logo

Archive for vidanova

out 18 2021

Catequista – Tornar o Evangelho sempre actual

Após o “Directório Catequístico Geral” de 1971 e o “Directório Geral para a Catequese” de 1997, a 23 de Março de 2020, o Papa Francisco aprovou o novo “Directório para a Catequese”, elaborado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. Aqui vai uma breve apresentação. O documento afirma que cada baptizado é um discípulo missionário enviado a comunicar a fé. Há três princípios básicos que orientam a comunicação da fé: o testemunho, porque “a Igreja não cresce pelo proselitismo, mas pela atracção”; a misericórdia, que é uma autêntica catequese para tornar credível o anúncio do Evangelho; o diálogo, livre e gratuito que, impelido pela caridade, contribui para promover a paz e a fraternidade.   A tarefa da catequese A catequese deve ter um caracter missionário: “À luz destas linhas que caracterizam a catequese em perspectiva missionária, relê-se também a finalidade do processo catequético (…): levar cada pessoa à comunhão íntima com Cristo (…), realizada mediante um processo de acompanhamento (…), que leve ao amadurecimento duma mentalidade de fé” (Introdução, 3).   A formação de catequistas “A catequese na missão evangelizadora da Igreja”, é a primeira parte do documento que trata da formação dos catequistas que devem “ser catequistas antes de fazer os catequistas!”. Portanto, devem trabalhar com gratuidade, dedicação e coerência, de acordo com uma espiritualidade missionária que os mantém longe do individualismo e os ajuda a adoptar um “estilo de comunhão”.   A linguagem da catequese “O processo de catequese”, segunda parte, enfrenta o desafio da linguagem usada na comunicação da fé que deveriam incluir várias formas tais como a narração, a arte e os instrumentos digitais. Paróquias, associações e escolas católicas “Catequese nas Igrejas particulares”, é a terceira parte na qual emerge o papel das paróquias, associações, movimentos eclesiais e escolas católicas no processo catequético.   Catequese e cultura digital O novo Directório convida a uma maior educação aos meios de comunicação social, porque estamos perante uma forma de “analfabetismo digital”. Além disso, é importante ajudar as pessoas a não confundir os meios com o fim, a discernir como navegar na web, de modo a ir além da tecnologia para encontrar uma humanidade renovada na relação com Cristo.   Outros temas do Directório No documento encontramos também a exortação a acompanhar na fé e inserir na vida da comunidade, aquelas famílias que se encontram em situações irregulares, com um estilo de proximidade, escuta e compreensão, bem como a pensar numa catequese com pessoas marginalizadas, tais como: refugiados, deslocados, sem abrigo, doentes crónicos, toxicodependentes, prisioneiros, vítimas de prostituição. Do mesmo modo, sublinha-se o compromisso com a “questão ecológica”, a que a catequese deve chamar a atenção. O grito da terra, que está intimamente ligado ao grito dos pobres, é parte essencial da mensagem catequética. Não faltam também indicações e orientações para uma catequese num contexto ecuménico e de pluralismo religioso. Este tempo de pandemia faz-nos perceber muito bem que nada pode ser tomado como garantido, e que estamos perante uma situação que nos orienta para fazer uma experiência de Igreja nova e verdadeiramente generativa. Cada Igreja local tem a tarefa de tornar isto possível, através de momentos de reflexão, partilha e formação. Auspicamos que este novo Diretório para a Catequese possa ajudar na renovação da catequese e na realização da missão da Igreja, que existe para evangelizar. Por Max Robol

out 18 2021

A função pública em Moçambique 3

Nesta edição tencionamos apresentar a terceira parte de várias entrevistas concernentes à função pública em Moçambique. Desta vez apresentamos abaixo o diálogo com o Pe Adelino Lopes Alfredo do Clero Diocesano de Lichinga e actual Capelão da UCM – Extensão de Lichinga.   VN: Qual é o estágio actual do sector de Administração pública no mundo? ALA: Em linhas de curiosidade e partindo de alguns escritos sobre diversificados temas de gestão e administração da função pública em geral, pode-se depreender que muitas nações apresentam uma elevada preocupação sobre a qualidade do funcionamento do sector público. Sobretudo, na estruturação das acções específicas, desde os governos, líderes e utentes numa honraria ético-moral da pessoa humana. Moçambique não está à margem deste desassossego do mundo, exceptuando algumas nações que apresentam padrões exemplares na proporção do bem-estar da função pública para todos. Aliás, das experiências diárias e carregadas de 5% de empirismo, nota-se que o slogan dos grupos partidários a quanto das vésperas eleitorais, presidenciais ou municipais, todos clamam e prometem restabelecer a qualidade jamais vista na função pública. O que faz entender que afinal, este sector toca com todos neste mundo em que erradamente, o que é do “património do Estado” não é de ninguém. Ante esta realidade “deformada” precisa-se salvaguardar as virtudes basilares da pessoa humana para que a valorização da vida seja efectiva. Portanto, que a designação de uma gestão e administração da função pública passe como diz Brown (2006), pelas influências que promovem a articulação entre o líder e subordinados sem se descartar os dotes pessoais aliados a honestidade, a confiabilidade, consideração, integridade, maleabilidade, prudência, justiça, liberdade, etc.   VN: Qual é a sua experiência sobre a função pública em Moçambique? Vantagens e Desvantagens. ALA: A experiência quotidiana mesmo cheia de empirismo leva a consciência da necessidade de reerguer este sector trazendo à tona o conteúdo próprio da probidade pública onde cada um deverá sentir-se membro cuja presença e colaboração será indispensável para a prossecução de uma boa gestão e administração da função pública em geral. Portanto, ter-se em conta que o que é público, não significa não ser de ninguém, isso não é correcto. Mas sim, para fazer compreender que todos os homens devem contribuir para o bem comum da sociedade através das condutas que oferecem um bom convívio social, serviço ao próximo, cumprimento dos deveres cívicos e respeito à liberdade para a formação de uma sociedade menos corrupta. Não se deve descartar que a função pública está carregada de diversificadas vantagens, pois, a sua existência é indispensável em todas as nações do mundo. Visto que é o sector da acção directa dos Estados, como meio através do qual o governo faz chegar aos povos as suas estratégias, planos, objectivos e todo o processo da máquina governativa de uma nação. Os constrangimentos ou desvantagens registam-se, evidentemente, por causa de serviços ineficientes, prevalência da corrupção, não cumprimento do princípio da imparcialidade por exemplo nos concursos de ingresso, obras públicas de baixa qualidade, etc.. Como se pode ver no dia-dia da vida social e pública dos povos, o grande problema é o desrespeito do bem público que é visto como algo que não é de ninguém, fragilizando assim o teor de funcionamento correcto da função pública.   VN: Face a este cenário precário e doentio das instituições públicas, que recomendações a deixar visando garantir a promoção do bem comum? ALA: Numa visão também carregada de experiências do dia-dia os serviços oferecidos nas instituições públicas, no país serão sempre indispensáveis; alguns são básicos e outros executivos. O que cria constrangimento é que os receptores de serviços básicos e executivos estão destinados a perpetuar somente neles. Portanto, não há empatia que leva as pessoas a sentirem e colocarem-se no lugar dos que recebem os serviços básicos. Isto provoca descontentamentos, insatisfação e revolta de geração em geração entre tribos e zonas ou regiões do país. Em minha opinião, para ultrapassar esta problemática as lideranças devem ser munidas de responsabilidade, honestidade, empatia, prudência, sentido de pertença, justiça como também de liberdade na gestão e administração dos serviços da função pública. Por outro lado, deve-se oferecer os serviços tendo em conta a eficiência e qualidade tão almejadas.   VN: Quais são os desafios da função pública moçambicana? ALA: A função pública em Moçambique não deve estar à margem das finalidades deste sector que é de garantir as necessidades do bem comum ao povo. Para uma gestão e administração da função pública eficiente e competente, urge a necessidade de fazê-la espelhando-se no cumprimento dos princípios que a regem, tais como a legalidade, imparcialidade, justiça e boa-fé na gestão e administração do passado e nas nações do mundo enunciadas como exemplares neste processo em debate.   VN: Que perspetivas a aventar para o futuro? ALA: É sempre bom sonhar para o melhor. Que todos moçambicanos tomem consciência de fazer melhor a gestão e administração pública com sentido de pertença; Uma reforma baseada numa monitoria constante dos serviços prestados, uma descentralização e supervisão das políticas públicas; Uma reciclagem do pessoal do sector com vista a sanar o fenómeno da corrupção que devasta a qualidade dos serviços oferecidos; E reabilitação das estruturas físicas para corresponderem com os esforços e vontades politicas do Estado, em função da melhoria do sector no país em benefício da prossecução do bem comum.

out 18 2021

O verdadeiro “nakuru” das famílias actuais

Ter um homem ideal, capaz de cuidar da sua vida e seus anseios, está na ponta do desejo de quase todas as mulheres. O mesmo se diga dos homens, quase todos eles, com excepção daqueles que por chamado de Deus primam por uma vida celibatária pelo Reino de Deus. Figura na ordem da vontade dos homens também ter uma mulher ideal. Mas na sociedade em que estamos, na realidade actual, essa vontade de ter um/a parceiro/a ideal, é contraposta pelo fenómeno da fragilidade dos laços humanos. As relações que se estabelecem pelo vínculo de casamento são menos duradoiras. De maneiras que há, na nossa sociedade, muitas mulheres com que nenhum homem se quer casar, e muitos homens também com que nenhuma mulher se arrisca casar. É assim que registamos um crescimento vertiginoso de homens com saudades de serem maridos, e também mulheres com saudades de serem esposas.   Instabilidade dos laços conjugais Diante dessa realidade inequívoca da instabilidade dos laços conjugais, não são poucas pessoas, entre homens e mulheres, que se dizem ser reféns de azar ou vítimas do marido e mulher-da-noite. Com isso pouco se faz para reflectir sobre as reais causas dessa fragilidade tremenda dos relacionamentos românticos. Os motivos detrás dos divórcios. Ou seja, aquilo que faz o homem e a mulher ser azedos e incapazes de formar uma família feliz. Somente mais notável é sempre a tendência de atirar a culpa contra os outros. E aí criam-se certos complexos de culpabilidade, dentre os quais figuram: Complexo “nakurífero” (de “Nakuru”, ou marido-da-noite): a ideia de que há um espírito que se apossa de uma mulher ou homem, impedindo-lhe estabelecer casamento duradouro. Quem é o seu verdadeiro “Nakuru”? Complexo de perseguição: a ideia de que a pessoa não se casa porque há alguém que lhe inveja, persegue, incluindo familiares e pessoas alheias. Quem é o seu verdadeiro perseguidor? Complexo de maldição divina: a ideia de que a pessoa não se dá bem no casamento ou não se casa porque Deus ou os espíritos dos antepassados não estão bem com ela. Quem é seu verdadeiro amaldiçoador? Será Deus, ou os antepassados? Nada a ver. Complexo de azar: a convicção de que a pessoa nasceu sem sorte de ter homens ou mulheres ideais para o casamento. Será? Onde está o seu verdadeiro azar? Os complexos acima são muitas vezes simples refúgio de quem não quer descobrir a própria nudez, típico de pessoas que se querem passar de vítimas e inocentes do próprio sofrimento. Pois, pouco fazem para descobrir a influência da sua postura diária na sociedade e no relacionamento. Tomados a peito, esses complexos, ou centrífugos, levam a pessoa a níveis cada vez mais predadores da vida, desde a frequência nos curandeiros, à mudança doentia de igrejas a procura de milagres, incluindo prostituição.   Atitudes nocivas à convivência familiar No pano de fundo, há certos comportamentos e atitudes nocivos à convivência familiar. Problemas que, como um grau de mostarda, germinam e crescem na família minando o relacionamento conjugal. Que quando não tidos em conta tornam-se um verdadeiro “Nakuru”, o verdadeiro inimigo perseguidor, maldição e azar da pessoa. Isto é, coisas que tornam um homem ou uma mulher uma pessoa com quem ninguém quer se casar. No meu livro “Amor: um exercício a dois” (2019), sob o título de “doenças do relacionamento”, fiz menção daquilo que mina o bem-estar dos cônjuges: a relação parasitária, a vida comparativa, a traição, o ciúme selvagem, o espírito de orelhas, a fofoquice, a hospitalidade selectiva, o consumo de drogas, o reclamar de tudo, a atitude de tudo imperar, a mania sexual, o desejo de ganhar razão em tudo, a inveja, a vergonha de passear juntos, o uso irracional do celular, os passeios sem ponteiro, a indiferença, a hipocrisia sentimental, o aprovacionismo, o medo multifacetado, o individualismo económico, a cegueira espiritual (medo de rezar). Quando estas posturas se apossam de uma família, o seu lar perde o sabor e ganha contornos bastante terríveis. A família passa de lugar de amor e paz para “ginásio de karate”, campo de batalha. Portanto, antes de atirar a culpa para os outros é preciso rever o seu “modus operandi”, o seu agir, na órbita do seu relacionamento. Só assim vai descobrir o verdadeiro “Nakuru”, a verdadeira perseguição, maldição e azar que azedam a sua vida.   Que caminhos a seguir? Que caminhos se podem adoptar em ordem a dar sabor e sentido à vida conjugal? Isso exige das famílias certas posturas que lhes ajudem a mitigar os vários problemas sentimentais que as apoquentam na sua vida diária: desenvolver a arte de viver em família, que passa necessariamente pelo cultivo de certas virtudes: ter um código de segurança na vida, saber dialogar, ter paciência, possuir atitude de serviço, superar a inveja, a arrogância e o orgulho; amar e deixar-se amar, saber perdoar, desculpar, confiar, esperar, suportar; estar sempre disposto para pedir licença, agradecer e pedir perdão, ter projectos comuns e nada de individualismo, recobrar o sentido de família como “Igreja doméstica” onde existe a cultura de diálogo, encontro e de oração. Por Diác. Serafim João Muacua

out 18 2021

“A família deve ser o centro das atenções da Igreja e da Sociedade”

O Ano especial, inspirado na Exortação Apostólica, Alegria do Amor, e no amor encarnado pela Sagrada Família, teve início no dia 19 de Março, 5 anos após a publicação do Documento Pós-Sinodal, e terminará no dia 26 de Junho de 2022, por ocasião do X Encontro Mundial das Famílias. ”Convido a um renovado e criativo impulso pastoral para colocar a família no centro das atenções da Igreja e da sociedade”. É este o convite do papa Francisco depois do Angelus do Domingo 14 de Março ao recordar o início do Ano da Família “Amoris Laetitia”. Após o Angelus, o Papa recordou a todos, o Ano da Família Amoris Laetitia com estas palavras: “No dia 19 de Março, solenidade de São José, será aberto o Ano da Família Amoris Laetitia: um ano especial para crescer no amor familiar. Convido a um renovado e criativo impulso pastoral para colocar a família no centro das atenções da Igreja e da sociedade. Rezo para que cada família possa sentir em sua própria casa a presença viva da Sagrada Família de Nazaré, para que ela possa preencher nossas pequenas comunidades domésticas com amor sincero e generoso, uma fonte de alegria mesmo em provações e dificuldades”.   Família protagonista da sociedade As famílias têm necessidade de cuidado pastoral, de dedicação, mediante um estilo de maior colaboração entre eles e os pastores. É necessário investir na formação dos formadores e, sobretudo, implementar uma mudança de mentalidade: pensá-las não como ‘objecto’, mas como ‘sujeito’ da pastoral ordinária. A família permanece para sempre custódia das nossas relações mais autênticas e originárias. Em síntese, este foi o convite feito pelo cardeal Kevin Farrell responsável da iniciativa papal.   IV Assembleia Nacional de Pastoral (ANP) O 4º capítulo dos Lineamenta em preparação a IV ANP é dedicado mesmo à pastoral da Família. De facto em Moçambique, como em muitos lugares de África, mais do que a dimensão jurídico-legal, o que define a família são os valores que ela representa, principalmente a união e protecção de um para com o outro. A família pode, em Moçambique, não necessariamente ter pessoas do mesmo sangue mas ela é composta por pessoas com os mesmos valores e princípios. A família em Moçambique, enquanto instituição social, tem passado por mudanças aceleradas na sua estrutura, organização e função de seus membros. Ao modelo tradicional foram se somando muitos outros modelos de família, fruto e consequência de abertura às outras culturas e de profundas transformações estruturais de carácter global e, por muitos outros aspectos, têm sido porta de ingresso para profundas crises (IV ANP n.19-20). De facto, o crescimento progressivo de crianças de rua em todas as nossas cidades, é um sinal evidente do mal-estar da Família em Moçambique. As crianças de rua são, simultaneamente, uma denúncia à crise de estabilidade nas uniões matrimonias e o aumento do número de mães solteiras, resultantes, ou de separações, ou de escolhas de procriação livre de compromisso marital. Também o crescimento do número de idosos abandonados e, portanto, desemparados, quer pelos próprios filhos e também pela sociedade, indica que as famílias estão com profundas feridas que devem ser saradas. (IV ANP 21). A nossa Igreja tem sorte porque com estas duas iniciativas vai ser estimulada a reflectir, planificar e organizar a pastoral familiar. E assim, tendo os instrumentos necessários, não vamos perder estas duas ocasiões para renovar e por em primeiro plano a nossa atenção para as famílias que são verdadeiras colunas portantes da vida da comunidade.

out 16 2021

A filosofia faz-se pela realidade social, porque todos aqueles que são filósofos de renome as suas reflexões partiram das realidades sociais por eles vividas

A informação foi avançada na manhã desta sexta-feira (15/10), no Seminário Filosófico Interdiocesano Santo Agostinho da Matola, por ocasião da XXI Jornadas filosóficas. Xavier advertiu que os estudantes desta nação moçambicana não passem o tempo a reflectir realidades ocidentais trazidas pelos filósofos antigos. Mas devem-se ocupar dos problemas reais dos moçambicanos. Partindo dos problemas religiosos, políticos e sociais dos moçambicanos, como meio para obtenção de uma moçambicanidade coesa. A fonte avançou que a coesão social em Agostinho e Rousseau, uma abordagem crítica sobre as desigualdades sociais em Moçambique, revela aquilo que as instituições educacionais moçambicanas poderiam fazer para uma harmonia social. E ao terminar o seu discurso aproveitou a oportunidade de falar do julgamento que decorre no país, onde referenciou que “a preocupação dos moçambicanos não deve ser de julgar ou condenar os homens que se envolveram no processo, mas  pedir que eles devolvam o que roubaram ao Estado Moçambicano”. De referir que António Xavier falava no momento em que os finalistas do curso de Filosofia terminavam as suas actividades da semana filosófica. Por Rodriguês Pedro

out 16 2021

A Fe é a fonte da salvação das almas atribuladas

Ao falar da fé nos dias de hoje, é uma situação tão complicada. Portanto, a fé uma palavra que povém do latim fides (fidelidade) que significa confiança absoluta, sem espaço para dúvida, que cada um deposita no que escolhe acreditar.Em tempos de dor, medos e incertezas, é natural e esperado que cada um procure um caminho que lhe traga conforto, doses de confiança e a chance de encontrar a paz. O caminho que refiro é a da espiritualidade, lugar onde o real coexiste e tem conexão com algo maior e Sagrado (Deus). É de o ser humano buscar uma ligação com o Divino, seja ele representado pela figura de Deus, por meio da religião. Portanto, como sustenta o mestre Gilberto Gil, que a «fé não precisa, necessariamente, estar ligada à doutrina. Essa força interior de uma crença poderosa pode ser nutrida em relação a uma pessoa, uma ideologia, à ciência, a um pensamento filosófico, um objeto inanimado».Diante da pandemia do novo Coronavírus, com o isolamento social imposto como medida de proteção contra a disseminação da Covid-19, perdemos alguns valores que nos identificavam como seres religiosos, por causa de desespero total, olhando a situação do Coronavírus. Actualmente, o Bem Viver procura entregar aos cristãos um tempo de leitura da Sagrada Escritura que lhes traga fé, esperança de dias melhores e palavras de conforto de pessoas que se sustentam por algo maior, sem preocupação com materialidade. Sendo assim, a espera pode não ser afastamento adverso da vida, mas esperança de um tempo novo. Como sublinhava Jesus durante o sermão da montanha, relatado no evangelho de Mateus o seguinte, “Olhai os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles” (Mateus, 6, 25-34). “E que a oração possa nos abraçar e converter a espera em esperança, verdadeira Páscoa e confiança num tempo melhor”. Para tal, a oração é um forte antídoto espiritual, porque vivemos a cultura da pressa, tudo nos é imediato como a fala, a vivência e as relações.Mas também, no dia a dia corrido, mais reagimos do que agimos, mais confrontamos do que enfrentamos e o tempo todo nos ocupamos de funções e impomos tantas outras aos que nos sãos próximos. Por: Idelvino Jacinto Santramo

out 12 2021

Os Caminhos Arriscados do Homem de hoje

“Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de ferimentos, o abandonaram, deixando-o meio morto” (LC. 10. 29-30). Queremos referir do mundo actual em que o homem dúvida de tudo e menos nada muito mais quando não confia algo ou alguém na sua vida em todos os sentidos, vivendo apenas pela graça do seu criador, Deus. Cabe perguntar desde já: quem é o homem vulnerável que os salteadores de hoje atacam? E em que caminhos? Para onde fica Jerusalém e para onde é Jericó? E quem são os salteadores de serviço entre Jerusalém e Jericó? Conhecemo-lo suficientemente, contamos com eles, actuam às claras ou escondem-se na noite? Comecemos por elaborar uma listagem: quais políticos em campanha, daqueles que jazem nas atualmente nas bermas dos caminhos que vão a Jericó ou Dubai, para Abu Dabi ou África do sul, para Maputo ou Ilha de Moçambique. E por que não também nos caminhos ou corredores das nossas machamba e até, bem perto, nos dos nossos super mercados… Agora vejamos as dificuldades que alguns grupos de pessoas enfrentam na vida quotidiana: Os idosos: são os que pedem cada vez mais aí o prato da balança etária e a verdade nunca estamos suficientemente preparados para envelhecer e, menos ainda, de cuidar das pessoas que, tanto gasto as suas energias na construção do mundo e do Reino, requerem agora especiais necessidades de apoio. Descobrimos de dar mais anos à vida, mas ainda nos falta sabedoria para darmos mais vida aos anos. Bastante se faz pelos idosos hoje, e os religiosos estarão na primeira linha desse fazer, mas muitos idosos passam os últimos anos da sua vida terrena marginalizados, mergulhados na depressão, na solidão e no desespero. Os doentes terminais: são os despedidos dos hospitais sem esperança de cura e, não raro, abandonados aos seus próprios cuidados ou aos da família, que muita das vezes não existe ou está indisponível, ficam condenados a morrer sem dignidade. Os dependentes: Os dependentes de drogas, muitos dos quais entram num caminho sem retorno com passagem quase obrigatória pela contaminação pelo vírus do SIDA; os dependentes do jogo, que derretem em horas o que eles ou familiar ganham para poder viver com decência; os dependentes do álcool, portadores de uma doença às vezes não reconhecida como tal e não tratada, mas capaz de infernizar todos os ambientes ambientes onde o dependente se move: recorramos aqui aos confessores que um pequeno estudo sobre a doença apoiará o aconselhamento no confessionário. Os acusados pelos média: referimos aqui gente violada na sua interioridade e privacidade, não raro com suspeitas à margem da verdade. Que digam os psiquiatras quantos recorrem aos seus serviços! As vítimas de poluição: Agredidos pelos efeitos da tecnologia dos países ricos que, depois de nós intoxicarem a todos, num total desrespeito pela natureza faturando sem pudor os seus ecossistemas, acabam ainda por comprar os subsolos dos mais pobres, a troco de alguns dólares para saciar as suas muitas carências, impingido-lhes os seus resíduos tóxicos e nucleares. Vítimas da dívida externa: Povos recém libertados de processos coloniais, que aínda não tiveram espaço nem tempo para organizar a sua cidade e que matam a fome aumentando sempre mais a sua crucificante dependência dos pobres. Vítimas de globalização: Aqueles que o mercado mundial integrado prometeu sentar à mesma mesa, na ideia global, mas que afinal o poder desumanizador dos mais fortes acaba por remeter para situações gritantes de subdesenvolvimento. Gente de rosto indefinido: Falamos agora dos que são menos válidos física ou mentalmente, dos sem abrigo que (só em Nampula dizem que são….?), dos presos, dos emigrantes clandestinos, dos homossexuais, das mulheres abandonadas, dos filhos mal amados, enfim, daqueles para os quais gostaríamos de arranjar, e muitas vezes arranjamos psicologicamente, outros mundos onde achamos que devem viver. Passamos então de irmão a juízes. Seria bom, seria normal: atrevemo-nos a dizer que estes grupos fossem diminuídos cada vez mais à medida que os anos passam, que as técnicas terapêuticas e assistências se valorizam, que as ferramentas económicas e de gestão se aperfeiçoam. Infelizmente não é assim. José António Pagola, na sua revista Vida Nueva (Fevereiro, 2000), com o título: para uma cultura da solidariedade, afirma que “a pobreza marginalizadora é um produto calculado do desenvolvimento”. E sabemos como, cada dia, se vão desenhando novos pobres, novos caídos, o que parece inevitável se, como afirma o autor, “aceitamos como normal […] que o desenvolvimento e Bem-Estar de um sector da população traga consigo a exclusão de outro sector”. A sociedade actual tem uma configuração estratificada em três blocos bem diferenciados, entre os quais se erguem barreiras, quais cercas de arame farpado. No primeiro sector vivem os integrados, que estão seguros dentro do sistema, com trabalho, dinheiro, posição social e nível de vida assegurado. Normalmente preferem não pensar nas vítimas da crise económica e neles cresce facilmente a indiferença e o individualismo. A estes serve-lhes o arame farpado para auto proteção. No segundo sector vivem os que estão em situação de estabilidade ameaçada, na iminência do desemprego, com contratos de trabalho temporários, ausências antecipadas indesejadas, trabalho precário, a pensar nos filhos e na impossibilidade de dar uma formação adequada e sem qualquer tipo de garantia de emprego futuro, porque, se nada é estável agora, muito menos o será depois. Sentem-se importantes para cumprir projetos pessoais e sonhos…, arrastam-se pelos caminhos de angústia e do medo da iminência da queda. A cerca de arame farpado destes é mais psicológica que metálica e tem portas de vai-vem, mas aprisiona-os a insegurança da estabilidade ameaçada. Já os do terceiro e último sector foram empurrados para dentro de cerca de arame farpado e não têm as chaves dos portões. Não têm possibilidade de integração na sociedade de bem-estar e sofrem um desgaste constante a nível económico, social e cultural. Tudo se deteriora, até mesmo as suas relações familiares. Acabam por perder a confiança em si mesmos e não vêem qualquer saída nem futuro. A estes serão os

out 06 2021

A Agenda 2022 já chegou!

A Agenda VN 2022 está anexada à revista de Novembro 2021 Quem desejar mais cópia podes contactar a redação: VN 850485214 / 860484388 vidanovaanchilo@gmail.com obrigado

set 30 2021

Crónica – ESTE HOMEM NÃO É DA NOSSA TERRA

“Todo o reino, dividido contra si mesmo, fica devastado; e toda a cidade ou casa, dividida contra si mesma, não poderá subsistir. Ora, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo: como há-de subsistir o seu reino? E, se Eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam, então, os vossos discípulos?” (Mt 12,25-27) Uma das estratégias mais antigas que o espírito mau usa para confundir e derrotar a humanidade é a velha táctica de dividir para reinar. Esta é uma técnica de batalha tão efectiva e maquiavélica que a própria humanidade, sob a influência do espírito mau, tem reproduzido desde épocas antigas. A história faz-nos reviver a memória de líderes como Júlio César, Lisandro de Esparta, Filipe da Macedónia, Napoleão e muitos outros que utilizaram dela para construir suas guerras e campanhas bélicas e derramar o sangue de milhares de pessoas apenas para satisfazer seus caprichos. Não é preciso muito esforço nem lupa para notar que a sociedade na qual vivemos, está dividida. Vamos lá dizer em linguagem mais clara e objectiva; a realidade social fragmenta-se diariamente em pedaços cada vez menores; grupos políticos, religiosos, étnicos, sociais, de gênero e muitos outros estão se subdividindo repetidas vezes e guerreando tanto entre si quanto uns contra os outros; dividiram o mundo em continentes, em países em raças, em fronteiras em regiões, etc. As divisões antigas reproduzem novas divisões ainda mais profundas, dentro e fora dos grupos já existentes, e já enfraquecidos. E o demónio está aí aplaudindo a cada um para que continuem a rivalizar mais, despedaçar mais e faltar união, comunhão, harmonia, bem-estar, etc. Vejamos, por exemplo, que há partidos políticos surgidos da divisão de outros, casamentos que nascem da mesma sorte de divisão, igrejas que se despedaçam gerando outras seitas, grupos sociais sofrendo rupturas tão violentas e dolorosas que tornam-se incapazes de caminhar na mesma direção, ou mesmo de, simplesmente permanecerem frente a frente sem que uma guerra urbana ocorra. Existem inúmeros exemplos que podemos perceber com relativa facilidade ao nosso redor. Tudo isso está, na verdade, produzindo uma quantidade assustadora de histerias sociais que vão corroendo os pilares, estilhaçando a cada um em fragmentos cada vez menores e mais fracos até chegar a um ponto de colapso e ruína. Nosso dever é, portanto, discernir com clareza e lucidez para não sermos influenciados por pessoas facciosas, líderes ou membros, das instituições sociais ou religiosas, que tentam criar divisões internas ou externamente, pois o caminho que trilham, embora possa até não parecer, leva unicamente à ruína. A lei da natureza é certeira. O ser humano nasce, cresce, desenvolve-se, reproduz-se se tiver sorte e morre. Ninguém escolhe onde nascer. Ninguém tem opção de escolher os seus progenitores, muito menos a capacidade de contrariar o destino. Mesmo que haja pessoas que odeiem os seus pais por se julgarem indignos deles, Deus os colocou no mundo por meio deles. Aliás, é recorrente ouvir-se que fulano X ou Y matou sua mãe, sua avó, seu tio, seu avô porque julgou que era feiticeira. Que injúria e espírito mau. Esse homicida é irracional! O ser humano não tem o direito de tirar a vida a si próprio ou a outrem. Mas tem sim a liberdade de escolher onde ir viver e que caminhos seguir para realizar seus objectivos. É por isso que há movimentação de pessoas de um lado para o outro. O famoso êxodo rural. Além disso, o nº 1 do Artigo 6 da Constituição da República de Moçambique define que “O território da República de Moçambique é uno, indivisível e inalienável, abrangendo toda a superfície terrestre, a zona marítima e o espaço aéreo delimitados pelas fronteiras nacionais”. Assim, qualquer moçambicano, onde quer que esteja, está no gozo pleno dos seus direitos como moçambicano. Nada lhe impede de exercer tarefas sociais. Por isso vemos naturais de Nampula trabalhando em Niassa ou os de Cabo Delgado trabalhando em Nampula, etc, etc. Só que por vezes há alguns exageros quando vemos que só os machuabos enchem no Maputo e outras províncias como empregados domésticos. Ou quando os de Maputo enchem em todas províncias do país ocupando os postos de trabalho por afinidade, amizade, nepotismo, padrinhismo, regionalismo, grupismo, corrompismo, etc. Entretanto, há pessoas com ódio cujos corações continuam aversos aos que chegam ou vivem na sua terra e trabalham ao serviço do povo. Não faltam vozes de concidadãos que dizem “este não é nosso conterrâneo por isso não pode ser nosso chefe nem nos pode mandar”. Afinal de contas quem é que não veio aqui no mundo? Quem é que desde o princípio do mundo vivia aqui? Todos nós somos vientes. Ninguém é dono do lugar onde vive. Por isso que é descabido negar a liderança de pessoas de outras províncias ou distritos sob pretexto de ser viente. É comum, por exemplo, encontrar líderes comunitários e religiosos que são fortemente odiados por seus comparsas ou pelo povo por não serem naturais da localidade, e aí exercerem liderança sobre o povo. De onde encontram essa lei que proíbe pessoas de Nampula serem líderes em Inhambane ou em Morrumbala? De onde veio a norma segundo a qual só pode ser líder comunitário ou religioso em Maputo apenas os que nasceram em Maputo? Não somos todos moçambicanos? Não somos todos cidadãos que gozam dos mesmos direitos e deveres? O princípio da igualdade perante a lei e oportunidades aplica-se, em norma geral, para todos moçambicanos, sem exclusão de sua origem. Portanto, nada determina que o ódio acenda no coração de incompetentes que se oportunam com a pele de ser natural para inviabilizar o trabalho dos outros. Ouviu bem? E mais não disse! Por Kant de Voronha

Nossa Localização

© 2025 Revista Vida Nova – Propriedade do Centro Catequético de Anchilo. Todos os direitos reservados.