fev 13 2021
SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM
TEMA: JESUS É MÉDICO QUE CURA A ALMA E O CORPO LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA: Lev 13, 1-2.44-46 «O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento» *Leitura do Livro de Levítico* O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: «Quando um homem tiver na sua pele algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada, que possa transformar-se em chaga de lepra, devem levá-lo ao sacerdote Aarão ou a algum dos sacerdotes, seus filhos. O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’. Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento». Palavra do Senhor. SALMO RESPONSORIAL: Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R. 7) Refrão: Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação. Repete-se Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa e absolvido o pecado. Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano. Refrão Confessei-vos o meu pecado e não escondi a minha culpa. Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta e logo me perdoastes a culpa do pecado. Refrão Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos, fazei que à minha volta só haja hinos de vitória. Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor, exultai, vós todos os que sois rectos de coração. Refrão SEGUNDA LEITURA 1 Cor 10, 31 – 11, 1 «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo» *Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios* Irmãos: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Palavra do Senhor. ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO Lc 7, 16 Refrão: Aleluia. Repete-se Apareceu entre nós um grande profeta: Deus visitou o seu povo. Refrão EVANGELHO: Mc 1, 40-45: «A lepra deixou-o e ele ficou limpo» *Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos* Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte. Palavra da salvação *REFLEXÃO DA PALAVRA DE DEUS* *Acolhimento , cura e inclusão: construindo a fraternidade em Jesus* A liturgia da Palavra deste sexto domingo do tempo comum, nos prepara para iniciarmos o Tempo da Quaresma que começa no dia 17/02, com a Quarta-feira de cinzas. A mistagogia de Jesus é um apelo urgente para o nosso tempo que apresenta modelos sofisticados de exclusão e com justificação de uma forma moderna de garantir segurança e até bem-estar. Cresce cada vez mais o número de excluídos e a sociedade cega não entende que está a perpetuar, como no tempo de Jesus, o isolamento dos leprosos. Quem são os actuais leprosos na tua cidade, tua família, tua comunidade cristã e tua vizinhança? O que deve ser feito para acolher, curar e incluir na sociedade os novos leprosos? *1. A doença da Lepra e as lepras actuais* No tempo que Jesus nasceu, viveu e evangelizou encontrou a doença da Lepra como bicho de sete cabeças. Os relatos bíblicos mostram que os sacerdotes acumulavam o poder da legitimação, exclusão ou inclusão a partir da pureza e impureza dos judeus provocada pela lepra. A lepra ainda não tinha uma cura total. No entanto, o tratamento era possível e embora demorado poderia se obter a cura. Algumas vezes faltava a vontade, outras vezes era fonte de exclusão, isolamento e abandono total. Muitos leprosos eram deixados à sua sorte e os mais prudentes começavam cedo o tratamento mas em segredo porque sendo uma doença contagiosa, o leproso tinha que denunciar se que era”impuro”. Os sacerdotes davam a última palavra e por isso Jesus recomendou ao curar o leproso que fosse se apresentar ao sacerdote que carimbava o cartão do paciente de lepra e introduzia novamente na sociedade dos chamados “puros”. Actualmente temos vários tipos de lepras e acredito serem mais fatais. Quando o HIV tornou-se notícia, muitos foram estigmatizados: na família, no trabalho e na sociedade. Ser seropositivo era a guia de marcha para a morte. Muitos se suicidiram para não sofrerem mais. Os que tiveram a coragem, sofreram na pela a dor da exclusão e até hoje tem gente que pensa que só o outro pode ter HIV. A pobre compreensão sobre as diversas formas de apanhar a doença leva muita gente a julgar que a pessoa não se cuidou ou porque está a pagar muito caro pela vida leviana que levou antes. Falta uma análise crítica e há precipitação nos julgamentos e exclusões. Encontramos igualmente os outros tipos de lepras inventadospela sociedade moderna: Pobreza- os pobres devem viver entre eles e encontramos somente quando queremos dar as migalhas. As mulheres solteiras e viúvas -são as actuais leprosas Numa visita recente a um centro de reassentamento de gente em situação de “deslocados de guerra”, a queixa de mulheres solteiras era de arrepiar. O direito de receber o apoio era dado primeiramente aos casados. Segundo aquelas mulheres, ninguém cuidava dessa parte . Por isso elas se sentiam marginalizadas. Encontramos diversas fundações ou criações de “comunidades ou associações” quase em cada cidade com intenções talvez boas, mas finalmente excluem os outros. Os grupos minoritários
fev 11 2021
Hospital Central de Nampula regista 750 casos de cancro
Hospital Central de Nampula diagnosticou mais de setecentos pacientes padecendo de diferentes de tipos de cancro. Estes dados foram avançados por Dércio Fernando especialista em cirurgia geral, no Hospital Central de Nampula, a margem do dia mundial do cancro que assinala anualmente a 04 de Fevereiro, que fez saber que dos 750 casos positivos de cancro, resultou rastreio em 3500 pessoas de Janeiro a esta parte. Os 750 doentes juntam-se aos outros 1200 que estão em tratamento em quimioterapia e outros estão sob cuidados médicos. Aliás, o especialista em cirurgia geral anotou que, os dados são referentes a três províncias nortenhas e uma da zona centro do país, nomeadamente, Nampula, Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, no centro do país. “Estes casos registam-se com maior frequência em todas as províncias da região norte do país, incluindo a província central da Zambézia” Avançou. O nosso entrevistado, precisou que o Hospital dispõe de equipamento para o rastreio do cancro, pese embora, esteja a clamar por uma assistência com vista a responder a demanda dos pacientes que procuram estes serviços, para além de adequar a realidade do momento com a evolução da tecnologia. “Nós temos equipamentos suficientes para o rastreio de cancro e o nosso maior desafio é imprimir nova dinâmica para responder as exigências que a realidade hodierna impõe”. assegurou. Entretanto, alguns pacientes internados nos serviços de oncologia no Hospital Central de Nampula, apelam as pessoas a se fazerem ao centro de saúde mais próximo para receberem os tratamentos porque, segundo suas palavras a doença de cancro tem cura. “Apelar a todos cidadãos padecendo de cancro a se dirigirem ao posto de saúde mais próximo no sentido de receberem tratamento visto que a doença de cancro é mortífera quando não é tratada correctamente” exortou, Beatriz João Alberto. (Júlio Assane)
fev 11 2021
Em Nampula três pacientes estão internados e sob cuidados intensivos por conta da covid-19
Três pessoas encontram-se a beneficiar de cuidados médicos intensivos no centro de isolamento instalado no Hospital da Graça em Nampula, por conta da covid-19. Com uma capacidade instalada para atender trinta doentes graves pela covid-19, o centro de isolamento instalado na cidade de Nampula, e que assiste os 23 distritos, estão internados apenas três pacientes com idades acima dos cinquenta anos, dois são do sexo masculino e uma feminina, todos sob cuidados intensivos. “Irmãos moçambicanos, a doença de coronávirus existe e, é uma realidade. Desde já, quero apelar-vos a seguir todas as recomendações que o ministério de saúde tem levado a cabo, no que concerne a prevenção da covid-19, porque fora disso, nada de esperar senão catástrofe” avisou uma entrevistada. Num outro desenvolvimento, a fonte explicou que, ainda não conseguiu descortinar a dor desta doença altamente mortífera, senão a redução do oxigénio no organismo, resultante da invasão no vaso pulmonar. “Até aqui, não senti nenhuma dor, simplesmente perdia respiração, resultante da invasão do vaso pulmonar. Aquilo parecia uma anedota, mas, não afigurou tarefa fácil para ultrapassa-lo. Agradeço a Deus pela protecção e acredito que sairei daqui, são e salvo” assegurou. Segundo Fabião Ernesto, enfermeiro responsável daquele centro, os pacientes internados são provenientes de vários pontos da província de Nampula, transferidos aquela enfermaria a partir do Hospital Central de Nampula, na sequência da gravidade dos seus estados de saúde. Precisou ainda que, desde Junho do ano passado, altura em que o mesmo foi instalado, o mês de Janeiro de 2021 registou o pico de internados com 18 pacientes que saldou em seis óbitos, e Julho do ano passado com dez doentes graves, sem vítimas mortais. “No mês de Janeiro registamos 18 pacientes, dos quais 6 não conseguiram vencer a morte. No mês em alusão, registamos o pico de internados desde a criação deste centro em Julho do ano passado” disse. A fonte explicou que, da capacidade instalada, apenas dez por cento é o que tem sido explorado. “Do total de equipamentos que dispomos, apenas usamos dez por cento, isto significa que, ainda temos stock suficiente para responder qualquer eventualidade ligada a pandemia da covid-19”. Contudo, o nosso interlocutor apela a todos os cidadãos a observarem as medidas de prevenção desta pandemia viral, no sentido de evitar situações anormais que poderão concorrer para o colapso do sistema nacional de saúde. “Quero apelar a todos os cidadãos moçambicanos sem distinção de cor partidária para colocar mão na consciência porque o coronávirus é uma realidade e está a matar”. De referir que, desde abertura deste centro no mês de Julho do ano passado, cerca de 44 pacientes foram internados, com um total de 9 óbitos registados.
fev 10 2021
Utentes sabotam a ponte aérea e arriscam-se saltando murros
Os Utentes de pontes aéreas continuam reticentes no uso destas infra-estruturas, estes preferem arriscar as suas vidas que recusam abandonar atravessar a linha, sob todos os riscos dai decorrentes. A semelhança de outras pontes aéreas instaladas ao longo da linha férrea do corredor de Nacala, e na cidade de Nampula em particular, vive-se um verdadeiro cenário de tristeza e realidade em vários locais, os munícipes preferiram vandalizar os murros de vedação construídos para o efeito, para facilitar a travessia passando por baixo das máquinas, mesmo apercebendo-se do perigo que lhes incorre. Entretanto, alguns utentes entrevistados pela nossa reportagem, condenaram a acção, relegando atitudes desviantes, como estando na origem do recuo. Aliás, alguns dos entrevistados, sublinharam que preferem usar os murros, porque segundo suas palavras, as pontes construídas são de grande dimensão e lhes gasta muito tempo para chegar aos seus destinos. Refira-se que, recentemente um indivíduo foi trucidado mortalmente ao tentar atravessar a linha férrea na zona da Faina, bairro de Murrapaniua, arredores da cidade de Nampula. (Júlio Assane)
fev 10 2021
Reassentados de Nahene B queixam-se de falta de infra-estruturas básicas
Reassentados de Nahene B pelo Corredor Logístico do Norte, e Conselho Autárquico de Nampula dizem terem sido abandonos a sua sorte, uma vez que a região para onde foram transferidos, parta além de ser distante da cidade falta tudo e menos nada ao que tange em infra-estruturas básicas. A título de exemplo, há um pequeno furo de água que é usado para mais de duas mil e quinhentas famílias ali reassentadas. São famílias que viviam nas imediações da linha férrea, e transferidas, para dar lugar as infra-estruturas construídas pela CLN em coordenação com a edilidade, dentre elas o viaduto e a ponte aérea instalada na zona da Memória. De acordo com o regulamento de reassentamento em vigor no país, nesta comunidade o muito não foi cumprido pela empresa assim como a edilidade. Não existe posto policial, posto de saúde, transporte público, mercado, entre outras. Por outro lado, a qualidade das casas deixa a desejar e os moradores afirmam que em tempos chuvosos, estes vivem um cenário dramático com a água das chuvas a penetrar para o interior. Estas reclamações são do conhecimento da multinacional assim como da edilidade, e que dos vários encontros levados a cabo para o efeito, asseguravam corrigir os erros, mas nada foi feio senão promessas que não passaram por sonho. (Júlio Assane)
fev 10 2021
Venda de mercados pela edilidade coloca mais de mil famílias sem alternativas para a vida em Nampula
Número de vendedores supera capacidade de oferta de espaços legais decretados pela edilidade em Nampula. A venda do mercado dos Belenenses entre outros, coloca este grosso da classe social sem alternativa para a vida. Espera-se um quadro negro no município de Nampula na sequência de falta de alternativas para os vendedores fixos nas ruas e artérias da cidade de Nampula. O mercado que acolhia o grosso destes vendedores caso do mercado dos belenenses foi vendido para singulares visando cenário não menos bons. Contudo dizem não ter alternativas, tendo em conta que é disto que estes ganham a vida para sustento dos seus dependentes. “Nós não sabemos onde iremos realizar as nossas actividades comerciais, porque os mercados que nós confiávamos para vender os nossos produtos todos parece terem sido vendidos pela edilidade” avançaram vendedores que se encontram a exercer a sua actividade comercial nas vias da cidade de Nampula. Entretanto, recentemente, Paulo Vahanle, Chefe do executivo do Conselho Autárquico de Nampula fez menção que estão autorizados apenas a venda nas ruas os ambulantes, e todos os vendedores fixos serão todos removidos para os mercados que se encontram na cidade. (Júlio Assane)
fev 10 2021
Emakhuwa Consultoria e Serviços lança campanha de inscrições para cursos profissionalizantes
Com vista a cooperar na formação profissional e profissionalizante de jovens, a Emakhuwa Consultoria e Serviços lançou na manhã desta quarta-feira, (10) o arranca da segunda fase de inscrições. Trata-se de uma campanha que irá decorrer até 31 de Março do corrente ano. De acordo com o Director da Emakhuwa Consultoria e Serviços, Pe Cantífula de Castro, constam na lista do menu institucional, cursos de curta duração a serem ministrados a partir de Abril próximo: o Curso Regular da Língua Emakhuwa, Curso de Inglês, Curso Básico de Jornalismo e Curso de Recursos Humanos. “Nós estamos a trabalhar por forma a marcar diferença no mercado global. Pois, apostamos na qualificação dos nossos estudantes. Estamos certos que há muitos lugares que formam jovens, mas nós fazemo-lo de maneira diferente e sempre focados no mercado laboral e com preços Xapunttheya”, referiu a fonte. Ademais, o Director da Emakhuwa Consultoria e Serviços reconhece a pertinência da formação online sem prescindir a formação presencial, como forma de dar oportunidade aos jovens que trabalham durante o dia e a qualquer momento podem realizar os seus sonhos fazendo um curso através de plataformas digitais. “De facto, temos consciência da urgência e pertinência da formação online, sobretudo no contexto da proliferação da pandemia da Covid-19. Julgamos que é preciso dar oportunidade a todos que sonham em fazer seus cursos. Mas devido a carga de trabalho, por vezes não conseguem faze-lo de forma presencial. Eis-nos aqui com este desafio que é, igualmente, traduzido como ocasião de valorar e estimular para o bom uso das teconoligas digitais”, disse o Pe Cantífula. Refira-se que a Emakhuwa Consultoria e Serviços (ECS), – Sociedade Unipessoal Limitada, é uma pessoa colectiva de direito privado, dotada de personalidade e capacidade jurídica, com autonomia administrativa financeira e patrimonial e é uma pessoa de natureza lucrativa. A sociedade tem a sua sede na cidade de Nampula – MOÇAMBIQUE. (Por Kant de Voronha)
fev 08 2021
Recenseamento militar decorre a passos de camaleão em Nampula
O Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização de Nampula recenseou até ao momento cerca de dez mil jovens para o cumprimento do serviço militar. Esta cifra representa, 45 % dos 24424 planificados, contra 22000 de igual período do ano passado. A pandemia da covid-19 que está a ganhar contornos alarmantes a cada dia que passa, está a impactar de forma negativa o processo de recenseamento militar segundo deu a conhecer o delegado do Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização em Nampula. Numa outra vertente a fonte referiu-se da instalação de cerca de 94 postos de recenseamento nos 23 distritos da província de Nampula. Anunciou ainda que serão criados 13 centros moveis que irão abranger os deslocados de Cabo Delgado que se encontram no centro de acolhimento de Corrane, distrito de Meconta, zona intermédia da província de Nampula. Contudo, o nosso interlocutor apela a todos os jovens com idade para se recensear a dirigir-se aos postos de recenseamento. Por Júlio Assane
fev 07 2021
Moçambique precisa de uma cura urgente
Curar-se de uma ferida exposta é fácil porque além da dor, pode também provocar mau cheiro ou atrair moscas. A cura que vamos partilhar nesta breve crónica é de uma ferida que vem corroendo a cada moçambicana e moçambicano sem perceber ou fingindo que não percebe. O pior somos nós que fingimos que não sabemos, fingimos que estamos bem, fingimos que não temos ferida, porque arrastamos os demais ignorantes e consequentemente tornaremos o país num centro de tratamento de feridas incuráveis. Vamos aos pontos para que cada um perceba que é de facto urgente que assumamos que estamos feridos e precisamos da cura o mais rápido possível. 1. Guerras contínuas Precisamos de cura de várias guerras que vêm se arrastando e ultimamente tem sido quase um hábito de vivermos na e de guerra. São poucos anos que passamos sem nenhuma guerra. Aliás é difícil lembrar que passamos algum tempo sem guerra. Basta lembrar que desde 1964, a luta dos dez anos de libertação do país, até aos nossos dias, quase sempre respiramos de guerra. Algumas pessoas que se acham que têm ou são donos da razão de provocar guerra como forma de reivindicar seus direitos, não usam da razão para dialogar e encontrar soluções. A guerra não é e nunca será o caminho para se chegar ao consenso, pois temos acompanhado que só perdemos concidadãos inocentes e destroem muitos bens. O país, além de perder milhares de irmãos, de crianças e mulheres inocentes, de jovens sem a realização dos seus sonhos, provoca traumas, pânicos e feridas de difícil cura por serem guerras entre irmãos e guerras contra os nossos bens. A miséria cresce cada minuto porque não há tempo suficiente para reconstruir o capital humano que está totalmente degradado. Temos que assumir essa ferida e buscarmos a cura que consiste em: 1.1. Diálogo entre o visado e a parte que se acha ter ofendido Permitir que a conversa traga frutos de reconciliação e amadurecer a fraternidade. 1.2. Segurança nacional O investimento na segurança nacional é urgente. Reforço de pessoal e proteção das fronteiras terrestres e marítimas. Não vamos esquecer da fragilidade das nossas fronteiras e a fama de acolhedores não deve ser o motivo de invadirem o país. Que entre no país gente autorizada conforme a lei: entrada de turistas, missionários, funcionários e diplomatas. 1.3. Desarmamento e controle rigoroso de armas Não deve ser permitido a posse de armas nas mãos de desconhecidos nem de pessoas mentalmente desafiadas. A soberania de um país passa necessariamente pelo rigor no uso de armas e razões para compra de armas. 2. Calamidades naturais O país está desprotegido. As políticas ambientais não favorecem, por exemplo, a resistência contra qualquer vento, qualquer seca ou um pouco mais de chuvas. 2.1. Construção de casas melhoradas Milhares de moçambicanos vivem em casas precárias e por isso qualquer vento derruba facilmente. Deve haver política de investimento de casas a preços acessíveis mas resistentes. 2.2. Proteção de locais de grande risco Não é lógico que haja gente que insiste em morar nas regiões de risco como nas margens de grandes rios ou em pântanos. O governo tem poder de retirar essa gente e assentar em lugares mais seguros. 2.3. Monitoramento dos ciclones Ultimamente, o país está de parabéns porque o instituto metereológico tem trabalho bem e conseguido avisar cada situação que se aproxima ora de chuvas ora de ciclones. O povo deve seguir as orientações para evitar que aconteça o pior. 3. Doenças frequentes Em muitos países, há doenças que já não são nenhum problema porque conseguiram erradica-las. A malária mata mais que as balas perdidas. Milhares de crianças morrem em Moçambique devido à malária. Nos hospitais já não há mais controle de quem morre ou sobrevive de malária. Doenças diarreicas, como a cólera mata mais o ano todo. A bebida de água não potável é a causa principal e muitas aldeias, o povo ainda continua a consumir água dos rios sem nenhum tratamento. Deve haver vacinas dessas doenças. Deve haver controle epidemiológico e tratamento das águas para que o povo se previna das doenças. Ainda presenciamos, nas cidades onde há condições de testes, a prevalência de doenças como febre tifoide e cancro. Entretanto, milhares de moçambicanos morrem sem saber do que morrem porque não há testes disponíveis para alguns tipos de doenças perigosas. Como solução, as políticas de saneamento ambiental e medidas de prevenção devem ser aplicadas e intensificadas. O povo deve ter acesso aos testes para evitar-se qualquer mal. Tudo é possível basta ter vontade política . Para hoje é tudo. Vamos festejar o dia dos heróis e se também lutarmos para o bem de todos um dia vamos ser heróis anônimos. O que interessa é lutar sem armas para o bem do povo, principalmente, os excluídos. Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.
fev 07 2021
Aprendendo com os heróis nacionais
É bonito ver quando chega uma data comemorativa que lembra o dia dos heróis, várias personalidades governamentais e outras individualisades de diversas áreas do poder a homenagear na praça dos heróis milhares de homens e mulheres que morreram pela pátria. É bonito ainda testemunhar a condecoração de gente que corajosamente dedicaram-se por algum tempo na luta para o bem comum: independência nacional, paz e democracia etc. Na minha pobre compreensão, não deveria somente ser um dia de homenagear os heróis exclusivos, mas de forma abrangente e de pessoas que amplamente doaram suas vida para o bem de um certo povo. Na minha lista deveriam estar perpetuados não somente os que pegaram as armas de guerra mas também aqueles que usando a razão, a consciência, o bom senso, lutaram para uma nação mais fraterna, mais solidária etc. Abrindo o caminho para um debate, e quem sabe, um dia acrescermos a lista dos heróis, apresento a proposta de tipos de pessoas a ser considerada de heroínas e heróis. Apresento igualmente o que devemos fazer para que o seu legado continue na consciência coletiva do povo. 1. Militares, para militares exemplares Homens e mulheres que renunciando o seu conforto lutaram nas diferentes guerras para o bem de certo povo. Não deveria ser pelo facto de pertencerem a um partido do fulano ou da fulana, mas após uma avaliação dos objectivos pelos quais uma pessoa decidiu tomar a arma e lutar. Não se trata de uma tarefa fácil pois exige uma compreensão mais humana e patriótica. Seria possível somente num país com parlamento propriamente a serviço do povo e que decida assuntos em favor do povo. Deveriam ser estabelecidos claramente critérios de chegada a categoria de herói independentemente se o “gajo” ou a “gaja” foi rebelde ou um dia chamou-se bandido ou bandida. Não quero defender aqueles que injustamente mataram os irmãos e destruíram os bens de um país, mas a partir de uma certa comissão criada para esse fim, definisse quem pode ser e quem não pode ser herói ou heroína. 2. Datas definidas e abrangentes Neste ponto pretendo abordar a questão da abrangência da data dos heróis. Para que a maioria, se possível todos se sintam contemplados, o dia dos heróis deveria ser definido olhando não somente o dia que morreu o amigo de um, mas também o inimigo do outro ou por exemplo, daquele partido que está no poder. Ao insistir excluir alguns por não fazerem parte de um partido, o dia que deixar de governar o seu partido também há risco de serem retirados seus heróis em praças públicas. Não quero provocar ódio nem instigar alguém que faça isso um dia. Mas apresento o óbvio que o que foi recusado hoje pode ter razões de dar o mesmo troco em determinado momento da história. Havendo definições claras hoje nunca correremos o perigo de um dia termos praças públicas não mais públicas por serem privatizadas por partidos políticos. O assunto é tão delicado que pode ferir a sensibilidade de alguém porque a praça pública, conforme o termo, deve ser para todos compatriotas. Não se trata de uma propriedade privada de um grupinho que acha ter privilégios, mas para todos que fazem parte de uma nação. Portanto, as datas também deveriam ser revistas, definidas novas que incluam a todos. Então seria: “nova data nacional dos heróis da pátria”. Seria uma tentativa porque na vida tudo é possível desde que se use os vários dons que cada um tem. É possível uma convivência pacífica entre inimigos desde que cada um abra a mão da sua razão e sua arrogância. 3. Novos critérios de ser herói nacional Os “novos heróis” que passariam a residir nas “praças dos heróis ” não dependeria das suas mãos terem manchado com sangue ou não. A nova categoria de heróis teria o novo sabor: 3.1. Competência, doação e auto entrega Homens e mulheres que em vida deram exemplo de competência, doação e entrega de suas vidas para o bem comum, todos seriam declarados heróis. Tem gente que dá vontade de mencionar seus nomes pela forma como souberam e sabem mostrar que é possível ser diferente: um professor educador, uma enfermeira muito humana, um polícia de trânsito amigo do povo, um juiz mais justo, etc. 3.2. Auto crítica e conselho Existe grande dificuldade de acolher os críticos e conselheiros porque mexem as feridas de muita gente poderosa. No entanto, para o crescimento de um país, deve haver gente que sabe auto criticar-se e criticar positivamente as ideias, as autoridades, dar conselho os que exercem o poder num determinado país ou mesmo numa sociedade particular. Eu consideraria como heróis porque os críticos que muitas vezes se tornam inimigos de algumas pessoas, mas também são mortos pela boa causa. A heroicidade de uma pessoa tem a ver com sua coragem mas para o bem comum. Não abusa da sua língua para ofender os outros mas também não vive de covardia pois sabe muito bem que se não falar as coisas não melhoram. Então, esse tipo de gente deve estar e ser homenageada na praça dos heróis e seus nomes cravados para que a geração futura aprenda com seus exemplos de cidadania. Poderia dar vários exemplos mas por hoje é tudo. A ideia é mesmo trazer nova reflexão sobre os critérios de definição de heróis e heroínas, datas específicas e abrangentes, exemplo de vida a serviço da pátria e a despartidarização das praças públicas para evitar que cada partido que ganhar às eleições menospreze os heróis ditos doutro partido. Os heróis de um país são uma memória de um povo. Um povo sem memória é um povo ainda colonizado. Viva os heróis nacionais incluindo os anónimos! Servo inútil, Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.


