abr 09 2023
Páscoa é mistério de vida
Ao celebrarmos a Páscoa da Ressurreição temos que nos centrar na Pessoa de Jesus Cristo, sacrifício da Nova Aliança e fazermos Memória como cumprimento do Seu mandato: “fazei isto em memória de mim”. Em toda a celebração da santa Missa, nos Domingos, dia do Senhor, celebramos a Páscoa da Ressurreição como a maior herança de Cristo, o Redentor. No Antigo Testamento, o povo de Israel lembra a passagem do Mar Vermelho. O termo Páscoa é transliteração grega do aramaico paschá e do hebraico pesah. A teologia israelita assumiu o termo memorável festa primaveril Javé “saltou, passou adiante” das casas dos israelitas assinaladas pelo sangue do cordeiro sacrificado, poupando-as (Ex 12,13.23.27). No Novo Testamento, a festa é conhecida com dois elementos de origem diferente que se desenvolveram juntos até chegar a formar uma unidade: a verdadeira e autêntica celebração nocturna em torno do cordeiro (pesah); e a semana dos ázimos. Páscoa, centro da vida cristã A centralidade da celebração pascal na vida do povo de Deus, e a coincidência da morte e Ressureição de Jesus com a páscoa judaica, faz com que esta celebração se torne o centro e o ponto mais alto da nossa fé e do nosso agir. Na semana Santa a Igreja faz-nos percorrer e reviver, fazendo memória, a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, na quinta e da Paixão de Jesus na sexta, para chegar a noite da vigília pascal na qual o grito de aleluia é o clamor do povo de Deus que acolhe a grande notícia que o Crucificado já é Ressuscitado. Trata-se da Mãe de todas as noites, a Grande noite. O canto do exulte enfatiza que se trata da noite que muitos povos esperaram, uns viram e outros não. A sequência da Celebração da Páscoa é: Liturgia da Luz, procissão para o local da Missa, canto do exulte, proclamação da Palavra de Deus e homilia, rito do Baptismo e a parte da Liturgia Eucarística. Aleluia e Vinde Santo Espírito O Período da Páscoa é de Cinquenta dias, encerrando com o domingo de Pentecostes. Páscoa da Ressurreição é o centro da vida cristã que se prepara durante quarenta dias que é o tempo da Quaresma. Páscoa é de tempo da Salvação Páscoa é tempo de alegria Páscoa é tempo de vida renovada em Cristo Páscoa é tempo de sair da Morte para a Vida Páscoa é tempo de abraçar novos projectos pessoais e comunitários Páscoa é tempo de renovar os compromissos do Baptismo Páscoa é tempo de acolher novos irmãos em Cristo Páscoa é comunhão e unidade Páscoa é buscar um mundo justo e fraterno Páscoa é tornar-se “Cristo” hoje e dar vida aos outros Páscoa é deixar que nossa família seja a nova Jerusalém que acolhe a Grande Notícia de que Jesus ressuscitou verdadeiramente, Aleluia. O Jesus Crucificado é agora Ressuscitado – aleluia. Por Pe. Fonseca Kwiriwi, CP
abr 07 2023
Crónica – A FESTA DE LÁGRIMAS
Comemoramos hoje o 07 de Abril, dia mulher moçambicana. Momento em que é lembrado o aniversário da morte de Josina Machel (1945-1971), combatente da liberdade de Moçambique e heroína nacional. Consta dos anais históricos que até 25 de Junho de 1975, Moçambique era uma das colónias portuguesas em África, quando nesta data, após uma década de guerra pela libertação, conquistou sua independência. Uma mulher que tomara consciência do seu papel na conquista da libertação moçambicana do jugo colonial. Apesar do forte confronto e empenho da Josina Machel no combate aos inimigos da liberdade deste país, ainda hoje continuam vivos os rios de lágrimas na vida de muitos cidadãos, entre homens e mulheres. O tempo presente está sendo marcado por grandes dificuldades da vida: aumento doentio do clima de corrupção, acidentes de viação, desemprego, perseguições, subida de preço do pão e do combustível, greves, terrorismo em Cabo Delgado e noutros pontos do país. Sobretudo, o mundo feminino vive dilacerado ante vários fenómenos que reflectem ódio profundo ao seu sucesso. Mulheres vítimas de desigualdades sociais, assédio e violência sexual, humilhação doméstica, multiplicação do analfabetismo, o fracasso do direito à educação e ao emprego, etc. Diante de tudo isso, a falta de unidade entre as mulheres à causa comum é o grande veneno da libertação feminina. Porque, como Josina Machel, todas mulheres podem ser heroínas, claro, cada uma a seu modo. Mas tudo exige decisão. Continuarão longe do esquema do sucesso se ainda prevalecer, nesta sociedade, o empenho das famílias na promoção de casamentos prematuros, enquanto continuar cerrada a cultura de estudos e formação, na confiança de que basta se casar. O 7 de Abril deste ano é diferente de muitos outros. Coincide com a Sexta-Feira Santa, Dia da Paixão e Morte de Jesus na Cruz. Momento mais intenso de oração, jejum e prática de esmola para um verdadeiro cristão e uma verdadeira fiel, mulheres e homens que seguem Cristo em espírito e verdade. É dia de conhecer quem são os verdadeiros Judas Iscariotes e Judas Iscariotas, os traidores e traidoras de Jesus. Não é dia de faltar a Igreja por se tratar de 7 de Abril. Não é dia bater wines e cabangas, nem de comer carnes, menos ainda de promover a cultura do “primo, vou jobar, ou prima, vou ser jobada”. É dia de jejum de calúnias, fofocas, murmúrios, ciúme selvagem, inveja, consumismo de drogas e do álcool, etc. Ouviram? Quem tem ouvidos, ouça! Giovanni Muacua, 07 de Abril de 2023
abr 07 2023
Delinquência juvenil feminina
Por Judite Macuacua Pinto Este mês vamos abordar um tema considerado inédito, pois, dele pouco se fala em quase todas as sociedades do mundo e, de modo particular, na nossa sociedade moçambicana: a Delinquência Juvenil Feminina. Antes de desenvolvermos este tema, vamos entender bem o que quer dizer delinquência. Por definição, a delinquência é considerada como um transtorno psicossocial e pela sua complexidade, a sua manifestação ocorre a partir de variáveis biológicas, comportamentais, cognitivas e contextuais, como características familiares e sociais. Por outro lado, a delinquência consiste em actos que infringem as regras de condutas normalizadas numa sociedade. Segundo um dos teóricos da criminologia, Enrico Ferri, podemos classificar os delinquentes em cinco tipos:Nato (completa atrofia do senso moral), Louco (alienado mental), Ocasional (aquele que eventualmente comete um delito), Habitual(aquele que faz do crime a sua profissão) e Passional (aquele que age com ímpeto). Historicamente, durante séculos, sabe-se que foi construída uma “história única” sobre delinquência Juvenil Feminina, sendo que, na maior parte dos países ocidentais, só a partir da década de 1990 é que as raparigas delinquentes começaram a estar mais visíveis nas estatísticas oficiais. Já em 1997, através dos estudos realizados começam a serem explicadas as dinâmicas e as consistentes desta presença da rapariga no mundo da delinquência. Segundo a nossa fonte, soubemos também que nesta época, se começou a considerar as raparigas como sujeitos de investigação, razão pela qual, tornou a sua sujeição, os seus percursos e vitimização, mais visíveis. Foi nesta esteira que se começou a compreender como percursos de transgressão e subjectividades juvenis femininas se entrecruzaram ao longo dos tempos. Por conta disso, a delinquência, como desvio de conduta e/ou factor socialmente responsável, existe desde os primórdios da humanidade. Contudo, a delinquência juvenil feminina, nos tempos que correm, surge também pelo facto de não encontrarem o que no seio familiar não há, sendo que, partem para a rua procurando coisas que em alguns casos acabam por prejudicar a sociedade inteira. Delinquência juvenil feminina em Moçambique Lamentavelmente, por razões óbvias, o índice de delinquência juvenil feminina no País já está a assumir dimensões alarmantes. Nas grandes cidades de Moçambique, há zonas em que as pessoas já não podem ir estudar, trabalhar e regressar em paz para as suas casas nas noites devido ao crime violento, como é o caso da cidade de Maputo. A título de exemplo, nas ruínas do Prédio Pott, no seu interior habitam marginais de ambos os sexos, drogados, dementes, jovens e adolescentes delinquentes que ali se tornaram mães que consigo transportam bebés e outros lactentes em fase de aleitamento. Sentimos que vale a pena referenciar este episódio que alberga não só delinquentes masculinos, mas também delinquentes femininos. Passar por este lugar, ou nas proximidades destas ruínas, é muito arriscado, principalmente ao entardecer e à noite, na baixa daquela urbe. A delinquência juvenil feminina em Moçambique, é cada vez mais preocupante devido ao escalamento de comportamentos de risco em diferentes zonas do país e surgimento de novos casos, tendo como principais causas: factores económicos, sociais, culturais e políticos, por exemplo, os conflitos armados no Centro e Norte do país, mas também, ambientais. Segundo Luís Zaqueu, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, apontou como factores sociais e históricos que explicam o aumento da criminalidade juvenil, acrescentando que é um fenómeno que está a crescer devido às condições socioeconómicos e históricos do próprio país. Recentemente, decorreu um evento organizado pelo Instituto de Investigação Inter-Regional de Crime e Justiça da ONU,que reuniu especialistas, representantes das Autoridades Governamentais e de Jovens a nível nacional para debater o aumento do fenómeno, particularmente na capital do país. Assim sendo, o Governo e a Sociedade Civil são chamados a efectivar o seu papel.
abr 07 2023
Venenos da libertação feminina
Por Giovanni Muacua Comemoramos hoje, Dia 7 de Abril, a data da mulher moçambicana. Momento em que é lembrado o aniversário da morte de Josina Machel (1945-1971), combatente da liberdade de Moçambique e heroína nacional. Consta dos anais históricos que até 25 de Junho de 1975, Moçambique era uma das colónias portuguesas em África, quando nesta data, após uma década de guerra pela libertação, conquistou a sua independência. Uma mulher que tomara consciência do seu papel na conquista da libertação moçambicana do jugo colonial. Apesar do forte confronto e empenho da heroína moçambicana, Josina Machel, no combate aos inimigos da liberdade deste país, ainda hoje continuam vivos os rios de lágrimas na vida de muitos cidadãos (homens e mulheres).O tempo presente está sendo marcado por grandes dificuldades da vida: aumento doentio do clima de corrupção, acidentes de viação, desemprego, perseguições, subida de preço do pão e do combustível, greves, terrorismo em Cabo Delgado e noutros pontos do país. Sobretudo o mundo feminino que vive dilacerado ante vários fenómenos que reflectem ódio profundo ao seusucesso. Mulheres vítimas de desigualdades sociais, assédio sexual, violência sexual e doméstica, a multiplicação do analfabetismo, o fracasso do direito à educação e ao emprego, etc. Diante de tudo isso, a falta da unidade das mulheres à causa comum é grande veneno da própria libertação feminina. Porque, como Josina Machel, todas mulheres podem ser heroínas, claro, cada uma a seu modo. Mas tudo exige decisão. Continuarão longe do esquema do sucesso se ainda prevalecer, nesta sociedade, o empenho das famílias na promoção de casamentos precoces, enquanto continuar cerrada a cultura de estudos e formação, na confiança de que basta casar apenas. É possível enxugar as lágrimas de Abril. Todas podem ser heroínas, mas é um trabalho que exige empenho e sacrifício de todos. Heroína não é apenas Josina Machel, mas todas as mulheres que lutam para pôr fim às sujeiras da vida da família. Daquelas que negam ser “caixa de lixoˮ na sociedade moribunda em que vivemos. São também heroínas as que: Se abrem para estudos e se sacrificam para própria formação; Se empenham no combate à pobreza e não sentem vergonha de sujar as mãos para o sustento da família; Sabem viver a fidelidade na sua família e fazem de tudo para o cuidado dos filhos; Negamser instrumento de vadiagem e produto do mercado sexual; Promovem a vida, negando cometer abortos voluntários; Se empenham na paciência, no cuidado dos doentes e dos idosos da família e da sociedade em geral; Se enquadram em espírito e verdade numa religião, igreja para o seu alimento espiritual; Negam a dependência nas drogas; Buscam auto-emprego; Vencem o veneno do ódio e da indiferença. E perdem o grau do heroísmo as que destroem seus lares, as que dependem apenas da vida dos outros, as que pensam que nasceram apenas para sofrer; as que se empenham nas calúnias e fofocas, no ciúme selvagem; aquelas mulheres que não se dedicam na partilha, que querem ouvir apenas “sim, senhora!ˮ, que investem na cultura da inveja, no consumismo do álcool; as que gostam de trair seus esposos, trocam momentos de diálogo familiar com as redes sociais. Não restam dúvidas que é possível enxugar as lágrimas que rolam na nossa alma. Assim como os mortos ressuscitam, também podem se recuperar as mulheres dilaceradas. Quem tem ouvidos, ouça!
abr 06 2023
Entrevista exclusiva: “Sou Bispo sem deixar de ser Comboniano”
“Em tudo a sabedoria do Senhor” Dom António Constantino, missionário comboniano e antigo director da Vida Nova, foi consagrado Bispo auxiliar da Arquidiocese da Beira no dia 19 de Fevereiro. Aqui vai a entrevista para os nossos leitores. VN – O que quer dizer ser um bispo missionário em Moçambique? Dom AC –Em primeiro lugar queroagradecer ao Senhor pelo chamamento à vida missionária; segundo, vou para uma missão com confiança porque o Papa Francisco, que me nomeou, colocou a sua confiança em mim, enviando-me a ajudar e colaborar na Igreja que está na Arquidiocese da Beira; terceiro, agradecer aos Missionários Combonianos, que continuam a ser a minha família religiosa, onde entreguei a minha vida com a consagração religiosa para o serviço missionário. De facto, foram eles que me fizeram crescer e me acompanharam nodia-a-dia até chegar neste momento. Hoje é também um dia de alegria,porque a Igreja de Moçambique, na qual nasci e cresci,me acolhe como seu Pastor. É um sinal de maturidade para a nossaIgreja.De facto, uma igreja que não tem seus filhos para serem pastores, essa Igreja não está a crescer. O crescimento duma Igreja é quando ela tem filhos capazes de assumir as responsabilidades, tais como aquelas que têm um bispo, e que nos faz dizer: “afinal, entre nós também existem pessoas que possam servir!”. Serviço é a chave para entender qualquer ministério dentro da Igreja, mas em particular para aquele episcopal porque, como o lema que escolhi para o meu brasão: “em tudo a sabedoria do Senhor”, temos que deixar que a sabedoria do Senhor envolva todo o nosso serviço para o Reino de Deus e nos ajude a ser instrumento desta sabedoria para que todos alcancem a salvação. VN – Você foi director da VN, acha que o seu papel de formar e informar as comunidades, que tem continuado ao longo dos 63 anos da sua existência, possa ainda ser válido para o hoje da nossa Igreja local? Dom AC – Antes de ser ordenado Bispo, como padre formei-me em jornalismona Espanha e trabalhei vários anos como director da VN. Portanto, a VN continua estar no meu coração e acredito firmemente que, apesar da sua idade, continua a ser um válido instrumento para formar e informar as comunidades cristãs espalhadas pelo país. A VN não é simplesmente a revista da Arquidiocese de Nampula, porque aí nasceu há 63 anos. Ela é a revista de toda a Igreja moçambicana que com os seu valiosos conteúdos procura actualizar as comunidades para que a Boa Nova continue ser Boa Nova para todos. Não esqueçamos que a maioria das nossas comunidades situa-se no meio rural onde “os megas e os andróides” são espécies raras, assim como outra imprensa, mas a VN chega lá aonde nem sequer imaginamos… é um verdadeiro milagre que se perpetua desde 1960. VN – Vida Nova, imprensa escrita, continua manter o seu papel in/formativo ainda hoje apesar de estarmos num mundo mais digitalizado? Dom AC –Sim, apesar da tecnologia digital no campo da comunicação ter crescido muito nestesanos, a VN continua a ser um válido instrumento de formação e informação para aqueles que estão nas zonas rurais, mas também nas zonas urbanas. Olha, muitas comunidades que eu visitei, a VN é lida com gosto. Por exemplo, o comentário à Palavra de Deus dominical é muito utilizadopelos responsáveis das comunidades que o lêem com “devoção” para a suaassembleia. Naturalmente, é tempo também para que a VN se abra cada vez mais ao mundo digital para alcançar mais gente, em particular a camada juvenil. VN – Como antigo Director da Vida Nova, o que quer deixar aos leitores da revista? Dom AC –Primeiro, estão todos de parabéns porque são as pessoas que continuam a nos sustentar. De facto, um dos desafios que existe na VN é mesmo o sustentoda revista. A revista ainda continua com os custos muito baixos para poder alcançar um público maior. Mas eu espero que pouco a pouco, como Igreja, possamos ganhar a mentalidade de suportar mais a VN, para além de pagar a própria assinatura, também pensar naquele meu irmão que esta lá na zona recôndita e que talvez não tenha os meios suficientes para assinar e assim poder formar-se e informar-se com a VN. Outra coisa que acho muito importante éa tarefa de todos os leitores, encontrar estratégia para procurar mais assinantes e leitores para não deixar morrer a VN. Enfim, desejo para todos os leitores da VN que as bênçãos de Deus caiam abundantemente sobre cada um de vós. E não esqueçais, como sempre nos recorda o papa Francisco, de rezar pelos vossos Bispos.
abr 06 2023
A Escola, local de aquisição da ciência e de normas sociais
Por Dr. Graciano Armando Assim o mundo se nos apresenta actualmente! A criança é colocada sozinha frente a televisão e/ou a redes sociais sem que nenhum adulto lhe dê a devida atenção. A relação familiar centra-se prioritariamente nas suas necessidades físicas, ou seja, na alimentação, na higiene, no descanso, principalmente. Desde criança, as novas tecnologias imediatamente as seduzem e permitem a aquisição de novos saberes oferecidos na distracção dos seus progenitores e/ou educadores. O seu conhecimento vai progredindo através das informações que recebe do meio em que se insere, sem o devido acompanhamento, daí que consome tudo o que lhe é oferecida pela ‘mídia’ sem a devida selecção nem crítica para o seu salutar crescimento. Parece que vivemos numa época de “identidades sem testemunhas”…! A Escola é e deve ser vista como uma organização social com regras e normas próprias, constituída por uma diversidade de actores sociais que formam uma comunidade educativa – docentes, funcionário/as não docentes, directores/as e todo o corpo administrativo, conselho de escola e pais e encarregados/as de educação; estes últimos como actores primordiais na participação activa para a educação de seus filhos. Conclui-se, então, que o Homem é incapaz de levar uma existência significativa isolado das construções normativas de uma sociedade. Onde quer que o Homem esteja depara-se com uma ordem social. Em 1994, em sua Obra intitulada Sociologia 12º ano, José Vargas afirmou que “a Escola é uma instituição social; e as instituições sociais são as formas utilizadas pela socialização para moldar as pessoas. Aliás, as instituições sociais são como elemento de reprodução social”. A Escola é um espaço de socialização e de aprendizagem onde se estabelecem múltiplas relações humanas, interacções sociais e uma comunicação e dinâmica entre os diversos actores. A falha na cultura destas importantes particularidades pode impedir ou retardar o desenvolvimento sócio cognitivo e emocional, ou ainda potenciar o risco de psicopatologias nos indivíduos. A necessidade de promoção da saúde mental na escola revela-se na melhoria da ligação entre a escola, a família e a comunidade em geral, numa missão conjunta para a redução do abandono, do insucesso e dos comportamentos violentos em meio escolar, com repercussões nos resultados académicos e nos ganhos em saúde da comunidade educativa. A promoção da saúde mental e emocional permite que os alunos adquiram conhecimentos, atitudes e capacidades que contribuam para a tomada de decisões. É preciso educar as crianças para um estilo de vida saudável e socialmente aceitável, o que implica competências descritas e um elevado nível de liderança. A saúde mental nas escolas surge como área prioritária de intervenção em meio escolar. As iniciativas bem-sucedidas em promoção da saúde mental nas escolas assentam numa metodologia de trabalho por projecto, continuada e com sequencialidade entre níveis de educação e ensino e são fundamentadas na teoria e práticas diárias. A promoção da saúde mental deve ser, igualmente, o pilar da capacitação dos alunos em matéria de promoção e educação para a saúde. Vários fenómenos sociais vividos na Escola têm repercussões na saúde dos alunos envolvidos e necessitam da compreensão e intervenção dos educadores. O papel da Escola na prevenção de violência A situação de violência escolar não deve ser vista como normal da idade ou da dinâmica nas escolas, pois é prejudicial tanto para os praticantes, para as vítimas assim como para quem a observa. A acção para a reversão da situação é uma necessidade urgente pois é direito de todas as crianças, adolescentes e jovens, sentirem-se seguros e protegidos em todos os locais e de modo particular na Escola. Para tal torna-se necessária a implementação de estratégias de prevenção e intervenção com o objectivo de diminuir a incidência desta problemática. É tarefa do profissional da educação, ser protector dos alunos e visionário atento de certas situações de comportamentos desajustados, saber assumir e encará-los como parte da sua responsabilidade de fazer estudo e não simplesmente considerar todas as manifestações como atitudes demonstradas com intencionalidade. Daí, decorre que, para a sua prevenção, devem ser desenvolvidas políticas de apoio no combate à violência escolar, envolvendo diversos sectores da sociedade e criando um clima saudável nas escolas que proporcione o bem-estar de todos. A importância da educação A Educação, no contexto geral, é importante, pois ensina a criança a adquirir determinados valores tais como a compaixão, a valorização da vida própria e dos outros assim como do saber científico. Uma sociedade viciada pela tecnologia consumista e competitiva, que mais valoriza a aquisição de bens reservando o último lugar para a saúde, o comportamento segue a mesma direcção. De facto, os sujeitos violentos ou agressivos não têm muitas opções, pois o próprio meio onde se inserem fornece-lhes a aprendizagem que lhes parece necessária para assumirem como padrão normal de vida. Por isso Rousseau, um grande filósofo social do período renascentista e muito influente na pedagogia, afirmou que “o Homem nasce bom mas a sociedade o corrompe”. Rousseau vai mais longe ao afirmar ainda que sim, é a sociedade que corrompe o ser humano impelindo-o para o mal na medida em que esta sociedade fica estratificada tal que se torna difícil ensinar a praticar a vida virtuosa. “Mas, fazendo o bem, o ser humano torna-se bom”. É imperioso mudar o enfoque sobre a questão da “violência” e, consequentemente, a atenção sobre os direitos humanos. As medidas tutelares educativas só deverão ser tomadas se as outras acções preventivas tiverem sido executadas, com sucesso. A educação deve registar-se imediatamente a seguir a nascença, baseada em valores, normas e modelos de conduta, que serão inculcados no sentido de formar a personalidade do indivíduo, num contexto sanitário e preventivo contra a violência, enquanto praticável. Vários modelos de intervenção poderão ser aplicados de acordo com o grupo e o meio social envolvente. Este é um campo de acção dos educadores sociais. Por essa razão, há que enumerar alguns aspectos que se prendem com o acto de educar, como sejam os programas baseados no modelo de conhecimento e de boa conduta. Programas de acções interventivas em relação ao meio (informação e formação sanitária, cívica
abr 06 2023
Chega de mortes nas estradas…
Por Dr. Armando Alí Amade Não passa uma semana sem quepela rádio, jornais ou pelo Facebook, passem notícias sobre acidentes rodoviários ou atropelamentos de peões nas estradas moçambicanas. Quantas mortes, choros e luto nas famílias se poderiam evitar! Pela ganância assistimos a espectáculos das piores tragédias humanas: chapas superlotados e carregados com todo o tipo de mercadoria, velocidade como aquela da luz para chegar mais depressa. Parece-me que muitos motoristas não têm consciência e responsabilidade da vida dos seus passageiros. Enfim, quem é que nos pode defender desta “guerra”, visto que todos queremo-nos movimentar de um lado para outro? (Mário Sabonete – Nampula). Um acidente de viação ou de trânsito é um acto muitas vezes despropositado, não intencional que ocorre na via (estrada) envolvendo veículos, entre veículos, com peões, animais ou ainda veículo contra obstáculo fixo (postes, árvores, muros, casas e outros). O Código da Estrada do nosso país define acidente de viação como sendo toda a lesão externa ou interna e toda a perturbação nervosa ou psíquica ou dano patrimonial e moral que resulta da acção de uma violência exterior súbita produzida por qualquer veículo ou meio de transporte em circulação na via pública. E, então, quais são as maiores e mais frequentes causas dos acidentes nas estradas? Ora, uma série de factores contribuem para a ocorrência dos acidentes de viação desde o estado mecânico da viatura, o estado da estrada, o clima, o ambiente da estrada (muitas pessoas nos mercados e escolas nas bermas das estradas), estado do condutor ou motorista (alcoolizado ou drogado), excesso de velocidade, ultrapassagem irregular, má travessia de peão e animais, excesso de carga, fadiga do motorista (sobretudo o de longo curso), etc. Um outro factor causador de acidentes deviação é a distracção. Muitas vezes a distracção é provocada pelo uso de dispositivos móveis, sobretudo na troca de mensagens de texto enquanto se conduz. Os motoristas que “teclam“, enquanto conduzem, têm maior probabilidade de se envolver em acidente de viação do que os que não enviam mensagem de texto ao volante. Usar telemóvel enquanto se conduz é tão perigoso! O álcool e outras drogas ilícitas têm um efeito severo no desempenho do motorista, pois estas drogas provocam a disfunção da capacidade de discernimento. Parece que os acidentes de viação provocados pelo consumo, acima das quantidades recomendadas de bebidas alcoólicas, ocorrem mais aos finais de semana. Por outro lado, a maior parte dos acidentes provocados pelos autocarros de transporte de passageiros ou “chapas” ocorrem com maior incidência devido ao excesso de velocidade, ultrapassagem irregular e o estado mecânico das viaturas. A fadiga, a privação de sono ou número de horas de condução, pode aumentar o risco de acidente de viação por parte dos motoristas de longo curso. Não podemos deixar de referir que as estradas têm uma contribuição significativa no que toca aos factores para ocorrência de acidentes de viação, se tomarmos em consideração a qualidade do piso, os buracos, a falta de manutenção, a irregularidade, etc. Resumindo, podemos afirmar que as principais causas dos acidentes de viação são: Excesso de velocidade; Condução sob efeito de álcool ou drogas; Manobras irregulares e/ou perigosas; Condução sob estado de fadiga; Má travessia de peão. Assim, para evitar, reduzir e, quiçá, minimizar os acidentes de rodoviários, livrando as estradas de serem “banhadas” de sangue dos nossos concidadãos, e não poucas vezes com luto nas famílias, elencamos algumas medidas primárias a ter em conta. A primeira forma de evitar acidentes na estrada por parte dum motorista: “Se beber, não conduza e se conduzir não beba”; Não consumir substâncias que alterem a capacidade de condução; Evitar o uso do telemóvel enquanto conduz; Para os motoristas de longo curso, evitar o estado de fadiga e procurar descansar. Evitar ultrapassagens irregulares e perigosas. (Observância das regras de trânsito) Só assim podemos ver minimizados os acidentes, sangue e luto nas famílias. O passageiro é o primeiro polícia de trânsito, ele tem o dever de alertar e chamar atenção ao motorista em relação à sua qualidade de condução.
abr 05 2023
Padre não pode, nem deve difamar ou caluniar o outro
“A boca de um sacerdote não pode e nem deve ser usada para difamar ou caluniar os outros”. – adverte Dom Inácio Saure, Arcebispo de Nampula. Dom Inácio Saure fez esta advertência, na noite desta terça-feira, 04/04, durante a homilia da missa crismal, onde sublinhou que é triste ouvir que há padres que se caluniam entre si. Dom Inácio não quer sacerdotes caluniadores e nem difamadores no seu clero, por isso apela aos seus padres a profetizarem e anunciarem o evangelho de cristo. O Arcebispo de Nampula quer ver padres a caminharem juntos e unidos, dai que exortou-os a serem humildes e nunca arrogantes. Dom Inácio Saure também quer sacerdotes dedicados, empenhados na missão e respeitosos, que usam as mãos para abençoar e não para bater pessoas. Igualmente, apela aos padres a serem disponíveis, compassivos, amorosos e não ambiciosos em coisas passageiras. Por Gelácio Rapieque
abr 05 2023
Os Sacerdotes são verdadeiros heróis do evangelho
O Arcebispo de Nampula fez saber que apesar das dificuldades e desafios que os sacerdotes de Nampula enfrentam, eles são verdadeiros heróis do evangelho. Segundo Dom Inácio Saure, muitos dos padres da Arquidiocese de Nampula trabalham em condições difíceis, por isso, agradece aos que se empenham e dedicam-se a sua missão. A arquidiocese de Nampula conta com 71 padres, entre diocesanos e missionários, número considerado ínfimo para uma diocese com muitas paróquias, centenas de comunidades e com pouco mais de cinco milhões de habitantes. Ao povo de Deus que afluiu em massa naquela missa de oração aos sacerdotes, Dom Inácio Saure pediu mais orações para os bons padres, mas também para os menos bons. “Caríssimos fiéis, continuemos orando pelos nossos padres, para que continuem verdadeiros servidores do povo de Deus, mesmo com as dificuldades que enfrentam”. – instou Dom Inácio Saure, na missa crismal, uma missa que normalmente acontece na quinta-feira santa, mas que por motivos pastorais, na arquidiocese de Nampula, aconteceu terça-feira santa, antecedido de um encontro presbiteral. Participaram do evento mais de 50 padres, maior parte deles, diocesanos de Nampula. Por Gelácio Rapieque
abr 05 2023
Antigo Belenenses, em Muhala, jovens drogados tiram sossego
Os moradores da zona residencial do antigo Belenenses, bairro de Muhala na cidade de Nampula, estão preocupados com o aumento do número de jovens consumidores de drogas, sob um olhar negligente de quem de direito. Alguns moradores daquela zona, mostraram a Rádio e Televisão Encontro, uma vivenda abandonada, onde os jovens consomem vários tipos de drogas, para depois, na calada da noite, protagonizarem roubos nas casas circunvizinhas. Cansados de sofrerem roubo, quase todos os dias, aqueles moradores pedem ao proprietário da casa abandonada, para destruir a infraestrutura, ou então vedar o recinto, porque os larápios dormem e consomem as drogas naqueles escombros. Esta situação tirar sono aos moradores do antigo Belenenses, há já muitos anos, e acreditam que é do conhecimento das autoridades locais, incluindo a Polícia, mas que não fazem nada para desmantelar aquele grupo de drogados. Raja Chaure Choca, é um dos vizinhos da casa abandonada que está a sofrer roubos no seu quintal, mas, na sua opinião, os jovens que cometem esse crime, são do mesmo bairro, apesar de não aparecer ninguém com coragem para denunciá-los. Raja Choca, pede a quem de direito para colocar um ponto de ordem naquela situação, que não deixa sossegados os moradores. “Estou cansado de sofrer roubos, todos os dias na minha casa, por jovens que se drogam neste quintal que um estrangeiro comprou e deixou abandonado”. – desabafou Raja implorando para que o proprietário venha fazer vedação do recinto. Ancha João, outra moradora do Antigo Belenenses, lamentou o facto de esta situação acontecer em plena via pública, pese embora os drogados serem provenientes de vários bairros desta cidade. “Estamos a pedir socorro, não conseguimos dormir em paz nas nossas casas, porque quando eles se drogam, arrombam as nossas portas”. – referiu Ancha, que para ela, “esses jovens roubam para alimentarem os seus vícios”. Albertina António, outra moradora, disse que assiste todos os dias, jovens a se drogarem a seu belo prazer, a qualquer período do dia, no quintal abandonado, próximo da sua casa. “Essa situação compromete o meu negocio, porque já não tenho clientes na minha barraca, aqui no antigo mercado dos Belenenses”. – Lamentou Albertina, acrescentando que, “São gatunos e roubam tudo que encontram, em plena luz do dia e sem medo porque andam drogados”. Outro morador que não quis se identificar, lamentou esta situação que na sua opinião, poderá comprometer o futuro das crianças naquela Unidade Comunal, sob um olhar negligente de quem de direito. “Se o governo intervir, tenho a certeza que esta situação vai acabar”. – disse o nosso entrevistando, sublinhando que gostaria de ver a polícia a actuar, ao mesmo tempo que pede ao seu vizinho para vedar os seus escombros que neste momento estão a ser usados como esconderijo de marginais, os quais tiram sossego dos moradores. As autoridades administrativas locais ainda não se pronunciaram sobre o assunto, mas a nossa reportagem tem conhecimento de que naquela Unidade Comunal, nos últimos dias, os casos de roubo em residências estão a aumentar. Recorde-se que, ano passado, a Rádio e Televisão Encontro publicou uma reportagem sobre venda e consumo de drogas numa das barracas abandonadas no antigo mercado dos Belenenses, que depois da intervenção das autoridades, o problema parecia estar resolvido. Enganou-se quem pensou assim, porque os drogados apenas mudaram de local. O quintal abandonado em referência, está localizado nas bermas da rua 2.269, que parte do Prédio Lopes, fazendo ligação com o bairro de Muahivire, através da rua dos viveiros. Uma Rua que estava nos planos de pavimentação no mandato do falecido Amurane, mas que depois da sua morte, esse plano também morreu, estando neste momento quase intransitável, como consequência do arrasto pelas águas da chuva, dos solos que tinham sido colocados para o início da pavimentação. Motivo suficiente, para dizer que para além de os moradores da zona do antigo Belenenses lamentarem pelo recrudescimento da criminalidade, também olham com muita tristeza, o estado avançado de degradação daquela rua, que num passado recente, serviu como alternativa para os transportadores semi- colectivos, a quanto da construção da ponte sobre o rio Muhala. Por Elísio João


