jul 13 2021
A água continua sendo uma preocupação mundial
“Louvado seja meu Senhor pela irmã água que é tão útil e humilde, preciosa e casta”. Francisco defende que tudo quanto na natureza existe, é fruto do amor de Deus. Actualmente as mudanças climáticas fazem com que muitas espécies desapareçam devido à falta das chuvas regulares que se faz sentir nos últimos anos. Quero partilhar a penosa situação em que a cidade de Nampula se depara com a distribuição da água. Devido à escassez de água, verifica-se a restrição na sua distribuição, chegando alguns bairros a passarem dois a três dias sem verem sair água nas torneiras. O que me preocupa não são apenas as necessárias restrições, mas a gestão geral. As condutas são muitas vezes vandalizadas e estão ao ar livre, fácil presa dos aproveitadores. Apelo à sociedade gestora para que faça o máximo esforço para proteger e distribuir igualmente o bem mais precioso que temos: a água. Lourenço Adérito Em Moçambique O acesso à água e saneamento tem uma influência directa na higiene das populações e na prevenção de doenças. Cerca de 55.2% de agregados familiares utiliza fontes de água melhoradas, que incluem água canalizada dentro e fora de casa, furos protegidos, poços com bomba manual e água engarrafada. Cerca de 44.9% de agregado familiares utiliza fontes de água não protegidas; 51% da população consome água não segura contra o 48% que consome água segura. Na zona rural, as principais fontes de água são os poços não protegidos, com 42% e água da superfície, como por exemplo rios e lagos. Por províncias, todas da região Sul, incluindo Manica e Sofala, apresentam percentagens de fontes seguras de água para beber, acima de 60% enquanto as províncias da região Norte, incluindo Zambézia e Tete, apresentam percentagens de águaproveniente de fontes seguras, abaixo de 50,9%. Associado a esta situação, a pobreza, o impacto das mudanças climáticas, a privatização da gestão de água e a alienação de parcelas de terra com água potável, outrora utilizada pelas comunidades, maioritariamente compostas por mulheres, resulta na redução do acesso e no aumento de vulnerabilidade das camadas mais pobres que se vêm obrigadas a procurar fontes alternativase não seguras de acesso a água.(ROSC 3-14)
jul 13 2021
A ilusão da comunicação
Por AB Parece que a globalização tomou conta das nossas vidas, invadindo também o mundo da comunicação, seja a nível individual como o colectivo. À luz daEncíclica “Fratelli Tutti” vamos reflectir sobre o mundo da comunicação que deve ser instrumento de unidade e não de divisão entre os povos. Em Moçambique, bem como em outras partes do mundo, assistimos à proliferação de plataformas nas redes sociais que, em lugar de ser instrumento construtivo para uma sociedade mais équa e solidária, tornam-se em lugar de agressividade, calúnia, invasão da privacidade, e sobretudo, tornam a existência de um individuo num espectáculopara toda a gente. Vida, espectáculo para todos? «Paradoxalmente se, por um lado, crescem as atitudes fechadas e intolerantes que, à vista dos outros, nos fecham em nós próprios, por outro, reduzem-se ou desaparecem as distâncias, a ponto de deixar de existir o direito à intimidade. Tudo se torna uma espécie de espectáculo que pode ser espiado, observado, e a vida acaba exposta a um controle constante. Na comunicação digital, quer-se mostrar tudo, e cada indivíduo torna-se objecto de olhares que esquadrinham, desnudam e divulgam, muitas vezes anonimamente. Dilui-se o respeito pelo outro e, assim, ao mesmo tempo que o apago, ignoro e mantenho afastado, posso despudoradamente invadir até ao mais recôndito da sua vida (42). Instrumentos de ódio e calúnia Entretanto os movimentos digitais de ódio e destruição não constituem – como alguns pretendem fazer crer – uma óptima forma de mútua ajuda, mas meras associações contra um inimigo. Além disso, «os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta, dificultando o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas». Fazem falta gestos físicos, expressões do rosto, silêncios, linguagem corpórea e até o perfume, o tremor das mãos, o rubor, a transpiração, porque tudo isso fala e faz parte da comunicação humana. As relações digitais, que dispensam da fadiga de cultivar uma amizade, uma reciprocidade estável e até um consenso que amadurece com o tempo, têm aparência de sociabilidade, mas não constroem verdadeiramente um «nós»; na verdade, habitualmente dissimulam e ampliam o mesmo individualismo que se manifesta na xenofobia e no desprezo dos frágeis. A conexão digital não basta para lançar pontes, não é capaz de unir a humanidade (43). Agressividade despudorada Ao mesmo tempo que defendem o próprio isolamento consumista e acomodado, as pessoas escolhem vincular-se de maneira constante e obsessiva. Isto favorece o pululamento de formas insólitas de agressividade, com insultos, impropérios, difamação, afrontas verbais até destroçar a figura do outro, num desregramento tal que, se existisse no contacto pessoal, acabaríamos todos por nos destruir entre nós. A agressividade social encontra um espaço de ampliação incomparável nos dispositivos móveis e nos computadores (44) Isto permitiu que as ideologias perdessem todo o respeito. Aquilo que ainda há pouco tempo uma pessoa não podia dizer sem correr o risco de perder o respeito de todos, hoje pode ser pronunciado com toda a grosseria, até por algumas autoridades políticas, e ficar impune… O funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças (45). Deve-se reconhecer que os fanatismos, que induzem a destruir os outros, são protagonizados também por pessoas religiosas, sem excluir os cristãos (46). Informação sem sabedoria A verdadeira sabedoria pressupõe o encontro com a realidade. Hoje, porém, tudo se pode produzir, dissimular, modificar. Isto faz com que o encontro directo com as limitações da realidade se torne insuportável. Em consequência, implementa-se um mecanismo de «selecção», criando-se o hábito de separar imediatamente o que gosto daquilo que não gosto, as coisas atraentes das desagradáveis. A mesma lógica preside à escolha das pessoas com quem se decide partilhar o mundo. Assim, as pessoas ou situações que feriam a nossa sensibilidade ou nos causavam aversão, hoje são simplesmente eliminadas nas redes virtuais, construindo um círculo virtual que nos isola do mundo em que vivemos (47). Novo estilo de comunicação São Francisco de Assis «escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz do enfermo, escutou a voz da natureza. E transformou tudo isso num estilo de vida. Desejo que a semente de São Francisco cresça em tantos corações» (48). Ao desaparecer o silêncio e a escuta, transformando tudo em cliques e mensagens rápidas e ansiosas, coloca-se em perigo esta estrutura básica duma comunicação humana sábia. Cria-se um novo estilo de vida, no qual cada um constrói o que deseja ter à sua frente, excluindo tudo aquilo que não se pode controlar ou conhecer superficial e instantaneamente (49). A sabedoria na comunicação Podemos buscar juntos a verdade no diálogo, na conversa tranquila ou na discussão apaixonada. É um caminho perseverante, feito também de silêncios e sofrimentos, capaz de recolher pacientemente a vasta experiência das pessoas e dos povos. A acumulação esmagadora de informações que nos inundam, não significa maior sabedoria. A sabedoria não se fabrica com buscas impacientes na internet, nem é um somatório de informações cuja veracidade não está garantida… A liberdade transforma-se numa ilusão que nos vendem, confundindo-se com a liberdade de navegar frente a um visor. O problema é que um caminho de fraternidade, local e universal, só pode ser percorrido por espíritos livres e dispostos a encontros reais» (50).
jul 12 2021
Servir o reino de Deus através da política
Por Pe. Zé-Luzia CNE de amanhã No dia 21 de Janeiro o Presidente da República,Filipe Nyusi, empossou três novas figuras, como é de lei, na direcção da CNE: Dom Carlos Matsinhe, Bispo anglicano, que vai presidir o órgão, e os vice-presidentes: Alberto Cauiu e Fernando Mazanga. Dom Carlos Matsinhe, bispo anglicano da diocese dos Libombos, chega à CNE via sociedade civil, concretamente suportado pelo Conselho Cristão de Moçambique (CCM). Instantes após ser confirmado presidente, Matsinhe deixou a promessa de trabalhar em colaboração com osseus pares para cumprir cabalmente a missão conferida por lei:«desejamos que o nosso mandato seja aquilo que o povo moçambicano espera, que é de trabalhar no sentido de credibilizar cada vez mais o trabalho da CNE e produzir resultados que contribuam para o crescimento da democracia e paz». Não é novidade A eleição de Dom Carlos Matsinhe veio confirmar uma tradição antiga no órgão, segundo a qual a CNE é liderada por personalidades com ligação à igreja. Pela presidência da CNE passaram Brazão Mazula (católico); Arão Litsure (evangélico), JamisseTaimo (metodista) e Abdul CarimoSau (muçulmano). Entretanto, é precisofrisar que a CNE já foi liderada por um cidadão proveniente da Organização Nacional de Professores, em concreto, João Leopoldo da Costa (2008-2013). A nova CNE Integram a nova CNE, Carlos Matsinhe (Presidente); Alice Banze; DautoIbramugy; Paulo Cuinica; Salomão Moiane; Rui Cherene; e Apolinário João – pela sociedade civil. Carlos Cauio; Rodrigues Timba; Abílio da Conceição; Eugénia Fernanda e António Foca – Frelimo. Fernando Mazanga; Maria Anastácia da Costa Xavier; Abílio da Fonseca; e Alberto José – Renamo. Barnabé Nkomo foi escolhido pelo Movimento Democrático de Moçambique. A CNE é constituída por 17 membros, dos quais sete são provenientes da sociedade civil legalmente constituída e 10 dos partidos políticos com assento no parlamento, sendo cinco da Frelimo, quatro da Renamo e um do MDM. Religião e Cosmética eleitoral Para um comentário desafiante a este acontecimento, publicamos a reflexão do Pe. Zé Luzia publicada no seu Blog. “Surpreende-me esta insistência em querer escolher pessoas ligadas a instituições religiosas. A experiência nos tem mostrado que elas acabam por ser instrumentos de uma cosmética de pretensa ética eleitoral que não evitaram a imoralidade sobejamente conhecida, tanto nacional como internacionalmente. Basta de cosméticas religiosas. Haja verdade, sinceridade e justiça transparente. De facto, a eleição a presidente da CNE do bispo Matsinhe foi amplamente criticada por Fernando Mazanga, (eleito vice-presidente) quando afirmou: «Não tenho nada contra Dom Carlos Matsinhe. Tenho problemas com ouso abusivo da igreja. Não se pode usar o clérigo para estes processos. Sendo clérigo, o representante de Deus na terra, devia abster-se de coisas mundanas. Não se pode servir a Deus e ao Diabo, em simultâneo». No entanto também não concordo nada com as razões invocadas por Fernando Mazanga para desaconselhar o voto no Bispo Carlos Matsinhe. As razões de Mazanga fazem-me lembrar o tempo colonial português, do ditador Salazar, que também achava que o lugar dos padres e dos bispos (e logo de todos os católicos) era na sacristia e nada de se meterem em política. Como o Bispo Manuel Vieira Pinto, com muitos de nós, assim não entendia as coisas, acabaria por ser expulso desta então colónia portuguesa. E, com ele, 11 missionários combonianos, porque se atreveram a meter-se em política ao declararem que nesta terra existia um povo com culturas próprias e com direito à autodeterminação. Servir o reino de Deus através da política Justamente por sermos ministros/servidores do Povo cristão, também parte do Povo cidadão mais amplo, é que temos de nos meter em tudo o que de humano se reclame, mormente quando o que está em causa é o Bem Comum em todas as suas facetas, com realce para as questões da Justiça e da Paz. Para um homem de fé sobrenatural não há coisas mundanas proibidas. Se se trata de valores, há que participar no seu fomento. Se, pelo contrário, se trata de anti valores – corrupção, desonestidade eleitoral, compadrios, nepotismos, etc. – erros e pecados – aí estamos no combate. Veja-se a Evangelii Gaudium do Papa Francisco: «Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela (EG, 183)…. Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efectivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum (EG, 205)». Perspectivas para o futuro Perante a experiência negativa dos processos eleitorais de todo o tempo da almejada democracia multipartidária, creio que já era tempo de: despartidarizar, de uma vez para sempre, este importantíssimo e nuclear órgão de intervenção eleitoral, a CNE. Mas parece que os partidos de assento parlamentar estão muito ciosos das suas prerrogativas e, portanto, não só a Frelimo, mas também a Renamo e o MDM, têm culpas nos atrasos que se verificam na purificação da política deste país. Despartidarizar a CNE significaria encontrar o mecanismo capaz de entregar às forças várias da sociedade civil (e felizmente temos várias bem credíveis em Moçambique) o processo da sua eleição. Tanto quanto me dou conta, na agora constituída, os partidos parlamentares continuam a ter a maioria dos elementos, o que me parece já não se justificar, 27 anos depois das primeiras eleições multipartidárias de 1994. E por último, encontrar uma personalidade de indiscutível perfil e idoneidade, independentemente das suas opções políticas pessoais, partidárias ou não”. BOX Recomendações do Presidente, Filipe Nyusi, na tomada de posse da presidência da CNE «Na tomada de decisões do órgão, tenham como guia o diálogo e a busca de consensos. Privilegiem a tolerância, isenção, calma, serenidade, justiça e transparência em todos os actos que praticarem no exercício do mesmo e tenham alta capacidade de ponderação e gestão de emoções, sem prejuízo dos prazos estipulados na lei»… A
jul 12 2021
A educação pré-escolar e seus desafios
Por Judite Pinto Macuacua Propomos, desta vez, trazer aos nossos leitores um tema relacionado com a dura e nobre missão de educação pré-escolar, levada a cabo pelas Educadoras de Infância. Uma Educadoras de Infância, é legalmente,uma profissional que tem sob a sua responsabilidade e orientação, uma classe infantil (entre os 4 meses e os 5 anos de idade). Por outro lado, esta profissional, é um modelo para o grupo de crianças, que independentemente do seu tempo de serviço ou da sua experiência, é uma pessoa sempre motivada e capaz de dar uma resposta eficaz, aos seus educandos. Funções das educadoras de infância Para um enquadramento e entendimento da dimensão das tarefas destas profissionais, que em Moçambique são carinhosamente tratadas por “Titias” apresentamos, a seguir, um leque das suas funções, que não se limita apenas nas competências, mas também no conhecimento e responsabilidades, através de programas de educação sensorial e desenvolvimento da linguagem, nos Jardins de Infância ou Centros Infantis, Creches e Orfanatos, dentre muitos, a saber: * Promover actividades que ocupem e incentivem o desenvolvimento global da criança (físico, psíquico e social) * Orientar actividades programadas e exercícios de coordenação, atenção, memória, imaginação e raciocínio para incentivar o desenvolvimento psico-motor da criança. *Promover expressões plásticas, musicais, corporais e despertar à criança para o meio em que está inserida. * Estimular o desenvolvimento sócio -afectivo, segurança, autoconfiança, autonomia r respeito. * Acompanhar a evolução da criança e estabelecer contactos com os pais e outros encarregados de educação, para uma acção pedagógica coordenada. * E finalmente, estabelecer relações colaborativas com outros formadores de serviços que trabalham com crianças no seu estado lactente, como por exemplo, os berçários. Perfil da educadora de infância Segundo apurou a VN, existe para esta área de actividade, uma legislação apropriada e específica para a educação pré-escolar idêntica ao perfil ao perfil geral da Educadora e dos Professores do ensino básico e secundário, que tem por base a dimensão de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem, isto é, a formação de uma Educadora de Infância, pode, igualmente, capacitar para o desenvolvimento de outras funções educativas, nomeadamente, no quadro da educação das crianças com idade inferior a 3 anos. Além do perfil acima descrito, os estudos nesta área, preconizam a concepção e desenvolvimento do currículo da Educadora de Infância, daí que neste capítulo, por exemplo, toda a profissional, é obrigada a conceber e desenvolver o respectivo currículo, através da planificação, organização e avaliação do ambiente educativo, bem como das actividades e projectos curriculares, com vista à construção de aprendizagens integradas. Por outro lado, todo o processo exige um conhecimento sobre todos os paços e etapas que devem ser observados, de modo a garantir a organizar o espaço e os materiais necessários, concebidos como recursos para o desenvolvimento curricular. Outro aspecto muito importante, tem a ver com a disponibilização e utilização de materiais que estimulam as crianças. Desta feita, a educadora deve ter a capacidade de observar cada criança, bem como os pequenos e os grandes grupos com vista a uma planificação de actividades e projectos adequados às necessidades de todas as faixas etárias. Isso significa que, segundo especialistas da área, que a educadora, deve saber fomentar a cooperação entre as crianças garantindo que todas se sintam valorizadas e integradas no grupo. Por isso, na sua integração curricular, a educadora de infância, de acordo com as exigências, favorece o aparecimento de comportamentos emergentes de leitura e escrita, através de actividades de exploração de materiais escritos, ligados ao desenvolvimento da linguagem e educação sensorial, isto é, tudo o que rodeia a pequenada. Educadoras moçambicanas lutam contra covid-19 Moçambique é citado num relatório recentemente divulgado por 2 Organizações Alemãs, Erlassjahr e Misereor, como um dos países africanos endividados, sendo que a luta das educadoras de infância, encontra entraves para a observância das normas com vista a evitar o alastramento da pandemia da COVID-19 nos centros infantis públicos e privados. Devido a esta situação, segundo aquelas duas organizações, que listaram mais de cem países criticamente na mesma situação, revelam que a pandemia da COVID-19, está a aprofundar ainda mais a cris nestas economias. Mais adiante, odocumento indica que a crise nos sistemas de saúde e outras crises desencadeadas por esta pandemia, está levando a cabo a recessão global comparável apenas à Grande Depressão do final anos 1920 e início dos anos 1930, respectivamente. Assim sendo, Moçambique precisa de mais ajudas para fazer face a esta crise e não só, mas também, para enfrentar a crise de água em algumas regiões do país, como por exemplo, em Nampula. Este fenómeno, é por si, um grande obstáculo para a luta das Educadoras, razão pela qual, muitos pais e encarregados de educação, desde à eclosão do coronavírus, receiam mandar os seus educandos para os centros infantis, e consequentemente, muitas educadoras perderam os seus empregos.
jul 12 2021
JOVENS POLITICAMENTE MADUROS SÃO A SEIVA DA NAÇÃO
Por Deolindo Paúa Ser jovem não é apenas uma idade. Ser jovem é um modo de vida. É activismo. É ser agente de mudanças e de revoluções sociais, económicas e políticas. Os processos transitórios que acontecem na conjuntura cultural, social e política devem ter como agentes os jovens. A juventude faz sempre a força de uma nação. Quanto mais jovens uma sociedade tiver, mais chance tem de estimular os seus processos de mudança. Os jovens, além de serem a maioria, também são os detentores da força física e mental capaz de estimular mudanças. A razão pela qual em todos os contextos e em todos os países as mudanças e as revoluções começaram ou tiveram mais força com o activismo juvenil é esta. Os jovens possuem as capacidades devidas para impor mudanças. Por isso é desperdício de capacidades quando jovens não participam nas acções construtivas de seus países. É triste quando jovens são agentes de desestabilização de uma sociedade. Quando são instrumento de opressão de uns aos outros. Quando ao invés de contribuir para o crescimento, contribuem para a desgraça da sua sociedade. Tal como assistimos, por não conhecermos nossa importância na sociedade, podemos ser jovens manipuláveis que uns podem usar para fins próprios. É a falta de consciência da sua importância que faz com que jovens sejam a face da desgraça de um povo. O mercado das drogas, da guerra, da prostituição e do consumismo é abastecido por uma juventude desfocada de seu papel. O egoísmo pode levar jovens a combater a sua própria família, seu próprio país. A frustração mal gerida pode conduzir ao auto-abandono, deixando-se influenciar por ideologias opressoras e que claramente são prejudiciais. O lugar dos jovens na ciência, na cultura, na política e em todos os movimentos sociais é sempre à frente. Países com jovens inactivos e conformados são escravizados pelos seus próprios líderes. Não podemos ser excluídos dos processos de desenvolvimento do nosso próprio país. No caso do nosso país, uma juventude ao mesmo tempo apática e desinteressada com questões políticas cresce a cada dia. Quanto mais formados os jovens são, mais se distanciam da política. É incompreensível! Já é normal ouvir um jovem dizer: “não me interesso com a política. Assuntos políticos não são da minha conta!” A formação académica deveria estimular o sentimento moral, cultural e político. Mas se as universidades e escolas formam apenas cientistas, então formam pessoas incompletas porque estão desligadas daquilo para o qual devem fazer essa ciência. Nos outros países a formação académica predispõe os jovens a participarem politicamente nos assuntos de seus países. No nosso país, paradoxalmente, as licenciaturas e os doutoramentos criam-nos orgulho, mas um orgulho que induz ao desprezo da política. Crescemos intelectualmente, mas inversamente decrescemos em civismo e cidadania. Crescemos na ciência, mas ao mesmo tempo crescemos na apatia política. E como se fosse algo normal, vergonhosamente achamos nossa ignorância política ser luxo. A prova disso é que as grandes manifestações para exigir mudanças políticas e de gestão, as eleições e a exigência de direitos não são participadas pelos jovens. Corremos o risco de algum dia, realmente, deixarmos o tirano nos escravizar, se é que ainda não deixamos! Que caminhos precisamos percorrer? Se somos uma sociedade, então precisamos de tomar o leme do nosso destino. Abandonar nosso destino como país a um grupo de políticos é arriscado demais, pior quando duvidamos da ideologia desses políticos. O país não é dos políticos, mas nosso. Os políticos são apenas indivíduos a quem emprestamos o poder para resolverem nossos assuntos em nosso nome. Julgo que a melhor acção seria a de usarmos nossas capacidades intelectuais para operar mudanças. Aquelas mudanças que gostaríamos de ver operadas para melhorar a qualidade da nossa vida. Nenhum país se desenvolveu com pessoas conformadas com o pouco. Como jovens formados, sabemos que a vontade natural de nossos políticos é de se aproveitar de nossas distracções como povo para tirar proveitos individuais ou de grupos. Sem nós, eles nunca mudarão o esquema das coisas para orienta-las ao real bem-estar de todos nós. Nossa memória recente já provou que quando adormecemos por um minuto, acordamos endividados sem que saibamos para que fim. Adormecemos mais um pouco e acordamos em guerra que não conseguimos compreender. O que nos garante que do nosso sono não despertaremos um dia como estrangeiros na nossa própria terra? A história demonstra que as mudanças políticas foram operadas só por meio de uma pressão necessária a quem detém o poder. Fora da ordem de participação e de influência de jovens nos processos políticos jamais poderemos esperar a melhoria das coisas. Eleger, reclamar, criticar quando algo não está bem, denunciar quando algo é mal feito, resistir quando alguém nos usa para finalidades contrárias à ordem social, etc., continuam sendo as simples, mas as melhores acções que estimulam mudanças sociais e políticas. Nos nossos dias, mudanças não precisam de guerra, mas de uma sociedade crítica consciente de seu destino. E para isto a juventude deve tomar dianteira. As crianças nada percebem. Os mais velhos frequentemente se conformam com coisas mínimas. Se os jovens seguirem um ou outro lado, deixarão o país nas piores mãos. Fazer política não tem a ver apenas com pertencer a algum partido político. Fazer política é também consciência de cidadania. Uma cidadania em que pelo uso da sua liberdade constitucional, um indivíduo é capaz de usar os meios ao seu dispor para impor a justiça negada a muitos. É ridículo um jovem professor influenciar fraudulentamente um processo eleitoral; é triste um jovem polícia corromper um automobilista na estrada. É caricato um jovem enfermeiro ser exemplo de mau atendimento nos hospitais públicos; assim como é escandaloso um jovem académico defender facções corruptas do sistema político em troca de somas de dinheiro. Vender a própria consciência é o acto mais baixo que pode caracterizar um jovem. Para levar a cabo todas as acções de mudança e de dinamismo social temos a liberdade. Cabe a nós saber usá-la. No drama em que vivemos no nosso país, mergulhados na injustiça e no terror,
jul 12 2021
Liturgia da páscoa no contexto actual
Pe. Jeremias do Rosário No contexto da pandemia, muitas práticas ruíram e ganharam novos rumos. Este mal afecta directamente a vida das pessoas e o ritmo de trabalho em várias dimensões. Isso significa que também a dimensão religiosa sofreu algum retrocesso a nível da sua essência. É neste contexto que também podemos afirmar que a nossa fé murchou e automaticamente a nossa vida espiritual enfraqueceu-se. Implicações da pandemia na liturgia Com o anúncio do Estado de emergência em Março do ano passado (2020), a liturgia pascal foi celebrada de forma atípica, com inúmeras medidas de prevenção que foram implementadas. A celebração da páscoa no nosso país e no mundo inteiro aconteceu sem a presença do povo de Deus. As pessoas foram sujeitas a encontrar outras formas de rezar acompanhando a celebração da páscoa através dos meios de comunicação social: rádio, televisão ou as redes sociais. Como é do conhecimento de todos, a religião cristã nasce do mistério pascal. Assim, sem a celebração da páscoa, os cristãos perdem a oportunidade de renovar a sua fé em Jesus Cristo. Pois, as cerimónias que acontecem na noite da páscoa, no dia da páscoa e em todo o tempo pascal de cerca de cinquenta dias, são importantes para o crescimento e maturidade da fé dos cristãos. A experiência vivida pelo povo de Deus dentro do contexto da pandemia foi dura e ao mesmo tempo uma novidade. Não era incomum ouvir adultos comentando que desde que nasceram nunca tinham ouvido que a igreja parou. As portas da igreja estão fechadas. Em tempo de pandemia não só o povo não viveu a sua fé pascal mas também não viveu os momentos marcantes como os da celebração dos baptismos sobretudo na vigília pascal. Sentido da liturgia pascal A liturgia da noite de páscoa está colorida de muitas simbologias de fé que ajudam no crescimento espiritual dos cristãos como: a cerimónia do fogo novo que significa Cristo Luz do mundo ressuscitado e vivo; o hino pascal (precónio) que é uma interpretação da essência da liturgia pascal e a celebração dos baptismos ponto central da renovação da fé dos cristãos. O Catecismo da Igreja Católica discute também o tema sobre o “Mistério pascal nos sacramentos da Igreja” (CIC § 1122 A 1130). A igreja entende que “os sacramentos não só supõem a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados “sacramentos da fé”. Pois, Cristo enviou seus apóstolos para que “em seu Nome fosse proclamado a todas as nações o arrependimento para a remissão dos pecados” (Lc 24,47). “Fazei que todos os povos se tornem discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). A missão de baptizar, portanto a missão sacramental, está implícita na missão de evangelizar, pois o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a esta Palavra: O povo de Deus congrega-se antes de mais nada pela Palavra do Deus vivo. (…) A proclamação da Palavra é indispensável ao ministério sacramental, pois se trata dos sacramentos da fé, e esta nasce e se alimenta da Palavra [PO 4] . Finalidade dos sacramentos Como diz o Catecismo, o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a esta Palavra. “Os sacramentos destinam-se à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e ainda ao culto a ser prestado a Deus. Sendo sinais, destinam-se também à instrução. Não só supõem a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados sacramentos da fé” [SC 59]. Portanto, os sacramentos que se recebem na Páscoa supõem a fé e não têm sentido senão para os que crêem. De contrário, estamos a fazer um teatro mal ensaiado. Por outro lado, é um testemunho da fé aproximar-se dos sacramentos. Expressamos nossa fé ao pedir o baptismo de uma criança, comprometendo-nos a educá-la na fé da nossa Igreja ou, se for adulto, assumindo o compromisso e deveres de cristão e católico. Páscoa e coronavírus Pela Sua pregação e pela Sua morte e ressurreição, Jesus é não só a revelação de Deus, mas a presença salvífica de Deus no mundo. Quem de nós não sente necessidade da misericórdia de Deus e de sua copiosa redenção? Jesus ressuscitou e habita no meio de nós. Os escritos do Novo Testamento não relatam quem Jesus era, mas quem Ele é. Ele veio para nos revitalizar e garantiu: “Venho para que tenham a vida e em abundância” (Jo 10,10). Nos nossos dias nota-se que o número dos infectados está aumentando drasticamente, situação que nos leva a acreditar que mais uma vez a fé dos cristãos vai ser colocada em provação. Daí que há uma necessidade de os cristãos empenharem-se na oração para que esta pandemia passe. Depois da oração está também a necessidade da formação da consciência não só dos cristãos mas também de todos os cidadãos para que esta doença não se prolifere. O Senhor assegure todos cristãos para que neste ano venham cheios de alegria a celebração das festas pascais. Como cristãos coloquemos a nossa fé em Jesus Cristo e peçamos o Espírito Santo que anime a nossa fé de modo que nunca cessemos de confiar na misericórdia de Deus Pai.
jul 12 2021
LINEAMENTA “REAVIVAR O ANÚNCIO E O TESTEMUNHO DA PALAVRA DE DEUS HOJE”
CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE IVª ASSEMBLEIA NACIONAL DE PASTORAL “REAVIVAR O ANÚNCIO E O TESTEMUNHO DA PALAVRA DE DEUS HOJE” LINEAMENTA Lineamenta IVª ASSEMBLEIA NACIONAL DE PASTORAL Texto Final MAPUTO, 2021 “Em todos os baptizados, desde o primeiro ao último, actua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar… Em virtude do Baptismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização, e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas acções. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos baptizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização…” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 119-120) APRESENTAÇÃO Caríssimos Irmãos e Irmãs A Igreja Católica em Moçambique, alicerçada e inspirada na sua história e caminhada eclesial prepara-se para celebrar a IVa Assembleia Nacional de Pastoral (IVªANP). Ontem como hoje, à luz da Palavra de Deus, queremos perceber os sinais dos tempos e acompanhar o Povo Moçambicano nas suas vicissitudes políticas, sociais, económicas e religiosas. As três Assembleias Nacionais de Pastoral (ANP) – a IªANP na Beira (1977) sobre as comunidades ministeriais; a IIª ANP sobre a consolidação da Igreja local, na Matola (1991); e a IIIª ANP sobre a evangelização, também na Matola (2005) – constituem momentos fortes desse trabalho de discernimento dos sinais dos tempos e de acompanhamento do Povo Moçambicano nos seus variados momentos. Há naturalmente uma linha de continuidade entre as três Assembleias que mostra a unidade do caminho da Igreja local, mas cada uma enfatizou aspectos próprios como forma de responder aos desafios concretos que cada contexto lançava para a missão evangelizadora da Igreja em Moçambique. A IVª Assembleia de Nacional de Pastoral, a realizar-se em 2023, sob o lema “Reavivar o Anúncio e o Testemunho da Palavra de Deus Hoje”, cuja preparação estamos a iniciar, insere-se na pegada das anteriores Assembleias Pastorais procurando responder aos desafios pastorais do tempo actual. A IVª Assembleia Nacional de Pastoral terá 2 fases: 1ª Fase: Fase Preparatória: 2021-2022 -Janeiro 2021: Constituição da Comissão Diocesana de preparação da IVa ANP -Janeiro-Fevereiro 2021: Tradução do texto dos Lineamenta nas línguas locais -Páscoa 2021: Entrega do documento dos Lineamenta às paróquias e comunidades -Abril-Agosto 2021: Estudo dos Lineamenta nas paróquias e comunidades -Setembro-Outubro 2021: Assembleias Paroquiais -Outubro 2021-Abril 2022: Assembleias Diocesanas e escolha dos Delegados à IVª ANP Agosto 2022: Assembleias das Províncias Eclesiásticas: Estudo dos contributos aosLineamenta e síntese Setembro-Outubro 2022: Preparação do Instrumento de Trabalho da IVª ANP Novembro 2022: Apresentação do Instrumento de Trabalho na IIª Plenária da CEM 2ª Fase: Fase Celebrativa: 2023 Maio 2023: Celebração da IVa ANP Apresentação dos Lineamenta da IVª ANP Para ajudar o caminho de preparação da IVa Assembleia Nacional de Pastoral, a Conferência Episcopal de Moçambique preparou um Documento Preparatório que se chama LINEAMENTA (Linhas gerais) que agora apresentamos às comunidades cristãs e a todos os fiéis católicos. Qual é o objectivo do documento dos Lineamenta? O objectivo é encorajar e animartodos os agentes de pastoral a participar na reflexão para que se possa discutir, fazer um inventário pastoral e apresentar propostas de actuação. Qual a função do documento dos Lineamenta? -Ajudar a reflexão das Comunidades cristãs, Paróquias e Dioceses sobre os temas da IVa ANP. -Fazer uma análise da situação, no plano da Igreja e da sociedade em geral. -Buscar uma fundamentação teológica que abra pistas às iniciativas a propor à Igreja em Moçambique. Qual o contéudo dos Lineamenta? Estrutura: -Leitura da realidade -Fundamentação Teológica -Propostas Operativas -Perguntas para a reflexão e partilha Quais são os temas dos Lineamenta? O temas propostos e desenvolvidos nos Lineamenta são os seguintes: I.Missão: Ser Igreja em Saída, decidamente Missionária II.Diálogo entre o Evangelho e a Cultura III.Catequese e formação cristã IV.Pastoral da Família V.Pastoral Juvenil VI.Os Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades VII.O Desafio das Seitas e resposta pastoral VIII.O Cristão e o compromisso social em Moçambique IX.Auto-sustentabilidade da Igreja Local X.Os desafios do mundo digital para a Igreja e para a evangelização. Qual a metodologia de trabalho? Cada Diocese deve nomear uma Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP a qual é responsável pela animação do trabalho de preparação da Assembleia na Diocese. Como primeiro trabalho, recomenda-se a tradução do texto dos Lineamenta nas principais linguas locais em uso na Diocese para uma melhor compreensão por parte de todos os intervenientes na reflexão e partilha a nível de comunidade cristã e paróquia. Os Lineamenta serão estudados primeiro nas comunidades cristãs e nas zonas pastorais, devendo-se dar resposta às perguntas referentes aos temas. Em seguida, cada Paróquia, numa especial assembleia pastoral, fará a partilha e síntese das propostas apresentadas. A sintese diocesana das resposta aos Lineamenta será realizada pela Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP. Esta é uma proposta de caminho metodológico que pode ser adaptado à realidade e às necessidades locais.O mais importante é que esta fase de preparação a nível diocesano permita fazer um inventário da situação pastoral local (luzes e sombras) e apresente propostas pastorais pertinentes. Conclusão Caríssimos Irmãos e Irmãs Com a preparação e celebração da IVa Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) queremos fazer juntos uma experiência de ESCUTA, DISCERNIMENTO e COMUNHÃO ECLESIAL que coloque todo o Povo de Deus (fiéis católicos) a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo o Moçambique.A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça RUMOS DE ACÇÃO COMUM para uma pastoral de conjunto.Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar LINHAS PASTORAIS COMUNS, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral. Bom trabalho.
jul 12 2021
Viver e testemunhar a Esperança nos momentos difíceis
Pela redacção Os bispos católicos de Moçambique reiteram asua preocupação pelas tribulações que abalam a sociedade moçambicana. Reunidos em sessão ordinária, de 9 a 14 de Novembro, da Assembleia plenária da Conferência Episcopal de Moçambique, os bispos apelam à esperança, face ao recrudescimento da guerra em Cabo Delgado e centro do país e “de outras formas de violência, raptos, criminalidade e violação dos direitos humanos” sem esquecer a pandemia do Coronavírus. Por outro lado, os bispos insistem na necessidade de fortalecer as instituições caritativas da Igreja como forma de direccionarem todo o seu trabalho na mitigação do drama de Cabo Delgado que já soma mais de 2000 mortos e 600.000 deslocados para várias províncias de Moçambique. À luz disso, o Papa Francisco expressou a sua proximidade e solicitude doando para os deslocados um valor de 100.000,00 Euros. Análise da situação social do país Mergulhados em várias crises, a análise da situação social do país é negativa. Por essa razão, para um maior desenvolvimento social, os bispos exigem que se tome como prioridade a educação a todos os níveis, recuperar com urgência a memória histórica de Moçambique como passo indispensável para a reconciliação nacional verdadeira. Com efeito, “é responsabilidade de todos e de cada um trabalhar para sair das actuais crises”. No ponto concernente aos Seminários de formação sacerdotal, o Comunicado da CEM dá destaque a nomeação do Padre Pinto Tene Rabiana, como Reitor do Seminário São Pio X; o reforço das equipas formadoras com mais sacerdotes e a retomada da formação em todos os seminários no ano de 2021 e a conclusão das obras de construção do Seminário Filosófico São Carlos Lwanga. IV Assembleia Nacional de Pastoral O Comunicado que temos vindo a citar aponta que a IV Assembleia Nacional de Pastoral terá como tema: “Reavivar o anúncio e o testemunho da Palavra de Deus hoje”. Assim, o povo de Deus está convidado a viver e participar nesse evento eclesial por meio da oração e do estudo dos lineamenta, que são o ponto de partida para a reflexão e estudo dos temas a vários níveis: comunidades, paróquias, dioceses. Relação Institucional Igreja-Governo A Igreja Católica, em Moçambique, continua aberta paracolaborar na “educação cívica e moral dos jovens, educação para a paz e reconciliação, o combate à pobreza”. Entretanto, os bispos mostram-se preocupados com as situações ligadas à “renovação dos DIREs, à entrada dos novos missionários, a retomada dos cultos e a lei da liberdade religiosa”. O DIA MUNDIAL DOS DIREITOS HUMANOS «Celebrámos no dia 10 de Dezembro, o dia Internacional dos Direitos Humanos. O terrorismo em Cabo Delgado e os ataques na zona centro (Províncias de Manica e Sofala) são actos que atentam contra a dignidade da pessoa humana, colocando em causa os direitos humanos. Perante estes factos, e vários outros cenários de violação dos direitos humanos em todos cantos do nosso País, nós, a Comissão Episcopal de Justiça e Paz juntamente com as Comissões Diocesanas de Justiça e Paz da Igreja Católica em Moçambique, queremos manifestar o nosso apoio e solidariedade a todos aqueles que, tando no mundo como, de modo particular, no nosso país, se esforçam em proteger e promover a dignidade da pessoa humana, como fundamento dos direitos humanos». (Comissão Episcopal de Justiça e Paz)
jul 12 2021
A cultura do cuidado como percurso de paz
Por VaticanNews Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, o Papa Francisco lança um apelo para que todos se tornem “profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Todos remando juntos no mesmo barco, cujo leme é a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana.Em síntese, esta é a ideia que o Papa Francisco expressa na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, celebrado em 1° de Janeiro. Solidariedade às vítimas da pandemia A mensagem não deixa de analisar a marca deste 2020: a pandemia. A crise provocada pelo novo coronavírus “se transformou num fenómenoplurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”. O pensamento do Pontífice foi às pessoas que perderam um familiar ou uma pessoa querida ou a quem ficou sem emprego. E um agradecimento especial a quem trabalha em hospitais e centros de saúde, com um renovado apelo às autoridades para que as vacinas sejam acessíveis a todos. Sou o guardião do meu irmão? Com certeza! No longo texto, o Papa faz uma “génese” da cultura do cuidado desde os primórdios da criação, como narram vários episódios bíblicos. No Antigo Testamento, talvez o mais emblemático seja a relação entre Caim e Abel, e a famosa resposta depois do assassinato: Sou eu, porventura, o guardião do meu irmão? “Com certeza”, responde o Papa sem pestanejar. Já no Novo Testamento, Jesus encarna o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade. “No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte.” Esta cultura do cuidado se aprimorou na Igreja nascente com as obras de misericórdia corporal e espiritual, que no decorrer dos séculos ficaram visíveis em hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças e abrigos para forasteiros. O Cristianismo, portanto, ajudou a amadurecer o conceito de pessoa, a ponto que hoje podemos dizer que “toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos.” Bússola para um rumo comum Se o ser humano tem direitos, tem também deveres, como o cuidado dos mais vulneráveis e também da criação.Para Francisco, todos esses princípios elucidados na mensagem constituem uma bússola para dar um rumo comum ao processo de globalização, “um rumo verdadeiramente humano”. “Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Aqui o Papa chama em causa um “forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais”. Como converter nosso coração? O Pontífice recorda que esta “bússola dos princípios sociais” vale também para as relações entre as nações. E pede o respeito pelo direito humanitário em conflitos e guerras. “Infelizmente, constata o Santo Padre, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança.” “As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?” Mais uma vez o Santo Padre lamenta o desperdício de dinheiro com armamentos, quando poderia ser utilizado “para prioridades mais significativas”, relançando a ideia de São Paulo VI de criar um “Fundo mundial” com a utilização dos recursos da corrida armamentista para o desenvolvimento dos países mais pobres. Outro elemento fundamental para a promoção da cultura do cuidado é a educação. Neste projecto, estão envolvidos famílias, escolas, universidades e os líderes religiosos. Francisco se dirige a quem trabalha neste campo “para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva”, fazendo votos de que neste contexto o Pacto Educativo Global “encontre ampla e variegada adesão”. Não há paz sem a cultura do cuidado Toda a mensagem do Pontífice, enfim, é estruturada para afirmar o princípio de que não há paz sem a cultura do cuidado.“Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela-do-mar e Mãe da Esperança.”“Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis”, é o apelo final do Papa.
jul 10 2021
XV Domingo do Tempo Comum B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Amós 7,12-15 Salmo 84 Segunda Leitura: Efésios 1,3-14 Evangelho: Marcos 6,7-13 TEMA: SOMOS ENVIADOS PARA ANUNCIAR A BOA NOVA Neste décimo Domingo do Tempo Comum retomamos o tema do profetismo. Deus actua no mundo através dos homens e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do seu projecto de salvação. Esses “enviados” devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projecto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios. O profetismo, no sentido restrito da palavra, nunca é em Israel uma instituição como a realeza e o sacerdócio. Pode ser o motivo pelo qual não é bem acolhido. Israel pode providenciar um rei, mas não um profeta. O profeta é um dom de Deus, objecto de uma promessa, mas concedido livremente. Alguém se torna profeta por um especial chamado e iniciativa de Deus, não por designação ou consagração dos homens. Por que muitos negam ser profetas: padres, irmãs consagradas, catequistas e animadores? O profeta não é um assalariado. Ele trabalhado gratuitamente. Como está claro em Marcos, o profeta tem uma vocação especial, ou melhor, uma missão, que o põe numa situação especial, não análoga a nenhuma outra profissão humana. Trata-se de um homem aparentemente desarraigado de seu mundo e de si mesmo, e disponível para anunciar uma palavra que não é sua, mas de Deus. O desapego recomendado pelo Mestre constitui em si como uma exigência: “E ordenou-lhes que não levassem nada para a viagem, além de bastão”. A leveza na missão deve ser compreendida como a forma de deixar que a missão corra bem sem nenhum embaraço. O profeta deve ser livre de interesses humanos, de ideologias a defender, de compromissos com as potências do mundo. Essas coisas não lhe permitem estar livre, mas condicionam-no, embaraçam-lhe o trabalho, enfraquecem-lhe o zelo, impedem-no de merecer crédito. Deve haver o despojo total. O profeta não deve confiar nas suas próprias capacidades nem em seu espírito de iniciativa para se tornar “mensagem”, uma mensagem que é a proposta de um plano do qual só Deus tem a iniciativa. O homem é chamado a colaborar para construção de uma história em cujo termo está o encontro com o Pai. A incapacidade de resposta do homem é superada pela redenção mediante o Sangue do Filho bem-amado, o dom do Espírito no Baptismo se torna garantia, segurança do caminhado para uma unificação cósmica numa comunhão trinitária. É imprescindível saber que a Palavra de Deus e o seu reino não se devem confundir com os meios humanos, com os nossos planos, com nossas estratégias. Quando os cristãos, no decorrer da história, confiaram demasiadamente em seus meios, por exemplo, capacidades palavras, o dinheiro etc, substituindo o divino pelo humano, sua mensagem fica mutilada, perdeu o vigor. O projecto salvífico desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projecto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem hesitações. Importa partilhar que a escolha dos instrumentos, homens e mulheres, para serem profetas, não se limita só ao respeito da pessoa que escuta, mas também ao modo de escolha do Cristo. Portanto, urge a cada um de nós, escutar o chamado de Deus, discernir e dar uma resposta que nos deixará realizados e felizes pelo anúncio da Boa Nova. A missão dos profetas, Apóstolos e dos anunciadores do Evangelho de hoje, é, pois, de lutar contra o mal que divide e corrompe. Então, compreendemos melhor porque Jesus dá conselhos de pobreza. Encher-se de riquezas materiais é arriscar cair na armadilha da possessão egoísta, é entrar no círculo infernal da vontade de poder, da inveja. É centrar-se sobre si mesmo em lugar de dar lugar aos outros. É obscurecer o seu olhar interior e não ser mais suficientemente disponível para acolher o outro. Compromisso Pessoal Aprender a desapegar-se de tudo que nos prende na missão de profeta Partilhar os dons recebidos gratuitamente Combater o espírito de ganância e vaidade Defender os direitos dos pobres e marginalizados Empenhar-se na luta pelo bem comum Defender a casa comum dos todos os males


