jul 03 2021
XIV Domingo do Tempo Comum B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Ezequiel 2,19-22 Salmo 122(123) Segunda Leitura: 2 Coríntios 12,7-10 Evangelho Marcos 6,1-6 Tema: REJEIÇÃO A CRISTO É PECADO GRAVE Se a idolatria caracteriza as nações pagãs, a incredulidade afecta o próprio povo de Deus. Toda a história de Israel é semeada de incredulidade, de rejeição, de nostalgias e de voltas para os ídolos, de confiança nos deuses dos povos vizinhos, de confiança nas grandes alianças com os povos pagãos. Expressão impressionante dessa rejeição é a condição do profeta, sempre obstaculizado pelo povo, nunca aceito, frequentemente perseguido: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados…” (Mt 23,37). A incredulidade do povo sempre foi um escândalo. Muitas são as razões do fracasso e da rejeição do povo eleito. Antes de tudo, os erros de interpretação da Lei. O povo sufocou sob a letra um documento cheio de tensão escatológica; reduziu a missão e a figura do Messias às dimensões de um quadro demasiadamente humano e nacionalista. Algumas classes do povo acreditaram poder ser suficientes a si mesmas e se fecharam a toda iniciativa de Deus. Cegos pela preocupação de vantagens terrenas, outros judeus desprezaram os sinais que Deus lhes enviava. O culto também foi deformado pelo formalismo, e o templo se tornou um lugar de prestação de contais cultuais, sem verdadeira participação pessoal. O incidente de Nazaré, conforme relata Marcos, assume significado simbólico. Jesus se apresenta na sua cidade natal, não como simples cidadão que faz uma visita à família; ele aí vai com seus discípulos no pleno exercício de sua qualidade de Rabí (Rabuni), dotado de sabedoria e de autoridade fora do comum, qualidades excepcionais que são postas em evidente contraste com sua origem; sua gente “se escandaliza com ele” e não aceita como aquilo que ele verdadeiramente é. Para a reflexão da liturgia da palavra, podemos nos questionar. Partindo da compreensão de que os “profetas” não são um grupo humano extinto há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles? Como acolhes seu catequista, animador, ancião da comunidade? Recebes o seu padre para lhe orientar espiritualmente ou está em busca de um apoio material? Não se escandaliza quando o profeta da sua casa, da sua aldeia, bairro e cidade denuncia os males praticados pela sociedade incluindo a si? Quando o seu animador não aceita incluir seu filho na lista de baptismo por falta de preparação, como tem sido a sua reacção? Para mais aprofundamento da Palavra de Deus: Como lidamos com a injustiça e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens, como a guerra, a corrupção, o preconceito, a perseguição das pessoas de boa vontade? O medo, o comodismo, a preguiça, alguma vez nos impediram de ser profetas? Grande parte dos judeus não reconheceu o Cristo, mas as razões que explicam esta recusa dizem respeito também a nós: estamos também continuamente em perigo de querer salvar-nos sozinhos, de pôr nossa confiança só nos recursos exteriores, de pôr em nosso culto mais formalismo que interioridade, de restringir, com as nossas interpretações demasiadamente humanas e presas a um ambiente determinado, a universalidade da nossa religião. Nós também temos a contínua tentação de fazer calar os profetas, porque nos incomodam em nossas posições alcançadas e destroem nossas seguranças. O pecado é recusa de comunhão com Deus e desagregação do povo que Deus convocou; ofensa a Deus, e, portanto, verdadeira e radical alienação do homem. O desígnio de Deus é comunicar-se a si mesmo em Jesus Cristo, com uma riqueza que transcende toda compreensão e transpõe todo obstáculo. O cristão, mesmo que atormentado pela necessidade e o dever de combater contra o pecado e suas consequências, é sustentado cada dia por uma esperança que não decepciona. O Cristão participa, por meio do Espírito de Jesus, da própria vida de Deus. Compromisso Pessoal Aceitar com coragem e determinação a missão de profeta Rezar pelos actuais profetas para que não desanimem Denunciar os males da sociedade, da Igreja e da família Colaborar com a construção da justiça social Cultivar o espírito de paz interior e das nações Viver as propostas do Evangelho que é por excelência a construção do Reino de Deus
jun 28 2021
Ausência de reconciliação nacional
Os maiores travões do desenvolvimento de Moçambique: Ausência de reconciliação nacional Na edição anterior da VN referimo-nos à intolerância política como um dos principais travões do desenvolvimento de Moçambique. Nesta edição, apresentamos outro grande entrave ao nosso desenvolvimento: a ausência de reconciliação nacional. À semelhança da intolerância política, que é uma das principais forças de bloqueio ao nosso avanço como país, a ausência de reconciliação nacional funciona como outro grande impedimento do nosso progresso, tendo em conta o nosso percurso histórico desde a década da luta de libertação nacional: 1964-1974, até aos dias de hoje, ano de 2021. Portanto, apelamos para uma verdadeira reconciliação: o perdão sem esquecimento – um esforço nacional que a nossa sociedade, ajudada por nós cristãos católicos, deve fazer conforme ensinam a Doutrina Social da Igreja (DSI) e o Papa Francisco na sua Carta Encíclica Fratelli Tutti – “Sobre a Fraternidade e a Amizade Social” que cito: “o perdão livre e sincero é uma grandeza que reflecte a imensidão do perdão divino. Se o perdão é gratuito, então pode-se perdoar até a quem resiste ao arrependimento e é incapaz de pedir perdão” (§ 250). Reconciliação Nacional A reconciliação nacional é uma necessidade urgente para o nosso país, porque a nossa história está preenchida de eventos de desentendimento, guerras e conflitos. Aqui destacamos quatro desses eventos. Primeiro, a luta de libertação nacional (1964-1974), durante a qual houve confrontação entre o exército do movimento Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e o exército português. Formalmente o exército português era composto por “tropas portuguesas”, mas é sabido que mais de dois terços dessa tropa dos que lutavam contra a Frelimo eram moçambicanos de diferentes proveniências. Assinado o Acordo de Inkomati a 7 de Setembro de 1974, e terminada a luta de libertação nacional, uma parte desses moçambicanos (na altura tratados por “comprometidos”) que outrora pertenceram ao exército português foi integrada no exército moçambicano, depois que o então Presidente Samora Machel ordenou que fossem perdoados e que a designação “comprometidos” fosse abolida do léxico político, social e militar do país. Outros desafios a Reconciliação Nacional O segundo momento negro da nossa história e que obriga a um processo de reconciliação nacional é a guerra dos 16 anos que opôs a Renamo ao Governo da Frelimo entre 1976 e 1992. Aquela guerra só terminou com a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) a 4 de Outubro de 1992. Porém, a negociação da “paz política” não envolveu uma negociação da “paz social”. Assim, o AGP tal como o Acordo de Inkomati foi um acordo político sem bases sociais de entendimento entre os moçambicanos que tinham estado em trincheiras diferentes. Foi assim que a desmobilização dos guerrilheiros que fizeram a guerra dos 16 anos, tanto do lado da Frelimo como da Renamo, aconteceu sem nenhum processo de mobilização social para o perdão e a sua integração na sociedade. Acordo sem reconciliação Depois da assinatura do AGP em 1992 até ao recomeço da guerra em 2012, o nosso país era considerado um bom exemplo e um caso de sucesso de transição da guerra para a paz. Mas como se viu esse sucesso tinha pés de barro e, por isso, não subsistiu por mais tempo. O terceiro evento histórico que compõe a nossa complexa situação de ausência de reconciliação nacional aconteceu em 2014, quando o fim da chamada “guerra de Muxúnguè” que se materializou com a assinatura a 5 de Setembro de 2014 do chamado Acordo de Cessação das Hostilidades Militares (um eufemismo usado para designar a guerra pós-eleitoral de 2012-2014). De novo, esse acordo foi alcançado por via da negociação política sem que se fizesse esforço a nível social para promover o perdão e a reconciliação. Negociou-se a “paz política” – o calar das armas apenas sem a correspondente “paz social” que viria da reconciliação nacional. Eis que em 2015 recomeça a guerra que vai até finais de 2017 quando o falecido Presidente da Renamo Afonso Dhlakama decretou aquela “trégua por tempo indeterminado”, e começaram as negociações para uma “nova paz” entre ele e o Presidente da República Filipe Nyusi. É neste contexto que surge o quarto momento de necessidade de uma reconciliação nacional. Mais uma vez, os dirigentes políticos optam por negociar apenas uma “nova paz” sem reconciliação nacional. E ela só viria a ser conseguida em 2019, quando o Presidente da República Filipe Nyusi e o novo Presidente da Renamo Ossufo Momade assinaram o terceiro acordo de paz em 40 anos, a 6 de Agosto, na Praça da Paz, em Maputo. A esse acordo designaram “Acordo de Paz Definitiva e Reconciliação Nacional de Maputo”, mas que, como se sabe, de definitivo ainda tem pouco, visto que depois da sua assinatura o país viveu momentos de terror, de ataques armados na zona centro do país. Acordo 2019 Como resultado do último acordo de paz de 2019 vemos o processo oficialmente designado de “desmobilização, desmilitarização e reintegração (DDR)” com a última componente da reintegração a deixar muitas dúvidas. De novo, a preocupação recai apenas sobre as formas de como mandar para casa os ex-guerrilheiros sem nenhum processo social amplo e aberto de perdão e de reconciliação nacional. Os acordos de paz não são suficientes para a pacificação do país, como temos visto ao longo dos vários anos. Precisamos de um processo nacional de reconhecimento dos erros cometidos pelas partes contendoras, que inclua perdão nacional e consequente reconciliação. Sem isso, temos o país que vemos: as pessoas que fazem parte do partido Frelimo, que governa o país são facilmente integradas na vida socio-económica, enquanto todos os demais moçambicanos são tratados como “os outros”. E com isso, temos muitos “falsos membros” da Frelimo, que o são somente de cartão porque querem evitar perseguição política e garantir a sua sobrevivência económica e profissional. Desta forma, está-se a perpetuar o nosso sub-desenvolvimento, porque não será possível ultrapassar a pobreza, a fome, a falta de estradas e de pontes, o desemprego ou outros males que nos afligem, enquanto não nos reconciliarmos como única
jun 28 2021
“Do eldorado do gás ao caos”
“Do eldorado do gás ao caos”, Dossier elaborado pela Organização Amigos da Terra Internacional, Junho 2020 Tesouro envenenado A partir de 2010 até 2013, foram descobertas enormes reservas de gás em Moçambique: cerca de 5000 milhares de milhão de metros cúbicos, prevendo um investimento de, pelo menos, 60 mil milhões de dólares nos próximos anos para explorar as reservas, um dos maiores investimentos alguma vez feito na África Subsariana. Um tesouro que já se está a transformar num pesadelo para os habitantes do norte de Cabo Delgado que enfrentam um conflito aceso e mortal desde 2017. Entre 2010 e 2013, descobriram-se enormes reservas de gás no norte da província de Cabo Delgado, que supostamente colocariam o país entre os cinco principais exportadores de gás liquefeito (GNL) a nível mundial. Assim as praias de areia fina de Cabo Delgado, tornaram-se a nova casa da indústria do gás e de todas as empresas que giram em torno dos referidos megaprojectos de energia. Bem sabemos que essas reservas situam-se no extremo norte do país que tem sido o centro das atenções nos últimos meses, devido à intensificação dos ataques de grupos de insurgentes contra a população civil e o exército Moçambicano. Os primeiros ataques coincidiram com a concretização dos projectos de exploração de gás, que exacerbam as tensões sociais, religiosas, étnicas e políticas na origem de um conflito que se agrava. Projecto TOTAL Com a chegada da Total na qualidade de operador de um dos três projectos e numa altura em que o conflito ganha envergadura, a França interessa-se cada vez mais por esta região, que é altamente estratégica para eles, os seus industriais e os seus bancos. Para o projecto da Total, os operadores decidiram realizar tudo em offshore (no mar) com uma unidade flutuante de liquefacção e armazenamento de gás, ancorada a 60 km das costas Moçambicanas, com perfurações de cerca de 2 km de profundidade. O gás será, então, explorado e liquefeito para ser, depois, exportado. A Península de Afungi, perto da cidade de Palma, acolhe as instalações onshore (na terra): um imenso parque industrial de 18 000 hectares onde serão construídas todas as infra-estruturas de GNL (terminais, comboios de GNL, reservatórios, embarcadouros, aeroporto próprio etc.). Essas instalações serão ligadas por gasodutos aos campos submarinos das áreas 1 e 4. Na Península de Afungi, a Total e a ExxonMobil arrancaram com as obras de construção. A Total encarrega-se da maior parte dos trabalhos nesta etapa, uma vez que já avançou mais no processo de financiamento. Cerca de 8000 operários estavam no local antes da epidemia da Covid-19 que diminuíram consideravelmente até ao mês de Janeiro, pela insegurança vivida nos estaleiros devido também ao aumento dos ataques terroristas nas proximidades. Gás e conflito armado As comunidades locais são as principais vítimas das consequências do boom do gás e do conflito que mina a província de Cabo Delgado. Uma insurreição que mata e ganha amplitude há cerca de três anos que multiplica os ataques dos grupos terroristas, conhecidos como Ahlu Sunna Wa-Jama e a que a população local chama «al-Shabab», há como consequência a militarização da zona, para contrastar o conflito armado que influencia também o processo de relocalização e de indemnização das famílias desalojadas pelos operadores da exploração do gás. Os desalojamentos das populações em virtude dos projectos de exploração de gás e a militarização da zona a favor das corporações transnacionais do gás em detrimento das comunidades locais, só exacerbam as tensões. Gás e Deslocados internos De Outubro de 2017 a Outubro de 2020, os insurgentes realizaram mais de 600 ataques terroristas nos distritos do norte e centro da província de Cabo Delgado, causando mais de 2000 mortes entre a população. Para além da barbaridade na forma de actuação, a face mais visível dos ataques em Cabo Delgado é o crescente número de deslocados internos, que atingiu mais de 500 mil até ao final de 2020 correspondente a cerca de 13% da população da província nortenha de Cabo Delgado com o um aumento em mais de 2700% deslocados, em apenas dois anos. Com a população moçambicana estimada em cerca de 28 milhões de habitantes, cerca 500 mil vive na condição de deslocados, acolhidos em 13 centros de acomodação, criados pelo Governo e parceiros, assistidos pelo PMA, INGS e a Caritas. Porém, a maioria dos deslocados está hospedada em casa de familiares sem o mínimo de condições para lhes garantir as condições básicas de sobrevivência. Desta forma, podemos dizer que nasceram dois grupos distintos de deslocados internos: por um lado, a maioria que se abriga em casas de famílias acolhedoras e outro, que está em centros de deslocados criados para o efeito. Desafios sociais Neste tipo de projecto de exploração de energias fósseis, operadores como a Total, a ExxonMobil ou a ENI são geralmente obrigados a criar empregos locais, consoante os regulamentos editados pelo país que detém os recursos em hidrocarbonetos no seu solo, ou o chamado conteúdo local. Entretanto, alguns observadores já constataram que o governo Moçambicano se concentrou largamente em duas decisões finais de investimento rápidas, visando obter as receitas o quanto antes para saldar a dívida, conhecida vulgarmente como a “divida oculta”, em detrimento do desenvolvimento desse conteúdo local. O gás criou muitas expectativas, mas desde 2016 que as populações locais se queixam de ser muitas vezes ignoradas, mesmo no que se refere à criação de empregos não qualificados. Segundo afirmam, as grandes empresas de exploração de gás e os seus agentes contratados preferem contratar estrangeiros ou pessoas da capital em detrimento dos habitantes locais, alimentando, assim, não só as tensões comunitárias e étnicas, como também o conflito em Cabo Delgado. Consequências ecológicas Alguns estudos técnicos dos projectos analisados revelam que a exploração de gás no mar irá provocar a degradação do habitat de muitas espécies de peixes que vivem na área. No próximo futuro o ruído e as colisões com os navios, nomeadamente, com os imponentes petroleiros de GNL, forçarão espécies com a baleia-de-bossa e a baleia boreal a abandonar a
jun 28 2021
IV ASSEMBLEIA NACIONAL DA PASTORAL
A caminho da IV ANP A Igreja Católica, em Moçambique, no seguimento do trabalho de discernimento dos sinais dos tempos e de acompanhamento do povo moçambicano nos seus variados momentos, vai realizar em 2023 a IVª Assembleia Nacional de Pastoral (ANP) sob o lema “Reavivar o Anúncio e o Testemunho da Palavra de Deus Hoje”, cuja preparação estamos a iniciar, insere-se na pegada das anteriores Assembleias Pastorais procurando responder aos desafios pastorais do tempo actual. A Iª ANP realizou-se em 1977 na Beira sobre as comunidades ministeriais; em seguida, em 1991 decorreu a IIª ANP sobre a consolidação da Igreja local, na Matola; e no ano de 2005 realizou-se a IIIª ANP sobre a Evangelização, também na Matola. Como forma de animar as comunidades na preparação e participação activa deste evento da nossa igreja, a Vida Nova vai oferecer, a partir desta edição, os textos dos Lineamenta (Linhas gerais) destacando os vários temas aflorados pelo documento. Participar é fundamental A iniciativa da preparação e celebração da IVª Assembleia Nacional de Pastoral (2021-2023) visa criar uma experiência conjunta de escuta, discernimento e comunhão eclesial que coloque todo o Povo de Deus a exprimir o que as Comunidades Cristãs e os Católicos dispersos vivem em todo Moçambique. A partir daí, inspirados pelas soluções que o Espírito Santo suscitar no meio dos crentes, toda a Igreja Católica em Moçambique traça rumos de acção comum para uma pastoral de conjunto. Trata-se de juntos, como Igreja Família de Deus, elaborar linhas pastorais comuns, amadurecidas durante todo o caminho de preparação da IVª Assembleia Nacional de Pastoral. Qual é o objectivo do documento dos Lineamenta? O objectivo é encorajar e animar todos os agentes de pastoral a participar na reflexão para que se possa discutir, fazer um inventário pastoral e apresentar propostas de actuação. Qual a função do documento dos Lineamenta? -Ajudar a reflexão das Comunidades cristãs, Paróquias e Dioceses sobre os temas da IVa ANP. -Fazer uma análise da situação, no plano da Igreja e da sociedade em geral. -Buscar uma fundamentação teológica que abra pistas às iniciativas a propor à Igreja em Moçambique. Qual o conteúdo dos Lineamenta? Estrutura: -Leitura da realidade -Fundamentação Teológica -Propostas Operativas -Perguntas para a reflexão e partilha Quais são os temas dos Lineamenta? Os temas propostos e desenvolvidos nos Lineamenta são os seguintes: Missão: Ser Igreja em Saída, decididamente Missionária Diálogo entre o Evangelho e a Cultura III. Catequese e formação cristã Pastoral da Família Pastoral Juvenil Os Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades VII. O Desafio das Seitas e resposta pastoral VIII. O Cristão e o compromisso social em Moçambique Auto-sustentabilidade da Igreja Local Os desafios do mundo digital para a Igreja e para a evangelização. Qual a metodologia de trabalho? Cada Diocese deve nomear uma Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP a qual é responsável pela animação do trabalho de preparação da Assembleia na Diocese. Como primeiro trabalho, recomenda-se a tradução do texto dos Lineamenta nas principais línguas locais em uso na Diocese para uma melhor compreensão por parte de todos os intervenientes na reflexão e partilha a nível da comunidade cristã e paróquia. Os Lineamenta serão estudados primeiro nas comunidades cristãs e nas zonas pastorais, devendo-se dar resposta às perguntas referentes aos temas. Em seguida, cada Paróquia, numa especial assembleia pastoral, fará a partilha e síntese das propostas apresentadas. A síntese diocesana das respostas aos Lineamenta será realizada pela Comissão Diocesana de Preparação da IVª ANP. O mais importante nesta fase de preparação a nível diocesano é fazer um inventário da situação pastoral local (luzes e sombras) e apresente propostas pastorais pertinentes. Missão: ser uma igreja em saída, decididamente missionária As pequenas comunidades cristãs ministeriais, sobretudo depois da Iª Assembleia Nacional de Pastoral (1977), ajudaram a Igreja em Moçambique a ser uma Igreja de base e de comunhão, “uma Igreja família, de serviços recíprocos, livremente oferecidos, uma Igreja no coração do povo que a faz sua, inserida nas realidades humanas e fermento da sociedade” (Ia ANP, n.1). As nossas paróquias são uma rede de comunidades, e assim conseguimos passar corajosamente de uma pastoral de manutenção para uma pastoral decididamente missionária. Leitura da realidade A Igreja Católica em Moçambique, fruto da evangelização que remonta há cinco séculos, é por sua natureza missionária. Nos dias de hoje nota-se o enfraquecimento do espírito e dinamismo missionário nos evangelizadores e comunidades cristãs. A Igreja local moçambicana, perante os desafios da sociedade actual, tem a necessidade urgente de ser mais irradiante, apostólica, missionária. Para isso, é necessário organizar no contexto actual todas as nossas forças em vista de uma missão evangelizadora directa, abrangente, incisiva, generosa, audaz e à altura das necessidades. Trata-se do anúncio corajoso da Palavra de Deus que é acompanhado pelo testemunho de uma vida dedicada e de boas obras (Cf. At 4,29). Devemos, pois, aceitar o grande desafio que o Papa Francisco coloca a cada um de nós, na sua visita apostólica a Moçambique, no dia 5 de Setembro de 2019, na Catedral de Maputo: “A vossa vocação é evangelizar; a vocação da Igreja é evangelizar; a identidade da Igreja é evangelizar”. Ele nos convida a todos a sermos ousados e criativos na evangelização. Trata-se de colocar a Missão de Jesus no coração da própria Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia das nossas estruturas, os resultados do nosso trabalho, o nosso empenho de evangelizadores e a alegria que somos capazes de suscitar nos outros, porque sem alegria não se atrai ninguém. Fundamentação teológica O Papa Francisco tem proposto no seu ensinamento a imagem de uma “Igreja em saída”, mobiliza-nos para uma acção comprometida com a evangelização dos povos, insiste em afirmar que a missão fundamental da Igreja é o anúncio do Evangelho (Cf. Evangelii Gaudium, 20-24). De facto, a Igreja Católica é por essência uma comunidade missionária. Continua e prolonga a comunidade apostólica, instituída por Cristo para anunciar a Mensagem (Mc 16, 15). Nascida da Palavra de Deus acha-se a serviço desta Palavra (Cf. 1 Cor 9,
jun 28 2021
CAJUNA continua erguida para apoiar os deslocados de Cabo Delgado
Por Kant de Voronha A Coordenadora da Comissão Arquidiocesana da Juventude, Irmã Francinete Ribeiro, considera que os jovens nunca ficaram parados durante a vigência do Decreto Presidencial que ordenou o encerramento das celebrações e encontros públicos. A fonte falava na margem do término da formação da CAJUNA havida no último Sábado, 26/6, no Centro Catequético Paulo VI de Anchilo. Mesmo a meio de muitos desafios sobretudo as restrições do número de participantes, os jovens abraçam o trabalho com os deslocados apoiando-os na construção de tendas em Corrane, acolhimento, escuta e difusão radiofónica de programas de apelo à solidariedade para com os necessitados. “Foi um desafio, como CAJUNA, durante esse tempo que não podíamos visitar as comunidades nem as regiões, mas abraçamos o trabalho com os deslocados. Procuramos apoiar com aquilo que os jovens podiam e podem: construção de tendas em Corrane, acolhimento, escuta e difusão radiofónica de programas de apelo à solidariedade para com os necessitados”, apontou. Para além de doação de si próprios e seus bens, os jovens da CAJUNA introduziram recentemente o programa de alfabetização para os deslocados em coordenação com o Governo e várias entidades religiosas. A nossa fonte apela aos jovens e deslocados que não se sintam sozinhos e isolados. Que se faça trabalhos de reintegração da juventude nas comunidades e nas paróquias. “Vemos nestes dias que um grande número de jovens abandonou a igreja e estão por aí. Que possa haver esse trabalho de reintegração. Saibamos ir ao encontro e escutar os jovens”.
jun 28 2021
“Nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra”
Por Kant de Voronha O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, considera que a Fé e a Esperança em Deus devem ser os pilares que sustentam os jovens em tempos de incerteza. Pois “Nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra”. O prelado falava na manhã do último sábado em mensagem, áudio, enviada a partir da Itália, por ocasião da formação promovida pela Comissão Arquidiocesana da Juventude (CAJUNA). Dom Inácio encoraja os jovens a não se deixar abalar pelas adversidades da guerra e as incertezas da Covid-19. “Nós temos não só uma esperança, mas também temos uma certeza: Deus! Jovens, Deus está convosco, Deus está connosco. Por isso, nem Covid-19 nem os que matam em Cabo Delgado têm a última palavra. A última palavra pertence a Deus” Dom Inácio referiu ainda que o Dicastério para os leigos, a família e a vida, da Santa Sé anunciou a mudança da celebração da Jornada Mundial da Juventude, nas Arquidioceses e Dioceses, do Domingo de Ramos para o Domingo de Cristo Rei do Universo. É seu desejo que a primeira data a celebrar-se em Novembro próximo seja um verdadeiro momento de festa juvenil e reencontro de quantos almejam construir o Reino de Deus. “Que Cristo seja, na verdade, o vosso Rei, o Rei da juventude e sereis verdadeiramente felizes. Desde já marco um grande encontro convosco para celebrarmos o dia mundial da juventude na solenidade de Cristo Rei do Universo nos dias 20 e 21 de Novembro que vem. Quero que a primeira Jornada Mundial da Juventude seja verdadeiramente uma experiência de encontro, de amizade e de fraternidade universal”, exortou Dom Inácio. De salientar que a formação da CAJUNA teve como tema “ESPERANÇA E FÉ DOS JOVENS EM TEMPO DE INCERTEZA. Jovens lancem as vossas redes para outra margem (Mc,5.35-41)”.
jun 28 2021
Juventude da Arquidiocese de Nampula reflecte sobre o terrorismo que se abate sobre cabo Delgado e a Covid-19
Por Kant de Voronha Terminou no último sábado, 26/6, em Anchilo a formação de 3 dias que juntou cerca de 35 jovens da Comissão Arquidiocesana da Juventude (CAJUNA) oriundos das 5 regiões pastorais de Nampula. Sobre o tema “ESPERANÇA E FÉ DOS JOVENS EM TEMPO DE INCERTEZA. Jovens lancem as vossas redes para outra margem (Mc,5.35-41)” o encontrou serviu para reflectir em torno do terrorismo em Cabo Delgado e a situação de pandemia que assola o mundo e Moçambique em particular. A Coordenadora da CAJUNA, Irmã Francinete Ribeiro, enalteceu a partilha de ideias levada a cabo pelos jovens e espera que haja repercussão disso nas paróquias como forma de revitalizar a pastoral juvenil esmorecida em virtude das incidências da Covid-19. “Saimos daqui com algo novo e diferente. Que os temas abordados possam penetrar na consciência de cada um deixando-se iluminar pela Palavra de Deus. Os jovens partilharam suas experiências e desafios”, referiu a fonte. Francinete mostra-se motivada a redesenhar a pastoral juvenil para adaptar-se ao ritmo do contexto pandémico para oferecer novo vigor a partir da realidade da juventude. “Mesmo que se tenha este tempo de pequenos números, nós queremos voltar o trabalho com as regiões e nas paróquias. E trabalhar os mesmos temas a partir da realidade dos jovens. Abraçar algo novo na vida e fazer com que eles se sintam capazes de lançar as redes”, declarou. Alguns jovens que participaram da formação comprometem-se a fazer réplica dos conteúdos recebidos nas suas paróquias e regiões paróquias como forma revitalizar os jovens e motiva-los a trabalhar incansavelmente. Refira-se que o encontro de três dias abordou também alguns temas a saber: Diálogo inter-religioso neste tempo de desafio e esperança. O que fazer como jovem? (Documento do Papa Francisco Fratellituti) O que é a CAJUNA (pastoral juvenil Actividades realizadas neste tempo). Tempo para quem deseja ser escutado Disponível para o serviço de escuta Laudato SI Nova organização da pastoral na Arquidiocese de Nampula Como viver a nossa afectividade e sexualidade neste tempo de provações de maneira integrada
jun 26 2021
DÉCIMO TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Sabedoria 1,13-15; 2,23-24 Salmo 29 (30) Segunda Leitura: 2 Coríntios 8,7.9.13-15 Evangelho: Marcos 5,21-43 Tema: Deus nos ensina a amar a vida Deus ama a vida! Ele quer apenas a vida! “Deus criou o homem e a mulher para serem incorruptíveis. Pelo seu Filho, salva-nos da morte: eis porque Lhe damos graças em cada Eucaristia. Na sua vida terrena, Jesus sempre defendeu a vida, pois afirma que “Eu vim para que todos tenham vida, vida em abundância”. Em Marcos, no Evangelho, há duas cenas que assinalam a defesa da vida: Ele cura, Ele levanta. Ele torna todas as pessoas livres, dá-lhes toda a dignidade e capacidade para viver plenamente. Será que tu sabes firmar diante de Jesus que Ele é a tua alegria de viver? Vamos celebrar este domingo o Deus apaixonado pela vida. Vamos também nos apaixonar pela vida e defendermos a vida. O Livro da Sabedoria apresenta o rosto de Deus: Um Deus apaixonado pela. Este anúncio deve ser proclamado com força, porque vem contradizer ideias ainda muito espalhadas, segundo as quais agradaria a Deus fazer morrer o homem. A morte vem de outro, pois “não foi Deus quem fez a morte”. Pelo contrário, Ele cria a vida e dá-la à humanidade, modelada à sua imagem. Ele restaura a vida, quando esta está em perigo de se apagar. Dá a vida quando está perdida, como testemunha o Evangelho deste domingo. Portanto, quando alguém aparece acusando Deus como autor da vida, vamos recorrer a Sagrada Escritura que mostra claramente que nosso Deus é Deus da vida e cuida dela. Animados pelo Deus da vida, as primeiras comunidades cristãs praticaram a solidariedade e a partilha, não apenas entre os seus membros, mas também entre comunidades. Paulo solicitou-as nesse sentido. Por isso tinha organizado um peditório junto das comunidades que tinha fundado na Ásia Menor, na Macedónia e na Grécia, em favor dos irmãos de Jerusalém que estavam em dificuldades. Esta iniciativa correspondia às orientações da jovem Igreja. Paulo justifica esta acção de partilha pela generosidade de Cristo: esta é modelo para os cristãos e eles próprios já beneficiaram dela. O Reino de Deus é a vida. Jesus percorre o país para anunciar e estabelecer esse Reino. Ele fala e age. A sua fama espalha-se, porque uma força brota d’Ele, é a força da ressurreição, o Espírito de vida. O Deus da vida o impele para anunciar a vitória da vida sobre a morte. “Sê curada”. O imperativo de Jesus tem algo de afectuoso para com esta mulher, restaurada na sua dignidade, restabelecida na sociedade que excluía o seu mal. Este “sê curada” aparece também como uma constatação: é a sua fé que a salvou, e Jesus alegra-Se por isso. A cura é consequência da fé, que é sempre fonte de vida e de felicidade. A fé é um remédio muito importante. Por isso vamos pedir sempre que tenhamos o dom da fé quem vem temperar o dom da vida. “Levanta-te”. Este segundo imperativo do Evangelho deste dia é dinâmico e traduz perfeitamente este louco desejo de Deus em ver o homem vivo, o seu amor incondicional pela vida. “Adormecida”, no “sono da morte”… um estado do qual Deus nos quer fazer sair, um estado do qual Jesus nos salva. “Eu te ordeno: levanta-te”. A palavra evoca a ressurreição, o novo surgir da vida, o amor divino que nos coloca de pé. Jesus pede ao pai da jovem apenas uma coisa: “basta que tenhas fé”. Deus nos tira da morte, do pecado, do mal para que estejamos no seu lado que é por excelência vida e ressurreição. Jesus lida não só com a multidão mas de forma particular com pessoas concretas. Hoje somos sufocados pela massa, a multidão que exclui, que também sufoca os mais fracos. Jesus nos ensina a dar prioridade os excluídos na sociedade. Nas nossas comunidades, os que têm voz chegam ao nosso encontro a hora que quiserem, mas os pobres não têm ocasião de, pelo menos, nos tocar porque não damos essa chance. Jesus, Fonte de Vida, nos ensine a cuidar da vida, a valorizar a vida e defender a vida quando está em perigo, nas mãos dos assassinos, terroristas e tiranos. Compromisso de vida: Ser sinal de vida e de esperança no meio dos excluídos Ajudar alguma menina a não cometer aborto Resistir contra as leis que defendem o aborto Rezar pelas crianças abandonadas pelos pais e vítimas de guerra.
Génese do Coral da Região da cidade marcada por discriminação e incompreensões
Por Kant de Voronha Passados 5 anos desde a constituição e primeira animação litúrgica do Grupo Coral da Região Pastoral da Cidade de Nampula, ficam memórias de discriminação e incompreensões. A informação foi partilhada no último Domingo (20/06) pela respectiva Coordenadora, Felicite Nsipanil Luvuezo, a margem da celebração dos 5 anos de fundação, no Seminário Filosófico São Carlos Lwanga. A fonte referiu que o coral nasce como iniciativa do Arcebispo Emérito de Nampula, Dom Tomé Makhwéliha, com objectivo de animar grandes eventos arquidiocesanos como ordenações e outras cerimónias lirúrgico-pastorais. “O nosso grupo nasce a 19 de Junho de 2016 na ordenação Sacerdotal dos padres Jeremias, Raça e Chuva. Não foi tão fácil permanecer até chegar a comemorar estes 5 anos. As tempestades não faltaram. No início houve discriminação porque diziam que o grupo não podia ser coordenado por uma estrangeira. Mesmo assim não desanimei até este dia” referiu Luvuezo. Como perspectivas para o futuro, o Coral da Cidade pretende gravar um CD e compilar um livro à semelhança de Niwipele Apwiya da Diocese de Nacala. Felicite diz que o grupo carece de uma sede onde os membros se possam reunir, conservar seu material e realizar as suas actividades livremente. “Gostaria que os nossos Bispos junto com os padres ajudassem o grupo a ter um lugar onde possa guardar seu material, realizar seus ensaios e outras actividades”. O Coordenador Arquidiocesano de Liturgia em Nampula, o Pe. Jeremias do Rosário, no seu discurso por ocasião da Missa de 5 anos da sua turma manifestou gratidão pelas orações de quantos acompanham os passos do exercício ministerial do seu grupo presbiteral. Pe clérigo destacou ainda o sofrimento por que passa o Pe Agostinho Chuva que há dois anos sofreu agressão por desconhecidos em sua Paróquia, em Namitória, tendo sido submetido a uma cirurgia na cabeça e encontra-se em convalescença. “Agradecemos aos nossos Bispos que nos acolhem. Ao Pe Alberto Ferreiro que nos acompanhou durante o nosso retiro espiritual. Rezamos insistentemente ao nosso confrade PE Agostinho, estamos em comunhão e oração”. Refira-se que o grupo Coral da Região Pastoral da cidade de Nampula é composto por cristãos oriundos das Paróquias da Sé Catedral, São José, São João Baptista do Marrere, São Pedro de Napipine, Santa Maria, Nossa Senhora da Paz, Santa Isabel, São Francisco Xavier e Santa Cruz.
jun 19 2021
DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM B
LITURGIA DA PALAVRA Primeira Leitura: Job 38,1.8-11 Salmo 106 (107) Segunda Leitura: 2 Coríntios 5,14-17 Evangelho: Marcos 4,25-1-41 Tema: Deus nunca abandona o seu povo A liturgia da Palavra deste domingo diz-nos que Deus caminha com seu povo apesar dos acontecimentos que aparentam a ausência de Deus Pai. Ele cuida com amor de pai, de tio e de mãe oferecendo-lhe a cada passo a vida e a salvação. Deus é presente mesmo quando pensamos que está surdo. A experiência de Job na primeira leitura destaca que Deus majestoso e omnipotente, domina a natureza e que tem um plano perfeito e estável para o mundo. O homem, na sua pequenez e finitude, nem sempre consegue entender a lógica dos planos de Deus; resta-lhe, no entanto, entregar-se nas mãos de Deus com humildade e com total confiança como fez o personagem de livro chamado por Job. Paulo, na segunda leitura, garante-nos que o nosso Deus não é um Deus indiferente, que deixa os homens abandonados à sua sorte. A vinda de Jesus ao mundo para nos libertar do egoísmo, da inveja, do ódio que escravizam a pessoa humana e para nos propor a liberdade do amor e fraternidade mostra que o nosso Deus é um Deus interveniente, que nos ama e que quer ensinar-nos o caminho da vida. Marcos propõe-nos uma catequese sobre a caminhada dos discípulos em missão no mundo. O Evangelista garante-nos que os discípulos nunca estão sozinhos a enfrentar as tempestades que todos os dias se levantam no mar da vida. Os discípulos nada têm a temer, porque Cristo vai com eles, ajudando-os a vencer a oposição das forças que se opõe à vida e à salvação dos homens. A história relatada por Job serve de pretexto para reflectir sobre certos temas fundamentais sobre as quais o homem sempre se interroga, por exemplo, a questão do sofrimento do justo, do bondoso e do inocente, a situação do homem diante de Deus e a atitude de Deus face ao homem.Apresenta-nos a história de um homem bom e justo (Job), repentinamente atingido por um vendaval de desgraças que lhe rouba a riqueza, a família e a própria saúde. Depois de vários relatos de resistência diante do sofrimento, desafios, dificuldades, a história termina com Job a perceber o seu lugar, a reconhecer a transcendência de Deus e a incompreensibilidade dos seus projectos, a entregar-se nas mãos de Deus com humildade e confiança. O objectivo pelo qual Deus se manifesta é responder às questões de Job e fazer Job perceber a insensatez das suas críticas. Acontece com cada ser humano no momento da dor tentamos criticar Deus sem nos lembrar que Ele é Pai. Enquanto Job inicia criticando Deus pela sua atitude, Paulo fez a experiência do amor de Cristo e deixou-se absorver por esse amor. A sua acção tem apenas como objectivo levar o amor de Cristo ao conhecimento de todos os homens. Paulo vive uma experiência única na sua vida e se isso fosse, humanamente falando, um encontro entre um jovem e sua namorada diríamos que Paulo está não só apaixonado mas também entregue ao colo e coração da sua amada. Paulo enfatiza que Cristo morreu por todos, a fim de que os homens, aprendendo a lição do amor que se dá até às últimas consequências, deixassem a vida velha, marcada por esquemas de egoísmo e de pecado. Contemplando o Cristo que oferece a sua vida ao Pai e aos irmãos, os homens não viverão, nunca mais, fechados em si mesmos; mas viverão, como Cristo, com o coração aberto a Deus e aos outros homens. É esta “boa nova” que absorve Paulo completamente e que ele quer passar a todos os seus irmãos. Paulo admite e faz uma confissão pública que, no passado, entendeu Cristo “à maneira humana” e não percebeu que a sua doação até à morte era expressão de um amor ilimitado; mas, depois de se ter encontrado com Cristo ressuscitado na estrada de Damasco, Paulo passou a ver as coisas de forma diferente Paulo quer anunciar – por mandato de Cristo – que a adesão a Cristo faz desaparecer o homem velho do egoísmo e do pecado e faz surgir uma nova criatura. Ele experimentou o amor de Cristo e tornou-se uma nova criatura. Agora, ele sente que Deus o manda testemunhar essa experiência diante de todos os homens. Somos convidados a experimentar uma vida com Cristo renunciando o velho, os males que sempre nos escravizaram. Temos que dar um novo passo rumo ao homem novo em Cristo. Marco Situa o barco com Jesus e os discípulos “no mar”, que significa colocá-los num ambiente hostil, adverso, perigoso, caótico, rodeados pelas forças que lutam contra Deus e contra a felicidade do homem. Por outro lado, a “noite” é o tempo das trevas, da falta de luz; aparece como elemento ligado com o medo, com o desânimo, com a falta de perspectivas. O “mar” e a “noite” definem uma realidade de dificuldade, de hostilidade, de incompreensão, de guerra com as forças que dificilmente o ser humano compreende. No contexto africano, o mar pode ser visto como ambiente de “majine”, espíritos do mal que atrapalham a pessoa humana. A “tempestade” significa as dificuldades que o mundo opõe à missão dos discípulos. É provável que Marcos estivesse a pensar numa “tempestade” concreta, talvez a perseguição de Nero aos cristãos de Roma, durante a qual foram mortos Pedro e Paulo, bem como muitos outros cristãos anos 64-68. Marcos alerta que os discípulos terão de enfrentar ao longo do seu caminho histórico, até ao fim dos tempos muitas tempestades: perseguições e guerras contra a Igreja e seus membros. Encontramos a imagem de um barco cheio de discípulos convidados por Jesus a passar “à outra margem do lago” e a dar testemunho dessa vida nova que Deus quer oferecer aos homens é uma boa definição de Igreja. Por isso temos que tomar consciência de que a comunidade que nasce de Jesus é uma comunidade missionária, cuja tarefa é ir ao encontro dos homens e


