fica cada vez mais reduzido. Se acontecer uma infelicidade nenhum carro pode passar nos labirintos para socorrer. Como podemos defender-nos destes abusos?” (Camila Araújo)   Moçambique regista um crescimento urbano bastante rápido, impulsionado pelo crescimento populacional. Apesar do crescimento urbano ser importante para o desenvolvimento do país, este comporta consigo algumas desvantagens mormente a pressão que o solo urbano sofre devido à concentração da população. Devido ao elevado número de habitantes num pequeno espaço de terra, regista-se a construção desordenada de casas ou barracas para pequenos negócios, construção em locais impróprios por vezes nas bermas das estradas e ruas, forçando por conseguinte a redução das dimensões das próprias ruas e vias de acesso, obstrução da passagem das águas fluviais, acessos condicionados para a remoção do lixo urbano, rápida mobilidade, em caso de necessidade, do corpo de salvação pública (Bombeiros), ambulâncias, para além do impacto Ambiental… O assunto apresentado na carta é de dimensões enormes, notório um pouco por todas as cidades do nosso país.   Medidas e meios para defesa contra o desordenamento territorial nos bairros Desde já indicamos a Constituição da República de Moçambique de 2004 (CRM); o artigo 35 recomenda que “Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnico, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou ocupação política.” Portanto, à partida, todos nós temos direitos consagrados na Constituição mas também deveres e ou obrigações e assim, qualquer cidadão pode fazer uso dos seus direitos sem necessariamente lesar os direitos dos outros, seus vizinhos ou concidadãos. “Todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente equilibrado e o dever de o defender” – n.º 1 do artigo 90 da CRM. Por outro lado, ainda com base na Lei-mãe, todos os cidadãos têm direito à habitação condigna, sendo dever do Estado, de acordo com o desenvolvimento económico nacional, criar as adequadas condições institucionais, normativas e infra-estruturais – n.º 1 do artigo 91 da CRM. Assim dito, significa dizer que cabe às estruturas locais, sejam elas províncias, distritos, postos administrativos, localidades e povoações solucionar as preocupações e inquietações dos residentes de cada parcela territorial. Por outro lado, temos a Lei n.º 19/2007, de 18 de Julho (Lei do Ordenamento do Território). Essa lei faz o enquadramento jurídico da Política de Ordenamento do território, para que se alcancem, objectivos essenciais com destaque para o aproveitamento racional e sustentável dos recursos naturais, a preservação do equilíbrio ambiental, o melhoramento das condições de habitação podemos incluir aqui o acesso as habitações – ruas e estradas. O processo de ordenamento do território obedece a alguns princípios, para o caso em análise chamamos à colação o Princípio da Responsabilização, que recomenda a toda e qualquer entidade, pública ou privada, por qualquer intervenção sobre o território que possa ter causado, ou vir a causar, danos e degradação do território, ou afectar a sustentabilidade ambiental, assegurando a obrigação da reparação desses mesmos danos e a compensação dos prejuízos causados à qualidade de vida dos cidadãos., atento a alínea e) do artigo n.º 4 da Lei do Ordenamento do Território. Mais do que isso, o Estado e as Autarquias Locais devem promover, orientar, coordenar e monitorizar de forma articulada o ordenamento do território, no âmbito das suas atribuições e das competências dos respectivos órgãos. “Como podemos nos defender?” Primeiro, é necessário aproximar-se do Secretário do seu Bairro, apresentar o assunto que vos incomoda, ouvir as suas respostas ou formas de solução. Segundo, indicamos mais uma figura jurídica que serve para salvaguardar os acessos à via pública ou vice-versa chamada Servidão. Servidões legais de passagem como, dispõe o nº 1 do artigo 1550º do Código Civil é um meio que “os proprietários de prédios que não tenham comunicação coma via pública, nem condições que permitem estabelecê-la sem excessivo incómodo ou dispêndio, têm a faculdade de exigir a constituição de servidões de passagem sobre os prédios rústicos vizinhos”. Como pode perceber, essa é mais uma forma legal para exigir às autoridades competentes em especial as estruturas do seu Bairro o alargamento das ruas. Por outro lado é necessário um rigoroso acompanhamento das construções que vão ocorrendo por aí. Sabido que para a construção de qualquer empreendimento é sempre necessário uma licença de construção emitida pelo Município, Administração do Distrito ou Governo Provincial.

set 03 2021

Crónica do mês – O importante são as regalias

Moçambique atravessa momentos terríveis de crises incomuns e profundas. Por um lado está reinando o devastador terrorismo em Cabo Delgado e a instabilidade Nhonguista no Centro do país. Por outro lado, está a crise imposta pela pandemia do Coronavírus. Além disso, vive-se a crise financeira forçada pelas famosas dívidas ocultas; a crise social de subida crescente do custo de vida e, a crise da incerteza do futuro do país. A meio de tudo isso, já vai mais de um ano em que o salário mínimo é remetido ao esquecimento. Face ao recrudescimento da pandemia do Coronavírus, em 2020 o reajuste do salário mínimo foi suspenso. Para 2021 enquanto parecia haver algum interesse eis que, de novo, foi suspensa a apreciação dessa matéria e ainda sem data para sua retoma. O que estará por detrás desta suspensão? Falta de dinheiro? Falta de vontade política? Falta de compaixão para com os pequenos? Lembro que a Ministra da Administração e Função Pública, Ana Comoana, em 2020, declarou que “Os incrementos salariais nunca são aleatórios. Tomam como base o desempenho económico do país. Se o desempenho económico não justificar, um determinado aumento salarial, por muito boa vontade que exista, poderá não ocorrer, ou se houver, não ser naquela proporção em que se está a pensar”, afirmou Comoana. Se prestarmos atenção iremos notar que o Estado moçambicano continua a arrecadar receitas, apesar da pandemia. Aliás, as instituições do Estado nunca pararam, estão a trabalhar normalmente. Então será uma punição? Com qual pretexto e finalidade? O Governo, no uso das suas competências deveria encontrar um meio termo para poder reajustar o mínimo que beneficia os mínimos. Mesmo assim, o Parlamento moçambicano deu-se o privilégio de aprovar o Projecto de Lei do Estatuto do Funcionário e Agente Parlamentar. Trata-se de cerca de 100 milhões de meticais, anunciados pelo Ministério das Finanças, um valor exagerado para fazer cobertura das regalias para os funcionários e agentes do parlamento beneficiando demais a minoria enquanto a maioria do povo continua a devorar a sorte de cada dia. Em que país vivemos? Há alguns que defendem que o Estatuto de Funcionário Parlamentar é para permitir que os visados se sentam valorizados como à semelhança dos outros membros dos órgãos de soberania, nomeadamente os funcionários da Presidência, do Conselho de Ministros e das magistraturas judiciais e do Ministério Público. Pode ser que haja suposta legalidade nisso, pois dizem ser benefícios que constam na Lei Orgânica e no decreto de assistência médica e medicamentosa. Mas era pertinente nesta altura do campeonato? Onde está a compaixão, a empatia, o amor ao povo, o patriotismo, a sensibilidade para com o sofrimento dos outros? Até quando a elite deixará de olhar para si só e seus ganhos? Não séria prioridade o terrorismo de Cabo Delgado? Não seriam prioritários os cerca de 1 milhão de concidadãos nossos que passam fome por causa da estiagem que assola certas regiões do norte do país? Vasculhando as páginas do documento aprovado, os funcionários e agentes da Assembleia da República passam a merecer subsídios diversificados para além do seu salário mensal. Assim, haverá subsídio para assistência médica até com direito de comprar medicamento nas farmácias privadas mais caras; subsídio de alimentação, de sessão na Assembleia da República, subsídio de férias correspondente ao salário base para gozar bem o tempo de descanso como quiser e com quem ou onde quiser ir estar. O mais caricato de tudo isso é que eles terão subsídio para comprar roupa para festas solenes (Risos). Tudo isso? Então significa que o salário mensal só servirá para guardar e comprar caixão dos netos ou filhos. Cumpre-se a Escritura “Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado” (Mt 13,12; 25,29). E porque este tratamento diferenciado dos restantes trabalhadores da Função Pública? Quem são os filhos e os enteados? Se não há condições para o reajuste do salário mínimo, nada justifica que prevaleça discriminação no seio dos funcionários públicos. Que haja equidade! Todos nós sabemos que há muitos desses funcionários cujo trabalho é improdutivo. Porque se deve aplaudir assimetrias socioeconómicas que aumentam o descontentamento no seio do povo? Faltam políticas sociais para a promoção do bem comum, a ser assim o desenvolvimento integral será sempre assunto bonito dos papeis e longe da realidade. De facto, este país tem donos que merecem ganhar cada vez mais. Será possível que todo povo se transforme em funcionários parlamentares? Quem ficará nos hospitais, nas escolas, nas machambas, nos chapa-cem, nas fábricas, na marinha, no desporto, entre outras áreas de trabalho? Por Kant de Voronha, in Anatomia dos factos

set 03 2021

Para um estilo de vida sustentável

Ao final do Regina Coeli na solenidade de Pentecostes (23/5/21), papa Francisco anunciou um percurso operativo de sete anos, que guiará todas as realidades eclesiais a assumir um estilo de vida sustentável: plataforma Laudato’Si. “Amanhã encerra-se o Ano Laudato si’. Agradeço a todos aqueles que participaram com numerosas iniciativas no mundo inteiro. É um caminho que devemos continuar juntos, ouvindo o grito da Terra e dos pobres. Por isso, começará imediatamente a “Plataforma Laudato si’”, um caminho activo de sete anos que orientará as famílias, as comunidades paroquiais e diocesanas, as escolas e as universidades, os hospitais, as empresas, os grupos, os movimentos, as organizações e os institutos religiosos a assumir um estilo de vida sustentável. E parabéns aos numerosos animadores que hoje recebem o mandato de propagar o Evangelho da Criação e de cuidar da nossa casa comum.” (Papa Francisco, Regina Coeli de 23/5/21). Francisco destacou a necessidade de dar continuidade à Semana da Laudato Si, celebrada no mês de Maio, “Vai começar imediatamente a Plataforma ‘Laudato Si’, um percurso de sete anos que vai guiar as famílias, as comunidades paroquiais e diocesanas, as escolas, as universidades, os hospitais, empresas, grupos, movimentos, organizações, institutos religiosos, para assumir um estilo de vida sustentável”, indicou. A iniciativa é resultado de um esforço liderado pelo Vaticano para capacitar instituições católicas, comunidades e famílias para implementar as orientações da encíclica na próxima década. O Papa deu os parabéns aos animados ‘Laudato Si’, que receberam o mandato especial para “difundir o Evangelho da Criação e de cuidar da casa comum” no dia de Pentecostes. Celebreremo un incontro di preghiera di chiusura da Assisi e Roma per esprimere la nostra gratitudine a Dio nostro Creatore e chiedere sostegno per il lavoro a venire. In questa festività di Pentecoste, in cui si celebra anche l’inizio della Chiesa, vogliamo rimettere un mandato missionario agli Animatori locali Laudato Si’ e ad altri operatori pastorali, affinché vadano ad annunciare “il Vangelo della Creazione” (LS capitolo 2) in ogni angolo del globo. Dato il tema dell’evangelizzazione, la celebrazione sarà guidata dal cardinale Tagle. Na missa de encerramento da Semana da Laudato Si que teve lugar em Assis e Roma foi o momento para expressar a nossa gratidão a Deus, nosso Criador, e pedir apoio para o trabalho que está para vir. Na solenidade de Pentecostes, em que se celebra também o início da Igreja, foi entregue um mandato missionário aos animadores locais Laudato Si ‘e a outros agentes pastorais, para que vão anunciar “o Evangelho da Criação” (LS capítulo 2) em todos os cantos do globo.   Os 7 Objectivos da Plataforma Laudato Si Acompanham a caminhada estes objectivos operacionais: a resposta ao grito da Terra, a escuta do grito dos pobres, a economia ecológica, a adopção de um estilo de vida simples, a educação ecológica, a espiritualidade ecológica e o compromisso comunitário. Na mensagem que papa Francisco enviou no dia do lançamento da Plataforma renova a exortação, dirigida a todas as pessoas de boa vontade e contida na carta encíclica promulgada em 2015: “tenham cuidado com a Terra, que é a nossa casa comum ”. A actual pandemia trouxe à luz ainda mais o grito da natureza e dos pobres que mais sofrem com ela, destacando que tudo está interligado e interdependente e que nossa saúde não está separada da saúde do meio ambiente em que vivemos.

set 02 2021

Cabelo da mulher: estado social, religioso e a identidade da pessoas

Por Judite Macuacua   O cabelo foi, ao longo da história especialmente para as mulheres, fontes de identidade e de preocupação. O cabelo trançado contribuiu para dar mais brilho a toda a pessoa e também indicava a identidade e o grupo de pertença do individuo. Vamos apresentar um breve escursos histórico sobre o desenvolvimento dos vários penteados feminino. Antigamente o cabelo trançado indicava o estado social, religioso e a identidade da pessoas em relação ao grupo étnico a quem pertencia. Segundo historiadores, a tradição de trançar o cabelo, teve origem na Namíbia, na África, e era uma prática comum entre mulheres para se diferenciar das outras tribos da região. A sua origem data do ano 3.500 a.c. e ao longo dos anos, ela evoluiu, as suas formas e estilos, foram reinventados. Por isso, a arte de trançar o cabelo, foi transmitida de geração em geração, e através dela podia-se distinguir o grupo de filiação, e também se tornou uma coexistência devido ao tempo que levou para terminar o penteado. Assim, na Civilização Egípcia, conta-se que as tranças eram um símbolo da posição social. As mulheres dos grupos superiores, acrescentavam extensões trançadas aos cabelos e os homens, como símbolo divino, usavam-nas nas barbas. Na Grécia, as mulheres de alta sociedade, usavam cabelos muito compridos e trançados, enquanto que os escravos usavam cabelos curtos. Entretanto, com origem na África, as tranças podem possuir diversas formas e a sua história mostra-nos que elas são muito mais que um penteado. A este propósito, sabe-se que antigamente, alguns tipos de tranças, como por exemplo, as nagôs, angolas, jejes e fulas, tinham um papel importante como condutoras de mensagens. Daí que, durante o período de escravidão no Brasil, as tranças eram utilizadas para identificar as tribos a que pertenciam os escravos, por meio dos seus desenhos, elas serviam também como mapas e rotas para as fugas planeadas.   Em Moçambique Olhando para a nossa realidade moçambicana, que talvez a prática seja recente, não há registo específico do simbolismo das tranças, sendo que, as mesmas podiam e ainda continua a ser assim, são feitas em mulheres de todas as idades e com cabelos curtos, médios e longos com o intuito de, apenas conferir à mulher, um belo visual, independentemente do seu posição social e religiosa. Dada a importância que as tranças significam para a mulher moçambicana, e não só, mas também para alguns homens amantes das tranças, principalmente os jovens, movidos pela vaidade e sua inserção artística (Rastafaris), a cantora moçambicana Júlia Duarte, lançou em Agosto do ano passado, “perucas de tranças africanas”, com o seu nome. Esta iniciativa da cantora moçambicana, é um dos exemplos que testemunham quanto seja importante a arte das tranças no continente africano e no mundo, em geral.   Conheça alguns modelos de tranças afro De acordo com os historiadores, sendo as tranças de origem africana, a mais antiga feita de cabelo natural, são a “nagô”, que consiste numa trança rasteira, rente ao couro cabeludo. As nagôs são muito utilizadas por quem está a passar pelo período de transição capilar, ou seja, saindo de algum tipo de alisamento ou tratamento químico para voltar a usar as formas naturais dos fios. Relativamente às Tranças Afro, são essencialmente, estilos de entrelaçamento que juntam uma fibra sintética ao cabelo e datam dos anos 90, conhecidas pelos seguintes nomes: * kanekalon – É um modelo de tranças que faz parte de uma estética africana milenar, que sobrevive mesmo depois de séculos de apagamento. * box braids – Este modelo é o mais popular e também o mais clássico. As box braids consistem, basicamente , em juntar a fibra sintética com o comprimento da cabelo. Com elas, dá para prolongar o comprimento e apostar em cores diferentes. Segundo os entendidos na matéria, é o modelo mais procurado nos salões, principalmente por quem passa pela transição capilar e está esperando que os fios naturais cresçam. * Jumbo – ao contrário do que a maioria pensa, não é necessariamente o modelo da trança no cabelo, mas sim, o tipo de fibra sintética usada para fazer as box braids. Isto é, a versão mais acessível e universal para fazer tranças justamente por ser mais leve, fácil de comprar e ter um preço bom. * twist – O Twist, também conhecido como Marley Hair, é feito com uma fibra capilar diferente, que leva o mesmo nome da técnica. O resultado é um entrelace lindo, muito diferente das box braids, mas tão arrasador.   Tranças afro estragam o cabelo? Porque a beleza e a vaidade têm as suas consequências, por vezes, nefastas, essa é uma das perguntas geralmente feitas por quem pensa em aderir a esse penteado, mas a resposta não é tão simples assim. Como quase tudo o que é feito nos fios, depende muito de como a trança será feita e do estado dos fios antes do processo. Todavia, importa honestamente revelar que, em alguns casos, as tranças afro podem, sim, estragar o cabelo. Para se evitarem os eventuais transtornos, nesse sentido, aconselha-se às interessadas, que recorram aos profissionais qualificados, principalmente, quando é utilizado um material com um peso superior ao que o cabelo suporta. De igual modo, o outro caso que pode danificar o cabelo, é a não higienização correcta e o atrito excessivo durante a lavagem. Por outro lado e segundo a recomendação dos profissionais, durante a retirada dos fios nas tranças, é preciso ter cuidado redobrado, porque o processo exige muita paciência e o uso do creme apropriado.

set 02 2021

MOÇAMBIQUE: DA OPOSIÇÃO MORIBUNDA AO DECLÍNIO DA DEMOCRACIA

Por Dr Deolindo Paúa A democracia é habitualmente entendida como a forma de coexistência política e social entre pessoas com diferença de ideias. Com ela, supõe-se que os homens que vivem numa sociedade tenham, tal como é sua natureza e seu direito, pontos de vista diferentes. Por isso, no seio da sociedade em que vive, cada um vê a verdade de forma diferente. Por isso também cada um tem a sua própria forma de fazer as coisas para chegar a um objectivo satisfatório. Na arena política, a democracia aglutina diferentes visões de governação. Cada pessoa, cada partido, cada grupo de sociedade civil tem a sua própria visão sobre como o país devia ser governado para criar o bem-estar de todo o povo. Assim, quem está no poder deve se esforçar para demonstrar que a ideologia do seu partido sobre o ideal de boa governação é a melhor. Igualmente, quem está fora do poder e almeja chegar a ele, deve se esforçar para provar que a ideologia de quem governa não é suficientemente eficaz para criar o efeito desejado por todos que é o bem-estar do povo. É assim que funciona uma democracia saudável e desejável. Em condições normais, esta oposição que deve ser saudável e resumida apenas na diferença de ideologias leva a boa-governação. Pela pressão da oposição, quem assume o poder tem medo de perdê-lo, por isso faz tudo (ou devia fazer tudo) para satisfazer aos cidadãos e demonstrar que ele é a melhor opção. É por isso que se diz que a boa governação é resultado de uma boa oposição. Num país onde a oposição é actuante, forte, patriota e inconformada, quem assume o poder sente a responsabilidade obrigatória de se comprometer com os anseios de quem lhe elegeu. A oposição, em todos os seus sentidos, funciona como fiscal das actividades de quem assumiu o poder. Por isso, mais do que um grupo de pessoas pessimistas e que ficam atentas aos erros do governante para deles se aproveitarem e fazer sua propaganda política, a oposição deve ser e continuar crítica. A oposição deve posicionar-se a favor do povo, continuar atenta a possíveis desvios do contrato social. O objectivo de uma oposição, ao invés de sabotagens inoportunas ao governo, deve ser o de detectar a tempo práticas contrárias à lei e ao projecto de construção nacional para poder inviabilizar. Importância da oposição Entendida desta forma, podemos dizer que no passado, foi por meio de uma oposição crítica e patriótica que em alguns países, presidentes corruptos foram destituídos; foi por meio de uma oposição construtiva que foram abordados planos tirânicos em países de democracia operante; é por meio de uma oposição atenta e focada nos objectivos nacionais que a justiça social é instalada, a vontade popular é respeitada e os anseios do povo são realizados. Uma oposição, investindo no seu compromisso patriótico de ansiar a governação por meio de uma ideologia que acha correcta faz um controle cerrado a administração do Estado. A oposição não é, portanto, algo a combater ou a eliminar, mas pelo contrário, algo a solidificar e a recomendar. A forma mais baixa e vergonhosa de fazer política que se pode observar em países democráticos como o nosso é aquela que ocupa o governante e seus seguidores no combate a sua oposição política. O que seria dos países sem uma oposição política? Modelo problemático moçambicano de oposição Desde a independência, Moçambique já experimenta uma oposição ao poder constituído. Desde os tempos da fundação do Estado, com os chamados reaccionários que não concordavam com o modo que se assumiu o poder, passando pela igreja que, comprometida com os direitos humanos, não concordava com o modo violento de imposição da ordem nacional depois da independência, passando também pelo tempo da crise política e social dos 16 anos, até a constituição formal do Estado democrático, houve sempre vozes gritantes e insurgentes contra o modo de exercício de poder. A democracia popular supostamente implantada por Samora Machel não sobreviveu, graças a uma oposição operante. No seu lugar foi colocada a democracia eleitoralista. Com efeito, desde a Constituição da República de 1990, abre-se uma nova forma de fazer oposição. Uma oposição pública e formal e não como a do passado que era clandestina e informal. Não se pode negar que apesar de ainda prevalecerem desafios para a sua melhoria, a nova democracia ajudou na construção de um novo Moçambique. Um Moçambique com alguns direitos e liberdades alcançadas. Um Moçambique que formalmente aceita visões diferentes sobre a realidade. Apesar das perseguições políticas que ainda se observam contra alguns que pensam diferente do poder constituído e da visão considerada oficial, existe consciência sobre a ilegitimidade dessas práticas de perseguição clandestina. Aliás, existe também consciência de que essas perseguições são movidas por um espírito egoísta de se manter no poder contra a vontade das pessoas que devem normalmente decidir. O multipartidarismo O surgimento de cada vez maior número de partidos políticos e organizações da sociedade civil activas no cenário nacional moçambicano demonstra o rumo certo em que estamos na construção de novas ideologias para o desenvolvimento. O que se espera é que esses partidos tenham o activismo necessário, que até aqui não demonstraram. Vários partidos da oposição com activismo e ideologia recomendáveis seriam uma conquista para o desenvolvimento. Colocariam quem governa na obrigação de trabalhar exclusivamente no compromisso da qualidade de governação e da vontade popular e não mais com compromissos de grupos étnicos ou partidários. Moçambique já teve partidos da oposição e líderes activos. Os moçambicanos já experimentaram alternância política recomendável. Hoje, apesar do tendente crescimento da nossa democracia, e do relativamente favorável espaço para fazer política, para fazer oposição formal e de qualidade, os partidos políticos da oposição parece terem afrouxado. Parece terem-se rendido ao modelo de governação do partido que governa o país. Já não se ouve mais aquelas vozes discordantes a reclamar e exigir qualidade na governação em nome do povo. Se existem essas vozes, gritam apenas por conveniência e não porque se sensibilizam com o drama da pobreza, da

set 02 2021

A política colocada ao serviço do verdadeiro bem comum

O Papa Francisco no capítulo V da encíclica Fratelli Tutti afirma que para se tornar possível o desenvolvimento duma comunidade mundial capaz de realizar a fraternidade a partir de povos e nações que vivam a amizade social, é necessária a política melhor, a política colocada ao serviço do verdadeiro bem comum. A necessidade duma política melhor que esteja ao serviço do bem comum hoje, infelizmente, é contrastada por uma política que assume formas que dificultam o caminho para um mundo diferente. Populismos e liberalismos «O desprezo pelos vulneráveis pode esconder-se em formas populistas que, demagogicamente, se servem deles para os seus fins, ou em formas liberais ao serviço dos interesses económicos dos poderosos. Em ambos os casos, é palpável a dificuldade de pensar num mundo aberto onde haja lugar para todos, que inclua os mais frágeis e respeite as diferentes culturas (155). Os grupos populistas fechados deformam a palavra «povo», porque aquilo de que falam não é um verdadeiro povo. De facto, a categoria «povo» é aberta. Um povo vivo, dinâmico e com futuro é aquele que permanece constantemente aberto a novas sínteses assumindo em si o que é diverso. E fá-lo, não se negando a si mesmo, mas com a disposição de se deixar mover, interpelar, crescer, enriquecer por outros; e, assim, pode evoluir (160). A grande questão é o trabalho. Ser verdadeiramente popular – porque promove o bem do povo – é garantir a todos a possibilidade de fazer germinar as sementes que Deus colocou em cada um, as suas capacidades, a sua iniciativa, as suas forças. Esta é a melhor ajuda para um pobre, o melhor caminho para uma existência digna. Por isso, insisto que “ajudar os pobres com o dinheiro deve sempre ser um remédio provisório para enfrentar emergências. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho”… Numa sociedade realmente desenvolvida, o trabalho é uma dimensão essencial da vida social, porque não é só um modo de ganhar o pão, mas também um meio para o crescimento pessoal, para estabelecer relações sadias, expressar-se a si próprio, partilhar dons, sentir-se corresponsável no desenvolvimento do mundo e, finalmente, viver como povo (162). A categoria de povo, que inclui intrinsecamente uma avaliação positiva dos vínculos comunitários e culturais, habitualmente é rejeitada pelas visões liberais individualistas, que consideram a sociedade como uma mera soma de interesses que coexistem. Falam de respeito pelas liberdades, mas sem a raiz duma narrativa comum. (163)   A caridade caminho de transformação Portanto, nem o populismo nem o liberalismo são caminho eficaz de transformação da história. Porém a verdadeira caridade é capaz de incluir tudo isto na sua dedicação; e se se deve expressar no encontro de pessoa a pessoa, também consegue chegar a uma irmã, a um irmão distante e até desconhecido através dos vários recursos que as instituições duma sociedade organizada, livre e criativa são capazes de gerar. O amor ao próximo é realista, e não desperdiça nada que seja necessário para uma transformação da história que beneficie os últimos (165).   A mudança necessária A consistência de tudo isto poderá ser bem pouca, se perdermos a capacidade de reconhecer a necessidade duma mudança nos corações humanos, nos hábitos e estilos de vida. É o que acontece quando a propaganda política, os meios e os criadores de opinião pública persistem em fomentar uma cultura individualista e ingénua à vista de interesses económicos desenfreados e da organização das sociedades ao serviço daqueles que já têm demasiado poder (166). A tarefa educativa, o desenvolvimento de hábitos solidários, a capacidade de pensar a vida humana de forma mais integral, a profundidade espiritual são realidades necessárias para dar qualidade às relações humanas, de tal modo que seja a própria sociedade a reagir face às próprias injustiças, às aberrações, aos abusos dos poderes económicos, tecnológicos, políticos e mediáticos. Há visões liberais que ignoram este fator da fragilidade humana e imaginam um mundo que corresponda a uma determinada ordem que poderia, por si só, assegurar o futuro e a solução de todos os problemas (167).   Movimentos Populares 169. Em determinadas visões económicas fechadas e monocromáticas, parece que não têm lugar, por exemplo, os Movimentos Populares que reúnem desempregados, trabalhadores precários e informais e tantos outros que não entram facilmente nos canais já estabelecidos. Na realidade, criam variadas formas de economia popular e de produção comunitária. É necessário pensar a participação social, política e económica segundo modalidades tais «que incluam os movimentos populares e animem as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com aquela torrente de energia moral que nasce da integração dos excluídos na construção do destino comum» e, por sua vez, se incentive a que «estes movimentos, estas experiências de solidariedade que crescem de baixo, do subsolo do planeta, confluam, sejam mais coordenados, se encontrem».143 Mas fazê-lo sem trair o seu estilo caraterístico, porque são «semeadores de mudanças, promotores de um processo para o qual convergem milhões de pequenas e grandes ações interligadas de modo criativo, como numa poesia».144 Neste sentido, são «poetas sociais» que à sua maneira trabalham, propõem, promovem e libertam. Com eles, será possível um desenvolvimento humano integral, que implica superar «a ideia das políticas sociais concebidas como uma política para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres, e muito menos inserida num projeto que reúna os povos».145 Embora incomodem e mesmo se alguns «pensadores» não sabem como classificá-los, é preciso ter a coragem de reconhecer que, sem eles, «a democracia atrofia-se, torna-se um nominalismo, uma formalidade, perde representatividade, vai-se desencarnando porque deixa fora o povo na sua luta diária pela dignidade, na construção de seu destino» (169).

set 01 2021

Agricultores de hortícolas na cintura verde da cidade de Nampula queixam-se de roubos

Trata-se de um caso recorrente, facto que esvazia todo esforço empreendido por alguns agricultores,que vêem a actividade como sustento para os seus dependentes. Segundo Maurício Jaime produtor de hortícolas localizada na cintura verde do bairro de Napipine, o esquema tem surtido efeitos na calada da noite, onde os supridores se fazem as machambas tirando toda a produção, cujo destino supõe-se que seja a venda. “alguns roubos de hortícolas são feitas por nossos colegas e por pessoas que se fazem de compradores” afirmou o nosso entrevistado, onde sublinhou que, como forma de combater o imbróglio, montou-se lâmpadas em todos os cantos da horta como forma de persuadir os amigos do alheio. A fonte, sublinhou que nas três épocas deste ano, já perdeu cinco canteiros que equivale a dez mil meticais. Quem compartilha as lamentações de furto, é o senhor Avelino Armando que também depende desta actividade, que só neste ano já perdeu cinco canteiros de couve e alfasse que equivale a 11 mil meticais. Estes soltam o grito de socorro para as autoridades de direito, com vista a travar este negro cenário que assola a área verde da cidade de Nampula. (Júlio Assane)

set 01 2021

SENAMI impede permanência de indivíduos estrangeiros em Nampula

O serviço nacional de migração em Nampula SENAM em frustrou a permanecia ilegal de cidadãos estrangeiros em solo Pátrio. Trata-se de 13 indivíduos de diferentes nacionalidades, algumas das quais trabalhadoras de sexo, que através de documentos falsos permaneciam de forma ilegal no País Inércia nota porta-voz dos serviços nacional de Migração em Nampula, garante que há trabalhos em curso visando impedir a entrada e permanecia ilegal de cidadãos estrangeiros. Entretanto, os inquilinos ora retidos, assumem estar no território nacional a mais de 20 anos usando documentos falsos. “Nós estamos a viver na província de Nampula a mais de 20 anos e com documentos falsos, fui pego na casa de um amigo onde eu estava a viver enquanto espera tratar os meus documentos que para permanecer definitivamente no território moçambicano” afirmou um cidadão de nacionalidade Guineense. De referir que num período não distante Serviços Nacional de Migração em Nampula repatriou seis cidadãos estrangeiros que viviam ilegalmente no território Moçambicano.(Júlio Assane)

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