maio 21 2021
Furto de bens na via pública preocupa munícipes em Nampula
Circular na via pública nos últimos tempos na cidade de Nampula, tornou-se perigo devido a escalada de cadastrados perigosos, que com recursoa motorizadas empreendem fugas, assaltam cidadãos indefesos, sobretudo mulheres cujo alvo são as bolsas. A nossa reportagem saiu a rua na manhã desta sexta-feira para colher a sensibilidade dos munícipes, em torno da prontidão combativa pelos homens da lei e ordem no sentido de travar tal situação. Alguns Munícipes da Cidade de Nampula avançam que mesmo nos chapaz-cem tem sido perigoso tirar o seu celular para atender uma ligação com medo de ser arrancado pelos larápios denominados águias. Vezes sem conta, os moto-taxistas são apontados como os que engrossam as fileiras deste grupo de assaltantes baptizados por águias, mas estes distanciam-se, justificando-se que não se trata de taxistas mas sim de ladrões. De referir que num passado não distante uma mulher foi arrancada a sua bolsa contento um valor superior a 72 mil meticais por meliantes baptizados por águias. Julio Assane
maio 14 2021
INAE encerra Instituto Muniga por falta de Alvará
INAE encerra as actividades no Instituto Privado de Formação de Professores Muniga temporariamente por não dispor de Alvará. Uma equipa multi-sectorial composta por INAE, PRM e assuntos sociais, onde encerraram de forma temporária as actividades no Instituto Privado de Formação de Professores Muniga. Aliás, as actividades foram suspensas pelo facto daquela Instituição não dispor de um alvará que os autoriza a realização da actividade. O inspector Muaruri Abílio disse que depois de terem colocado o papel que indicava o encerramento temporário da instituição no dia anterior, que indicava a suspensão de todas as actividades naquele instituição de ensino, eles removeram os disseres depois que a equipa saiu do instituto e voltaram a leccionar as actividades como se nada fosse feito. “Depois de nos apercebemos que o primeiro dizer foi removido viemos novamente para informar aos gestores desta instituição que o instituto encontra-se suspenso por cinco dias até que eles mostrem o documento (Alvará) que os permite a realização desta actividade”. De novo viemos cá para fazer a segunda fase do trabalho que, também, consiste no encerramento da instituição”, continuou a fonte, que prossegue que “numa primeira fase, a instituição não apresenta o alvará. Aliás, por causa da retirada do termo estampado ontem (quarta-feira), estes incorrem ao crime de desobediência”-sublinhou Muaruri Abílio avançando que, os gestores do instituto pautaram pela desobediência, tendo em conta que esta é a terceira vez que o Instituto Muniga é suspenso por não apresentar documentos que os permite realizar esta actividade de formação de formação de professores. Para além de não ter um documento para o exercício válido de formação de professores naquele estabelecimento de ensino, os professores afectos naquele instituto reclamam a falta de pagamento de salário dos meses de Outubro, Fevereiro, Abril até esta parte. De referir que a suspensão das actividades naquele estabelecimento de ensino coloca na incerteza um pouco mais de 7 mil alunos que depositaram a confiança no instituto para a sua formação profissional. (Júlio Assane)
maio 14 2021
Enfermeiros em Nampula Exigem melhores condições de trabalho
Em meio a pandemia, Enfermeiros em Nampula exigem melhores condições de trabalho e aumento salarial. Trata-se de uma classe de profissionais de saúde, que está na linha da frente no combate a várias doenças com destaque para a Covid-19, Malária, Cólera, entre outras enfermidades. As exigências destes profissionais de saúde foram levantadas a propósito do dia internacional do enfermeiro celebrado a 12 de Maio corrente. Na sua mensagem de ocasião, estes disseram ainda estar a trabalhar em condições não favoráveis, e pedem ao governo o aumento de mais quadros da área, com vista a responder a demanda dos pacientes que procuram os serviços de saúde. Para este ano, o dia dos enfermeiros, foi escolhido para lembrar o aniversário de Florence Nightingale por ser considerada a fundadora da enfermagem materna. (Júlio Assane)
maio 14 2021
Município de Nampula continua no encalço de ruas degradadas para sua pavimentação
Três quilómetros de estradas custam 27 milhões de meticais para os cofres da edilidade em Nampula A obra Financiada através do Fundo de Investimento Autárquico, a obra vai consistir na pavimentação da faixa de rodagem e colocação de pavê, num troço de três quilómetros ligando a estrada nacional numero 1, e o posto administrativo de Muatala. Paulo Vahanle, presidente do conselho autárquico de Nampula, que procedeu o lançamento da primeira pedra para a pavimentação da rua, avançou que a reabilitação do troço de 3 quilómetros é cumprimento do manifesto eleitoral que tinha prometido aos munícipes durante a campanha para a sua eleição a presidente da autarquia de Nampula. Vahanle disse que a obra estará a cargo da edilidade e com a duração de 180 dias. Aliás aquele dirigente afirmou que vai continuar a trabalhar para melhorar a transitabilidade na capital nortenha da pérola do indico. Alguns munícipes entrevistados, disseram que a sua reabilitação será uma mais-valia, porquanto, vai facilitar a circulação de pessoas e bens, sem sobressaltos, tendo em conta que em períodos chuvosos a transitabilidade tem sido condicionada. (Júlio Assane)
maio 14 2021
MDM Suspende Tocova e três outros membros em Nampula
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em Nampula confirma a suspensão de Manuel Tocova e outros membros do partido. Sem avançar as razões da suspensão dos membros, Lopes Aquimo Muatamuro, delegado do Movimento Democrático de Moçambique em Nampula disse que a decisão tem em vista a chamada de atenção de outros membros para o cumprimento dos estatutos desta formação politica. Entretanto, os visados não confirmam a sua suspensão e afirmam que vão continuar a frequentar o partido até que venha um mandato da ordem central que ordena a sua saída de forma definitiva. Importa salientar que, a suspensão dos 13 membros, com destaque para Manuel Tocova, Antigo Edil Interino do Conselho Municipal de Nampula, Luciano Tarieque, Ex-Delegado da Cidade e Maria Maroviça Membro da Assembleia Municipal entre outros foi a mando do conselho jurisdicional deste partido em Novembro do ano passado. (Júlio Assane)
maio 14 2021
Empresários de Nampula sensibilizados com a fome desdobram-se na mobilização de apoios
Na sequência da fome aguda que assola os distritos de Monapo e Ilha de Moçambique, na província de Nampula, os empresários desta parcela do país, redobraram esforços que culminaram com a colecta de oito mil toneladas de diversos produtos alimentares. Segundo o presidente do CTA Muhamed Abdul Gani, o lote inclui igualmente material plástico como baldes e pratos que serão entregues as famílias carenciadas dos mencionados distritos. De acordo com o empresário, esforços em curso com vista a minimizar o sofrimento de mais famílias não termina por aqui, porquanto, a campanha irá prosseguir nos próximos dias até que mais famílias sejam abrangidas pela causa. “Nós vamos continuar a ajudar as famílias que recorreriam a tubérculos para se alimentar“-sublinhou o presidente do CTA Muhamed Abdul Gani. De recordar que a fome aguda que vem assolando os dois distritos, deriva por um lado a falta de chuvas, que fez com que centenas de famílias recorressem ao consumo de tubérculos e outros produtos silvestres.
maio 14 2021
Chaquir Bimate já não é treinador do ferrovia de Nampula
Maus resultados afastam, Chaquir Bimate do comando técnico do Ferroviário de Nampula. As contas continuam a complicar para as locomotivas de Nampula e para não sustentar os mesmos erros até ao final do campeonato nacional de futebol, o Clube Ferroviário de Nampula, decidiu afastar Chaquir Bimate do comando técnico da equipa. Por enquanto a equipa será assegurada por Artur Macassar treinador adjunto. Entretanto, o vice-presidente do Ferroviário de Nampula, Luís Munguambe, avançou que o afastamento do treinador do Ferroviário de Nampula deve-se por conta do fraco desempenho que a equipa está a registar e pelas constantes derrotas. Os adeptos desta turma, afirmam que o afastamento de Chaquir Bimate é justo, uma vez que equipa está lutar para conquistar o título e não a manutenção na grande prova futebolística. Refira-se que Chaquir Bimate deixa a equipa no barco furado, ou seja na 12a posição, com 4 derrotas, uma vitória, zero empate, 3 golos marcados e 7 sofridos. (Júlio Assane)
maio 11 2021
A mudança climática e a Saúde Humana
Por Éden Sansão Mucache “O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos… as mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas, constituindo actualmente um dos principais desafios para a humanidade” (LS, II). Uma das implicações mais inquietantes da mudança climática é o seu impacto potencialmente devastador sobre a saúde humana. Segundo um relatório da OMS “Um clima mais quente é mais variável ameaça provocar a elevação da concentração de alguns poluentes no ar, o aumento da transmissão de doenças por água impura e por alimentos contaminados, o comprometimento da produção agrícola em alguns dos países menos desenvolvidos e o aumento dos perigos típicos dos climas extremos”. A OMS prevê que as mudanças de temperatura promoverão a propagação de doenças infecciosas. Muitas das doenças que mais causam mortes são extremamente sensíveis às variações do clima como temperatura e precipitações, incluindo cólera e doenças diarreicas, assim como doenças transmitidas por vectores como malária, dengue e outras infecções. A encíclica de Papa Francisco Laudato si’ realça que a mudança do clima compreende alterações provenientes de mudanças de temperatura, precipitações, dentre outros fenómenos, em relação às médias históricas, interferindo nas características climáticas do planeta. Essas mudanças ocorrem por processos naturais, mas também podem ocorrer pela acção humana. Actualmente, entende-se que as mudanças climáticas contribuem para a carga global de doenças e mortes. Quais são os factores de risco para a saúde? A mudança de clima pode ser um factor de risco directo para a saúde humana, mas também pode influenciar muitos outros factores de risco para a saúde. Por exemplo, uma onda de calor resultante da mudança climática representa um factor de risco directo. As populações vulneráveis, neste caso, idosos e crianças, ficam expostas ao calor acima do normal esperado, podendo resultar em doenças ou óbitos. Outros factores de risco para saúde resultantes da mudança climática incluem: Alteração na precipitação de chuvas (causando inundações estiagens, incêndios florestais); Aumento do nível do mar; Falta de água e alimentos; Comprometimento da qualidade e quantidade da água e dos alimentos; Migração da população. Quais são os impactos na saúde da população? Entre os impactos directos e indirectos da mudança climática se apresentam: Doenças diarreicas, provenientes de transmissão de água e alimentos, em consequência da alteração na quantidade e qualidade da água; Doenças transmitidas por vectores, como malária, febre-amarela, dentre outras, devido à alteração na temperatura e precipitação, que afectam o desenvolvimento e comportamento dos vectores, e em alguns casos de parasitas (ex: o plasmódio na malária); Doenças não-transmissíveis, como desnutrição e subnutrição com implicação no crescimento e desenvolvimento infantil, devido à alteração na disponibilidade de alimentos decorrentes das secas e variabilidades climatológicas, além de transtornos psicossociais, doenças cardiorrespiratórias e dermatoses. O que podemos fazer? O sumo pontífice deixa várias recomendações no capítulo 6 da encíclica que são importantes a serem seguidas: A educação e a formação ambiental que envolva todos os ambientes educacionais: a escola, a família, os meios de comunicação e a catequese; Deve-se apostar em uma mudança nos estilos de vida e a forma como cuidamos do ambiente; O exame de consciência deverá incluir uma nova dimensão para considerar não apenas como se vive a comunhão com Deus, com os outros, consigo mesmo, mas também com todas as criaturas e a natureza. Além disso, existem medidas próprias do sector de saúde para evitar o impacto na saúde das comunidades. O sector da saúde pode ter um papel central para ajudar as sociedades a se adaptar aos efeitos da mudança climática e aos riscos que esta representa para a saúde humana. Os governos devem fortalecer os sistemas de saúde pública, dos programas de resposta às emergências e da pesquisa. As direcções de saúde devem reduzir riscos e agravos à saúde da população, por meio das acções de promoção e vigilância em saúde. BOX Louvado seja meu senhor pela irmã agua que é tao útil e humilde, preciosa e casta. Francisco defende que tudo quanto na natureza existe, é fruto do amor de Deus. Actualmente as mudanças climáticas fazem com que muitas espécies desapareçam motivadas pela falta das chuvas regulares que se fazem sentir nos últimos anos. Quero partilhar a penosa situação em que a cidade de Nampula se depara com a distribuição da água. Devido à escassez de água, verifica-se a restrição na sua distribuição, chegando alguns bairros a passarem dois a três dias sem verem sair agua nas torneiras. O que me preocupa não são apenas as necessárias restrições, mas a gestão geral. As condutas são muitas vezes vandalizadas e estão ao ar livre, fácil presa dos aproveitadores. Apelo à sociedade gestora para que faça o máximo esforço para proteger e distribuir igualmente o bem mais precioso que temos: a água. Lourenço Adérito
maio 11 2021
A injustiça da guerra
Por AB À luz da encíclica “Fratelli Tutti” queremos reflectir sobre os conflitos que, no norte e no centro do Pais, criam sofrimentos e mortes. Papa Francisco propõe um percurso de perdão sem esquecimento e enriquecido com a memória para ultrapassar os graves conflitos que assolam o mundo. Desde 2017 a Província de Cabo Delgado no norte de Moçambique, é palco de ataques, acções violentas e atrocidades contra os civis indefesos por parte de grupos de terroristas de matriz islâmica que querem criar o seu próprio ”estado” dentro do Estado moçambicano. Até hoje é uma guerra sem vencedor que provocou a deslocação de mais de 500 mil pessoas que abandonaram as suas casas, as suas machambas, os seus pertences e, sobretudo, a sua existência quotidiana, para encontrar abrigo em Pemba ou na Província de Nampula, bem como em outros distritos de outras Províncias. É uma tragedia que se depara com o fundamentalismo de quem, em nome de Deus, mata, corta as cabeças e queimas as casas. Também no Centro do Pais recomeçaram os ataques armados, daquela que se chama a Junta militar da Renamo, contra viaturas, camiões e machimbombos que transitam na Nacional 1 e nas aldeias circunvizinhas. O lento caminho da paz Duas realidades conflituosas que paralisam Moçambique, provocam inúteis sofrimentos do povo e mantêm o pais num estado de insuportável ansiedade que prejudica aquele “futuro melhor” proclamado há tanto tempo. Esta é a nossa realidade. Agora vamos ver o que a carta “Fratelli Tutti” nos diz para encontrar um caminho de saída desta situação de escuridão. “No coração dos que maquinam o mal, há falsidade, mas aqueles que têm conselhos de paz, viverão na alegria» (Prov. 12, 20). No entanto, há quem busque soluções na guerra, que frequentemente «se nutre com a perversão das relações, com as ambições hegemónicas, os abusos de poder, com o medo do outro e a diferença vista como obstáculo». A guerra não é um fantasma do passado, mas tornou-se uma ameaça constante. O mundo está a encontrar cada vez mais dificuldade no lento caminho da paz que empreendera e começava a dar alguns frutos (256). Guerra negação de todos os direitos Dado que se estão a criar novamente as condições para a proliferação de guerras, lembro que «a guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente. Se se quiser um desenvolvimento humano integral autêntico para todos, é preciso continuar incansavelmente no esforço de evitar a guerra entre as nações e os povos. Para isso, é preciso garantir o domínio incontrastado do direito e o recurso incansável às negociações, aos mediadores e à arbitragem, como é proposto pela Carta das Nações Unidas, verdadeira norma jurídica fundamental» … (257) Guerra justa ou preventiva? Não! Deste modo facilmente se opta pela guerra valendo-se de todo o tipo de desculpas aparentemente humanitárias, defensivas ou preventivas, recorrendo-se mesmo à manipulação da informação. De facto, nas últimas décadas, todas as guerras pretenderam ter uma «justificação» … Assim, pretende-se indevidamente justificar inclusive ataques «preventivos» ou acções bélicas que dificilmente não acarretem «males e desordens mais graves do que o mal a eliminar» … Assim, já não podemos pensar na guerra como solução, porque provavelmente os riscos sempre serão superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Perante esta realidade, hoje é muito difícil sustentar os critérios racionais amadurecidos noutros séculos para falar duma possível «guerra justa». Nunca mais a guerra! (258) No nosso mundo, já não existem só «pedaços» de guerra num país ou noutro, mas vive-se uma «guerra mundial aos pedaços», porque os destinos dos países estão intensamente ligados entre si no cenário mundial (259). A guerra não é solução Toda a guerra deixa o mundo pior do que o encontrou. A guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal. Não fiquemos em discussões teóricas, tomemos contacto com as feridas, toquemos a carne de quem paga os danos. Voltemos o olhar para tantos civis massacrados como «danos colaterais». Interroguemos as vítimas. Prestemos atenção aos prófugos, àqueles que sofreram as radiações atómicas ou os ataques químicos, às mulheres que perderam os filhos, às crianças mutiladas ou privadas da sua infância. Consideremos a verdade destas vítimas da violência, olhemos a realidade com os seus olhos e escutemos as suas histórias com o coração aberto. Assim poderemos reconhecer o abismo do mal no coração da guerra, e não nos turvará o facto de nos tratarem como ingénuos porque escolhemos a paz (261)”.
maio 11 2021
O drama de Cabo Delgado
Por Dr. Deolindo Paúa O drama de Cabo Delgado deixa qualquer cidadão consciente, preocupado, pois, o nosso destino não pode ser definido pelo egoísmo de um grupo de pessoas. O nosso destino deveria pertencer-nos, não apenas como uma sociedade, mas sobretudo como um Estado soberano. Ninguém deveria ser condenado a abandonar a sua casa e os seus bens para vaguear no nada à procura de um destino incerto. A nossa sensibilidade como seres humanos já deveria ter sido reposta com os vários sofrimentos que passámos. Realmente, passámos por muitas guerras, como moçambicanos. Desde o início da colonização, escasseia a paz. Mas por outro lado, pela nossa experiência de gestão de conflitos, deveríamos ter melhorado e adoptado uma abordagem razoável de comunicação com o público. Até aqui, o que ouvimos como cidadãos sobre Cabo Delgado são trocas de acusações. De um lado uma sociedade civil e uma imprensa que acusam as Forças de Defesa e Segurança de inoperância. Do outro lado, as constantes conferências de imprensa do governo para rejeitar as acusações e assumir o seu activismo no terreno e denunciar a desinformação dos primeiros. Gestão de conflito baseada na autoimagem A estas alturas já devíamos ter abandonado um modelo de gestão de conflitos baseado na auto-imagem como parece ser o caso. As nossas acções como Estado deveriam ser tendentes a garantir a soberania e os direitos dos cidadãos. Aliás, que Estado seríamos, se a nossa prioridade não fosse a de defender a dignidade de nossos cidadãos? O que constatamos neste momento é que há refugiados em muitas províncias do país, vindos de Cabo Delgado à procura de segurança. Então perguntamos: a situação em Cabo Delgado está ou não controlada? O que vemos e o que ouvimos como sociedade provoca-nos confusão e não nos deixa perceber o que se passa realmente nas terras do Norte de Cabo Delgado. Infelizmente estamos numa época em que pelas tecnologias de informação, as pessoas relatam tudo. Nesses relatos, verdades e mentiras vão sendo veiculadas. A porta para a desinformação pode justamente ser esse antagonismo: entre uma autoridade que nega factos ocorridos, interessada em limpar a sua imagem para ganhar as eleições, e uma imprensa supostamente interessada em exagerar nos relatos. Em quem se pensa que o povo vai acreditar? Precisamos de colocar os interesses nacionais acima de tudo. A desinformação nunca é solução Nenhuma desinformação evitou que as pessoas morressem. Do mesmo jeito, defender a imagem de um governo inoperante em vez de defender o povo, jamais será solução. Negação de factos e descredibilização da imprensa jamais evitou mortes. É assumindo a verdade que se podem construir estratégias de remoção de um obstáculo aos direitos humanos. Apesar da teimosia dos factos, as nossas autoridades parecem comprometidas com a promoção da própria imagem. Com elas todos nós diante do horror aos nossos olhos, preferimos pontapear a verdade e vivermos como se nada estivesse a acontecer. Ambição política mata a moral A guerra provoca o desespero das pessoas a quem afecta. Por isso, o que elas esperam não é necessariamente discussões e sobre quem tem razão nelas. O que elas esperam são acções concretas que lhes tirem essa aflição. Por debaixo do fogo provocado pela guerra, receio que haja um cidadão aflito interessado em saber quem tem razão na discussão sobre o tamanho de seu sofrimento. A sua única preocupação é a sobrevivência. A nossa ambição política já matou a nossa moral. Não deixemos que mate também a nossa sensibilidade sobre a vida e sobre o sofrimento das pessoas que fogem de uma guerra cujas motivações desconhecemos. Negar factos pode ser politicamente correcto, mas jamais será estratégia quando os factos contradizem esses factos. Entre esta aposta no politicamente correcto que as nossas autoridades preferem, ao abordar o assunto de Cabo Delgado, há factos que teimam em nos surpreender. Todos no mesmo barco Supostamente o drama não é apenas do povo que foge, aterrorizado. É também das nossas forças militares visivelmente desmotivadas por causa de problemas logísticos que envolvem além de alimentação, dificuldades de equipamento militar. Continuamos a investir o nosso melhor armamento para a protecção de pessoas singulares, de altas individualidades. Continuamos a investir melhor igualmente nas nossas forças para conter manifestações pacíficas de cidadãos descontentes. Mas talvez não investimos, ou pelo menos não alocamos a técnica adequada num conflito que devia ser levado a sério por afectar a nossa soberania. É uma estranha forma de gestão de uma guerra extremamente assassina. Como cidadãos, não estamos interessados na suposta desinformação de alguma imprensa, mas também não estamos interessados numa FDS falante e não operante. As vidas de Cabo Delgado também são humanas!


