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Archive for vidanova

out 10 2020

A Mulher: o ser mais maravilhoso do mundo

Por Leonel Marcelino Cada comunidade tem os seus muros extremamente difíceis de derrubar sobretudo quando se fundam em tradições, seja de que natureza forem. Mas, sempre foi possível derrubá-los, ainda que, a pouco e pouco, ao longo dos tempos. Umas vezes, por circunstâncias ocasionais (uma guerra, uma mudança política, a acção de alguém mais esclarecido, mais ilustrado, mais viajado, mais rico de sentimentos, de emoções, de valores, de atenção às injustiças). Outras, graças a uma luta persistente por um mundo mais inclusivo, mais justo, mais livre, mais feliz. Mulher, tesouro da humanidade Continua a impressionar-me como a Mulher, o ser mais maravilhoso e mais importante de qualquer comunidade, continua, sobretudo em África, mas, não só, com um estatuto de subalternidade, esmagada por uma sociedade de hábitos machistas. Já é tempo de, todos juntos, dizermos basta! É uma vergonha que, embora a legislação se tenha vindo a alterar a favor da mulher, contudo, a sua condição de ser humilhado, usado, explorado, desprezado, subalternizado, pouco se tenha alterado. Uma vergonha! Ainda há muito para fazer Há festas, flores, bolos, desfiles, mas, os problemas estruturais, de grande gravidade, sobretudo os fundados em rotinas tradicionalistas erradas e fora do prazo, não se resolvem com palavras, nem com boas intenções e festarolas. As entidades responsáveis, a todos os níveis, não podem continuar a assobiar para o lado. Não podem continuar a ter medo de intervir. Ou estarão também imobilizadas pela óptica machista? Há mais de 40 anos, na Rádio Encontro, em Nampula, pusemos no ar um programa semanal destinado à mulher, impressionados pela sua condição de quase escrava. Foi uma luta entusiasmante, na medida em que debatemos acaloradamente, temas como o seu papel de Mãe, a excisão genital, os casamentos precoces, a importância da mulher para a economia do lar, os trabalhos no campo, tantas vezes, com um filho às costas, outro na barriga, outro por perto, à espera de mamar, outros entretidos por lá. Também já havia mulheres que tinham o seu negócio, mas, quase sempre, sem se libertarem da sujeição. Luta exigente Não é uma luta fácil, tanto mais que acontece, neste caso concreto, como com outros que mexem com a tradição, que é a própria interessada que recusa iniciativas de mudança, pois corre o risco de ser marginalizada pela própria comunidade. Perante os muros, deixamos estas situações eternizar-se? Seria uma derrota para toda a Humanidade. O mundo pertence cada vez mais a todos. Sobretudo com as suas diferenças. Uns fazem o que outros não conseguem. Juntos, seremos sempre mais capazes de construir uma civilização com futuro para as pessoas e para o ambiente. Nele cabem todas as línguas, identidades, tradições, religiões, práticas culturais, maneiras de estar na vida se as pessoas aprenderem a amar-se e a amar o outro. Há, pois, que definir os contornos da acção a desenvolver. Cada vez mais urgentemente. É importante que as autoridades responsáveis assumam as suas obrigações e façam cumprir a lei. Em simultâneo, os políticos, nas suas actuações, seja em que palco for, têm de apresentar soluções para a resolução deste problema da situação da mulher. Educação é a porta da mudança Mas, fundamentalmente, a escola, desde os primeiros anos, tem de obrigar-se a educar para a igualdade de género. Continuo a pensar que este problema, como tantos outros, só poderá resolver-se com uma educação que aposte na vida real e eduque para a cidadania e para a intervenção a favor de uma sociedade onde todos tenham direito à liberdade, à felicidade, à igualdade. A educação tem de beber as suas raízes na vida e preparar as pessoas para darem respostas concretas aos problemas estruturais do país e aos do dia-a-dia que preocupam cada cidadão.

out 09 2020

Município de Nampula pavimenta Rua 2.289 que dá acesso ao mercado do peixe

O conselho autárquico da cidade de Nampula iniciou ontem o processo de pavimentação da rua 2289 que dá acesso ao mercado do peixe. A pavimentação da rua compreende 1.2 km de distância e está orçado em 9 (nove) milhões de meticais, fundo do Conselho Autárquico da cidade de Nampula e parceiros. O lançamento da primeira pedra que dá acesso ao mercado do peixe, não contou com a presença dos membros da Assembleia Provincial para dar o seu testemunho da cerimónia de pavimentação da rua 2289. Paulo Vahanle, Presidente do Conselho Autárquico da Cidade de Nampula, explicou que a reabilitação da rua 2289 é o cumprimento dos seus planos de actividades que o município traçou para este ano. E a reabilitada desta estrada vai minimizar aquele que era o congestionamento de viaturas, principalmente no tempo chuvoso que era difícil chegar dentro do mercado do peixe. Nos próximos tempos, o município pretende pavimentar a rua que sai da Av. Eduardo Mondlane ligando o mercado 25 de Junho, vulgarmente conhecido por mercado Matadouro em Mautala. Avançou Paulo Vahanle presidente do conselho autárquico da cidade de Nampula. Questionado sobre a não participação dos membros da Assembleia Municipal, Paulo Vahanle, explicou que os membros tiveram conhecimento da cerimónia, mas recusaram-se a participação sem dar justificação. Sem ser informado da suposta venda da feira Dominical, o chefe do posto de Muhala Expansão arredores da cidade capital de Norte, Paulo António Bosco explicou que a reabilitação da rua que dá acesso ao mercado do peixe, vai ajudar aos munícipes e aos automobilistas a reduzir os acidentes que ali existiam. (Júlio Assane)

out 09 2020

As famílias e a promoção da paz e desenvolvimento da sociedade

Por Serafim João Muacua A família é o fundamento da sociedade. Ela representa uma «pedra angular» na construção da paz e do desenvolvimento na sociedade. O desentendimento que se vive no relacionamento entre as famílias constitui uma ameaça à paz e ao desenvolvimento da sociedade. É da família que saem os cidadãos e na família encontram a primeira escola das virtudes sociais, que são o ponto focal da vida e do desenvolvimento da sociedade. A família constitui o lugar mais eficaz de humanização e de personalização da sociedade. Ela contribui para a promoção da paz e do desenvolvimento na sociedade através da sua experiência de comunhão e de participação na vida social. Como primeira escola de sociabilidade, a harmonia entre os pais e a correcção para com os filhos quando estes estão errados, estimula o crescimento das relações comunitárias,a sensibilidade para com a  justiça, diálogo e amor e uma forte educação ao trabalho. Coragem da mudança “É de pequeno que se torce o pepino”, diz um proverbio popular. Numa família onde os pais primam por uma postura liberalista, olhando com indiferença os maus comportamentos dos filhos estão preparando para a sociedade, talvez, membros delinquentes. O hábito de se colocar sempre a favor dos filhos, de os encobrir, independentemente de estarem certos ou errados, perverte a personalidade deles como futuros membros da sociedade. A falta de união no relacionamento, a vida sempre conflituosa no seio da família, influencia na personalidade social das crianças. A maneira de os pais gerirem o conflito dos filhos dita também na sua educação moral. É a família que tem o dever de educar os filhos  no respeito, no amor à verdade, justiça e solidariedade. Família humaniza Também a educação ao respeito da ecologia ambiental começa na família, quando os pais ensinam os filhos a valorizarem os recursos naturais como a água, as plantas. É assim que o Papa Francisco diz que “a humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo”. Diante de uma sociedade tendente a ser cada vez mais despersonalizada, desumana e desumanizante, a família possui a capacidade de “arrancar o homem do anonimato, de o manter consciente da sua dignidade pessoal”. Portanto, a família é uma pequena sociedade dentro de uma grande sociedade. A paz e o desenvolvimento da sociedade em que estamos, exige conversão das famílias no modo de lidar com seus membros e na maneira como gere os pequenos conflitos no seio das mesmas. As ameaças O mal-estar da sociedade é reflexo do mal-estar das famílias. Não é possível uma sociedade feliz, um mundo pacífico e desenvolvido sem famílias felizes, pacíficas e pacificadoras. Por esta íntima conexão entre a família e a sociedade, impõe-se ao Estado e à sociedade o dever fundamental de respeitar, defender e de promover a família. Contudoé preciso vencer algumas posturas que colocam em causa o seu papelde promoção da paz e do desenvolvimento. Medo: o medo de perder o emprego, do terrorismo, de perder o amor do parceiro, da exclusão, de ficarmos para trás influenciam negativamente o desenvolvimento familiar. Smartphonismo ou onlinismo: é o apego doentio do celular, a ponto de boicotar o diálogo directo entre membros da família e que mata o hábito de conversar, dialogar entre os vários membros familiares. Quaresma sem Páscoa: é a situação de muitos lares familiares hoje que já não são lugar de amor nem de paz, mas, antes, campos de batalha e luta. Consequências práticas Perante estes medos e dificuldades temos uma inversão de marcha a respeito daquilo que a educação familiar exige. Por exemplo, o “você é tudo para mim” transforma-se em “você não é nada para mim”;  “eu amo-te” é substituído por “eu odeio-te”; em lugar do “meu bem” fica “minha desgraça”; “sem você eu não vivo” fica “você é um inferno para mim. É o perigo do desenraizamento generalizado. A ruptura familiar desemboca num caos drástico: filhos desenraizados, idosos abandonados, crianças órfãs de pais vivos, adolescentes e jovens desorientados e sem regras. Famílias responsáveis Enfim, recordamos que a família é uma instituição social de capital importância, é uma instituição de “ensino superior” onde se promovea paz e o desenvolvimento da nossa sociedade. Daí que há necessidade de cada família assumir a responsabilidade de, através da sua experiência de comunhão em casa, na sociedade, transmitir uma boa educação às novas gerações. Como deixámos claro, o mal-estar da sociedade actual é reflexo do mal-estar das famílias. Na verdade, o medo de educar, corrigir os próprios membros da família, a falta da cultura de diálogo, a fragilidade dos laços familiares, a atitude de estar sempre a favor dos membros da família independentemente de estarem certos ou errados, só podem contribuir para a destruição da própria família e da sociedade. Por último, dada a íntima conexão entre a família e a sociedade, existe, por outro lado, o imperativo de a sociedade e o Estado estarem a par da defesa e da promoção dos direitos das famílias, sobretudo as que se encontram em situação de vulnerabilidade.

out 09 2020

Relacionamento de amor o que é?

Por António Bonato Hoje vamos identificar o “cardápio” dos namoros para descobrir que tipo de namoro eu quero. Namoro boxer: é só pancada! Eles vivem brigando. Namoro Fórmula 1: é tudo muito rápido.As pessoas podem se machucar muito, pois andam em altas velocidades afectivas. Namoro Agente Secreto: é aquele que ninguém pode saber. Geralmente, nós só escondemos aquilo que é errado! Namoro Amnésia: namora uma pessoa só para se esquecer de outra. Namoro Casa de Recuperação: fica com uma pessoa só para ajudá-la a sair dum problema. Você deve namorar alguém somente se for a pessoa certa, porque você não é casa de recuperação. Namoro Funcionário Fantasma:é fofo mas… ele nunca aparece! Namoro Catequista: a pessoa diz: “Vou ficar com ele só para levá-lo à Igreja”. Namoro Tartaruga: eles estão juntos há mais de 10 anos, mas nada de se casarem. Deixe de enrolar! Namoro Patrão e Empregado: um vive mandando no outro. Em um relacionamento verdadeiro, é preciso aprender a se respeitar, decidir as coisas juntos. Namoro Home-hotel: transformaram a casa dos pais num hotel. Isso acontece muito com os pais que dizem preferir que os filhos tenham sexo na própria casa, cujo ambiente é familiar e estão seguros e protegidos etc., etc. Protegidos dos ladrões? Talvez sim, mas será que estão protegidos contra um casamento infeliz? O que começa errado pode terminar certo? Namoro Filme de Terror: vive levando susto! Há situações de relacionamentos antigos que precisam ser resolvidos. Não pense que todos os relacionamentos são iguais! Namoro Jaula: depois que você entrou nele, não pode mais ver ninguém, pois ele o proíbe de estar com pessoas que já faziam parte da sua história antes dele chegar. Namoro Espaço Sideral: ele é sem limites. Aqui também se encaixa o famoso “namoro aberto”, ou seja, a pessoa pode-se envolver com outras pessoas e tudo bem! Namoro Virtual: acontece na internet. Todo mundo sabe! Um namoro pode até começar por aí, mas precisa evoluir. Usando uma linguagem tecnológica: faça uma “update” da sua relação! Namoro Oficina Mecânica: só lembra de você quando está com problemas. Namoro de Negócios: está interessado no retorno financeiro que aquele relacionamento pode lhe trazer. Namoro “Eu acho”: porque eles “acham” que se amam ou que devem namorar, mas sem o verdadeiro amor esse relacionamento não deve ir muito longe. Namoro “Pode ser”: como não tenho o que eu queria, “pode ser” esse mesmo… Namoro santo ou namoro cristão: É verdade que, às vezes, esse “prato” demora um pouquinho mais para ficar pronto, mas não há problemas, porque esperar em Deus é, na verdade, a única forma de ver o tempo passar e saber que não o está perdendo; afinal de contas, a Palavra de Deus diz que “existe um tempo para cada coisa” (Ecl 3,1). Nesse relacionamento, eles não gostam de queimar etapas eles vivem a castidade, que não é uma coisa ruim, uma “castração” como alguns pensam. Na verdade, castidade é como o fermento do bolo, sem ela o bolo do seu namoro vai ficar murcho, feio e não vai crescer. Esse é o cardápio.

out 09 2020

A exploração de recursos minerais em Moçambique

As duas faces da mesma medalha Um olhar àindústria mineira em Moçambique que desde 2003 está a atrair grandes investimentos e ao crescente fenómeno dos garimpeiros espalhado um pouco por todas as partes do Pais. Em Moçambique, nestes últimos anos, assistimos, por um lado, ao grande desenvolvimento da indústria mineira:mina de ouro em Manica, carvão mineral em Moatize (Tete) areia pesada e pedras semipreciosas na Zambézia, areia pesadaem Nampula, rubis e gásem Cabo Delgado entre outras. Por outro lado, paralelamente, está a crescer o fenómeno dos garimpeiros que querem aproveitar ilegalmente dos mesmos recursos minerais com meios artesanais ariscando as suas vidas. As duas faces da mesma medalha. As riquezas do País Na página web do Ministério dos recursos minerais aprendemos o seguinte: qualquer substância sólida, líquida ou gasosa formada na crusta terrestre por fenómenos geológicos ou a ele ligados é considerado um recurso mineral. Os trabalhos de prospecção e pesquisa resultaram na identificação de um grande potencial em recursos mineraisnas várias Províncias. Em Niassa:potencial de Carvão no distrito de Lago e cobre; em Cabo Delgado:Ruby em Montepuez, grandes depósitos de grafite associado ao vanádio, em Balama e Ancuabe, depósitos de Gás e petróleo em Palma e Mocímboa, mármore. Em Nampula: ocorrência de metais básicos (cobre, Níquel e zinco) associados ao ouro, vanádio e prata em Monapo e Murrupula; Areias Pesadas em Moma e Angoche; fosfato, água mineral, ferro e calcário. Na Zambézia: areias pesadas no Distrito de Pebane e Chinde, pedras preciosas, tantalite no Distrito do Ile e Alto Molócuè, água mineral.Em Tete: grande potencial de carvão nos distritos de Moatize, Changara, Mutarara, Marávia e Zumbo; identificada a ocorrência de metais básicos (cobre, Níquel e zinco) associados ao ouro, vanádio e prata em Chíduè e Fíngoè, mineralizações de Ferro, Vanádio e Titânio no distrito de Chiúta em Moatize; grafite e fosfato.Em Manica: Ouro, Cobre, Níquel, Bauxite e Água mineral. Em Sofala: fosfato, Calcário, em pesquisa gás/petróleo. Em Inhambane: gás natural em Pande e Temane, no Distrito de Inhassoro, Areias pesadas no Distrito de Jangamo e Calcário. Em Gaza: Areias Pesadas no Distrito de Chibuto e Xai-Xai. Em Maputo: Calcário, Água Mineral. Quem pode ser operador mineiro? Existem 4 tipos de autorização para a prospecção e exploração mineira: a Licença, a Concessão, o Certificado e a Senha Mineira podendo ser titulares destas autorizações qualquer pessoa singular ou colectiva, nacional ou estrangeira com capacidade jurídica, para realizar as operações autorizadas. Mas não é tão fácil entrar nestes empreendimentos porque para começar são necessários enormes capitais e competências técnicas que só as grandes multinacionais mineiras podem disponibilizar. Então como é que ficamos? Porque nem todos conseguem entrar a trabalhar nestas empresas. Ficamos que paralelamente as grandes industrias extractivas, que ocupam milhares de operadores, surge o fenómeno da extracção ilegal onde centenas de garimpeiros procuram o seu sustento. Os garimpeiros A pobreza e a falta de empregos para os jovens estão na origem deste fenómeno. De facto, vários garimpeiros afirmam que se sujeitam a escavar túneis ou a peneirar águas dos rios, incontáveis vezes por dia, à procura de alguma coisa para comer e para ganhar algum dinheiro que lhes permite cobrir as suas necessidades e àquelas da sua família. Além disso,também as invasões de pessoas nas várias concessões mineiras espalhadas pelo País,que continuamente acontecem,a procura de mineiros, parecem mesmo ser ditadas pela situação de fome e pobreza e pela falta de empregos que faz com que se utilizem todos os meios legais e ilegais para alcançar aquele estilo de vida propagandeado, nem sempre pela necessidade, mas pela moda. Acidentes mortais Infelizmente isto está a provocar vários acidentes mortais. Somente neste ano de 2020 em Janeiro recordamos que dez morreram soterrados na sequência do desabamento de uma mina artesanal de extracção de ouro, em Penhalonga, distrito de Manica, Centro de Moçambique. 11 garimpeiros morreram no distrito de Gilé (Zambézia): cinco garimpeiros morreram no final de Dezembro 2019 na região de Muiane, distrito de Gilé, devido à explosão de uma motobomba enquanto estavam a garimpar e no mês de Janeiro outras seis pessoas morreram na sequência de um desabamento de terras. Em Fevereiro na área da Industria mineira Ruby Mining em Montepuez (Cabo Delgado) um desabamento de mina de rubis fez mais de 10 mortos, vários feridos e um número indeterminado de soterrados. É o resultado de infracções cometidas pelos garimpeiros ilegais, mas podemos perguntar também: até onde a segurança foi seguida à risca? Enfim, para que a indústria extractiva se torne em verdadeiro recurso para o crescimento da economia nacional parece-nos necessário que o governo implemente cada vez mais a política de Responsabilidade SocialEmpresarial queirá orientar as acções de investidores do sector em relação às comunidades das áreas onde operam as empresas: promovendo o estabelecimento de iniciativas e empreendimentos que contribuam de forma efectiva para a redução da pobreza e o desenvolvimento das populações abrangidas pelas áreas minerarias. BOX «Os recursos minerais que se encontrem no solo e subsolo, nas águas interiores, no leito do mar territorial, na zona económica exclusiva e na plataforma continental da República de Moçambique, são propriedade do Estado, nos termos da Constituição. Incluem-se no disposto no número anterior os recursos minerais situados no leito marinho e no subsolo do leito marinho do mar territorial». (Lei de Minas, Lei nº 14/2002,  de 26 de Junho 2002)

out 08 2020

A COMUNICAÇÃO SOCIAL HOJE

A cada domingo da Ascensão, a Igreja Católica celebra o dia mundial das Comunicações Sociais. O que são? Como são? Para que servem? Qual é o seu impacto na actualidade? Para compreendermos as questões acima, este texto propõe-se apresentar a mensagem do Papa Francisco para este ano e as incidências do jornalismo moçambicano. O que são os meios de comunicação social? Os meios de comunicação são instrumentos que nos auxiliam a receber ou a transmitir informações a partir de diferentes métodos. No início, seu único objectivo era realmente comunicar. No entanto, com o passar do tempo, as mídias foram se modernizando e a própria necessidade de comunicação também. Os meios de comunicação podem ser subdivididos em várias categorizações. Quanto ao seu campo e atuação encontramos meios individuais: são mídias usadas para comunicação interna e para relações interpessoais simples. Exemplos: correio, e-mail, telefone e fax; e emeios de Massa: são mídias voltadas para comunicação externa, mais ampla e irrestrita, com o intuito de atender ao maior número de pessoas possível. Exemplos: jornal, revista, rádio, televisão e internet. Quanto ao tipo de linguagem temos: Meios Escritos: jornais, livros e revistas; Meios Sonoros: rádio e telefone; Meios Audiovisuais: televisão e cinema e Multimídias: TV digital e internet. Impacto dos meios de comunicação social Ao longo dos tempos os meios de comunicação social têm vindo a desempenhar um papel muito importante. Eles nos ajudam a comunicar com qualquer pessoa, independentemente do lugar em que esta se encontre, ou seja, aproxima pessoas que a geografia e o tempo separam. Com o advento da tecnologia, eles se tornaram ainda mais poderosos, trazendo notícias e informações em tempo real. A internet, por exemplo, permite que informações sejam obtidas com extrema rapidez e facilidade. Além disso, por esses meios podem-se realizar cursos à distância, que podem ser realizados através de aulas acompanhadas pelo computador. Os meios de comunicação também são essenciais para a realização de negócios de vária ordem. Porém, o seu mau uso ou o seu excesso podem trazer problemas e provocar o efeito inverso ao desejado. Por isso, vezes sem conta, vemos indivíduos presos por crimes tanto cibernéticos como também pelo mau uso desses instrumentos como também verdadeira aversão aos contactos interpessoais mais próximos. O que recomenda o Papa Francisco? Na sua mensagem para o dia mundial das comunicações sociais, o Papa Francisco sugere o tema da narração, exortando-nos a construir “histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos”. Portanto, somos convidados a edificar uma “narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita”. Face ao contexto da manipulação das informações que a média actua está propensa, o Papa Francisco não evitou sublinhar que nem todas as histórias veiculadas são boas. “Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade. Mas, enquanto as histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece actual, porque nutre a vida” adverte o Papa. Esta chamada de atenção encontra eco também para o jornalismo moçambicano. Pois, no contexto da multiplicação dos órgãos de comunicação social, entidades há que pautam pelo sensacionalismo. Escrevem porque ouviram dizer e acabam narrando histórias desumanas como aponta o Papa. Procedimentos de comunicação eficaz Uma proposta bem assente na experiência humana é o exemplo de Jesus Cristo. Francisco considera que a Bíblia é “uma História de histórias” porque “O Deus da vida comunica-se, narrando a vida”. E esta narração do amor de Deus que se comunica é apresentada com sinais concretos. “O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstractos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a” refere o Papa. Assim, essa é uma história que se renova e nos renova. De facto, “Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos a Escritura, as histórias dos Santos e outros textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus” conclui o Papa. Nas últimas décadas, com o crescimento e expansão da imprensa escrita, da rádio e da televisão, e com o surgimento de novos meios de comunicação, com destaque para a Internet, o impacto social da imprensa aumentou exponencialmente. Por essa razão, o apelo gritante para que os jornalista operem sempre seguindo a ética e deontologia profissional nas suas narrações. Aliás, é função da imprensa, para além de informar e transmitir uma visão imparcial dos eventos, a fiscalização da actuação governamental, velando pela boa gestão da coisa pública e oferecendo um contrapeso ao poder público, o qual, sem o devido controlo social, pode ser abusado para fins privados e partidários.  (Por Kant de Voronha)

out 08 2020

A desnutrição

Por Paulino José de Castro Desnutrição é a falta de nutrientes no corpo. Esses nutrientes podem ser específicos, como ferro ou zinco, ou in específicos, como a falta de calorias. Esta doença é responsável por ⅓ das mortes infantis de cada ano. Entre as mais comuns faltas de nutrientes estão a glicose, proteínas, ferro, iodo e deficiência de vitamina A. Algumas dessas são comuns durante a gravidez. A desnutrição pode causar diversos problemas de crescimento, neurológicos, psicológicos e, até mesmo, levar à morte. É especialmente comum em países como Moçambique, mas qualquer um em qualquer lugar pode ficar desnutrido. Mesmo pessoas que parecem gordinhas podem sofrer com a falta de nutrientes em seu corpo. Causas: Diversas situações podem causar a desnutrição. São elas: Distúrbios alimentares: Anorexia nervosa, bulimia nervosa e ortolexia são alguns dos distúrbios alimentares que podem causar desnutrição. Elas levam a pessoa a reduzir a sua alimentação e às vezes até parar com ela por completo, causando falta grave de nutrientes. Dieta sem nutrientes: Não são apenas pessoas que comem pouco que podem ficar desnutridas. Uma alimentação completamente voltada para carboidratos como pães, massas, refrigerantes, salgadinhos, pode deixar uma pessoa gorda e desnutrida ao mesmo tempo. Factores de risco: Alguns factores podem facilitar o desenvolvimento da desnutrição e pessoas que se encaixam nele devem se cuidar. São eles: Dificuldades socioeconómicas; Idade avançada; Má alimentação; Doenças crónicas; Alcoolismo; Perda excessiva de peso em pouco tempo. Sintomas Os diversos sintomas de desnutrição são os seguintes:Fraqueza; Irritabilidade; Falta de concentração; Desmaios; Emagrecimento acelerado; Pele grossa; Perda de massa muscular; Cicatrização lenta; Recuperação de infecções lenta; Diarreia persistente; Dificuldade de se aquecer; Letargia; Inchaços; Anemia; Crescimento abaixo do esperado para a idade; Mudanças de comportamento; Mudanças na cor da pele, cabelo e olhos. Os nutrientes em falta podem causar mudanças físicas na criança. Seus olhos podem ficar acinzentados, assim como os cabelos, que podem ganhar um tom de cinza, avermelhado ou loiro. Desnutrição tem cura? Sim, adesnutrição tem cura. Entretanto, não é em todos os casos que ela pode ser curada. É necessário lidar com duas situações: a falta de nutrientes em si e a causa da desnutrição. Quando a desnutrição é primária, o processo de cura é mais intuitivo, mas não necessariamente mais fácil. Mudar a dieta para uma que possua todos os nutrientes necessários ao corpo é a solução, mas nem sempre isso é possível numa situação económicadifícil, por exemplo. O tratamento para a desnutrição consiste em renutrir a pessoa e tratar a causa. As causas podem variar de falta de alimentos e alimentação inadequada a infecções por vermes e câncer. Cada tipo de causa da desnutrição requer seu próprio tratamento específico. Entretanto, a renutrição costuma seguir os mesmos processos em todos os casos e só varia de acordo com a severidade da desnutrição do paciente.

out 07 2020

O Estado de direito precisa da Oposição

Por Deolindo Paua Na nossa jovem democracia, o termo “oposição” muitas vezes é usado de forma pejorativa. Quando se diz que alguém é da oposição, entende-se logo que essa pessoa não gosta do governo ou não ama o seu país. É essa uma compreensão incorrecta É comum entender que pertencer a partidos políticos diferentes é sinonimo de inimizade como acontece nas campanhas eleitorais onde, em lugar de serem ocasiões de discussão e de confrontação de ideias para a construção do País, transformam-se em guerras sangrentas! Na verdade, ser oposição é colocar-se contra qualquer atitude contrária ao normal ou ao que é correcto, por exemplo, os pais podem e devem opor-se ao comportamento errado dos filhos, por isso os repreendem, não porque não os amam, mas pelo contrário, para que eles mudem e orgulhem os seus pais. E assim deveria acontecer na vida politica da nação. Amor a Pátria Portanto, na política ser oposição deveria ser o contraste à corrupção ou contra tudo aquilo que prejudica o desenvolvimento do país e compromete a construção do bem-estar social. Ser oposição resulta, portanto, do amor à pátria e não dum servilismo estéril. Nesta compreensão, ser oposição é cidadania activa e nem sempre precisa necessariamente de pertencer a um partido político, porque um verdadeiro cidadão não deixa que seu país fique parado. Dialogo e Reconciliação Mas como é que chegamos a esta compreensão destorcida do termo oposição? Em cada nação as actividades políticas não devem ser completamente entregues, pelos cidadãos, exclusivamente aos partidos políticos. Os partidos políticos são grupos de interesses que perseguem os objectivos dos seus apoiantes e patrocinadores. Por exemplo no EUA os Republicanos terão dificuldades em limitar a livre venda de armas aos cidadãos, apesar das centenas de vítimas jovens e inocentes, porque as industrias que produzem armas os apoiam. Passamos também a esta má compreensão, do termo oposição, desde que começamos a olhar como opostos dois partidos com histórico de beligerantes. Em Moçambique bem sabemos que historia da inimizade dos dois maiores partidos nacionais durou 16 anos, a guerra civil, para depoisser transferida a frio para a luta política e processo democrático que fazem hoje para a posse do poder. Dialogo e Reconciliação nacional são as duas verdadeira colunas que sustentam a casa comum. Quando falhar uma delas continuaremos a entender a oposição politica como inimigos do pais em lugar de entender que quem critica também tem amor pátrio e quer viver num pais onde a escuta reciproca traz fruto de bem estar para todos. O que nos espera As últimas eleições vieram provar que nós, cidadãos comuns, nos enganamos da pior forma ao deixar a política apenas para os partidos políticos. Estamos redondamente errados ao confiarmos, apáticos, o futuro do país às lutas partidárias para nos trazerem como fruto as liberdades e a justiça social. Confiar a oposição apenas a partidos políticos é arriscado demais. Estes podem fazer oposição apenas nas questões que lhes interessam como grupo. E quanto aos interesses do povo, quem a favor deles vai fazer oposição? Reparemos que por distracção, incompetência ou por qualquer que seja o motivo, esses partidos políticos da oposição não conseguiram o que se esperava. Se amamos o nossos país e queremos que a democracia sobreviva, nós cidadãos comuns, que ainda não temos opção política, precisamos de ficar atentos para evitar que interesses de um só partido, controlador dos recursos de todos nós,arruínem pela injustiça os nossos sonhos como Nação. Precisamos de ficar atentos desde a base, desde as localidades mais longínquas, para constituirmos uma nova visão política diferente da pregada até agora, onde parece que a função pública sirva como oportunidade para afirmar-se financeira e economicamente à custa das nossas distracções políticas. Isto sim, é ser oposição!

out 07 2020

Bíblia: Palavra de Deus para todos os dias

Por Koinonia livros Para celebrar São Jerónimo que, a pedido do papa Dâmaso traduziu a Sagrada Escritura dos originais hebraico e grego para o latim, língua universal daquela época, foi instituído o Ano da Bíblia. A versão latina da Bíblia ficou conhecida como Vulgata. Vamos responder a algumas perguntas comuns sobre a Bíblia. Quem escreveu a Bíblia? A Bíblia foi escrita por muitas pessoas. Não foi escrita de uma só vez. Ela traz as experiências da caminhada de um povo, o povo do Livro, por isso é a reflexão sobre a vida do homem e a resposta aos problemas existenciais ligando-os a Deus. É a reflexão sobre a vida humana e sobre Deus. O povo escolhido, o povo da Bíblia, discutia suas experiências, obtinha respostas iluminadas pela fé, que depois, ao longo do tempo foram escritas. Deus era sempre a referência, o ponto de partida, o centro da vida desse povo. Por isso, foram muitos os autores que, iluminados por Deus, escreveram a Bíblia com estilos literários diferentes. Quando a lemos, percebemos a acção de Deus na caminhada humana que quer o bem de todos os homens e mulheres. Enfim, foram muitas as pessoas que a escreveram, todas elas iluminadas por Deus, inspiradas por Deus, então, o grande Autor das Sagradas Escrituras é Deus que usou de mãos humanas para escrevê-la. Quando foi escrita? Os estudiosos consideram que a Bíblia começou a ser escrita a partir do século IX antes de Cristo. O último livro a ser escrito foi o Livro da Sabedoria que se estima ter sido redigido por volta de cinquenta anos antes de Cristo. Portanto, não temos uma data com dia, mês e ano, porque sua escrita ocorreu lentamente e muito bem preparada por Deus. Porquê se chama Bíblia? Embora a Bíblia, na concepção de livro que temos hoje, se constitua num único volume, seu nome indica que ela não é apenas um livro, mas uma colecção de livros, alguns mais longos, outros muito curtos. Daí a palavra Bíblia, em grego livros, isto é um conjunto de 73 livrosque trazem diversos temas. Porem tratando sempre do mesmo assunto: a reflexão crítica sobre a vida, a caminhada de Deus com seu povo e a religião deste povo.   Porquê dizemos Bíblia Sagrada? Consideramos a Bíblia como sagrada porque ela é a Palavra de Deus. Tudo o que foi criado é obra de Deus, a natureza fala a linguagem de Deus, o universo com suas leis naturais também fala a linguagem de Deus. Ele fala ao ser humano por meio de acontecimentos.A Bíblia nasceu com o próprio homem, pois o homem percebeu, nos fatos e nas experiências da vida, que Deus sempre lhe falou. Em todas as culturas encontramos a religião como forma do homem se relacionar com Deus, de se ligar a Deus. Para o povo da Bíblia, ela começou a ser entendida como Palavra de Deus, a voz de Deus cerca de mil e oitocentos anos antes de Cristo, quando nosso pai Abraão experimentou Deus e entendeu que Ele lhe falava pelos acontecimentos. A partir desta experiência de Deus, a vida de Abraão mudou completamente. Ele passou a interpretar os sinais do Senhor nos acontecimentos e a segui-los. Começa então a ter importância as tradições e experiências religiosas que constituirão parte fundamental da Bíblia. Surgiram os Patriarcas do povo de Deus e com eles toda a experiência deste povo compilada bem mais tarde como livro. A Bíblia é Sagrada porque relata toda essa experiência do homem com Deus, relata a caminhada do homem com seu Deus, construindo a história… História da Salvação.   Porquê a Bíblia católica é diferente da Bíblia protestante? A Palavra de Deus acolhida pelo homem, a Bíblia católica e a dos nossos irmãos separados, protestantes, é a mesma. A diferença aparece quanto ao número de livros que cada uma possui. A Bíblia católica possui setenta e três livros.A Bíblia “evangélica” tem sete livros a menos: Judite, Tobias, 1o Macabeus, 2o Macabeus, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácides) e Sabedoria. Mais diferenças aparecem nos livros de Ester (10, 4-16, 24) e de Daniel (13-14), onde pequenos trechos destes livros faltam na Bíblia“evangélica. Os sete livros que citamos acima não constam da Bíblia hebraica original, só bem mais tarde é que eles passaram a ser considerados como inspirados por Deus quando da primeira tradução da Bíblia hebraica para o grego, atendendo as necessidades dos judeus da Diáspora. Esses livros são chamados “Deuterocanónicos”, isto é, livros que foram aceite como inspirados bem mais tarde ou em segundo lugar. Apesar desta diferença os cristãos católicos e protestantes reconhecem que na Bíblia Sagrada está presente a Palavra de Deus que nos interpela, que nos convida a segui-lo, que quer o nosso amor de filhos e filhas, que nos ama muito mais do que nós a Ele. A Bíblia, Palavra de Deus para todos os dias, deve ser nosso livro de cabeceira. Não pode ficar fechada numa estante como um simples adorno empoeirando-se. Ela deve ser lida e praticada dia a dia.

out 07 2020

O Desemprego em Moçambique hoje

Por Isac Velica Maio é o mês dos trabalhadores. Para acompanhar as comemorações atinentes a essa efeméride trazemos para si o contexto actual do desemprego em Moçambique. O nível de desemprego actual A sociedade moçambicana é banhada por chuvas torrenciais de lágrimas de gente que, dia e noite, gasta assuas energias à procura de emprego,porque o desemprego em Moçambique, hoje, é uma realidade e um problema bastante sério. De acordo com o IV Censo de 2017, Moçambique tem uma população de cerca de 28.861.863 habitantes, sendo que 15.061.006 são mulheres, representando 52%, e 13.800.857 homens, correspondentes a 48%. Deste universo, a Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM), em 2019, atesta que o índice do desemprego no nosso país é bastante alto, situando-se em cerca de 24% e atingindo principalmente a camada juvenil. No entanto, a dificuldade de acesso ao emprego formal não é motivada apenas pelas exigências do mercado (como fraca qualificação, empregos limitados), mas também pela falta de transparência no processo de absorção da força de trabalho (corrupção: contratos via familiares ou amigos, exigência de pelo menos cinco anos de experiência, língua inglesa, etc). Políticas públicas de Moçambique O facto curioso é que o emprego é uma palavra chave nas políticas públicas de Moçambique. Como se pode constatar, um dos objectivos da Política de emprego em Moçambique consiste na promoção da criação de emprego contribuindo para o desenvolvimento económico e social do país e bem-estar dos moçambicanos . Além disso, o Plano Quinquenal do Governo 2015-2019 enfatiza a prioridade de criar emprego como caminho para redução da pobreza . Outrossim, o primeiro número do artigo 122 da CRM reza que “o trabalho é a força motriz do desenvolvimento e é dignificado e protegido”. Ora, na realidade, vê-se que o emprego é uma palavra frequentemente usada para justificar políticas, estratégias e defender projectos de investimento e quaisquer que sejam as decisões; os mecanismos de criação de emprego decente, mais produtivo e que promove o desenvolvimento da sociedade e das pessoas, permanecem não descutidos. Consequências do desemprego Desta maneira, a falta de emprego propicia o aumento de criminalidade, o consumo de álcool e drogas, o aumento de marginalidade, a prostituição e os casamentos prematuros . Estudos feitoscomprovam também que o desemprego aumenta osproblemas relacionados com a saúde física e mental do trabalhador; impulsiona a radicalização política, tanto à direita como à esquerda, bem como a desorganização familiar e social; faz aumentar os divórcios, etc . O que fazer? Portanto, como via de minimização dessa praga, é preciso que haja incentivo ao investimento privado, implementação de políticas fiscais e monetárias adequadas, aumento das despesas públicas, flexibilização do mercado de trabalho, trabalho compartilhado, treinamento e requalificação de recursos humanos, além de outras possibilidades.   BOX A cultura do trabalho “O camponês é preguiçoso, o produtor tradicional é sinal de subsistência e favorece uma mentalidadede dependência!”, são estas algumas falsas afirmações que geralmenteindicam que os trabalhadores agrícolas moçambicanos, e africanos em geral, não têm uma cultura do trabalho. Mas isto não é  teoricamente defensível em termos de ciências sociais. Todos têm uma cultura do trabalho; ou seja, a maneira como as pessoas trabalham reflecte as normas e as representações culturais relativamente ao trabalho. Quando se afirma que os camponeses moçambicanos não têm uma cultura do trabalho, usa-se geralmente a expressão de modo pejorativo e muitas vezes relacionadas com formas de pensar “tradicionais”, mas a proposição cobre um leque ambíguo de significados. Há quem afirme que muitos moçambicanos, particularmente os das zonas rurais, não gostam de trabalho árduo, que são preguiçosos ou indisciplinados no modo como trabalham e que não estão habituados às condições do trabalho assalariado. Se têm emprego, chegam tarde, quando chegam, e saem cedo. Como tem sido observado por críticos, a proposição de que “os africanos não têm uma cultura do trabalho” é uma reminiscência de velhos estereótipos amplamente utilizados no mundo colonial, e não apenas em Moçambique, para explicar conflitos de trabalho nas plantações. A ausência de uma cultura do trabalho continua, de facto, a ser usada para explicar conflitos laborais actuais. (Bridget O’Laughlin, IESE 2017)

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