maio 11 2021
O Ecumenismo e unidade dos cristãos
Por Pe. Massimo Robol Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo 15,5) Este ano, a Comunidade monástica de Grandchamp, na Suíça, preparou o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que pode ser celebrada de 18 a 25 de Janeiro ou na semana que antecede a Festa de Pentecostes. As Irmãs da comunidade suíça, fundada na década de 1930, provenientes de diferentes países e tradições cristãs, foram responsáveis pelas reflexões, desenvolvendo o tema: “Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo 15,5). O encontro preparatório para a elaboração do material para a Semana de Oração, contou com a presença de membros do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, do Conselho Ecuménico das Igrejas e da Comunidade monástica de Grandchamp. O tema da Semana de Oração, escolhido pelas Irmãs, permitiu às religiosas de compartilhar a experiência da sua vida contemplativa e falar do fruto desta oração: uma comunhão mais profunda com os seus irmãos e irmãs em Cristo, e uma maior solidariedade com toda a criação. O material elaborado baseia-se em três pilares: oração, vida comunitária e hospitalidade. Eles são articulados como um apelo a permanecer em Cristo a fim de se aproximar dos outros e superar as divisões entre os cristãos. É Jesus que nos convida a deixar a sua Palavra habitar em nós, para que qualquer pedido que fizermos seja atendido. Como cristãos, como Igreja, desejamos unir-nos a Cristo para cumprir o seu mandamento de amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. Isto, sabendo que aproximar-se dos outros, viver em comunhão com outras pessoas, às vezes muito diferentes de nós, é um desafio. Num contexto ecuménico, a actual proliferação de muitas igrejas livres, igrejas pentecostais e seitas é um fenómeno que deve ser levado a sério. Estima-se que em Moçambique se encontrem mais de mil igrejas que não estão registadas. As que têm aval para exercer a sua actividade religiosa são de igual número! Infelizmente, a finalidade de muitas destas denominações cristãs é mais material do que espiritual. A pobreza e o momento difícil por que o país passa está a criar espaço para que as igrejas livres e as seitas prosperem. Sem tirar o desejo de encontro pessoal com Deus e da procura da sua ajuda, que animam os cristãos em geral, corre-se o risco que os crentes de muitas destas igrejas e seitas se tornem simples “consumidores” de produtos sagrados, “consumidores” de milagres, para conseguir melhorar as suas condições de vida. O Governo de Moçambique está a preparar uma legislação para enfrentar esta situação. Actualmente, está em fase de auscultação pública a nova proposta de Lei sobre a liberdade religiosa, de crença e de culto, à qual todos deveríamos poder dar um contributo construtivo. Porém isso é só parte da solução. De facto, perante estes novos desafios, o nosso esforço ecuménico pela unidade visível dos cristãos encontra-se numa encruzilhada. A experiência mostra que o processo ecuménico deve ser sustentado pela prática da vida e da fé dos próprios cristãos. Actualmente, o principal problema do ecumenismo é a sua fraca recepção por parte de muitas igrejas e confissões cristãs. Há ainda uma certa indiferença, incompatibilidade e desconfiança entre os próprios cristãos. Certamente, os esforços de aproximação e reconciliação custam e exigem sacrifícios, mas sempre sustentados pela oração de Cristo que deseja que sejamos um, como Ele está com o Pai, para que o mundo creia. Na véspera da sua paixão e morte, Jesus Cristo reza pelos seus discípulos, para que “sejam um só” (Jo 17,21). Esta oração é considerada a base do movimento ecuménico e, ao mesmo tempo explica o que é o ecumenismo. As palavras de Jesus não são uma ordem, um mandamento, uma regra, mas uma oração. Portanto, nós não podemos programar, organizar, nem conceber e construir a unidade de acordo com as nossas ideias e desejos. Podemos dizer que não existe uma Igreja mantida unida pela “cola”, porque a unidade que Jesus pede é uma graça de Deus e um compromisso de todos os cristãos. É preciso, então, dar espaço ao Espírito para que cada um possa ser transformado. Talvez seja o caso que todas as igrejas e denominações cristãs parem de andar à volta de si próprias, da sua hierarquia, dos seus pregadores, da sua estrutura, para que se fale cada vez mais de Deus, do seu amor, da sua misericórdia e da salvação de toda a humanidade em Cristo. Não podemos esquecer que, como cristãos, vivemos também numa criação que geme enquanto espera ser libertada: permanecendo em Cristo, pode-se receber a força e a sabedoria para agir contra estruturas de injustiça e opressão, para nos reconhecer plenamente como irmãos e irmãs em humanidade, e ser artífices de uma nova maneira de viver em respeito e comunhão com toda a Criação. Espiritualidade e solidariedade estão inseparavelmente unidas. Oração e acção devem estar juntas. Quando permanecemos em Cristo, recebemos o Espírito de coragem e sabedoria para acolhermos uns aos outros, favorecendo um clima de reconciliação, esperança e paz.
maio 10 2021
A RIQUEZA DE SANGUE
África dos nossos antepassados. África dos que lutaram e morreram por nossa libertação. África dos que sonham a igualdade de direitos e oportunidades. África daqueles que diariamente morrem explorados, injustiçados, empobrecidos, aniquilados nos seus sonhos. Esta é a terra onde Deus abençoou com muitas riquezas: humanas, naturais, florestais, minerais, marinhas, faunísticas, petrolíferas, etc. Pensa-se, desde muito tempo, que em África não existe riqueza saudável. Os que mais se sacrificam em trabalho, menos prosperam. Mesmo os assalariados não conseguem atingir os níveis de posse daqueles outros que seguem caminhos sinuosos. Enriquece quem serve a magia, quem passa por santuários obscuros, quem percorre caminhos de trevas e sem luz; quem passa de feiticeiro para outro, quem se transforma em cobra. Enriquece quem pratica iniquidade, quem corrompe, quem rouba, quem mata, quem se julga mais esperto, quem vive bajulando, quem se dobra diariamente para lamber chule, para carregar e adicionar trocos que caem debaixo da mesa do suposto dono. Mas isso tem consequências sociais, religiosas, políticas, económicas, relacionais, existenciais. É por esse motivo que se considera que os ricos de África e de Moçambique não o são como resultado do seu salário mensal. Esta é a história dos que vivem sempre subindo os outros. Assim foi também com o coelho e o camaleão. Por sua natureza, o camaleão tem passos lentos. Porém, quando se encontrou com o coelho exibindo o seu talento de correr rápido, o camaleão respondeu-lhe: – “Sim! Eu sei que não corro muito. Mas eu sou mais esperto do que tu. Força, corramos! Va-mos ver quem ganha!” Então o coelho começou a correr. O camaleão, no mesmo momento, subiu para a cauda do coelho, agarrou-se a ela e sentou-se. O coelho não sabia, ou não sentia o peso, porque estava com pressa. Logo que chegou à meta, o camaleão adiantou-se a saltar para o chão e sentou-se. Ora, quando o coelho ia sentar-se, o camaleão disse: – “Não te sentes sobre mim! Eu cheguei há muito tempo e estou à tua espera”. Então o coelho ficou muito aborrecido porque foi vencido pelo camaleão. É da mesma forma como muitas riquezas de sangue trepam a cauda dos menos espertos. Revestidos de hipocrisia aparecem como se fossem os melhores, perfeitos e até se gabam com a sua força e poder! E enquanto continuarmos na esteira deste modo de enriquecimento nunca faltará a multidão dos miseráveis cada vez mais remetidos ao abismo; nunca faltará o barulho da guerra, do crime, dos falsos feiticeiros que se oportunam da vida alheia para prosperar. A riqueza de sangue mostra que o horror da guerra semeado em Moçambique é igualmente uma das faces obscuras do enriquecimento ilegal, indevido, selvagem, ganancioso e abominável. Por causa da riqueza há quem manda matar, manda sequestrar, manda fuzilar, manda expulsar o povo das suas terras, manda explorar os recursos do país exportando-os clandestinamente para fora do país, manda silenciar os que vêem a luz. A vida de cada dia, as manobras que são produzidas e todas artimanhas dos elefantes cooperam sobremaneira na construção de riquezas de sangue que em nada facilitam o desenvolvimento de África e seus países. Os que se propõem liderar e gerir a coisa de todos, muitas vezes se apoderam de tudo e em nome do povo começam a enriquecer esquecendo-se daqueles a quem prometeram vida melhor e desenvolver o país. Utopia eterna. A guerra, as rivalidades, as divisões, as assimetrias, as injustiças, a corrupção e outros males sociais acontecem porque a fome pelo dinheiro e consequente riqueza coloca os reis e poderosos em conflitos intermináveis. Ora, para manter a sua hegemonia, a sua riqueza, o seu poder, a sua fama, a sua prepotência servem-se das armas para afugentar possíveis pretendentes. O maior interesse em tudo isso é a procura do Reconhecimento. Conta-se que há muito tempo, o elefante é que era reconhecido como rei de todos os animais. Mas, ao mesmo tempo, também o coelho tinha sido feito rei, mas ninguém sabia. Por isso, o elefante e o coelho lutavam entre si por esse mesmo reino. Queriam reinar em simultâneo. E por falta de reconhecimento por parte do povo começaram a lutar fortemente. Acontece, porém, que certo dia, todos os animais se reuniram para saberem ao certo quem era o rei. Com efeito, concordaram ir perguntar a Deus. O coelho mandou o macaco subir àquela árvore onde ia realizar-se a reunião, para responder quando perguntassem a Deus: “Quem é, ao certo, o rei?” Entretanto, se porventura perguntassem: “O rei é o elefante?” O macaco não devia responder. Mas quando fosse perguntado: “O rei é o coelho?” devia responder: “Sim! É o coelho”, senhor Deus. Ao responder devia mostrar maior reverência ao coelho. A garantia disso é que o macaco seria adjunto do rei se o coelho fosse declarado rei de todos os animais. Acontece que o elefante, por falta de esperteza não conseguiu armar nenhuma cilada para reforçar o seu poderio. E, portanto, no dia em que se reuniram, Deus perguntou: – O rei é o elefante?” Nessa ocasião, ninguém respondeu nada. Todos animais permaneceram calados. Deus perguntou por sete vezes se o elefante era o rei. Seguindo as orientações do seu chefe máximo, o macaco também permaneceu totalmente quieto e sem se mexer. Continuava pendurado na árvore em redor da qual estavam sentados os demais animais. Em seguida, Deus voltou a perguntar: – “O rei é o coelho?” E sem esperar a segunda vez, o macaco respondeu: – “Sim, Senhor Deus! O rei é o coelho! Ele é muito respeitado por todos nós e promove o desenvolvimento da nossa aldeia e de todo grupo”. Naquele instante, depois dos pronunciamentos do macaco, todos os animais souberam que o seu rei era o coelho. O elefante, indefeso, ficou muito zangado e fugiu para o mato. É desta forma como uns são ofuscados e ensombrados por aqueles que têm macacos pendurados em várias árvores para os defender. Os que não têm nada continuam a gritar sem ser ouvidos e, quando se esgotam, fogem para o mato e encolhem
maio 10 2021
A Força Feminina
Por Judite Macucua Pinto Nos dias de hoje, muito se fala sobre a possibilidade de descolonização dos saberes e sobre o ocultamento de conhecimentos diversos, ao modelo eurocêntrico legitimado como ciência. Nesta perspectiva, constatamos que as mulheres “africanas” , particularmente as moçambicanas, ainda não são, na sua maioria, presentes significativamente nas área cientificas e académicas. Das várias africanas e das poucas que conhecemos, iremos tratar da especificidade moçambicana, sua relação com outros meios geográficos, como por exemplo, o Brasil e os caminhos das carreiras do campo da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A este propósito, sabe-se, no entanto, que em Moçambique, as mulheres, têm vindo a conquistar, embora com muitas dificuldades, algum espaço nos últimos anos, na esfera Política, Económica e Social. Esta dificuldade é ainda maior nas Ciências Naturais, onde elas estão em número muito reduzido. Contudo, segundo fontes abalizadas na matéria, citam que algumas acções com vista a despertar interesse das meninas e mulheres, tem sido a actuação como modelos, no sentido de orientar palestras e grupos de conversa com alunas das escolas, para desmistificar os estereótipos e encorajá-las a escolher mais cursos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A supervisão e a integração de raparigas no grupo de Pesquisa, na Universidade, é outra acção que tem em vista motivá-las a ficar na carreira e tem um efeito multiplicador, pois estas jovens estudantes, vão também para as escolas para mostrar às alunas que, sim, é possível realizar experiências laboratoriais sob orientação das tutoras. Mulher moçambicana na arena da ciência Na luta pelo Meio Ambiente, Moçambique já incentiva as mulheres na Ciência, daí que, no Parque Nacional de Gorongosa, encontram-se duas pesquisadoras que participam de um projecto mundial para criar um banco de dados de Genes. Elas são um exemplo para encorajar outras meninas das vilas vizinhas, sobre a diversidade de formas de vida na terra. Porque estas jovens cientistas moçambicanas, estão inseridas em uma realidade onde muitas meninas se casam e têm filhos antes de terminar o ensino básico, querem deste modo, servir de exemplo e encorajar as outras jovens, também a seguir carreira na área de Ciência. No contexto da COVID-19 uma cientista moçambicana, a bióloga e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde, Dr. Raquel Matavele Chissumba, ganhou o Prémio Global da UNESCO para as Mulheres Cientistas. Assim, o trabalho de pesquisa e de busca de um tratamento natural para a COVID-19, foi o seu foco da atenção e inseriu-se numa iniciativa da Organização para Mulheres na arena da Ciência para o Mundo em Desenvolvimento. Na arena política Na arena política, vamos conhecer algumas Mulheres Moçambicanas candidatas a lugares preminentes nas Eleições Autárquicas do ano passado nomeadamente: Francisca Tomás, na Província de Manica; Judite Massengele, na Província do Niassa; Margarida Mapanzene, Província de Gaza; Ângela Eduardo, na Província de Cabo Delgado; Carla Fabião Mucavele, também em Gaza. Porque são tão poucas? Qual foi o motivo? Desinteresse ou pouco espaço num meio dominado por homens? De facto, este número foi muito baixo, principalmente a nível dos Governos Provinciais e Municipais, segundo afirmou uma activista do Instituto para a Democracia Multipartidária. Todavia, as Mulheres em Moçambique, estão agora a interessar-se e a perceber que a política é o dia-a-dia delas e que elas devem ser membros. Mas, encontram, evidentemente, um obstáculo porque os homens acham que o espaço político, é um espaço exclusivo deles. Eles é que percebem, eles é que ditam as regras! Perfil de algumas mulheres que marcaram a história A rainha guerreira dos Massagetae, Tribo da Ásia Central, que lutou contra Ciro, rei do Primeiro Império da Pérsia, perto de 530a.C. Hatshepsut, foi a primeira Faraó do Egipto e a mais bem-sucedida de todas elas, que viveu no inicio do Sécul XV a. C. Sobre esta personalidade, os historiadores dizem que o seu reinado durou cerca de 20 anos e correspondeu a uma época de relativa paz e prosperidade económica. Zenóbia, rainha de Palmira (actual Síria), conquistou uma parte da Ásia Menor e desafiou os Romanos no Século III a.C. Bodiceia, rainha dos Celtas Iceni, do Norte da Inglaterra, foi a responsável por conquistar as cidades romanas organizando as mais sangrentas revoltas contras os Romanos. Século XXI O tempo passou e as mulheres reivindicaram um lugar ao sol. Muitas voltaram aos livros, voltando também para a memória da humanidade. Assim, nesse contexto, agora conhecemos algumas personalidades femininas que marcaram o seculo XX e marcam o XI: Luisa Dias Diogo- Personalidade Moçambicana. Formou-se em Economia e foi a primeira mulher moçambicana, a assumir o cargo de Ministra do Plano e Finanças do Governo Moçambicano. Em 2004, com a demissão do então Primeiro- Ministro, Pascoal Mocumbi, passou a acumular a sua pasta com a de Primeira-Ministra. Ellen Johnson Sirleaf – Personalidade Liberiana. Ela ficou conhecida por “Dama de Ferro da África”. Foi eleita em 2005 Presidente da Libéria e foi a primeira mulher a liderar uma nação africana e deixou como marca, o facto de ser líder da Paz, Justiça e da Democracia num país saído duma guerra civil que durou 14 anos. A Ellen lutou para levar a justiça ao povo da Libéria e enfrentou a ditadura militar , sendo que, em 2011, aos 72 anos de idade, foi premiada com o Nobel da Paz, juntamente com a sua compatriota Lymah Gbowee e a Iemenita Tawakkul Karman. Indira Gandhi – Personalidade Indiana. Seguiu as pegadas do seu pai, Mahatma Gandhi, como Primeira-Ministra da India, trabalhando arduamente no desenvolvimento do país, até ser assassinada em 1984. Ela construiu uma Índia forte e influente na região, além de ter procurado melhorar a vida dos mais pobres e apoiado a industrialização e o desenvolvimento tecnológico. Madre Teresa de Calcutá, missionária natural da Macedónia ficou famosa em todo o mundo pelo seu trabalho de ajuda às populações carentes da India e não só. A Madre Teresa aos 18 anos entrou para a casa de formação das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto. E mais tarde, criou a sua própria Congregação dedicada ao serviço dos mais pobres
maio 10 2021
Shistomiase ou bilharziose
Por Júlia Tarrua Shistomiase – é uma doença infecciosa parasitária provocada por um tipo de vermes que são assexuados separados. Como se apanha a shistossomiase? Através das aguas dos rios onde encontramos a reprodução das cercarias do caracol e estes penetram na pele e podem provocar inflamação do fígado e do baço. O homem é o principal hospedeiro definitivo, daí que os vermes adultos macho e fémea copulam-se nos vasos sanguíneos e depositam ovos que vão para a circulação venosa e depois para a bexiga. A shistossomiase tem um período de incubação de 15 dias a 2 anos. Sintomas – Dores abdominais – Dores de cabeça -Mal estar (astenia) calafrios -Febres -Tosse seca -Dores da bexiga -Hematúria terminal (urina com sangue na ultima micção) e dermatite shistomica na face crónica. A shistomiase tem cura desde que o individuo é diagnosticado. Complicações -Esterilidade -Impotência sexual -Funções do fígado, laterícia -Ascite -Anemia -Neurite por causa da circulação colateral dos ovos ou lombrigas Prevenção -Tomar banho no rio depois das 9 horas usar proteção nos pés sempre que for ao rio -Não defecar ou urinar na água durante o banho. BOX 31 de Janeiro Dia mundial de luta contra a lepra Este dia foi instituído em 1954 pela ONU, a pedido de Raoul Follereau, o apóstolo dos leprosos do século XX, que um dia afirmou que “não há sonhos grandes demais”. Esta efeméride tem o objectivo de sensibilizar as pessoas para a discriminação exercida sobre os doentes com lepra, assim como promover a ajuda dos leprosos e a sua reintegração social. Foi escolhido o último domingo de Janeiro para a celebração em honra de Gandhi, falecido neste dia, que afirmou que “eliminar a lepra é o único trabalho que não consegui completar na minha vida”. O objectivo mundial é continuar o seu trabalho. A doença da lepra A lepra trata-se de uma doença transmissível, que afecta os nervos e a pele. A lepra tem cura, apesar de necessitar de uma longa época de incubação e de tratamento. Na sua origem estão a falta de água potável e de higiene, a desnutrição, entre outros males associados à pobreza. Todos os anos surgem entre 400 a 500 mil novos casos de lepra. Esta doença também é conhecida por doença de Hansen, pois foi um médico holandês chamado Gerhard Hansen que descobriu o bacilo responsável pelo surgimento da doença em 1873.
maio 10 2021
TRAVÕES DO DESENVOLVIMENTO DE MOÇAMBIQUE
Por Dr. Tomas Selemane O que é que trava o desenvolvimento do pais? Começamos o ano novo com uma nova rubrica: Contraponto. Umas páginas de reflexões políticas, económicas e sociais à luz da Doutrina Social da Igreja (DSI), um convite à acção por uma sociedade mais justa. Ocasião para reflectir o que geralmente se acredita ser verdade e para procurar apelar a mais acção, à mudança de atitude, ao maior engajamento cristão, de modo a sairmos da situação de católicos somente de baptismo e de missas. Começamos a nossa viagem identificando os maiores travões do desenvolvimento de Moçambique. A opinião pública identifica como principais travões do desenvolvimento do nosso país, a pobreza, o desemprego, a insuficiência de escolas e hospitais, de estradas pavimentadas, ou simplesmente transitáveis, a fraca produtividade agrícola, a desnutrição, e por aí a diante. Porém, todos esses problemas são consequências de outros problemas mais profundos. Intolerância política É a intolerância política o primeiro maior travão do desenvolvimento de Moçambique. Inspirados na última Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti” – Somos todos irmãos: Sobre a Fraternidade e a Amizade Social – consideramos como sendo o primeiro maior travão do desenvolvimento de Moçambique a intolerância política no seu sentido mais amplo. Não me refiro à intolerância partidária que produz e reproduz ódio entre membros e simpatizantes dos diferentes partidos políticos, com maior destaque para os três maiores (Frelimo, Renamo e MDM). Refiro-me àquela intolerância que igualmente gera e reproduz ódio entre os membros e simpatizantes do mesmo partido político. A intolerância que está na origem das desavenças que se vivem dentro dos partidos políticos, de forma particular, e dentro da nossa sociedade, de forma geral. Harmonia nas diversidades Na sua Encíclica “Somos todos irmãos”, o Papa Francisco ensina-nos como podemos construir um mundo melhor a partir da aceitação do Outro, de como a fraternidade e a amizade social podem ajudar-nos a construir um mundo pacífico e com mais justiça. E este é exactamente, do nosso ponto de vista, o primeiro maior problema de Moçambique: como aceitar as diferenças sociais e políticas, dentro e fora dos partidos políticos? Porque é que não vemos uma convivência harmoniosa, salvo raras excepções que confirmam a regra, entre pessoas de partidos políticos diferentes? Mais preocupante ainda: porque é que não vemos harmonia entre os diferentes grupos dentro dos principais partidos políticos? Intolerância dentro dos partidos políticos Por exemplo, são conhecidas as desavenças que houve dentro do partido Frelimo entre o grupo do Presidente Guebuza e o grupo do seu antecessor, o Presidente Chissano. Foi notória a votação ao esquecimento do segundo grupo pelo primeiro, muitas vezes com pronunciamentos públicos indecentes, incluindo prisão de ex-governantes num claro fingimento de combate à grande corrupção. Com a chegada do Presidente Filipe Nyusi à Presidência do país e da Frelimo, temos visto também o mesmo grau de intolerância entre o seu grupo de apoiantes e o grupo do seu antecessor. Como que a completar a trágica coreografia política, essa intolerância inclui também pronunciamentos públicos de uns contra os outros, incluindo também prisões de ex-governantes: Sempre em nome de um suposto combate à corrupção. Digo suposto porque fora das prisões não vemos nenhumas reformas às causas da grande corrupção no país. Estes são sinais de como a intolerância política no nosso país é mais profunda do que a intolerância partidária. E na Renamo? Do lado da Renamo, são conhecidos os desentendimentos entre o grupo de apoiantes do Presidente Ossufo Momade com o grupo do seu antecessor, o Presidente Afonso Dhlakama. O surgimento da autoproclamada Junta Militar – com todas as consequências que dela advêm – deve ser entendido no contexto dessa intolerância política, essa falta de capacidade de aceitação do Outro por parte de ambos os grupos. Não vemos tentativas nem esforços de convivência mútua, de aceitação de que “somos todos irmãos” tal como nos ensina o Papa Francisco. E no MDM? Do lado do MDM também vimos como a falta de aceitação entre irmãos resultou em saídas de membros daquele partido, tendo inclusive chegado ao trágico cúmulo da morte do ex-Presidente do Município de Nampula, Mahamudo Amurane. Sem conclusão das investigações das autoridades da justiça sobre as causas e os mandantes daquele assassinato, está assente no plano de análise política a discórdia que existia entre a direcção do MDM e aquele dirigente autárquico. Você não é dos nossos! É conhecida a discriminação, por exemplo, de pessoas que não sejam do partido no poder quando se trata de nomeações para cargos governativos, a vários níveis. Mas também, nos locais onde os partidos da oposição (Renamo e MDM) governam, não vemos procedimentos de aceitação do Outro. Notamos o mesmo grau de intolerância política, neste caso em miniatura, porque são casos registados a nível municipal. Ao passo que a intolerância política da Frelimo é mais visível porque ocorre a nível nacional e dentro de diferentes territórios do país. Promover a tolerância politica Podemos afirmar que sem aceitação mútua, sem tolerância e compreensão das nossas diferenças – se não nos tratamos como irmãos – é impossível criarmos desenvolvimento. Podemos ir aumentando o número de escolas e de hospitais, por exemplo, mas se não assumimos que essas escolas e hospitais devem pertencer a todos os moçambicanos, tanto para o seu uso como para a sua gestão, vamos apenas ter mais escolas e mais hospitais com mais exclusão, e por consequência, com maior desigualdade. Por isso, é importante que nós os católicos sejamos “sal da terra e luz do mundo” (Mat. 5: 13, 14) e marquemos diferença nos diferentes sectores da sociedade onde trabalhamos, ao contrário da inércia em que vivemos actualmente!
maio 10 2021
Liturgia do tempo da Quaresma
Por Pe Cantífula de Castro 40 dias para renovar-nos Anualmente, o ciclo da liturgia oferece-nos a oportunidade de uma longa caminhada de Quaresma. Trata-se de um tempo de preparação “pelo qual se sobe ao monte santo da Páscoa”, como o descreve o Cerimonial dos Bispos (CB 249). O tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina pela tarde de Quinta-Feira Santa, antes da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com que se inaugura o Tríduo Pascal. Origem da Quaresma A Quaresma organizou-se a partir do século IV. A sua história anterior não é muito clara. Parece que o seu gérmen original foi o jejum pascal de dois dias, na Sexta e no Sábado antes do Domingo da Ressurreição, espaço que, a pouco e pouco, se alargou a uma semana, depois a três e, segundo as diversas regiões, sobretudo nas do Oriente, como o Egipto, até às seis semanas ou quarenta dias. Em Roma, a Quaresma já estava constituída, entre os anos 350 e 380. Porquê quarenta dias? Para dar sentido a este período, como preparação da Páscoa, teve certamente grande influência o simbolismo bíblico do número quarenta. Vejamos alguns exemplos apresentados pela Bíblia. O dilúvio durou quarenta dias antes da aliança de Deus com Noé, conforme narrado em Génesis 6,1-8,12; Encontramos também Moisés que ficou quarenta dias e quarenta noites no monte (Êxodo 24,18); Moisés intercedeu em nome de Israel por 40 dias e 40 noites (Deuteronómio 9,18-25); a Lei especificava um número máximo de chicotadas que um homem poderia receber por um crime, e esse limite era 40 (Deuteronómio 25,3); os espiões israelitas levaram 40 dias para espionar Canaã (Números 13,25); antes da libertação de Sansão, Israel serviu os filisteus por 40 anos (Juízes 13,1); Golias provocou o exército de Saul por 40 dias antes de David chegar para matá-lo (1 Samuel 17,16). Por outro lado, o Povo de Israel caminhou durante quarenta anos pelo deserto (Números 14,26-35); a mesma sorte caiu para o profeta Elias que caminhou quarenta dias e quanta noites para o monte Sinai ao encontro de Deus (1Reis 19,1-8). No Novo Testamento, Jesus Cristo passou quarenta dias e quarenta noites no deserto, antes de começar a sua missão messiânica (Mateus 4,1-11). Deste modo, os quarenta dias de preparação para a Páscoa aparecem como um tempo de prova, de purificação e de preparação para um acontecimento importante e salvador. O Catecismo da Igreja Católica explica que “Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto” (CIC, 540). A Espiritualidade da Quaresma Antigamente, a Quaresma começava originariamente no Domingo. Mas, nos séculos VI-VII acentuou-se como característica determinante o jejum, e como, aos domingos, não se jejuava, adiantou-se o seu início para a quarta-feira anterior ao primeiro domingo, a que de imediato se chamou “de Cinzas”, para que a Páscoa fosse precedida de quarenta dias de jejum efectivo. A Igreja propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de acção: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão e assim aproximar-se de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma consequência da penitência. A Quaresma é um tempo forte de conversão e de mudança interior, tempo de deixar tudo o que é velho em nós. Tempo de graça e salvação, em que nos preparamos para viver, de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico e da história da salvação: a Páscoa, aliança definitiva, vitória sobre o pecado, a escravidão e a morte. A espiritualidade da Quaresma é caracterizada também por uma atenta, profunda e prolongada escuta da Palavra de Deus. É esta Palavra que ilumina a vida e chama à conversão, infundindo confiança na misericórdia de Deus. O confronto com o Evangelho ajuda a perceber o mal, o pecado, na perspectiva da Aliança, isto é, a misteriosa relação nupcial de amor entre Deus e o seu povo. Motiva para atitudes de partilha do amor misericordioso e da alegria do Pai com os irmãos que voltam convertidos. Enfim, a espiritualidade da Quaresma é apresentada pela Igreja como um caminho para a Páscoa e mistério Pascal de Cristo e exprime-se no exercício das obras de caridade, no perdão, na oração, no jejum, principalmente no jejum do pecado. O Concílio Vaticano II determinou expressamente que se acentuasse o carácter baptismal e penitencial da Quaresma, “sobretudo através da recordação ou da preparação para o Baptismo e através da Penitência, dispõe os fiéis, que com mais frequência ouvem a Palavra de Deus e se entregam à oração, para a celebração do Mistério Pascal” (SC, 109). Agora “a liturgia quaresmal prepara para a celebração do Mistério Pascal tanto os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação cristã, como os fiéis, por meio da recordação do Baptismo e das práticas de penitência” (NG 27). O que muda nas celebrações no Tempo da quaresma? As seis semanas da Quaresma dividem-se em três etapas, marcadas pelos Evangelhos correspondentes: os dois primeiros domingos, com as tentações e a transfiguração do Senhor; os três seguintes, com as catequeses baptismais da samaritana (água), do cego (luz) e Lázaro (vida), próprias do Ciclo A, mas que se podem seguir cada ano, embora haja outra série de leituras param cada ciclo; e, finalmente, o sexto domingo, chamado de Ramos ou da Paixão, que inaugura a Semana Santa. A liturgia da Palavra salienta alguns momentos significativos da História da Salvação: a criação do mundo, Abraão, o Êxodo e Moisés, o rei David, os profetas e o Servo de Javé. Tudo isso ajuda a entender a Quaresma como um caminho de crescente preparação para a celebração da Páscoa. Na liturgia não se canta Aleluia e o Glória. O
maio 10 2021
A CATEQUESE EM TEMPO DE CORONAVÍRUS
Por Pe. Jeremias do Rosário Em Dois mil e vinte atravessámos um ano atípico no âmbito civil bem como na linha da pastoral da igreja. O mundo inteiro viveu um grande susto e a nível dos serviços civis uma enorme mudança no ritmo dos trabalhos quotidianos. Toda esta conjuntura fez-nos viver novos tempos e novas experiências de vida. Efeitos do Coronavírus Na dimensão da fé também se notou um certo retardamento e paralisação no que diz respeito as celebrações em comunidade, encontros de catequese e reuniões de outras formações. Como é do conhecimento de muitos cristãos, sem catequese na igreja não há novos filhos de Deus, a igreja de Cristo não cresce, por isso Jesus disse em Mateus 28,19-20: “ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo”. Diante deste mandato, bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, catequistas e todos os baptizados, todos estes arautos da boa nova viram-se com dificuldades de como ir ao encontro dos catecúmenos e catequizandos de várias etapas devido às medidas propostas para prevenção do Coronavírus. Neste contexto, ouviam-se gritos de pessoas com pouca fé afirmando: “este é o tempo para o demónio governar”. Entretanto, Deus que é Sabio e Omnipotente não permitiu tal acontecimento. Foi assim que muitas famílias incentivaram a igreja família durante o tempo da pandemia. Foi assim que vimos muitas famílias reunidas não apenas aos domingos mas mesmo em dias lectivos rezando o terço, celebrando e partilhando a Palavra de Deus, fazendo orações invocando o fim da pandemia e a retoma da vida normal. Não foram raras vezes que ouvimos, passando pelos bairros, cristãos fervorosos afirmando “nós nunca ouvimos dizer que as igrejas fecham. Ninguém deve fechar portas a Deus”. Estas palavras confirmam o testemunho tão grande de fé do povo cristão, que sem medo ia para o meio da mata e la fazia as suas catequeses e pregação da Palavra uns aos outros. Porém, com a origem da pandemia alguns cristãos viram um tempo de graça e de intervalo para não rezar, não frequentar a catequese, não participar das missas, não fazer os trabalhos da igreja, em suma tais cristãos tinham em suas mentes que a igreja já acabou. O novo normal pastoral No contexto dum novo normal, a igreja ainda tem um grande desafio para a área da catequese grupal visto que ainda não se proclamou o fim total e completo da pandemia. Daí que a igreja deverá ainda estudar métodos e estratégias para fornecer a formação catequética dos seus membros. Importa referir que algumas igrejas usam os meios de comunicação social como: a radio comunitária, revistas e jornais, para fazer passar a mensagem cristã aos seus fiéis. A igreja precisa de um grande trabalho para ir em busca das ovelhas perdidas durante o período do Coronavírus, com novas estratégias de pastoral como acima referimos. O povo espera muito das palavras consoladoras da igreja nestes momentos tão cruéis em que o nosso país atravessa: a pandemia do Coronavírus, antecedida de dois ciclones IDAI e Kenneth e dois conflitos do centro e norte do país. Exigências dos novos tempos O povo precisa de um novo modelo de catequese e de novos profetas preparados especificamente na linguagem destes problemas. Por isso é urgente que os agentes da pastoral catequética e as equipas missionárias de várias dioceses se empenhem na formação face aos problemas de hoje. Pregadores de hoje sejam os verdadeiros profetas que vão à realidade do povo que sofre a fim de dar uma esperança viva a toda esta gente, a exemplo de Jesus Cristo que foi bom pastor e que teve compaixão do seu povo. Os catequistas precisam de ir ao encontro das ovelhas sofredoras e falar-lhes do sentido da fé e dá vida. Como sabemos, a Palavra de Deus não se encerra numa capela, antes pelo contrário, ela ecoa no mundo e o Espírito Santo a leva onde quer que seja e fá-la chegar a toda a gente. O valor da catequese A catequese é um meio de formação para os crentes. Sem ela a nossa comunidade eclesial é fraca e não tem futuros profetas; sem ela os sacramentos tornam-se apenas momentos de diversão. Daí a necessidade de fortificar a formação catequética mesmo em tempos difíceis da história da igreja. Precisamos de pastores incansáveis e que amam a Palavra de Deus, pastores que proclamem sem medo nem receio face as censuras da vida sociopolítica. Nesta hora precisamos de catequistas corajosos e que se entregam sem medida, que proclamam a verdade e a justiça. Catequistas que denunciam as injustiças e não catequistas mudos, embebidos com o medo. Precisamos de catequistas sérios que se doam no anúncio da mensagem cristã com dedicação. Se assim for, então teremos uma igreja viva e forte e nenhuma força do inferno prevalecerá contra ela. A catequese faz a comunidade cristã ou seja a catequese faz a igreja. Deste modo, os seus membros devem ser bem formados para que não deixem desmoronar esta igreja. Pois, cristãos bem formados na fé nada e ninguém lhes engana. Formação sólida na fé Face aos falsos profetas dos nossos dias precisamos de uma sólida formação na fé em Jesus Cristo mas também em matérias da vida da igreja e da defesa da sua soberania como uma instituição terrena e celestial. Os cristãos bem formados na fé conseguem ler os sinais dos tempos e os protagonistas dessa boa formação são os agentes da pastoral catequética. Os cristãos bem formados na fé são membros bem esclarecidos a respeito da fé da sua própria comunidade e também em relação às outras designações religiosas cristãs e não cristãs. Os cristãos bem formados são também tolerantes em relação à vivência de fé das outras confissões religiosas. Por isso, as autoridades eclesiais e os agentes da pastoral catequética se esforcem em formar os seus cristãos na fé e também os preparem para saberem
maio 10 2021
Vida Consagrada em Moçambique
Por Ir. Teresa Carolina de Carvalho, p.m. No dia 2 de Fevereiro, Festa da Apresentação de Jesus ao Templo, celebra-se a Jornada Mundial da Vida Consagrada. O Papa francisco insiste constantemente sobre a profecia como elemento imprescindível na vida consagrada. Essa não pode renunciar à profecia sem correr o risco de perder o sabor e, portanto, a sua razão de ser. E aqui em Moçambique como estamos? Semente que brotou e que, ao sabor do vento e do sol escaldante da mãe África vai crescendo a seu ritmo. Com a ajuda da graça, abraça com fé e coragem os seus altos e baixos, características próprias de quem gradualmente quer aprender a ser adulto com tudo o que comporta uma maturidade holística. Com os olhos fixos em Jesus para amar a Deus Pai, amar os irmãos e viver, como Cristo os amou e viveu, abre-se sem reservas à acção fecundante do Espírito que por ela gera o Reino. Ela procura ocupar o lugar que lhe corresponde na Igreja e na sociedade. Consciente de que a consagração e o envio estão intimamente ligados como as duas “faces da mesma moeda”, vive com dinamismo e audácia a sua vocação Mística e Profética. Oferece continuamente orações e súplicas por si própria e pela humanidade. Evangeliza-se e evangeliza os que querem ouvir a Palavra da salvação. Sacramento de Cristo na terra, fixa as suas raízes no mistério de Deus Trindade e é pois, na Escola de Jesus Cristo que alimenta e aprofunda a sua vocação Consagrados em Moçambique Ao longo da história, ventos e tempestades a sacudiram e muitas das suas folhas caíram porém, como árvore plantada à beira das águas correntes, (Sl. 1,3) tornou-se vigorosa e viçosa. Quem poderia acreditar que ela encabeçaria e dinamizaria os preparativos da visita papal de S. João Paulo II em 1988 e que ela serviria de ponte para o fim da guerra civil dos 16 anos 1992? Pela sua acção apostólica, a Vida Consagrada é uma presença significativa neste belo e amado solo pátrio: a escola católica foi e continua a ser ponto de referência na formação, instrução e educação de crianças, adolescente, jovens e adultos de todas as classes e condições sociais. A exemplo de Cristo, que não veio para os que têm saúde mas, os que estão doentes, (Lc. 5, 31-32) aposta preferencialmente pelos mais desfavorecidos. É ainda a Vida Consagrada que como bom samaritano, não mede mãos no exercício da compaixão de Cristo seu Mestre, dando-se em holocausto nos postos de saúde, hospitais, centros de apoio psicológico, lares de crianças deficientes e em situação difícil, lares de velhinhos desamparados, apoio aos moradores de rua. Enfim, a Vida consagrada em Moçambique atenta aos sinais dos tempos, procura ser sal e luz a todo tempo e em todo lugar apesar dos seus inúmeros desafios entre os quais: o almejado desejo de uma pastoral de conjunto, a tendência a um certo proselitismo resultante duma sociedade com fraco sentido do sagrado, as desistências e a falta do sentido de compromisso, o que limita o sonho da sua expansão para os lugares onde ela ainda não está presente. Numa sociedade onde os conflitos continuam sendo cíclico, a Vida Consagrada tornou-se o grito de socorro dos que não têm voz nem vez, exerce o seu profetismo pelos apelos constantes à paz e pela prática das obras de misericórdia. É sinal de “Esperança, paz e reconciliação” tema da última visita apostólica de S. Santidade, Papa Francisco, o representante da Igreja e da vida Consagrada no mundo. Na flor da sua juventude, a vida consagrada em Moçambique é como uma mãe jovem, que vai crescendo e, em fidelidade criativa busca sem cessar a sua própria identidade em Cristo Jesus, autor e consumador da nossa fé, origem e fim de toda a consagração. BOX 1 «Irmãos e irmãs, vamo-nos doando no serviço e na proximidade ao povo de Deus. Mas a proximidade cansa. Cansa sempre a proximidade ao santo povo de Deus. É belo encontrar um sacerdote, uma irmã, um catequista…. Cansados por causa da proximidade. Renovar a chamada passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo «mundanismo espiritual» ditado «pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores» (Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24/3/2016). Renovar a chamada, a nossa chamada, passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxalá encontremos, neste saudável cansaço, a fonte da nossa identidade e felicidade! A proximidade cansa, e este cansaço é santidade… Oxalá os nossos jovens descubram em nós que nos deixamos «tomar e comer», e seja isso mesmo o que os leva a interrogar-se sobre o seguimento de Jesus e que eles, deslumbrados com a alegria duma entrega diária não imposta mas maturada e escolhida no silêncio e na oração, queiram dar o seu sim». (Encontro do Papa Francisco com os Bispos, Sacerdotes, Religiosos/as e Catequistas, Maputo 5/9/2019) Box 2 «Cultura do cuidado abrange as seguintes atitudes: o cuidado como promoção da dignidade e dos direitos da pessoa; o cuidado do bem comum; o cuidado através da solidariedade; o cuidado e a salvaguarda da criação. A cultura do cuidado, enquanto compromisso comum, solidário e participativo para proteger e promover a dignidade e o bem de todos, enquanto disposição a interessar-se, a prestar atenção, disposição à compaixão, à reconciliação e à cura, ao respeito mútuo e ao acolhimento recíproco, constitui uma via privilegiada para a construção da paz. Em muitas partes do mundo, fazem falta percursos de paz que levem a cicatrizar as feridas, há necessidade de artesãos de paz prontos a gerar, com criatividade e ousadia, processos de cura e de um novo encontro». (Papa Francisco, Mensagem da Paz 2021)
abr 28 2021
A cultura do cuidado como percurso de paz
Por Vatican News Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, o Papa Francisco lança um apelo para que todos se tornem “profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Todos remando juntos no mesmo barco, cujo leme é a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana. Em síntese, esta é a ideia que o Papa Francisco expressa na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, celebrado em 1° de Janeiro. Solidariedade às vítimas da pandemia A mensagem não deixa de analisar a marca deste 2020: a pandemia. A crise provocada pelo novo coronavírus “se transformou num fenómeno plurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”. O pensamento do Pontífice foi às pessoas que perderam um familiar ou uma pessoa querida ou a quem ficou sem emprego. E um agradecimento especial a quem trabalha em hospitais e centros de saúde, com um renovado apelo às autoridades para que as vacinas sejam acessíveis a todos. Sou o guardião do meu irmão? Com certeza! No longo texto, o Papa faz uma “génese” da cultura do cuidado desde os primórdios da criação, como narram vários episódios bíblicos. No Antigo Testamento, talvez o mais emblemático seja a relação entre Caim e Abel, e a famosa resposta depois do assassinato: Sou eu, porventura, o guardião do meu irmão? “Com certeza”, responde o Papa sem pestanejar. Já no Novo Testamento, Jesus encarna o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade. “No ponto culminante da sua missão, Jesus sela o seu cuidado por nós, oferecendo-Se na cruz e libertando-nos assim da escravidão do pecado e da morte.” Esta cultura do cuidado se aprimorou na Igreja nascente com as obras de misericórdia corporal e espiritual, que no decorrer dos séculos ficaram visíveis em hospitais, albergues para os pobres, orfanatos, lares para crianças e abrigos para forasteiros. O Cristianismo, portanto, ajudou a amadurecer o conceito de pessoa, a ponto que hoje podemos dizer que “toda a pessoa humana é fim em si mesma, e nunca um mero instrumento a ser avaliado apenas pela sua utilidade: foi criada para viver em conjunto na família, na comunidade, na sociedade, onde todos os membros são iguais em dignidade. E desta dignidade derivam os direitos humanos.” Bússola para um rumo comum Se o ser humano tem direitos, tem também deveres, como o cuidado dos mais vulneráveis e também da criação. Para Francisco, todos esses princípios elucidados na mensagem constituem uma bússola para dar um rumo comum ao processo de globalização, “um rumo verdadeiramente humano”. “Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.” Aqui o Papa chama em causa um “forte e generalizado protagonismo das mulheres na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais”. Como converter nosso coração? O Pontífice recorda que esta “bússola dos princípios sociais” vale também para as relações entre as nações. E pede o respeito pelo direito humanitário em conflitos e guerras. “Infelizmente, constata o Santo Padre, muitas regiões e comunidades já não se recordam dos tempos em que viviam em paz e segurança.” “As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?” Mais uma vez o Santo Padre lamenta o desperdício de dinheiro com armamentos, quando poderia ser utilizado “para prioridades mais significativas”, relançando a ideia de São Paulo VI de criar um “Fundo mundial” com a utilização dos recursos da corrida armamentista para o desenvolvimento dos países mais pobres. Outro elemento fundamental para a promoção da cultura do cuidado é a educação. Neste projecto, estão envolvidos famílias, escolas, universidades e os líderes religiosos. Francisco se dirige a quem trabalha neste campo “para que se possa chegar à meta duma educação «mais aberta e inclusiva”, fazendo votos de que neste contexto o Pacto Educativo Global “encontre ampla e variegada adesão”. Não há paz sem a cultura do cuidado Toda a mensagem do Pontífice, enfim, é estruturada para afirmar o princípio de que não há paz sem a cultura do cuidado. “Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a «bússola» dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum. Como cristãos, mantemos o olhar fixo na Virgem Maria, Estrela-do-mar e Mãe da Esperança.” “Não cedamos à tentação de nos desinteressarmos dos outros, especialmente dos mais frágeis”, é o apelo final do Papa.
abr 21 2021
Moçambique prepara-se para o CAN de futebol de praia
Depois da presença inédita no CAN de futebol de praia, Moçambique procura fazer história. A selecção de futebol de praia apurou-se pela primeira vez para o Campeonato Africano Senegal 2021, ao golear os Comores, por 10-3, em jogo da segunda mão da primeira e única eliminatória. O CAN vai decorrer no Senegal em Maio próximo. Face a este marco, o combinado nacional está a fazer de tudo para trazer melhores resultados desta prova no maior evento continental. Para o efeito, estão a trabalhar a todo vapor para que tal objectivo seja alcançado. Ainda esta semana, esta colectividade foi homenageada por empresas de telefones que operam no país, um gesto que tem em vista encorajar a rapaziada, nos desafios que lhes esperam. A selecção nacional garantiu a qualificação com um agregado de 17-8, visto que na primeira mão ganhou fora de portas por 7-5. (Júlio Assane)


