ago 03 2021
De Janeiro a esta parte: Nampula regista 29 mortes por acidente de viação
Por Júlio Assane Nos primeiros meses do ano em curso, pelo menos 29 pessoas perderam a vida e um número não especificado de internamentos, deram entrada nas unidades sanitárias desta província, em consequência de 21 acidentes de viação registados nas estradas da província de Nampula. Segundo Léo Jamal Director dos Transportes e Comunicação de Nampula, maior parte dos acidentes foram registados nos distritos de Murrupula, Erati, Nacala-Porto, Mogovolas e Ribaué. “De realçar que, a nossa província registou de Janeiro a esta parte, um total de 21 acidentes de viação que resultou na morte de 29 pessoas, para alem de danos materiais avultados”. Relatou o governante, para quem apela a todos que se fazem a via publica à consciência de modo a inverter este cenário dramático. Alias, Léo Jamal, Director dos Transportes e Comunicação de Nampula disse que, decorre em paralelo as campanhas de fiscalização juntos dos transportadores que operam nas diferentes rotas desta província, com o intuito de reduzir esta problemática. “Estamos no terreno a disseminar mensagens de persuasão junto dos transportadores de passageiros e carga para o cumprimento à risca das regras elementares de trânsito de modo a evitar o derramamento de sangue nas estradas desta província”. Referiu a fonte. De referir que para o presente ano, foram fiscalizadas cerca de 413 viaturas nas vias públicas e passadas oito mil multas por várias irregularidades.
ago 03 2021
CEMIRDE em Nampula constata falta de denúncia de casos de tráfico de seres humanos no país
Por Júlio Assane Ainda prevalece o receio na denúncia de casos de tráficos de seres humanos no país. Considera Charles Moniz da Comissão Episcopal para Migrantes e Refugiados e Deslocados em Nampula. Esta situação resulta de falta de confiança entre as lideranças comunitárias e as vitimas na denúncia casos de tráfico de seres humanos. “Ainda prevalece o silêncio na denúncia de pessoas corajosas que transforma uma outra pessoa como de mercadoria se tratasse. Tudo isso, alia-se a não confiança das autoridades competentes. Ou seja, as penas dos traficantes não têm sido exemplares no sentido de desencorajar outros meliantes”. Disse. Alias, sem especificar o número total das vítimas, Charles Moniz, da Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados CEMIRDE em Nampula, diz que, o tráfico de seres humanos tem sido recorrente a pessoas vulnerais, com maior incidência aos deslocados de Cabo Delgado. “Diante desta situação, sabemos que a questão de tráfico de seres humano vem através da vulnerabilidade. A nossa província de Nampula tem vindo a receber os nossos irmãos deslocados de Cabo Delgado que já carrega essa vulnerabilidade tendo em consideração que os traficantes aproveitando-se desta fragilidade, tem logrado seus intentos”. Frisou a fonte, acrescentando que, as vítimas são aliciadas com promessas de emprego entre outras. Para inverter este quadro sombrio, o nosso interlocutor avançou que, decorre neste momento, campanhas de sensibilização às comunidades, com vista a dirimir tais violações. “Apesar de estarmos diante da pandemia do novo coronavirus, iniciamos as nossas acções de sensibilização nas escolas, onde criamos os pontos focais. São os mesmos, que irão facilitar a disseminação desta mensagem de repúdio aos seus progenitores”. Precisou o nosso interlocutor. Entretanto, um estudo sobre tráfico de pessoas, órgãos e partes do corpo humano baseado nas três regiões do país e divulgado recentemente pela CEMIRDE em parceira com agência católica para o Desenvolvimento Internacional, revela que, os traficantes têm como seu prato forte, a exumação de campas, isto na região norte, promessas de emprego no central e sequestros e violações sexuais no sul do país.
ago 03 2021
Aquacultura gera mais de três mil postos de trabalho em Nampula
Por Júlio Assane Em Nampula, o projecto foi oficializado na manhã desta segunda-feira, consiste na criação de peixes em tanques piscícolas em que numa primeira fase ira beneficiar os distritos de Mossuril, Larde e Ribáuè, e vão absorver 49 milhões meticais. Aliás, esta actividade vai integrar 88.900 pessoas e 17.800 famílias, e que espera gerar 3.500 postos de trabalhos, na sua maioria jovens e mulheres. “É uma actividade que irá gerar emprego a milhares de pessoas, com destaque para mulheres e jovens. Aliás, é uma actividade de geração de renda para famílias que procura pela primeira vez ganha a vida”. Disse o dirigente. Por seu turno, Tome Capece, Coordenador Nacional do Projecto de Desenvolvimento da aquacultura de Pequena escala PRODAPE, fala das vantagens nesta fase. “Nesta primeira fase, ou seja, na fase piloto, pretendemos conhecer melhor o terreno para a efetivação definitiva desta iniciativa de rentável”. Referiu. De referir que, o projecto de desenvolvimento da aquacultura de pequena escala, foi lançado a 28 de Junho último na província de Tete pelo presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi, e será implementado em 23 distritos das regiões centro e norte do país.
jul 31 2021
XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA LEITURA I – Ex 16,2-4.12-15 SALMO RESPONSORIAL – Salmo 77 (78) LEITURA II – Ef 4,17.20-24 EVANGELHO – Jo 6,24-35 Tema: O OLHAR DA FÉ E OS PÉS NA REALIDADE A Palavra de Deus traz novamente a mensagem das leituras do passado domingo. Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva. O episódio das codornizes, que, provenientes do norte, descem no Sinai a fim de repousar em sua migração para o sul pode ser inteiramente natural; mas naquele momento crítico de Israel no deserto assume um significado providencial. O Deus da providência responde na hora certa. “É o pão que o Senhor vos dará como alimento”. Uma promessa que se realiza no evento do maná (do hebraico: Man hu) que quer dizer “Que é isto?” O povo percebe sinais da presença de Deus ao longo da caminhada. Deus se prontifica em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A acção de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores. Deus está também interessado em ver o povo a confiar nele, mas igualmente a partilhar entre si. Ninguém deve se fechar em si em atitudes de ganância e avareza. O Evangelista João coloca no centro Jesus que se apresenta como o “pão” da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “pão” – isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham no seu coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta. A missão de cada cristão é escutar o convite e aderir à Mesa da Palavra e Mesa da Eucaristia: encontro entre Jesus e todos irmãos. Paulo na carta aos efésios diz-nos que a adesão a Jesus implica o deixar de ser homem velho, (renúncia, abandono, conversão) e o passar a ser homem novo (nova criatura que nasce do Baptismo e se renova cada dia no Sacramento de Penitência e da Eucaristia). Ser cristão, portanto, implica a mudança radical para que o encontro com Cristo traga frutos: um mundo em que cada pessoa humana se realiza e encontra a felicidade que é o próprio Cristo. Compromisso Pessoal Olhar Deus como Pai da Divina Providência Acompanhar os sinais da presença de Deus na nossa vida Partilhar os dons recebidos como gratidão a Deus Trabalhar para que Deus realize o milagre da Eucaristia nas nossas comunidades
jul 24 2021
XVII Domingo do Tempo Comum B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: 2 Reis 4,42-44 Salmo 144 (145) Segunda Leitura: Efésios 4,1-6 Evangelho: João 6,1-15 TEMA: JESUS É O PÃO DOS POBRES Na nossa actualidade, no contexto como Moçambique, depois de muitos anos de guerra, secas, inundações e total instabilidade económica, o comer, embora seja uma função tão essencial na vida humana ao ponto de ser em algumas religiões um símbolo, um rito, muitas famílias têm única refeição ou passam um dia sem uma refeição completa. Encontramos ainda muitas crianças com problemas de nutrição abrindo espaço para muitas doenças crónicas. Não é de se admirar quando o cristianismo propõe a salvação sobr forma de uma ceia, símbolo e antecipação do banquete eterno. Como é concebido, celebrado o “comer”, o pão na tua cultura? Os tempos preditos pelos profetas como tempos do Messias, se caracterizam por este facto de imediata intuição: “abundância para os pobres”. “Os pobres comerão e serão saciados”. Na primeira leitura, o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar. É um desafio, hoje, se comprometer a saciar a fome do povo porque há vários tipos de fome: pão material, pão de justiça, pão da paz, e o grande pão que é a Palavra de Deus. A narração de João indica que Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo. O grande milagre da vida é a partilha porque no final do dia ninguém passa por necessidades. O dom da partilha quando é assumido como regra de ouro, nenhum irmão dorme privado do pão. Paulo, para que a comunidade tenha a essência da vida cristã a exemplo do Mestre, lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos. Jesus é o Deus que Se revestiu da nossa humanidade e veio ao nosso encontro para nos revelar o seu amor. Com seu amor venceu o nosso egoísmo e ódio. O seu projecto concretizado põe Ele mesmo em cada palavra e em cada gesto enquanto percorreu, com os seus discípulos, as vilas e aldeias da Palestina – consiste em libertar os homens de tudo aquilo que os oprime e lhes rouba a vida. A atitude de Jesus é, para nós, uma expressão clara do amor e da bondade de um Deus sempre atento às necessidades do seu Povo. Garante-nos que, ao longo do caminho da vida, Deus vai ao nosso lado, atento aos nossos dramas e misérias, empenhado em satisfazer as nossas necessidades, preocupado em dar-nos o “pão” que sacia a nossa fome de vida. A sua Palavra é o Pão que sacia porque é inesgotável. É o pão que não se compra com dinheiro, mas resposta pessoal e aderência. A nós, portanto, compete-nos abrir o coração ao seu amor e acolher as propostas libertadoras que Ele nos faz. A “fome” que acima demos exemplo, que mata mais gente em Moçambique que a própria malária, a fome de pão que a multidão sente e que Jesus quer saciar é um símbolo da fome de vida que faz sofrer tantos dos nossos irmãos. Quem são os que têm fome hoje e que parece serem condenados a morrer de fome? Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; são os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor; são os que têm que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma língua, um ambiente estranho para poderem oferecer condições de subsistência à sua família. A fome sentida pelas vítimas de terrorismo. Tantos jovens enganados por falsas promessas, hoje sofrem da fome. Por isso deve haver gente disponível para lhes anunciar que Jesus Cristo é o Pão vivo descido do Céu. Compromisso Pessoal Acolher Jesus como o Pão que sacia Partilhar o pão de cada dia com os necessitados Trabalhar para um mundo sem fome Tornar a vida um pão doado ao serviço do Reino. Por Pe Fonseca Kwiriwi
jul 21 2021
Pai queima seu próprio filho por causa de duas badjias em Carrupeia
Por Júlio Assane Pai entra em conflito com a lei por queimar seu próprio filho, no bairro de Carrupeia em Nampula O caso deu-se na semana passada, no bairro de Carrupeia, arredores da cidade de Nampula, quando o cidadão de 29 anos de idade, de forma deliberada, queimou o seu próprio filho com recurso a fogo, movido de fúria, pelo facto do menor de oito anos, ter consumido duas badjias sem autorização da sua madrasta também detida. “Na última segunda-feira, fui ao serviço e voltei, e encontrei minha mulher a contar para vizinhos a dizer que essa criança aqui em casa roubou de novo” contou o pai da vítima, mostrando o seu arrependimento alegando que queimou o seu filho por motivações de diabo. Falando a jornalistas, a vítima avançou que o seu próprio pai foi o principal autor do acto. “Eu fui queimado porque comi duas badjias” disse a vítima inocente e triste com a situação que sofreu do seu próprio pai. Dércio Samuel, Chefe das Relações Públicas da PRM em Nampula, avançou que a detenção do cidadão foi graças a denúncias populares que, e face a este cenário, decorre procedimentos jurídicos para o efeito. O casal será responsabilizado criminalmente pelo acto cometido e por ter maltrato o menor, alegando que roubou 5,00Mt (cinco meticais). Sublinhou Dercio Samuel Chefe das relações públicas da PRM em Nampula.
jul 21 2021
Vendedores de batata-doce somam prejuízos avultados por falta de mercado em Nampula
Por: Júlio Assane Batata-doce um dos produtos considerado de referência pelos especialistas na área de saúde, para o combate a desnutrição nas famílias de baixa renda, perdeu mercado nos últimos tempos, mesmo com estas qualificações. Só para se ter uma ideia, um saco de 50 quilogramas que, no ano passado, era vendido a 750 meticais, actualmente custa 300 a 450 meticais. Aliás, João António vendedor de batata-doce no mercado grossista de Waresta na cidade de Nampula, decidiu vender a retalho o seu produto, alegando a falta de compradores. “Por falta de clientes para comprar este produto, assistimos os nossos produtos a deteriorar-se por falta de clientes” avançou o nosso entrevistado. A mesma ideia é compartilhada por José Amade também vendedor de batata-doce que viu os seus produtos mercado. Esta realidade trás um contraste aos apelos do governo no que tange ao aumento da produção deste tubérculo. Como forma de facilitar a venda, estes sugerem ao governo a implantação de uma fábrica de processamento deste produto, rico em recursos energéticos.
jul 17 2021
XVI Domingo do Tempo Comum B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Jeremias 23,1-6 Salmo 22 (23) Segunda Leitura: Efésios 2,13-18 Evangelho: Marcos 6,30-34 TEMA: CHAMADOS A SER SERVOS DO REBANHO DO SENHOR Na celebração deste domingo, somos desafiados a assumir uma missão de pastores que ama o rebanho e denunciar os pastores que roubam os pobres. Jesus Cristo, o bom pastor, deve ser a única inspiração para todos os chamados a ser servos do Senhor. O pastor que deve ser guia é um homem com duas características: por um lado é um homem forte, capaz de defender seu rebanho contra os animais ferozes. Por outro lado é um homem delicado para com suas ovelhas, conhecendo sua condição, adaptando-se a sua situação, levando-as no colo, amando ternamente cada uma como uma filha. A autoridade do bom pastor é indiscutível, baseada na dedicação e no amor. Mas quer no contexto dos antigos pastores quer alguns actuais, existe a tentação de não se buscar o exemplo de Jesus Bom Pastor. Jesus é o chefe (pastor) que reúne, o povo se constitui em virtude de um poder régio extrínseco, enquanto o novo povo é convocado pela palavra de Jesus. Ele faz com amor e por amor. Esse amor e essa solicitude traduzem-se, naturalmente, na oferta de vida nova e plena que Deus faz a todos os homens e mulheres. É Amor doação e auto entrega. Marcos recorda-nos que a proposta salvadora e libertadora de Deus para os homens, apresentada em Jesus, é agora continuada pelos discípulos, por mim e por você. É continuada por cada baptizado e comprometido pelo Reino de Deus. Os discípulos de Jesus são – como Jesus o foi – as testemunhas do amor, da bondade e da solicitude de Deus por esses homens e mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, “como ovelhas sem pastor”. A missão dos discípulos tem, no entanto, de ter sempre Jesus como referência. Nunca busquemos outra referência nem ídolo, nem famoso ou rico… Com frequência, os discípulos enviados ao mundo em missão devem vir ao encontro de Jesus, dialogar com Ele, escutar as suas propostas, elaborar com Ele os projectos de missão, confrontar o anúncio que apresentam com a Palavra de Jesus. É a Jesus que temos que prestar o relatório do trabalho prestado como servos inúteis. Paulo fala aos cristãos da cidade de Éfeso, e hoje fala a cada um de nós, da solicitude de Deus pelo seu Povo que manifestou-se na entrega de Cristo, que deu a todos os homens e mulheres, sem excepção, a possibilidade de integrarem a família de Deus. Reunidos na família de Deus, os discípulos de Jesus são agora irmãos, unidos pelo amor. Tudo o que é barreira, divisão, inimizade, ficou definitivamente superado. Quem não supera esses elementos ruins é considerado inimigo do projecto de Jesus. Compromisso Pessoal Assumir a missão de bom pastor das ovelhas de hoje Ter a paciência no cuidado das ovelhas Escutar as ovelhas feridas pelas situações da vida Se inspirar no próprio Jesus, o Bom Pastor Fugir da tentação de ser autoritário abraçando a humildade
jul 16 2021
Arquidiocese de Nampula exorta os párocos e fiéis ao escrupuloso cumprimento das medidas de prevenção da Covid-19
Por Kant de Voronha Em cumprimento das medidas anunciadas pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, na sua comunicação à Nação, na última quinta-feira (15), a Arquidiocese de Nampula emitiu um comunicado de imprensa no qual orienta aos párocos, às equipas missionárias, aos vários animadores das comunidades cristãs, assim como os gestores das instituições católicas de ensino a observar o encerramento das celebrações públicas, por 30 dias a partir do dia 18 de Julho corrente ano. O comunicado assinado pelo Porta-voz da Arquidiocese, Pe Pinho dos Santos Martinhs, prescreve que “Os sacerdotes devem celebrar em privado ou em casas religiosas pelo povo de Deus, e a Rádio Encontro transmitirá celebrações radiofónicas de Segunda-feira a Sábado a partir das 17 horas”. Face a impossibilidade de participação Eucarística, os fiéis da Arquidiocese de Nampula são instruídos a manter sintonia com os seus pastores “rezando o Santo Terço, pedindo a intercessão de Nossa Senhora para o fim da pandemia” O documento que temos vindo a citar refere ainda que “Ficam suspensas todas as palestras, simpósios, congressos, retiros, etc., nas comunidades” e as instituições católicas de ensino deverão seguir “escrupulosamente as orientações do comunicado presidencial”. De salientar que no rol das medidas mais recentes anunciadas pelo PR, o destaque vai para a suspensão das aulas presencias no ensino primário, secundária, ensino superior e técnico-profissional na cidade de Maputo incluindo Marracuene, Xai-Xai, Inhambane, Chimoio, Beira, Dondo e Tete. O sector público passa a funcionar das 8h às 14h e o recolher obrigatório passa para 21h às 4h. Volta a não ser permitida a realização de treinos nas diferentes modalidades, incluindo nas camadas de formação. Por outro lado, as equipas de alta competição treinam sem público nas bancadas. Nyusi garantiu a chegada de 11 milhões de doses de vacinas que chegam entre Julho e Agosto para intensificar o processo de vacinação onde se prevê ainda no presente ano a vacinação de grande parte da população moçambicana.
jul 16 2021
OS EXTREMOS DA “PÁTRIA AMADA”
Por Kant de Voronha Uma minoria do povo moçambicano conhece a letra do Hino Nacional. Uma poesia artisticamente bem elaborada, com engenho melódico de manifestação de pertença, integridade e esperança de um povo que sonha com a unidade nacional. Ora, era suposto que fosse a canção mais popular de Moçambique, cantada de cor por todos os moçambicanos. Mas vezes sem conta surpreendemo-nos com personalidades (figuras públicas), chefes de instituições e departamentos, povo simples, professores e jornalistas, que gaguejam ao tentar morder algumas palavras apagadas pelo vento em sua memória. Já participei em vários encontros multissectoriais nos quais a vergonha foi visível. A letra e a música do Hino Nacional são estabelecidas por lei, aprovadas nos termos do n.º 1 do artigo 295 da Constituição. Se calhar é necessário partilhar aqui, ao menos, a letra do Hino Nacional: Na memória de África e do Mundo; Pátria bela dos que ousaram lutar; Moçambique, o teu nome é liberdade; O Sol de Junho para sempre brilhará. Coro: Moçambique nossa terra gloriosa; Pedra a pedra construindo um novo dia; Milhões de braços, uma só força; Oh pátria amada, vamos vencer. Povo unido do Rovuma ao Maputo; Colhe os frutos do combate pela paz; Cresce o sonho ondulando na bandeira; E vai lavrando na certeza do amanhã. Flores brotando do chão do teu suor; Pelos montes, pelos rios, pelo mar; Nó juramos por ti, oh Moçambique; Nenhum tirano nos irá escravizar. Como se depreende desse Hino, Moçambique é uma terra livre, resultado da luta de libertação nacional contra o colonialismo português. A memória do povo conserva a alegria do dia da independência nacional a 25 de Junho de 1975. Hipoteticamente o povo está unido do Rovuma ao Maputo colhendo os frutos do combate pela Paz, pois “nenhum tirano nos irá escravizar”. Ora, a experiência de cada dia mostra que o sonho pela liberdade está ainda minado por lutas fratricidas que nunca acabam. Luta-se pelo poder; luta-se pelas riquezas; luta-se por comida; luta-se por hegemonia política; luta-se por recursos minerais e madeira; luta-se sem fim. Como consequência, somos um povo que caminha sem rumo, inseguros e de olhos vermelhos. A assimetria socioeconómica é grande. Moçambique conhece, desde sempre, um povo com uma maioria miserável e umaminoria de elite cada vez mais rica. Aumenta com as guerras o número dos empobrecidos, dos necessitados, dos estrangeiros que vivem na sua própria terra. Aumenta o número daqueles que são forçados a deixar assuas terras, partir sem rumo certo com bagagens na cabeça procurando asilo em lugares supostamente mais acolhedores e seguros. Aqui funciona a selecção natural. Mesmo para o acesso a riqueza, a escolaridade de qualidade, para ter um apelido como antigo combatente, para ter liberdade de compra e venda de recursos naturais do país, para viver com dignidade, em tudo funciona a selecção natural. Os extremos são visíveis e não precisa usar lupa para microscopiar. Até os problemas sociais estão geograficamente divididos no país. Parece que a falta de unidade do povo consubstancia-se, igualmente, nos seus problemas, preocupações e necessidades. A metrópole e capital do país concentra amaior parte do capital financeiro. Parece que todos osfinanciamentos que chegam à nossa terra devem olhar primeiro e por último em Maputo e suas periferias na zona Sul. A zona Centro é o epicentro de ciclones, inundações, tempestades que se acrescem com o problema de Nyonguismo. A zona norte é a menina dos olhos das multinacionais, os megaprojectos e exploradores insaciáveis. Aí nasce o famoso terrorismo que deslocou milhares de pessoas de Cabo Delgado para províncias circunvizinhas. O Alshababismo é uma mancha negra que revela que a nossa segurança nacional está ameaçada e ainda não estamos em altura de nos gloriar que “nenhum tirano nos irá escravizar”. Sim! Nós somos escravos de estrangeiros e também escravos de nossos irmãos. Matamo-nos mutuamente em nome das riquezas; exploramo-nos em busca da comida. Esta música é amarga e não alegra ninguém para dançar. O mais agravante ainda, a Covid-19 veio reforçar a nossa falta de liberdade. Para além dos mortos por guerra, por malária, por sida, o nosso coração vive ameaçado pelo inimigo invisível, o Coronavírus. Até quando? “Oh pátria amada, vamos vencer”! Esta declaração de esperança coloca-nos no horizonte da batalha de quem se convence que a vitória é sua. Pela unidade nacional, do Rovuma ao Maputo, precisamos de sair da teoria para a prática. A experiência mostra que muitos trabalhadores, incluindo serventes de obras ou grandes projectos que pululam no centro e norte do país são “importados” de Maputo ou zona sul. A população local interroga-se: “os nossos filhos não têm capacidades de trabalhar com as empresas ou projectos lucrativos?”.Todos nós somos moçambicanos e merecemos tratamento e oportunidades iguais. Devemo-nos engajar na luta contra o divisionismo que gera regionalismo porque, vezes sem conta, julga-se que o desenvolvimento socioeconómico é regional. Se repararmos com atenção até os partidos políticos são regionalistas e étnicos. Como resultado, os conflitos não acabam e a opinião alheia é algo para combater. Aliás, em vários sectores de trabalho, ser da posição ou da oposição gera mau-olhar e juízos indiferentes. Tanto é que só pode chefiar um sector ou departamento aquele que é “nosso” (Risos). Quem é que não é nosso nesta Pátria Amada? Mais vale empregar um incompetente (por ser nosso) que um competente que não é nosso? Isso não deixa de revelar efeitos indesejados à medida que notamos trabalho que deixa a desejar. Pois, quando trabalhamos por confiança política e não por capacidades adequadas o resultado são os maus préstimos para o povo. Se queremos, Pedra a pedra construir um novo dia, devemos investir na profissionalização dos nossos gestores. Já se viu em várias ocasiões pessoas bocejando ou dormindo em plena sessão da Assembleia da República. Que proveito se poderá esperar de um dorminhoco que diz ser representante do povo? Quem votou um “non sui compos?” Veja-se o esforço do camponês. Todo o ano cultivando a terra, comendo o suor do seu corpo e o resultado é quase invisível. Pior ainda neste ano. Em muitas regiões


